Leia o texto a seguir para responder à questão.
Com quantas pautas se faz o ‘BBB’?
Reality da Globo trouxe, neste ano, temas como
racismo e relacionamento tóxico que repercutiram
do lado de fora da casa
Por Alex Bessas
Na 21ª edição do “Big Brother Brasil”, a mais
longa de toda história do reality e que chegou ao fim no
último dia 4, foram muitas as discussões que se
iniciaram na casa e que reverberaram para muito além
dela. Cancelamento, racismo, LBGTfobia, relações
tóxicas, capacitismo e manipulação foram alguns dos
temas debatidos e que, ao se infiltrarem em milhões de
lares Brasil afora, ganharam novas camadas e foram se
constituindo coletivamente.
E, dessa vez, a própria Globo, responsável pela
atração, parece ter compreendido a necessidade de
encarar as discussões que emergiram durante esses cem
dias de “BBB”. Trata-se de uma significativa mudança
de postura, que contraria opiniões expressas há dez
anos pelo diretor José Bonifácio de Oliveira, o
Boninho. À época, ele havia classificado o programa
como apenas um “jogo cruel”, rechaçando que aquele
fosse um espaço apropriado para o debate de pautas
sociais. Atual apresentador do formato, Tiago Leifert
também já criticou participantes por levantarem
bandeiras – em 2018, por exemplo, fez um duro
discurso de eliminação direcionado a sister Nayara, que
se percebia como representante da comunidade negra.
Mas, ainda que tentasse “fugir de seus ‘BOs’”
– para usar uma expressão muito comum no próprio
reality –, a verdade é que o “BBB”, desde as primeiras
edições, se mostrou um eficiente meio para a
popularização das mais variadas causas. “Felizmente,
desde 2020, os debates têm sido incorporados na
construção narrativa e na abordagem do apresentador
junto ao público”, observa Pablo Moreno Fernandes
Viana, doutor em comunicação e professor de
comunicação social da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG). Ele avalia que, se comparada a
abordagem de anos anteriores, a produção do “BBB”
tratou os temas que foram aparecendo na casa, neste
2021, de uma maneira mais interessante e interessada.
“E creio que, em edições futuras, será impossível
escapar desses debates, visto que a sociedade aceitou
participar desse processo de discussão e enfrentamento
dessas opressões, dentro daquilo que chamamos de
desconstrução”, opina.
Armadilhas e potenciais distorções dificultam
debate
Também pesquisadora da comunicação,
Sophia Mendonça lembra que, por ser um programa de
entretenimento com grande repercussão, tanto em
termos de audiência na televisão quanto nessa
ampliação por outras mídias, o “BBB” tem papel
importante ao levantar debates que ajudam na
construção da memória da sociedade, sobretudo em
relação a assuntos com os quais muitas pessoas não têm
contato sem ser pela representação midiática. “Não se
trata de um processo de causa e efeito, porque são
diversos os fatores que constroem essa memória, mas,
a partir do momento em que uma figura pública
personifica essas características e essas informações
vão sendo difundidas, esses exemplos das mídias se
tornam emblemáticos”, pontua.
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Fonte: https://www.otempo.com.br/interessa/com-quantaspautas-se-faz-o-bbb-1.2482376