Questões de Concurso Comentadas para procurador jurídico

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Q1751609 Noções de Informática
Leia o texto abaixo e responda a pergunta.
    O Microsoft Word é um processador de texto produzido pela Microsoft Office foi criado por Richard Brodie para computadores IBM PC com o sistema operacional DOS em 1983. Mais tarde foram criadas versões para o Apple Macintosh (1984), SCO UNIX e Microsoft Windows (1989).
    Hoje o Office 2016 funciona em PC's, Mac's, smartphones, tablets e na nuvem, mesmo em computadores que não têm o Office instalado. Ele é totalmente integrado com o OneDrive, e é compatível com telas sensíveis ao toque. 
Existem inúmeras funções que podem ser executadas no Microsoft Word. Leia as afirmativas a seguir, e assinale “V” quando verdadeiro ou “F” quando falso. ( ) No Word podemos criar e imprimir Envelopes e Etiquetas de inúmeros Destinatários, a partir de um banco de dados de endereços. ( ) No Word podemos utilizar a ferramenta de Substituir para editar um documento, e alterar com apenas um clique várias palavras, frases e inclusive caracteres especiais (Ex: parágrafos, tabulações, Quebra de Página, Quebra de Seções, entre outros.). ( ) o Microsoft Word consegue Abrir e Editar apenas arquivos de sua extensão, que são “.doc e .docx”. ( ) O Microsoft Word do pacote office 2016 é uma ferramenta gratuita e pode ser baixada e utilizada por estudantes, pessoas físicas e até empresas sem custo algum. ( ) Para criação de tabelas não é possível a utilização do Word, sendo recomendado então a utilização do Microsoft Excel.
Alternativas
Q1751608 Noções de Informática
Leia o texto abaixo e responda a pergunta.
    O Microsoft Word é um processador de texto produzido pela Microsoft Office foi criado por Richard Brodie para computadores IBM PC com o sistema operacional DOS em 1983. Mais tarde foram criadas versões para o Apple Macintosh (1984), SCO UNIX e Microsoft Windows (1989).
    Hoje o Office 2016 funciona em PC's, Mac's, smartphones, tablets e na nuvem, mesmo em computadores que não têm o Office instalado. Ele é totalmente integrado com o OneDrive, e é compatível com telas sensíveis ao toque. 
Dentre as ferramentas do Microsoft Word, existe a de alinhamento de parágrafo, assinale a alternativa que apresenta a indicação correta, entre o ícone e função de cada um dos tipos:
Alternativas
Q1751602 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Tendo em vista o processo de formação de algumas palavras, julgue as afirmações em Verdadeiras (V) e Falsas (F): ( ) O termo "neutralidade" vem do adjetivo "neutro" com acréscimo de sufixo. ( ) Um exemplo de derivação parassintética é o termo "intranquilidade". ( ) "possivelmente" é um exemplo de formação de advérbio por prefixação. ( ) "Autoenganosas" - termo formado por justaposição.
Alternativas
Q1751600 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Com relação ao uso e às categorias da partícula "que", tem-se as afirmações: I. "... com o humor ácido que lhe era próprio" - trata-se de pronome relativo e poderia ser substituído por "o qual" sem perda de sentido; II. "...a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores..." - neste caso, a conjunção integrante é acompanhada da proposição para completar o sentido do verbo "depender"; III. "... Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo..." - a conjunção integrante subordinativa introduz uma oração substantiva objetiva direta. Está(ão) correta(s):
Alternativas
Q1751599 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Dentre as palavras retiradas do texto, apenas uma não sofreu alteração na Nova Ortografia. Assinale-a:
Alternativas
Q1751598 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Tendo como base o trecho "...somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas...", assinale a alternativa em que as alterações mantiveram as regras da norma culta:
Alternativas
Q1751597 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
No quarto parágrafo, o termo "capital" na expressão "condenação capital" só não pode ser substituído por:
Alternativas
Q1751596 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Analise as afirmações: I. Em "... o humor ácido que lhe era próprio" - o pronome pessoal em destaque pode ser substituído por "a ele" sem perda de sentido; II. No trecho "... a afetação mútua não se dê como fato..." - a próclise não é o uso mais aceitável pela norma culta, portanto deveria ser feita ênclise (dê-se); III. "... serve para que se falseie o que se deseja apresentar..." - a próclise nos dois casos destacados é correta gramaticalmente, dada a presença da partícula "que". Está(ão) correta(s):
Alternativas
Q1751595 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
A que o autor se refere com o trecho "O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo..."?
Alternativas
Q1751594 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Segundo o autor, sobre o uso do léxico:
Alternativas
Q1751593 Português
Para responder à pergunta, leia a reportagem de João Jonas Veiga Sobral (professor de Língua Portuguesa e orientador educacional) intitulada "A ansiedade é medo e desejo" para a Revista Educação (disponível em < https://www.revistaeducacao.com.br/coluna-ansiedade/>). 
    Nelson Rodrigues, com o humor ácido que lhe era próprio, afirmou: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser tigre eternamente. Um leão há de preservar, até a morte, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo”.
    Para o bem e para o mal, o ser humano é condenado a fazer escolhas, seguir e abandonar caminhos e ideias, acender velas para Deus e para o Diabo, inventar a si e ao próprio mundo. O ser e o estar exigem de cada um de nós assumir um ponto de vista, uma condição social, uma identidade, uma margem do rio. Não se consegue o tempo todo viver na neutralidade ou na isenção absolutas. Não se interage com os outros sem que a afetação mútua não se dê como fato e como interpretação.
    Fazemos escolhas que nos representam e nos reafirmam, mas também fazemos escolhas fraudulentas – autoenganosas, em busca de alguma vantagem ou de um menor prejuízo. Falsificamo-nos também e o mundo com a dissimulação, ora hipócrita ora necessária. E também falsificamos o mundo com a pintura, com a música, com a literatura, com a expressão artística em geral, com a linguagem, com a figuração.
    Em nossa condenação capital, humana e diária de falsificar ou reinventar o mundo com as escolhas que fazemos, somos também sentenciados a recorrer ao léxico e fazer nele as escolhas que reflitam, escondam, sugiram, reafirmem nossas intencionalidades. “Tenha um bom dia, cavalheiro.” Em uma simples frase como essa, a depender do que ocorreu antes entre os interlocutores, não se pode dizer que o desejo expresso de “bom dia” seja a verdadeira intenção do enunciador. Em O segredo do Bonzo, Machado de Assis vaticina: “… se uma cousa pode existir na opinião, sem existir na realidade, e existir na realidade, sem existir na opinião, a conclusão é que das duas existências paralelas a única necessária é a da opinião, não da realidade, que é apenas conveniente”. A ironia, figura de linguagem predominante nos textos de Machado, é fundamental nesse jogo de ser e parecer, uma vez que ela mesma é um recurso linguístico que contribui para que aquilo que se enuncia seja uma falsificação – já que desdiz o dito, afirma o contrário do que se afirma.
    Quando escolhemos uma determinada palavra para expressar o que pensamos, podemos fazer um recorte de seu sentido, conforme nosso gosto e intenção. O dicionário Michaelis assim define a palavra ansiedade: “1 Sofrimento físico e psíquico; aflição, agonia, angústia, ânsia, nervosismo. 2 Estado emocional frente a um futuro incerto e perigoso no qual um indivíduo se sente impotente e indefeso. 3 Desejo ardente ou veemente; anelo. 4 Sentimento e sensação de intranquilidade, medo ou receio”.
    O filósofo e pensador cristão Sören Kierkegaard propõe que ansiedade é um desejo daquilo que tememos, um temor daquilo que desejamos. É um poder estranho que agarra o indivíduo sem que ele possa desvencilhar-se dele, nem queira desvencilhar-se, pois tem medo disso. Mas esse medo é também um desejo.
    Evidentemente que outros já se debruçaram sobre o tema e sobre a palavra, e óbvio que há outras acepções e sinônimos para ela. O recorte feito por mim ilustra a tese que defendo, ou seja, podemos escolher as palavras e suas acepções para apresentar em uma enunciação uma mensagem, uma ideia, mas também serve para que se falseie o que se deseja apresentar também.
    Quando se elege entre os sinônimos disponíveis para ansiedade os sentidos de “aflição, amargura, medo, nervosismo, consternação”, busca-se, possivelmente, apresentar o caráter negativo desse termo. Em contrapartida, na escolha das acepções “rapidez, voracidade, precaução, prevenção”, pode-se desejar atribuir à ansiedade um valor positivo.
    Nem sempre, nas delicadas relações humanas, podemos ser transparentes nas enunciações e revelar nossa cara lavada, como sugere Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa: “E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos / desencaixotar as minhas emoções verdadeiras / Desembrulhar-me e ser eu”.
    Neste mundo cheio de intenções e gestos, somos condenados, como dizia o Nelson, a falsear a si e ao mundo. E a palavra é a nossa máscara.
Sobre o texto, não se pode afirmar:
Alternativas
Q2051020 Legislação dos Municípios do Estado da Paraíba
Segundo o Código Tributário do Município de Mataraca, Estado da Paraíba, incluem-se entre os contribuintes do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza os abaixo elencados, estando incorreto o da alternativa:
Alternativas
Q2051019 Legislação dos Municípios do Estado da Paraíba
De acordo com o Código Tributário do Município de Mataraca, Estado da Paraíba, Considera-se ocorrido o fato gerador do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza no primeiro dia de cada ano, para o contribuinte, que já obteve, em exercício passado, o deferimento da sua inscrição no Cadastro Mobiliário Fiscal da Prefeitura Municipal de Mataraca, que será classificado como:
Alternativas
Q2051018 Legislação dos Municípios do Estado da Paraíba
Segundo a Lei Orgânica do Município de Mataraca, Estado da Paraíba, ao se tratar da competência exclusiva da Câmara Municipal, afirmar-se que é de sua competência tomar e julgar as contas do prefeito, apreciando o parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas do Estado, no prazo máximo de sessenta dias de seu recebimento, observado, dentre outros critérios, que o parecer do Tribunal somente deixará de prevalecer por decisão de determinado quórum dos membros da Câmara. Assinale a alternativa onde consta corretamente tal quórum:  
Alternativas
Q2051017 Direito Urbanístico
Considerando a Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, qual dos itens abaixo não é um dos instrumentos da política urbana, considerando os institutos jurídicos e políticos: 
Alternativas
Q2051016 Direito Ambiental
De acordo com a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, afirma-se que a servidão ambiental poderá ser onerosa ou gratuita, temporária ou perpétua. Especificamente, o prazo mínimo da servidão ambiental temporária é de:
Alternativas
Q2051015 Direito Financeiro
Sobre a teoria e as regras legais do direito financeiro, considerando ainda as medidas do princípio da legalidade aplicável a este ramo do direito, sabe-se há três modalidades de créditos adicionais: os créditos suplementares, os créditos especiais e os créditos extraordinários. Assinale a alternativa que destaque a diferença entre eles:
Alternativas
Q2051014 Direito Financeiro
Sobre as regras para a elaboração da Lei do Orçamento, existentes na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, é certo afirmar que não se admitirão emendas ao projeto de Lei de Orçamento que visem os temas abaixo, não estando contido no rol da lei o conteúdo da alternativa: 
Alternativas
Q2051013 Direito Financeiro
Conforme dito na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, a proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder Legislativo, nos prazos estabelecidos nas Constituições e nas Leis Orgânicas dos Municípios, compor-se-á de alguns elementos. Dentre eles, a proposta conterá uma mensagem, onde deverá constar o conteúdo abaixo, exceto
Alternativas
Q2051012 Direito Constitucional
A Constituição estabelece três leis orçamentárias em nosso ordenamento, de iniciativa do Poder Executivo: o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual. Ultrapassadas algumas fases, uma vez consolidada a proposta, a mesma será encaminhada para análise conjunta das duas casas do Congresso Nacional, que a fará por meio de um de Comissão Mista Permanente. Existe a possibilidade de alteração posterior desses projetos, por iniciativa do próprio Presidente da República via mensagem encaminhada ao Congresso Nacional, em determinada condição.
Assinale a alternativa que demonstra corretamente a condição citada:
Alternativas
Respostas
4961: B
4962: D
4963: C
4964: A
4965: B
4966: C
4967: E
4968: C
4969: A
4970: B
4971: D
4972: C
4973: D
4974: A
4975: D
4976: E
4977: B
4978: C
4979: E
4980: A