Questões de Concurso Comentadas sobre pontuação em português

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Q3375454 Português

Leia o texto: 


        Nos moldes da formação do Brasil, o trabalho configurou-se como exploratório e depreciativo ao capital humano. Mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, o trabalho escravo persistiu. Dessa maneira, neste século XXI, o anseio do trabalhador em ser reconhecido como um profissional digno e de qualidade e de ter estabilidade no futuro nunca foi tão imediato.

        De início, vale lembrar o quão significativa foi a aprovação da CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas – nos anos 1940. Tal instrumento possibilitou ao trabalhador um reconhecimento de sua verdadeira função social: trabalhar para construir dignidade para si e ao país. Nessa lógica, o profissional começou a valorizar o tipo de trabalho que melhore a sua condição financeira e que lhe proporcione qualidade de vida e realização profissional. [...] 


[Texto adaptado]. Disponível em: https://www.imaginie.com.br/enem/exemplo-de-redacao/enem-2010-o-trabalho-naconstrucao-da-dignidade-humana/447569


Com relação aos sinais de pontuação no texto, é correto afirmar que:
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Q3375045 Português
Já se sentiu vítima de algum tipo de marginalização
e/ou discriminação dentro de sua universidade?



      Infelizmente, devo dizer que sim. Não se trata de discriminação ou marginalização pelo fato de ser brasileiro, porém. Trata-se de uma dificuldade (talvez natural) que tem um “novo imigrante” em penetrar na “elite” da sociedade local, que controla as posições de poder. Essa elite é constituída por pessoas que estudaram juntas na escola, que fizeram o serviço militar juntas, que pertencem ao mesmo partido político e que se apóiam mutuamente. Tive a oportunidade de sentir esse tipo de hostilidade quando fui eleito diretor da Faculdade de Ciências Humanas. Cheguei mesmo a ouvir expressões como “a máfia latino-americana em nossa faculdade”, quando somos nada mais que dois professores titulares de procedência latino-americana. Mas, verdade seja dita, trata-se de uma hostilidade proveniente dos que estavam habituados ao poder e não se conformavam em perdê-lo.
     A maioria não só me elegeu, mas também me apoiou e continua apoiando as reformas que instituí em minha gestão.


(DASCAL, Marcelo. Entrevista publicada no caderno Mais / Folha de S. Paulo, 18/05/2003.)
Sobre a pontuação empregada no texto, é correto afirmar que foram utilizados pela mesma razão
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Q3374877 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

O drama do dorama: como uma palavra dá a volta ao mundo

A Academia Brasileira de Letras incluiu no Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa a palavra dorama — produções televisivas de países do leste asiático, especialmente coreanas. A novidade foi recebida com comemoração e alegria pelos chamados dorameiros, mas gerou desconforto e protestos de uma parte da população, que inclui a comunidade coreana.

Os descontentes reclamam: “Está errado! Essa palavra é do japonês! Não pode ser usada para falar de produções sul-coreanas”.

[...]

Mas será que o dicionário errou mesmo? Para responder, temos que seguir a história das palavras e as voltas que o mundo dá. E precisamos saber qual o critério para uma palavra entrar no dicionário.


LIMA, Maria Luiza Cunha. O drama do dorama: como uma palavra dá a volta ao mundo. Disponível em: https://www. correiobraziliense.com.br/opiniao/2023/11/6661284-o-drama-dodorama-como-uma-palavra-da-a-volta-ao-mundo.html#google_ vignette. Acesso em: 6 dez. 2023. [Fragmento]
Considerando-se os recursos verbais empregados no texto, é correto afirmar: 
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Q3374871 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Mudanças climáticas e saúde mental: a onda invisível

Nas últimas semanas, passamos por várias ondas de calor e, com elas, veio uma onda não menos intensa de recomendações sobre como manter a saúde sob as altas temperaturas: “Beba água!”, “Evite se exercitar ao ar livre!”, “Coma alimentos leves!”…

Diante dessa maré nada refrescante, uma pergunta está passando despercebida: como ficam suas emoções diante das mudanças climáticas? Se você tem se sentido estressado, um aviso: você não está sozinho.

Temperaturas acima dos 30 °C estão associadas à piora do bem-estar, insônia, fadiga e irritabilidade na população geral, e indivíduos que já sofrem com algum transtorno mental estão ainda mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.

[...]

Notadamente, o calor excessivo não é o único evento climático capaz de gerar sofrimento emocional. Tempestades, enchentes e deslizamentos retratam outro aspecto das mudanças climáticas e estão cada vez mais frequentes no Brasil. [...] Quando esses eventos extremos atingem os meios de subsistência de uma população, como a agricultura ou a pesca, a necessidade de deslocamento para outras terras traz uma sobrecarga ainda maior à saúde mental desses indivíduos.

Mais recentemente, a avaliação da delicada relação entre as pessoas e seu meio ambiente deu origem a novos conceitos em saúde mental, como a eco-ansiedade e a solastalgia. A eco-ansiedade engloba os sentimentos de estresse e apreensão decorrentes da antecipação de futuras mudanças ambientais ou da sensação de perda associada à degradação ecológica contínua. Crianças, adolescentes e indivíduos cujos meios de subsistência estão intimamente ligados à terra experimentam maior vulnerabilidade.

MOURA, Helena. Mudanças climáticas e saúde mental: a onda invisível. Correio Braziliense. Disponível em: https://www. correiobraziliense.com.br/opiniao/2023/11/6659446-mudancasclimaticas-e-saude-mental-a-onda-invisivel.html. Acesso em: 23 nov. 2023. [Fragmento] 
Releia este trecho.

“Temperaturas acima dos 30 °C estão associadas à piora do bem-estar, insônia, fadiga e irritabilidade na população geral, e indivíduos que já sofrem com algum transtorno mental estão ainda mais vulneráveis aos efeitos do aquecimento global.”

A vírgula usada no trecho em destaque
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Q3374396 Português
Observe as frases abaixo e assinale aquela cujo emprego da vírgula está correto:
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Q3374068 Português
Conduzindo equipes em uma crise humanitária: o papel da liderança humanizada


   Antes mesmo da tragédia climática que assola o Rio Grande do Sul, já vivíamos uma epidemia de pessoas adoecidas nas organizações, reflexo de uma sociedade consumida pelo trabalho e amortecida pelo individualismo. Porém, a chegada de uma crise humanitária como a que se instalou no Estado gaúcho ampliou ainda mais esses efeitos. As enchentes e impactos consequentes não apenas deixam marcas visíveis nas cidades gaúchas, mas também traumas que poderão levar anos e até décadas para serem reparados.

   Mudanças abruptas na rotina, estresse incessante, carência de contato afetivo, perda de segurança financeira e de senso de identidade são apenas alguns dos fatores que agravam uma situação já desafiadora. Ainda não existem dados disponíveis para entender a dimensão do ocorrido na saúde mental das pessoas, mas gosto de lembrar alguns números já existentes e que podem servir de base para as empresas e lideranças agirem neste momento.

   O relatório “Saúde Mental e Bem-Estar”, do centro de pesquisas Opinion Box, que ouviu 2.119 pessoas em agosto de 2023, demonstra que 65% acreditam que o trabalho pode contribuir positivamente para melhorar a saúde mental das pessoas, ainda mais se for feito de forma equilibrada. As organizações precisam entender e reconhecer a importância dessa relação, assim como a necessidade de implementar estratégias que promovam um ambiente psicologicamente seguro para que essas pessoas tentem retomar suas vidas.

   Não existem respostas simplistas nem soluções únicas, e a forma como abordamos esses desafios será determinante para o futuro dos negócios e para o tecido social em geral.

   A magnitude do problema torna-se ainda mais clara quando consideramos que uma em cada três cidades está localizada em áreas de risco recorrente para desastres climáticos, conforme estimativas da Secretaria Especial de Articulação e Monitoramento, órgão vinculado à Casa Civil. Embora este cenário seja assustador, ele não é desconhecido. Há muito tempo se fala dos efeitos do aquecimento global, e todos precisam fazer a sua parte para uma transformação radical de como lidamos com a questão. Afinal, não existe plano B para o planeta.

   É crucial que a liderança aja com rapidez e empatia quando tragédias ocorrem, para atender às demandas individuais e coletivas. Isso inclui garantir a segurança material e emocional, oferecer suporte contínuo identificando as novas necessidades de cada colaborador, conectar as pessoas a recursos profissionais e permitir ajustes nas cargas de trabalho. Assim, urge a necessidade de se criar uma cultura organizacional que promova confiança, empatia e resiliência, de modo que as pessoas sintam-se seguras em seu ambiente de trabalho e em suas vidas cotidianas. Carine Roos. Publicado em 25/06/2024.


(Disponível em:< https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/conduzindo-equipes-em-uma-crise-humanitaria-o-papel-da-lideranca-humanizada1.1018911. Adaptado.)
Assinale a reescrita, para o trecho destacado a seguir, que mantém a correção gramatical e semântica originais: “Não existem respostas simplistas nem soluções únicas, e a forma como abordamos esses desafios será determinante para o futuro dos negócios e para o tecido social em geral.” (4º§)
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Q3374041 Português
Dona Valentina e sua dor


   Dona Valentina conseguiu cochilar um pouquinho. O relógio marcava quase cinco da manhã quando ela abriu os olhos. Estava ligeiramente feliz. Sonhou com as goiabeiras de sua casa na roça; ela, menina, correndo de pés no chão e brincando com os irmãos que apanhavam goiabas maduras no pé. Goiabas vermelhas, suculentas, sem bichos. O sonho foi tão real que ela acordou com gostinho de goiaba na boca.

   Fazia um pouco de frio porque chovera à noite, chuvinha fina, boba. Porém, Dona Valentina era prevenida: levara na sacola a capa e a sombrinha desmilinguida – mas que ainda serviam. A fila crescera durante a madrugada, e o falatório dos que acordaram cedo, como ela, misturava-se com o ronco de dois ou três que ainda dormiam.

   Fila de hospital até que era divertida – pensava ela. O povo conversava pra passar o tempo; cada um contava suas doenças; falavam sobre médicos e remédios; a conversa esticava, e aí vinham os assuntos de família, casos de filhos, maridos, noras e genros. Valia a distração. Mas ruim mesmo era aquela dor nos quadris. Bastou Dona Valentina virar-se na almofada que lhe servia de apoio no muro para a fincada voltar. Ui! De novo!

   Dona Valentina já estava acostumada. Afinal, ela e sua dor nas cadeiras já tinham ido e voltado e esperado e retornado e remarcado naquela fila há quase um ano. O hospital ficava longe; precisava pegar o primeiro ônibus, descer no centro; andar até o ponto do segundo ônibus; viajar mais meia hora nele; e andar mais quatro quarteirões. Por isso, no último mês passou a dormir na fila, era mais fácil e mais barato. Ela e sua dor. A almofada velha ajudava; aprendera a encaixá-la de um jeito sob a coxa e a esticar a perna. Nesta posição meio torta e esquisita, a dor também dormia, dava um alívio.

   O funcionário, sonolento, abriu a porta de vidro; deu um “bom dia” quase inaudível e pediu ordem na calçada:

   – Pessoal, respeitem quem chegou primeiro. A fila é deste lado, vamos lá.

   Não demorou muito, e a mocinha sorridente, de uniforme branco, passou distribuindo as senhas. Todos gostavam dela. Alegre, animada, até cumprimentava alguns pelo nome, de tanta convivência. Dona Valentina recebeu a ficha três; seria uma das primeiras no atendimento. Quem sabe a coisa resolveria desta vez?

   – Senha número três!

   Dona Valentina ergueu-se da cadeira com a ajuda de um rapaz e caminhou até a sala. O doutor – jovem, simpático – cumprimentou-a e pediu que ela se sentasse. Em seguida, correu os olhos pela ficha, fez algumas perguntas sobre a evolução da dor e os remédios que ela tomava. Daí, preencheu uma nova receita, carimbou e assinou:

   – Olha, Dona Valentina, vamos mudar a medicação, essa aqui é mais forte. Mas seu caso é mesmo cirúrgico. O problema é que o hospital não tem condições de fazer a cirurgia de imediato. A senhora sabe: muitos pacientes, falta verba, equipamento, dinheiro curto...

   Ela sentiu um aperto no coração. E um pouco de raiva, raivinha, coisa passageira. Mas o doutor era tão simpático, de olheiras, de uniforme amarrotado, que ela sorriu, decepcionada:

   – Posso marcar meu retorno?

   – Claro, claro, fala com a moça da portaria.

   Dona Valentina e sua dor pegaram os dois ônibus de volta. Pelo menos a chuva havia parado, um sol gostoso aquecia seus ombros através da janela. Fazer o quê? – pensava ela. Esperar mais, claro.

   De noite, Dona Valentina se acomodou no velho sofá esburacado para ver a novela – sua distração favorita que a fazia se esquecer da dor.


(Fernando Fabbrini. Em: julho de 2019. Adaptado.)
A língua escrita não dispõe dos inumeráveis recursos rítmicos e melódicos da língua falada. Para suprir esta carência, ou melhor, para reconstituir aproximadamente o movimento vivo da elocução oral, serve-se da pontuação.
(Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, p. 625.)
No excerto “Fila de hospital até que era divertida – pensava ela.” (3º§), o travessão foi empregado para: 
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Ano: 2024 Banca: UEM Órgão: UEM Prova: UEM - 2024 - UEM - Técnico em Informática |
Q3373503 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas (Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros.

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Considere o excerto seguinte e depois assinale a alternativa INCORRETA.
"Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica." (parágrafo 16)
Alternativas
Ano: 2024 Banca: UEM Órgão: UEM Prova: UEM - 2024 - UEM - Técnico em Informática |
Q3373501 Português
Teimosia e volta por cima aprende-se com as embaúbas (Lara Norberto Renzeti)

01     Na altura da minha varanda, no quarto andar do prédio, está o topo de uma embaúba. Nas raízes da árvore, emaranhadas entre a terra e as pedras, encontrase um pedaço azul de lona, lixo esquecido ali há alguns anos. Para além das embaúbas, que se ajeitam em grupo nos limites do terreno vizinho, há uma estrada de tijolos cinzas e vermelhos, que passa por entre as casas e vai até o portão. As casas estão ocas, inacabadas, mas não lhes falta vida, já que plantas se ancoram em seus muros e crescem sem pretensões decorativas no que poderiam ter sido tanto jardins quanto garagens. Atrás das ruínas, há restos de floresta.

02     Nem sempre foi assim. Quando vim morar neste prédio, em 2006, o terreno dos fundos era mato. Remanescente do sítio de alguma família dos primórdios de Jacarepaguá, um tímido pedacinho de Mata Atlântica preenchia quase todo o espaço, com exceção do antigo casarão em ruínas. Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza. Onde hoje há uma embaúba, naquela época, havia uma árvore de folhas e frutos pequenos, que, de verão a verão, abrigava os mais diversos passarinhos.

03     O que mais chamava a minha atenção eram os saís-azuis. Eles sempre apareciam na árvore, para fazer um banquete de frutinhos. O macho era azul e preto, e a fêmea era verde. Aquelas cores vivas me fascinavam, e eu, com oito anos de idade, ficava feliz por saber que seres tão belos moravam perto por causa da árvore. Ela crescia e frutificava, e eu contava com ela para me mostrar os pássaros.

04     A vista da varanda era o maior orgulho de nosso apartamento. Por anos, todos os convidados que visitaram minha casa atravessaram meu quarto para conhecer o terreno dos fundos, olhar suas cores, escutar seus sons. Mas, quando menos esperávamos, ouvimos vozes humanas vindas de lá. Vários homens conversavam, apontavam para as coisas e iam adentrando o pequeno fragmento de floresta. Eles continuaram por alguns dias conversando e apontando para as coisas, até que penduraram uma placa com logomarca de imobiliária no portão. A floresta ia virar condomínio.

05     Na época, não entendia bem como as coisas funcionavam, mas me lembro dos meus pais e dos vizinhos de prédio comentando que a obra era irregular. Que a empresa dava golpes nos compradores. Que não podiam cortar árvores. Que íamos embargar a obra. Mas já havia marcações em vermelho em algumas árvores. O que era aquilo? Sentença de morte? Todo dia, eu procurava aquela tinta, vermelha como sangue, no tronco da minha estimada árvore especial, que resistia como se não fosse vista, no cantinho do terreno. Em pouco tempo, o som de motosserra se misturou com o canto das cigarras. De vez em quando, eu sentia a falta de alguma coisa na paisagem: a pequena floresta ia ficando cada vez mais esburacada.

06     Tudo isso foi muito aos poucos. Não percebi quando começaram a construir. Sei que aterraram a antiga piscina, foram derrubando árvore atrás de árvore, até que surgiu espaço suficiente para mais de dez casas, e eu parei de olhar. Parei de ir à minha própria varanda porque tudo que eu via era aridez e destruição. Eu tinha medo de um dia encontrar a minha árvore cortada, caída no chão, morta. Ela resistiu bravamente. Foi a última. Nunca foi diretamente assassinada, mas se cansou e foi morrendo aos poucos, lentamente, consumida por um solo capinado e sem vida. Nunca descobri seu nome. Nunca mais vi saí-azul.

07     Ao longo do tempo, a obra foi embargada e retomada. Pelo visto, os avisos dos meus vizinhos eram bem fundamentados: a imobiliária nunca entregou as casas prontas. A floresta foi destruída em vão.

08     Imóveis inacabados podem ter três principais destinos. O primeiro deles é o esquecimento, quando, ao longo do tempo e da desvalorização econômica, a natureza toma conta, transformando-os em substrato e abrigo de seres não-humanos. O segundo é o descobrimento, caracterizado pelo abandono inicial e posteriores ocupações, resultantes de uma sociedade que não garante abrigo a todos os humanos. O terceiro é o acabamento, que precisa que as obras continuem.

09     Os compradores das casas, que sofreram o golpe da imobiliária, provavelmente sabiam dessas possibilidades. Pensando em manter um pouco do que se tornou deles por contrato, não abandonaram o terreno por completo e resolveram, por conta própria, tocar a obra. De vez em quando, aparecem trabalhadores: pintam uma parede, instalam luz elétrica, terminam um telhado. Por vezes, os próprios donos aparecem para cortar a grama. Isso acontece há uns dez anos, e as casas continuam inacabadas. No fundo, queria que essa obra nunca terminasse, presenciar o esquecimento, porque sei que a natureza nunca esquece. Num olhar de relance, o muro das casas estava coberto de plantas trepadeiras.

10     Arrisquei voltar à varanda. Agora que a minha árvore já estava morta mesmo, já não tinha muito a perder, certo? Errado. Como se cortinas se abrissem para o segundo ato do terreno, percebi que havia muito mais nele do que aquela única árvore que por tanto tempo amei. Mais uma vez, surgiu vida que era possível ser avistada da varanda e da janela. Ainda há ao fundo árvores grandes, que estavam lá desde o começo. Outras mais jovens vi crescer, como um coqueiro que se posiciona estrategicamente na “garagem” de uma das casas de cimento. Resistem insetos, lagartos, aves e, certamente, uma variedade de animais bem escondidos. Das manhãs e tardes de admiração e das noites de atenção ao não-silêncio, aprendi os nomes de alguns desses vizinhos.

11     Todos os dias, em especial no fim da tarde, as andorinhas se exibem a voar em círculos. Assisto às suas coreografias como se fosse um filme que passa na janela do meu quarto. Algumas vezes, na calmaria aparente da noite, sem luzes, ouço bacuraus e corujas. Vejo sanhaços, bem-te-vis, sabiás, tucanos, papagaios, urubus, gaviões, gralhas-do-campo e uma porção de aves cujo nome ainda não sei. Aliás, em certa ocasião, um bem-te-vi expulsou uma gralha. Ele voou para cima dela e bicou suas penas até que ela fosse para bem longe de uma árvore. Acabei rindo da falta de sorte da gralha, que é bem maior do que o bem-te-vi, mas perdeu. Já vi três bem-te-vis fazendo o mesmo com um tucano de bico amarelo, que também é muito maior do que eles. E assisto tudo da minha janela.

12     Apesar da admiração por seres carismáticos e voadores, o que mais me fascina nesse espetáculo vivo são as embaúbas. Essas árvores de troncos finos e folhas largas e que quase não são raras. Ao contrário, árvores do gênero Cecropia, que engloba todas as embaúbas, estão entre as mais abundantes espécies das florestas dos neotrópicos. Podem ser encontradas nas encostas da Grajaú-Jacarepaguá, no meio da Floresta da Tijuca ou do Parque Estadual da Pedra Branca. Se você estiver em um avião, sobrevoando algum fragmento de Mata Atlântica, vai vê-las facilmente lá do alto, porque elas são os pequenos pontos prateados que se destacam dos tons de verde da floresta.

13     Embaúbas não são muito exigentes. Quando há um distúrbio na floresta, quando o vento ou as pessoas derrubam árvores, formando clareiras, as sementes de Cecropia, que estavam no solo em dormência, germinam com a luz do sol. Nesses ambientes abertos, degradados, inóspitos, as embaúbas se instalam e crescem avidamente. Até parece que têm pressa. Logo ficam altas, suas folhas se desenvolvem, mas duram pouco e morrem rápido, caindo enrugadas e marrons no chão, decompondo-se e devolvendo nutrientes para a terra. Despertadas pelos vazios de vida na paisagem, embaúbas são espécies pioneiras que, aos poucos, alteram seus arredores e facilitam que novas espécies vegetais prosperem em seu entorno.

14     Não satisfeitas, elas ainda são atraentes para animais. Suas flores, apesar de polinizadas pelo vento, também podem ser polinizadas por insetos como besouros. Suas infrutescências alongadas servem como fonte de alimento para uma diversidade de frugívoros, como aves, gambás, macacos e até peixes, que se alimentam dos frutos que caem em rios. Depois que comem os frutos e se deslocam para longe, esses animais dispersam as sementes de embaúba. E assim elas chegam a quase todos os lugares. Preguiças e bugios também são grandes apreciadores de suas folhas, passam horas abraçados a seus galhos, comendo e descansando, enquanto tomam sol. Claro, também há desvantagens em ser o grande restaurante florestal. Embaúbas sofrem com o consumo de suas folhas, mas subornam com alimento e proteção formigas do gênero Azteca para torná-las suas fiéis escudeiras. Essas formigas agressivas vivem em colônias dentro do tronco oco da embaúba. Para defender sua casa, atacam os herbívoros que vêm para comer as folhas.

15     Embaúbas são acervos de interações e símbolos de resistência da natureza. É por isso que elas tomaram o terreno vizinho. Elas estão lá contando uma história. Mais do que a história de um terreno específico e especial para poucas pessoas atentas, essa é a história de muitos dos remanescentes florestais em centros urbanos. Em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde novos prédios sobem às custas da retirada das árvores, há um valor inestimável nos seres que insistem em existir. A persistência desses pontos verdes no meio da selva de concreto é um grito de guerra. É a memória do que se perdeu e a esperança de que nem tudo está perdido. Ainda há vida para preservar e proteger, para ver renascer dos escombros.

16     Hoje, existem ações de reflorestamento acontecendo em áreas urbanas, como o projeto Revive Jacarepaguá, na minha vizinhança, cujo objetivo é repovoar as margens do rio Anil com espécies vegetais nativas da Mata Atlântica. Iniciativas como essa podem estar em seus primórdios, mas são um exemplo de que é possível escrever uma história melhor para a natureza em escala local. Humanos têm a capacidade de entender o que significam os retalhos de verde no cotidiano urbano. Apesar do nosso potencial arrebatador de destruição, também somos a voz da nossa própria consciência e podemos frear os nossos erros. Tudo começa quando prestamos atenção na vida que ainda se exibe aos nossos olhos, quando queremos ser as embaúbas na frente da minha varanda, teimosas, que insistem em fincar raízes e crescer na terra marcada por uma história de devastação.

Adaptado de <https://oeco.org.br/analises/teimosia-evolta-por-cima-aprende-se-com-as-embaubas/>. Publicado em 18 de outubro de 2019. Acessado em 22/09/2024.
Considere as afirmações sobre o excerto seguinte, marque V, para verdadeiro, ou F, para falso, e depois assinale a alternativa CORRETA.
"Foi, na verdade, este o motivo pelo qual me mudei: meus pais queriam um apartamento mais tranquilo, de onde se pudesse ver um pouco de natureza." (segundo parágrafo)
( ) A expressão "na verdade" poderia ser substituída por "realmente", sem prejuízo ao sentido do texto.
( ) Os dois-pontos foram empregados para introduzir um esclarecimento.
( ) A expressão "pelo qual" poderia ser substituída por "por que", sem prejuízo ao sentido do texto.
( ) Em "pelo qual me mudei" (segundo parágrafo), a próclise se justifica pela presença do pronome "qual".
( ) A expressão "na verdade" está isolada por vírgulas por tratar-se de locução adjetiva completiva nominal.
Alternativas
Q3372988 Português

LEIA O TEXTO E RESPONDA A QUESTÃO SEGUINTE.


Nem a Rosa, Nem o Cravo


    As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas árvores, quando as crianças são assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? Já viste um loiro trigal balançando ao vento? É das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus cães danados destruíram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, então, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do pão, da água da fonte, do céu azul, do teu rosto na tarde?

    Não posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas estão perigando, todas elas, os trigais e o pão, a farinha e a água, o céu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravidão. É como u’a nuvem inesperada num céu azul e límpido. Como então encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traição neste momento.

    (...) Mas eu sei todas as palavras de ódio e essas, sim, têm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocábulos, as frases mais trabalhadas.

    Hoje só o ódio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. Só o ódio ao fascismo, mas um ódio mortal, um ódio sem perdão, um ódio que venha do coração e que nos tome todo, que se faça dono de todas as nossas palavras, que nos impeça de ver qualquer espetáculo – desde o crepúsculo aos olhos da amada – sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca.

    Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperança. Jamais os livros diriam coisas belas, nunca mais seria escrito um verso de amor.

    Sobre toda a beleza do mundo, sobre a farinha e o pão, sobre a pura água da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos também, se debruçaria a desonra que é o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. Não restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mínima. Amanhã saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje só sei palavras de ódio, palavras de morte. Não encontrarás um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrarás um punhal ou um fuzil, encontrarás uma arma contra os inimigos da beleza, contra aqueles que amam as trevas e a desgraça, a lama e os esgotos, contra esses restos de podridão que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade!


(AMADO, Jorge. Folha da Manhã, 22/04/1945.)

Assinale a alternativa em que a motivação do uso das vírgulas destoa das demais. 
Alternativas
Q3372878 Português
A função da vírgula em ‘‘Hoje, vou ao mercado’’ é
Alternativas
Q3371491 Português
 Obesidade abdominal associada à fraqueza muscular eleva risco de síndrome metabólica


        Estudo conduzido por pesquisadores das universidades Federal de São Carlos (UFSCar) e College London (Reino Unido) mostrou que a combinação de acúmulo de gordura na região abdominal com fraqueza muscular (dinapenia) é a condição que mais aumenta o risco de desenvolver síndrome metabólica em pessoas com mais de 50 anos de idade.

       “Indivíduos com obesidade abdominal dinapênica tinham 234% mais risco de desenvolver síndrome metabólica em comparação com aqueles que não tinham nenhuma das duas condições. Isso é quase o dobro do que encontramos para os que tinham apenas obesidade [126%]. Dessa forma, demonstramos que ter as duas condições simultaneamente representa maiores alterações metabólicas”, explica Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar e orientador do estudo apoiado pela Fapesp.

     Com base nos resultados do trabalho, divulgados no Journal of Nutrition, Health and Aging, os pesquisadores alertam para a importância da prática de exercício físico – tanto aeróbico quanto resistido – para o ganho e a manutenção da força muscular durante o envelhecimento. A prática de exercício físico é também uma maneira de prevenção da síndrome metabólica.

    Principal fator de risco para doenças cardiovasculares, a síndrome metabólica compreende cinco condições: obesidade, elevação dos níveis de triglicérides circulantes, hiperglicemia, redução do bom colesterol (HDL) e aumento da pressão arterial. O diagnóstico clínico é feito pela presença de três ou mais dessas alterações.

      De acordo com os pesquisadores, são as disfunções no metabolismo do músculo, associadas à perda de força, que explicam o grande impacto da fraqueza muscular no risco aumentado de síndrome metabólica. “Nos casos de fraqueza muscular há uma infiltração de gordura no músculo. Esse fenômeno, além de ser responsável pela perda de força, provoca uma série de alterações metabólicas no tecido que reduzem a sinalização de insulina, levando a uma maior resistência a esse hormônio, além de alterações no metabolismo da glicose e aumento da gordura no sangue [dislipidemia]”, explica Alexandre.

       Paula Camila Ramírez, primeira autora do trabalho, ressalta que não é só a fraqueza que provoca essas alterações. “A fraqueza também é produto da alteração do músculo – que perdeu massa, sofreu infiltração de gordura e, consequentemente, está inflamado. Isso significa que o músculo está tendo dificuldade de realizar o seu próprio metabolismo e, por isso, prejudica o metabolismo dos carboidratos, dos lipídios e o controle da pressão arterial, ou seja, fatores relacionados à síndrome metabólica”, diz.

       A inflamação provocada pela gordura infiltrada no músculo é só mais uma peça de todo um quebra cabeça. Faz parte do processo natural de envelhecimento o aumento do tecido adiposo, o que pode desencadear uma inflamação crônica de baixo grau. Além disso, a obesidade por si só pode causar inflamação permanente de baixo grau e alterar o metabolismo.

     Os pesquisadores ressaltam que as alterações que caracterizam a síndrome metabólica em grande parte vêm sendo atribuídas a obesidade. “No entanto, há evidências, e o nosso estudo contribui para isso, de que o problema é mais complexo. A obesidade e a fraqueza muscular contribuem para o ganho de gordura e para a infiltração de gordura no músculo. Esses dois fatores desencadeiam alterações no metabolismo do sistema musculoesquelético e podem influenciar outras alterações metabólicas”, relata Alexandre.

       Estudo anterior do mesmo grupo mostrou que a obesidade abdominal e a fraqueza muscular, quando associadas, aumentam em 85% o risco de morte por doenças cardiovasculares em pessoas com mais de 50 anos. Nesse trabalho, a fraqueza muscular em si só aumentou em 62% o risco de morte por doença cardiovascular. Curiosamente, as pessoas analisadas que tinham apenas gordura abdominal não apresentaram um aumento significativo no risco de morte cardiovascular.

    “Na ocasião identificamos o impacto da combinação de fraqueza muscular e obesidade na incidência de doenças cardiovasculares. Agora, buscamos entender o mecanismo por trás disso. E entendemos que é o metabolismo do próprio músculo que, quando alterado, pode contribuir para uma série de alterações metabólicas que culminam ____ síndrome metabólica”, completa.


Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/obesidade-abdominalassociada-a-fraqueza-muscular-eleva-risco-de-sindrome-metabolica/ (com alterações). Acesso 07/08/2024.

Analise o trecho abaixo, retirado do texto.

         “Paula Camila Ramírez, primeira autora do trabalho, ressalta que não é só a fraqueza que provoca essas alterações.”

As vírgulas presentes no trecho acima têm a função de: 
Alternativas
Q3360646 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



As armas psicológicas que os golpistas usam em vítimas despercebidas


Não passa um dia sem que haja uma notícia sobre uma vítima sendo enganada e perdendo dinheiro. Somos constantemente alertados sobre novos golpes e sobre como nos mantermos seguros contra os criminosos cibernéticos.
Então, por que as pessoas ainda são enganadas e, às vezes, de forma dramática?
Os golpistas usam técnicas psicológicas sofisticadas. Eles exploram nossas vulnerabilidades humanas mais profundas e ignoram o pensamento racional para explorar nossas respostas emocionais.
Essa guerra psicológica coage as vítimas a tomar decisões impulsivas. Às vezes, os golpistas espalham seus métodos entre muitas vítimas em potencial para ver quem é vulnerável. Outras vezes, os criminosos se concentram em uma pessoa específica.
Em ligações aleatórias, eles começam com pequenas solicitações para estabelecer um sentimento de compromisso. Depois de concordar com esses pequenos pedidos, é mais provável que atendamos a demandas maiores, motivados por um desejo de agir de forma consistente.
A chamada não virá de um número da sua agenda ou de um número que você reconheça, mas o golpista finge ser alguém que você contratou para trabalhar em sua casa, ou talvez um de seus filhos usando o telefone de um amigo para ligar para você.
Se for um golpista, talvez mantê-lo ao telefone por muito tempo dê a ele a oportunidade de descobrir coisas sobre você ou sobre as pessoas que você conhece.
Os criminosos fabricam cenários que exigem ação imediata, como alegar que uma conta bancária está em risco ou que uma oferta está prestes a expirar.
Essa tática visa impedir que as vítimas avaliem a situação de forma lógica ou busquem aconselhamento, pressionando-as a tomar decisões precipitadas.
Ele cria uma situação artificial na qual você se sente amedrontado e levado a fazer algo que normalmente não faria.
Chamadas de golpes alegando ser da Receita Federal são um exemplo. Aparentemente, você tem uma dívida a pagar e as coisas ficarão ruins se você não pagar agora mesmo.
Eles se aproveitam das emoções para provocar reações que ofuscam o julgamento, podendo ameaçar com problemas na Justiça para colocar medo, prometer altos retornos de investimento para explorar a ganância ou compartilhar histórias angustiantes, mas falsas, para obter simpatia e bens financeiros.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn4nv22p6rlo.adaptado.

Então, por que as pessoas ainda são enganadas e, às vezes, de forma dramática?
Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3358366 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Ar poluído afeta seu corpo e sua mente



Em algumas partes do mundo, a qualidade do ar melhorou rapidamente com políticas destinadas a limitar a poluição. Mas outros lugares correm o risco de perder essa melhoria alcançada.


Nos Estados Unidos, mais de 25% da população está exposta a ar considerado não saudável pela Agência de Proteção Ambiental do país, segundo um relatório de uma organização climática.


Estima-se que o número de pessoas expostas a dias não saudáveis aumente em mais da metade até 2050. E os piores dias de poluição do ar, os chamados dias perigosos ou marrons, aumentarão em 27%.


Para contextualizar melhor esta situação, existe um tipo de poluição do ar chamado PM2.5. Ele é composto de material particulado que mede trinta vezes menos que a espessura de um fio de cabelo humano.


Essas partículas minúsculas são formadas por uma mistura de substâncias líquidas e sólidas. Sua composição química é variável e inclui carbono, metais e compostos orgânicos.


Esses grupos de poeira, fuligem e outras substâncias suspensas no ar causam inflamações e elas geram lesões neurais do cérebro.


Um estudo concluiu que 25% da poluição causada por PM2.5 nos Estados Unidos vem da fumaça de incêndios florestais. Este índice chegou à metade no oeste do país.


Em 2023, grandes partes dos Estados Unidos sofreram queda significativa da visibilidade e da qualidade do ar, quando a fumaça dos incêndios florestais ao norte da fronteira com o Canadá se espalhou pelo continente.


As pessoas portadoras de condições respiratórias preexistentes e os recém-nascidos com os pulmões em desenvolvimento são os mais prejudicados pela fumaça dos incêndios florestais.


Como as mudanças climáticas aumentam o risco de incêndios florestais em todo o mundo, a qualidade do ar piorará ainda mais. E, enquanto os incêndios florestais se intensificam, a poluição afeta nossos corpos de maneiras profundas e inesperadas.


Os riscos à saúde causados pela poluição do ar gerada pelos incêndios florestais dependem do tipo de material consumido pelo fogo.


Em 2020, na Sibéria, havia turfa e resina da floresta boreal. O incêndio liberou um volume recorde de poluição, incluindo altas quantidades de mercúrio.


Já se descobriu que a fumaça dos incêndios florestais é prejudicial para certas células imunológicas dos pulmões. Sua toxicidade é quatro vezes maior que outras fontes de poluição.


À medida que a fumaça envelhece, a situação piora. Um estudo demonstrou que a toxicidade da fumaça dobra nas horas que se seguem à sua emissão, atingindo um pico de quatro vezes a sua toxicidade inicial.


"Mesmo alguém que esteja longe de uma fonte de incêndio tem sua saúde prejudicada pela inalação de fumaça oxidada e altamente diluída", afirmou o químico atmosférico Athanasios Nenes, do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8vn304r633o. adaptado.

Em algumas partes do mundo, a qualidade do ar melhorou rapidamente com políticas destinadas a limitar a poluição.
Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase.
Alternativas
Q3358073 Português
Ar poluído afeta seu corpo e sua mente



Em algumas partes do mundo, a qualidade do ar melhorou rapidamente com políticas destinadas a limitar a poluição. Mas outros lugares correm o risco de perder essa melhoria alcançada.


Nos Estados Unidos, mais de 25% da população está exposta a ar considerado não saudável pela Agência de Proteção Ambiental do país, segundo um relatório de uma organização climática.


Estima-se que o número de pessoas expostas a dias não saudáveis aumente em mais da metade até 2050. E os piores dias de poluição do ar, os chamados dias perigosos ou marrons, aumentarão em 27%.


Para contextualizar melhor esta situação, existe um tipo de poluição do ar chamado PM2.5. Ele é composto de material particulado que mede trinta vezes menos que a espessura de um fio de cabelo humano.


Essas partículas minúsculas são formadas por uma mistura de substâncias líquidas e sólidas. Sua composição química é variável e inclui carbono, metais e compostos orgânicos.


Esses grupos de poeira, fuligem e outras substâncias suspensas no ar causam inflamações e elas geram lesões neurais do cérebro.


Um estudo concluiu que 25% da poluição causada por PM2.5 nos Estados Unidos vem da fumaça de incêndios florestais. Este índice chegou à metade no oeste do país.


Em 2023, grandes partes dos Estados Unidos sofreram queda significativa da visibilidade e da qualidade do ar, quando a fumaça dos incêndios florestais ao norte da fronteira com o Canadá se espalhou pelo continente.


As pessoas portadoras de condições respiratórias preexistentes e os recém-nascidos com os pulmões em desenvolvimento são os mais prejudicados pela fumaça dos incêndios florestais.


Como as mudanças climáticas aumentam o risco de incêndios florestais em todo o mundo, a qualidade do ar piorará ainda mais. E, enquanto os incêndios florestais se intensificam, a poluição afeta nossos corpos de maneiras profundas e inesperadas.


Os riscos à saúde causados pela poluição do ar gerada pelos incêndios florestais dependem do tipo de material consumido pelo fogo.


Em 2020, na Sibéria, havia turfa e resina da floresta boreal. O incêndio liberou um volume recorde de poluição, incluindo altas quantidades de mercúrio.


Já se descobriu que a fumaça dos incêndios florestais é prejudicial para certas células imunológicas dos pulmões. Sua toxicidade é quatro vezes maior que outras fontes de poluição. 


À medida que a fumaça envelhece, a situação piora. Um estudo demonstrou que a toxicidade da fumaça dobra nas horas que se seguem à sua emissão, atingindo um pico de quatro vezes a sua toxicidade inicial.


"Mesmo alguém que esteja longe de uma fonte de incêndio tem sua saúde prejudicada pela inalação de fumaça oxidada e altamente diluída", afirmou o químico atmosférico Athanasios Nenes, do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça.



https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8vn304r633o. adaptado.
Em algumas partes do mundo, a qualidade do ar melhorou rapidamente com políticas destinadas a limitar a poluição.
Assinale a opção correta quanto à nova pontuação sem alteração do sentido original da frase. 
Alternativas
Q3357749 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Quando quebrei a Cara.


Quando iniciei a docência no ensino superior, atribuíram-me aulas de Sociologia e de Filosofia. Afastei-me das aulas de História, área em que concluíra o mestrado, mas continuei pensando numa maneira de facilitar a leitura de textos de ciências humanas e sociais. Esbocei projeto de extensão universitária: uma oficina de criação literária que indicaria o caminho da escrita clara, objetiva e coesa aos alunos e, em segundo momento, aos interessados da comunidade.


O projeto naufragou. Com ele, o desejo de apresentar escritores contemporâneos que seriam lidos, analisados, criticados e reescritos pelos eventuais alunos. Joguei os rabiscos na gaveta sem esperança de retomá-los. Até que, recebendo as aulas de Filosofia e de Sociologia no curso de Pedagogia em Presidente Epitácio (S.P). acrescentei nova atividade: seminários.


As alunas escolheriam um dos títulos. Fariam uma leitura superficial (posteriormente complementada de maneira mais profunda por mim), análise sociológica, reflexão filosófica, impressões pessoais. Os autores Luiz Antônio de Assis Brasil, Moacyr Scliar, Cyro dos Anjos, Autran Dourado, Josué Guimarães e Sérgio Faraco. Dezesseis romances resgataram minha paixão de trabalhar com Literatura, aplicando conceitos sociológicos e temas filosóficos discutidos nas aulas.


Os romancistas selecionados escrevem fluentemente. Guardam o máximo de significado na economia das frases. A opção pelos títulos considera a qualidade literária - comprovada por teses e prêmios -, o preço acessível, a diagramação, o convite gráfico, a disponibilidade nas redes de livrarias virtuais e o cuidado de possuir, no máximo, duzentas páginas. Cautelas indispensáveis na tentativa de convencer as alunas a efetivamente lerem os enredos.


A possibilidade de resumos na internet tirou-me o sono. Preparei-me com unhas, dentes, falas e fúrias para desmontar as expositoras com arguições violentas. Entretanto, as arguições violentas cederam lugar ao espanto: as meninas não apenas leram os livros, mas também recorreram a filmes e criticas literárias, comprovando pormenorizadamente a análise sociológica (grupos sociais, processos de aproximação, de distanciamento e de isolamento, fato Social, Papéis Sociais) e a reflexão filosófica (felicidade de Epicuro, questionamentos socráticos, ideias platônicas, aquisição aristotélica da virtude, interpretações de Santo Agostinho e de Santo Tomás de Aquino, nillismo de Nietzsche).


Compartilhei minhas intenções malignas e reconheci-lhes a capacidade: uma felicidade indescritível me invadiu quando, nas comemorações festivas de encerramento do semestre, confessei que - ainda bem! quebrara a cara em meus objetivos perversos.


(Vicentônio Regis do Nascimento Silva,66 Conhecimento Prático Literatura)
Sobre os períodos: "O projeto naufragou. Com ele, o desejo de apresentar escritores contemporâneos que seriam lidos, analisados, criticados e reescritos pelos eventuais alunos.", é incorreto afirmar:
Alternativas
Q3357644 Português
O que são os alimentos azuis?

            Os alimentos azuis estão mais presentes no dia a dia alimentar das pessoas do que se imagina, já que eles abrangem um grupo diversificado de animais, plantas e microrganismos provenientes da água, salgada ou doce. Em outras palavras, eles são peixes, algas, crustáceos, moluscos e todo o tipo de produto derivado de animais aquáticos, algas ou plantas capturados ou cultivados em ambientes marinhos ou de _________.
            Os alimentos azuis contribuem para um melhor equilíbrio do meio ambiente e colaboram para a saúde e _________ das pessoas. Isso porque podem desempenhar um papel fundamental na transição para sistemas alimentares mais saudáveis e ecológicos. Os alimentos azuis produzem menos emissões de gases de efeito estufa e causam menos impacto ambiental do que os alimentos vindos da criação de gado (ou de outros animais), além de terem uma pegada ambiental baixa — um indicador de quantas substâncias são emitidas e quantos recursos são consumidos no ciclo de vida de um produto, processo ou atividade.
            Os alimentos azuis são importantes para uma dieta saudável e equilibrada. Eles possuem em sua composição aminoácidos essenciais, proteínas de qualidade, vitaminas, bem como ácidos graxos como o ômega−3, que o corpo humano não produz, sendo necessário obtê−lo dos alimentos. Assim, os alimentos azuis, especialmente peixes como salmão, sardinha e atum podem ser priorizados como fontes de ômega−3. Não apenas essas deficiências podem ser tratadas, mas ao comer animais aquáticos com frequência, as chances de sofrer de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC), Alzheimer e depressão também são reduzidas.
            Com o crescimento da população mundial, a demanda por esses produtos está aumentando. Nos últimos 50 anos, o consumo dobrou, resultando em um grande impacto nos ecossistemas marinhos devido à pesca e à aquicultura predatórias, duas práticas que esgotam o oceano de peixes e espécies de alimentos aquáticos.
            Os dos estoques de peixes são __________, e 30 a 35% dos peixes capturados são perdidos ou desperdiçados. No entanto, há maneiras de construir a sustentabilidade dos alimentos azuis. Para melhorar seu desempenho ambiental, a prática e o gerenciamento da pesca devem ser otimizados, e a pesquisa e o desenvolvimento também contribuirão para melhorar as formas de pesca e reduzir as pressões ambientais.
 

Redação National Geographic Brasil. Adaptado.
Qual das alternativas apresenta o desvio de norma-padrão do trecho abaixo?
Carl Sagan astrônomo e escritor foi responsável por popularizar tópicos da ciência por meio de seu livro “Cosmos”. “Cosmos” foi adaptado para uma série na televisão em 1980. A série é aclamada até hoje por obter grande amplitude na divulgação de conhecimento científico.
Alternativas
Q3357640 Português
O que são os alimentos azuis?

            Os alimentos azuis estão mais presentes no dia a dia alimentar das pessoas do que se imagina, já que eles abrangem um grupo diversificado de animais, plantas e microrganismos provenientes da água, salgada ou doce. Em outras palavras, eles são peixes, algas, crustáceos, moluscos e todo o tipo de produto derivado de animais aquáticos, algas ou plantas capturados ou cultivados em ambientes marinhos ou de _________.
            Os alimentos azuis contribuem para um melhor equilíbrio do meio ambiente e colaboram para a saúde e _________ das pessoas. Isso porque podem desempenhar um papel fundamental na transição para sistemas alimentares mais saudáveis e ecológicos. Os alimentos azuis produzem menos emissões de gases de efeito estufa e causam menos impacto ambiental do que os alimentos vindos da criação de gado (ou de outros animais), além de terem uma pegada ambiental baixa — um indicador de quantas substâncias são emitidas e quantos recursos são consumidos no ciclo de vida de um produto, processo ou atividade.
            Os alimentos azuis são importantes para uma dieta saudável e equilibrada. Eles possuem em sua composição aminoácidos essenciais, proteínas de qualidade, vitaminas, bem como ácidos graxos como o ômega−3, que o corpo humano não produz, sendo necessário obtê−lo dos alimentos. Assim, os alimentos azuis, especialmente peixes como salmão, sardinha e atum podem ser priorizados como fontes de ômega−3. Não apenas essas deficiências podem ser tratadas, mas ao comer animais aquáticos com frequência, as chances de sofrer de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVC), Alzheimer e depressão também são reduzidas.
            Com o crescimento da população mundial, a demanda por esses produtos está aumentando. Nos últimos 50 anos, o consumo dobrou, resultando em um grande impacto nos ecossistemas marinhos devido à pesca e à aquicultura predatórias, duas práticas que esgotam o oceano de peixes e espécies de alimentos aquáticos.
            Os dos estoques de peixes são __________, e 30 a 35% dos peixes capturados são perdidos ou desperdiçados. No entanto, há maneiras de construir a sustentabilidade dos alimentos azuis. Para melhorar seu desempenho ambiental, a prática e o gerenciamento da pesca devem ser otimizados, e a pesquisa e o desenvolvimento também contribuirão para melhorar as formas de pesca e reduzir as pressões ambientais.
 

Redação National Geographic Brasil. Adaptado.
O trecho “Os alimentos azuis são importantes para uma dieta saudável e equilibrada.” poderia ser reescrito, sem alteração de sentido e dentro da norma−padrão, de qual forma?
Alternativas
Q3356183 Português
Passa de 1 bilhão o total de pessoas com obesidade no mundo


Um pouco antes de 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou os resultados de um novo estudo internacional com estimativas atualizadas do problema. Com base em informações do peso e da altura de 222 milhões de pessoas em mais de 190 países, um grupo de 1,5 mil pesquisadores, alguns deles brasileiros, calculou a progressão global da obesidade nas últimas três décadas. As conclusões, apresentadas em um artigo publicado em março na revista The Lancet , são impactantes e deveriam instigar as autoridades da saúde e os formuladores de políticas públicas a agir com urgência.

O dado mais alarmante é que, hoje, há no mundo 1,04 bilhão de pessoas com obesidade. Isso significa que um em cada oito habitantes do planeta (12,5% da humanidade) está com o peso muito acima do considerado saudável. Por esse motivo, essa parcela da população corre um risco mais elevado do que os demais indivíduos de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, algumas formas de câncer e morrer precocemente. De 1990 a 2022, a população mundial cresceu 51% e passou de 5,3 bilhões para 8 bilhões de pessoas. No mesmo período, o total de indivíduos com obesidade aumentou 360%: passou de 221 milhões para os atuais 1,04 bilhão − destes, 159 milhões são crianças e adolescentes.

A prevalência de obesidade entre adultos cresceu em praticamente todos os países. Em termos relativos, sua frequência, em média, dobrou entre as mulheres (passou de 8,8% para 18,5%) e triplicou entre os homens (foi de 4,8% para 14%). Essa tendência global, que já vinha sendo observada entre os adultos desde os anos 1990, também se instalou entre as crianças e os adolescentes. O aumento foi da ordem de quatro vezes na faixa etária dos 5 aos 19 anos. A proporção de crianças e adolescentes do sexo feminino com obesidade era de 1,7% em 1990 e chegou a 6,9% em 2022. Entre os meninos, saltou de 2,1% para 9,3%.

O crescimento da obesidade em números absolutos e relativos foi acompanhado de uma redução importante no baixo peso. O total de pessoas com peso inferior ao saudável − isto é, magras demais − diminuiu de 649 milhões em 1990 para 532 milhões em 2022.

Com o movimento simultâneo de crescimento da obesidade e da contração da magreza, o excesso de peso tornou-se, no mundo, o principal problema de má nutrição (um desequilíbrio entre as calorias e os nutrientes de que o corpo precisa e os que consegue obter). Ambos são como os dois lados de uma moeda. O baixo peso leva a problemas de saúde pela carência. A obesidade, pelo excesso. Hoje há mais pessoas com obesidade do que com baixo peso em todas as regiões do planeta, com exceção do Sudeste Asiático.

"É muito preocupante observar que a epidemia de obesidade, já evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar. Ao mesmo tempo, centenas de milhões de pessoas ainda são afetadas pela subnutrição, especialmente em algumas das partes mais pobres do mundo", afirmou o epidemiologista Majid Ezzati, do Imperial College London , coordenador do estudo, em um comunicado à imprensa. "Para combater com sucesso ambas as formas de má nutrição, é vital melhorar significativamente a disponibilidade e o preço de alimentos saudáveis e nutritivos".

Já faz algum tempo que a obesidade é considerada uma doença crônica e multifacetada. Do ponto de vista do indivíduo, ela resulta da interação entre os genes e as condições de vida das pessoas. São conhecidos uns poucos genes que, uma vez alterados, são suficientes para levar uma pessoa a engordar. Mas existem mais de 300 que regulam o acúmulo e o consumo de energia. Uma pessoa pode até ter características genéticas que favoreçam o ganho de peso, mas engordar pouco se, por exemplo, mantiver uma dieta saudável e praticar exercícios com regularidade. Ou ela pode não ter as variantes genéticas que facilitam o acúmulo de gordura, mas ganhar peso porque come muito ou só tem à disposição alimentos muito calóricos.

A OMS e outras agências sanitárias em geral adotam o índice de massa corporal (IMC) para classificar se um adulto está ou não na faixa de peso ideal − em crianças e adolescentes, o critério é outro, baseado no quanto o peso se afasta do considerado ideal pelas curvas de crescimento. O IMC é calculado ao se dividir o peso − ou massa (músculos, ossos e gordura) − pelo quadrado da altura.

O IMC é útil para estimar o grau de saúde em nível populacional, porque se baseia em duas medidas fáceis de se obter (peso e altura). Ele, no entanto, nem sempre indica o real estado de saúde do indivíduo porque não permite saber qual proporção de sua massa é gordura (uma pessoa pode ter IMC superior a 25 por ser musculosa) nem onde está concentrada a gordura (a armazenada entre os órgãos é mais nociva do que aquela sob a pele). Por isso, médicos e nutricionistas adotam outros indicadores, como a circunferência da cintura e a análise da concentração de gorduras no sangue para estimar a saúde do indivíduo.

O fato de uma proporção maior de pessoas ter começado a conviver com obesidade mais cedo inquieta os especialistas. É que aumenta o tempo que permanecem expostas a condições que favorecem o desenvolvimento de doenças, embora existam pessoas com obesidade saudáveis. "A obesidade tem sido cada vez mais intensa, precoce e prolongada. É quase uma sentença de vida", afirma o pediatra e nutrólogo brasileiro Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o pesquisador, um dos autores do estudo da The Lancet, essa população terá uma probabilidade maior de manter por mais tempo esse peso excessivo ou de se tornar obesa. "Algumas crianças com excesso de peso na fase pré-puberal já não passam mais pelo emagrecimento que era característico da puberdade", conta.

O cenário delineado pelo estudo da The Lancet pode, na realidade, ser um pouco pior. E, se nada for feito para alterá-lo de modo drástico, pode agravar-se mais na próxima década. A edição de 2024 do Atlas mundial da obesidade, lançado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF) também em março, estima que 42% da população adulta mundial já se encontrava acima do peso em 2020 − cerca de 1,39 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso e 810 milhões com obesidade. O documento projeta que essa proporção deve chegar a 54% em 2035, com 1,77 bilhão com sobrepeso e 1,53 bilhão com obesidade, o que deve impor gastos com saúde e perda de produtividade de US$ 4 trilhões por ano à economia mundial.

O Brasil encontra-se em uma situação intermediária, embora a proporção de pessoas com obesidade seja bem superior à média global. Com o avanço do ganho de peso nas últimas décadas, a taxa de crianças e adolescentes com obesidade passou de 3,1% (em ambos os sexos) em 1990 para 14,3% entre as meninas e 17,1% entre os meninos em 2022. Entre adultos, subiu de 11,9% para 32% entre as mulheres e de 5,8% para 25% entre os homens. Hoje o país ocupa a 54ª posição no ranking mundial de obesidade infantil e é o 65º com mais homens e o 70º com mais mulheres com obesidade.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle. Passa de 1 bilhão o total
de pessoas com obesidade no mundo. Revista Pesquisa FAPESP.
Disponível
em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/passa-de-1-bilhao-o-total-de-pessoascom-obesidade-no-mundo/ Acesso em: 20 abr., 2024.
Os trechos a seguir tiveram sua pontuação alterada. Assinale a alternativa que continua correta mesmo após as alterações:
Alternativas
Q3355635 Português

Quais os nomes dos sinais de pontuação presentes na frase abaixo, respectivamente?


Quando você disse que ia viajar para a Europa, eu pensei: que incrível! Você ainda está planejando ir?

Alternativas
Respostas
2541: A
2542: B
2543: B
2544: D
2545: A
2546: D
2547: C
2548: D
2549: C
2550: D
2551: B
2552: D
2553: B
2554: D
2555: D
2556: B
2557: D
2558: B
2559: A
2560: B