Mortes de botos no Amazonas refletem
problemas do ecossistema da região.
A mortandade de botos no Lago Tefé, no
interior do Amazonas, pode indicar que o
ecossistema da região está afetado. “Por
estarem no topo da cadeia alimentar, os botos
são considerados sentinelas da saúde e da
qualidade ambiental do ecossistema da região”,
explica a pesquisadora Marina Galvāo Bueno,
do Laboratório Virologia Comparada e Ambiental
do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que
participa da força-tarefa que investiga a súbita
mortandade dos botos, que “aponta que,
possivelmente, todo o ecossistema já esteja
afetado”.
Mais de 150 animais foram encontrados
sem vida na região que vem sofrendo as
consequências de uma severa estiagem. O
animal mais atingido é o boto vermelho, também
conhecido como boto-cor-de-rosa, um dos
principais símbolos da fauna amazônica. Os
botos tucuxis, espécie de golfinho de água doce,
também foram bastante afetados.
A Operação Emergência Botos Tefé foi
instaurada pelo Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio),
vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, com
apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento
Sustentável Mamirauá, associado ao Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovações.
Ainda não há uma causa definida para o
incidente. As amostras de tecidos e órgãos
analisados até o momento pela força-tarefa não
apontaram a presença de agentes infecciosos,
como vírus e bactérias, capazes de justificar o
elevado número de mortes.
Instituições nacionais e internacionais
estão divididas em grupos de trabalho dedicados
ao recolhimento e necropsia de carcaças para
análises. “Assim que as carcaças são
localizadas, a equipe realiza as necropsias e
documenta todas as lesões. O grupo está
equipado com todas as medidas de
biossegurança e materiais necessários para
coleta de material biológico para avaliações
histológicas, toxicológicas e de biologia
molecular”, relata a pesquisadora. Além disso,
os especialistas estão fazendo uma avaliação da
qualidade da água e resgate e reabilitação de
animais sobreviventes.
O Amazonas enfrenta um período de
forte seca e diversos focos de calor. A
temperatura da água na região do Lago Tefé
chegou a 39,1°C em medição realizada no dia
28 de setembro — muito acima do normal para a
localidade, que é de cerca de 30°C.
De acordo com o boletim de estiagem do
estado nortista, divulgado em 15 de outubro, 50
dos 62 municípios do Amazonas estão em
situação de emergência. “É uma situação que
vai além da conservação da biodiversidade, que
também é extremamente importante. Há muitas
pessoas que moram na região e compartilham o
mesmo ambiente que os botos, utilizando a água
do rio Tefé para locomoção, alimentação e
higiene pessoal. Elas estão expostas às
mesmas condições que causaram a morte dos
botos. Portanto, também é uma questão de
saúde humana”, destaca Marina.
Fonte: Mortes de botos no Amazonas refletem problemas do
ecossistema da região | CNN Brasil