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Nestas últimas décadas, surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões.
Separação e responsabilidade
Nos tempos de hoje, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de “pais órfãos de filhos”. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança, mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – da crença de que seus pais se bastam. Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a “presença a troco de nada, só para ficar junto”, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhamento de valores e de interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ““não querem incomodar ninguém”, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da “falta de tempo” torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.
A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz
Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. Para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bem-vindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas, as gerações em conflito se infringem. [...]. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrirse para o outro. É experiência delicada e profunda de autorrevelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.
FRAIMAN, A. “Idosos órfãos de filhos vivos são os novos desvalidos do século XXI”. Disponível em <http://www.revistapazes.com/54402/>. Acesso em 30 out. 2017. (Adaptado)
A respeito dos usos dos vocábulos “que” e “se”, assinale a alternativa correta.
As pulpites reversíveis são caracterizadas por dor fugaz, promovida a partir do estímulo com impulsos na velocidade de 2 m/s a 30 m/s.
Na zona acelular de Weill alojam-se as fibras tipo C, que formam um complexo denominado de Rashkow.
Os mastócitos, situados na periferia dos vasos, atuam como agentes álgicos complementares no processo inflamatório por meio da liberação de cininas.
As organelas presentes nos prolongamentos odontoblásticos são responsáveis pela produção dos mediadores álgicos que promovem a hipersensibilidade dentinária.
As pulpites irreversíveis são caracterizadas pela dor difusa a partir do estímulo de fibras nervosas que possuem de 1 µm a 6 µm de diâmetro.
A varicela, conhecida como catapora, é uma infecção altamente contagiosa, transmitida de pessoa a pessoa e que causa surtos. A vacina contra varicela deve ser administrada em crianças com idade entre um e doze anos, em dose dupla, com intervalo mínimo de três em três meses.
Um residente observou, durante seu período de trabalho, algumas práticas suspeitas por parte da equipe de farmacêuticos da unidade de residência, como a liberação de laudos contendo resultados diferentes dos obtidos em laboratório. Nessa situação, o residente deverá comunicar o ocorrido ao conselho regional de farmácia em que estiver inscrito.
Considerando-se a função farmacotécnica dos excipientes da formulação em tela, é correto afirmar que a celulose microcristalina assume a função de diluente e o talco e o esterato de magnésio são considerados lubrificantes.
Esse fitoterápico apresenta extrato seco na sua composição e, como a maioria dos sólidos orais, prescinde da realização de ensaios microbiológicos na fase de controle de qualidade.
Situação hipotética: Um estudo embasado em estatísticas populacionais, realizado em um município brasileiro entre o ano de 2000 e 2015, constatou um aumento da mortalidade por neoplasia maligna de pâncreas, estando esse aumento diretamente relacionado ao incremento do consumo de bebidas alcoólicas nessa população no referido período de tempo. Assertiva: Nessa situação, as características metodológicas configuram um estudo transversal.
Situação hipotética: Uma pesquisa foi realizada, durante um ano, em escolas públicas do Distrito Federal, com o objetivo de avaliar a condição de saúde de crianças em idade escolar. Foram feitos avaliação antropométrica, inquérito alimentar e coleta de amostra de sangue de todas as crianças e, entre os resultados, foi constatado que 12% das crianças estudadas apresentavam anemia. Assertiva: Essa situação hipotética exemplifica um estudo de coorte.
Situação hipotética: Para serem obtidas informações sobre a utilidade de exames cardiológicos periódicos, trabalhadores sadios de uma empresa de mineração foram divididos aleatoriamente em dois grupos, sendo um deles submetido a exames cardiológicos periódicos e o outro, não. Após alguns anos, a incidência de infarto do miocárdio foi avaliada nos dois grupos. Assertiva: O estudo feito pode ser classificado como um ensaio clínico.
No que concerne a esse caso clínico, julgue o item seguinte.
Jorge deveria ter sido encaminhado imediatamente ao serviço de urgência pela técnica de enfermagem, visto que o período de espera pela avaliação médica havia exposto o paciente ao risco de agravamento e à ocorrência de lesão em órgão-alvo; não competindo à atenção primária o pronto atendimento.
Sabe-se que um estudo realizado para identificar a causa associada a uma determinada exposição, de realização relativamente rápida e de baixo custo é representado pelo estudo de caso-controle. Considere como um exemplo desse tipo de estudo a identificação em pacientes com diagnóstico de neoplasia de pulmão, a possibilidade de haver associação com o hábito de fumar, tendo como controle indivíduos que não têm esse diagnóstico. Nesse caso, para realizar esse estudo, o grupo-controle não necessita ser composto por indivíduos sadios: os indivíduos podem possuir outras doenças, desde que não etiologicamente ligadas à exposição que esteja sendo investigada.
A consulta para a avaliação da causa da descompensação pressórica não poderia ter sido adiada para a semana seguinte, pois, nesse intervalo de tempo, Jorge corria o risco de ter novo episódio de agravamento.
Um exemplo de estudo de coorte é um estudo de longa duração que busque avaliar os efeitos do consumo de ômega 3, sendo, para isso, estruturado no acompanhamento clínico de uma população litorânea que se alimente principalmente de peixe, em comparação com uma população interiorana cujo hábito não inclua esse alimento.
No estado democrático de direito, responsável pelas políticas sociais e, portanto, pela saúde, destacam-se como fundamentos a democratização do acesso e a universalização das ações.