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nublou-se o horizonte,
nublou-se a floresta, nublou-se o vale.
Cecília Meireles
in Mar Absoluto
A repetição das palavras no início de cada verso da estrofe destacada é um recurso estilístico que:
[...]
Excomungado dos teus beijos
resta-me o singular destino
de pingar pétala a pétala
toda a geografia cuidadosamente recortada
à imagem incerta das nossas veias
e mesmo assim existir
inventar o amor
com dálias murchas de amargura.
[...]
(MUTEIA, Hélder. Verdade dos mitos. Moçambique: Associação dos Escritores Moçambicanos.)
O tema apresentado pelo moçambicano Hélder Muteia é universal; seu texto pode ser reconhecido como pertencente ao gênero lírico considerando:
(Arte Jornal da USP sobre foto Wikimedia Commons – CC. Disponível em: https://jornal.usp.br/cultura/memorias-postumas-de-bras-cubasobserva-a-condicao-humana/.)
A inscrição na lápide da imagem é uma referência à dedicatória no romance “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, publicado pela primeira vez em 1880:
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas.”
Outro trecho do livro:
“Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta- -feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns 64 anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de 300 contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.”
De acordo com os trechos destacados, pode-se afirmar que o foco narrativo:
I. Uso de expressões que indicam a significação de algo.
II. Mensagem voltada para a própria linguagem: verbal e não verbal.
III. Com a finalidade de persuasão, o eu lírico dirige-se diretamente ao interlocutor.
IV. Emprego de recursos linguísticos que favorecem a manutenção do contato comunicativo.
Está correto o que se afirma apenas em
Esvaziou o copo cheio de vinho, e com a barba nas mãos alvas, com os olhos de verde-mar fixos, falou:
— Sabeis, uma mulher levou-me à perdição. Foi ela quem me queimou a fronte nas orgias, e desbotou-me os lábios no ardor dos vinhos e na moleza de seus beijos, quem me fez devassar pálido as longas noites de insônia nas mesas de jogo, e na doidice dos abraços convulsos com que ela me apertava o seio! [...]
(AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna. In: BUENO, Alexei (Org.). Obra completa de Álvares de Azevedo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. Fragmento.)
Álvares de Azevedo, um dos grandes nomes do Romantismo no Brasil, apresenta no fragmento destacado:
Mas já nesse tempo o povo tinha adotado o poeta, repetindo e cantando em todos os ângulos do Brasil. [...]
(DIAS, Gonçalves. Apud: CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 6. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981. Fragmento.)
Considerando o fragmento anterior e a estética literária à qual pertence o seu autor, pode-se afirmar que:
“Deve-se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada.” (5º§)
Embora não apresente elementos coesivos sequenciadores, é possível estabelecer uma relação de sentido entre as orações destacadas e as anteriores. Qual conector melhor articularia essas orações no período e qual seu valor sintático-semântico?
“...por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias (...) que fazem classificações de ‘superiores’ e ‘inferiores’.” (6º§)
Nesse contexto, o uso das aspas nos termos “superiores” e “inferiores” sinaliza para o interlocutor a presença de:
I. “Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam?” (3º§)
II. “Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra?” (4º§)
III. “Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o ‘outro’ é inferior carrega a lógica da dominação?” (6º§)
Esses questionamentos foram utilizados como estratégia argumentativa e são conhecidos como perguntas retóricas. Sua função, no texto é, sobretudo, a de: