Questões de Concurso Para prefeitura de são luís - ma

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Q837124 Literatura

Texto 10A3DDD


      É no seu quarto romance, Vidas secas, publicado em 1938 e, portanto, produto do aprendizado vivido pelo escritor enquanto esteve preso, que emerge pela primeira vez uma visão social completa do processo histórico da modernização, aparecendo com clareza no romance aqueles que ficaram somente com a face do atraso nesse processo.

      Em Vidas secas, Graciliano dedica um capítulo do livro para cada membro da família, e demonstra cada ângulo de visão, mas fica claro que o ponto de vista do narrador, é de observar o coletivo, a família, e as saídas possíveis, ainda que, nesse caso, a única disponível seja a da fuga. Mesmo que fique clara uma separação entre o narrador e os personagens, Graciliano é, de uma maneira ou de outra, parte da realidade social que ele está retratando, e não há, portanto, uma relação de distância propriamente dita.

      O que se observa, em Vidas Secas, é que não há uma tentativa de dar voz aos camponeses. Graciliano não tem a coragem de entrar na pele de Fabiano, porque ele não sabe as palavras que estão na boca dele, e não quer colocá-las na boca dele. Ele não vai, por uma enorme simpatia que tenha pelo operário, pelo camponês, de repente começar a emprestar conteúdos esperançosos a ele, porque inclusive esse indivíduo não tem a mesma noção de esperança que ele. Não vai impor aos retirantes uma determinada forma de pensamento que fosse compatível com a maneira que ele pensava a marcha da História.

Marisa S. de Mello. Graciliano Ramos: modernista engajado. Internet: <www.unicamp.br/cemarx/anais> .

A partir da leitura do texto 10A3DDD e considerando-se a dinâmica do sistema literário brasileiro na geração de 1930 do Modernismo, é correto afirmar que nesse período escritores do gênero romance
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Q837123 Português

Texto 10A3DDD


      É no seu quarto romance, Vidas secas, publicado em 1938 e, portanto, produto do aprendizado vivido pelo escritor enquanto esteve preso, que emerge pela primeira vez uma visão social completa do processo histórico da modernização, aparecendo com clareza no romance aqueles que ficaram somente com a face do atraso nesse processo.

      Em Vidas secas, Graciliano dedica um capítulo do livro para cada membro da família, e demonstra cada ângulo de visão, mas fica claro que o ponto de vista do narrador, é de observar o coletivo, a família, e as saídas possíveis, ainda que, nesse caso, a única disponível seja a da fuga. Mesmo que fique clara uma separação entre o narrador e os personagens, Graciliano é, de uma maneira ou de outra, parte da realidade social que ele está retratando, e não há, portanto, uma relação de distância propriamente dita.

      O que se observa, em Vidas Secas, é que não há uma tentativa de dar voz aos camponeses. Graciliano não tem a coragem de entrar na pele de Fabiano, porque ele não sabe as palavras que estão na boca dele, e não quer colocá-las na boca dele. Ele não vai, por uma enorme simpatia que tenha pelo operário, pelo camponês, de repente começar a emprestar conteúdos esperançosos a ele, porque inclusive esse indivíduo não tem a mesma noção de esperança que ele. Não vai impor aos retirantes uma determinada forma de pensamento que fosse compatível com a maneira que ele pensava a marcha da História.

Marisa S. de Mello. Graciliano Ramos: modernista engajado. Internet: <www.unicamp.br/cemarx/anais> .

Considerando a relação entre narrador e personagem construída no romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a autora do texto 10A3DDD defende que o narrador do romance
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Q837122 Literatura

Texto 10A3CCC


      O nosso Modernismo importa, essencialmente, na libertação de uma série de recalques históricos, sociais, étnicos, que são trazidos triunfalmente à tona da consciência literária. Esse sentimento de triunfo, que assinala o fim da posição de inferioridade no diálogo secular com Portugal e já nem o leva mais em conta, define a originalidade própria do Modernismo na dialética do geral e do particular.

      Na nossa cultura há uma ambiguidade fundamental: a de sermos um povo latino, de herança cultural europeia, mas etnicamente mestiço, situado no trópico, influenciado por culturas primitivas, ameríndias e africanas. Essa ambiguidade deu sempre às afirmações particularistas um tom de constrangimento, que geralmente se resolvia pela idealização.

      O Modernismo rompe com esse estado de coisas. As nossas deficiências, supostas ou reais, são reinterpretadas como superioridades, através das vanguardas. A filosofia cósmica e superficial, que alguns adotaram certo momento nas pegadas de Graça Aranha, atribui um significado construtivo, heroico, ao cadinho de raças e culturas localizado numa natureza áspera. O mulato e o negro são definitivamente incorporados como temas de estudo, inspiração, exemplo. O primitivismo é agora fonte de beleza e não mais empecilho à elaboração da cultura. Isso, na literatura, na pintura, na música, nas ciências do homem.

Antonio Candido. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006, p. 126-7 (com adaptações)

Visto como síntese de tendências estéticas universalistas e particularistas, o Modernismo é apresentado pelo texto 10ACCC como um movimento que
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Q837121 Literatura

Texto 10A3CCC


      O nosso Modernismo importa, essencialmente, na libertação de uma série de recalques históricos, sociais, étnicos, que são trazidos triunfalmente à tona da consciência literária. Esse sentimento de triunfo, que assinala o fim da posição de inferioridade no diálogo secular com Portugal e já nem o leva mais em conta, define a originalidade própria do Modernismo na dialética do geral e do particular.

      Na nossa cultura há uma ambiguidade fundamental: a de sermos um povo latino, de herança cultural europeia, mas etnicamente mestiço, situado no trópico, influenciado por culturas primitivas, ameríndias e africanas. Essa ambiguidade deu sempre às afirmações particularistas um tom de constrangimento, que geralmente se resolvia pela idealização.

      O Modernismo rompe com esse estado de coisas. As nossas deficiências, supostas ou reais, são reinterpretadas como superioridades, através das vanguardas. A filosofia cósmica e superficial, que alguns adotaram certo momento nas pegadas de Graça Aranha, atribui um significado construtivo, heroico, ao cadinho de raças e culturas localizado numa natureza áspera. O mulato e o negro são definitivamente incorporados como temas de estudo, inspiração, exemplo. O primitivismo é agora fonte de beleza e não mais empecilho à elaboração da cultura. Isso, na literatura, na pintura, na música, nas ciências do homem.

Antonio Candido. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006, p. 126-7 (com adaptações)

O texto 10A3CCC faz referência à(s)
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Q837120 Português

Texto 10A3CCC


      O nosso Modernismo importa, essencialmente, na libertação de uma série de recalques históricos, sociais, étnicos, que são trazidos triunfalmente à tona da consciência literária. Esse sentimento de triunfo, que assinala o fim da posição de inferioridade no diálogo secular com Portugal e já nem o leva mais em conta, define a originalidade própria do Modernismo na dialética do geral e do particular.

      Na nossa cultura há uma ambiguidade fundamental: a de sermos um povo latino, de herança cultural europeia, mas etnicamente mestiço, situado no trópico, influenciado por culturas primitivas, ameríndias e africanas. Essa ambiguidade deu sempre às afirmações particularistas um tom de constrangimento, que geralmente se resolvia pela idealização.

      O Modernismo rompe com esse estado de coisas. As nossas deficiências, supostas ou reais, são reinterpretadas como superioridades, através das vanguardas. A filosofia cósmica e superficial, que alguns adotaram certo momento nas pegadas de Graça Aranha, atribui um significado construtivo, heroico, ao cadinho de raças e culturas localizado numa natureza áspera. O mulato e o negro são definitivamente incorporados como temas de estudo, inspiração, exemplo. O primitivismo é agora fonte de beleza e não mais empecilho à elaboração da cultura. Isso, na literatura, na pintura, na música, nas ciências do homem.

Antonio Candido. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006, p. 126-7 (com adaptações)

De acordo com o texto 10A3CCC, o Modernismo renova a estética literária brasileira porque
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Q837119 Literatura

Texto 10A3BBB


                                   Livre


                 Livre! Ser livre da matéria escrava,

                 arrancar os grilhões que nos flagelam

                 e livre penetrar nos Dons que selam

                 a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.


                  Livre da humana, da terrestre bava

                  dos corações daninhos que regelam,

                  quando os nossos sentidos se rebelam

                  contra a Infâmia bifronte que deprava.


                   Livre! Bem livre para andar mais puro,

                   mais junto à Natureza e mais seguro

                   do seu Amor, de todas as justiças.


                    Livre! Para sentir a Natureza,

                    para gozar, na universal Grandeza,

                    Fecundas e arcangélicas preguiças.

                    Cruz e Souza. Obra completa. V.1, Ed. Avenida, 2008, p. 529.

São elementos da estética simbolista presentes no poema Livre (texto 10A3BBB), de Cruz e Souza,
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Q837118 Português

Texto 10A3BBB


                                   Livre


                 Livre! Ser livre da matéria escrava,

                 arrancar os grilhões que nos flagelam

                 e livre penetrar nos Dons que selam

                 a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.


                  Livre da humana, da terrestre bava

                  dos corações daninhos que regelam,

                  quando os nossos sentidos se rebelam

                  contra a Infâmia bifronte que deprava.


                   Livre! Bem livre para andar mais puro,

                   mais junto à Natureza e mais seguro

                   do seu Amor, de todas as justiças.


                    Livre! Para sentir a Natureza,

                    para gozar, na universal Grandeza,

                    Fecundas e arcangélicas preguiças.

                    Cruz e Souza. Obra completa. V.1, Ed. Avenida, 2008, p. 529.

O conceito de liberdade expresso pelo poema de Cruz e Souza (texto 10A3BBB) é corretamente enunciado na seguinte expressão:
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Q837117 Literatura

Texto 10A3AAA


      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.

      […]

      O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

          Aluísio Azevedo. O cortiço. 15.ª ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-9.

A escola naturalista no Brasil, à qual pertence o romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, caracteriza-se literariamente pela presença de narrativas com protagonismo de personagens
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Q837116 Português

Texto 10A3AAA


      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.

      […]

      O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

          Aluísio Azevedo. O cortiço. 15.ª ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-9.

Os personagens apresentados no texto 10A3AAA, trecho de O cortiço, são representados de modo
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Q837115 Literatura

Texto 10A3AAA


      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.

      […]

      O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

          Aluísio Azevedo. O cortiço. 15.ª ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-9.

O texto 10A3AAA, trecho do romance de Aluísio Azevedo, estrutura-se a partir do princípio do naturalismo literário caracterizado pelo(a)
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Q837114 Literatura

Texto 10A2CCC


                              Canção do Tamoio

                              (Natalícia)


                        Não chores, meu filho;

                        Não chores, que a vida

                        É luta renhida:

                        Viver é lutar.

                        A vida é combate,

                        Que os fracos abate,

                        Que os fortes, os bravos

                        Só pode exaltar.


                        Um dia vivemos!

                        O homem que é forte

                        Não teme da morte;

                        Só teme fugir;

                        No arco que entesa

                        Tem certa uma presa,

                        Quer seja tapuia,

                        Condor ou tapir.


                         E pois que és meu filho,

                         Meus brios reveste;

                         Tamoio nasceste,

                          Valente serás.

                          Sê duro guerreiro,

                          Robusto, fragueiro,

                          Brasão dos tamoios

                          Na guerra e na paz.


                           Teu grito de guerra

                           Retumbe aos ouvidos

                           D’imigos transidos

                           Por vil comoção;

                           E tremam d’ouvi-lo

                           Pior que o sibilo

                           Das setas ligeiras,

                           Pior que o trovão.


                           Porém se a fortuna,

                           Traindo teus passos,

                           Te arroja nos laços

                           Do inimigo falaz!

                           Na última hora

                           Teus feitos memora,

                           Tranquilo nos gestos,

                            Impávido, audaz.


                           E cai como o tronco

                           Do raio tocado,

                           Partido, rojado

                           Por larga extensão;

                           Assim morre o forte!

                           No passo da morte

                           Triunfa, conquista

                           Mais alto brasão.


                           As armas ensaia,

                           Penetra na vida:

                           Pesada ou querida,

                           Viver é lutar.

                           Se o duro combate

                           Os fracos abate,

                           Aos fortes, aos bravos,

                           Só pode exaltar.

Gonçalves Dias. Canção do Tamoio. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>  (com adaptações).

Na Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, apresenta-se o perfil literário do indígena construído pela poesia romântica com forte motivação nacionalista. Nessa fase da poesia romântica, o índio foi escolhido como o símbolo ideal do nacionalismo porque
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Q837113 Português

Texto 10A2CCC


                              Canção do Tamoio

                              (Natalícia)


                        Não chores, meu filho;

                        Não chores, que a vida

                        É luta renhida:

                        Viver é lutar.

                        A vida é combate,

                        Que os fracos abate,

                        Que os fortes, os bravos

                        Só pode exaltar.


                        Um dia vivemos!

                        O homem que é forte

                        Não teme da morte;

                        Só teme fugir;

                        No arco que entesa

                        Tem certa uma presa,

                        Quer seja tapuia,

                        Condor ou tapir.


                         E pois que és meu filho,

                         Meus brios reveste;

                         Tamoio nasceste,

                          Valente serás.

                          Sê duro guerreiro,

                          Robusto, fragueiro,

                          Brasão dos tamoios

                          Na guerra e na paz.


                           Teu grito de guerra

                           Retumbe aos ouvidos

                           D’imigos transidos

                           Por vil comoção;

                           E tremam d’ouvi-lo

                           Pior que o sibilo

                           Das setas ligeiras,

                           Pior que o trovão.


                           Porém se a fortuna,

                           Traindo teus passos,

                           Te arroja nos laços

                           Do inimigo falaz!

                           Na última hora

                           Teus feitos memora,

                           Tranquilo nos gestos,

                            Impávido, audaz.


                           E cai como o tronco

                           Do raio tocado,

                           Partido, rojado

                           Por larga extensão;

                           Assim morre o forte!

                           No passo da morte

                           Triunfa, conquista

                           Mais alto brasão.


                           As armas ensaia,

                           Penetra na vida:

                           Pesada ou querida,

                           Viver é lutar.

                           Se o duro combate

                           Os fracos abate,

                           Aos fortes, aos bravos,

                           Só pode exaltar.

Gonçalves Dias. Canção do Tamoio. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>  (com adaptações).

A partir do texto 10A2CCC, é correto afirmar que a poesia indianista de Gonçalves Dias, para alcançar seu pendor nacionalista, recorre predominantemente a elementos tradicionais
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Q837112 Português

Texto 10A2CCC


                              Canção do Tamoio

                              (Natalícia)


                        Não chores, meu filho;

                        Não chores, que a vida

                        É luta renhida:

                        Viver é lutar.

                        A vida é combate,

                        Que os fracos abate,

                        Que os fortes, os bravos

                        Só pode exaltar.


                        Um dia vivemos!

                        O homem que é forte

                        Não teme da morte;

                        Só teme fugir;

                        No arco que entesa

                        Tem certa uma presa,

                        Quer seja tapuia,

                        Condor ou tapir.


                         E pois que és meu filho,

                         Meus brios reveste;

                         Tamoio nasceste,

                          Valente serás.

                          Sê duro guerreiro,

                          Robusto, fragueiro,

                          Brasão dos tamoios

                          Na guerra e na paz.


                           Teu grito de guerra

                           Retumbe aos ouvidos

                           D’imigos transidos

                           Por vil comoção;

                           E tremam d’ouvi-lo

                           Pior que o sibilo

                           Das setas ligeiras,

                           Pior que o trovão.


                           Porém se a fortuna,

                           Traindo teus passos,

                           Te arroja nos laços

                           Do inimigo falaz!

                           Na última hora

                           Teus feitos memora,

                           Tranquilo nos gestos,

                            Impávido, audaz.


                           E cai como o tronco

                           Do raio tocado,

                           Partido, rojado

                           Por larga extensão;

                           Assim morre o forte!

                           No passo da morte

                           Triunfa, conquista

                           Mais alto brasão.


                           As armas ensaia,

                           Penetra na vida:

                           Pesada ou querida,

                           Viver é lutar.

                           Se o duro combate

                           Os fracos abate,

                           Aos fortes, aos bravos,

                           Só pode exaltar.

Gonçalves Dias. Canção do Tamoio. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>  (com adaptações).

A partir do texto 10A2CCC, é correto afirmar que, na poesia indianista, a configuração estética do indígena reflete valores e costumes da sociedade brasileira do século XIX, pois, no poema,
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Q837111 Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165-6.

As liras de Marília de Dirceu, de que as estrofes do texto 10A2BBB fazem parte, são exemplos da perspectiva pré-romântica da poesia árcade brasileira. Nesse sentido, o lirismo amoroso de Tomás Antônio Gonzaga se mostra mais distante da formalidade árcade e mais próximo da espontaneidade romântica, embora ainda conserve elementos próprios do Arcadismo, como a
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Q837110 Português

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165-6.

As três estrofes que compõem o texto 10A2BBB são construídas a partir de uma mesma estrutura: seis versos, dos quais os quatro primeiros apresentam uma situação que é completamente invertida nos dois versos finais de cada estrofe. O elemento literário que demarca os dois momentos contrapostos da vida do eu lírico é
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Q837109 Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165-6.

A principal característica árcade presente nas estrofes do texto 10A2BBB é
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Q837108 Português

Sem dúvida foram as teses ilustradas que clandestinamente entraram a formar a bagagem ideológica dos nossos árcades e lhes deram mais de um traço constante: o gosto da clareza e da simplicidade graças ao qual puderam superar a pesada maquinaria cultista; os mitos do homem natural, do bom selvagem, do herói pacífico; enfim, certo mordente satírico em relação aos abusos dos tiranetes, dos juízes venais, do clero fanático, mordente a que se limitou, de resto, a consciência libertária dos intelectuais da Conjuração Mineira. A análise a que a historiografia mais recente tem submetido o conteúdo ideológico da Inconfidência é, nesse ponto, inequívoca: zelosos de manter o fundamento jurídico da propriedade (que a Revolução Francesa, na sua linha central, iria ratificar), os dissidentes de Vila Rica apenas se propunham evitar a sangria que nas finanças mineiras, já em crise, operaria a cobrança de impostos sobre o ouro (a derrama).

Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1997, p. 66-7 (com adaptações).


De acordo com o texto precedente, as relações entre o Arcadismo e a Inconfidência Mineira se limitaram aos interesses das elites locais, sem ter havido reivindicação de mudanças profundas na estrutura da sociedade brasileira. Essa perspectiva dos árcades brasileiros se expressou esteticamente pela

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Q837107 Literatura

Texto 10A2AAA

       Na obra satírica de Gregório de Matos, não há o ânimo documentário ou a transfiguração hiperbólica, mas o flagrante expressivo até a caricatura, o ataque se elevando a denúncia, a ironia alegre ombreando com a revolta amarga, em contraste com a transfiguração eufórica de outros autores do tempo, em relação aos quais a sua poesia satírica aparece como contracorrente desmistificadora. Ele desdenha as aparências do mundo e desvenda a sua iniquidade, com um pessimismo realista que não hesita em entrar pela obscenidade e a crueza da vida do sexo. Poucos foram tão fundo nos aspectos considerados baixos, que ele trata com uma espécie de ímpeto justiceiro, que forra de inesperado moralismo as suas diatribes. Através da sua obra de rebelde apaixonado, transparece a irregularidade do mundo brasileiro de então, com uma sociedade em que o branco brutalizava o índio e o negro, as autoridades prevaricavam, os clérigos pecavam a valer e a virtude parecia às vezes uma farsa difícil de representar.

Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes.

São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999, p. 24-5 (com adaptações)

A poesia satírica de Gregório de Matos, conforme se pode deduzir do texto 10A2AAA, se constituiu de elementos barrocos, como a antítese, presente no modo com que o poeta apreendia a realidade — com “ironia alegre” e “revolta amarga”. Considerando-se que esse ponto de vista antitético foi a grande contribuição da literatura barroca para a sociedade da época, é correto afirmar que, ao desvendar a irregularidade do mundo por meio dos violentos contrastes da linguagem, a sátira de Gregório de Matos
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Q837106 Português

Texto 10A2AAA

       Na obra satírica de Gregório de Matos, não há o ânimo documentário ou a transfiguração hiperbólica, mas o flagrante expressivo até a caricatura, o ataque se elevando a denúncia, a ironia alegre ombreando com a revolta amarga, em contraste com a transfiguração eufórica de outros autores do tempo, em relação aos quais a sua poesia satírica aparece como contracorrente desmistificadora. Ele desdenha as aparências do mundo e desvenda a sua iniquidade, com um pessimismo realista que não hesita em entrar pela obscenidade e a crueza da vida do sexo. Poucos foram tão fundo nos aspectos considerados baixos, que ele trata com uma espécie de ímpeto justiceiro, que forra de inesperado moralismo as suas diatribes. Através da sua obra de rebelde apaixonado, transparece a irregularidade do mundo brasileiro de então, com uma sociedade em que o branco brutalizava o índio e o negro, as autoridades prevaricavam, os clérigos pecavam a valer e a virtude parecia às vezes uma farsa difícil de representar.

Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes.

São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999, p. 24-5 (com adaptações)

A partir do texto 10A2AAA, é correto afirmar que a representação dos tipos sociais do Brasil do século XVII na sátira de Gregório de Matos revela
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Q837105 Português

Texto 10A2AAA

       Na obra satírica de Gregório de Matos, não há o ânimo documentário ou a transfiguração hiperbólica, mas o flagrante expressivo até a caricatura, o ataque se elevando a denúncia, a ironia alegre ombreando com a revolta amarga, em contraste com a transfiguração eufórica de outros autores do tempo, em relação aos quais a sua poesia satírica aparece como contracorrente desmistificadora. Ele desdenha as aparências do mundo e desvenda a sua iniquidade, com um pessimismo realista que não hesita em entrar pela obscenidade e a crueza da vida do sexo. Poucos foram tão fundo nos aspectos considerados baixos, que ele trata com uma espécie de ímpeto justiceiro, que forra de inesperado moralismo as suas diatribes. Através da sua obra de rebelde apaixonado, transparece a irregularidade do mundo brasileiro de então, com uma sociedade em que o branco brutalizava o índio e o negro, as autoridades prevaricavam, os clérigos pecavam a valer e a virtude parecia às vezes uma farsa difícil de representar.

Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes.

São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999, p. 24-5 (com adaptações)

De acordo com o texto 10A2AAA, a poesia satírica de Gregório de Matos, no que diz respeito à representação da realidade brasileira do século XVII, se diferencia da produção poética de seus contemporâneos barrocos porque
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Respostas
801: E
802: A
803: C
804: C
805: B
806: D
807: E
808: E
809: D
810: E
811: A
812: C
813: C
814: D
815: E
816: B
817: B
818: C
819: E
820: A