Questões de Concurso Comentadas para médico clínico

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Q3754652 Medicina
Mulher de 48 anos apresenta quadro de dor abdominal epigástrica e em hipocôndrio direito e um nível sérico elevado de lipase (1.270 U/L). Os antecedentes incluem hipertensão arterial, obesidade e dislipidemia em uso de losartana, anlodipino e ezetimiba. A ultrassonografia e tomografia do abdome são relevantes para: dilatação discreta a montante do ducto pancreático; acúmulo de gordura peripancreática, sem qualquer coleção de fluidos. Não há antecedente de pancreatite. Ela é tratada com fluidos intravenosos e analgésicos; seu quadro melhorou significativamente, recebeu alta hospitalar após 4 dias.

Nessa paciente, a maior probabilidade para a etiologia da pancreatite é:
Alternativas
Q3754650 Medicina
Homem de 46 anos refere fraqueza progressiva no braço direito há 6 semanas, evoluindo com confusão crescente e dificuldades para encontrar palavras há 1 semana. O histórico é relevante para HIV positivo, mas sem uso de antirretrovirais, pois abandonou o tratamento há 3 anos. O exame neurológico revela força de 3/5 no membro superior direito e afasia de expressão. Ressonância magnética do encéfalo: há múltiplas lesões discretas na substância branca cortical e nos gânglios da base, que são hiperintensas nas sequências ponderadas em T2. Contagem de CD4: 125/mm3 . Carga viral do HIV: 45.200 cópias/mL. VDRL, antígeno criptocócico sérico e IgG para toxoplasma são negativos.

Considerando a principal hipótese diagnóstica dessa evolução, o melhor tratamento é:
Alternativas
Q3754649 Medicina
Mulher de 44 anos tem diabetes mellitus tipo 2 bem controlada nos últimos anos com um regime de múltiplas injeções diárias de insulina: 6 UI da lispro no início das refeições (com escala de correção de 1 UI para cada 50 mg/ dL quando a glicemia é superior a 150 mg/dL); 34 UI de insulina glargina à noite. A paciente expressa consternação com a carga do tratamento, pois as múltiplas injeções diárias de insulina e a necessidade de verificações frequentes da glicemia são muitas vezes inconvenientes. Ela também está preocupada com o ganho de peso de 6,8 kg no último ano. Seu registro de glicemia demonstra um controle glicêmico razoável, mas com hiperglicemia pós-prandial variável. Ao exame físico: pressão arterial: 130 x 82 mmHg; frequência cardíaca: 76 bpm; IMC: 34,2 kg/m²; não há adiposidade supraclavicular/nucal ou estrias abdominais. Exames séricos: hemoglobina A1c: 7,2%; anticorpos antidescarboxilase do ácido glutâmico: indetectáveis.

Nessa paciente, o melhor próximo passo no tratamento é:
Alternativas
Q3754648 Medicina
Mulher de 63 anos com histórico de 5 anos de doença de Parkinson (DP) idiopática é atendida em acompanhamento de rotina. Seu exame motor está estável, e ela considera que seu regime de terapia dopaminérgica é adequado. No entanto, seu afeto está embotado, e ela descreve várias queixas, incluindo perda de interesse em atividades sociais, redução do apetite, aumento do sono e sensação de desesperança.

Qual afirmação é correta em relação a essa paciente?
Alternativas
Q3754647 Medicina
Homem de 68 anos com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE de 32%) devido à cardiomiopatia não isquêmica é avaliado em consulta de retorno. Nega edema ou ortopneia, mas relata dispneia e fadiga ao subir ladeiras ou carregar compras. Os medicamentos em uso são: metoprolol: 50 mg, duas vezes ao dia; enalapril: 10 mg, duas vezes ao dia; furosemida: 20 mg/dia; espironolactona: 25 mg/dia. Ao exame físico: frequência cardíaca: 62 bpm; pressão arterial: 108 x 65 mmHg; pressão venosa jugular é medida em 8 cmH2O; ausculta pulmonar limpa; não há edema de membros inferiores. Exames séricos: potássio: 4,5 mEq/dL; creatinina: 1,2 mg/dL.

Constitui o próximo passo de maior relevância
Alternativas
Q3754645 Medicina
Homem de 60 anos com pré-diabetes é atendido para acompanhamento anual. Refere uso de anlodipino (10 mg/dia), aspirina (100 mg/dia), clopidogrel (75 mg/ dia) e atorvastatina (80 mg – meio-comprimido/dia; fala que o comprimido inteiro causa muitas dores nas pernas). Seu peso tem oscilado entre 85 e 90 kg, e refere caminhar pelo menos 10.000 passos na maioria dos dias da semana. Ele se sente bem, mas apresentou um episódio de ataque isquêmico transitório há uma semana, cuja tomografia de crânio foi normal. Ao exame físico: bom estado geral; pressão arterial: 119 x 79 mmHg; frequência cardíaca: 80 bpm; IMC: 31 kg/m²; não há déficits neurológicos focais. Exames séricos da semana anterior: glicemia de jejum: 116 mg/dL; hemoglobina A1c: 6,3%; creatinina sérica: 1,2 mg/dL; alanina aminotransferase: 52 U/L; aspartato aminotransferase: 35 U/L; colesterol total: 170 mg/dL; HDL: 46 mg/dL; LDL: 80 mg/dL; triglicerídeos: 220 mg/dL.

Nesse paciente, o próximo passo de maior relevância é:
Alternativas
Q3754644 Medicina
Homem de 45 anos é avaliado com sintomas de mal­ -estar, ganho de peso e intolerância ao frio. Ele tem hipotireoidismo autoimune primário em uso de tiroxina (100 mcg/dia) há 5 anos. Há 6 semanas, foi diagnosticado com tuberculose pulmonar, iniciando o tratamento com as 4 drogas recomendadas. Perfil da tireoide coletado há 3 dias: T4 livre: 0,79 ng/dL (normal: 0,9 a 1,8); TSH: 10,4 mU/L (normal: 0,35 a 5,5); anticorpo anti-TPO: positivo.

A explicação mais provável para seus sintomas e resultados bioquímicos é:
Alternativas
Q3754643 Medicina
Homem de 66 anos, sem outros problemas de saúde, é atendido na atenção primária como consulta ambulatorial de retorno. No seu prontuário, consta que ele recebeu a vacina pneumocócica 23-valente (PVC23) há um ano. O paciente questiona se precisa tomar outra dose.

Nessa circunstância, a recomendação correta é:
Alternativas
Q3754642 Medicina
Homem de 52 anos é avaliado em primeira consulta. O paciente é hipertenso e faz uso regular de hidroclorotiazida (25 mg/dia), atenolol (100 mg/dia) e anlodipino (10 mg/dia). Não há etilismo, tabagismo ou uso de drogas. Ao exame físico: IMC: 40 kg/m²; frequência cardíaca: 50 bpm; pressão arterial: 150 x 80 mmHg no braço direito e 154 x 86 mmHg no braço esquerdo. Exames séricos no momento do diagnóstico da hipertensão: sódio: 138 mEq/L; potássio 3,2 mEq/L; ureia: 31 mg/dL; creatinina: 0,8 mg/dL; TSH: 3 mUI/mL (normal: 0,5 a 5,0).

O exame inicial recomendado para a avaliação inicial da etiologia da hipertensão é:
Alternativas
Q3754641 Medicina
Considerando o conceito de prevenção quaternária (PQ) no contexto da atenção primária à saúde, sua principal finalidade é:
Alternativas
Q3754639 Medicina
Em uma Unidade Básica de Saúde, o médico acompanha uma paciente de 47 anos com dor lombar crônica e sintomas depressivos leves. Durante as consultas, percebe que as queixas físicas estão relacionadas a sobrecarga emocional e a dificuldades familiares. Ele decide reunir a equipe multiprofissional para compreender melhor o contexto social, familiar e emocional da paciente e, em conjunto com ela, construir um plano de cuidado que envolva acompanhamento psicológico, fisioterapia e apoio familiar.

A ferramenta da atenção primária que melhor orienta essa conduta é o
Alternativas
Q3754638 Saúde Pública
Em uma reunião de equipe na UBS, um médico propõe criar grupos de caminhada e oficinas de culinária saudável voltadas a pessoas com hipertensão e diabetes, com o objetivo de fortalecer vínculos, estimular o autocuidado e compartilhar a responsabilidade pelo tratamento entre equipe e usuários.

Considerando os princípios do Programa Nacional de Humanização (PNH) do SUS, essa iniciativa expressa de forma mais direta o princípio denominado
Alternativas
Q3754637 Saúde Pública
Durante uma consulta de rotina, uma paciente de 65 anos, saudável, manifesta preocupação em prevenir o Herpes­-Zóster após um familiar ter apresentado complicações graves. Ela pergunta ao médico da Unidade Básica de Saúde sobre a disponibilidade da vacina. Segundo as diretrizes atuais do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a conduta correta é
Alternativas
Q3754635 Saúde Pública
Em uma reunião de avaliação de indicadores de saúde, uma equipe técnica da secretaria municipal analisa dados sobre mortalidade infantil, incidência de doenças infecciosas e esperança de vida ao nascer. O objetivo é identificar qual indicador expressa, de forma mais ampla, o resultado acumulado das condições de vida, da cobertura de políticas públicas e da qualidade dos serviços de saúde, permitindo comparações consistentes entre diferentes regiões e períodos.

O indicador que melhor cumpre com essa função é:
Alternativas
Q3754633 Medicina
O médico atende um paciente de 55 anos, assintomático, com índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m2 e histórico familiar de diabetes mellitus tipo 2. Durante a consulta, aproveita para aconselhar o paciente a intensificar a prática de exercícios físicos e a aderir a uma dieta mediterrânea, a fim de reduzir seu risco cardiovascular e metabólico.

Essa ação específica pode ser classificada como Prevenção
Alternativas
Q3754632 Saúde Pública
Um técnico de enfermagem sofre um acidente perfuro-cortante durante a administração de medicação em um paciente internado em hospital público. O serviço de saúde realiza o atendimento imediato, com limpeza do ferimento e coleta de exames para controle sorológico.

Com relação à notificação desse acidente no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), é correto afirmar que
Alternativas
Q3754631 Saúde Pública
A Constituição Federal de 1988 define as bases do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelece as diretrizes fundamentais para que as ações e serviços públicos de saúde componham uma rede regionalizada e hierarquizada.

Com base nesse dispositivo constitucional, é correto afirmar que
Alternativas
Q3754630 Medicina
Um médico atuando na Estratégia Saúde da Família do município atende uma mulher de 32 anos com queixa e corrimento vaginal persistente há duas semanas. A paciente relata que já utilizou, por conta própria, um tratamento anteriormente prescrito, sem sucesso. Ela também menciona que sua parceira sexual apresenta sintomas semelhantes. Após o exame clínico e a coleta de exames complementares, o médico institui o tratamento adequado.

Considerando as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e os princípios da integralidade e resolutividade da atenção, a conduta mais apropriada é 
Alternativas
Q3754629 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Quando a ciência encontra o humano: a trajetória de um médico que enfrenta o câncer de próstata


      Hoje, apresento a minha aula da vida: não apenas como médico e pesquisador, mas como alguém que viveu no próprio corpo aquilo que estuda diariamente – o câncer de próstata.

   O resultado do exame trouxe uma verdade incômoda: mesmo conhecendo profundamente a medicina e tendo acesso à tecnologia mais avançada, eu estava vulnerável como qualquer homem.

     Diante de três caminhos, precisei escolher. O primeiro, o mais tradicional, seria a cirurgia imediata, mas com chance maior de falhas. O segundo, apelidado por mim de “mítico”, reunia promessas milagrosas e pouco resultado real. E o terceiro, o mais longo, exigia paciência e disciplina: uma preparação com novos medicamentos que reduzem a força do tumor, seguida da cirurgia. Foi esse que abracei, por acreditar na ciência e confiar que a pesquisa moderna ainda pode abrir portas para resultados mais consistentes.

     A escolha, no entanto, não me poupou do peso emocional. Os efeitos do tratamento foram intensos: um esvaziamento da energia, da disposição e até da identidade masculina. Era como se apagassem um motor vital. Mas não me entreguei. Segui com disciplina, exercícios e trabalho, buscando manter vivo o meu propósito. Passei a sentir na pele o que tantos pacientes me confidenciaram ao longo dos anos. Entendi, de forma brutal e transformadora, que, por trás de cada prontuário, há uma vida em suspensão, esperando uma resposta, um gesto de esperança.
    
   O que era previsível mudou de repente: novos exames mostraram que minha chance de resposta era mínima. Pensei em desistir e partir logo para a cirurgia. Mas respirei fundo e investiguei a resposta ao tratamento. Um exame avançado revelou que o tumor havia encolhido mais de 80%. Segui até o fim do protocolo. A cirurgia, então, foi um sucesso: o tumor removido, as funções recuperadas, a vida retomada. A ciência havia cumprido seu papel, mas o processo inteiro me ensinou que a jornada emocional pode ser tão ou mais difícil do que a jornada clínica.

    O câncer me tirou certezas e dogmas, mas me deu algo maior: a capacidade de olhar diferente para cada paciente, para cada vida que confia em mim. Não sou mais o mesmo médico, e esse é, hoje, o meu maior prêmio. Sou alguém que já atravessou a tempestade e, por isso, pode oferecer mais que técnica: pode oferecer presença, escuta e humanidade.


(Fabrício Carrerette. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 01.10.2025. Adaptado)
A concordância está em conformidade com a norma­-padrão em:
Alternativas
Q3754628 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão:


Quando a ciência encontra o humano: a trajetória de um médico que enfrenta o câncer de próstata


      Hoje, apresento a minha aula da vida: não apenas como médico e pesquisador, mas como alguém que viveu no próprio corpo aquilo que estuda diariamente – o câncer de próstata.

   O resultado do exame trouxe uma verdade incômoda: mesmo conhecendo profundamente a medicina e tendo acesso à tecnologia mais avançada, eu estava vulnerável como qualquer homem.

     Diante de três caminhos, precisei escolher. O primeiro, o mais tradicional, seria a cirurgia imediata, mas com chance maior de falhas. O segundo, apelidado por mim de “mítico”, reunia promessas milagrosas e pouco resultado real. E o terceiro, o mais longo, exigia paciência e disciplina: uma preparação com novos medicamentos que reduzem a força do tumor, seguida da cirurgia. Foi esse que abracei, por acreditar na ciência e confiar que a pesquisa moderna ainda pode abrir portas para resultados mais consistentes.

     A escolha, no entanto, não me poupou do peso emocional. Os efeitos do tratamento foram intensos: um esvaziamento da energia, da disposição e até da identidade masculina. Era como se apagassem um motor vital. Mas não me entreguei. Segui com disciplina, exercícios e trabalho, buscando manter vivo o meu propósito. Passei a sentir na pele o que tantos pacientes me confidenciaram ao longo dos anos. Entendi, de forma brutal e transformadora, que, por trás de cada prontuário, há uma vida em suspensão, esperando uma resposta, um gesto de esperança.
    
   O que era previsível mudou de repente: novos exames mostraram que minha chance de resposta era mínima. Pensei em desistir e partir logo para a cirurgia. Mas respirei fundo e investiguei a resposta ao tratamento. Um exame avançado revelou que o tumor havia encolhido mais de 80%. Segui até o fim do protocolo. A cirurgia, então, foi um sucesso: o tumor removido, as funções recuperadas, a vida retomada. A ciência havia cumprido seu papel, mas o processo inteiro me ensinou que a jornada emocional pode ser tão ou mais difícil do que a jornada clínica.

    O câncer me tirou certezas e dogmas, mas me deu algo maior: a capacidade de olhar diferente para cada paciente, para cada vida que confia em mim. Não sou mais o mesmo médico, e esse é, hoje, o meu maior prêmio. Sou alguém que já atravessou a tempestade e, por isso, pode oferecer mais que técnica: pode oferecer presença, escuta e humanidade.


(Fabrício Carrerette. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 01.10.2025. Adaptado)
Não me entreguei       ideias negativas e segui com disciplina, exercícios e trabalho       fim de manter vivo o meu propósito e chegar bem       cirurgia. Depois de atravessar a tempestade, posso oferecer       meus pacientes mais do que técnica: presença, escuta e humanidade.

Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Alternativas
Respostas
701: C
702: A
703: E
704: B
705: C
706: A
707: C
708: B
709: A
710: D
711: A
712: D
713: E
714: A
715: D
716: E
717: C
718: C
719: E
720: B