Questões de Concurso Comentadas para socorrista

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Q3747912 Segurança e Transporte
No serviço de urgência móvel, o condutor socorrista frequentemente enfrenta condições adversas no trânsito, como chuva intensa, neblina ou vias escorregadias.
Considerando a direção segura, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3747910 Noções de Primeiros Socorros
Em um acidente doméstico, uma vítima apresenta suspeita de fratura no antebraço, com dor intensa e deformidade visível.
Assinale CORRETAMENTE a conduta adequada do Corpo de Bombeiros no local antes do transporte:
Alternativas
Q3747909 Noções de Primeiros Socorros
Durante o atendimento pré-hospitalar (APH) a uma vítima de acidente automobilístico que apresenta um corte profundo e sangramento arterial ativo no braço, a prioridade máxima do Condutor Socorrista é controlar a hemorragia o mais rápido possível para prevenir o choque hipovolêmico. Assinale corretamente a primeira e mais eficaz conduta a ser realizada imediatamente no local para controlar esse tipo de sangramento em um membro:
Alternativas
Q3747908 Noções de Primeiros Socorros
Ao chegar em um local de acidente, você encontra uma vítima inconsciente, mas respirando.
Assinale CORRETAMENTE a ação inicial correta que o socorrista do SAMU deve realizar:
Alternativas
Q3747907 Noções de Primeiros Socorros
A atuação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) exige dos profissionais um entendimento sistêmico da rede de saúde (Tipos de Atenção) e uma conduta irrepreensível no trânsito e no cuidado ao paciente (Prevenção de Acidentes/Culpabilidade).
Considere as situações hipotéticas abaixo, que ilustram as diferentes formas de culpa na condução de um veículo de emergência:

I. Um condutor socorrista, ao realizar uma manobra de marcha à ré em alta velocidade para acessar um local de difícil acesso, colide com outro veículo estacionado, demonstrando falta de técnica e preparo para a manobra específica.
II. Um membro da equipe, responsável pela manutenção básica da ambulância, esquece de verificar o nível de óleo do motor por vários dias, o que leva à fundição do motor durante um atendimento.
III. Um condutor, em situação de urgência, trafega acima da velocidade permitida em uma via movimentada e, ao se aproximar de um cruzamento, não reduz a velocidade nem verifica a segurança, resultando em uma colisão lateral.

Assinale a alternativa que RELACIONA CORRETAMENTE as situações hipotéticas com os conceitos de culpa (Imperícia, Imprudência e Negligência):
Alternativas
Q3747906 Segurança e Transporte
A direção de veículos de emergência exige atenção especial à segurança do condutor, da equipe e de terceiros.
 Sobre direção preventiva e corretiva, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3747904 Legislação de Trânsito
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece regras fundamentais que todos os condutores devem seguir, incluindo aqueles que atuam em veículos de emergência, como as ambulâncias do SAMU.
Sobre essas regras, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3747903 Legislação de Trânsito
O Condutor Socorrista do SAMU deve conhecer as normas gerais de circulação e conduta previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para garantir a segurança do paciente, da equipe e de terceiros.
Considerando essas normas, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3746668 Noções de Informática
É essencial compreender os tipos de licenciamento de software, seus direitos de uso e limitações.
Sobre os tipos de licenciamento de software, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746667 Noções de Informática
Na utilização eficiente de motores de busca, é importante conhecer operadores booleanos e filtros avangados, que permitem refinar resultados e localizar informações com precisão.
A respeito dessas técnicas, assinale as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746666 Redes de Computadores
Analise as afirmativas a seguir sobre os protocolos da camada de aplicação do modelo TCP/IP (com foco em HTTP/HTTPS, FIP, SMIP e POP3/IMAP), considerando suas funcionalidades, mecanismos de segurança e modelos de interação (cliente-servidor):

I O protocolo HTTPS opera sobre a porta 443 e, ao contrário do HTTP (porta 80), utiliza o encapsulamento TLS/SSL para criptografar o payload da camada de aplicação. Contudo, o cabeçalho IP e o cabeçalho TCP (incluindo endereço IP de origem/destino e portas) permanecem visíveis em tráfego de rede não inspecionado.
II O FTP (File Transfer Protocol) emprega um modelo de controle de conexão out-of-band, estabelecendo uma conexão TCP na porta 21 para comandos (controle) e, tipicamente, uma conexão TCP efémera separada na porta 20 (ou outra porta em modo passivo) para a transferência de dados.
III Os protocolos SMTP, POP3 e IMAP são usados para correio eletrônico. O SMTP é um protocolo push (envio) que move mensagens do cliente para o servidor (ou entre servidores), enquanto POP3 e IMAP são protocolos pull (recebimento), sendo que o IMAP, por padrão, transfere a mensagem do servidor para o cliente e a exclui do servidor remoto.
IV. Uma característica comum a todos os protocolos listados (HTTP/HTTPS, FTP, SMTP, POP3/IMAP) é que eles operam em modo connection-oriented, utilizando o protocolo TCP (Transmission Control Protocol) como seu serviço de transporte subjacente para garantir a entrega confiável e ordenada dos dados da aplicação.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas CORRETAS:
Alternativas
Q3746665 Noções de Informática
No contexto de análise e organização de dados, o Microsoft Excel oferece ferramentas avançadas que permitem automatizar cálculos, gerar relatórios dinâmicos e controlar a integridade das informações.
Considerando —essas funcionalidades, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Alternativas
Q3746664 Segurança da Informação
 A proteção de sistemas e dados depende da adoção de boas práticas, incluindo criação de senhas seguras, autenticação em dois fatores (2FA) e o uso de softwares antivírus e antimalware.
A respeito dessas medidas, analise as alternativas e assinale a CORRETA: 
Alternativas
Q3746663 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque o dietista acha que preciso perder peso”, o termo “porque” expressa:
Alternativas
Q3746662 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.


Assinale a alternativa em que todas as palavras recebem acento gráfico pela mesma regra de acentuação, conforme a norma padrão.
Alternativas
Q3746661 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Qual das reescrituras abaixo mantém a correção e a colocação pronominal adequada do trecho “Ninguém me perdoaria o vício”?
Alternativas
Q3746660 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

No trecho “Quem estará acordado agora?”, o verbo “estar” exige:
Alternativas
Q3746659 Português
TEXTO 3


Insônia infeliz e feliz


De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral de Almeida, dietista, acha que preciso perder os quatro quilos que aumentei com a superalimentação depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais.  Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me telefonem no meio da noite pois posso estar dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.


Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente acordar no meio da noite e ter essa coisa rara: solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar batendo na praia. E tomo café com gosto, toda sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada. É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu, o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa vai acordando e há o reencontro com meus filhos sonolentos.



Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Segundo a autora, a insônia pode ser considerada um “dom” quando: 
Alternativas
Q3746658 Português
TEXTO 2


A flor e a náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.


Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.


Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.


Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Em “os ferozes padeiros do mal”, a palavra “ferozes” exerce função de: 
Alternativas
Q3746656 Português
TEXTO 2


A flor e a náusea


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?


Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.


Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.


Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.


Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.


Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.


Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.


Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.


Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.


Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.


Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.


Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Em “É feia. Mas é uma flor que rompe o asfalto”, o termo “que” desempenha função de:
Alternativas
Respostas
1: C
2: B
3: C
4: B
5: D
6: C
7: B
8: D
9: A
10: B
11: A
12: B
13: B
14: C
15: B
16: D
17: C
18: B
19: C
20: B