Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

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Q3118592 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como pássaros, queijos e vinho podem causar doenças pulmonares

Não é apenas o seu trabalho que pode colocar você em risco de desenvolver certas doenças pulmonares.

Às vezes, o que você faz no seu tempo livre também é responsável.

Um exemplo são os adeptos da criação de aves, que criam pombos para competições ou mantêm aves em casa como animais de estimação.

Se você for uma dessas pessoas, mantenha-se atento aos sintomas do peito, como tosse persistente ou respiração curta. E, se eles aparecerem, trate com seriedade.

A patologia que narramos aqui tem um nome sofisticado: alveolite alérgica extrínseca (AAE).

Resumidamente, trata-se de uma inflamação dos minúsculos sacos de ar do pulmão (os alvéolos), gerada por uma reação alérgica a uma partícula externa que entra no corpo. Ela tem várias características comuns com a asbestose: tosse, rigidez no peito e respiração curta.

A AAE é diagnosticada com imagens radiográficas. Em um raio X do peito, os campos do pulmão apresentam nebulosidade, com aparência similar a vidro moído.

A poeira das penas e as fezes das aves contêm proteínas aviárias que inflamam nossos pulmões quando inaladas. Elas vêm de diversas espécies de aves diferentes.

A inflamação é observada em criadores de pombos, mas também atinge produtores e vendedores de aves

A AAE também tem outras causas, além da inalação constante de partículas das aves. A lista é extensa e curiosa. Ela inclui uma série de alérgenos provenientes de diversos campos de atividade.

No setor de alimentos, por exemplo, imagine a inalação dos fungos da crosta de queijos azuis, que causa a doença conhecida como pulmão do queijeiro. Ou os fungos das uvas mofadas e o desenvolvimento de pulmão do vinicultor.

As pessoas que trabalham com capim seco ou feno − como os fazendeiros ou construtores de telhados de palha, por exemplo − também podem inalar fungos inflamatórios. Outras fontes incluem a serragem, fertilizantes e musgos.

Aparentemente, nem a música e a banheira quente estão totalmente livres de riscos.

Bactérias relacionadas àquelas que causam a tuberculose podem ser inaladas de instrumentos de sopro feitos de latão ou da água quente borbulhante. Estas doenças são coloquialmente chamadas de pulmão do músico e pulmão da sauna.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjeerg0n284o.adaptado.
Se você for uma dessas pessoas, "mantenha-se" atento aos sintomas do peito, como tosse persistente ou respiração curta.
Assinale a alternativa correta quanto à conjugação do verbo destacado.
Alternativas
Q3117220 Português
O megaporto recém-inaugurado pela China no Peru


Durante sua passagem pelo Peru nesta semana, o presidente da China, Xi Jinping, aproveitou para inaugurar o que em alguns anos será o maior porto comercial da América do Sul.


O complexo portuário de Chancay fica cerca de 70 km ao norte da capital peruana, Lima. É um projeto superlativo, liderado pela companhia marítima estatal chinesa Cosco Shipping Company e com investimentos totais estimados em US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 19,7 bilhões).

A infraestrutura deve contar com quinze embarcadouros, escritórios, serviços logísticos e um túnel com 2 km de comprimento para o transporte de carga.

Oito anos depois do início das obras, a conclusão da primeira fase do complexo foi anunciada na quinta-feira (14/11), durante a visita de Xi ao Peru para participar da reunião de cúpula da APEC, realizada em Lima.

Sua construção não ficou livre de polêmicas e seus efeitos serão sentidos muito além do Peru.

O porto representa um passo importante na expansão da presença chinesa na América Latina.

Ele foi concebido como parte da Nova Rota da Seda, iniciativa estratégica que há anos vem sendo implementada e tem entre os objetivos aumentar a presença e a influência chinesa no mundo.

Com o complexo portuário, a China aumenta sua capacidade de desembarque de mercadorias na América do Sul e de transporte dos produtos importados da região, principalmente minérios, como lítio e cobre, e produtos agrícolas, como a soja.

O ministro das Comunicações e Transportes do Peru, Raúl Pérez Reyes, declarou que o megaporto permitirá ao seu país posicionar-se "como centro logístico de toda a América Latina".

O governo peruano calcula que o novo terminal irá gerar 7,5 mil empregos diretos e indiretos − número que críticos veem com ceticismo, argumentando que, em outros projetos na América Latina, os investimentos chineses empregaram mais trabalhadores levados da China do que a mão de obra local.

Também há expectativa de que o megaporto traga redução no tempo de transporte de mercadorias e, consequentemente, nos custos de frete, que o tornaria atrativo para operadores logísticos.

A estimativa do governo peruano é de que a duração das viagens de cargueiros do Peru até a Ásia cairia de quarenta para vinte e oito dias. A principal razão é a localização escolhida para o porto.

"Anteriormente, os produtos exportados pela América do Sul precisavam subir para o norte, até portos como Manzanillo, no México, onde ocorria o transbordo para que fossem enviados à China", explica à BBC News Mundo Robert Evan Ellis, do Instituto de Estudos Estratégicos do Exército dos Estados Unidos.

"Com Chancay, abre-se uma rota direta e mais rápida", destaca ele. "É como uma linha de ônibus que, antes, fazia todas as paradas e, agora, segue direto até chegar ao destino."

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ceqxzvv93dro.adaptado.
[...] durante a visita de Xi ao Peru para "participar" da reunião de cúpula da APEC, realizada em Lima.

Assinale a alternativa correta em relação ao tempo e modo do verbo destacado.
Alternativas
Q3117073 Português
Café: mocinho ou vilão?


A cafeína é a droga psicoativa mais popular do mundo.

Os seres humanos tomam café − uma fonte natural de cafeína − há séculos, mas, nas últimas décadas, têm surgido orientações contraditórias sobre os seus efeitos para a saúde humana.

"Tradicionalmente, o café é considerado algo ruim", segundo o professor de epidemiologia do câncer Marc Gunter, do Imperial College de Londres. Ele já chefiou o departamento de nutrição e metabolismo da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês).

"Pesquisas dos anos 1980 e 1990 concluíram que as pessoas que tomam café apresentam maior risco de doenças cardiovasculares", explica o professor, "mas os estudos evoluíram desde então."

Na última década, foram realizados novos estudos de base populacional, em escala maior. Com isso, Gunter afirma que os cientistas dispõem, agora, de dados de centenas de milhares de consumidores de café. 

O que nos contam essas pesquisas? O consumo de café oferece riscos ou benefícios à saúde? 

O café é associado ao aumento do risco de câncer por conter acrilamida, uma substância carcinogênica encontrada em alimentos como torradas, bolos e batatas fritas. Mas a IARC concluiu, em 2016, que o café não é carcinogênico (que causa câncer), a menos que seja bebido muito quente − acima de 65 °C.

Em um estudo de 2023, pesquisadores defenderam que, embora o café seja uma das principais fontes de acrilamida na nossa alimentação, ainda não existe uma base forte e conclusiva de evidências demonstrando sua relação com o risco de desenvolvimento de câncer. 

Outras pesquisas também concluíram que o café, na verdade, tem efeito protetor. Estudos demonstraram, por exemplo, associação entre o consumo de café e menor risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer entre os pacientes.

Em 2017, Gunter publicou os resultados de um estudo que analisou os hábitos de consumo de café de meio milhão de pessoas em toda a Europa, por um período de 16 anos. As pessoas que bebiam mais café apresentaram menor risco de morrer de doenças cardíacas, AVC e câncer.

Estas conclusões são coerentes com pesquisas realizadas em outras partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, e as pesquisas mais recentes conduzidas no Reino Unido.

Gunter explica que existe consenso suficiente entre os estudos observacionais para confirmar que as pessoas que tomam até quatro xícaras de café por dia sofrem de menos doenças que aquelas que não consomem a bebida.

E os possíveis benefícios do café podem ser ainda maiores.

No estudo de Gunter, as pessoas que tomavam café apresentaram maior propensão a fumar e manter alimentação menos saudável do que as demais.

Esta é uma indicação de que, se o café realmente reduzir o risco de doenças cardíacas e câncer, talvez ele seja mais poderoso do que pensamos. Afinal, seus efeitos compensariam os hábitos não saudáveis dos seus consumidores.

Estes mesmos benefícios são observados com o café descafeinado, que contém quantidades de oxidantes similares ao café normal, segundo as pesquisas.

Gunter não encontrou, nos seus estudos, nenhuma diferença entre a saúde das pessoas que consomem café tradicional e descafeinado. Isso o levou a concluir que os benefícios associados ao café se devem a outra substância, não à cafeína.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5ype30g24ro.adaptado.

Na última década, foram realizados novos estudos de base populacional, em escala maior.

Assinale a alternativa correta em relação ao verbo que se encontra na voz:
Alternativas
Q3117016 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Os gatos fazem bem para nossa saúde?

Os gatos convivem com os seres humanos há milhares de anos. E, muito antes de os memes viralizarem na internet, eles têm nos confortado com seus ronronados e nos feito rir com suas travessuras.

O que dizem as pesquisas: os gatos nos fazem bem?

Viver com eles tem um efeito profundo e, às vezes, surpreendente em nossa saúde física e mental. E isso não é isento de riscos.

Você já deve ter ouvido falar que os gatos não têm donos, eles têm funcionários. Na verdade, vários levantamentos mostram que os humanos que moram com eles se sentem mais como parentes amados.

Em um estudo com mil tutores de gatos holandeses, metade disse que seu bichano era parte da família. Um em cada três considerava-o como um filho ou melhor amigo, e o achava leal, solidário e empático.

Outra pesquisa, nos Estados Unidos, desenvolveu uma escala de vínculo familiar e descobriu que os gatos eram um integrante tão importante das famílias quanto os cães.

Muitos gatos preferem interação humana em vez de comida ou brinquedos. E eles conseguem distinguir quando estamos falando com eles e não com outro humano.

Na verdade, nós nos adaptamos uns aos outros. Os felinos são mais propensos a se aproximar de estranhos humanos que primeiro dão um "beijo de gatinho", estreitando os olhos e piscando lentamente. E pesquisas afirmam que os gatos desenvolveram miados específicos que se sintonizam com nossos instintos de nutrição.

O que essa relação próxima significa para os resultados de saúde?

Ter um animal de estimação está associado a um menor isolamento social. E alguns tutores de gatos dizem que o cuidado com eles aumenta a sensação de prazer e senso de propósito.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy4gd5g4xwdo.adaptado.
Outra pesquisa, nos Estados Unidos, desenvolveu uma escala de vínculo familiar e descobriu que os gatos "eram" um integrante tão importante das famílias quanto os cães.
Assinale a alternativa correta quanto ao tempo e modo do verbo destacado.
Alternativas
Q3116929 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


IA e educação: o que precisamos ensinar hoje para que nossos filhos se virem amanhã?

A revolução tecnológica e o impacto da IA estão transformando o mercado de trabalho. Como preparar as próximas gerações para um futuro incerto? Confira o artigo de Joice Leite

A revolução tecnológica, impulsionada pela inteligência artificial (IA), está transformando o mercado de trabalho a uma velocidade inédita. Hoje, pais e educadores enfrentam um desafio central: preparar crianças e jovens para um futuro incerto, no qual muitas das profissões para as quais estão sendo formados sequer existem. Como, então, podemos educá-los para esse cenário em constante evolução?

O impacto da IA e a criação de novas profissões

Nos últimos anos, a ideia de que milhões de empregos podem desaparecer tem ganhado força, com números alarmantes reforçando essa previsão. O Fórum Econômico Mundial aponta que cerca de 83 milhões de empregos serão eliminados globalmente nos próximos anos, enquanto 69 milhões de novos postos surgirão. A IA está no epicentro dessa transformação, com 75% das empresas previstas para adotar a tecnologia em suas operações. Apesar das previsões de crescimento de empregos, 25% das empresas acreditam que a IA pode reduzir vagas de trabalho.

O impacto da IA, entretanto, vai além da simples substituição de tarefas repetitivas. Ela está abrindo oportunidades em áreas completamente novas, que exigem habilidades contempladas na BNCC. No entanto, muitas vezes as instituições educacionais não dispõem dos recursos necessários para implementar na prática as habilidades do século XXI, como a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos. Além disso, é crucial que as políticas públicas invistam em infraestrutura adequada e tecnologia acessível, garantindo que todos os estudantes tenham a oportunidade de explorar e integrar a IA em seu aprendizado, contribuindo assim para uma educação mais inclusiva e equitativa. Isso exige uma reflexão urgente sobre o que realmente estamos ensinando aos nossos filhos.

O papel da educação no preparo para o futuro

As disciplinas que atualmente compõem o currículo escolar são indiscutivelmente importantes. A matemática, a história e a gramática continuam a ser pilares fundamentais do conhecimento humano; porém, à medida que nos deparamos com um mundo em rápida transformação, a maneira como essas disciplinas são ensinadas e aprendidas deve evoluir.

Para preparar os estudantes para os desafios do século XXI, é crucial que as disciplinas tradicionais não sejam apenas ensinadas de forma isolada, mas integradas a metodologias que estimulem o desenvolvimento de habilidades essenciais. O pensamento crítico, a resolução de problemas complexos, a criatividade e a capacidade de adaptação são competências que não podem ser negligenciadas no ambiente educacional atual.

Vivemos em tempos nos quais, além de dominar a tabuada, as crianças precisam aprender a lidar com incertezas e mudanças rápidas. Profissões como analista de dados, especialista em cibersegurança e desenvolvedor de IA, que não existiam há dez anos, são apenas exemplos de campos que continuarão a emergir. Para pais e educadores, isso implica uma mudança de mentalidade: mais do que garantir boas notas, é necessário incentivar a curiosidade e o desenvolvimento de habilidades tecnológicas e emocionais.

O papel das escolas e o desenvolvimento de competências

As escolas, por sua vez, percebem a necessidade de se adaptar às demandas do futuro. Muitas já estão conscientes dessas mudanças, buscando ir além do currículo acadêmico tradicional. Instituições que estimulam o desenvolvimento de competências emocionais, tecnológicas e sociais, como empatia, liderança, pensamento computacional e trabalho colaborativo, estão preparando melhor seus alunos para os desafios que virão.

A importância de se adaptar a diferentes cenários, resolver problemas de maneira criativa e pensar de forma inovadora não pode ser subestimada. O desenvolvimento dessas habilidades é essencial para que os jovens se tornem agentes ativos e preparados para moldar o mundo em que viverão, e isso não pode ser feito apenas pela escola; os pais também devem estar envolvidos nesse processo.

Como os pais podem ajudar a moldar o futuro de seus filhos

Para os pais, refletir sobre o futuro é especialmente importante. A educação formal pode ser complementada por estímulos externos, como atividades extracurriculares, leitura e incentivo a projetos pessoais. Essas experiências ajudam a desenvolver o espírito empreendedor, a criatividade e a capacidade de inovação, elementos essenciais para atuar em um mercado de trabalho em constante transformação.

Com profissões emergindo em áreas como sustentabilidade, energias renováveis, saúde digital e desenvolvimento de novas tecnologias, as oportunidades para as próximas gerações são vastas. Porém, elas exigirão uma mentalidade flexível, aberta e adaptável às mudanças.

Portanto, é necessário ter coragem para inovar e determinação para educar para um futuro que já começou. Ao educar nossas crianças e jovens para enfrentar desafios que ainda não podemos prever, estamos, na verdade, abrindo caminho para que eles liderem essa nova era de inovações e descobertas. 


(https://exame.com/bussola/ia-e-educacao-o-que-precisamos-ensinar-hoje-para-que-nossos-filhos-se-virem-amanha/)
Analise as afirmativas levando em conta a fonologia, a morfologia e a análise sintática dos vocábulos presentes no texto, bem como conceitos adicionais que complementam a análise:

I.O vocábulo destacado em "...eles liderem essa nova era de inovações e descobertas", pertence a mesma classe gramatical que o destacado em "A educação formal pode ser complementada por estímulos externos".
II. Em "Isso não pode ser feito apenas pela escola ", o vocábulo destacado tem função de sujeito.
III. Em "Ao educar nossas crianças e jovens para enfrentar desafios que ainda não podemos prever", o verbo 'prever', conjugado na 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito e no futuro do presente do modo indicativo, assume as formas 'previram' e 'preverão', respectivamente.
IV. Em "Como, então, podemos educá-los para esse cenário em constante evolução?", a forma pronominal ' los' tem a mesma função sintática do pronome destacado em "Porém, elas exigirão uma mentalidade flexível, aberta e adaptável às mudanças.
V. A forma 'abobra' (abóbora), é um exemplo que confirma que a vogal em posição postônica interna é suscetível de síncope na pronúncia distensa do português.
VI. Na variedade temporal da língua, do português antigo ao contemporâneo, muitos substantivos passaram a ter gêneros diferentes. O substantivo 'mar', por exemplo, atualmente masculino, já foi usado como feminino, como é evidenciado nas formas 'preamar' e 'baixa-mar'.

Estão corretas: 
Alternativas
Q3116648 Português

Escala 6×1 afeta mais a população negra e reproduz escravidão, diz psicóloga


Por Diego Junqueira | 20/11/2024



A ESCALA DE TRABALHO 6×1 (seis dias trabalhados para um de folga) representa um resquício da escravidão e afeta principalmente a população negra, sem direito ao descanso ou à própria vida. Essa é a análise da psicóloga Ana Luísa Araújo Dias, mestra em saúde comunitária pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e especialista em saúde mental e políticas de equidade, com foco na população negra. "Dá para fazer um paralelo [da escala 6×1] com o trabalho da escravidão mesmo, porque é um corpo que não é visto como digno de vitalidade. É um corpo apenas visto pelo caráter da produção e da exaustão", compara.


[...] "Há diagnósticos para isso, como os casos de burnout, ansiedade e depressão, mas a gente não pode mais naturalizar essa vida automatizada que impede que a gente tenha qualidade e vitalidade", afirma Dias. "Não dá para naturalizar esse sono entrecortado, tanto tempo no transporte público em condições tão difíceis. Não dá para naturalizar esse isolamento, essa impossibilidade das relações serem vividas", continua.


Filha de uma ex-trabalhadora doméstica submetida a longas jornadas e privada de folga aos fins de semana, a psicóloga [...] propõe uma reflexão sobre autocuidado, inspirada nas conquistas da população negra escravizada que enfrentou os senhores de terra não somente por condições dignas de trabalho, mas por uma vida melhor. "Nossos ancestrais não fizeram tudo o que fizeram para que nós hoje pudéssemos estar aqui recebendo tanto ou com tal título. Mas para que a gente pudesse ter o direito de existir e de viver a vida boa", diz.


Leia a entrevista com Ana Luísa Araújo Dias.


[...]


Um corpo sem direito à vitalidade


A escala 6×1 afeta uma maioria da população trabalhadora composta por pessoas negras. E dá para fazer de um modo muito evidente um paralelo com o trabalho da escravidão mesmo, porque é um corpo que não é visto como digno de vitalidade. É um corpo apenas visto pelo caráter da produção e da exaustão. Ele não tem sequer uma fase de recuperação. Há uma marca da exaustão, do esgotamento, mesmo em situações onde é possível parar. Pessoas negras não conseguem muitas vezes parar porque o modo de trabalho contínuo e exaustivo é uma marca histórica subjetiva. Isso constrói também a nossa subjetividade.


Vida além do trabalho


Muitas vezes, no âmbito da população periférica, para ser trabalho de fato, ele precisa ser exaustivo. Precisa ter uma rotina de sair de casa, precisa ter um desgaste para considerar que, de fato, o esforço está tendo resultado. O que combina com a falácia neoliberal de que, quanto mais você trabalha, aí vem o sucesso. O sucesso não está relacionado à quantidade de horas que você trabalha. Essa é uma lógica capitalista que é colocada nas nossas cabeças. Mas isso não corresponde à realidade.


 O trabalho deve ser uma das dimensões da vida. Mas se o trabalho impede que existam outras dimensões da vida, que é o que a escala 6×1 coloca, isso vai na direção oposta ao que é, de fato, ter uma vida. Então, não é possível ter qualidade de vida se você não consegue ter um sono de qualidade, uma rotina alimentar de qualidade, se você não consegue descansar. A escala 6×1 considera esse corpo como uma máquina de produzir, mas não um corpo sujeito que merece dignidade e vitalidade. [...] não é possível a uma pessoa trabalhadora poder sequer dormir bem se ela trabalha numa escala 6×1. O sono fica muito restrito. O que a pessoa faz após o trabalho e antes de voltar ao trabalho fica condicionado nesse entre jornadas de trabalho. Vários estudos de saúde mental já mostram o impacto do sono, do lazer e das relações sociais saudáveis, relações familiares, amizades e um círculo social saudável no bem-estar físico. Mas isso fica completamente inviabilizado pela escala 6×1, porque a pessoa não tem a possibilidade de existir para além do trabalho, como o próprio movimento demarca.


Inviável o convívio familiar


Eu sou filha de uma ex-trabalhadora doméstica. Até os meus dez anos de idade, eu, minha mãe e meu irmão morávamos na casa que era no quarto dos fundos da casa em que 'mainha' trabalhava. Era uma lógica de casa grande e algumas empregadas. A gente morava num quartinho do lado da lavanderia. Eu não sabia o que era uma rotina de sair do trabalho e chegar no trabalho, porque minha mãe sempre estava trabalhando. [...] É inviável o convívio entre a família. Se a gente pensa a mãe, o pai e as crianças, essa escala torna inviável o cotidiano dessa família de acompanhar o acordar das crianças e o desenvolvimento delas, participar de atividades na escola, do lazer em família. [...]


A história que nos constrói


É muito importante que a gente perceba essa dimensão histórica e o quanto o Brasil ter essa história também nos constrói subjetivamente. Aí a gente pode compreender por que uma pessoa que trabalha na escala 6×1 pode fazer um discurso que apoia essa escala: porque elas nem sabem que outro modo de existir é possível. E quando outras pessoas dizem que é possível, aí entra toda a carga de: "Ah, é preguiçoso, não está trabalhando direito, não é assim que se faz".


A gente pode perceber esse impacto geracional. Se hoje os filhos têm a possibilidade de trabalhar home office ou com um trabalho intelectual, para os pais, o trabalho está relacionado a essa construção da exaustão, o cotidiano é esse cotidiano de sair, passar horas no transporte. Mas para uma jovem de 20 anos que começa a trabalhar com essa escala, fica inviabilizado o estudo e a descoberta dos interesses da vida. Essa pessoa é confrontada, logo no início da vida adulta, com uma escala que prejudica o sono, a alimentação e as relações.


[...] Para além de pensar em uma determinada classe, um grupo de serviços, a gente pensa em vida além do trabalho. Que vida é essa que a gente está vivendo, construindo e colocando para as gerações seguintes?


[...] Eu costumo dizer que nossos ancestrais, desde lá atrás, não fizeram tudo o que fizeram para que nós hoje pudéssemos estar aqui recebendo tanto ou com tal título. Mas era para que a gente pudesse ter o direito de existir, de viver a vida boa. Bem-viver é isso. É a gente se enxergar como sujeito. [...]


(Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/2024/11/escala-6x1-afeta-mais-negros-reproduz-escravidao/. Acesso em 08 dez. 2024. Adaptado.)

Por se tratar de uma entrevista oral, certas marcas de oralidade, bem como certos desvios da gramática normativa da língua portuguesa são aceitos porque não causam prejuízo na informação dada, nem na compreensão do(da) interlocutor(a). Analise as proposições que seguem:

I.Em "Há uma marca da exaustão, do esgotamento, mesmo em situações onde é possível parar", o pronome relativo "onde" foi usado inadequadamente, pois, seu uso, pela gramática normativa, restringe-se apenas para se referir a lugar, o que não acontece no trecho destacado.
II.Em "Para além de pensar em uma determinada classe, um grupo de serviços, a gente pensa em vida além do trabalho. Que vida é essa que a gente está vivendo, construindo e colocando para as gerações seguintes?", o uso da expressão "a gente" é um uso comum da oralidade e equivale à 1ª pessoa do plural.
III.Em "não é possível a uma pessoa trabalhadora poder sequer dormir bem se ela trabalha numa escala 6×1", houve um erro de grafia porque quem transcreveu a entrevista pode ter se confundido; o correto seria "se quer".
IV.Em "Aí a gente pode compreender por que uma pessoa que trabalha na escala 6×1 pode fazer um discurso que apoia essa escala: porque elas nem sabem que outro modo de existir é possível", o uso do termo destacado está equivocado, uma vez que ele introduz uma explicação, exigindo o uso de "porque", como na segunda ocorrência, nesse mesmo excerto.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3116282 Português
Assinale a alternativa que possui o emprego de um agente da passiva: 
Alternativas
Q3114568 Português
Todas as frases abaixo mostram ações futuras. Assinale a frase em que os termos sublinhados indicam, respectivamente, tempo anterior e tempo posterior.
Alternativas
Q3114046 Português
Visitante noturno

        O inseto apareceu sobre a mesa como todos os insetos: sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse por que motivo escolhera aquele pouso. Não parecia bicho da noite, desses que não podem ver lâmpada acesa, e logo se aproximam, fascinados. Era uma coisinha insignificante, encolhida sobre o papel e ali disposta, aparentemente, a passar o resto de sua vida mínima, sem explicação, sem sentido para ninguém.
        Ninguém? O homem, que tem o hábito de ficar altas horas entre papéis e livros, sentiu-lhe a presença e pensou imediatamente em esmagar o intruso. Chegou a mover a mão. Não o mataria com os dedos, mas com outra folha de papel.
        Deteve-se. Não seria humano liquidar aquele bichinho só porque estava em lugar indevido, sem fazer mal algum. Inseto nocivo? Talvez. Mas sua ignorância em entomologia não lhe dava chance de decidir entre a segurança e a injustiça. E na dúvida, era melhor deixar viver aquilo, que nem nome tinha para ele. Com que direito aplicaria pena de morte a um desconhecido infinitamente desprovido de meios sequer para reagir, quanto mais para explicar-se?
        O inseto parecia pouco ligar para ele, juiz autonomeado e algoz em perspectiva. Dormia ou modorrava, sobre a mesa literária, indiferente, simplesmente. Chegara por acaso, sumiria daí a pouco; deixá-lo viver a seu modo, que era um viver anônimo, desligado de inquietações humanas, invariável dentro da natureza; curto e pobre.
        Uma ternura imprevista brotou no homem pelo animáculo que momentos antes pensara em destruir. Como se alguém viesse de longe para vê-lo, fazer-lhe companhia, em sua noite de trabalho. Não conversava, não incomodava, era uma questão apenas de estar à sua frente, imóvel, em secreta comunhão. Ele fora o escolhido de um inseto, que poderia ter voado para outro apartamento, onde houvesse outra vigília de escrevedor de coisas, mas fora aquela a casa de sua preferência.
        A menos que o acaso determinasse aquele encontro? Era possível. O inseto voara a esmo. O homem quis aferrar-se a essa hipótese, bem plausível. Já se envergonhava de ter envolvido o estranho numa aura de sensibilidade, e talvez voltasse ao impulso inicial de eliminação. A essa altura, espantou-se com a mobilidade de suas reações. Passava de verdugo a sentimentalão, depois a observador cético e crítico, finalmente perdia-se na confusão das várias atitudes que podemos assumir diante de um inseto instalado na mesa de um escritório, a uma hora que ainda não é madrugada, mas já é noite alta e de sono profundo.
        Aquietou-se, afinal, na contemplação do “bicho da terra tão pequeno”. Era alguma coisa parecida com um botão marrom rombudo, que tivesse olhos e um projeto de asas – o suficiente para deslocar-se no espaço em aventuras breves. Aquela não era uma aventura simples: a altura do edifício exigia esforço grande para chegar da árvore até o décimo primeiro andar. Entretanto, o botão vivo o fizera, e ali estava, tranquilo ou cansado, à mercê do gigante indeciso, que procurava entender, não propriamente sua presença, mas a turbação íntima que essa presença despertava no gigante.
        O homem não pensou em recorrer às enciclopédias para identificar o visitante. Ainda que chegasse a identificá-lo como espécie, não avançaria muito no conhecimento do indivíduo, que era único por ser entre todos o que o visitava. E na multidão de insetos, imagináveis e inimagináveis, só lhe interessava aquele, companheiro noturno vindo de não se sabe onde, a caminho de ignorado rumo.
        Já não escrevia. Olhava. Mirava. Sentia-se também olhado e mirado, quando o inseto fez ligeiro movimento que o colocou diretamente sob o foco de luz. Seria exagero encontrar expressão naqueles dois pontinhos negros e reluzentes, mas o fato é que deles parecia vir para os olhos do homem um sinal de atenção ou curiosidade. E os dois, homem e inseto, assim ficaram longo tempo, na muda inspeção, ou conversa, que não conduzia a nada.
        A nada? Muitas conversas entre homens também não levam a resultado algum, mas há sempre a esperança de um entendimento que pode vir das palavras ou de uma troca desprevenida de olhares. E o olhar pode penetrar mais fundo que as palavras. O homem sabia disso. Mas aí notou que, sabendo falar alguma coisa, não era perito em ver diretamente o real. A figura do inseto dizia-lhe pouco. Dos dois, talvez fosse ele, homem, o que menos habilitado se achava para uma forma de comunicação, aquém – ou além – dos códigos tradicionais.
        Distraiu-se avaliando essas limitações e, ao voltar à observação do visitante, este havia desaparecido, decepcionado talvez com a incomunicabilidade dos gigantes. Não é todas as noites que um inseto nos visita. E, se consegue insinuar-nos alguma coisa, nunca jamais foi captada para os homens que merecem crédito; só os ficcionistas é que costumam registrá-la, mas quem leva a sério ficcionistas?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Boca de luar. Brasil, Editora Record, 1984.) 
Considere o termo sublinhado em “Ele fora o escolhido de um inseto, [...]” (5º§). Pode-se corretamente identificar o termo sublinhado, no contexto em que se insere, como: 
Alternativas
Q3114042 Português
Visitante noturno

        O inseto apareceu sobre a mesa como todos os insetos: sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse por que motivo escolhera aquele pouso. Não parecia bicho da noite, desses que não podem ver lâmpada acesa, e logo se aproximam, fascinados. Era uma coisinha insignificante, encolhida sobre o papel e ali disposta, aparentemente, a passar o resto de sua vida mínima, sem explicação, sem sentido para ninguém.
        Ninguém? O homem, que tem o hábito de ficar altas horas entre papéis e livros, sentiu-lhe a presença e pensou imediatamente em esmagar o intruso. Chegou a mover a mão. Não o mataria com os dedos, mas com outra folha de papel.
        Deteve-se. Não seria humano liquidar aquele bichinho só porque estava em lugar indevido, sem fazer mal algum. Inseto nocivo? Talvez. Mas sua ignorância em entomologia não lhe dava chance de decidir entre a segurança e a injustiça. E na dúvida, era melhor deixar viver aquilo, que nem nome tinha para ele. Com que direito aplicaria pena de morte a um desconhecido infinitamente desprovido de meios sequer para reagir, quanto mais para explicar-se?
        O inseto parecia pouco ligar para ele, juiz autonomeado e algoz em perspectiva. Dormia ou modorrava, sobre a mesa literária, indiferente, simplesmente. Chegara por acaso, sumiria daí a pouco; deixá-lo viver a seu modo, que era um viver anônimo, desligado de inquietações humanas, invariável dentro da natureza; curto e pobre.
        Uma ternura imprevista brotou no homem pelo animáculo que momentos antes pensara em destruir. Como se alguém viesse de longe para vê-lo, fazer-lhe companhia, em sua noite de trabalho. Não conversava, não incomodava, era uma questão apenas de estar à sua frente, imóvel, em secreta comunhão. Ele fora o escolhido de um inseto, que poderia ter voado para outro apartamento, onde houvesse outra vigília de escrevedor de coisas, mas fora aquela a casa de sua preferência.
        A menos que o acaso determinasse aquele encontro? Era possível. O inseto voara a esmo. O homem quis aferrar-se a essa hipótese, bem plausível. Já se envergonhava de ter envolvido o estranho numa aura de sensibilidade, e talvez voltasse ao impulso inicial de eliminação. A essa altura, espantou-se com a mobilidade de suas reações. Passava de verdugo a sentimentalão, depois a observador cético e crítico, finalmente perdia-se na confusão das várias atitudes que podemos assumir diante de um inseto instalado na mesa de um escritório, a uma hora que ainda não é madrugada, mas já é noite alta e de sono profundo.
        Aquietou-se, afinal, na contemplação do “bicho da terra tão pequeno”. Era alguma coisa parecida com um botão marrom rombudo, que tivesse olhos e um projeto de asas – o suficiente para deslocar-se no espaço em aventuras breves. Aquela não era uma aventura simples: a altura do edifício exigia esforço grande para chegar da árvore até o décimo primeiro andar. Entretanto, o botão vivo o fizera, e ali estava, tranquilo ou cansado, à mercê do gigante indeciso, que procurava entender, não propriamente sua presença, mas a turbação íntima que essa presença despertava no gigante.
        O homem não pensou em recorrer às enciclopédias para identificar o visitante. Ainda que chegasse a identificá-lo como espécie, não avançaria muito no conhecimento do indivíduo, que era único por ser entre todos o que o visitava. E na multidão de insetos, imagináveis e inimagináveis, só lhe interessava aquele, companheiro noturno vindo de não se sabe onde, a caminho de ignorado rumo.
        Já não escrevia. Olhava. Mirava. Sentia-se também olhado e mirado, quando o inseto fez ligeiro movimento que o colocou diretamente sob o foco de luz. Seria exagero encontrar expressão naqueles dois pontinhos negros e reluzentes, mas o fato é que deles parecia vir para os olhos do homem um sinal de atenção ou curiosidade. E os dois, homem e inseto, assim ficaram longo tempo, na muda inspeção, ou conversa, que não conduzia a nada.
        A nada? Muitas conversas entre homens também não levam a resultado algum, mas há sempre a esperança de um entendimento que pode vir das palavras ou de uma troca desprevenida de olhares. E o olhar pode penetrar mais fundo que as palavras. O homem sabia disso. Mas aí notou que, sabendo falar alguma coisa, não era perito em ver diretamente o real. A figura do inseto dizia-lhe pouco. Dos dois, talvez fosse ele, homem, o que menos habilitado se achava para uma forma de comunicação, aquém – ou além – dos códigos tradicionais.
        Distraiu-se avaliando essas limitações e, ao voltar à observação do visitante, este havia desaparecido, decepcionado talvez com a incomunicabilidade dos gigantes. Não é todas as noites que um inseto nos visita. E, se consegue insinuar-nos alguma coisa, nunca jamais foi captada para os homens que merecem crédito; só os ficcionistas é que costumam registrá-la, mas quem leva a sério ficcionistas?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Boca de luar. Brasil, Editora Record, 1984.) 
Nas alternativas a seguir constam verbos sublinhados cujo sujeito pode ser corretamente identificado como desinencial, EXCETO em: 
Alternativas
Q3114034 Português
Visitante noturno

        O inseto apareceu sobre a mesa como todos os insetos: sem se fazer anunciar. E sem que se atinasse por que motivo escolhera aquele pouso. Não parecia bicho da noite, desses que não podem ver lâmpada acesa, e logo se aproximam, fascinados. Era uma coisinha insignificante, encolhida sobre o papel e ali disposta, aparentemente, a passar o resto de sua vida mínima, sem explicação, sem sentido para ninguém.
        Ninguém? O homem, que tem o hábito de ficar altas horas entre papéis e livros, sentiu-lhe a presença e pensou imediatamente em esmagar o intruso. Chegou a mover a mão. Não o mataria com os dedos, mas com outra folha de papel.
        Deteve-se. Não seria humano liquidar aquele bichinho só porque estava em lugar indevido, sem fazer mal algum. Inseto nocivo? Talvez. Mas sua ignorância em entomologia não lhe dava chance de decidir entre a segurança e a injustiça. E na dúvida, era melhor deixar viver aquilo, que nem nome tinha para ele. Com que direito aplicaria pena de morte a um desconhecido infinitamente desprovido de meios sequer para reagir, quanto mais para explicar-se?
        O inseto parecia pouco ligar para ele, juiz autonomeado e algoz em perspectiva. Dormia ou modorrava, sobre a mesa literária, indiferente, simplesmente. Chegara por acaso, sumiria daí a pouco; deixá-lo viver a seu modo, que era um viver anônimo, desligado de inquietações humanas, invariável dentro da natureza; curto e pobre.
        Uma ternura imprevista brotou no homem pelo animáculo que momentos antes pensara em destruir. Como se alguém viesse de longe para vê-lo, fazer-lhe companhia, em sua noite de trabalho. Não conversava, não incomodava, era uma questão apenas de estar à sua frente, imóvel, em secreta comunhão. Ele fora o escolhido de um inseto, que poderia ter voado para outro apartamento, onde houvesse outra vigília de escrevedor de coisas, mas fora aquela a casa de sua preferência.
        A menos que o acaso determinasse aquele encontro? Era possível. O inseto voara a esmo. O homem quis aferrar-se a essa hipótese, bem plausível. Já se envergonhava de ter envolvido o estranho numa aura de sensibilidade, e talvez voltasse ao impulso inicial de eliminação. A essa altura, espantou-se com a mobilidade de suas reações. Passava de verdugo a sentimentalão, depois a observador cético e crítico, finalmente perdia-se na confusão das várias atitudes que podemos assumir diante de um inseto instalado na mesa de um escritório, a uma hora que ainda não é madrugada, mas já é noite alta e de sono profundo.
        Aquietou-se, afinal, na contemplação do “bicho da terra tão pequeno”. Era alguma coisa parecida com um botão marrom rombudo, que tivesse olhos e um projeto de asas – o suficiente para deslocar-se no espaço em aventuras breves. Aquela não era uma aventura simples: a altura do edifício exigia esforço grande para chegar da árvore até o décimo primeiro andar. Entretanto, o botão vivo o fizera, e ali estava, tranquilo ou cansado, à mercê do gigante indeciso, que procurava entender, não propriamente sua presença, mas a turbação íntima que essa presença despertava no gigante.
        O homem não pensou em recorrer às enciclopédias para identificar o visitante. Ainda que chegasse a identificá-lo como espécie, não avançaria muito no conhecimento do indivíduo, que era único por ser entre todos o que o visitava. E na multidão de insetos, imagináveis e inimagináveis, só lhe interessava aquele, companheiro noturno vindo de não se sabe onde, a caminho de ignorado rumo.
        Já não escrevia. Olhava. Mirava. Sentia-se também olhado e mirado, quando o inseto fez ligeiro movimento que o colocou diretamente sob o foco de luz. Seria exagero encontrar expressão naqueles dois pontinhos negros e reluzentes, mas o fato é que deles parecia vir para os olhos do homem um sinal de atenção ou curiosidade. E os dois, homem e inseto, assim ficaram longo tempo, na muda inspeção, ou conversa, que não conduzia a nada.
        A nada? Muitas conversas entre homens também não levam a resultado algum, mas há sempre a esperança de um entendimento que pode vir das palavras ou de uma troca desprevenida de olhares. E o olhar pode penetrar mais fundo que as palavras. O homem sabia disso. Mas aí notou que, sabendo falar alguma coisa, não era perito em ver diretamente o real. A figura do inseto dizia-lhe pouco. Dos dois, talvez fosse ele, homem, o que menos habilitado se achava para uma forma de comunicação, aquém – ou além – dos códigos tradicionais.
        Distraiu-se avaliando essas limitações e, ao voltar à observação do visitante, este havia desaparecido, decepcionado talvez com a incomunicabilidade dos gigantes. Não é todas as noites que um inseto nos visita. E, se consegue insinuar-nos alguma coisa, nunca jamais foi captada para os homens que merecem crédito; só os ficcionistas é que costumam registrá-la, mas quem leva a sério ficcionistas?

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Boca de luar. Brasil, Editora Record, 1984.) 
Considere o verbo “deteve” (3º§). Consta verbo de mesmo tempo e modo verbal na alternativa: 
Alternativas
Q3113084 Português
Leia a obra de Carlos Drummond de Andrade e responda a questão abaixo:


Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e
uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.


(https://www.culturagenial.com/poemas-de-carlos-drummond-de-andrade/)
Analise a citação:
amar, desamar, amar?

As palavras acima podem ser classificadas, respectivamente, como: 
Alternativas
Q3112157 Português
Leia o texto a seguir:

Brasil bate recorde de emissão de carbono e tem quase 100% mais queimadas em 2024

Centro-Oeste e Sudeste tiveram aumento de focos em mais de 200% em comparação com o ano passado
   

     O Brasil bateu recorde de emissões de carbono desde que os dados passaram a ser monitorados, há mais de duas décadas. A informação é do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (Cams), da União Europeia.
     Segundo o Cams, do começo do ano até o momento, foram liberadas 180 megatoneladas de carbono em decorrência dos incêndios florestais. Esse número coloca o ano de 2024 no mesmo nível de 2007, quando o país bateu o recorde anterior.
     Até a última segunda-feira (23), foram detectados 202.102 focos de incêndio, um número 98% maior do que o registrado em todo o ano de 2023. De acordo com o Climatempo, esse é o maior número em sete anos. Somente em setembro, cerca de 60 megatoneladas do gás foram emitidas, principalmente do bioma amazônico.
     O Cams também realizou um levantamento regional, que coloca os estados do Amazonas e Mato Grosso do Sul como os principais emissores. Essas regiões somaram o maior volume de carbono registrado até hoje. A região Norte liderou o número de focos, com quase 92 mil até então, representando um aumento de 89% de um ano para o outro. Mesmo no topo da lista, a região não teve um aumento tão expressivo quanto o Centro-Oeste e o Sudeste, que tiveram aumento de 248 e 202%, respectivamente. Já a região sul contabilizou o maior número desde 2020. Mesmo com meses seguidos de frio e chuva constantes, foram registrados 5.477 focos, um aumento de 32%.
    Enquanto isso, o Nordeste foi a única região que reduziu a quantidade de incêndios em vegetação. Ao todo, foram contados 24.550 focos, um número ainda alto, mas que representa uma redução de 3% em comparação com 2023.

(Letícia Cassiano da CNN, São Paulo)
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-baterecorde-de-emissao-de-carbono-e-tem-quase-100-maisqueimadas-em-2024/ Acesso em 24/09/2024.
O verbo "contabilizou" na frase "a região sul contabilizou o maior número" está conjugado no:
Alternativas
Q3112124 Português

Analise a citação:


“Tem telefone automático”


Assinale a opção que apresenta a respectiva classificação das palavras acima:

Alternativas
Q3112056 Português
Leia o texto a seguir:

GOVERNO VAI APRESENTAR PROJETO PARA PROIBIR
CELULARES EM SALA DE AULA

   O uso de celulares em sala de aula pelos estudantes pode estar com os dias contados no Brasil. Um projeto de lei atualmente em desenvolvimento, que inclui o banimento dos telefones, deve ser apresentado em outubro pelo Ministério da Educação (MEC), como destaca a Folha de São Paulo na sexta-feira (20).

   Em entrevista ao jornal, o ministro da Educação, Camilo Santana, confirmou que a pasta decidiu elaborar o PL para dar maior segurança jurídica às instituições de ensino na hora de proibir os smartphones nas aulas. Na visão do ministério, divulgar apenas uma “recomendação” para evitar o aparelho não surtiria maiores efeitos.

   Ainda conforme Santana, o projeto é baseado em estudos que apontam melhorias na atenção, no desempenho e até mesmo na saúde mental dos estudantes em decorrência do banimento. Ele citou o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como uma das referências.

   Divulgado recentemente, o documento recomenda a proibição dos celulares em sala de aula e vai além, sugerindo o banimento total do aparelho nas escolas, em alguns casos. A entidade faz uma relação entre o uso da tecnologia pelos estudantes e dificuldades de aprendizado, apontando, ainda, o surgimento de problemas de saúde mental.


(Trecho do texto de André Luiz Dias Gonçalves) Disponível em: https://www.tudosaladeaula.com/2024/09/atividade-deinterpretacao-noticia-proibicao-de-celular-nas-escolas-8- e-9ano.html Acesso em 26.09.2024.
Qual é o tempo do verbo “surtiria” na frase: "Na visão do ministério, divulgar apenas uma ‘recomendação’ para evitar o aparelho não surtiria maiores efeitos"?
Alternativas
Q3110241 Português
Texto CB1A1-II


    A palavra ficção nos remete a histórias inventadas (total ou parcialmente). Pode ser uma fantasia, que envolva monstros, heróis ou fantasmas, pode ser uma ficção científica, que envolva tecnologias que vão muito além daquelas que existem hoje, e também pode ser um romance comum, totalmente realista, mas com enredo, personagens ou ambientes inventados.

    Dessa forma, uma matéria jornalística jamais poderia ser considerada ficcional, já que um dos pilares do jornalismo é a busca pela verdade e a publicização das informações com precisão e veracidade. Um jornal que noticiasse ficções estaria ferindo um de seus princípios mais fundamentais.

   Apesar de essa definição de ficção ser bem popular, os críticos e teóricos de cinema franceses Jacques Aumont e Michel Marie afirmam que a ficção é uma forma de discurso que faz referência a personagens ou a ações que só existem na imaginação daquele que a escreve ou lê. Segundo eles, a ficção não é uma mentira, mas um simulacro da realidade, uma das possíveis maneiras de se representar o real.

   Assim, podemos dizer que todo relato é uma tentativa de representar a realidade por meio de palavras. Um relato de um acontecimento não é o próprio acontecimento em si. Os fatos ficam no passado, depois que acontecem. Qualquer tentativa de retomá-los no presente, por meio de uma história, será uma representação, será uma construção da mente de uma pessoa. Logo, será uma ficção.


Lucia Mascarenhas de Miranda. A fronteira entre fato e ficção. In: Ciência Hoje, outubro de 2024. Internet: (com adaptações). 

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item que se segue.


No primeiro parágrafo, as três ocorrências da forma verbal “pode” expressam sentido de possibilidade.

Alternativas
Q3110228 Português
Texto CB1A1-I


  O aforismo “o cliente sempre tem razão” é bastante conhecido e muito citado como argumento econômico. Justifica-se para manter a fidelidade dos consumidores a marcas e a lojas a fim de evitar que a insatisfação individual se torne uma indesejada propaganda negativa.

   Será que, sob a ótica jurídica, a afirmativa corresponde à realidade? Não! O cliente (consumidor) só tem razão quando o direito, a lei, lhe dá amparo.

   Invariavelmente, baseando-se em critério pessoal do que seria justo como solução para problema de consumo, o consumidor realmente acredita que possui o direito que alega e, dentro da sua lógica, passa a exigir determinado comportamento do fornecedor.

    A expressão direito do consumidor tem sentido de conjunto de normas que regulam as relações entre consumidores e fornecedores; não significa necessariamente que o consumidor tem sempre direito de exigir a satisfação dos seus interesses.
 
  Para ilustrar, cite-se o exemplo, recorrente, de uma pessoa que acredita poder, em qualquer circunstância, trocar um produto que acabou de adquirir simplesmente porque, chegando em casa, percebeu que não era exatamente aquilo que queria, preferia de outra cor ou até haver gastado o dinheiro com algo mais interessante. Para a lei, a troca ou devolução do dinheiro pago só é possível em situações bem concretas: promessa do vendedor de trocar ou devolver o dinheiro (art. 30 do Código de Defesa do Consumidor); vício do produto (art. 18); compra fora do estabelecimento físico (art. 49).

   Daí a importância de que toda pessoa tenha uma noção básica de quais são os seus direitos e de como exigir a sua observância. Como é possível exigir respeito a sua condição de consumidor se não houver uma consciência mínima dos direitos?


Leonardo Bessa. O cliente – nem sempre – tem razão! In: Metrópoles. 20/06/2024. Internet: (com adaptações).

Considerando os aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.


Seria mantida a correção gramatical e a coesão do último período do texto, caso a forma verbal “houver” fosse substituída por houvesse

Alternativas
Q3110116 Português

    A palavra ficção nos remete a histórias inventadas (total ou parcialmente). Pode ser uma fantasia, que envolva monstros, heróis ou fantasmas, pode ser uma ficção científica, que envolva tecnologias que vão muito além daquelas que existem hoje, e também pode ser um romance comum, totalmente realista, mas com enredo, personagens ou ambientes inventados.


    Dessa forma, uma matéria jornalística jamais poderia ser considerada ficcional, já que um dos pilares do jornalismo é a busca pela verdade e a publicização das informações com precisão e veracidade. Um jornal que noticiasse ficções estaria ferindo um de seus princípios mais fundamentais.


    Apesar de essa definição de ficção ser bem popular, os críticos e teóricos de cinema franceses Jacques Aumont e Michel Marie afirmam que a ficção é uma forma de discurso que faz referência a personagens ou a ações que só existem na imaginação daquele que a escreve ou lê. Segundo eles, a ficção não é uma mentira, mas um simulacro da realidade, uma das possíveis maneiras de se representar o real.


    Assim, podemos dizer que todo relato é uma tentativa de representar a realidade por meio de palavras. Um relato de um acontecimento não é o próprio acontecimento em si. Os fatos ficam no passado, depois que acontecem. Qualquer tentativa de retomá-los no presente, por meio de uma história, será uma representação, será uma construção da mente de uma pessoa. Logo, será uma ficção.

Lucia Mascarenhas de Miranda. A fronteira entre fato e ficção.
In: Ciência Hoje, outubro de 2024.
Internet: (com adaptações) 

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item que se segue.


No primeiro parágrafo, as três ocorrências da forma verbal “pode” expressam sentido de possibilidade.

Alternativas
Q3110036 Português
Leia o texto a seguir:

Zelensky se recusa a receber secretário da ONU em Kiev após visita à Rússia

Guterres viajou na quinta-feira ao território russo para encontro com Putin

    O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, se recusou a receber em Kiev o secretário-geral da ONU, António Guterres, após sua participação na reunião de cúpula dos Brics na Rússia, informou uma fonte da presidência da ex-república soviética.
    "Depois de Kazan, (Guterres) queria visitar a Ucrânia, mas o presidente não confirmou sua visita (...) pela humilhação da razão e do direito internacional em Kazan", declarou a fonte, que pediu anonimato, à AFP.
    Kazana é a cidade russa que recebeu o encontro de cúpula dos Brics, que teve o presidente russo, Vladimir Putin, como anfitrião.
   Guterres viajou na quinta-feira à Rússia para um encontro com Putin à margem da cúpula, que aconteceu de 22 a 24 de outubro.
    O secretário-geral da ONU repetiu a Putin que "a invasão russa da Ucrânia" é uma "violação" do direito internacional, segundo um comunicado divulgado por seu porta-voz.
    O Kremlin não fez comentários sobre as discussões entre os dois representantes.


Fonte: https://odia.ig.com.br/mundo-e-ciencia/2024/10/6940984-zelensky-serecusa-a-receber-secretario-da-onu-em-kiev-apos-visita-a-russia.html. Acesso em 28/10/2024
No título do texto (“Zelensky se recusa a receber secretário da ONU em Kiev após visita à Rússia”), o verbo em destaque está flexionado no:
Alternativas
Q3109733 Português
Quanto mais difícil, melhor

    Assim como os historiadores, bibliotecários e arquivistas, vivo profissionalmente às voltas com livros centenários, documentos antigos e recortes amarelados. Isso significa coabitar com poeira, mofo e populações inteiras de fungos. O problema é que sou alérgico a bolor e sofro as consequências do manuseio dessas relíquias. Um amigo me perguntou se uso máscara para trabalhar. Respondi: “Não. Uso espirro. A cada espirro voam várias gerações de fungos”.

   A incompatibilidade entre certas condições físicas e a profissão de seus portadores pode ser dramática. Minha amiga, a feminista Rose Marie Muraro, nascida quase cega, precisava usar óculos muito grossos e lupa para conseguir ler. E qual era sua profissão? Leitora da Editora Vozes. Portinari, para muitos o maior pintor brasileiro, era alérgico a certas tintas. Morreu em 1962, envenenado por elas, depois de 40 anos de trabalho. E Garrincha, cujos dribles você sabe, tinha uma perna para dentro e outra para fora, como dois parênteses lado a lado: )).

     Beethoven era surdo, o que, pelo visto, não lhe fazia diferença. Django Reinhardt, imortal guitarrista do jazz, tinha dois dedos paralisados na mão esquerda. E a Harold Lloyd, um dos grandes da comédia no cinema mudo americano, faltavam dois na direita — e foi sem eles que escalou um edifício em Nova York em seu filme “O Homem-Mosca” (1923), fazendo ele próprio quase todas as cenas.

    John Wayne, Humphrey Bogart, James Stewart, Frank Sinatra, Bing Crosby, Fred Astaire, Gene Kelly, Henry Fonda e Sean Connery tinham algo em comum: eram carecas. Não que haja problema nisso (e eu mesmo já posso tecnicamente ser chamado de), mas, na velha Hollywood, Ava Gardner, Grace Kelly e Raquel Welch nunca poderiam ser beijadas por carecas, ainda que galãs. Sem problema — as perucas eram tão perfeitas que ninguém notava. Este artigo deve me custar uns cinco espirros.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2023/12/quanto-mais-dificil-melhor.shtml?pwgt= kye73frks3762ppiv3c8ms8agtyutnr6i2zmqyam6 pqtcz5u&utm_source=whatsapp&utm_medium= social&utm_campaign=compwagift. Acesso em: 20 dez. 2023.Adaptado.
[Questão Inédita] Assinale a alternativa correta quanto à conjugação e à correlação entre os tempos verbais.
Alternativas
Respostas
2401: B
2402: D
2403: A
2404: A
2405: B
2406: D
2407: D
2408: A
2409: D
2410: B
2411: B
2412: D
2413: B
2414: B
2415: A
2416: C
2417: E
2418: C
2419: A
2420: E