Questões de Concurso
Comentadas para nutricionista
Foram encontradas 38.031 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
1. Nível de ingestão máxima tolerável (UL) 2. Ingestão adequada (AI) 3. Quota diária recomendada (RDA) 4. Necessidade média estimada (EAR)
( ) É uma recomendação de nutrientes embasada em estimativas de médias de nutrientes, estabelecidas experimentalmente ou por meio de observações de um grupo (ou grupos) de pessoas saudáveis quando não estão disponíveis evidências científicas suficientes para se calcular as RDA ou uma EAR.
( ) É a quantidade de um nutriente com a qual cerca da metade dos indivíduos teria suas necessidades atendidas e metade não teria. Esta deve ser empregada para avaliar a adequabilidade nutricional das populações, mas não de indivíduos.
( ) Esta expressa a quantidade de um nutriente necessária para atender as necessidades de quase todos os indivíduos (97% a 98%) de uma população saudável para os quais ela foi desenvolvida. Esta para um nutriente deve servir como uma meta de ingestão para os indivíduos, não como uma referência para a adequabilidade de dietas de populações.
( ) Este foi estipulado para muitos nutrientes para diminuir o risco de efeitos adversos ou tóxicos do consumo de nutrientes em formas concentradas – isoladamente ou em combinação com outros (não no alimento) – ou por enriquecimento e fortificação.
Assinale a alternativa que possui a associação CORRETA:
( ) Anemias relacionadas a um volume corpuscular médio inferior a 80 fl (femtolitros) são definidas como microcíticas; aquelas com valores entre 80 e 99 fl são chamadas de normocíticas; e aquelas associadas a valores iguais ou superiores a 100 fl denominam-se macrocíticas.
( ) A anemia microcítica é mais comumente relacionada a deficiência de ferro e vitamina B6, à medida que a anemia macrocítica normalmente é ocasionada por eritropoiese deficiente por diversas causas, como por exemplo, pela insuficiência de folato ou vitamina B12.
( ) A anemia normocítica está relacionada à anemia das doenças crônicas e inflamatórias (ADC). Esse tipo de anemia está associado a doenças reumatológicas, insuficiência cardíaca crônica, infecção crônica, câncer, lesão tecidual grave, fraturas múltiplas e doença de Hodgkin.
( ) A anemia normocítica ou a macrocítica podem ser ocasionadas por perda sanguínea crônica ou aguda, como em decorrência de cirurgia recente, lesão ou teste de fezes positivo para sangue oculto.
( ) Anemias macrocíticas compreendem a anemia megaloblástica ou anemia por por deficiência de vitamina B12 e vitamina B6, e a anemia perniciosa ou anemia por deficiência de folato.
Assinale a alternativa CORRETA:
Leia o texto adiante e, em seguida, responda:
As palavras e o tempo
(Cristovão Tezza)
Ao chegar criança em Curitiba, em 1961, meu primeiro choque foi linguístico: um vendedor de rua oferecia “dolé”. Para quem não sabe, era picolé. O nome “dolé” me soava tão estranho que só a custo parecia se encaixar naquele objeto que eu sempre conhecera como “picolé”. Os anos se passaram e os dolés sumiram. A última vez que os vi foi nas ruínas de uma parede no litoral, onde se podia ler em letras igualmente arruinadas pelo tempo: “Fábrica de dolés”. Com o tempo, as estranhezas linguísticas vão ganhando outro contorno, mas sempre com a marca que o tempo vai deixando nas formas da língua. Lembro que, pouco a pouco, comecei a ouvir pessoas dizendo “emprestei do Fulano”, quando para meus ouvidos o normal seria “peguei emprestado do Fulano”; ou então emprestamos a ele. “Emprestar” só poderia ser “para alguém”; o contrário seria “pedir emprestado”. Mas em poucos anos o estranho passou a ser “pedir emprestado”, e a nova forma foi para o Houaiss. Um linguista diria que se trata de uma passagem sutil de formas analíticas para formas sintéticas. Quando o telefone começou a se popularizar, também se popularizou a forma “telefonar na tua casa”; assim, “eu telefono na casa do João” não significa ir até a casa do João para usar o telefone dele, que no início parecia a única interpretação possível, mas sim telefonar para a casa dele. E, com a multiplicação do dinheiro de plástico, pagar a conta com o cartão de crédito se transformou subrepticiamente em pagar a conta no cartão de crédito, o que sempre me pareceu esdrúxulo. Bem, sem dinheiro para pagar à vista, a gramática não importa mesmo, e vamos pagando no cartão.
A língua não para, mas seus movimentos nunca são claramente visíveis, assim como jamais conseguimos ver a grama crescer – súbito parece que ela já foi trocada por outra. O advento da informática e dos computadores é um manancial sem fim de palavras e expressões novas, ou expressões velhas transmudadas em outras. Um dos fenômenos mais interessantes, e de rápida consolidação, foi também a criação de verbos para substituir expressões analíticas. “Priorizar” ou “disponibilizar”, que parecem tão comuns, com um jeito de que vieram lá do tempo de Camões, na verdade não terão mais de vinte anos – e também já estão no Houaiss. Na antiquíssima década de 1980, dizíamos “dar prioridade a” e “tornar possível”. Bem, as novas formas ainda têm uma aura tecnocrática. Em vez de “disponibilizar os sentimentos”, preferimos ainda “abrir o coração”. Mas outras novidades acertam na veia: “deletar” entrou definitivamente no dia a dia das pessoas. Já ouvi gente confessar “deletei ela da minha vida”.
Piorou a língua? De modo algum. A língua continua inculta e bela como sempre, como queria o poeta. Ela sempre adiante – nós é que envelhecemos, e, às vezes, pela fala, parecemos pergaminhos de um tempo que passou.
20/09/2011
TEZZA, Cristovão, Um operário em férias, organização e apresentação Christian Schwartz; ilustrações Benett. – Rio de Janeiro: Record, 2013.