Questões de Concurso
Comentadas para analista judiciário - biblioteconomia
Foram encontradas 3.378 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Em relação às tipologias dos metadados, relacione adequadamente o tipo de metadado à sua característica.
1. Metadados administrativos.
2. Metadados estruturais.
3. Metadados descritivos.
( ) Incluem dados, como, por exemplo, a resolução das imagens, o equipamento e o programa utilizado para produzir
as imagens e a informação sobre compactação de arquivo.
( ) Usados para indexação, identificação e recuperação dos recursos digitais.
( ) Permitem a visualização e o folheio dos recursos digitais que inclui também a organização interna do catálogo.
A sequência está correta em
Sobre as ontologias, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Constituem-se em poderosa linguagem de formatação para criar hipertextos pesquisáveis.
( ) Foram criadas para melhorar a recuperação dos recursos informacionais na internet, constituindo-se em um conjunto de elementos não obrigatórios utilizados para descrição de documentos.
( ) Podem ser conceituadas como um conjunto de conceitos padronizados em que termos e definições devem ser aceitos por uma comunidade no âmbito de um domínio.
A sequência está correta em
Acerca das linguagens documentárias, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Permitem a rápida consulta e o arquivamento de maneira homogênea entre documentos similares, servindo como síntese de características técnicas.
( ) Possibilitam às pessoas que lidam com informação, a capacidade de manipular grande volume de recursos informacionais de forma sistêmica, evitando, por consequência, o caos informacional.
( ) São sistemas de gerenciamento que padronizam a indexação de documentos, de acordo com suas características físicas mais importantes.
A sequência está correta em
Quanto ao Resource Description and Access (RDA), analise as afirmativas a seguir.
I. A estrutura da RDA é flexível e extensível, permitindo a descrição de todos os tipos de materiais, sejam eles recursos tradicionais de uma biblioteca, ou recursos de outras comunidades ligadas ao patrimônio cultural, como arquivos ou museus, por exemplo.
II. A RDA é uma norma projetada para o contexto digital e consiste em um conjunto de instruções práticas baseadas em um arcabouço teórico que define a forma, a estrutura e o conteúdo desta nova norma.
III. Os dados RDA podem ser empregados como a base de um conjunto de elementos de metadados que torna visíveis e utilizáveis os dados em um ambiente da internet.
Estão corretas as afirmativas
No contexto da entrevista de referência, numere adequadamente os níveis de necessidades de informação de acordo com a sequência em que se apresentam.
( ) Necessidade consciente.
( ) Necessidade formalizada.
( ) Necessidade negociada.
( ) Necessidade visceral.
A sequência está correta em
Medo e preconceito
O tema é espinhoso. Todos somos por ele atingidos de uma forma ou de outra, como autores ou como objetos dele. O preconceito nasce do medo, sua raiz cultural, psíquica, antropológica está nos tempos mais primitivos – por isso é uma postura primitiva –, em que todo diferente era um provável inimigo. Precisávamos atacar antes que ele nos destruísse. Assim, se de um lado aniquilava, de outro esse medo nos protegia – a perpetuação da espécie era o impulso primeiro. Hoje, quando de trogloditas passamos a ditos civilizados, o medo se revela no preconceito e continua atacando, mas não para nossa sobrevivência natural; para expressar nossa inferioridade assustada, vestida de arrogância. Que mata sob muitas formas, em guerras frequentes, por questões de raça, crença e outras, e na agressão a pessoas vitimadas pela calúnia, injustiça, isolamento e desonra. Às vezes, por um gesto fatal.
Que medo é esse que nos mostra tão destrutivos? Talvez a ideia de que “ele é diferente, pode me ameaçar”, estimulada pela inata maldade do nosso lado de sombra (ele existe, sim).
Nossa agressividade de animais predadores se oculta sob uma camada de civilização, mas está à espreita – e explode num insulto, na perseguição a um adversário que enxovalhamos porque não podemos vencê-lo com honra, ou numa bala nada perdida. Nessa guerra ou guerrilha usamos muitas armas: uma delas, poderosa e sutil, é a palavra. Paradoxais são as palavras, que podem ser carícias ou punhais. Minha profissão lida com elas, que desde sempre me encantam e me assombram: houve um tempo, recente, em que não podíamos usar a palavra “negro”. Tinha de ser “afrodescendente”, ou cometíamos um crime. Ora, ao mesmo tempo havia uma banda Raça Negra, congressos de Negritude... e afinal descobrimos que, em lugar de evitar a palavra, podíamos honrá-la. Lembremos que termos usados para agredir também podem ser expressões de afeto. “Meu nego”, “minha neguinha”, podem chamar uma pessoa amada, ainda que loura. “Gordo”, tanto usado para bullying, frequentemente é o apelido carinhoso de um amigo, que assim vai assinar bilhetes a pessoas queridas. Ao mesmo tempo, palavras como “judeu, turco, alemão” carregam, mais do que ignorância, um odioso preconceito.
De momento está em evidência a agressão racial em campos esportivos: “negro”, “macaco” e outros termos, usados como chibata para massacrar alguém, revelam nosso lado pior, que em outras circunstâncias gostaríamos de disfarçar – a grosseria, e a nossa própria inferioridade. Nesses casos, como em agressões devidas à orientação sexual, a atitude é crime, e precisamos da lei. No país da impunidade, necessitamos de punição imediata, severa e radical. Me perdoem os seguidores da ideia de que até na escola devemos eliminar punições do “sem limites”. Não vale a desculpa habitual de “não foi com má intenção, foi no calor da hora, não deem importância”. Temos de nos importar, sim, e de cuidar da nossa turma, grupo, comunidade, equipe ou país. Algumas doenças precisam de remédios fortes: preconceito é uma delas.
“Isso não tem jeito mesmo”, me dizem também. Acho que tem. É possível conviver de forma honrada com o diferente: minha família, de imigrantes alemães aqui chegados há quase 200 anos, hoje inclui italianos, negros, libaneses, portugueses. Não nos ocorreria amar ou respeitar a uns menos do que a outros: somos todos da velha raça humana. Isso ocorre em incontáveis famílias, grupos, povos. Porque são especiais? Não. Simplesmente entenderam que as diferenças podem enriquecer.
Num país que sofre de tamanhas carências em coisas essenciais, não devíamos ter energia e tempo para perseguir o outro, causando-lhe sofrimento e vexame, por suas ideias, pela cor de sua pele, formato dos olhos, deuses que venera ou pessoa que ama. Nossa energia precisa se devotar a mudanças importantes que o povo reclama. Nestes tempos de perseguição, calúnia, impunidade e desculpas tolas, só o rigor da lei pode nos impedir de recair rapidamente na velha selvageria. Mudar é preciso.
(LUFT, Lya. 10 de setembro, 2014 – Revista Veja.)