Questões de Concurso
Comentadas sobre pontuação em português
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Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Projeto cria regras para evitar “linchamento virtual” de crianças e adolescentes
Por Murilo Souza
01----------------O Projeto de Lei nº 4.054/2021 estabelece medidas para combater crimes de ódio e
02---preconceito praticados contra crianças e adolescentes na internet. O objetivo é evitar que esse
03---público seja vítima de linchamento virtual em redes sociais. A proposta tramita na Câmara dos
04---Deputados.
05----------------O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para obrigar provedores de
06---conteúdo e de aplicativos para a internet a criar ferramentas para impedir o linchamento moral
07---de usuários, devendo suspender temporariamente perfis que apresentem comportamento
08---inadequado, ofensivo ou no...ivo ___ terceiros.
09----------------As empresas deverão também aumentar o controle sobre a idade dos usuários de seus
10---serviços. Pelo texto▲os perfis de usuário só poderão ser ativados após a comprovação da idade
11---por meio de documento oficial válido. O projeto proíbe crianças com até 12 anos de idade de
12---possuir perfil com finalidade comercial na internet, seja para publicidade ou propaganda; exige
13---que perfis de menores de 16 anos estejam associados ___ conta do maior responsável; e, por
14---fim, torna obrigatório um filtro contra conteúdo inadequado para perfis de usuários com até 18
15---anos de idade.
16----------------Conteúdo inadequado, pelo texto, é o que “promove discriminação, deprecia ou incita o
17---ódio contra um indivíduo ou grupo com base em raça ou origem étnica, religião, deficiência,
18---idade, nacionalidade, orientação sexual, sexo, identidade de gênero ou qualquer outra
19---característica associada à marginalização ou discriminação sistêmica”. “O projeto foi inspirado
20---na lei norte-americana de proteção ___ infância na internet, que determina, entre outras
21---medidas, a vincula...ão da conta do usuário infantil à conta de seus pais ou responsáveis na rede
22---social”, explica a autora, a deputada licenciada Edna Henrique (PB).
23----------------Segundo ela, o objetivo é tentar impedir que crianças e adolescentes estejam e...postos
24---ao discurso de ódio e de preconceito que hoje domina as redes sociais, em que uma crítica abre
25---caminho para outras mais pesadas, levando a um quadro de superexposição do titular do perfil
26---na rede social. A deputada citou o caso do adolescente Lucas Santos, filho da cantora Walkyria,
27---que cometeu suicídio após ser alvo de críticas por um vídeo publicado na rede TikTok.
(Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/848745-projeto-cria-regras-para-evitar-linchamento-virtual-de-criancas-e-adolescentes/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta o sinal de pontuação que substitui corretamente a figura da linha 10.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
OMS: varíola dos macacos não é emergência global, mas países precisam agir
Por Jamil Chade
01 ____A OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou que, neste estágio, a varíola dos
02 macacos ainda não é uma emergência sanitária global. A decisão foi tomada em 25 de junho
03 deste ano, depois de uma avaliação de especialistas diante da e...pansão da doença e do
04 potencial risco de contaminação. Ainda assim, os cientistas pediram que governos intensifiquem
05 as ações de monitoramento e que a OMS siga se reunindo nas semanas subsequentes. Para a
06 Organização, será necessária uma "ação coletiva" para lidar com ___ nova crise.
07 ____O debate intenso entre os cientistas resultou em uma decisão que levou dias para ser
08 concluída. Até hoje, cinco emergências foram declaradas pela instituição em pouco mais de dez
09 anos e, quando isso ocorre, sinaliza a necessidade de que governos em todo o mundo tomem
10 medidas para monitorar o surto e controlar os casos. Com mais de 3,2 mil casos em cerca de 50
11 países, a doença passou a ser monitorada pela OMS.
12 ____No Brasil, o Ministério da Saúde informa que 17 casos foram identificados. A declaração
13 de uma emergência global teria como meta aumentar a coordenação entre os países e reforçar
14 os mecanismos de busca ativa de casos e i...plementar medidas para ajudar ___ conter a
15 circulação global do vírus. A reunião do comitê de emergência da OMS ocorreu em um momento
16 de crescente preocupação com o aumento de casos registrados em áreas não endêmicas fora da
17 África, especialmente na Europa, mas também nas Américas, com vários casos também
18 relatados na Ásia e Oceania.
19 ____Um alerta sanitário internacional foi lançado pelo Reino Unido em meados de maio, e
20 desde então os casos têm crescido neste país (793), assim como na Espanha (mais de 800),
21 Alemanha (592), Portugal (317), França (277), Canadá (245), Holanda (167) e Estados Unidos
22 (156), de acordo com os números disponíveis até o último dia 23 de junho, quando a reunião da
23 OMS foi convocada.
24 ____Numa declaração ▲ o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirmou que está
25 "profundamente preocupado com a di...eminação da varíola dos macacos, que já foi identificada
26 em mais de 50 países, em cinco regiões da OMS, com 3.000 casos desde o início de maio”.
27 Segundo ele, o Comitê de Emergência notou muitas incógnitas, lacunas nos dados atuais e
28 preparou um relatório de consen...o que reflete opiniões divergentes entre o comitê. "Em geral,
29 no relatório, eles me aconselharam que neste momento o evento não constitui uma Emergência
30 de Saúde Pública de Preocupação Internacional, que é o mais alto nível de alerta que a OMS
31 pode emitir, mas reconheceram que a convocação do próprio comitê reflete a crescente
32 preocupação com a propagação internacional da varíola dos macacos", disse Tedros. Segundo
33 ele, apesar da decisão, o surto é "claramente uma ameaça ___ saúde em evolução" e a OMS
34 está "acompanhando muito de perto".
35 ____Tedros afirma que a situação requer atenção coletiva e ação coordenada agora para parar
36 a propagação do vírus da varíola dos macacos usando medidas de saúde pública, incluindo
37 vigilância, rastreamento de contatos, isolamento e cuidado de pacientes, e garantindo que
38 ferramentas de saúde como vacinas e tratamentos estejam disponíveis para populações em risco
39 e sejam compartilhadas de forma justa. Em reunião, Tedros e o Comitê indicaram que a varíola
40 dos macacos vem circulando em vários países africanos há várias décadas e tem sido
41 negligenciada em termos de pesquisa, atenção e financiamento.
42 ____Tedros afirmou que governos, comunidades e indivíduos precisam considerar as
43 recomendações do comitê para uma vigilância reforçada, um melhor envolvimento da
44 comunidade no diagnóstico e na comunicação dos riscos, além do uso apropriado de medidas
45 terapêuticas, vacinas e ações de saúde pública, incluindo o rastreamento e isolamento dos
46 contatos.
(Disponível em: https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/06/25/oms-declara-emergencia-global-
por-variola-do-macaco.htm – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta o sinal de pontuação que substitui corretamente a figura da linha 24.
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo.
Usar o celular enquanto carrega é perigoso?
01 O uso do celular enquanto ocorre o carregamento não é aconselhável, e apesar dos baixos
02 riscos, acidentes podem ser evitados. Confira abaixo situações para se ter cuidado:
03 Tire o celular da tomada durante chuvas fortes e de longa duração: durante tempestades,
04 é possível que um raio atinja a rede elétrica da casa, gerando uma grande tensão que pode
05 chegar até o celular. Há risco de choque se alguém estiver usando o telefone. Por isso, evite usar
06 o aparelho conectado na tomada durante chuvas▲
07 Use carregador e cabos originais: os carregadores originais dos celulares e outros produtos
08 eletrônicos passam pela certificação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e contam
09 com um selo, possuindo componentes que mantêm uma tensão muito baixa para dar choque. É
10 a opção mais segura para carregar o aparelho em qualquer circunstância.
11 Não deixe o celular carregando debaixo de um travesseiro: é muito importante nunca
12 abafar o celular enquanto ele estiver carregando. Por isso, não deixe o aparelho debaixo de um
13 travesseiro, cobertor ou até mesmo do seu corpo enquanto ele estiver na tomada. Isso porque
14 o aparelho naturalmente esquenta durante a carga e se não tiver ventilação adequada, pode
15 superaquecer e causar problemas na bateria que geram risco à vida, como explosões.
16 Em caso de telefonema, desconecte o celular do carregador: caso aconteça algum acidente
17 e o aparelho sofra uma descarga elétrica, ele não estará perto do seu rosto. Também é uma boa
18 ideia não usar fones de ouvido com fio durante o carregamento.
(Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2021/10/04/usar-o-celular-enquanto-carrega-eperigoso-veja-em-quais-situacoes-e-preciso-ter-cuidado.ghtml – texto adaptado especialmente para esta prova).
Qual sinal de pontuação substitui corretamente a figura da linha 06 do texto?
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A importância da Constituição Federal para a democracia brasileira
Por Juliane Nakamura
- A palavra democracia é originária do grego e de forma popular significa o “poder do povo”,
- muitos estudiosos dizem que a democracia é a mais justa das formas de governo, já que o povo
- é quem elege seus representantes. Já disse Abraham Lincoln (1809 – 1865), presidente dos
- Estados Unidos: “A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”.
- Ao longo do tempo __ Brasil experimentou diversas formas de “democracia” que ▲ por
- muitas vezes, não contemplava toda a população, a exemplo da Constituição de 1824, que previa
- apenas a po...ibilidade de homens livres e detentores de certa quantia de bens votarem para
- elegerem os políticos daquela época.
- Com o passar dos anos, __ diversas formas de democracia no Brasil sofreram várias
- alterações e até extinção, como no caso do golpe militar de 1964, quando a democracia instalada
- no Brasil, prevista na Constituição de 1946, foi dizimada pela ditadura militar, que durou 21
- anos, restringindo __ direitos dos cidadãos e da imprensa e monopolizou o governo do país.
- Naquele período, o fe...amento do Congresso Nacional foi decretado várias vezes por meio de
- “recessos”, deixando o poder centralizado apenas no presidente da República.
- Passados os 21 anos de censura, perseguição, restrição dos direitos individuais e coletivos,
- em 27 de novembro de 1985, por meio da emenda constitucional 26, foi convocada a Assembleia
- Nacional Constituinte com a finalidade de elaborar novo texto constitucional para expressar a
- realidade social pela qual passava o país, que vivia um processo de redemocratização após o
- término do regime militar, sendo a Constituição atual promulgada em 05 de outubro de 1988.
- A nova Constituição vigente até hoje foi elaborada para pre...ervar a liberdade civil, os
- direitos e garantias individuais, os direitos trabalhistas, a periodicidade e formato das eleições,
- instituindo o voto direto, secreto, universal e periódico, sendo assim, todo mandatário deve ser
- eleito pelo povo.
- A Constituição de 1988 sedimentou a democracia brasileira, conferindo a todo cidadão
- brasileiro a liberdade e o direito de escolher seus representantes, sem distinção de gênero, raça,
- religião, idade ou condição econômica.
- Nesse sentido, é importante salientar que a manutenção da democracia não depende
- apenas da forma como os representantes do povo são escolhidos, mas também se estes
- representantes estão cumprindo com as vontades e necessidades do povo. No Brasil,
- enfrentamos diversos problemas ocasionados por interesses pessoais dos eleitos, que, por vezes,
- se articulam para aprovar e sancionar leis que beneficiam uma minoria, enquanto as leis que
- beneficiariam uma margem grande da população ficam engavetadas. Dessa forma, a
- democracia envolve, além do direito de eleger nossos representantes, a obrigação de fiscalizar
- o trabalho dos eleitos.
(Disponível em: https://www.fundacao1demaio.org.br/artigo/a-importancia-da-constituicao-federal-para-a-democracia-brasileira/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta o sinal de pontuação que substitui corretamente a figura da linha 05.
Leia o texto 1 para responder às questões de 1 a 8.
Há mais de dois anos enfrentando uma crise sanitária, o mundo precisa estar atento ao risco de enfrentar outra zoonose com potencial para se tornar uma nova ameaça global, alertam especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS). "Os fatores de emergência e amplificação de doenças aumentaram (...) A interface entre homem e animal é bastante instável agora", disse, recentemente, Mike Ryan, chefe de situações de emergência da agência das Nações Unidas.
A estimativa da OMS é de que cerca de 60% das doenças emergentes são de origem zoonótica. Trata-se de enfermidades transmitidas de animais para os homens, como o ebola, a própria covid-19 e a varíola do macaco, cujo surto atual dá sinais "reais", na avaliação da agência, de que essa doença pode se estabelecer fora da África, única região onde, por enquanto, é endêmica.
As zoonoses existem desde que o homem intensificou suas interações com os animais, incluindo os processos de domesticação e a ocupação de áreas verdes. Os casos, porém, se intensificaram nos últimos 20 ou 30 anos, em um ritmo que parece estar acelerando. No começo deste mês, por exemplo, cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, anunciaram a descoberta de um novo coronavírus, apelidado de Grimsö, circulando entre uma espécie de ratazana comum nas cidades do país.
Marc Eliot, chefe do laboratório de descoberta de patógenos do Instituto Pasteur, avalia que a facilidade de locomoção e o aumento da ocupação humana em áreas verdes potencializam a disseminação de novas e velhas ameaças invisíveis. "A intensificação das viagens permite que as doenças se espalhem mais rapidamente e de maneira mais descontrolada", diz, em entrevista à agência France-Presse de notícias (AFP).
Biólogo do Instituto Nacional Francês para o Desenvolvimento Sustentável (IRD), Benjamin Roche lembra que a intensificação da pecuária industrial também interfere no risco de disseminação de patógenos entre os animais. Além disso, o comércio de animais selvagens aumenta a exposição humana a patógenos que podem estar no organismo desses bichos.
Roche alerta, ainda, que o desmatamento aumenta o risco de contato entre vida selvagem, animais domésticos e populações humanas. "Quando há desmatamento, a biodiversidade diminui, perdemos animais que regulam naturalmente os vírus, o que permite que eles se espalhem mais facilmente", explica o especialista, também à AFP.
Um estudo divulgado, no fim de abril, na revista Nature indica que o aquecimento global força alguns animais a fugirem de seus ecossistemas para regiões com temperaturas mais brandas. A troca de habitat acaba favorecendo "uma mistura" entre as espécies, a transmissão de vírus entre elas e um consequente aumento no potencial de surgimento de doenças com risco de serem transmissíveis ao homem.
Como resposta a todo esse cenário preocupante, avalia Eliot, há meios de investigação fáceis e rápidos que permitem uma ação rápida em caso de aparecimento de novos vírus, apesar de essas ferramentas não serem uma realidade nas rotinas de vigilância sanitária de muitos países. "Também somos capazes de desenvolver vacinas muito rapidamente, como visto com a covid-19", ilustra o cientista.
Eric Fèvre, professor especialista em doenças infecciosas veterinárias da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e do International Livestock Research Institute, no Quênia, enfatiza que "insistir na saúde pública das populações" dos ambientes mais remotos e "estudar melhor a ecologia das áreas naturais para entender como as diferentes espécies interagem" são medidas essenciais para conter o surgimento de uma nova pandemia. "Toda uma linhagem de novas doenças potencialmente perigosas corre o risco de emergir. Teremos que estar preparados", justifica.
Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br (Texto adaptado)
Em: “Marc Eliot, chefe do laboratório de descoberta de patógenos do Instituto Pasteur, avalia que a facilidade de locomoção e o aumento da ocupação humana em áreas verdes potencializam a disseminação de novas e velhas ameaças invisíveis”, as vírgulas empregadas:
Leia o texto para responder às questões a seguir.
Salão do Artesanato da Paraíba começa nesta quarta e deve atrair mais de 100 mil pessoas em Campina
Todos os caminhos do artesanato paraibano estão em direção a Campina Grande, onde, nesta quarta-feira (08), será aberto o 34º Salão do Artesanato Paraibano – o primeiro presencial após dois anos de pandemia severa da covid-19. A expectativa é de que sejam batidos os números de 2019, quando o evento teve a visita de mais de 100 mil pessoas e a venda superior a R$ 1,3 milhões. Toda a estrutura foi montada no Museu de Arte Contemporânea (MAC) e funcionará das 15h às 22h, até o dia 03 de julho. A entrada é gratuita, com arrecadação voluntária de alimentos não perecíveis para posterior doação a instituições filantrópicas.
O tema do Salão do Artesanato em 2022 será “Bordados que contam histórias” e, além da exposição dos trabalhos de 400 artesãos, representando as diferentes tipologias de artesanato produzidas em todas as regiões estado, em especial de João Pessoa, Campina Grande, Alagoa Nova, Galante, Serra Redonda e Gurinhém, o clima de confraternização e calor humano certamente serão um dos principais diferenciais para o sucesso do evento que acontece ainda em clima dos festejos juninos.
O calor humano, o entusiasmo visto nos olhos, a expectativa desse retorno presencial já são marcas do evento, conforme a gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), Marielza Rodriguez. “Todos estavam morrendo de vontade de se abraçar novamente, de se conectar, e esse momento chegou”. Sobre a estimativa de vendas, a gestora explicou que os números não são mensuráveis, tendo em vista os artesãos receberem encomendas durante todo o ano.
A escolha pelo bordado, segundo Marielza Rodrigues, foi do próprio governador da Paraíba, João Azevêdo, que adotou o critério de potencializar todas as tipologias que, por algum motivo, estejam longe dos holofotes das pessoas. O bordado é uma técnica milenar utilizada para ornamentar tecidos, fruto do talento e da habilidade com linha e agulha. “Além dos trabalhos, o Salão irá contar histórias dessas bordadeiras, que narram as suas vidas e de sobrevivência explorando o talento e a agilidade com as mãos na produção das peças”.
Para a presidente da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo), Ruth Avelino, a realização do Salão do Artesanato em Campina Grande em pleno São João serve de maior estímulo para que as pessoas, da Paraíba e do Brasil, visitem o local. O artesanato, conforme a executiva, é um dos diferenciais que o paraibano tem e muito valorizado até mesmo fora do país. “O artesanato mexe com basicamente toda a cadeia produtiva, gerando novos empregos e injetando milhões de reais na economia local”, pontuou.
Ruth Avelino destacou ainda, que por uma ação do Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Campina Grande, a Azul Linhas Aéreas começou a operar voos dedicados (fretados) para o Maior São João do Mundo, desde a quinta-feira (02), com saída do Aeroporto de Campinas, interior de São Paulo. As frequências serão operadas quatro vezes por semana, às segundas, quartas, sextas e domingos, em parceria com a Azul Viagens. As aeronaves são um Airbus A320neo, com capacidade para até 174 clientes, serão responsáveis por cumprir o trajeto que vai durar quase três horas.
https://www.pbtur.pb.gov.br/2022/06/07
No trecho: “O calor humano, o entusiasmo visto nos olhos, a expectativa desse retorno presencial já são marcas do evento...”, o emprego das duas vírgulas separa:
Instrução: As questões de números 01 a 15 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
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Alfabetização científica
Por Leonir Lorenzetti e Demétrio Delizoicov
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01----------A alfabetização científica e técnica está em voga e vem sendo discutida em países
02--anglo-saxões e do norte da Europa. A expressão designa um tipo de saber, de capacidade ou de
03--conhecimento que seria uma contraparte ______ que foi alfabetização no último século. Com
04--respeito __ educação escolar, tem sido apontado que a maioria dos educadores concorda que o
05--propósito da ciência escolar é ajudar os estudantes a alcançar níveis mais altos de alfabetização
06--científica, existindo um acordo significativo da sua importância para a vida cotidiana de qualquer
07--indivíduo. No entanto, ela tem muitas das características de um slogan educacional no qual o
08--consenso é superficial, porque a expressão significa coisas diferentes para pessoas diferentes.
09--Desta forma, são pertinentes algumas questões: qual o significado da alfabetização científica?
10--Qual a sua importância para o currículo escolar? Como promovê-la?
11------------A alfabetização científica e tecnológica no Brasil é reflexo do processo da globalização,
12--entendida como o que um público específico – o escolar – deve saber sobre ciência, tecnologia
13--e sociedade, com base em conhecimentos adquiridos em contextos diversos (escola, museu,
14--revista, etc.). A alfabetização científica constitui-se como uma das grandes linhas de investigação
15--no ensino de Ciências. Este movimento relaciona-se à mudança dos objetivos do ensino de
16--Ciências, em direção à formação geral da cidadania, tendo hoje papel importante no panorama
17--internacional. As características de uma pessoa cientificamente instruída não são ensinadas
18--diretamente, mas estão embutidas no currículo escolar, de modo que os alunos são chamados a
19--solucionar problemas, a realizar investigações, a desenvolver projetos em laboratório de apoio e
20--experiências de campo. Estas atividades são compreendidas como preparação para o exercício
21--da cidadania. A alfabetização científica pode abranger muitas coisas, desde saber como preparar
22--uma refeição nutritiva até saber apreciar as leis da Física. São imprescindíveis especialistas para
23--a popularização e desmistificação do conhecimento científico, para que o leigo possa utilizá-lo na
24--sua vida cotidiana. Os meios de comunicação e, principalmente, as escolas podem contribuir
25--consubstancialmente para que a população tenha um melhor entendimento público da Ciência.
26------------Quando se fala em alfabetização, normalmente não se percebe que a expressão “ser
27--alfabetizado” apresenta dois significados diferentes: um, mais denso, estabelece uma relação
28--com a cultura, a erudição; o outro fica reduzido à capacidade de ler e escrever. No entanto,
29--ampliando-se o segundo significado do que é “ser alfabetizado”, a expressão “alfabetização
30--científica” pode vir a ser entendida como a capacidade de ler, compreender e expressar opinião
31--sobre assuntos de caráter científico, levando-se em conta o pressuposto de que o indivíduo já
32--tenha interagido com a educação formal, dominando, desta forma, o código escrito. Entretanto,
33--complementarmente a esta definição, e num certo sentido a ela se contrapondo, parte-se da
34--premissa de que é possível desenvolver uma alfabetização científica nas Séries Iniciais do Ensino
35--Fundamental, mesmo antes de o aluno dominar o código escrito. Por outro lado, a alfabetização
36--científica poderá auxiliar significativamente o processo de aquisição do código escrito,
37--propiciando condições para que os alunos possam expandir sua bagagem sociocultural.
38------------Considerando-se que boa parte da população possui pouco entendimento sobre o papel
39--da ciência, o elementar seria a sua compreensão de que a “alfabetização científica prática” é
40--aquela que, contribuindo para a superação desta situação, tornaria o indivíduo apto a resolver,
41--de forma imediata, problemas básicos que afetam a sua vida. Esta alfabetização deve
42--proporcionar um tipo de conhecimento científico e técnico que pode ser posto em uso
43--imediatamente, para ajudar a melhorar os padrões de vida. Assim, a alfabetização científica
44--prática está relacionada com as necessidades humanas mais básicas, como alimentação, saúde
45--e habitação. Uma pessoa com conhecimentos mínimos sobre estes assuntos pode tomar suas
46--decisões de forma consciente, mudando seus hábitos, preservando a sua saúde e exigindo
47--condições dignas para a sua vida e a dos demais seres humanos.
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(Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/N36pNx6vryxdGmDLf76mNDH/?format=pdf&lang=pt –
texto adaptado especialmente para esta prova).
Para que não seja desfeita a correta associação das palavras presentes na frase que abre o segundo parágrafo, os parênteses em destaque (linhas 13-14) podem ser substituídos por:
-
I. Aspas.
II. Travessões.
III. Colchetes.
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Quais indicações estão corretas?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
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A importância de se ter qualidade de vida
-
1--------Qualidade de vida é um cotidiano em que há equilíbrio entre as responsabilidades e os
2--prazeres, garantidos por boa saúde, realização pessoal e facilidade ao lidar com as tarefas
3--diárias. Ela certamente depende de vários fatores para que o indivíduo alcance esse equilíbrio,
4--como, por exemplo: poder aquisitivo; infra-estrutura do habitat em que se vive; relação que se
5--mantém com o trabalho; administração do próprio tempo; nível de satisfação que se obtém com
6--o conjunto das atividades diárias; conforto ao qual se tem acesso; estado de saúde; e, acima de
7--tudo, modo pessoal de se encarar tudo isso. A expressão “qualidade de vida” nos permite
8--concebê-la como a forma com que cada um de nós vive o seu dia-a-dia no que diz respeito ao
9--estilo (escolhas adotadas durante toda a vida) e às condições de vida (envolve moradia,
10--escolaridade, saúde, transporte, segurança e, em geral, aspectos materiais da vida
11--historicamente determinados e socialmente construídos).
12------Por outro lado, qualidade de vida também significa apresentar boas condições de aptidão
13--física para realizar esforços regulares, implicando na capacidade de realizar atos motores
14--diversificados envolvidos nas tarefas do cotidiano, mantendo a homeostase do organismo sem
15--maiores alterações durante os esforços. Desta maneira, do ponto de vista biomecânico, ao
16--realizar uma atividade cotidiana, um indivíduo debilitado e com pouca massa muscular utiliza
17--muitas unidades motoras, o que acaba por caracterizar um esforço de alta intensidade. Observe-se
18--que, com idosos não condicionados, podem ocorrer 18 elevações perigosas na pressão arterial e
19--na frequência cardíaca em situações comuns, como a de subir escadas, que poderiam ser
20--abrandadas por meio do aumento da massa muscular e da força despendida quando da realização
21--de exercícios com peso.
22--------A qualidade de vida difere de pessoa para pessoa e tende a se alterar ao longo da vida.
23--Os principais benefícios proporcionados pela atividade física e pelo alcance de uma qualidade de
24--vida satisfatória são os efeitos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos
25--favoráveis. A qualidade de vida de muitas pessoas poderia sofrer modificações significativas se
26--alguns de seus hábitos fossem alterados, combinados com a implementação de ações
27--preventivas de saúde que pudesse gerar um estilo de vida saudável. Programas de atividade
28--física bem organizada podem suprir __ diversas necessidades individuais, multiplicando __
29--oportunidades de se obter prazer e, consequentemente, otimizando __ qualidade de vida.
30--------A Federação Internacional de Educação Física elaborou o “Manifesto Mundial de Educação
31--Física – 2000”, o qual representa um importante acontecimento na história dessa área do
32--conhecimento, pois pretende reunir, em um único documento, as propostas e discussões
33--efetivadas no decorrer do século XX no âmbito desta entidade. O manifesto expressa os ideais
34--contemporâneos de valorização da vida ativa, ou seja, ratifica a relação entre atividade física,
35--saúde e qualidade de vida, e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação
36--Física (formal e não formal), por meio da educação para a recreação ativa de forma continuada.
37--Com base no que é postulado nesse documento, devem continuar sendo instituídas políticas para
38--aumentar a participação individual em alguma atividade física, com o intuito de melhorar a saúde
39--e a qualidade de vida da população. Deve-se, além disso, conscientizar e estimular a população
40--sobre a prática de atividades físicas como fator de promoção de saúde e prevenção de doenças
41--crônicas não transmissíveis. É importante, igualmente, criar e oferecer novas sistemáticas para
42--aumentar o nível e a regularidade da prática de atividades físicas nos espaços públicos e
43--privados; por fim, e não menos fundamental, é preciso oferecer orientações sobre: práticas
44--saudáveis de vida; controle de peso corporal; risco de uso indiscriminado do tabaco, álcool e
45--medicamentos; a necessidade de aferição constante da pressão arterial e glicemia em postos
46--situados em locais de fácil acesso às comunidades. Tais iniciativas promovem o bem-estar
47--biopsicossocial e melhoram a qualidade de vida das pessoas em geral.
-
(Disponível em: https://www.fef.unicamp.br/fef/sites/uploads/deafa/qvaf/ppqvat_cap19.pdf – textoadaptado especialmente para esta prova).
Sobre os parênteses em destaque na linha 36, analise as seguintes assertivas:
-
I. Se houvesse a troca de “formal e não formal” pelo novo excerto “em todas as épocas”, seria imperioso substituí-los por vírgulas.
II. Poderiam ser suprimidos, juntamente com as informações presentes em seu interior, sem prejudicar a compreensão da mensagem original.
III. Poderiam ser substituídos por travessões, conservando, assim mesmo, a originalidade das ideias expressas na frase.
-
Quais estão corretas?
Instrução: As questões de números 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
Mar em fúria
01 As origens da epidemia de alergia são ambientais e nutricionais. Há três níveis nos quais o
02 meio ambiente tem um impacto sobre a alergia: o ar livre, ambientes fechados e o interior de
03 nosso corpo. A toxidade em cada um desses ambientes é um golpe duplo. Primeiro, ela danifica
04 as superfícies de nosso corpo, como a pele ou o revestimento dos tratos respiratório ou
05 gastrointestinal e, então, promove uma reação alérgica a substâncias que normalmente seriam
06 toleradas. O que você come e seu estado nutricional afetam a resposta corporal a cada um
07 desses níveis.
08 Hoje, ir ao supermercado é como caminhar por um campo minado. Enquanto você empurra
09 seu carrinho pelos corredores, você logo vasculha as prateleiras em busca das palavras sem
10 glúten ou laticínios. Sua adorada pizza ou massa favorita são riscadas do cardápio se você for
11 alérgico ao trigo. Parece que as coisas básicas que costumavam nos sustentar se viraram contra
12 nós e uma nova ameaça nos espreita a cada esquina. Este é de fato um novo mundo estranho,
13 que as gerações antigas não reconheceriam.
14 Como chegamos a este ponto?
(Disponível em: A Solução para as Alergias. GALLAND, Leo & GALLAND, Jonathan. São Paulo: Madras, 2016 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa de pontuação INCORRETA.
Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
.....
Poluição do ar
.....
01---------A poluição do ar é a contaminação do ambiente interno ou externo por qualquer agente
02--químico, físico ou biológico que modifique as características naturais da atmosfera. Dispositivos
03--de combustão doméstica, veículos motorizados, instalações industriais e incêndios florestais são
04--fontes comuns de poluição do ar. Poluentes de grande preocupação para a saúde pública incluem
05--material particulado, monóxido de carbono, ozônio, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre. A
06--poluição do ar externo e interno causa doenças respiratórias e outras e é uma importante fonte
07--de morbidade e mortalidade.
08---------A poluição do ar mata cerca de sete milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano. Os
09--dados da OMS mostram que quase toda a população global (99%) respira ar que excede os limites
10--das diretrizes da OMS contendo altos níveis de poluentes, com países de baixa e média renda
11--sofrendo as maiores exposições. A OMS está apoiando os países a lidar com a poluição do ar.
12---------Desde o smog* que paira sobre as cidades até a fumaça dentro de casa, a poluição do ar
13--representa uma grande ameaça à saúde e ao clima. Os efeitos combinados da poluição do ar
14--ambiente (exterior) e doméstico causam milhões de mortes prematuras todos os anos, em grande
15--parte como resultado do aumento da mortalidade por acidente vascular cerebral, doença cardíaca,
16--doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão e infecções respiratórias agudas.
17---------As crianças, idosos e gestantes são mais suscetíveis às doenças relacionadas à poluição do
18--ar. Genética, comorbidades, nutrição e fatores sociodemográficos também afetam a
19--suscetibilidade de uma pessoa à poluição do ar.
20---------Os poluentes não apenas afetam severamente a saúde pública, mas também o clima e os
21--ecossistemas da Terra em todo o mundo. A maioria das políticas para reduzir a poluição do ar
22--oferece uma estratégia “ganha-ganha” tanto para a saúde quanto para o clima. Níveis mais baixos
23--de poluição do ar resultam em melhor saúde cardiovascular e respiratória das populações, tanto
24--a longo quanto a curto prazo.
25---------A OMS fornece suporte técnico em nível nacional sobre as melhores práticas para reduzir
26--a poluição do ar e implementar estratégias de mitigação, e emprega uma série de ferramentas
27--para avaliar a eficácia e viabilidade dos esforços de redução.
....
*Termo usado para definir a poluição que se acumula na atmosfera. (Disponível em: https://www.who.int/health-topics/air-pollution#tab=tab_1 – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a frase que apresenta pontuação correta.
Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.
...
A importância da saúde mental para o bem-estar
..
01--------A saúde mental é um importante fator que possibilita o ajuste necessário para lidar com as
02--emoções positivas e negativas. Investir em estratégias que possibilitem o equilíbrio das funções
03--mentais é essencial para um convívio social mais saudável.
04--------Além de ser determinante para a estabilidade física, a saúde mental está relacionada à
05--qualidade da interação individual e coletiva. No cenário atual, buscar alternativas que
06--possibilitem a harmonia nessas relações é uma urgente necessidade.
07--------A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o conceito de saúde é bem mais
08--abrangente que a simples ausência de doença: é um completo estado de bem-estar físico, mental
09--e social e, dessa forma, merece atenção em todas as suas vertentes.
10--------Assim como a física, a saúde mental é uma parte integrante e complementar à manutenção
11--das funções orgânicas. Nesse contexto, a promoção da saúde mental é essencial para que o
12--indivíduo tenha a capacidade necessária de executar suas habilidades pessoais e profissionais.
13--------Sumariamente, o bom estado mental confere ao homem o amplo exercício de seus direitos
14--sociais e de cidadania. Assegura ainda as condições de interação social para uma convivência
15--familiar mais harmônica e segura.
16--------Desse modo, entender a importância da estabilidade mental e sua intensa relação com o
17--bem-estar é fundamental. Possibilita, assim, a compreensão da importância de utilizar a
18--capacidade individual para a percepção de valores e virtudes inerentes à construção da
19--coletividade.
20--------Como parte importante das medidas de prevenção às doenças mentais, a atenção primária a
21--alguns hábitos do cotidiano precisa ser considerada. Muito provavelmente ocorrerá um aumento
22--expressivo do número de doentes desta natureza – e isso em caráter global.
23--------Fatores como o envelhecimento da população, a acentuação dos problemas sociais e
24--econômicos e os desajustes familiares concorrem para o surgimento de desequilíbrios
25--emocionais. Em geral, eles evoluem para transtornos mentais e físicos cada vez mais
26--desafiadores.
27--------Nesse contexto, destacamos os hábitos mais prejudiciais à saúde mental: pensamentos
28--negativos, vício em jogos, álcool e drogas e uso excessivo de Internet.
...
(Disponível em: https://hospitalsantamonica.com.br/a-saude-mental-e-a-importancia-dela-na-vida-daspessoas/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a frase que está com pontuação INCORRETA.
UM ABRAÇO EM PELÉ
1 Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França - você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e mais justo me pareceria o contrário - vamos certamente nos conhecer e tornar amigos. Ninguém mais que você merece tão alta distinção, sobretudo por ter sido conferida espontaneamente - pois ninguém mais que você tem levado o nome do Brasil para fora de nossas fronteiras. Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé; e eu estou certo de que você entraria fácil na lista das dez personalidades mais famosas de nossos dias.
2 Não posso disfarçar o orgulho que a condecoração me causa, embora seja, de natureza, avesso a honrarias; e orgulho tanto maior porque nela estamos juntos: preto e branco (as cores do meu Botafogo!) e também as cores irmãs de nossa integração racial. Sim, caro Pelé, nós representamos, em face da comenda que nos é conferida, o Brasil racialmente integrado, o Brasil sem ódio e sem complexos, o Brasil que olha para o futuro sem medo porque, apesar dos pesares, é bom de mulher, bom de música, bom de poesia, bom de pintura, bom de arquitetura e bom de bola. Particularmente por isso considero-me feliz de estar a seu lado no momento em que nos colocarem no peito a condecoração.
3 Que você tenha sido distinguido pela Ordem Nacional do Mérito da França nada me parece mais natural. A França sempre deu um alto valor ao gênio, e você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?
4 Mas nada disso turva a satisfação que sinto em ser o seu Coutinho nesta nova investida do Brasil na área internacional. Parabéns, meu caro Pelé. Parabéns e o melhor abraço aqui do seu irmãozinho!
Disponível em: https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/prosa/um-abraco-em-pele
“Você é com justa razão chamado o Rei.”; a frase abaixo cuja estrutura altera o sentido original desse segmento é:
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 5.
O mercado movimentado por pessoas com 50 anos ou mais já abrange 54 milhões de consumidores e pode chegar a 90 milhões até 2045 no Brasil. A perspectiva sinaliza oportunidades de negócios na chamada economia da longevidade, que movimenta R$ 1,6 trilhão por ano no país. O crescimento do número de consumidores maduros abre espaço para empreendedores que querem investir em serviços de saúde, lazer e turismo, além de áreas relacionadas ao bem-estar econômico e social.
Embora conhecido, o consumidor dessa faixa etária ainda não é plenamente atendido e há espaços para novos negócios. Os empreendedores que trabalham com negócios da longevidade devem ouvir com atenção os consumidores para conhecer suas demandas, e reforçar cuidados com um atendimento mais individualizado. Espaços mais iluminados, produtos com rótulos maiores e atendentes treinados para responder dúvidas são algumas das medidas necessárias para fidelizar esse público.
Estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado no ano passado mostrou que a proporção de idosos (mais de 65 anos) no Brasil pode saltar dos 7,3%, em 2010, para 40,3% em 2100. O percentual de jovens (menos de 15 anos) pode cair de 24,7% para 9%. Hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 10,5% da população brasileira tem mais de 65 anos.
Segundo Layla Vallias, consultora de marketing especializada em consumidor sênior, as pessoas com mais de 50 anos são protagonistas de um novo modo de consumir. “Hoje é comum que as pessoas mais novas dependam das gerações anteriores que fizeram dinheiro”, afirma Layla. Com isso, não são mais os filhos adultos que tomam a decisão de compra, mas sim os pais e avós.
A consultora explica que o comportamento do consumidor muda a partir dos 50, quando há, segundo ela, uma reflexão sobre a maturidade. Por isso, a economia da longevidade considera uma faixa etária que ainda não alcançou os benefícios dos direitos previdenciários ou gratuidade nos transportes, a partir dos 60 anos.
“As mulheres são protagonistas dessa revolução da maturidade. Elas acumulam mais papéis dentro da família e são as que mais sofrem preconceito etário”, afirma Layla. Ela diz ainda que há espaço para o mercado de confecção de roupas e produtos estéticos ou para manter a vida sexual saudável. “São mulheres ativas e que querem entrar em uma drogaria e encontrar produtos específicos para elas”, conclui a consultora.
(Folha de São Paulo, 20.05.2022. Adaptado)
Assinale a alternativa na qual o acréscimo da vírgula está de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Disponível em https://www20.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2017/01/12/noticiasjornalopinia o,3679334/aonde-vai-a-humanidade.shtml. Acesso em 14/11/2020.
TEXTO I
Quanto custa uma vida
Um vírus mortal assolou o mundo, por volta de 1910, sendo responsável por epidemias que se tornaram eventos comuns, principalmente nas cidades, durante os meses de verão, deixando milhares de crianças e adultos paralíticos.
Foi a descoberta, em 1952-55, da vacina, por Jonas Salk, que reduziu a incidência da doença de centenas de milhares de casos para menos de um milhar por ano e, no início dos anos sessenta, Albert Sabin, médico polaco, descobriu uma vacina oral, as célebres gotinhas, que ainda hoje fazem parte do plano de vacinação e que quase conseguiu eliminar a poliomielite em todo o mundo. Este médico renunciou aos direitos de patente, o que facilitou a utilização da vacina em todo o Mundo.
Nessa altura trabalhava-se em nome da ciência e da humanidade.
Certamente, os CEO (Chief Executive Officer) das multinacionais farmacêuticas diriam agora “que a investigação de novos fármacos é muito dispendiosa e com a existência das patentes podem recuperar os custos e continuar a inovar”.
A investigação é de fato muito cara. Contudo, as grandes empresas farmacêuticas deixaram há muito de fazer investigação e compram-na às universidades ou empresas mais pequenas.
Foi o que se passou com as vacinas contra a covid-19, com a agravante que a investigação foi paga com dinheiros públicos.
O problema é que a Big Pharma não quer só recuperar os custos da investigação, mas alcançar grandes lucros a curto prazo.
Os CEO contestam e afirmam que fixam o preço tendo em conta o “valor” que os seus produtos têm um grande valor terapêutico, e salvam muitas vidas, e é por isso que têm de ser caros.
Interrogamo-nos assim: quanto é que custa uma vida? Todas as outras medidas realizadas nos hospitais, no ambulatório e na saúde pública, até mesmo a oferta da água potável, também salvam vidas e o seu preço não é inflacionado.
As empresas aumentam os preços das suas mercadorias convertendo-as em produtos financeiros para especulação nos mercados.
Os maiores acionistas de muitas das grandes empresas farmacêuticas, que são empresas de investimento, geram ativos importantes como os fundos de pensões, a dívida pública, os patrimônios pessoais, etc., com valores várias vezes superiores ao nosso PIB.
No meu entender, a isto se deve os preços dos medicamentos e a proteção das patentes por oito a 12 anos.
Se não mudarmos este modelo, não vamos usufruir das inovações terapêuticas no futuro próximo, como agora os países mais pobres não irão receber suficientes vacinas contra a covid-19.
O monopólio das patentes é muito bom para as empresas, mas péssimo para os serviços de saúde.
A afirmação de políticos e comentadores midiáticos de que a União Europeia devia ter pago mais às grandes empresas farmacêuticas com a frase “o barato sai caro” é, sem dúvida, uma inversão de valores. Estes deveriam, sim, defender as propostas da OMS de suspensão das patentes.
Segundo as Nações Unidas, “milhões de pessoas são deixadas para trás quando se trata do acesso aos medicamentos e tecnologias que podem assegurar a sua saúde e bem-estar. O fracasso em reduzir os preços dos medicamentos patenteados está a dar como resultado que a milhões de pessoas se lhes negue o tratamento para salvar a sua vida em doenças como a sida, tuberculose, malária, hepatites virais, doenças não contagiosas e doenças raras (High Level Panel, 2015)”. Impõem-se exigir, pelo menos, a suspensão das patentes durante a pandemia.
Numa carta dirigida ao governo, em novembro passado, a Associação de Médicos pelo Direito à Saúde (AMPDS) associou-se a mais de 370 organizações internacionais exigindo a limitação da atribuição de patentes sobre as vacinas e medicamentos para a covid-19, tendo em conta os seus valores de defesa intransigente do direito à saúde, como um direito humano fundamental e da dignidade profissional dos médicos.
No entanto, vários governos, entre os quais os dos Estados Unidos, Japão e outros países ricos, votaram contra a suspensão das patentes das vacinas para a covid-19 durante a pandemia, numa reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sendo as vacinas e os medicamentos um bem público, de carácter universal, instamos para que se vote um plano de suspensão das patentes nas vacinas contra o SARS-CoV-2, na próxima reunião da OMC.
Igualmente, alertamos para a necessidade de uma cobertura universal da vacina, não deixando para trás uma grande parte da população dos países pobres, de acordo com as posições da União Europeia e das Nações Unidas, particularmente a da Organização Mundial da Saúde.
Jaime Teixeira Mendes
(Disponível em: https://www,publico.pt/.Publicado em 15/03/2021. Adaptado.)
No quarto parágrafo, o autor emprega as aspas com o propósito de:
Texto 1
Brasil cria roupa contra a covid
Pesquisadores brasileiros produziram um tecido capaz de inativar o novo coronavírus. Os testes preliminares, feitos no último mês, apontaram que o produto têxtil desenvolvido consegue neutralizar mais de 99,9% das partículas virais em até um minuto. Além disso, foi comprovada a eficácia no combate a outras doenças virais, como sarampo e caxumba. A descoberta poderá ser usada não só para vestuário, mas também em outras funções, como cortinas e forro de estofados de locais públicos.
Pesquisador do laboratório, Raphael Bergamini afirmou que o tecido tem grande potencial de funcionamento em situações de exposição à doença: "Por ter essa inativação tão rápida do vírus, as chances de contaminação da doença caem muito. Se um médico que tem contato com pacientes contaminados manuseia a máscara e coça os olhos, por exemplo, o vírus já teria sido neutralizado, porque essa estrutura funciona não só como uma barreira física, mas química também".
Além da produção de máscaras, aventais e outros equipamentos para profissionais da Saúde, o tecido representa uma mudança de cenário. "Uma vez que o protocolo de produção é homologado e está testado, ele condiciona a indústria têxtil, não só da parte fashion, mas também a logística. Provadores de loja, cortinas de teatro, assentos de avião ... Se nós aplicarmos esse químico, dá uma proteção e tranquilidade maior para as pessoas que estão frequentando o ambiente. Tirando a parte hospitalar, a gente vislumbra outros mercados e toda uma mudança de cenário", explicou o coordenador Adriano Passos.
Por ser um material com bom custo-benefício, o acesso pode ser mais fácil. Raphael Bergamini ressaltou a importância dessa facilitação: "Nós auxiliamos o laboratório nesse projeto de aplicação química e na estruturação, e eles já estão produzindo. O preço é acessível, muito mais do que a prata utilizada em outros tecidos. E nós vamos doar uma produção-piloto que fizemos para hospitais. É tudo muito novo, então ainda estamos decidindo para onde doar"
Maria Clara Matturo
(Adaptado de: Jornal O Dia, Rio de Janeiro, 15/07/2020)
No terceiro parágrafo, o longo trecho entre aspas representa, em relação à primeira frase, uma:
Texto para responder às questões 1 a 8.
Ucrânia e o mundo civilizado
Cobertura ocidental sobre Ucrânia. Na CBS: "Este não é um lugar como o Iraque ou o Afeganistão. Esta é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia". Na ITV britânica: "O impensável aconteceu. Esta não é uma nação em desenvolvimento do terceiro mundo-esta é a Europa!". Na BBC: "É muito emocionante para mim porque vejo europeus com olhos azuis e cabelos loiros sendo mortos".
Há quase meio milhão de refugiados da Ucrânia, metade deles para a Polônia, a mesma que há pouco mandava tropas para bater em refugiados. Há relatos de africanos e de brasileiros barrados em trens fugindo da Ucrânia. Enfatizar que nossa dor é seletiva -geográfica e racialmente -não apaga a realidade da dor (na Ucrânia, é real e cruel); apenas ressalta que nossa empatia é proporcional à humanidade que concedemos a quem sofre.
Raça é uma fronteira, nos lembra Achiume em "Racial Borders". Regimes formais (status de refugiado) e informais (ser aceito em um trem) conferem privilégios raciais a uns e imobilidade a outros. A quem chamamos civilizados, a compaixão. Aos bárbaros, a penúria. O maior campo de refugiados do mundo, no Quênia, continua ameaçado de fechar. Sanções econômicas dos EUA continuam a levar o Afeganistão à fome.
No livro "History of White People", Painter nos lembra que o reconhecimento de povos do Leste Europeu como igualmente brancos no Ocidente foi objeto de disputa. Foi por ter admirado a beleza de um crânio oriundo das montanhas do Cáucaso na Rússia, aliás, que Blumenbach, em 1795, classificou o grupo europeu como caucasiano.
A anedota persiste e nos lembra que raça é, ao mesmo tempo, arbitrária e poderosa. No mesmo século 18, o termo "civilização" era inventado para separar europeus dos bárbaros colonizados (nós, no caso). Por baixo do derramar de sangue da guerra, desumano e inútil, reside paradoxalmente a chave para compreender a nossa humanidade: todos sangramos, nós que somos seletivos no olhar.
Thiago Amparo Folha de São Paulo, 03/03/2022
O emprego da vírgula marca a elipse de um verbo em:
Texto 1
Clonar para biodiversidade
Em dezembro de 2020, o Centro de Conservação de Vida Selvagem do Colorado, nos EUA, foi palco de um nascimento histórico. Elizabeth Ann é o primeiro clone de uma espécie de furão ameaçada de extinção: o furão-de-patas-pretas. Ela é cópia de um ancestral que morreu na década de 1980 e teve suas células congeladas, uma fêmea chamada Willa. À primeira vista, o fato não impressiona. Afinal, quem não se lembra da ovelha Dolly, em 1996? Nas últimas décadas, a clonagem de mamíferos tornou-se lugar comum, utilizada constantemente para clonar animais de criação, esporte e domésticos. O que tem de tão especial neste novo clone?
A novidade não está na técnica, mas no uso. Elizabeth Ann foi criada com uma técnica muito similar à da ovelha Dolly. Óvulos de uma fêmea doméstica doadora foram coletados e tiveram seus núcleos removidos. O material genético de Willa foi então inserido neles, e um estímulo elétrico fez com que começassem a se dividir. O embrião foi implantado em uma fêmea doméstica, dentro de um esquema "barriga de aluguel”. Mas Elizabeth Ann não é um animal de criação ou de corrida, nem um pet. Ela é o primeiro mamífero clonado para um programa de conservação ambiental.
A espécie — furão-de-patas-pretas (Mustela nigripes) — já foi considerada extinta nos EUA na década de 1970, provavelmente devido à caça desenfreada do cão-da-pradaria, que era seu prato preferido. Na década de 1980, no entanto, foi descoberta uma pequena colônia destes animais, e teve início um programa de conservação. Não foi fácil, porque apenas sete animais conseguiram se reproduzir, o que diminui muito a diversidade genética dos descendentes, aumentando inclusive a suscetibilidade a doenças.
Uma estratégia para aumentar a diversidade é introduzir genes de populações diferentes, mas como fazer isso em uma espécie em extinção, onde todos os indivíduos são geneticamente muito próximos? Elizabeth Ann vem para resolver este problema. Ela traz genes de um animal que morreu há 35 anos, com uma diversidade genética três vezes maior do que a encontrada na população existente. É como se todos os furões-de-patas-pretas fossem primos de primeiro grau, e ela, uma estrangeira de um país distante.
Elizabeth Ann, agora sexualmente madura, após seu primeiro aniversário, aguarda a escolha do parceiro, que está sendo cuidadosamente selecionado entre os machos da espécie. E preciso, segundo os tratadores, escolher o macho mais “cavalheiro”, porque não se pode correr o risco de um namorado mais brutamontes machucar a única fonte de genes diferentes. Se ela conseguir se reproduzir e ter descendentes saudáveis, seu caso pode marcar o início de novos programas de conservação e reintrodução de genes para outras espécies em extinção.
O sucesso do programa em furões pode beneficiar muito mais do que os furões em si. Pode ser uma prova de conceito e atrair interesse e financiamento para repetir o processo com outras espécies. Clonar animais selvagens sempre foi um desafio muito maior do que animais domésticos, até porque as técnicas de criação e reprodução em cativeiro não são tão bem estabelecidas para espécies com as quais a Humanidade não convive tanto. O Zoológica de San Diego, por exemplo, está nos primeiros estágios para tentar o mesmo processo com o rinoceronte-branco-do-Norte, espécie da qual existem hoje só dois indivíduos. O sucesso de Elizabeth Ann pode servir para impulsionar programas como esse.
Clones normalmente nos levam a pensar em cópias e redução de diversidade. Elizabeth Ann vem para nos lembrar que clonagem e modificação genética são apenas ferramentas. O que fazemos com elas depende de nossa criatividade, ética e recursos. Clones podem ser usados para promover biodiversidade, e quem sabe, resgatar mais espécies em extinção.
Natália Pastenak
(O Globo, 31 de janeiro de 2022)
O emprego da vírgula introduzindo comentário da autora com valor de possibilidade ocorre em:
Texto I
À natureza nos ensina a agir coletivamente
Clarice Cudischevitch
Por que peixes nadam em cardumes? Como pássaros voam em bando tão harmonicamente? O que motivou pessoas a não usarem máscara em uma pandemia? Um dos fenômenos mais fascinantes das ciências da vida é, justamente, o conflito entre o comportamento individual e o coletivo. Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas de uma espécie em particular: a humana.
Isso porque, embora a seleção natural atue nas diferenças entre indivíduos, a cooperação existe na natureza desde o nível celular até em diferentes animais. Diretor do Centro de BioComplexidade e professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton (EUA), Levin aplica a matemática, sua formação original, para estudar essas duas tendências conflitantes.
Na biologia, elas já são relativamente conhecidas. Pela seleção natural, os organismos mais aptos a sobreviver têm mais chances de passar suas características para os descendentes e, assim, perpetuar seus genes. Em “O Gene Egoista”, o biólogo Richard Dawkins afirma que um comportamento coletivo, como voar em bando, é adotado por conferir maior probabilidade de sobrevivência a uma linhagem genética.
Quando falamos de interações humanas, no entanto, a conversa é mais complexa. Se peixes nadam em cardumes para benefício mútuo — lutar contra predadores, por exemplo —, adotar um comportamento coletivo que gere benefícios em maior escala para a sociedade geralmente implica restringir ações individuais. “Precisamos aprender com a natureza como alcançar a cooperação”, diz Levin.
Na matemática, é a teoria dos jogos, técnica que modula o comportamento estratégico de agentes em diferentes situações, que dá conta de entender essas relações. Um exemplo clássico: se as pessoas priorizassem o transporte público ao carro, o congestionamento diminuiria, beneficiando a todos. Nesse cenário, no entanto, indivíduos acabariam saindo de carro para aproveitar o fluxo do trânsito, voltando a sobrecarregar as vias. Para a coletividade, seria melhor a cooperação do que ações individuais egoístas.
Essa mistura de matemática com sociologia e toques de biologia é útil para entender a pandemia da Covid-19. Levin, que passou mais de 40 anos estudando a dinâmica de doenças infecciosas, explica que, no caso do coronavirus, aplicamos modelos que predizem a disseminação do vírus, as diferenças entre pacientes com e sem sintomas e outros aspectos que ajudam a pensar em estratégias. Mas falta o componente social.
“Vemos grupos que hesitaram em se vacinar. Por quê?”, questiona Levin. “Há os que se recusaram a usar máscaras. China, Japão e Ásia em geral são países mais abertos a esse tipo de proteção, enquanto outros, como a Suécia, resistiram. Entender isso é um problema das ciências sociais.”
Levin vai além: como decisões coletivas são tomadas? Como normas sociais são criadas e mantidas? Como indivíduos interagem? Um de seus estudos do momento quer entender a dinâmica das polarizações políticas. “Pessoas fazem parte de grupos diferentes, que às vezes se sobrepõem. Desenvolvemos modelos em que os indivíduos mudam suas opiniões ou migram de grupo baseados em interações com outras pessoas.”
Modelos desse tipo também são aplicados em contextos internacionais. Analisam, por exemplo, não apenas as relações entre nações, mas também as influências de organizações como ONU e OMS nas decisões e mudanças de posicionamento dos países.
Disponível em https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/ 2021/02/27/a-natureza-nos-ensina-a-agir-coletivamente/ (Adaptado)
No quarto parágrafo, o uso do travessão duplo justifica-se por:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
No quarto parágrafo, o emprego do travessão expressa uma relação de sentido que pode ser explicitada pela seguinte palavra: