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Q3135657 Português
Pandemia de Covid-19 afetou até a Lua; entenda

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando

Pesquisadores descobriram que a superfície da Lua pode ter sido indiretamente impactada pela pandemia da Covid-19. A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020.

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem
mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. E eles propõem que isso aconteceu devido à queda
da radiação emitida da Terra pela atividade humana, que diminuiu de forma significativa durante os períodos de isolamento. O estudo foi publicado no mês passado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.   

Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar.

"A Lua possivelmente sofreu o efeito do bloqueio da COVID-19, visualizado como uma diminuição anômala nas temperaturas
da superfície lunar noturna durante esse período", afirmaram os pesquisadores em seu relatório.

Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais
observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra. Os pesquisadores levantam a hipótese de
que esse resfriamento foi causado por uma queda repentina na radiação emitida pela Terra, à medida que a atividade humana
foi interrompida durante o bloqueio, o que por sua vez reduziu a quantidade de calor que escapava da atmosfera.

A primeira onda de Covid-19 impactou o mundo em março de 2020. Naquela época, as vacinas ainda não estavam disponíveis. Neste período, governos de todo mundo emitiram protocolos de lockdown rigorosos em uma tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. Em abril, aproximadamente metade da população global foi solicitada ou ordenada a ficar dentro de casa.

Isso reduziu significativamente a quantidade de radiação terrestre gerada na Terra. Isso porque o lockdown interrompeu
muitas atividades geradoras de gases de efeito estufa, como deslocamento, industrialização e mineração. Pesquisas
mostraram que as emissões globais diárias de CO² caíram cerca de 17% no início de abril de 2020, em comparação aos níveis médios de 2019.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/10/03/pandemia-de-covid-19-afetou-ate-a-lua-entenda.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo&sfnsn=wiwspwa. Acesso em: 14 out. 2024.
Em “Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra” (5º parágrafo), as vírgulas foram empregadas à esquerda e à direita do termo destacado, pois o objetivo foi demarcar:
Alternativas
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Q3135656 Português
Pandemia de Covid-19 afetou até a Lua; entenda

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando

Pesquisadores descobriram que a superfície da Lua pode ter sido indiretamente impactada pela pandemia da Covid-19. A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020.

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem
mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. E eles propõem que isso aconteceu devido à queda
da radiação emitida da Terra pela atividade humana, que diminuiu de forma significativa durante os períodos de isolamento. O estudo foi publicado no mês passado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.   

Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar.

"A Lua possivelmente sofreu o efeito do bloqueio da COVID-19, visualizado como uma diminuição anômala nas temperaturas
da superfície lunar noturna durante esse período", afirmaram os pesquisadores em seu relatório.

Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais
observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra. Os pesquisadores levantam a hipótese de
que esse resfriamento foi causado por uma queda repentina na radiação emitida pela Terra, à medida que a atividade humana
foi interrompida durante o bloqueio, o que por sua vez reduziu a quantidade de calor que escapava da atmosfera.

A primeira onda de Covid-19 impactou o mundo em março de 2020. Naquela época, as vacinas ainda não estavam disponíveis. Neste período, governos de todo mundo emitiram protocolos de lockdown rigorosos em uma tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. Em abril, aproximadamente metade da população global foi solicitada ou ordenada a ficar dentro de casa.

Isso reduziu significativamente a quantidade de radiação terrestre gerada na Terra. Isso porque o lockdown interrompeu
muitas atividades geradoras de gases de efeito estufa, como deslocamento, industrialização e mineração. Pesquisas
mostraram que as emissões globais diárias de CO² caíram cerca de 17% no início de abril de 2020, em comparação aos níveis médios de 2019.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/10/03/pandemia-de-covid-19-afetou-ate-a-lua-entenda.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo&sfnsn=wiwspwa. Acesso em: 14 out. 2024.
Em “Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar” (3º parágrafo), os verbos destacados estão respectivamente flexionados nos seguintes tempos do modo indicativo:
Alternativas
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Q3135655 Português
Pandemia de Covid-19 afetou até a Lua; entenda

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando

Pesquisadores descobriram que a superfície da Lua pode ter sido indiretamente impactada pela pandemia da Covid-19. A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020.

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem
mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. E eles propõem que isso aconteceu devido à queda
da radiação emitida da Terra pela atividade humana, que diminuiu de forma significativa durante os períodos de isolamento. O estudo foi publicado no mês passado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.   

Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar.

"A Lua possivelmente sofreu o efeito do bloqueio da COVID-19, visualizado como uma diminuição anômala nas temperaturas
da superfície lunar noturna durante esse período", afirmaram os pesquisadores em seu relatório.

Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais
observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra. Os pesquisadores levantam a hipótese de
que esse resfriamento foi causado por uma queda repentina na radiação emitida pela Terra, à medida que a atividade humana
foi interrompida durante o bloqueio, o que por sua vez reduziu a quantidade de calor que escapava da atmosfera.

A primeira onda de Covid-19 impactou o mundo em março de 2020. Naquela época, as vacinas ainda não estavam disponíveis. Neste período, governos de todo mundo emitiram protocolos de lockdown rigorosos em uma tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. Em abril, aproximadamente metade da população global foi solicitada ou ordenada a ficar dentro de casa.

Isso reduziu significativamente a quantidade de radiação terrestre gerada na Terra. Isso porque o lockdown interrompeu
muitas atividades geradoras de gases de efeito estufa, como deslocamento, industrialização e mineração. Pesquisas
mostraram que as emissões globais diárias de CO² caíram cerca de 17% no início de abril de 2020, em comparação aos níveis médios de 2019.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/10/03/pandemia-de-covid-19-afetou-ate-a-lua-entenda.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo&sfnsn=wiwspwa. Acesso em: 14 out. 2024.
“Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando” (2º parágrafo). Em seu contexto de uso, a palavra destacada tem sentido:
Alternativas
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Q3135654 Português
Pandemia de Covid-19 afetou até a Lua; entenda

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando

Pesquisadores descobriram que a superfície da Lua pode ter sido indiretamente impactada pela pandemia da Covid-19. A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020.

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem
mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. E eles propõem que isso aconteceu devido à queda
da radiação emitida da Terra pela atividade humana, que diminuiu de forma significativa durante os períodos de isolamento. O estudo foi publicado no mês passado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.   

Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar.

"A Lua possivelmente sofreu o efeito do bloqueio da COVID-19, visualizado como uma diminuição anômala nas temperaturas
da superfície lunar noturna durante esse período", afirmaram os pesquisadores em seu relatório.

Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais
observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra. Os pesquisadores levantam a hipótese de
que esse resfriamento foi causado por uma queda repentina na radiação emitida pela Terra, à medida que a atividade humana
foi interrompida durante o bloqueio, o que por sua vez reduziu a quantidade de calor que escapava da atmosfera.

A primeira onda de Covid-19 impactou o mundo em março de 2020. Naquela época, as vacinas ainda não estavam disponíveis. Neste período, governos de todo mundo emitiram protocolos de lockdown rigorosos em uma tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. Em abril, aproximadamente metade da população global foi solicitada ou ordenada a ficar dentro de casa.

Isso reduziu significativamente a quantidade de radiação terrestre gerada na Terra. Isso porque o lockdown interrompeu
muitas atividades geradoras de gases de efeito estufa, como deslocamento, industrialização e mineração. Pesquisas
mostraram que as emissões globais diárias de CO² caíram cerca de 17% no início de abril de 2020, em comparação aos níveis médios de 2019.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/10/03/pandemia-de-covid-19-afetou-ate-a-lua-entenda.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo&sfnsn=wiwspwa. Acesso em: 14 out. 2024.
“A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020” (1º parágrafo).  
Nesse trecho, a oração destacada pode ser classificada como:
Alternativas
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Q3135653 Português
Pandemia de Covid-19 afetou até a Lua; entenda

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando

Pesquisadores descobriram que a superfície da Lua pode ter sido indiretamente impactada pela pandemia da Covid-19. A equipe descobriu que as temperaturas noturnas na superfície lunar caíram significativamente durante o rigoroso período de bloqueio, de abril a maio de 2020.

Segundo um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Pesquisa de Física em Ahmedabad, na Índia, a Lua ficou bem
mais fria no início de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. E eles propõem que isso aconteceu devido à queda
da radiação emitida da Terra pela atividade humana, que diminuiu de forma significativa durante os períodos de isolamento. O estudo foi publicado no mês passado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.   

Eles acreditam que esse estranho fenômeno pode ser explicado por uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa durante o bloqueio, o que acabou levando ao resfriamento da superfície lunar.

"A Lua possivelmente sofreu o efeito do bloqueio da COVID-19, visualizado como uma diminuição anômala nas temperaturas
da superfície lunar noturna durante esse período", afirmaram os pesquisadores em seu relatório.

Pesquisadores observaram que, durante a noite lunar, a temperatura da superfície teve queda brusca em seis locais
observados no lado do nosso satélite natural que fica sempre voltado para a Terra. Os pesquisadores levantam a hipótese de
que esse resfriamento foi causado por uma queda repentina na radiação emitida pela Terra, à medida que a atividade humana
foi interrompida durante o bloqueio, o que por sua vez reduziu a quantidade de calor que escapava da atmosfera.

A primeira onda de Covid-19 impactou o mundo em março de 2020. Naquela época, as vacinas ainda não estavam disponíveis. Neste período, governos de todo mundo emitiram protocolos de lockdown rigorosos em uma tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. Em abril, aproximadamente metade da população global foi solicitada ou ordenada a ficar dentro de casa.

Isso reduziu significativamente a quantidade de radiação terrestre gerada na Terra. Isso porque o lockdown interrompeu
muitas atividades geradoras de gases de efeito estufa, como deslocamento, industrialização e mineração. Pesquisas
mostraram que as emissões globais diárias de CO² caíram cerca de 17% no início de abril de 2020, em comparação aos níveis médios de 2019.


Fonte: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2024/10/03/pandemia-de-covid-19-afetou-ate-a-lua-entenda.ghtml?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=OGlobo&sfnsn=wiwspwa. Acesso em: 14 out. 2024.
A leitura atenta do texto permite a conclusão de que a pandemia de covid foi capaz de:
Alternativas
Q3025563 Português
História de bem-te-vis

    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
As frases transcritas do texto apresentam o mesmo tempo verbal, EXCETO:
Alternativas
Q3025562 Português
História de bem-te-vis

    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
“O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões?” (7º§) A expressão “talvez”, destacada no trecho anterior, exprime circunstância de:
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
O travessão é um sinal de pontuação melódico e de valor expressivo. No excerto “E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença.” (4º§), o duplo travessão foi utilizado para:
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
Assinale, a seguir, o fragmento textual que expressa ideia de “contraste”.
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
Assinale o item em que o sinônimo da palavra destacada está INCORRETAMENTE indicado.
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História de bem-te-vis

    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


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“Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore.” (1º§) A expressão “por enquanto” pode ser substituída, sem alteração de sentido, por:
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
Segundo o texto, a autora:
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
A narradora, Cecília Meireles, deixa explícito o processo de extinção do bem-te-vi. É possível comprovar tal fato em:
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
Sabe-se que a contemporaneidade na obra de Cecília Meireles está principalmente nas crônicas. A partir da leitura do texto, assinale a afirmativa correta.
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    Com estas florestas de arranha-céus que vão crescendo, muita gente pensa que passarinho é coisa de jardim zoológico; e outras até acham que seja apenas antiguidade de museu. Certamente chegaremos lá; mas por enquanto ainda existem bairros afortunados onde haja uma casa, casa que tenha um quintal, quintal que tenha uma árvore. Bom será que essa árvore seja a mangueira. Pois nesse vasto palácio verde podem morar muitos passarinhos.
    Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e “querejuás todos azuis de cor finíssima...”. Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
    Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
    E é pena, pois com esse nome que tem – e que é a sua própria voz – devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
    O que leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: “...te-vi! ...te-vi”, com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras, achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
    Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão – como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? – animou-se a uma audácia maior. Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: “...vi! ...vi!...” o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
    O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol – que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam o leme dos seus brasões? (...)
    Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar. E cantava assim: “Bem-bem-bem...te –vi!”. Pensei: “É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!...”. Depois, o passarinho mudou. E fez: “Bem-te-te-te...vi!”. Tornei a refletir: “Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando...”. E o passarinho: “Bem-bem-bem...te-te-te... vi-vi-vi!”.
    Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: “Que engraçado! Um bem-te-vi gago!”.
    (É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)


(MEIRELES, Cecília. 1901-1964 – Escolha o seu sonho: (crônicas) – 26ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. Adaptado)
Observe as frases a seguir:

“Depois, o passarinho mudou.” (8º§)
“Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro.” (9º§)

Indique a função sintática exercida pelos termos destacados nas duas frases, respectivamente.
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Q2557030 Legislação dos Municípios do Estado da Bahia
São princípios que fundamentam a organização do Município, exceto:
Alternativas
Q2557029 Legislação dos Municípios do Estado da Bahia
Segundo a Lei Municipal nº 905/2003, readaptação é:
Alternativas
Q2557028 Legislação dos Municípios do Estado da Bahia
De acordo com a Lei Municipal nº 905/2003, são requisitos básicos para investidura em cargo público, exceto:
Alternativas
Q2557027 Legislação dos Municípios do Estado da Bahia
Para efeitos da Lei Municipal nº 1.039/2007, considera-se Grade:
Alternativas
Respostas
541: A
542: B
543: D
544: A
545: C
546: B
547: B
548: C
549: A
550: A
551: B
552: A
553: C
554: D
555: A
556: D
557: A
558: D
559: B
560: C