ATENÇÃO: o texto a seguir, que é a última página do livro
Os Sertões, de Euclides da Cunha, refere-se à questão.
Canudos não se rendeu
Fechemos este livro.
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história,
resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo,
na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando
caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram
quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na
frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.
Forremo-nos à tarefa de descrever os seus últimos momentos.
Nem poderíamos fazê-lo. Esta página, imaginamo-la sempre
profundamente emocionante e trágica; mas cerramo-la vacilante
e sem brilhos.
Vimos como quem vinga uma montanha altíssima. No alto, a
par de uma perspectiva maior, a vertigem...
Ademais, não desafiaria a incredulidade do futuro a narrativa
de pormenores em que se amostrassem mulheres precipitando-se
nas fogueiras dos próprios lares, abraçadas aos filhos
pequeninos...
[...] Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir
desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas.