Questões de Concurso Comentadas para analista (superior)

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Q877261 Português

                           Namorados Angustiados


      Por que não há, no Tinder - ou em qualquer aplicativo que queira formar verdadeiros casais - a opção "descreva as suas angústias"?

      O que nos une, nos identifica, não são nossos gostos e nossas qualidades.

      O que nos identifica, na verdade, são as nossas angústias em comum.

      Freud escreveu que a única emoção sincera que temos é ela, a angústia.

      Todas as outras características que temos são falsas. Invenções de nós a nós mesmos.

      Só se conhece alguém de verdade quando se conhece suas angústias.

      Kierkegaard dizia que a angústia é a possibilidade de liberdade - e o medo desta possibilidade. "O puro sentimento do possível".

      O melhor namorado, a melhor namorada, é aquele ou aquela que tem as mesmas angústias que você.

      E os relacionamentos mais duradouros são os baseados na afinidade não das levezas, mas das angústias de um casal.

      Amor verdadeiro não é aquele no qual os dois gostam de praia (ou montanha), do mesmo sabor de sorvete, das mesmas' piadas.

      Amor verdadeiro é o dos que passam uma noite em claro porque o bebê está com febre, ou porque o aluguel está atrasado. É dos que já esqueceram a última vez em que tiveram algum tempo para, com calma, tomar um sorvete juntos.

      Amor verdadeiro não é aquele dos que dormem de conchinha e se presenteiam no dia dos namorados.

      É o dos que dormem agarrados, angustiados, porque têm certeza de que um dia a relação irá terminar. Dos que sabem que toda noite é preciosa, porque é uma de um número finito delas.

      Amor verdadeiro é o dos que acham, juntos, que o mundo vai acabar amanhã.

      Não é o dos que gostam de malhar juntos e planejam comprar uma casa própria com serenidade e organização financeira. Não é daqueles que vemos uma foto, encontramos num jantar, e passamos anos acreditando, felizes, em tudo o que a pessoa diz.

      Amor verdadeiro é aquele que sabe que nunca dizemos a verdade. Nem para nós mesmos. Muito menos para nós mesmos.

      O amor que a gente inventa faz um bem danado. 

      Já o amor verdadeiro não faz bem à saúde.

      A verdade nos intoxica.

      A mentira nos salva.

      Amor verdadeiro não é aquele que faz o coração bater mais rápido.

      Amor verdadeiro é aquele que dá gastrite braba.

      Nos dois.

      Ao mesmo tempo.

      É match de estômago.

      É crush de angústias.

                                     (Dodô Azevedo / Fonte: Acesso em 14/6/2017.)

Assinale a alternativa que substitui corretamente a palavra em destaque no trecho abaixo.


“Dos que sabem que toda noite é preciosa, porque é uma de um número finito delas.”

Alternativas
Q877260 Português

                           Namorados Angustiados


      Por que não há, no Tinder - ou em qualquer aplicativo que queira formar verdadeiros casais - a opção "descreva as suas angústias"?

      O que nos une, nos identifica, não são nossos gostos e nossas qualidades.

      O que nos identifica, na verdade, são as nossas angústias em comum.

      Freud escreveu que a única emoção sincera que temos é ela, a angústia.

      Todas as outras características que temos são falsas. Invenções de nós a nós mesmos.

      Só se conhece alguém de verdade quando se conhece suas angústias.

      Kierkegaard dizia que a angústia é a possibilidade de liberdade - e o medo desta possibilidade. "O puro sentimento do possível".

      O melhor namorado, a melhor namorada, é aquele ou aquela que tem as mesmas angústias que você.

      E os relacionamentos mais duradouros são os baseados na afinidade não das levezas, mas das angústias de um casal.

      Amor verdadeiro não é aquele no qual os dois gostam de praia (ou montanha), do mesmo sabor de sorvete, das mesmas' piadas.

      Amor verdadeiro é o dos que passam uma noite em claro porque o bebê está com febre, ou porque o aluguel está atrasado. É dos que já esqueceram a última vez em que tiveram algum tempo para, com calma, tomar um sorvete juntos.

      Amor verdadeiro não é aquele dos que dormem de conchinha e se presenteiam no dia dos namorados.

      É o dos que dormem agarrados, angustiados, porque têm certeza de que um dia a relação irá terminar. Dos que sabem que toda noite é preciosa, porque é uma de um número finito delas.

      Amor verdadeiro é o dos que acham, juntos, que o mundo vai acabar amanhã.

      Não é o dos que gostam de malhar juntos e planejam comprar uma casa própria com serenidade e organização financeira. Não é daqueles que vemos uma foto, encontramos num jantar, e passamos anos acreditando, felizes, em tudo o que a pessoa diz.

      Amor verdadeiro é aquele que sabe que nunca dizemos a verdade. Nem para nós mesmos. Muito menos para nós mesmos.

      O amor que a gente inventa faz um bem danado. 

      Já o amor verdadeiro não faz bem à saúde.

      A verdade nos intoxica.

      A mentira nos salva.

      Amor verdadeiro não é aquele que faz o coração bater mais rápido.

      Amor verdadeiro é aquele que dá gastrite braba.

      Nos dois.

      Ao mesmo tempo.

      É match de estômago.

      É crush de angústias.

                                     (Dodô Azevedo / Fonte: Acesso em 14/6/2017.)

Acerca do texto, leia as proposições abaixo.


I. Para o autor, o amor verdadeiro é só daqueles que sofrem juntos e têm os mesmos medos.

II. Para o autor, o amor verdadeiro é aquele que nunca mente.

III. 0 amor verdadeiro é daqueles que sabem que, por medo, jamais haverá separação.


É correto o que se afirma em

Alternativas
Q877259 Português

Sobre concordância verbal, leia as proposições abaixo.


I. A multidão de grevistas tomaram a avenida principal.

II. Fui eu quem escolheu o repertório da festa.

III. Mais de dez pessoas não esteve presente na assembleia geral.


Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q877256 Português

Sobre regência verbal, leia as proposições abaixo.


I. Os vizinhos, quando chegam do trabalho, agradam a barriga do cachorro.

II. Para não ser deselegante, compareci ao evento da Karina.

III. É importante proteger aos animais.


Assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q877255 Português

                                 O Diamante


      Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.

      Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.

      Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:

      — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.

      Jovelino reuniu a familia e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:

      — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia...

      Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.

       E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:

      — Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...

      — Encontrou? — perguntei, já aflito.

      — Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.

      O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho. 

                                                                                    (Fernando Sabino)

Assinale a alternativa que apresenta a mesma função sintática do trecho em destaque.


“Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu...”

Alternativas
Q877254 Português

                                 O Diamante


      Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.

      Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.

      Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:

      — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.

      Jovelino reuniu a familia e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:

      — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia...

      Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.

       E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:

      — Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...

      — Encontrou? — perguntei, já aflito.

      — Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.

      O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho. 

                                                                                    (Fernando Sabino)

Assinale a alternativa que substitui corretamente a palavra em destaque no trecho abaixo.


“A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele."

Alternativas
Q877253 Português

                                 O Diamante


      Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.

      Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.

      Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:

      — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.

      Jovelino reuniu a familia e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:

      — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia...

      Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.

       E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:

      — Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...

      — Encontrou? — perguntei, já aflito.

      — Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.

      O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho. 

                                                                                    (Fernando Sabino)

Observe a palavra destacada na frase “Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.” Assinale a alternativa em que NÃO se produz sentido semelhante.
Alternativas
Q877252 Português

                                 O Diamante


      Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.

      Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.

      Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:

      — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.

      Jovelino reuniu a familia e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:

      — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia...

      Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.

       E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:

      — Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...

      — Encontrou? — perguntei, já aflito.

      — Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.

      O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho. 

                                                                                    (Fernando Sabino)

Assinale a alternativa em que a palavra destacada possui a mesma classificação morfológica que a palavra em destaque na frase abaixo:


“Vivia ao deus-dará — e Deus não dava."

Alternativas
Q877251 Português

                                 O Diamante


      Em 1933, Jovelino, garimpeiro no interior da Bahia, concluiu que ali não havia mais nada a garimpar. Os filhos viviam da mão pra boca, Jovelino já não via jeito de conseguir com que prover o sustento da família. E resolveu se mandar para Goiás, onde Anápolis, a nova terra da promissão, atraía a cobiça dos garimpeiros de tudo quanto era parte, com seus diamantes reluzindo à flor da terra. Jovelino reuniu a filharada, e com a mulher, o genro, dois cunhados, meteu o pé na estrada.

      Longa era a estrada que levava ao Eldorado de Jovelino: quase um ano consumiu ele em andança com a sua tribo, pernoitando em paióis de fazendas, em ranchos de beira caminho, em chiqueiros e currais, onde quer que lhe dessem pasto e pousada.

      Vai daí Jovelino chegou aos arredores de Anápolis depois de muitas luas e ali se estabeleceu, firme no cabo da enxada, cavando a terra e encontrando pedras que não eram diamantes. Daqui para ali, dali para lá, ano vai, ano vem, Jovelino existia de nômade com seu povinho cada vez mais minguando de fome. Comia como podia — e não podia. Vivia ao deus-dará — e Deus não dava. Quem me conta é o filho do fazendeiro de quem Jovelino se tornou empregado:

      — Ao fim de dez anos ele concluiu que não encontraria diamante nenhum, e resolveu voltar com sua família para a Bahia onde a vida, segundo diziam, agora era melhorzinha. Não dava diamante não, mas o governo prometia emprego seguro a quem quisesse trabalhar.

      Jovelino reuniu a familia e botou pé na estrada, de volta à terra de nascença, onde haveria de morrer. Mais um ano palmilhado palmo a palmo em terra batida, vivendo de favor, Jovelino e sua obrigação, de vez em quando perdendo um, que isso de filho é criação que morre muito. Foi nos idos de 43:

      — Chegou lá e se instalou no mesmo lugar de onde havia saído. Governo deu emprego não. Plantou sua rocinha e foi se aguentando. Até que um dia...

      Até que um dia de noite Jovelino teve um sonho. Sonhou que amanhava a terra e de repente, numa enxadada certeira, a terra escorreu... A terra escorreu e aos seus olhos brilhou, reluziu, faiscou, resplandeceu um diamante soberbo, deslumbrante como uma imensa estrela no céu — como uma estrela no céu? Como o próprio olho de Deus! Jovelino olhou ao redor de seu sonho e viu que estava em Anápolis, no mesmo sítio em que tinha desenterrado a sua desilusão.

       E para lá partiu, dia seguinte mesmo, arrastando sua cambada. Levou nisso um entreano, repetindo pernoites revividos, tome estrada! Deu por si em terra de novo goiana. Quem me conta é o filho do fazendeiro:

      — Você precisava de ver o furor com que Jovelino procurou o diamante de seu sonho. A terra de Goiás ficou para sempre revolvida, graças à enxada dele. De vez em quando desmoronava, Jovelino ia ver, não era um diamante, era um calhau. Até que um dia...

      — Encontrou? — perguntei, já aflito.

      — Encontrou nada! Empregou-se na fazenda de meu pai, o tempo passou, os filhos crescidos lhe deram netos, a mulher já morta e enterrada, livre dos cunhados, os genros bem arranjados na vida. Um deles é coletor em Goiânia.

      O próprio Jovelino, entrado em anos, era agora um velho sacudido e bem disposto, que tinha mais o que fazer do que cuidar de garimpagens. Mas um dia não resistiu: passou a mão na sua enxada, e sem avisar ninguém, o olhar reluzente de esperança, partiu à procura do impossível, do irreal, do inexistente diamante de seu sonho. 

                                                                                    (Fernando Sabino)

De acordo com o texto, considere as proposições abaixo.


I. Jovelino, mesmo na velhice, ainda sonhava em encontrar o precioso diamante.

II. Jovelino passou dez anos procurando o diamante e só resolveu voltar para a Bahia quando recebeu uma promissora proposta de trabalho do governo.

III. Jovelino resolveu voltar a Anapólis após a morte de um dos seus filhos.


É correto o que se afirma em

Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785593 Serviço Social

Analise as afirmativas referentes à Resolução CFESS nº 469, de 13 de maio de 2005.

I. O fórum máximo de deliberação da profissão de assistência social é o Encontro Nacional CFESS/CRESS, que será convocado anualmente, na forma estabelecida pelo respectivo Estatuto.

II. O Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Serviço Social mantêm com os órgãos de administração pública vínculo funcional e hierárquico, subordinado ao Ministério de Assistência Social.

III. O mandato dos conselheiros é exercido em caráter honorífico, considerado serviço público relevante, sem direito a remuneração.

Conforme o disposto na Lei nº 8.662/93, está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785592 Serviço Social

Sobre a profissão de assistente social, analise as afirmativas a seguir.

I. Somente os possuidores de diploma em curso de graduação em serviço social, oficialmente reconhecido, expedido por estabelecimento de ensino superior existente no País, devidamente registrado no órgão competente, poderão exercer a profissão de assistente social.

II. Cabe ao Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e aos Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) representar, em juízo e fora dele, os interesses gerais e individuais dos assistentes sociais, no cumprimento da legislação pertinente.

III. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) contarão cada um com nove membros efetivos, eleitos dentre os assistentes sociais, por via direta, para um mandato de dois anos, prorrogável por igual período.

Conforme o disposto na Lei nº 8.662/93, está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785590 Contabilidade Geral

A empresa Mais ou Menos Ltda realizou as seguintes operações no mês de março de 2015 com um único produto:

Imagem associada para resolução da questão

Sabendo que a empresa utiliza-se do método PEPS para avaliação de estoques, o saldo final em valor e o custo da mercadoria vendida é de, respectivamente:

Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785586 Gestão de Pessoas
Lidar com dados e informações de forma confiável e segura é estratégico para as organizações atuais, para tanto é essencial que as empresas possuam sistemas de informações que interliguem as diversas funções e processos que são executados rotineiramente, permitindo que os diferentes níveis organizacionais possam acessá-los e utilizá-los para subsidiar o processo de tomada de decisão. Sobre alguns dos diversos bancos de dados que devem ser interligados e que são utilizados para o funcionamento eficiente de um setor de gestão de pessoas, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785585 Gestão de Pessoas
Nos últimos anos, as organizações vêm investindo cada vez mais em seu patrimônio de maior valor: as pessoas. O capital humano vem se consolidando como o ativo mais importante nas empresas, uma vez que são as pessoas que detêm o conhecimento, as habilidades e as técnicas necessárias para a implementação dos diversos processos organizacionais, por isso as organizações acompanham de perto, através da avaliação de desempenho, a produtividade de seus colaboradores frente às suas atribuições. Com relação às principais razões pelas quais as empresas estão preocupadas em avaliar o desempenho de seus funcionários estão, EXCETO:
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Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785584 Gestão de Pessoas

As organizações e as pessoas não se encontram ao acaso. As empresas recrutam no mercado de trabalho pessoas que se encaixam em suas políticas, em suas crenças, em suas estratégias organizacionais e, principalmente, pessoas com o perfil desejado para a execução de determinadas funções. Trata-se de uma escolha recíproca, que depende de diversas circunstâncias e que pode ser influenciada pela “lei da oferta e da procura”. Com relação às diferentes formas de recrutamento, classifique as afirmativas em “recrutamento interno” ou “recrutamento externo”.

• “Recrutamento _____________: os cargos vagos são preenchidos pelos próprios funcionários que são selecionados e promovidos dentro da organização.”

• “Recrutamento _____________: os candidatos são desconhecidos pela organização e precisam ser testados e avaliados pelo processo seletivo.”

• “Recrutamento _____________: as oportunidades de emprego são oferecidas ao mercado, cujos candidatos podem disputá-las.”

• “Recrutamento _____________: os candidatos já são conhecidos pela organização, pois já foram avaliados, já passaram por testes e por programas de treinamento anteriores.”

Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as afirmativas anteriores

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Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785583 Administração de Recursos Materiais
Um dos principais objetivos da correta gestão de estoques é evitar que produtos armazenados, com baixa rotatividade, possam se deteriorar ou ficarem obsoletos. O principal método para se identificar materiais com baixa rotatividade é através do cálculo do “giro de estoques”. Assim, considere que “a empresa ‘Mix Produtos’ atua no setor de autopeças, tendo vendas anuais em torno de R$ 1.850.000,00, sendo que o seu custo anual de vendas é de R$ 581.000,00 e o seu lucro anual é de R$ 85.000,00 e tendo em seus estoques um investimento de R$ 140.000,00”. Com base nos dados disponibilizados, qual é o giro de estoque?
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Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785582 Administração de Recursos Materiais

A seleção de modais de transporte depende de uma série de fatores de mercado, como o custo, a disponibilidade, a capacidade ou a sua adequação ao produto transportado, dentre outros. É certo que a escolha correta de um modal de transporte é determinante para o preço final do produto e para o nível de serviço prestado em um determinado mercado consumidor. Sobre os diversos modais de transporte disponíveis no mercado, bem como suas principais características, analise as afirmativas a seguir, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) O modal rodoviário é mais adequado para rotas curtas de produtos acabados ou semiacabados. Oferece entregas razoavelmente mais rápidas e confiáveis de cargas parceladas.

( ) O modal ferroviário é considerado o mais rápido e recomendado para o transporte de pequenas cargas em pequenas distâncias.

( ) O modal aéreo é considerado um transporte de baixo valor de frete, sendo recomendado, portanto, para produtos de baixo valor agregado.

( ) O modal dutoviário, apesar de lento, pode funcionar durante 24 horas sem descanso. Possui alto investimento de construção mais baixo investimento de manutenção.

A sequência está correta em

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Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785581 Administração de Recursos Materiais
Para que uma organização possa implementar suas atividades administrativas, de vendas ou de produção de forma satisfatória, um fator determinante é o atendimento eficiente às necessidades de suprimentos da empresa. O setor de compras é o responsável por suprir a organização de todas as suas necessidades materiais, sendo, portanto, considerado de natureza estratégica. Sobre as atividades centrais de um departamento de compras, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785580 Gestão de Pessoas

As organizações estão inseridas atualmente em um ambiente em que as mudanças acontecem de uma forma cada vez mais rápida. É constante a necessidade de que as empresas se adaptem a novos padrões, metodologias e, principalmente, a novas tecnologias. Diante disso, é fundamental que os gestores estejam sempre atentos com relação ao treinamento e desenvolvimento de seus colaboradores, fator essencial para a sobrevivência da empresa em um mercado dinâmico e competitivo. De acordo com as quatro etapas que compõem o processo de treinamento, relacione-as adequadamente às suas características.

1. Diagnóstico.

2. Desenho.

3. Implementação.

4. Avaliação


( ) Elaboração do programa de treinamento para atender às necessidades diagnosticadas.

( ) Verificação dos resultados obtidos com o treinamento.

( ) Aplicação e condução do programa de treinamento.

( ) Levantamento das necessidades de treinamento a serem satisfeitas.

A sequência está correta em

Alternativas
Ano: 2017 Banca: CONSULPLAN Órgão: CFESS Prova: CONSULPLAN - 2017 - CFESS - Analista |
Q785579 Administração de Recursos Materiais

O maior objetivo de qualquer serviço logístico é o de alcançar a qualidade no fluxo de bens e serviços prestados aos seus clientes. Para alcançar esta qualidade, é necessário que diversos processos inerentes à cadeia logística sejam executados de forma satisfatória. O nível de serviço logístico é, portanto, um conjunto de diversos elementos que podem ser agrupados em três diferentes estágios durante a aquisição de um produto ou serviço: pré-transação, transação e pós-transação. Sobre os diversos elementos que compõem o “nível de serviço logístico”, classifique-os em: 1 – elementos pré-transação; 2 – elementos de transação; e, 3 – elementos de pós-transação.

( ) Disponibilidade de estoque.

( ) Políticas de entrega e devoluções.

( ) Rede de atendimento para garantia e reparos.

( ) Tempo de entrega do pedido.

( ) Sistema de rastreamento do produto.

( ) Opções de transporte para a entrega.

A sequência está correta em

Alternativas
Respostas
18321: B
18322: A
18323: B
18324: D
18325: B
18326: C
18327: D
18328: B
18329: A
18330: D
18331: A
18332: D
18333: D
18334: A
18335: A
18336: B
18337: C
18338: D
18339: B
18340: A