Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

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Q3551859 Português

Texto para responder à questão.



    A ideia de que as tecnologias digitais são ferramentas imparciais, livres de viés ou ideologia é desmontada à medida que autores demonstram como os fluxos de dados seguem padrões de dominação histórica em que determinadas populações são sistematicamente invisibilizadas, exploradas ou controladas. O colonialismo de dados não apenas captura informações, mas reconfigura subjetividades e impõe novas formas de dependência tecnológica. No contexto da governança algorítmica, os corpos racializados, já historicamente alvos da necropolítica e da vigilância colonial, passam a ser modelados e disciplinados por sistemas automatizados que operam sob uma lógica extrativista e racializada. Há autores que não apenas desconstroem a ilusão da neutralidade tecnológica, mas também evidenciam o papel da tecnologia como um instrumento de poder, operando como um novo mecanismo de dominação algorítmica global, no qual os processos de colonialismo e racismo são automatizados e sofisticados sob o verniz da inovação digital.



ARAÚJO, Júlio; FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. Disponível em: . Acesso em: 15 jul. 2025, com adaptações. 

“Há autores que não apenas desconstroem a ilusão da neutralidade tecnológica, mas também evidenciam o papel da tecnologia como um instrumento de poder, operando como um novo mecanismo de dominação algorítmica global, no qual os processos de colonialimo e racismo são automatizados e sofisticados sob o verniz da inovação digital.”



Considerando os aspectos linguísticos do trecho, assinale a alternativa correta.  

Alternativas
Q3547015 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 02




Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/576108977315838163/. Acesso em: 28 jun. 2025. Adaptado. 

O verbo “ensine” foi usado, no texto 02, no 
Alternativas
Q3544831 Português
Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência registradas; percentual é maior entre idosos

        Percentual alcança 14,4% entre os idosos de 60 a 69 anos e 27,5% entre os habitantes de 70 anos ou mais

        O Brasil tinha 14,4 milhões de pessoas de dois anos ou mais com pelo menos um tipo de deficiência em 2022, apontam novos dados do Censo Demográfico divulgados nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O contingente era equivalente a 7,3% do total de habitantes da mesma faixa etária à época (198,3 milhões).

        O número de mulheres com deficiência (8,3 milhões) superava o de homens nessa condição (6,1 milhões). A ONU estimou no mundo, em 2021, uma proporção de 10% a 14% desse grupo na população mundial, ou seja, entre 790 milhões e 1,1 bilhão de pessoas. Conforme o IBGE, os resultados de 2022 não são comparáveis com o Censo 2010 devido a adaptações nos questionários. Para pesquisar o tema, o instituto diz seguir recomendações metodológicas do Grupo de Washington - organismo de estatísticas sobre pessoas com deficiência gerido pelas Nações Unidas.

        O total de 14,4 milhões no Brasil supera o número de habitantes (considerando população com dois anos ou mais) de estados inteiros, como a Bahia (13,8 milhões), o quarto mais populoso do país. Os critérios do Censo consideram que uma pessoa com deficiência é aquela que não consegue de modo algum ou tem muita dificuldade para realizar as atividades investigadas em cinco domínios funcionais.

        São os seguintes: enxergar (dificuldade permanente de visão, mesmo usando óculos ou lentes de contato); ouvir (dificuldade permanente de audição, mesmo usando aparelhos auditivos); mobilidade dos membros inferiores (dificuldade permanente em andar ou subir degraus, mesmo usando prótese, bengala ou aparelho de auxílio); coordenação motora fina (dificuldade permanente para pegar pequenos objetos ou abrir e fechar tampas de garrafas, mesmo usando aparelhos de auxílio); funções mentais (dificuldade permanente em se comunicar, realizar atividades de autocuidado, trabalhar ou estudar).


Reportagem completa em https://www.otempo.com.br/economia/2025/5/ 23/brasil-tem-14-4-milhoes-de-pessoas-comdeficiencia-registradas-percentual-e-maiorentre-idosos. Publicada em 23 mai. 2025. Acesso em 2 jul. 2025.
Em “Sentar-me-ia com vocês se não estivesse com pressa. Marcaremos um encontro em breve, assim darei a atenção que vocês merecem. Os verbos em destaque estão flexionados, respectivamente:
Alternativas
Q3542620 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Governo federal atualiza regras para ampliar contratação de mulheres em situação de violência doméstica

Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) aperfeiçoou alguns pontos da Política de Cotas para Mulheres em Situação de Violência Doméstica nas Contratações Públicas para tornar a iniciativa mais ampla e eficiente. O Decreto nº 12.516/2025 foi publicado nesta quarta-feira (18/06), no Diário Oficial da União, e trouxe algumas atualizações ao texto do Decreto nº 11.430/2023. A nova norma deixa mais claro que os 8% das vagas reservadas a mulheres em situação de violência doméstica correspondem ao percentual mínimo exigido nos contratos de serviços terceirizados dos órgãos federais, podendo ser maior, a critério do órgão contratante.

Dessa forma, as mudanças estimulam que mais mulheres em situação de violência doméstica possam ser incluídas nos contratos. A atualização no texto reforça ainda que a reserva de vagas pode ser aplicada em qualquer contrato, não se restringindo àqueles com 25 ou mais empregados, nos quais a aplicação é obrigatória. Em contratos com quantidade menor de empregados, é admitida a previsão de percentual inferior a 8%.

"O Governo federal incentiva a aplicação da política em qualquer contrato de terceirização. O propósito da nova redação é deixar isso mais claro para os órgãos e entidades parceiros", explica Cristina Mori, secretária executiva do MGI.

O foco da política está na promoção da empregabilidade e na inclusão socioeconômica de mulheres em situação de violência doméstica por meio da reserva de vagas em contratos terceirizados celebrados com a Administração Pública Federal. A política é executada com base em parcerias interfederativas, principalmente na seleção e acompanhamento das mulheres. Até o momento, 17 unidades da federação aderiram à política. Com as novas medidas, a expectativa do governo federal é ampliar o seu alcance, beneficiando um número ainda maior de mulheres em situação de violência doméstica em todo o país.

Entre as atualizações também está a adoção do Acordo de Adesão como instrumento jurídico para a implementação da política com os entes federativos, em substituição ao Acordo de Cooperação Técnica, que vinha sendo utilizado. A mudança permite mais agilidade no trâmite do processo de formalização das parcerias, o que deve contribuir para o aumento do número de estados interessados em aderir à iniciativa do governo federal.

O novo decreto reforça a proteção da privacidade e dignidade das mulheres atendidas pela política, de duas formas:

1) proíbe que as empresas exijam diretamente das mulheres documentação que comprove a sua situação de violência;

2) esclarece que apenas candidatas encaminhadas pelas unidades especializadas na gestão ou atendimento às mulheres em situação de violência podem ser selecionadas. Essas instituições são os chamados Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs), como as Secretaria de Mulheres nos estados e municípios. "Isso previne constrangimentos e possíveis impactos emocionais negativos", complementa a secretária.

As 17 unidades da federação que já aderiram à iniciativa são Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Tocantins.


https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2025/junho/governo-f ederal-atualiza-regras-para-ampliar-contratacao-de-mulheres-em-situac ao-de-violencia-domestica
"Dessa forma, as mudanças estimulam que mais mulheres em situação de violência doméstica possam ser incluídas nos contratos."
O verbo 'estimular' aparece flexionado no plural para estabelecer concordância com o núcleo do sujeito 'mudanças', que também está no plural.
A seguir, analise a flexão dos verbos nos enunciados:

I. Tu e ele levareis a proposta ao professor.
II.A funcionária deixava limpo o escritório e a sala.
III. Pedro, Paulo, José, ninguém ne dirá o que fazer.
IV. A picada, a coceira, o mal-estar deixou-a nervosa.
V.O ministro do trabalho ou da justiça anunciará a nova lei.

Quanto à concordância, estão corretas as alternativas:
Alternativas
Q3541342 Português
Texto 3

A SELVA DOS TEMPOS VERBAIS

Alessandro Boechat de Medeiro


   No português e em muitas línguas, verbos expressam tempo. Por exemplo, na frase (1) abaixo, sabemos pela terminação do verbo comprar que a ação que ele designa ocorreu no passado, ou seja, antes do momento em que a frase foi dita:

(1) Mario comprou uma vara de pesca.
    A terminação -ou, que exprime esse passado, é adicionada à raiz verbal compr-, raiz de um verbo regular de primeira conjugação da língua. Sabemos das nossas aulas de português na escola que essa terminação não codifica somente o tempo passado, mas também outras coisas importantes, como a concordância com o sujeito, o aspecto e o modo, pelo menos.

   As línguas do mundo variam no que diz respeito ao que “colocam” no verbo. Por exemplo, além do tempo e do aspecto, os verbos podem carregar concordâncias de sujeito e objeto – como é o caso da língua georgiana, língua caucasiana meridional falada na Geórgia. Podem expressar inúmeras coisas através de partículas ou morfemas acoplados: concordâncias, advérbios, objetos indiretos etc. – como é o caso da língua terena, língua aruak falada principalmente no Mato Grosso do Sul. Podem simplesmente não expressar tempo algum nem concordâncias com afixos, recorrendo, para a veiculação do tempo dos acontecimentos descritos, a advérbios ou partículas, que podem estar em outras partes da frase – como acontece com o mandarim, língua sino-tibetana falada por mais ou menos 850 milhões de pessoas na China. Contudo, grande parte das línguas estudadas pelos linguistas e antropólogos expressa alguma dimensão temporal no verbo [...].


Disponível em: https://lefufrj.wordpress.com/wpcontent/uploads/2023/12/1702995734270_ebook_noslinguistica.pdf. Acesso em: 04 de abr. de 2025. 
Quanto aos seguintes verbos retirados do Texto 3, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3541339 Português
Texto 2


O LINGUISTA LIBERTÁRIO

Carlos Fioravanti (Jornal da Unicamp)

Quem foi e como era sua primeira professora ou professor de português?

Ataliba Castilho – Foi o professor Amaury de Assis Ferreira (1920-1995), pai do apresentador de TV Amauri Jr. Era um professor muito bom, lia e estudava muito, mostrava os livros que comprava com muito entusiasmo. De vez em quando eu ia na casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a resistência de seu fogão elétrico. Ele me chamava e mostrava a biblioteca e os livros que tinha comprado. Ele tinha muito prazer no que ele fazia. Pensei: “Quero ser um cara assim”. Depois peguei outros professores ótimos em São Paulo, como o Theodoro Maurer, meu orientador de doutorado. Quietinho, magrinho, filho de suíços, ele escreveu sozinho um dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a gramática e a sintaxe do latim vulgar.

Qual sua participação no Museu da Língua Portuguesa?

Ataliba Castilho – Em 2004, Jarbas Mantovanini, que atuava na Fundação Roberto Marinho, apareceu na USP, apresentou o projeto do museu e disse que queria me fazer dois pedidos. O primeiro era dar ideias para o museu. O segundo era para fazer a linha do tempo sobre a história do português. Aryon iria fazer a parte das línguas indígenas e Yeda Pessoa de Castro, da Universidade Federal da Bahia, se ocuparia das línguas africanas. Jarbas disse para chamar quem eu quisesse. Chamei Mário Viaro e Marilza de Oliveira, os dois da USP, para fazer outras partes. Jarbas me perguntou como eu queria representar a linha do tempo, se com filmes ou painéis fixos. Preferi os painéis, porque já haveria filmes do outro lado da sala. Entreguei o projeto, ele gostou: “Está tudo muito bonito, mas no lugar do último quadro vou colocar um espelho. Todos vão percorrer aquela baita história de 2 mil anos e quando chegam no final vão ver a si mesmos”. Sabe que ele acertou na mosca? Muita gente que via a própria imagem, depois de fazer o percurso histórico, caía no choro. Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen, ia no começo para ver o museu e depois para ver as pessoas quando chegavam no espelho. Ela me perguntou: “Por que será que elas choram?”. Fiquei pensando muito naquilo. As pessoas choravam, decerto, porque viam ali sua identidade. O que é a língua portuguesa? Sou eu, que represento agora todo esse percurso. A língua é minha identidade.


Adaptado de: https://unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/10/06/olinguista-libertario/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Sobre as regras de concordância da língua portuguesa e a flexão dos vocábulos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3541336 Português
Texto 2


O LINGUISTA LIBERTÁRIO

Carlos Fioravanti (Jornal da Unicamp)

Quem foi e como era sua primeira professora ou professor de português?

Ataliba Castilho – Foi o professor Amaury de Assis Ferreira (1920-1995), pai do apresentador de TV Amauri Jr. Era um professor muito bom, lia e estudava muito, mostrava os livros que comprava com muito entusiasmo. De vez em quando eu ia na casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a resistência de seu fogão elétrico. Ele me chamava e mostrava a biblioteca e os livros que tinha comprado. Ele tinha muito prazer no que ele fazia. Pensei: “Quero ser um cara assim”. Depois peguei outros professores ótimos em São Paulo, como o Theodoro Maurer, meu orientador de doutorado. Quietinho, magrinho, filho de suíços, ele escreveu sozinho um dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a gramática e a sintaxe do latim vulgar.

Qual sua participação no Museu da Língua Portuguesa?

Ataliba Castilho – Em 2004, Jarbas Mantovanini, que atuava na Fundação Roberto Marinho, apareceu na USP, apresentou o projeto do museu e disse que queria me fazer dois pedidos. O primeiro era dar ideias para o museu. O segundo era para fazer a linha do tempo sobre a história do português. Aryon iria fazer a parte das línguas indígenas e Yeda Pessoa de Castro, da Universidade Federal da Bahia, se ocuparia das línguas africanas. Jarbas disse para chamar quem eu quisesse. Chamei Mário Viaro e Marilza de Oliveira, os dois da USP, para fazer outras partes. Jarbas me perguntou como eu queria representar a linha do tempo, se com filmes ou painéis fixos. Preferi os painéis, porque já haveria filmes do outro lado da sala. Entreguei o projeto, ele gostou: “Está tudo muito bonito, mas no lugar do último quadro vou colocar um espelho. Todos vão percorrer aquela baita história de 2 mil anos e quando chegam no final vão ver a si mesmos”. Sabe que ele acertou na mosca? Muita gente que via a própria imagem, depois de fazer o percurso histórico, caía no choro. Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen, ia no começo para ver o museu e depois para ver as pessoas quando chegavam no espelho. Ela me perguntou: “Por que será que elas choram?”. Fiquei pensando muito naquilo. As pessoas choravam, decerto, porque viam ali sua identidade. O que é a língua portuguesa? Sou eu, que represento agora todo esse percurso. A língua é minha identidade.


Adaptado de: https://unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/10/06/olinguista-libertario/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Em uma aula de língua portuguesa, após a leitura do Texto 2, o professor solicita aos estudantes que corrijam o erro de norma culta encontrado no verbo destacado em: “Está tudo muito bonito, mas no lugar do último quadro vou colocar um espelho. Todos vão percorrer aquela baita história de 2 mil anos e quando chegam no final vão ver a si mesmos”.
Por meio da realização dessa atividade, o professor espera que os estudantes corrijam a conjugação do verbo, flexionando-o 
Alternativas
Q3541223 Português
Assinale a alternativa que apresenta o verbo flexionado no tempo presente.
Alternativas
Q3539863 Português
Cortar o glúten? Pesquisa revela por que essa
pode ser uma ideia desastrosa


Por Victor Bianchin


         Um novo estudo comparou 39 alimentos com e sem glúten para analisar as diferenças reais entre eles. A conclusão pode ser um choque para quem está adotando dietas “gluten free” por motivos de saúde: os alimentos sem glúten contêm menos fibras, menos proteínas e menos nutrientes essenciais.

        O estudo, publicado no periódico Plant Foods for Human Nutrition, afirma que, devido a essas faltas, os supostos benefícios da dieta sem glúten, como diminuição de peso e controle da diabetes, são exagerados. Além dos problemas citados, os alimentos sem glúten possuem quantidades de açúcar mais elevadas em comparação aos que contém a proteína. Por isso, estão associados a um aumento do índice de massa corporal (IMC) e de deficiências nutricionais.

       Nos EUA, os produtos sem glúten são definidos como aqueles que contêm no máximo 20 partes por milhão de glúten. Em geral, eles não contêm ingredientes como trigo, centeio, cevada e, às vezes, aveia. Esses ingredientes são ricos em arabinoxilano, um polissacarídeo não amiláceo essencial. O arabinoxilano oferece vários benefícios à saúde, incluindo a promoção de bactérias benéficas no intestino, a melhora da digestão, a regulação dos níveis de açúcar no sangue e o suporte a uma microbiota intestinal equilibrada.

       É curioso notar, entretanto, que um produto específico se mostrou exceção. O pão sem glúten com sementes contém significativamente mais fibras – 38,24 gramas por 100 gramas – do que suas versões com glúten. O estudo sugere que isso se deve, provavelmente, aos esforços dos fabricantes para compensar a deficiência de fibras utilizando ingredientes como pseudocereais, amaranto e hidrocoloides de quinoa.

        Essas adições, no entanto, mudam muito de região para região e de fabricante para fabricante, de modo que não é possível atestar com certeza que qualquer pão sem glúten tem mais fibras do que um com glúten.

       A princípio, o consumo de alimentos sem glúten só era indicado para pessoas com doença celíaca ou com alergia a trigo. No entanto, a partir do final dos anos 2000, começou a se popularizar na mídia a ideia de que uma dieta sem glúten poderia trazer benefícios como a perda de peso e a melhora na digestão, mesmo para quem não tinha intolerância diagnosticada. 

     O crescimento dessa tendência foi impulsionado por celebridades, influenciadores de saúde e livros como Barriga de Trigo (2011), de William Davis, e A Dieta da Mente (2013), de David Perlmutter, que associaram o consumo de glúten a diversos problemas de saúde. A indústria de alimentos respondeu lançando ao grande público diversos alimentos sem glúten e criando um novo nicho — em 2024, o mercado global de produtos sem glúten movimentou US$ 7,28 bilhões.
 
      Em 2023, uma pesquisa da UESB detectou que, no Brasil, os produtos sem glúten apresentam menor teor calórico (5% a 35%), mas também menor teor de carboidratos (1% a 13%), de gorduras totais (10% a 140%), proteína (35% a 192%) e fibras (11% a 94%), para a maioria das categorias analisadas. Além disso, o preço final ao consumidor chega ser até 110% mais caro quando comparado com as versões com glúten do mesmo produto, em todas as categorias analisadas. 


Texto adaptado de: https://super.abril.com.br/saude/cortar-o-glutenpesquisa-revela-por-que-essa-pode-ser-uma-ideia-desastrosa/.Acesso em: 14 mar. 2025.
Considerando as seguintes frases adaptadas do texto, assinale a alternativa na qual o termo ou expressão em destaque está corretamente empregado(a), de acordo com a norma-padrão, em relação à concordância verbal. 
Alternativas
Q3538926 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Zero bala


A vida tem um vigor

que o corpo não comporta

por mais que se prepare

No mesmo passo, a natureza

caminha para o zero

como o seu fruto principal

que se gasta quanto mais

se apura na terra estreita

e por instinto busca no espaço

campo para se alçar, crescer

no sentimento e gesto

em uma nova combinação

de interferências e insumos

despoluídos até o impossível

com órgãos sem discrepância

que não contrariam as fontes

nem se desgastam em nenhum

desvio de doença ou perda

de força, suportando o sopro

o porte da pureza possível -

original - sem marca de pecado.


(FREITAS FILHO, Armando. Respiro - poemas. Companhia das Letras, 2024) 

Em relação ao emprego dos tempos verbais no poema, observa-se que o
Alternativas
Q3538923 Português

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto.


Interativo demais


        Antigamente, os escritores eram admirados apenas pelo que publicavam em livros e revistas. Quando algum leitor gostava muito do que havia lido e queria compartilhar com alguém, dava o livro de presente ou emprestava o seu. O conteúdo mantinha-se preservado, assim como seu autor. Ninguém divulgava um texto de Somerset Maugham como sendo de Virginia Woolf, ninguém infiltrava parágrafos do Rubem Braga num texto do Sartre, ninguém criava novos finais para os poemas de Cecília Meireles. O escritor e sua obra eram respeitados, e os leitores podiam confiar no que estavam consumindo.


        Além disso, artistas de cinema, músicos e esportistas eram mitos a cuja intimidade não se tinha acesso. Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Ayrton Senna entregavam ao público o que prometiam – sua arte – e o resto era especulação. Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do público, mas o legado desses ícones se manteve para sempre incorruptível: eram os donos legítimos de sua imagem, de sua voz e de suas palavras.


        Era uma época em que aceitávamos pacificamente nossa condição de plateia, até que se inventou o conceito de interatividade e as ferramentas para exercê-la. Por um lado, a sociedade se democratizou, todos passaram a ser ouvidos, diminuiu a distância entre patrões e empregados, produtores e consumidores: as relações ficaram mais funcionais; por outro, o uso dessas ferramentas acabou involuindo para a maledicência e a promiscuidade virtual. Hoje ninguém consegue mais ter controle sobre sua imagem ou seu trabalho. Um ator de televisão diz "oi" para uma amiga na rua e na manhã seguinte correm notícias de que estão de casamento marcado. Uma cantora cancela um show porque está afônica e logo surge o boato de que tentou suicídio. Um escritor publica um texto no jornal e três segundos depois o mesmo texto está na internet, atribuído a Toulouse-Lautrec, que nem escritor foi.


(Adaptado de Martha Medeiros. A graça da coisa. L&PM Editores. 2013)

Na frase Mais tarde pipocavam biografias, saciando a curiosidade do público, a forma verbal pipocavam expressa
Alternativas
Q3538742 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

[Autobiografia de um historiador]

    Não escrevi esta minha biografia com o espirito de confissão tão vendável hoje em dia, em parte porque a única justificativa para essa viagem em torno do ego é a genialidade - não sou nem um santo Agostinho nem um Rousseau -e em parte porque nenhum autobiógrafo vivo seria capaz de contar sua verdade particular sobre as coisas que envolvem outras pessoas vivas sem ferir injustificavelmente os sentimentos de algumas delas.
    Este livro também não é uma apologia da vida do autor. Se o leitor não quiser entender o século XX, deve ler as autobiografias daqueles que sejustificam a si mesmos, advogados de sua própria defesa, e as de seu reverso, os pecadores arrependidos.
    Estes escritos não são a história do mundo ilustrada pelas experiéncias de um indivíduo, mas a história do mundo dando forma às experiëncias de um indivíduo, ou melhor, oferecendo uma gama de escolhas sempre limitadas, com as quais os homens fazem suas vidas, não nas circunstâncias escolhidas por eles, e sim nas circunstâncias diretamente proporcionadas pelo mundo em volta deles.
    Busquei juntar meus temas de modo coerente, com alguma racionalização histórica. Outros historiadores poderão interessar-se por esse aspecto mais profissional do meu livro. Espero, entretanto, que os demais o leiam como uma introdução ao extraordinário século XX, como um relato que é também o itinerário de um ser humano cuja vida não poderia ter ocorrido em outro século.

 (Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos interessantes. Trad. S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 10-12)
Estes escritos não constituem uma história do mundo, embora a levem em conta.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, as formas verbais deverão ficar, na ordem dada,
Alternativas
Q3538741 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

[Autobiografia de um historiador]

    Não escrevi esta minha biografia com o espirito de confissão tão vendável hoje em dia, em parte porque a única justificativa para essa viagem em torno do ego é a genialidade - não sou nem um santo Agostinho nem um Rousseau -e em parte porque nenhum autobiógrafo vivo seria capaz de contar sua verdade particular sobre as coisas que envolvem outras pessoas vivas sem ferir injustificavelmente os sentimentos de algumas delas.
    Este livro também não é uma apologia da vida do autor. Se o leitor não quiser entender o século XX, deve ler as autobiografias daqueles que sejustificam a si mesmos, advogados de sua própria defesa, e as de seu reverso, os pecadores arrependidos.
    Estes escritos não são a história do mundo ilustrada pelas experiéncias de um indivíduo, mas a história do mundo dando forma às experiëncias de um indivíduo, ou melhor, oferecendo uma gama de escolhas sempre limitadas, com as quais os homens fazem suas vidas, não nas circunstâncias escolhidas por eles, e sim nas circunstâncias diretamente proporcionadas pelo mundo em volta deles.
    Busquei juntar meus temas de modo coerente, com alguma racionalização histórica. Outros historiadores poderão interessar-se por esse aspecto mais profissional do meu livro. Espero, entretanto, que os demais o leiam como uma introdução ao extraordinário século XX, como um relato que é também o itinerário de um ser humano cuja vida não poderia ter ocorrido em outro século.

 (Adaptado de: HOBSBAWM, Eric. Tempos interessantes. Trad. S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 10-12)
Os tempos e os modos das formas verbais estão adequadamente articulados na frase:
Alternativas
Q3538511 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.


Sobre a tranquilidade da alma


    Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

    E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

    Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

    Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa саminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranquilidade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 51) 
Ainda que venham a excitar a alma, alguns dos nossos desejos não serão contemplados.

A adequada correlação entre os tempos e os modos da frase acima estará mantida nesta outra configuração, substituindo-se os elementos sublinhados, respectivamente, por: 
Alternativas
Q3538443 Português
Atual cenário de chuvas intensas e fortes tempestades no país pode impactar sistema de saneamento básico

Estudo do Trata Brasil revela como as tempestades sobrecarregam os sistemas de água e esgotamento sanitário

 Publicado em 16/01/2025


    O Brasil enfrenta um cenário de chuvas intensas e fortes tempestades que estão afetando diversos estados. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão para o período de 13 a 20 de janeiro aponta chuvas em quase todo o país. Além disso, o boletim agroclimático divulgado pelo INMET destaca que a interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera exerce um impacto nas condições climáticas, com fenômenos como o El Niño influenciando diretamente o tempo e o clima no país.

    A intensificação das mudanças climáticas representa uma ameaça crescente para o setor de saneamento no Brasil, criando desafios significativos para a operação de sistemas de água e esgoto. Esses riscos climáticos agravam as desigualdades no acesso aos serviços básicos, especialmente em comunidades urbanas periféricas e áreas rurais. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, eventos extremos como tempestades, ondas de calor e secas afetam diretamente a infraestrutura básica.

    Para os serviços de saneamento, as tempestades podem sobrecarregar os sistemas de água, drenagem e de tratamento de esgoto. Entenda quais os principais impactos:

Mananciais e Sistemas de Água

    Aumento do acúmulo de sedimentos: tempestades intensas e prolongadas podem aumentar a quantidade de sedimentos carregados para mananciais e reservatórios, reduzindo a capacidade de armazenamento e dificultando o tratamento de água.



  • • Estação de tratamento de água (ETAS’s): 
  •     
  •         Danos físicos às estruturas e impedimento do transporte de água: tempestades podem causar danos significativos em ETA’s, estruturas de pressurização, e afetar o transporte de água. 
  •    
  •         Redução da eficiência do tratamento: as ETA’s podem receber fluxos de água acima da capacidade projetada durante tempestades, comprometendo a eficiência do tratamento.
  •       
  •          Interrupções de energia: tempestades podem gerar interrupções, afetando o funcionamento das ETA’s.



Sistema de Esgoto


  •     Contaminação de águas superficiais: tempestades intensas podem causar transbordo de canais sem redes de coleta e tratamento de esgoto, e consequente liberação de efluentes não tratados diretamente nos corpos hídricos.



  • • Estação de tratamento de esgoto (ETE’s):


  •         Danos físicos às estruturas e impedimento do transporte de esgoto: tempestades podem causar danos significativos em ETE’s, elevatórias e linhas de recalque, dificultando o transporte de esgoto.


  •         Redução da eficiência do tratamento: as ETE’s podem receber fluxos de água acima da capacidade projetada durante tempestades, comprometendo a eficiência do tratamento.


  •         Interrupções de energia: tempestades podem gerar interrupções, afetando o funcionamento de bombas e outros equipamentos das ETE’s.



        Para enfrentar os desafios impostos pelos riscos climáticos, é essencial que tanto o poder público quanto as empresas de saneamento adotem estratégias de adaptação climática. Ações como o fortalecimento da infraestrutura de captação e tratamento de água e esgoto, a modernização dos sistemas de monitoramento e controle de qualidade da água, e os investimentos em tecnologia, como o reuso, contribuem para a diversificação das fontes de água. Essas medidas são fundamentais para mitigar os impactos das mudanças climáticas na vida da população, especialmente nas regiões mais vulneráveis.


Adaptado de: https://tratabrasil.org.br/chuvas-tempestades impactar-sistema-saneamento/. Acesso em: 30 jan. 2025.

A partir dos seguintes trechos adaptados do texto, assinale a alternativa em que o verbo sublinhado indica um acontecimento habitual, frequente e no passado. 
Alternativas
Q3536849 Português

Atual cenário de chuvas intensas e fortes tempestades no país pode impactar sistema de saneamento básico


Estudo do Trata Brasil revela como as tempestades sobrecarregam os sistemas de água e esgotamento sanitário


Publicado em 16/01/2025


    O Brasil enfrenta um cenário de chuvas intensas e fortes tempestades que estão afetando diversos estados. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão para o período de 13 a 20 de janeiro aponta chuvas em quase todo o país. Além disso, o boletim agroclimático divulgado pelo INMET destaca que a interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera exerce um impacto nas condições climáticas, com fenômenos como o El Niño influenciando diretamente o tempo e o clima no país.

     A intensificação das mudanças climáticas representa uma ameaça crescente para o setor de saneamento no Brasil, criando desafios significativos para a operação de sistemas de água e esgoto. Esses riscos climáticos agravam as desigualdades no acesso aos serviços básicos, especialmente em comunidades urbanas periféricas e áreas rurais. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, eventos extremos como tempestades, ondas de calor e secas afetam diretamente a infraestrutura básica.

   Para os serviços de saneamento, as tempestades podem sobrecarregar os sistemas de água, drenagem e de tratamento de esgoto. Entenda quais os principais impactos: 


Mananciais e Sistemas de Água


Aumento do acúmulo de sedimentos: tempestades intensas e prolongadas podem aumentar a quantidade de sedimentos carregados para mananciais e reservatórios, reduzindo a capacidade de armazenamento e dificultando o tratamento de água.


• Estação de tratamento de água (ETAS’s):


Danos físicos às estruturas e impedimento do transporte de água: tempestades podem causar danos significativos em ETA’s, estruturas de pressurização, e afetar o transporte de água.


Redução da eficiência do tratamento: as ETA’s podem receber fluxos de água acima da capacidade projetada durante tempestades, comprometendo a eficiência do tratamento.


Interrupções de energia: tempestades podem gerar interrupções, afetando o funcionamento das ETA’s.



Sistema de Esgoto


Contaminação de águas superficiais: tempestades intensas podem causar transbordo de canais sem redes de coleta e tratamento de esgoto, e consequente liberação de efluentes não tratados diretamente nos corpos hídricos.


• Estação de tratamento de esgoto (ETE’s):


Danos físicos às estruturas e impedimento do transporte de esgoto: tempestades podem causar danos significativos em ETE’s, elevatórias e linhas de recalque, dificultando o transporte de esgoto.


Redução da eficiência do tratamento: as ETE’s podem receber fluxos de água acima da capacidade projetada durante tempestades, comprometendo a eficiência do tratamento.


Interrupções de energia: tempestades podem gerar interrupções, afetando o funcionamento de bombas e outros equipamentos das ETE’s.



    Para enfrentar os desafios impostos pelos riscos climáticos, é essencial que tanto o poder público quanto as empresas de saneamento adotem estratégias de adaptação climática. Ações como o fortalecimento da infraestrutura de captação e tratamento de água e esgoto, a modernização dos sistemas de monitoramento e controle de qualidade da água, e os investimentos em tecnologia, como o reuso, contribuem para a diversificação das fontes de água. Essas medidas são fundamentais para mitigar os impactos das mudanças climáticas na vida da população, especialmente nas regiões mais vulneráveis.


Adaptado de: https://tratabrasil.org.br/chuvas-tempestadesimpactar-sistema-saneamento/. Acesso em: 30 jan. 2025. 

No título “Atual cenário de chuvas intensas e fortes tempestades no país pode impactar sistema de saneamento básico”, o verbo “pode” indica
Alternativas
Q3536512 Português
Assinale a alternativa em que o verbo está corretamente flexionado no plural:
Alternativas
Q3536477 Português
Assinale a alternativa em que todos os verbos sofrem alteração no radical ao serem flexionados:
Alternativas
Q3535497 Português
O TEXTO I A SEGUIR SERVIRÁ DE BASE PARA A RESOLUÇÃO DA QUESTÃO 


CENSURA É LIBERDADE

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Ilustração: Shutterstock


Os que dizem combater a desinformação alegam que é para proteger direitos fundamentais. Ora, um dos direitos mais fundamentais é a liberdade de expressão

por Alexandre Garcia


    No julgamento sobre censura na internet, o ministro do Supremo André Mendonça, num voto que precisou de dois dias para ser lido, pronunciou uma aula magna sobre liberdade, ordem institucional e democracia. Escolheram para retomar o julgamento de recursos contra o artigo 19 do Marco Civil da Internet o dia 4 de junho. Há 36 anos, num 4 de junho, na Praça da Paz Celestial, o Exército Chinês massacrava o povo que queria liberdade de expressão. Na sessão do Supremo do dia 4 de junho, o ministro Barroso citou a comunista alemã Rosa Luxemburgo: “Liberdade é sempre a de quem pensa diferente”. Aqui, os que pensam diferente têm que ser presos.

    Nossa Constituição considera a liberdade de expressão cláusula pétrea, ou seja, nem o Congresso pode modificar o artigo 5º. “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Não diz “salvo se”, que tampouco está no artigo 53, o qual garante a inviolabilidade de deputados e senadores por quaisquer palavras.

    A censura é o objetivo de todos os totalitários. Primeiro, censuram as palavras; a consequência é censurar o pensamento; e a liberdade, então, estará censurada. Tudo fica relativo, como na “democracia relativa” da Venezuela bolivariana. Vale qualquer pretexto, como faziam os tribunais na Alemanha de Hitler e na União Soviética de Stalin, onde as pessoas já estavam condenadas antes dos julgamentos, que só serviam como ritual, na tentativa de mostrar que um processo kafkiano é um processo justo. O terrível, numa situação assim, é o silêncio dos censuráveis, os quais agem como ovelhas indo passivamente para a tosquia. A lã das ovelhas estará crescida no ano seguinte, mas a liberdade perdida só renascerá se os servos aprenderem a agir como cidadãos. 

    O totalitarismo aboliu a liberdade de pensamento em um grau jamais visto. Ele não apenas proíbe que você se expresse, mas dita o que você deve pensar, cria uma ideologia para impor a você, tenta governar sua vida emocional, além de estabelecer um código de conduta. Na medida do possível, ele isola você do mundo, o fecha em um universo artificial em que você não tem padrões de comparação. Na verdade, esse período anterior deveria vir entre aspas, mas eu queria que você, leitor, fosse livre para pensar que essa seria uma conclusão minha, sobre a atualidade brasileira. Na verdade, isso foi dito na BBC, em Londres, por George Orwell, em 1941! Imagino que ele se referia à Europa com Stalin, Hitler e Mussolini. Quanta semelhança com o mundo woke de hoje e com nosso Brasil... 

    São tempos em que o Supremo decide modificar uma lei que foi discutida pelo Congresso com a nação por três anos. A Lei nº 12.965 foi sancionada por Dilma em 2014. Depois de dez anos em vigor, surgiu, em véspera de ano eleitoral, o desejo de obrigar as plataformas a irem além das regras já existentes, que evitam pornografia, pedofilia, imagens obscenas. Mas insistem que é preciso combater a desinformação. Ora, combate-se a desinformação não dando audiência ao desinformador, assim como ao odiento – ademais rotular de desinformação é muito subjetivo, pois pode se tratar apenas de uma informação com a qual não se concorde. Paradoxalmente, os que dizem combater a desinformação alegam que é para proteger direitos fundamentais. Ora, um dos direitos mais fundamentais é a liberdade de expressão.

    O Supremo, a despeito da lição contida no voto de André Mendonça, vai dizer que o que o Legislativo decidiu, no artigo 19, é inconstitucional. Pode o STF redigir outro artigo? André Mendonça ensinou que só o Legislativo tem poder para redigir leis. E como responsabilizar as plataformas? Tornando-as censoras? Se alguém duvidar da Justiça Eleitoral, é crime? Mas não é crime nem duvidar de Deus – como lembrou André Mendonça. Ter a responsabilidade de censurar o que julgam mentira ou discurso de ódio? Se já é impossível identificar quem chama o juiz de ladrão num estádio lotado, será impossível tarefa humana fiscalizar bilhões de postagens diárias. Um robô vai decidir? A pedra angular da democracia e da humanidade, a liberdade de expressão, será entregue a uma máquina?

    Orwell, no seu 1984, previa para aquele ano, em ficção, o totalitarismo mudando significados: “Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força”. No século seguinte, nos anos 2020, no Brasil se procura implantar novas verdades: manifestação popular é golpe; crítica é ato antidemocrático; opinião contrária é fake news; contrapor-se a uma feminista é misoginia, a um esquerdista é fascismo. E censura é liberdade.


https://revistaoeste.com/revista/edicao-272/censura-e-liberdade/ Adaptado 
Veja as afirmações abaixo antes de julgar o que se pede.

( ) No 1º parágrafo, em “Escolheram para retomar o julgamento de recursos contra o artigo 19 do Marco Civil da Internet o dia 4 de junho.”, a forma verbal em destaque encontra-se conjugada no Pretérito perfeito do Indicativo possuindo Sujeito Elíptico.
( ) No 1º parágrafo, em “ 36 anos, num 4 de junho, na Praça da Paz Celestial, o Exército Chinês massacrava o povo que queria liberdade de expressão.”, nota-se que os verbos em destaque foram conjugados em tempos distintos: o primeiro, no Presente do Indicativo, podendo ser substituído pelo verbo “Faz”; já o segundo, no Pretérito imperfeito do Indicativo, podendo ser substituído por “desejava”.
( ) No 2º parágrafo, em “Nossa Constituição considera a liberdade de expressão cláusula pétrea, ou seja, nem o Congresso pode modificar o artigo 5º. ‘É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato’. Não diz “salvo se”, que tampouco está no artigo 53, o qual garante a inviolabilidade de deputados e senadores por quaisquer palavras.”, todos os verbos em destaque se encontram conjugados no mesmo tempo verbal, a fim de transmitirem uma ideia de verdade absoluta, diante da inviolabilidade legal do que se afirma.
( ) No 3º parágrafo, em “Tudo fica relativo, como na ‘democracia relativa’ da Venezuela bolivariana. Vale qualquer pretexto, como faziam os tribunais na Alemanha de Hitler e na União Soviética de Stalin, onde as pessoas já estavam condenadas antes dos julgamentos, que só serviam como ritual, na tentativa de mostrar que um processo kafkiano é um processo justo.”, as formas verbais destacadas encontram-se no Pretérito imperfeito do Indicativo e foram assim conjugadas a fim de expor um hábito que repetia no passado.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, analise gramatical e contextualmente cada elaboração acima e, pela ordem, aponte a sequência correta:
Alternativas
Q3534996 Português
Assinale a alternativa cuja frase esteja conjugada no pretérito perfeito do indicativo:
Alternativas
Respostas
1301: D
1302: C
1303: B
1304: C
1305: C
1306: D
1307: E
1308: A
1309: E
1310: E
1311: C
1312: A
1313: B
1314: B
1315: E
1316: B
1317: C
1318: C
1319: A
1320: A