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Q4396149 Português
Assinale a alternativa que apresenta um oxímoro:
Alternativas
Q4396148 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Leia o fragmento:



“Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana.”



A respeito do termo em destaque, afirma-se o seguinte:



I. Trata-se de um neologismo.


II. Além de “bonito” ou “desejável”, carrega também a conotação de “interessante ou chamativo o suficiente para gerar uma boa foto pública”.


III. Não deve ser grafada com acento.



Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4396146 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Dado o excerto:



“Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele.”



Sobre o excerto afirma-se:



I. Os dois termos “que” são classificados como pronomes relativos, e ambos iniciam orações subordinadas adjetivas restritivas.


II. Os dois termos “que” são classificados como pronomes relativos, e ambos iniciam orações subordinadas adjetivas explicativas.


III. A locução verbal “tentando cumprir” passa a ideia de ação repetida continuamente.



Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4396145 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Leia o fragmento que segue:



“Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável.”



Sobre o fragmento afirma-se:



I. O fragmento é constituído de um período composto no qual se encontram seis orações, cinco delas coordenadas e uma subordinada.


II. O termo “bonita” é um predicativo do objeto.


III. O termo “prestígio” é um objeto direto.



Está(ão) correta(s):

Alternativas
Q4396144 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

Ainda de acordo com o texto, é correto inferir que:
Alternativas
Q4396143 Português

O jogador que leu Tolstói


(Ramires Linhares)



    Lev Nikoláievitch Tolstói (1828/1910) foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores e mais influentes autores de todos os tempos, escreveu “A Morte de Ivan Ilitch” em 1886, uma história curta sobre um homem que passou a vida fazendo tudo aquilo que a sociedade considerava certo. Estudou, construiu carreira, casou-se, comprou uma casa bonita, buscou prestígio e manteve uma aparência respeitável. Até que adoeceu.


    Foi quando percebeu uma coisa incômoda: talvez tivesse passado a vida inteira preocupado em parecer feliz, correto e bem-sucedido, sem nunca ter parado para perguntar se, de fato, era feliz.


    Li o livro mais de uma vez (como deve ser), cheguei a achar meio “água com açúcar” ou que tinha sido escrito de trás pra frente. A ideia de que é um livro sobre a morte fica para trás depois do meio. É um livro sobre a vida. A vida que levamos enquanto achamos que ainda temos muito tempo.


    Recentemente, aqui no Brasil, um episódio chamou a atenção para o livro de Tolstói, inclusive com semelhanças de enredo. O jogador de futebol Gustavo Scarpa, do Atlético Mineiro, contou que leu “A Morte de Ivan Ilitch” e recomendou o livro.


    Pronto! Foi o suficiente para causar surpresa. Não pelo Tolstói. Pelo Scarpa.


    Como assim, um jogador de futebol lendo literatura russa do século XIX? A reação diz muito sobre nós. Parece que ainda distribuímos as pessoas em gavetas: jogador joga bola, médico cuida de doente, advogado fala difícil, jornalista escreve e professor lê. Se o sujeito sair da gaveta, dá um bug no sistema.


    Mas Scarpa pode jogar futebol e ler Tolstói. Pode discutir escalação, salário e campeonato e, no intervalo disso tudo, pensar sobre a brevidade da vida. Essa é a graça. Porque Tolstói escreveu sobre um homem que passou a vida inteira tentando cumprir o papel que esperavam dele. E nós continuamos fazendo isso, só que agora com celular, cartão de crédito, grupo de WhatsApp e uma necessidade permanente de parecer bem nas redes sociais, inflando incondicionalmente o nosso ego.


    Ivan Ilitch queria parecer bem-sucedido. As pessoas reais de hoje também. E, se possível, felizes, produtivas, jovens, interessantes e num lugar instagramável no fim de semana. A diferença é que Ivan descobriu tudo isso tarde demais. Nós ainda estamos em campo. As questões filosóficas abordadas por Tolstói, adaptadas aos nossos tempos, deveriam ser bem mais incômodas, mas não são, afinal, a gente acha que ler Tolstói não é pra todos, não é pra gente.


    Ivan Ilitch descobriu como deveria viver só depois de morrer. Morrer, talvez, nem seja o problema. Chegar ao último capítulo e descobrir que passamos a vida escrevendo para agradar os outros, isso sim, pode ser um problema.


Disponível em: https://diariodosul.com.br/colunistas/ramires-linhares/o-jogador-que-leu-tolstoi-39834

De acordo com o texto, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4396140 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Professor bem preparado para quê?


    Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

    Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”.

    Surgido de uma iniciativa do Instituto de Física da USP, o encontro vinha sendo bastante procurado por professores da rede pública. Em 2023, foram 1.607 inscritos; em 2024, 1.170; em 2025, 1.219. Em 2026, segundo informações preliminares, foram cerca de 600. O que aconteceu? Desalento dos professores? Não parece uma hipótese descartável, pelo menos no caso dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Está havendo uma rápida substituição de professores efetivos por temporários. Alguns dados mostram a rapidez e a extensão desse processo. Em 2023, pela primeira vez, os temporários (101 mil) superaram os efetivos (90,5 mil), segundo uma pesquisa do Todos pela Educação, uma instituição privada que luta pela melhoria do ensino público.

    Do ponto de vista pedagógico, no entanto, talvez a mudança que mais afetou o trabalho dos professores dessa rede tenha sido a evolução do projeto de adotar materiais didáticos digitais (basicamente slides) obrigatórios em sala de aula. Instituições que congregam professores da rede pública têm afirmado que esse modelo, chamado de plataformização do ensino, por meio do uso intensivo de material digital nas salas de aula, vem acompanhado de uma espécie de privatização do ensino público (em razão do aumento dos gastos com a compra de equipamentos e material didático fornecidos por empresas privadas).

    No entanto, seu efeito mais preocupante, de acordo com essas instituições, é a drástica redução do papel do professor na sala de aula. O Grupo Escola Pública e Democracia (Gepud) acrescenta que o uso intenso das plataformas tem causado desinteresse e cansaço nos estudantes e contraria a tendência mundial de reduzir a utilização das tecnologias digitais e o tempo de uso de telas por crianças e adolescentes. Mais ainda, “as plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas”.

    Na essência, então, professor bem preparado para quê? Apenas para orientar os alunos sobre como manejar uma máquina?


(Jorge J. Okubaro. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.06.2026. Adaptado)


De acordo com Angela Kleiman (Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura, 2004), a modalização no texto corresponde a “expressões que indicam o grau de comprometimento do autor com a verdade, ou a justeza da informação, relativizando-a ou para mais, a certeza absoluta, ou para menos, a possibilidade mais remota.” Esta última torna a proposição não categórica, o que se comprova com a passagem:
Alternativas
Q4396139 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Professor bem preparado para quê?


    Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

    Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”.

    Surgido de uma iniciativa do Instituto de Física da USP, o encontro vinha sendo bastante procurado por professores da rede pública. Em 2023, foram 1.607 inscritos; em 2024, 1.170; em 2025, 1.219. Em 2026, segundo informações preliminares, foram cerca de 600. O que aconteceu? Desalento dos professores? Não parece uma hipótese descartável, pelo menos no caso dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Está havendo uma rápida substituição de professores efetivos por temporários. Alguns dados mostram a rapidez e a extensão desse processo. Em 2023, pela primeira vez, os temporários (101 mil) superaram os efetivos (90,5 mil), segundo uma pesquisa do Todos pela Educação, uma instituição privada que luta pela melhoria do ensino público.

    Do ponto de vista pedagógico, no entanto, talvez a mudança que mais afetou o trabalho dos professores dessa rede tenha sido a evolução do projeto de adotar materiais didáticos digitais (basicamente slides) obrigatórios em sala de aula. Instituições que congregam professores da rede pública têm afirmado que esse modelo, chamado de plataformização do ensino, por meio do uso intensivo de material digital nas salas de aula, vem acompanhado de uma espécie de privatização do ensino público (em razão do aumento dos gastos com a compra de equipamentos e material didático fornecidos por empresas privadas).

    No entanto, seu efeito mais preocupante, de acordo com essas instituições, é a drástica redução do papel do professor na sala de aula. O Grupo Escola Pública e Democracia (Gepud) acrescenta que o uso intenso das plataformas tem causado desinteresse e cansaço nos estudantes e contraria a tendência mundial de reduzir a utilização das tecnologias digitais e o tempo de uso de telas por crianças e adolescentes. Mais ainda, “as plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas”.

    Na essência, então, professor bem preparado para quê? Apenas para orientar os alunos sobre como manejar uma máquina?


(Jorge J. Okubaro. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.06.2026. Adaptado)


Como dizem H&H, uma elipse é uma substituição por zero (p. 89), é um mecanismo relativamente bem conhecido (...).

(Sírio Possenti, Discurso, estilo e subjetividade, 2001)

O mecanismo de organização textual citado por Sírio Possenti ocorre na seguinte passagem do texto:
Alternativas
Q4396138 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Professor bem preparado para quê?


    Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

    Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”.

    Surgido de uma iniciativa do Instituto de Física da USP, o encontro vinha sendo bastante procurado por professores da rede pública. Em 2023, foram 1.607 inscritos; em 2024, 1.170; em 2025, 1.219. Em 2026, segundo informações preliminares, foram cerca de 600. O que aconteceu? Desalento dos professores? Não parece uma hipótese descartável, pelo menos no caso dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Está havendo uma rápida substituição de professores efetivos por temporários. Alguns dados mostram a rapidez e a extensão desse processo. Em 2023, pela primeira vez, os temporários (101 mil) superaram os efetivos (90,5 mil), segundo uma pesquisa do Todos pela Educação, uma instituição privada que luta pela melhoria do ensino público.

    Do ponto de vista pedagógico, no entanto, talvez a mudança que mais afetou o trabalho dos professores dessa rede tenha sido a evolução do projeto de adotar materiais didáticos digitais (basicamente slides) obrigatórios em sala de aula. Instituições que congregam professores da rede pública têm afirmado que esse modelo, chamado de plataformização do ensino, por meio do uso intensivo de material digital nas salas de aula, vem acompanhado de uma espécie de privatização do ensino público (em razão do aumento dos gastos com a compra de equipamentos e material didático fornecidos por empresas privadas).

    No entanto, seu efeito mais preocupante, de acordo com essas instituições, é a drástica redução do papel do professor na sala de aula. O Grupo Escola Pública e Democracia (Gepud) acrescenta que o uso intenso das plataformas tem causado desinteresse e cansaço nos estudantes e contraria a tendência mundial de reduzir a utilização das tecnologias digitais e o tempo de uso de telas por crianças e adolescentes. Mais ainda, “as plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas”.

    Na essência, então, professor bem preparado para quê? Apenas para orientar os alunos sobre como manejar uma máquina?


(Jorge J. Okubaro. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.06.2026. Adaptado)


De acordo com Rodolfo Ilari (Introdução à semântica: brincando com a gramática, 2001), “... o sentido literal dos enunciados inclui frequentemente informações implícitas, embora previsíveis”. Com base nessa informação, conclui-se corretamente que a frase “Na essência, então, professor bem preparado para quê?” (6o parágrafo) reporta à ideia de que
Alternativas
Q4396137 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Professor bem preparado para quê?


    Dados sobre o ensino no País animam e preocupam. São uma espécie de resumo das contradições de um país que cresce sem romper sua imensa desigualdade social. Muitos índices de educação dos jovens melhoraram na última década, mas mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio e estão fora das escolas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de alunos cresce, mas milhões deles concluem o ciclo básico com conhecimentos inferiores aos considerados necessários para agir com autonomia, espírito crítico e iniciativa num mundo em rápidas transformações tecnológicas. Superar essa deficiência exige professores adequadamente preparados. É desolador, no entanto, constatar que são escassas as políticas públicas com esse objetivo e, pior, observar que certas ações do poder público enfraquecem o papel do professor, o que pode comprometer o aprendizado e o futuro do aluno.

    Programas para o aperfeiçoamento da docência na rede pública existem. Desde 2007, a Universidade de São Paulo (USP) mantém o programa Encontro USP-Escola, para, como explica, “promover a formação continuada de docentes da educação básica e promover a interlocução entre a universidade e a escola”.

    Surgido de uma iniciativa do Instituto de Física da USP, o encontro vinha sendo bastante procurado por professores da rede pública. Em 2023, foram 1.607 inscritos; em 2024, 1.170; em 2025, 1.219. Em 2026, segundo informações preliminares, foram cerca de 600. O que aconteceu? Desalento dos professores? Não parece uma hipótese descartável, pelo menos no caso dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo. Está havendo uma rápida substituição de professores efetivos por temporários. Alguns dados mostram a rapidez e a extensão desse processo. Em 2023, pela primeira vez, os temporários (101 mil) superaram os efetivos (90,5 mil), segundo uma pesquisa do Todos pela Educação, uma instituição privada que luta pela melhoria do ensino público.

    Do ponto de vista pedagógico, no entanto, talvez a mudança que mais afetou o trabalho dos professores dessa rede tenha sido a evolução do projeto de adotar materiais didáticos digitais (basicamente slides) obrigatórios em sala de aula. Instituições que congregam professores da rede pública têm afirmado que esse modelo, chamado de plataformização do ensino, por meio do uso intensivo de material digital nas salas de aula, vem acompanhado de uma espécie de privatização do ensino público (em razão do aumento dos gastos com a compra de equipamentos e material didático fornecidos por empresas privadas).

    No entanto, seu efeito mais preocupante, de acordo com essas instituições, é a drástica redução do papel do professor na sala de aula. O Grupo Escola Pública e Democracia (Gepud) acrescenta que o uso intenso das plataformas tem causado desinteresse e cansaço nos estudantes e contraria a tendência mundial de reduzir a utilização das tecnologias digitais e o tempo de uso de telas por crianças e adolescentes. Mais ainda, “as plataformas retiram dos professores a essência da atividade docente: o planejamento, a organização e a condução de suas aulas”.

    Na essência, então, professor bem preparado para quê? Apenas para orientar os alunos sobre como manejar uma máquina?


(Jorge J. Okubaro. Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.06.2026. Adaptado)


Tendo como referência Schneuwly e Dolz (Gêneros orais e escritos na escola, 2004), o texto pode ser levado para a sala de aula considerando-se que a capacidade de linguagem nele predominante é
Alternativas
Q4396130 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


    A literatura, hoje, parece estádio de futebol em dia de final de campeonato: sempre cabe mais um, e tem até cambista vendendo ingresso para quem chega tarde. Mas há também, é claro, o setor das numeradas e das cadeiras cativas; pois a literatura de que falam os que resmungam continua viva, vai bem, obrigada, e até manda lembranças. Apenas não está mais sozinha em cena, está acompanhada e muito bem acompanhada! Ao lado dos romances esotéricos, da poesia de autoajuda, da ficção científica e do romance policial, continuam a ser lidos e apreciados os romances de antigamente, as novelas de cavalaria, os chamados clássicos, a poesia. Talvez venham dessas múltiplas faces da literatura os resmungos mal-humorados que zumbem em nossos ouvidos.

    O que quer dizer que Homero (séc. IX a.C.), Dante Alighieri (1265-1321), Eça de Queirós (1845-1900) e Guimarães Rosa (1908-1967) escreveram, mesmo, coisas excelentes. Excelentes e distintas do que escrevem hoje os Titãs, Paulo Coelho, Rodolfo Cavalcanti e J. Grisham.

    Mas diferente não quer dizer pior.


(Marisa Lajolo, Literatura: leitores e leitura. 2001, Adaptado)
As considerações sobre literatura da autora assumem um tom
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Q4395792 Português
   O fazendeiro foi ao mercadinho de sua cidade e, como o pessoal estava demorando a empacotar suas compras, começou a puxar assunto com o dono do estabelecimento:


   — Sabe, eu tenho dois cavalos e nunca sei dizer qual é qual. Eu corto a crina de um deles, mas ela cresce de novo. Corto o rabo do outro e o rabo cresce novamente...

   — Por que você não mede os cavalos? Assim, pode diferenciá-los pela altura — sugeriu o dono do mercadinho. Todo contente, ele diz ao dono:

   — Você me deu uma grande ideia! Eu medi os cavalos.

   — E agora você já consegue diferenciar um do outro?

   — Consigo. O preto é três centímetros mais alto que o branco!


BELTRÃO, Eliana Santos; GORDILHO, Tereza. A conquista - Língua Portuguesa. São Paulo: FTD – PNLD, 2024 
A oração “como o pessoal estava demorando a empacotar suas compras” (1° parágrafo) classifica-se como
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Q4395791 Português
   O fazendeiro foi ao mercadinho de sua cidade e, como o pessoal estava demorando a empacotar suas compras, começou a puxar assunto com o dono do estabelecimento:


   — Sabe, eu tenho dois cavalos e nunca sei dizer qual é qual. Eu corto a crina de um deles, mas ela cresce de novo. Corto o rabo do outro e o rabo cresce novamente...

   — Por que você não mede os cavalos? Assim, pode diferenciá-los pela altura — sugeriu o dono do mercadinho. Todo contente, ele diz ao dono:

   — Você me deu uma grande ideia! Eu medi os cavalos.

   — E agora você já consegue diferenciar um do outro?

   — Consigo. O preto é três centímetros mais alto que o branco!


BELTRÃO, Eliana Santos; GORDILHO, Tereza. A conquista - Língua Portuguesa. São Paulo: FTD – PNLD, 2024 
No trecho “—E agora você já consegue diferenciar um do outro?” (5° parágrafo), o termo “agora” exerce a função sintática de
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Q4395364 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


   O cinema, que, evidentemente, sempre foi uma arte de entretenimento voltada para o grande público, teve também, às vezes como corrente marginal e outras como central, grandes talentos que, apesar das difíceis condições em que os cineastas sempre precisaram trabalhar por razões de orçamento e dependência das produtoras, foram capazes de realizar obras de grande riqueza, profundidade e originalidade, com inequívoca marca pessoal. Mas, nossa época, em conformidade com a inflexível pressão da cultura dominante, privilegia o engenho em vez da inteligência, as imagens em vez das ideias, o humor em vez da sisudez, o banal em vez do profundo e o frívolo em vez do sério.

   Não surpreende que, na era do espetáculo, no cinema os efeitos especiais tenham passado a ter um protagonismo que relega a segundo plano temas, diretores, roteiros e até atores. Pode-se alegar que isso se deve em boa parte à prodigiosa evolução tecnológica dos últimos anos, e que agora é possível fazer verdadeiros milagres no campo da simulação e da fantasia visuais. Em parte, sem dúvida. Mas, por outro lado, por acaso o principal, isso se deve a uma cultura que propicia o menor esforço intelectual, a ausência de preocupação, angústias e, em última instância, pensamento, em favor da entrega em atitude passiva àquilo que o agora esquecido Marshall McLuhan − sagaz profeta do caráter que a cultura de hoje adquiriria − chamava de “banho de imagens”, essa entrega submissa a emoções e sensações desencadeadas por um bombardeio inusitado e muitas vezes brilhantíssimo de imagens que chamam a atenção, embora, com sua natureza primária e passageira, embotem a sensibilidade e o intelecto do público.


(VARGAS LLOSA, Mario. A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura. Trad: Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, edição eletrônica)
Encontra-se adjetivo formado com prefixo de negação no trecho: 
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Q4395363 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


   O cinema, que, evidentemente, sempre foi uma arte de entretenimento voltada para o grande público, teve também, às vezes como corrente marginal e outras como central, grandes talentos que, apesar das difíceis condições em que os cineastas sempre precisaram trabalhar por razões de orçamento e dependência das produtoras, foram capazes de realizar obras de grande riqueza, profundidade e originalidade, com inequívoca marca pessoal. Mas, nossa época, em conformidade com a inflexível pressão da cultura dominante, privilegia o engenho em vez da inteligência, as imagens em vez das ideias, o humor em vez da sisudez, o banal em vez do profundo e o frívolo em vez do sério.

   Não surpreende que, na era do espetáculo, no cinema os efeitos especiais tenham passado a ter um protagonismo que relega a segundo plano temas, diretores, roteiros e até atores. Pode-se alegar que isso se deve em boa parte à prodigiosa evolução tecnológica dos últimos anos, e que agora é possível fazer verdadeiros milagres no campo da simulação e da fantasia visuais. Em parte, sem dúvida. Mas, por outro lado, por acaso o principal, isso se deve a uma cultura que propicia o menor esforço intelectual, a ausência de preocupação, angústias e, em última instância, pensamento, em favor da entrega em atitude passiva àquilo que o agora esquecido Marshall McLuhan − sagaz profeta do caráter que a cultura de hoje adquiriria − chamava de “banho de imagens”, essa entrega submissa a emoções e sensações desencadeadas por um bombardeio inusitado e muitas vezes brilhantíssimo de imagens que chamam a atenção, embora, com sua natureza primária e passageira, embotem a sensibilidade e o intelecto do público.


(VARGAS LLOSA, Mario. A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura. Trad: Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, edição eletrônica)
embora, com sua natureza primária e passageira, embotem a sensibilidade e o intelecto do público. (2o parágrafo)

Na frase acima, o verbo “embotar” está empregado com sentido semelhante ao do verbo 
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Q4395362 Português
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.


   O cinema, que, evidentemente, sempre foi uma arte de entretenimento voltada para o grande público, teve também, às vezes como corrente marginal e outras como central, grandes talentos que, apesar das difíceis condições em que os cineastas sempre precisaram trabalhar por razões de orçamento e dependência das produtoras, foram capazes de realizar obras de grande riqueza, profundidade e originalidade, com inequívoca marca pessoal. Mas, nossa época, em conformidade com a inflexível pressão da cultura dominante, privilegia o engenho em vez da inteligência, as imagens em vez das ideias, o humor em vez da sisudez, o banal em vez do profundo e o frívolo em vez do sério.

   Não surpreende que, na era do espetáculo, no cinema os efeitos especiais tenham passado a ter um protagonismo que relega a segundo plano temas, diretores, roteiros e até atores. Pode-se alegar que isso se deve em boa parte à prodigiosa evolução tecnológica dos últimos anos, e que agora é possível fazer verdadeiros milagres no campo da simulação e da fantasia visuais. Em parte, sem dúvida. Mas, por outro lado, por acaso o principal, isso se deve a uma cultura que propicia o menor esforço intelectual, a ausência de preocupação, angústias e, em última instância, pensamento, em favor da entrega em atitude passiva àquilo que o agora esquecido Marshall McLuhan − sagaz profeta do caráter que a cultura de hoje adquiriria − chamava de “banho de imagens”, essa entrega submissa a emoções e sensações desencadeadas por um bombardeio inusitado e muitas vezes brilhantíssimo de imagens que chamam a atenção, embora, com sua natureza primária e passageira, embotem a sensibilidade e o intelecto do público.


(VARGAS LLOSA, Mario. A civilização do espetáculo: uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura. Trad: Ivone Benedetti. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013, edição eletrônica)
Para expressar uma ideia, o autor recorre a uma hipérbole no trecho: 
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Q4395359 Português
Atenção: Considere o trecho de uma carta do escritor latino Sêneca para responder à questão.


    Em primeiro lugar, é preciso dizer que a morte está sempre presente, quer para o velho ou para o jovem. Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. Um dia é um degrau na vida. Toda vida consta de partes, e elas formam círculos concêntricos maiores e menores. Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte. Outro compreende apenas os anos da juventude; há o que abarca toda a infância. Finalmente há o ano que por si só e em si contém um ciclo completo de tempo a partir do qual contamos a vida. Um círculo menor contém os meses. A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso. Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.

   Marco Pacúvio costumava realizar um sacrifício fúnebre para si mesmo, com as libações e os famosos banquetes funerários. Em seguida, fazia-se levar da sala ao seu quarto enquanto os criados cantavam em grego com acompanhamento musical: “Ele está morto! Sua vida já passou!” Pacúvio não passava um só dia sem realizar esse ritual. Façamos, no entanto, e com intenções honestas, o que aquele desabusado fazia como espetáculo. Ao dormir, digamos com alegria e contentamento: “Vivi. Percorri o curso que a fortuna traçou para mim.” Se Deus nos conceber um dia a mais de acréscimo, recebamos com alegria. É um homem muito feliz e com plena posse de si mesmo aquele que espera o amanhã sem inquietude. Todo aquele que diz “já vivi” recebe cotidianamente mais um dia como lucro.

    Mas já devo concluir esta carta. “Então irás terminá-la desse modo, sem nenhum acréscimo para mim?”, é o que me dirias. Nada temas, pois ela nos dá algo. Por que disse “algo”? Ela nos dá muito. Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? “É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade.”


(Adaptado de: Sêneca. Sobre os enganos do mundo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 9-11) 
Diferentemente dos processos de formação de palavras que consistem em acréscimo ou subtração de afixos a um radical, uma palavra também pode ser formada quando passa de uma classe gramatical a outra sem alterações formais. Tal processo é denominado conversão. Constitui exemplo de conversão a palavra sublinhada no seguinte trecho: 
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Q4395358 Português
Atenção: Considere o trecho de uma carta do escritor latino Sêneca para responder à questão.


    Em primeiro lugar, é preciso dizer que a morte está sempre presente, quer para o velho ou para o jovem. Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. Um dia é um degrau na vida. Toda vida consta de partes, e elas formam círculos concêntricos maiores e menores. Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte. Outro compreende apenas os anos da juventude; há o que abarca toda a infância. Finalmente há o ano que por si só e em si contém um ciclo completo de tempo a partir do qual contamos a vida. Um círculo menor contém os meses. A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso. Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.

   Marco Pacúvio costumava realizar um sacrifício fúnebre para si mesmo, com as libações e os famosos banquetes funerários. Em seguida, fazia-se levar da sala ao seu quarto enquanto os criados cantavam em grego com acompanhamento musical: “Ele está morto! Sua vida já passou!” Pacúvio não passava um só dia sem realizar esse ritual. Façamos, no entanto, e com intenções honestas, o que aquele desabusado fazia como espetáculo. Ao dormir, digamos com alegria e contentamento: “Vivi. Percorri o curso que a fortuna traçou para mim.” Se Deus nos conceber um dia a mais de acréscimo, recebamos com alegria. É um homem muito feliz e com plena posse de si mesmo aquele que espera o amanhã sem inquietude. Todo aquele que diz “já vivi” recebe cotidianamente mais um dia como lucro.

    Mas já devo concluir esta carta. “Então irás terminá-la desse modo, sem nenhum acréscimo para mim?”, é o que me dirias. Nada temas, pois ela nos dá algo. Por que disse “algo”? Ela nos dá muito. Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? “É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade.”


(Adaptado de: Sêneca. Sobre os enganos do mundo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 9-11) 
Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. (1o parágrafo)

No contexto em que se insere, o termo sublinhado acima introduz uma oração que expressa ideia de 
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Q4395357 Português
Atenção: Considere o trecho de uma carta do escritor latino Sêneca para responder à questão.


    Em primeiro lugar, é preciso dizer que a morte está sempre presente, quer para o velho ou para o jovem. Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. Um dia é um degrau na vida. Toda vida consta de partes, e elas formam círculos concêntricos maiores e menores. Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte. Outro compreende apenas os anos da juventude; há o que abarca toda a infância. Finalmente há o ano que por si só e em si contém um ciclo completo de tempo a partir do qual contamos a vida. Um círculo menor contém os meses. A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso. Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.

   Marco Pacúvio costumava realizar um sacrifício fúnebre para si mesmo, com as libações e os famosos banquetes funerários. Em seguida, fazia-se levar da sala ao seu quarto enquanto os criados cantavam em grego com acompanhamento musical: “Ele está morto! Sua vida já passou!” Pacúvio não passava um só dia sem realizar esse ritual. Façamos, no entanto, e com intenções honestas, o que aquele desabusado fazia como espetáculo. Ao dormir, digamos com alegria e contentamento: “Vivi. Percorri o curso que a fortuna traçou para mim.” Se Deus nos conceber um dia a mais de acréscimo, recebamos com alegria. É um homem muito feliz e com plena posse de si mesmo aquele que espera o amanhã sem inquietude. Todo aquele que diz “já vivi” recebe cotidianamente mais um dia como lucro.

    Mas já devo concluir esta carta. “Então irás terminá-la desse modo, sem nenhum acréscimo para mim?”, é o que me dirias. Nada temas, pois ela nos dá algo. Por que disse “algo”? Ela nos dá muito. Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? “É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade.”


(Adaptado de: Sêneca. Sobre os enganos do mundo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 9-11) 
Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em: 
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Q4395356 Português
Atenção: Considere o trecho de uma carta do escritor latino Sêneca para responder à questão.


    Em primeiro lugar, é preciso dizer que a morte está sempre presente, quer para o velho ou para o jovem. Depois ninguém é tão velho que não possa reivindicar para si mais um dia. Um dia é um degrau na vida. Toda vida consta de partes, e elas formam círculos concêntricos maiores e menores. Há um que abraça a todos e os fecha: é o círculo do dia do nosso nascimento até a morte. Outro compreende apenas os anos da juventude; há o que abarca toda a infância. Finalmente há o ano que por si só e em si contém um ciclo completo de tempo a partir do qual contamos a vida. Um círculo menor contém os meses. A rotação de um dia constitui o menor círculo que passa, como os outros, do seu início ao fim, da aurora ao ocaso. Portanto, todo dia deve ser ordenado como encerrando uma marcha, como se fosse o último e supremo dia de nossa vida.

   Marco Pacúvio costumava realizar um sacrifício fúnebre para si mesmo, com as libações e os famosos banquetes funerários. Em seguida, fazia-se levar da sala ao seu quarto enquanto os criados cantavam em grego com acompanhamento musical: “Ele está morto! Sua vida já passou!” Pacúvio não passava um só dia sem realizar esse ritual. Façamos, no entanto, e com intenções honestas, o que aquele desabusado fazia como espetáculo. Ao dormir, digamos com alegria e contentamento: “Vivi. Percorri o curso que a fortuna traçou para mim.” Se Deus nos conceber um dia a mais de acréscimo, recebamos com alegria. É um homem muito feliz e com plena posse de si mesmo aquele que espera o amanhã sem inquietude. Todo aquele que diz “já vivi” recebe cotidianamente mais um dia como lucro.

    Mas já devo concluir esta carta. “Então irás terminá-la desse modo, sem nenhum acréscimo para mim?”, é o que me dirias. Nada temas, pois ela nos dá algo. Por que disse “algo”? Ela nos dá muito. Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? “É um mal viver sob o jugo das necessidades, mas não é necessário viver sob a necessidade.”


(Adaptado de: Sêneca. Sobre os enganos do mundo. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011, p. 9-11) 
Há, com efeito, algo mais belo do que aquilo que te darei agora? (3o parágrafo)

A expressão sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por: 
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Respostas
101: C
102: D
103: D
104: C
105: B
106: A
107: D
108: A
109: C
110: B
111: B
112: C
113: A
114: D
115: E
116: A
117: C
118: B
119: E
120: A