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Q2315297 Fonoaudiologia
O surgimento da linguagem expressiva ocorre durante os primeiros anos de vida da criança, período em que os fonemas são adquiridos e estabelecidos quanto às posições nas sílabas e nas palavras e de acordo com uma cronologia que é, ao que parece, similar para a maioria das crianças. Durante a aquisição fonológica, as crianças aprendem os sons usados na sua língua e de que forma são organizados. Os processos fonológicos são mudanças sistemáticas que afetam uma classe ou sequência de sons que ocorrem regularmente na fala da criança com o objetivo de simplificar os alvos dos adultos. Assinale a correspondência correta entre a transcrição fonética e o processo fonológico.
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Q2315296 Fonoaudiologia
O estudo das alterações de linguagem de etiologia neurológica é antigo. A afasia é um distúrbio da linguagem que pode comprometer tanto a compreensão quanto a expressão. Sabe-se que os sintomas da afasia foram descritos antes do século XX. Cabe ao fonoaudiólogo investigar amplamente as manifestações, considerando os modelos de processamento da linguagem. Em relação à afasia e suas manifestações, analise as afirmativas a seguir.

I. Supressão é a ausência total de uma emissão oral ou gráfica e perseveração é a manutenção da mesma resposta para estímulos distintos. As repetições perseverativas e involuntárias de um determinado comportamento em ambos os tipos de emissão caracterizam as estereotipias. A distorção na produção dos fonemas é observada na parafasia fonética e a inadequação na seleção é característica da parafasia fonêmica.
II. A afasia transcortical sensorial é classificada como fluente e apresenta deficit importante na compreensão; ao passo que a afasia transcortical motora é não-fluente, caracterizada por compreensão preservada, dificuldades na nomeação e repetição preservada. Nesta última, o paciente pode apresentar ecolalia, parafasias, perseverações, simplificação gramatical, mas evidencia boa articulação.
III. Apesar dos quadros variáveis, a maior parte dos pacientes com afasia apresenta características que são mais comumente observadas, como imprecisão na articulação das consoantes, monoaltura, monointensidade e velocidade de fala lenta. Por este motivo, a conduta terapêutica nos casos de afasia deve incluir os princípios do tratamento neuromuscular em sessões estruturadas, com estratégias voltadas para a maximização da fala.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q2315295 Fonoaudiologia
Nos primeiros anos de vida, as habilidades motoras orais desenvolvem-se rapidamente, tanto em relação ao crescimento estrutural quanto ao controle neurológico. Dificuldades alimentares podem ocasionar complicações nutricionais, problemas cognitivos, alterações no desenvolvimento e atraso na aquisição das habilidades alimentares, por exemplo. A presença de respostas hipersensíveis ou aversivas a texturas, sabores ou temperaturas de alimentos ou líquidos pode interferir na dinâmica de alimentação. Diversos fatores podem contribuir para as respostas, tais como imaturidade ou doença crônica, experiências táteis orais desagradáveis, introdução tardia da alimentação por via oral e alterações neurológicas. Considerando os diversos aspectos do desenvolvimento do processo de alimentação e as dificuldades alimentares na infância, analise as afirmativas a seguir.

I. A base das dificuldades alimentares e nutricionais costumam ser os distúrbios da deglutição considerando-se a morbidade e a mortalidade nesta população. Fatores como maturação adequada, coordenação motora fina e desenvolvimento sensorial são imprescindíveis para uma deglutição adequada.
II. Os primeiros sinais de movimentos de deglutição surgem por volta da 10ª semana gestacional. A partir daí o feto desenvolve diferentes habilidades motoras e sensitivas relacionadas à deglutição, cujo objetivo final é apresentar um mecanismo de alimentação maduro e seguro na fase neonatal. A deglutição, durante a vida intrauterina, exerce também um importante papel na regulação da circulação do líquido amniótico.
III. As dificuldades alimentares são resultado de uma série de fatores, tais como ambientais, nutricionais e sociais. Dessa maneira, podem se manifestar como irritabilidade, choro, movimentos de cabeça para evitar o alimento, extrusão de língua e arqueamento de corpo durante a alimentação. A má administração alimentar tem sido identificada como fator que contribui para exacerbação de problemas de alimentação e comportamentos inadequados de crianças durante a alimentação.

Está correto o que se afirma em
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Q2315294 Fonoaudiologia
Sabe-se que nos primeiros anos de vida ocorre a maturação do sistema nervoso, com maior crescimento cerebral e formação de novas conexões neuronais. Assim, as experiências vivenciadas pelas crianças nesse período são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades auditivas e de linguagem. Os processos da linguagem e da aprendizagem são bastante complexos, envolvem redes de neurônios distribuídas em diferentes regiões cerebrais e estabelecem relação de interdependência com a integridade auditiva periférica e central. O desenvolvimento e a maturação auditiva da criança seguem uma sequência padronizada de comportamentos que evoluem desde o nascimento. Sobre o desenvolvimento das habilidades auditivas, analise as afirmativas a seguir.

I. A habilidade de localização sonora ocorre a partir do 4º mês de vida e evolui com o aumento da idade da criança, de acordo com a sequência: localização no eixo horizontal; no eixo longitudinal; e, no eixo transversal.
II. Por volta dos dezoito meses de idade, a criança desenvolve a habilidade de responder às perguntas relacionadas a um evento ou história, caracterizando a habilidade de compreensão auditiva.
III. A discriminação auditiva está presente desde a 20ª semana gestacional, quando já é possível detectar e diferenciar dois sons, perceber se são iguais ou diferentes, assim como distinguir a voz da mãe dentre outras vozes.

Está correto o que se afirma em 
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Q2315293 Fonoaudiologia
O nervo facial origina-se no núcleo situado na ponte, emergindo da parte lateral do sulco bulbopontino. Em seguida, penetra no osso temporal pelo meato acústico interno, emerge do crânio pelo forame estilomastoideo, passa pela glândula parótida e se distribui aos músculos da mímica por meio de ramos. Considere que certo paciente sofreu um acidente vascular encefálico, cuja lesão envolveu neurônios motores piramidais do córtex frontal, responsáveis pelos movimentos voluntários, comprometendo apenas os movimentos do terço inferior da face. O caso descrito trata-se de paralisia:
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Q2315292 Fonoaudiologia
A Articulação Temporomandibular (ATM) é altamente especializada, bilateral, com movimentos próprios e simultâneos para cada lado. Representa a ligação articulada da mandíbula com a base do crânio, sendo composta por um conjunto de estruturas anatômicas que possibilitam que a mandíbula execute variados movimentos durante a mastigação. Os componentes ósseos e de tecidos moles apresentam características que, pelas dimensões da ATM, requerem exames de alta sensibilidade para detecção de alterações congênitas, neoplásicas, traumáticas, inflamatórias e degenerativas. O músculo que se relaciona diretamente com a ATM, denota como função abaixar a mandíbula e, ainda, sua contração desloca o mento para frente, realizando a protrusão mandibular, é:
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Q2314621 Enfermagem
As legislações que regem o SUS estabelecem diretrizes claras para a universalidade, integralidade, equidade e participação social, fornecendo um arcabouço legal que orienta a operação do sistema em todo o país. Além disso, asseguram a descentralização das responsabilidades e recursos, permitem a adaptação às necessidades locais e promovem a gestão participativa. A Lei nº 8.080/1990 e a Lei nº 8.142/1990 são marcos legais essenciais para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. No contexto de tais normativas, assinale a afirmativa correta.
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Q2314620 Enfermagem
Sistemas de informação em saúde, estruturas organizadas de coleta, processamento, armazenamento e disseminação de dados e informações relacionadas à saúde abrangem uma ampla gama de tecnologias e processos que ajudam na gestão, monitoramento e tomada de decisões no campo da saúde. Fornecem uma base sólida para planejamento, implementação e avaliação de políticas de saúde, além de auxiliar na melhoria da qualidade dos cuidados e na resposta a emergências de saúde pública. Sobre os sistemas de informação em saúde, assinale a afirmativa correta.
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Q2314619 Enfermagem
Os determinantes sociais de saúde são fatores e condições ligados ao ambiente social, econômico e cultural em que as pessoas vivem exercendo influência significativa sobre a saúde e o bem-estar. Tais determinantes são elementos externos que têm um impacto substancial no estado de saúde das populações. Neste contexto, determinante social da saúde é: 
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Q2314618 Saúde Pública
O Decreto Presidencial nº 7.508/2011 atua na regulamentação do SUS – Sistema Único de Saúde, definindo diretrizes e princípios essenciais. No contexto desse decreto, tal normativa
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Q2314617 Saúde Pública
No contexto dos Sistemas de Informação em Saúde – SIS, a interoperabilidade desempenha um papel crucial para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde e facilitar a troca eficaz de informações. A “interoperabilidade” 
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Q2314615 Saúde Pública
O controle social é um dos pilares fundamentais do SUS – Sistema Único de Saúde, desempenhando um papel essencial na fiscalização e na melhoria dos serviços de saúde. Sobre o controle social no SUS, é correto afirmar que
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Q2314614 Saúde Pública
A construção do SUS – Sistema Único de Saúde, foi um processo complexo que envolveu diversos marcos históricos e desafios. Considerando essa complexidade, foi um passo significativo na construção do SUS:
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Q2314613 Saúde Pública
O SUS, no Brasil, passou por uma evolução histórica desde a sua criação, marcada pela descentralização, elaboração de leis regulamentadoras, programas de saúde, expansão da cobertura e desafios enfrentados. Ao longo desse período, o sistema buscou garantir o acesso universal, integral e gratuito aos serviços de saúde, promovendo a participação social e avanços na melhoria da saúde da população, apesar de persistirem desafios como a necessidade de financiamento adequado e a redução de desigualdades regionais. Sobre a evolução histórica da organização do sistema de saúde no Brasil, assinale a afirmativa correta.
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Q2314612 Saúde Pública
O SUS – Sistema Único de Saúde, é um sistema de saúde público do Brasil, criado pela Constituição Federal de 1988. Ele tem como objetivo garantir o acesso universal, integral e gratuito aos serviços de saúde para todos os cidadãos brasileiros. É financiado por recursos públicos e oferece uma ampla gama de serviços de saúde, desde atenção básica até procedimentos complexos, visando promover a equidade e a qualidade no atendimento à saúde da população. É gerenciado em três esferas de governo: federal, estadual e municipal, sendo considerado um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo. Um dos princípios fundamentais do SUS é a universalidade, que, no contexto do SUS, significa:
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Q2314606 Direito Administrativo
Considerando a Lei nº 9.784/1999 e suas alterações, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, é INCORRETO afirmar que:
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Q2314602 Direito Administrativo
O novo regramento sobre Licitações e Contratos Administrativos foi instituído pela Lei nº 14.133/2021 e trouxe uma série de inovações, tais como os processos licitatórios ocorrerão, preferencialmente, por meios digitais conforme dispõe o Art. 12, inciso VI. As licitações presenciais viraram exceção, devem ser justificadas e ter as sessões obrigatoriamente registradas em ata e gravadas em áudio e vídeo. À luz da normativa em voga, assinale a afirmativa correta.
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Q2314594 Português
Consumismo e baixa autoestima formam círculo vicioso


         Comprar faz você feliz? Ninguém consegue negar o prazer de entrar em uma loja e comprar um produto ou serviço muito desejado. Mas, será que, passada a euforia momentânea, esta satisfação vai de fato ajudar a sustentar a sua felicidade?
       Numa visão mais panorâmica, consumir não é sinônimo de bem-estar. Apesar de ter aumentado o seu poder de consumo nos últimos 50 anos, a população dos Estados Unidos não sente uma melhora no seu bem-estar, segundo uma pesquisa da American Psychological Association. Em comparação às condições da década de 50, hoje os norte-americanos podem ter o dobro de carros por pessoa e comer fora de casa com uma frequência duas vezes maior – mas esse conforto não veio acompanhado de uma maior felicidade.
      E o que explica esse aparente contrassenso? Cientistas vêm constatando uma relação muito próxima, praticamente de retroalimentação, entre consumismo e baixa autoestima, além de ser relacionado a patologias como depressão e ansiedade.
        A relação entre baixa autoestima e materialismo é relativamente fácil de entender: a autoestima pode ser definida como o apreço que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos. Uma pessoa com baixa autoestima tende a “externalizar” o seu processo de valorização, ou seja, superestimar fatores externos.
      Isso pode ser ainda mais pronunciado nesta era das redes sociais, quando é comum buscar reconhecimento na aprovação de terceiros, por meio de curtidas e compartilhamentos. Além disso, somos bombardeados com imagens superproduzidas de viagens, eventos e refeições maravilhosas a todos os momentos, que muitas vezes alimentam um sentimento de inferioridade em relação aos “amigos” da rede social.
          Será que só eu sou inadequado na sociedade?
       Somado a isso, propagandas e anúncios trazem essa vida perfeita retratada de maneira muito acessível – basta adquirir o produto que está sendo vendido e tudo está resolvido. Mas, a expectativa é frustrada e a viagem divertida com os amigos não se manifesta magicamente após a compra daqueles óculos de sol, não nos tornamos executivos de sucesso imediatamente após comprar “aquele” carro e não entramos em forma apenas por comprar o tênis mais leve do mercado, insatisfações provocadas pelo discurso da publicidade de que comprar vai nos deixar mais felizes. Mas, neste sonho delirante, a única coisa que se torna realidade são as contas, que nem sempre se fecham no fim do mês. E os sentimentos de inadequação e frustração continuarão, afinal, as pessoas das redes sociais e das propagandas seguem levando as suas vidas aparentemente perfeitas, diminuindo ainda mais a autoestima. Continuaremos navegando pelas redes sociais e estaremos expostos a propagandas. E então, o que podemos fazer?
         Em primeiro lugar, ter consciência de que este é o processo já é um grande passo. Passamos a ter elementos para entender melhor o que se passa, ao menos racionalmente. Depois, vem o mais difícil: apropriarmos, com a mente e o coração, um sentido para a vida que vá muito além do consumo, que responda ao que é realmente importante na vida de cada um.
         Nesse sentido, a pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-estar, do Instituto Akatu, perguntou aos entrevistados o que eles consideravam ser felicidade. A resposta, para dois terços dos entrevistados, foi estar saudável e/ou ter sua família saudável.
       Conviver bem com a família e os amigos também foi apontado como fator de felicidade para 60% do público que respondeu à pesquisa. Isso mostra que a maior parte da sociedade brasileira compartilha a noção de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, a felicidade é encontrada no que temos de mais humano, o bem-estar físico próprio e daqueles de quem gostamos e o afeto em si pelos amigos e pela família. Não inclui o caminho do consumismo.
         Um outro fator a ser trabalhado no dia a dia, de maneira a enfraquecer ou quebrar o círculo vicioso da insatisfação no consumo e da autoestima, é estimular um diálogo aberto sobre a nossa autoimagem, nossos valores e a importância da aceitação da diversidade nos círculos dos quais fazemos parte, abrindo espaço para a autorreflexão e, por meio da troca de sentimentos e experiências, criar espaço para a percepção de que todos vivemos essas mesmas emoções e, com isso, nos valorizarmos a nós mesmos e aos outros.
        Inicia-se outro círculo, dessa vez virtuoso, que tende a ficar mais forte conforme as pessoas se sintam mais à vontade de ser quem elas de fato são. E assim, podendo identificar com mais facilidade o que realmente faz feliz ou pelo menos traz contentamento suficiente, a cada um de nós. E quase que certamente descobriremos que isso está muito longe de ter o último modelo de smartphone.

(Folha de S. Paulo. HÉLIO MATTAR. Acesso em: outubro de 2023.)
“Além disso, somos bombardeados com imagenssuperproduzidas de viagens, eventos e refeições maravilhosas a todos os momentos, que muitas vezes alimentam um sentimento de inferioridade em relação aos ‘amigos’ da rede social.” (5º§) É possível destacar o emprego de figura de linguagem no fragmento destacado anteriormente?
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Q2314593 Português
Consumismo e baixa autoestima formam círculo vicioso


         Comprar faz você feliz? Ninguém consegue negar o prazer de entrar em uma loja e comprar um produto ou serviço muito desejado. Mas, será que, passada a euforia momentânea, esta satisfação vai de fato ajudar a sustentar a sua felicidade?
       Numa visão mais panorâmica, consumir não é sinônimo de bem-estar. Apesar de ter aumentado o seu poder de consumo nos últimos 50 anos, a população dos Estados Unidos não sente uma melhora no seu bem-estar, segundo uma pesquisa da American Psychological Association. Em comparação às condições da década de 50, hoje os norte-americanos podem ter o dobro de carros por pessoa e comer fora de casa com uma frequência duas vezes maior – mas esse conforto não veio acompanhado de uma maior felicidade.
      E o que explica esse aparente contrassenso? Cientistas vêm constatando uma relação muito próxima, praticamente de retroalimentação, entre consumismo e baixa autoestima, além de ser relacionado a patologias como depressão e ansiedade.
        A relação entre baixa autoestima e materialismo é relativamente fácil de entender: a autoestima pode ser definida como o apreço que uma pessoa confere a si própria, permitindo-lhe ter confiança nos próprios atos e pensamentos. Uma pessoa com baixa autoestima tende a “externalizar” o seu processo de valorização, ou seja, superestimar fatores externos.
      Isso pode ser ainda mais pronunciado nesta era das redes sociais, quando é comum buscar reconhecimento na aprovação de terceiros, por meio de curtidas e compartilhamentos. Além disso, somos bombardeados com imagens superproduzidas de viagens, eventos e refeições maravilhosas a todos os momentos, que muitas vezes alimentam um sentimento de inferioridade em relação aos “amigos” da rede social.
          Será que só eu sou inadequado na sociedade?
       Somado a isso, propagandas e anúncios trazem essa vida perfeita retratada de maneira muito acessível – basta adquirir o produto que está sendo vendido e tudo está resolvido. Mas, a expectativa é frustrada e a viagem divertida com os amigos não se manifesta magicamente após a compra daqueles óculos de sol, não nos tornamos executivos de sucesso imediatamente após comprar “aquele” carro e não entramos em forma apenas por comprar o tênis mais leve do mercado, insatisfações provocadas pelo discurso da publicidade de que comprar vai nos deixar mais felizes. Mas, neste sonho delirante, a única coisa que se torna realidade são as contas, que nem sempre se fecham no fim do mês. E os sentimentos de inadequação e frustração continuarão, afinal, as pessoas das redes sociais e das propagandas seguem levando as suas vidas aparentemente perfeitas, diminuindo ainda mais a autoestima. Continuaremos navegando pelas redes sociais e estaremos expostos a propagandas. E então, o que podemos fazer?
         Em primeiro lugar, ter consciência de que este é o processo já é um grande passo. Passamos a ter elementos para entender melhor o que se passa, ao menos racionalmente. Depois, vem o mais difícil: apropriarmos, com a mente e o coração, um sentido para a vida que vá muito além do consumo, que responda ao que é realmente importante na vida de cada um.
         Nesse sentido, a pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-estar, do Instituto Akatu, perguntou aos entrevistados o que eles consideravam ser felicidade. A resposta, para dois terços dos entrevistados, foi estar saudável e/ou ter sua família saudável.
       Conviver bem com a família e os amigos também foi apontado como fator de felicidade para 60% do público que respondeu à pesquisa. Isso mostra que a maior parte da sociedade brasileira compartilha a noção de que, uma vez satisfeitas as necessidades básicas, a felicidade é encontrada no que temos de mais humano, o bem-estar físico próprio e daqueles de quem gostamos e o afeto em si pelos amigos e pela família. Não inclui o caminho do consumismo.
         Um outro fator a ser trabalhado no dia a dia, de maneira a enfraquecer ou quebrar o círculo vicioso da insatisfação no consumo e da autoestima, é estimular um diálogo aberto sobre a nossa autoimagem, nossos valores e a importância da aceitação da diversidade nos círculos dos quais fazemos parte, abrindo espaço para a autorreflexão e, por meio da troca de sentimentos e experiências, criar espaço para a percepção de que todos vivemos essas mesmas emoções e, com isso, nos valorizarmos a nós mesmos e aos outros.
        Inicia-se outro círculo, dessa vez virtuoso, que tende a ficar mais forte conforme as pessoas se sintam mais à vontade de ser quem elas de fato são. E assim, podendo identificar com mais facilidade o que realmente faz feliz ou pelo menos traz contentamento suficiente, a cada um de nós. E quase que certamente descobriremos que isso está muito longe de ter o último modelo de smartphone.

(Folha de S. Paulo. HÉLIO MATTAR. Acesso em: outubro de 2023.)
“Comprar faz você feliz?” (1º§) Considerando a primeira oração do texto, é possível reconhecer o estabelecimento adequado da concordância do verbo fazer na forma “faz”. A inadequação do emprego do verbo citado pode ser vista em (considerando o contexto das orações a seguir): 
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Q2314591 Português
A outra noite


       Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de Lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.
          Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
            – O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
           Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra – pura, perfeita e linda.
            – Mas, que coisa...
        Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.
          – Ora, sim senhor...
     E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um “boa noite” e um “muito obrigado ao senhor” tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.


(BRAGA, Rubem. In: Para gostar de ler – Volume II. São Paulo: Ática, 1992.)
“Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim: [...]” (2º§) Considerando o trecho destacado anteriormente, é possível identificar, por meio da linguagem e/ou estrutura utilizada, 
Alternativas
Respostas
12381: D
12382: B
12383: A
12384: B
12385: A
12386: C
12387: B
12388: D
12389: C
12390: D
12391: D
12392: D
12393: C
12394: B
12395: D
12396: D
12397: D
12398: A
12399: D
12400: B