Questões de Concurso Comentadas para agente de saneamento

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Q894910 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


PREDESTINAÇÃO


Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.

Pois chamava-se Mário Lago.

Viu a luz sob o signo de Piscis.

Brilhava no céu a constelação de Aquário.

Veio morar no Rio.

Quando discutia, sempre levava um banho.

Pois era um temperamento transbordante.

Sua arte preferida: água-forte.

Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".

Sua piada favorita: "Ser como o rio:

seguir o curso sem deixar o leito".

Pois estudava: engenharia hidráulica.

Quando conheceu uma moça de primeira água.

Foi na onda.

Teve que desistir dos estudos quando

já estava na bica para se formar.

Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.

Donde desceu até ser leiteiro.

Encarregado de pôr água no leite.

Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha.

Mas ela o traiu com um escafandrista.

E fugiu sem dizer água vai.

Foi aquela água.

Desde então ele só vivia na chuva

Virou pau de água.

Portanto, com hidrofobia.

Foi morar numa água-furtada.

Deu-lhe água no pulmão.

Rim flutuante.

Água no joelho.

Hidropsia.

Bolha d’água.

Gota.

Catarata.

Morreu afogado.


FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora Círculo do Livro: São Paulo, 1975. p. 50.

A figurativização no texto se constrói por meio do uso de diversas metáforas. Em “estava na bica para se formar”, a metáfora denota um sentido de
Alternativas
Q894909 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


PREDESTINAÇÃO


Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.

Pois chamava-se Mário Lago.

Viu a luz sob o signo de Piscis.

Brilhava no céu a constelação de Aquário.

Veio morar no Rio.

Quando discutia, sempre levava um banho.

Pois era um temperamento transbordante.

Sua arte preferida: água-forte.

Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".

Sua piada favorita: "Ser como o rio:

seguir o curso sem deixar o leito".

Pois estudava: engenharia hidráulica.

Quando conheceu uma moça de primeira água.

Foi na onda.

Teve que desistir dos estudos quando

já estava na bica para se formar.

Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.

Donde desceu até ser leiteiro.

Encarregado de pôr água no leite.

Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha.

Mas ela o traiu com um escafandrista.

E fugiu sem dizer água vai.

Foi aquela água.

Desde então ele só vivia na chuva

Virou pau de água.

Portanto, com hidrofobia.

Foi morar numa água-furtada.

Deu-lhe água no pulmão.

Rim flutuante.

Água no joelho.

Hidropsia.

Bolha d’água.

Gota.

Catarata.

Morreu afogado.


FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora Círculo do Livro: São Paulo, 1975. p. 50.

O nome do protagonista Mário Lago é um elemento que garante a coerência do título “Predestinação” com o texto, o que se pode afirmar, portanto, que o nome dado ao personagem é fruto de uma
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Q894905 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Seca em Goiás deixa reservatório no nível mais baixo da história: 8%


Serra da Mesa é um dos maiores em volume de água da América Latina. Cem famílias que viviam da produção de tilápias desativaram tanques.


    Não chove no norte de Goiás há mais de cem dias, e um dos maiores reservatórios da América Latina chegou a um nível baixíssimo.

    O que sobrou de água no reservatório criado há 19 anos já não dá mais nem para criação de peixes. As cem famílias que tiravam o sustento da produção de tilápias tiveram que desativar os tanques e fechar o frigorífico montado para processar a carne.

    A hidrelétrica de Serra da Mesa é capaz de produzir energia para quase 7 milhões de consumidores, mas um dos maiores reservatórios em volume de água da América Latina chegou ao nível mais baixo da história: pouco mais de 8%.

    Num ponto a água baixou tanto que há embarcações encalhadas e a ponte que ligava os municípios de Uruaçu a Niquelândia voltou a aparecer. Durante muitos anos ela ficou submersa e a estrutura pode ter sido comprometida. É por isso que os carros não passam mais por ela.

    Até 2013 os comerciantes viveram anos de prosperidade. Só em Uruaçu, eram dez restaurantes. A maioria fechou ou está para alugar. Áreas de camping também fecharam e as pousadas passam a maior parte do ano sem receber hóspedes.

    Seu João levava visitantes para pescar no lago. Agora, sem os turistas, ele investiu na loja de artigos de pesca. Mas só não fechou as portas porque metade das vendas é feita pela internet, para pescadores de outros estados.

    “A última coisa que morre é esperança. Nós estamos na expectativa que melhore, que este ano chova bastante para dar uma melhorada, porque o trem tá feio”, afirmou o comerciante João Filho de Freitas. 


Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/09/seca-em-goias-deixa-reservatorio-no-nivel-mais-baixo-da-historia-8.html>. Acesso em: 18 jan. 2018.

No último parágrafo, as aspas foram utilizadas para
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Q894904 Português

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Seca em Goiás deixa reservatório no nível mais baixo da história: 8%


Serra da Mesa é um dos maiores em volume de água da América Latina. Cem famílias que viviam da produção de tilápias desativaram tanques.


    Não chove no norte de Goiás há mais de cem dias, e um dos maiores reservatórios da América Latina chegou a um nível baixíssimo.

    O que sobrou de água no reservatório criado há 19 anos já não dá mais nem para criação de peixes. As cem famílias que tiravam o sustento da produção de tilápias tiveram que desativar os tanques e fechar o frigorífico montado para processar a carne.

    A hidrelétrica de Serra da Mesa é capaz de produzir energia para quase 7 milhões de consumidores, mas um dos maiores reservatórios em volume de água da América Latina chegou ao nível mais baixo da história: pouco mais de 8%.

    Num ponto a água baixou tanto que há embarcações encalhadas e a ponte que ligava os municípios de Uruaçu a Niquelândia voltou a aparecer. Durante muitos anos ela ficou submersa e a estrutura pode ter sido comprometida. É por isso que os carros não passam mais por ela.

    Até 2013 os comerciantes viveram anos de prosperidade. Só em Uruaçu, eram dez restaurantes. A maioria fechou ou está para alugar. Áreas de camping também fecharam e as pousadas passam a maior parte do ano sem receber hóspedes.

    Seu João levava visitantes para pescar no lago. Agora, sem os turistas, ele investiu na loja de artigos de pesca. Mas só não fechou as portas porque metade das vendas é feita pela internet, para pescadores de outros estados.

    “A última coisa que morre é esperança. Nós estamos na expectativa que melhore, que este ano chova bastante para dar uma melhorada, porque o trem tá feio”, afirmou o comerciante João Filho de Freitas. 


Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/09/seca-em-goias-deixa-reservatorio-no-nivel-mais-baixo-da-historia-8.html>. Acesso em: 18 jan. 2018.

No trecho “A maioria fechou ou está para alugar” (5° parágrafo), a conjunção em destaque faz conexão entre duas orações, estabelecendo entre elas uma relação
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Q894903 Português

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Seca em Goiás deixa reservatório no nível mais baixo da história: 8%


Serra da Mesa é um dos maiores em volume de água da América Latina. Cem famílias que viviam da produção de tilápias desativaram tanques.


    Não chove no norte de Goiás há mais de cem dias, e um dos maiores reservatórios da América Latina chegou a um nível baixíssimo.

    O que sobrou de água no reservatório criado há 19 anos já não dá mais nem para criação de peixes. As cem famílias que tiravam o sustento da produção de tilápias tiveram que desativar os tanques e fechar o frigorífico montado para processar a carne.

    A hidrelétrica de Serra da Mesa é capaz de produzir energia para quase 7 milhões de consumidores, mas um dos maiores reservatórios em volume de água da América Latina chegou ao nível mais baixo da história: pouco mais de 8%.

    Num ponto a água baixou tanto que há embarcações encalhadas e a ponte que ligava os municípios de Uruaçu a Niquelândia voltou a aparecer. Durante muitos anos ela ficou submersa e a estrutura pode ter sido comprometida. É por isso que os carros não passam mais por ela.

    Até 2013 os comerciantes viveram anos de prosperidade. Só em Uruaçu, eram dez restaurantes. A maioria fechou ou está para alugar. Áreas de camping também fecharam e as pousadas passam a maior parte do ano sem receber hóspedes.

    Seu João levava visitantes para pescar no lago. Agora, sem os turistas, ele investiu na loja de artigos de pesca. Mas só não fechou as portas porque metade das vendas é feita pela internet, para pescadores de outros estados.

    “A última coisa que morre é esperança. Nós estamos na expectativa que melhore, que este ano chova bastante para dar uma melhorada, porque o trem tá feio”, afirmou o comerciante João Filho de Freitas. 


Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/09/seca-em-goias-deixa-reservatorio-no-nivel-mais-baixo-da-historia-8.html>. Acesso em: 18 jan. 2018.

No enunciado, “Serra da Mesa é um dos maiores em volume de água da América Latina”, a concordância nominal em destaque se justifica porque, no texto, “Serra da Mesa” se refere ao
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Q894902 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.


Seca em Goiás deixa reservatório no nível mais baixo da história: 8%


Serra da Mesa é um dos maiores em volume de água da América Latina. Cem famílias que viviam da produção de tilápias desativaram tanques.


    Não chove no norte de Goiás há mais de cem dias, e um dos maiores reservatórios da América Latina chegou a um nível baixíssimo.

    O que sobrou de água no reservatório criado há 19 anos já não dá mais nem para criação de peixes. As cem famílias que tiravam o sustento da produção de tilápias tiveram que desativar os tanques e fechar o frigorífico montado para processar a carne.

    A hidrelétrica de Serra da Mesa é capaz de produzir energia para quase 7 milhões de consumidores, mas um dos maiores reservatórios em volume de água da América Latina chegou ao nível mais baixo da história: pouco mais de 8%.

    Num ponto a água baixou tanto que há embarcações encalhadas e a ponte que ligava os municípios de Uruaçu a Niquelândia voltou a aparecer. Durante muitos anos ela ficou submersa e a estrutura pode ter sido comprometida. É por isso que os carros não passam mais por ela.

    Até 2013 os comerciantes viveram anos de prosperidade. Só em Uruaçu, eram dez restaurantes. A maioria fechou ou está para alugar. Áreas de camping também fecharam e as pousadas passam a maior parte do ano sem receber hóspedes.

    Seu João levava visitantes para pescar no lago. Agora, sem os turistas, ele investiu na loja de artigos de pesca. Mas só não fechou as portas porque metade das vendas é feita pela internet, para pescadores de outros estados.

    “A última coisa que morre é esperança. Nós estamos na expectativa que melhore, que este ano chova bastante para dar uma melhorada, porque o trem tá feio”, afirmou o comerciante João Filho de Freitas. 


Disponível em: <http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/09/seca-em-goias-deixa-reservatorio-no-nivel-mais-baixo-da-historia-8.html>. Acesso em: 18 jan. 2018.

De acordo com o texto, a seca em Goiás gerou consequências negativas. Das consequências apresentadas, a maioria é de natureza
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894851 Legislação Estadual
A Política Anticorrupção da COPASA se aplica
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894850 Legislação Estadual
São sinais de alerta que podem indicar violação à Lei Anticorrupção, elencados na Política Anticorrupção da COPASA, aqueles enumerados na alternativa:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894849 Legislação Estadual
Acerca das informações corporativas, é CORRETO afirmar que
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894847 Legislação Estadual
Acerca do conflito de interesse no âmbito da Política Anticorrupção da COPASA, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894846 Legislação Estadual
Acerca da Comissão de Ética prevista no Código de Ética, é INCORRETO afirmar que:
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894845 Legislação Estadual
O Código de Ética do Agente Público e da Alta Administração Estadual considera como agente público
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894844 Legislação Estadual
Segundo o Código de Ética, o agente que estiver sendo investigado tem direito a ter acesso aos autos da investigação?
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894843 Legislação Estadual
O agente público que tome conhecimento da prática de ato que atente contra o Código de Ética tem o dever de
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894842 Legislação Estadual
Constitui conduta proibida para o agente público da Administração Pública do Estadual:
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894821 Português

                                           Não "temos de"

                                                                                                       Lia Luft


      Vivemos sob o império do "ter de". Portanto, vivemos num mundo de bastante mentira. Democracia? Meia mentira. Pois a desigualdade é enorme, não temos os mesmos direitos, temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam. Liberdade de escolha profissional? Temos de ter um trabalho bom, que dê prazer, que pague dignamente (a maioria quer salário de chefe no primeiro dia), que permita grandes realizações e muitos sonhos concretizados? "Teríamos". No máximo, temos de conseguir algo decente, que nos permita uma vida mais ou menos digna.

      Temos de ter uma vida sexual de novela? Não temos nem podemos. Primeiro, a maior parte é fantasia, pois a vida cotidiana requer, com o tempo, muito mais carinho e cuidados do que paixão selvagem. Além disso, somos uma geração altamente medicada, e atenção: muitos remédios botam a libido de castigo.

       Temos de ter diploma superior, depois mestrado, possivelmente doutorado e no Exterior? Não temos de... Pois muitas vezes um bom técnico ganha mais, e trabalha com mais gosto, do que um doutor com méritos e louvações. Temos de nos casar? Nem sempre: parece que o casamento à moda antiga, embora digam que está retornando, cumpre seu papel uma vez, depois com bastante facilidade vivemos juntos, às vezes até bem felizes, sem mais do que um contrato de união estável se temos juízo. E a questão de gênero está muito mais humanizada.

      Temos de ter filho: por favor, só tenham filhos os que de verdade querem filhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, e mesmo adultos barbados, para amar, cuidar, estimular, prover e ajudar a crescer, e depois deixar voar sem abandonar nem se lamentar. Mais mulheres começam a não querer ter filho – e não devem. Maternidade não pode mais ser obrigação do tempo em que, sem pílula, as mulheres muitas vezes pariam a cada dois anos, regularmente, e aos cinquenta, velhas e exaustas, tinham doze filhos. Bonito, sim. Sempre desejei muitos irmãos e um bando de filhos (consegui ter três), mas ter um que seja requer uma disposição emocional, afetiva, que não é sempre inata. Então, protejam-se as mulheres e os filhos não nascidos de uma relação que poderia ser mais complicada do que a maternidade já pode ser.

      Temos de ser chiques, e, como sempre escrevo, estar em todas as festas, restaurantes, resorts, teatros, exposições, conhecer os vinhos, curtir a vida? Não temos, pois isso exige tempo, dinheiro, gosto e disposição. Teríamos de ler bons livros, sim, observar o mundo, aprender com ele, ser boa gente também.

      Temos, sobretudo, de ser deixados em paz. Temos de ser amorosos, leais no amor e na amizade, honrados na vida e no trabalho, e, por mais simples que ele seja, sentir orgulho dele. Basta imaginar o que seriam a rua, a cidade, o mundo, sem garis, por exemplo. Sem técnicos em eletricidade, sem encanadores (também os chamam bombeiros), sem os próprios bombeiros, policiais, agricultores, motoristas, caminhoneiros, domésticas, enfermeiras e o resto. Empresários incluídos, pois, sem eles, cadê trabalho?

      Então, quem sabe a gente se protege um pouco dessa pressão do "temos de" e procura fazer da melhor forma possível o que é possível. Antes de tudo, um lembrete: cada um do seu jeito, neste mundo complicado e vida-dura, temos de tentar ser felizes. Isso não é inato: se tenta, se conquista, quando dá. Boa sorte!

Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/lya-luft/noticia/2017/06/nao-temos-de-9807278.html Acesso em 11 jul. 2017

Em: “[...] temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam.”, dos é
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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894820 Português

                                           Não "temos de"

                                                                                                       Lia Luft


      Vivemos sob o império do "ter de". Portanto, vivemos num mundo de bastante mentira. Democracia? Meia mentira. Pois a desigualdade é enorme, não temos os mesmos direitos, temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam. Liberdade de escolha profissional? Temos de ter um trabalho bom, que dê prazer, que pague dignamente (a maioria quer salário de chefe no primeiro dia), que permita grandes realizações e muitos sonhos concretizados? "Teríamos". No máximo, temos de conseguir algo decente, que nos permita uma vida mais ou menos digna.

      Temos de ter uma vida sexual de novela? Não temos nem podemos. Primeiro, a maior parte é fantasia, pois a vida cotidiana requer, com o tempo, muito mais carinho e cuidados do que paixão selvagem. Além disso, somos uma geração altamente medicada, e atenção: muitos remédios botam a libido de castigo.

       Temos de ter diploma superior, depois mestrado, possivelmente doutorado e no Exterior? Não temos de... Pois muitas vezes um bom técnico ganha mais, e trabalha com mais gosto, do que um doutor com méritos e louvações. Temos de nos casar? Nem sempre: parece que o casamento à moda antiga, embora digam que está retornando, cumpre seu papel uma vez, depois com bastante facilidade vivemos juntos, às vezes até bem felizes, sem mais do que um contrato de união estável se temos juízo. E a questão de gênero está muito mais humanizada.

      Temos de ter filho: por favor, só tenham filhos os que de verdade querem filhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, e mesmo adultos barbados, para amar, cuidar, estimular, prover e ajudar a crescer, e depois deixar voar sem abandonar nem se lamentar. Mais mulheres começam a não querer ter filho – e não devem. Maternidade não pode mais ser obrigação do tempo em que, sem pílula, as mulheres muitas vezes pariam a cada dois anos, regularmente, e aos cinquenta, velhas e exaustas, tinham doze filhos. Bonito, sim. Sempre desejei muitos irmãos e um bando de filhos (consegui ter três), mas ter um que seja requer uma disposição emocional, afetiva, que não é sempre inata. Então, protejam-se as mulheres e os filhos não nascidos de uma relação que poderia ser mais complicada do que a maternidade já pode ser.

      Temos de ser chiques, e, como sempre escrevo, estar em todas as festas, restaurantes, resorts, teatros, exposições, conhecer os vinhos, curtir a vida? Não temos, pois isso exige tempo, dinheiro, gosto e disposição. Teríamos de ler bons livros, sim, observar o mundo, aprender com ele, ser boa gente também.

      Temos, sobretudo, de ser deixados em paz. Temos de ser amorosos, leais no amor e na amizade, honrados na vida e no trabalho, e, por mais simples que ele seja, sentir orgulho dele. Basta imaginar o que seriam a rua, a cidade, o mundo, sem garis, por exemplo. Sem técnicos em eletricidade, sem encanadores (também os chamam bombeiros), sem os próprios bombeiros, policiais, agricultores, motoristas, caminhoneiros, domésticas, enfermeiras e o resto. Empresários incluídos, pois, sem eles, cadê trabalho?

      Então, quem sabe a gente se protege um pouco dessa pressão do "temos de" e procura fazer da melhor forma possível o que é possível. Antes de tudo, um lembrete: cada um do seu jeito, neste mundo complicado e vida-dura, temos de tentar ser felizes. Isso não é inato: se tenta, se conquista, quando dá. Boa sorte!

Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/lya-luft/noticia/2017/06/nao-temos-de-9807278.html Acesso em 11 jul. 2017

Leia o conceito abaixo:


HIATO: quando duas vogais estão juntas na mesma palavra,

mas em sílabas diferentes.


A partir da leitura do conceito, há hiato em:

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Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894819 Português

                                           Não "temos de"

                                                                                                       Lia Luft


      Vivemos sob o império do "ter de". Portanto, vivemos num mundo de bastante mentira. Democracia? Meia mentira. Pois a desigualdade é enorme, não temos os mesmos direitos, temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam. Liberdade de escolha profissional? Temos de ter um trabalho bom, que dê prazer, que pague dignamente (a maioria quer salário de chefe no primeiro dia), que permita grandes realizações e muitos sonhos concretizados? "Teríamos". No máximo, temos de conseguir algo decente, que nos permita uma vida mais ou menos digna.

      Temos de ter uma vida sexual de novela? Não temos nem podemos. Primeiro, a maior parte é fantasia, pois a vida cotidiana requer, com o tempo, muito mais carinho e cuidados do que paixão selvagem. Além disso, somos uma geração altamente medicada, e atenção: muitos remédios botam a libido de castigo.

       Temos de ter diploma superior, depois mestrado, possivelmente doutorado e no Exterior? Não temos de... Pois muitas vezes um bom técnico ganha mais, e trabalha com mais gosto, do que um doutor com méritos e louvações. Temos de nos casar? Nem sempre: parece que o casamento à moda antiga, embora digam que está retornando, cumpre seu papel uma vez, depois com bastante facilidade vivemos juntos, às vezes até bem felizes, sem mais do que um contrato de união estável se temos juízo. E a questão de gênero está muito mais humanizada.

      Temos de ter filho: por favor, só tenham filhos os que de verdade querem filhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, e mesmo adultos barbados, para amar, cuidar, estimular, prover e ajudar a crescer, e depois deixar voar sem abandonar nem se lamentar. Mais mulheres começam a não querer ter filho – e não devem. Maternidade não pode mais ser obrigação do tempo em que, sem pílula, as mulheres muitas vezes pariam a cada dois anos, regularmente, e aos cinquenta, velhas e exaustas, tinham doze filhos. Bonito, sim. Sempre desejei muitos irmãos e um bando de filhos (consegui ter três), mas ter um que seja requer uma disposição emocional, afetiva, que não é sempre inata. Então, protejam-se as mulheres e os filhos não nascidos de uma relação que poderia ser mais complicada do que a maternidade já pode ser.

      Temos de ser chiques, e, como sempre escrevo, estar em todas as festas, restaurantes, resorts, teatros, exposições, conhecer os vinhos, curtir a vida? Não temos, pois isso exige tempo, dinheiro, gosto e disposição. Teríamos de ler bons livros, sim, observar o mundo, aprender com ele, ser boa gente também.

      Temos, sobretudo, de ser deixados em paz. Temos de ser amorosos, leais no amor e na amizade, honrados na vida e no trabalho, e, por mais simples que ele seja, sentir orgulho dele. Basta imaginar o que seriam a rua, a cidade, o mundo, sem garis, por exemplo. Sem técnicos em eletricidade, sem encanadores (também os chamam bombeiros), sem os próprios bombeiros, policiais, agricultores, motoristas, caminhoneiros, domésticas, enfermeiras e o resto. Empresários incluídos, pois, sem eles, cadê trabalho?

      Então, quem sabe a gente se protege um pouco dessa pressão do "temos de" e procura fazer da melhor forma possível o que é possível. Antes de tudo, um lembrete: cada um do seu jeito, neste mundo complicado e vida-dura, temos de tentar ser felizes. Isso não é inato: se tenta, se conquista, quando dá. Boa sorte!

Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/lya-luft/noticia/2017/06/nao-temos-de-9807278.html Acesso em 11 jul. 2017

Há dígrafo em:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894818 Português

                                           Não "temos de"

                                                                                                       Lia Luft


      Vivemos sob o império do "ter de". Portanto, vivemos num mundo de bastante mentira. Democracia? Meia mentira. Pois a desigualdade é enorme, não temos os mesmos direitos, temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam. Liberdade de escolha profissional? Temos de ter um trabalho bom, que dê prazer, que pague dignamente (a maioria quer salário de chefe no primeiro dia), que permita grandes realizações e muitos sonhos concretizados? "Teríamos". No máximo, temos de conseguir algo decente, que nos permita uma vida mais ou menos digna.

      Temos de ter uma vida sexual de novela? Não temos nem podemos. Primeiro, a maior parte é fantasia, pois a vida cotidiana requer, com o tempo, muito mais carinho e cuidados do que paixão selvagem. Além disso, somos uma geração altamente medicada, e atenção: muitos remédios botam a libido de castigo.

       Temos de ter diploma superior, depois mestrado, possivelmente doutorado e no Exterior? Não temos de... Pois muitas vezes um bom técnico ganha mais, e trabalha com mais gosto, do que um doutor com méritos e louvações. Temos de nos casar? Nem sempre: parece que o casamento à moda antiga, embora digam que está retornando, cumpre seu papel uma vez, depois com bastante facilidade vivemos juntos, às vezes até bem felizes, sem mais do que um contrato de união estável se temos juízo. E a questão de gênero está muito mais humanizada.

      Temos de ter filho: por favor, só tenham filhos os que de verdade querem filhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, e mesmo adultos barbados, para amar, cuidar, estimular, prover e ajudar a crescer, e depois deixar voar sem abandonar nem se lamentar. Mais mulheres começam a não querer ter filho – e não devem. Maternidade não pode mais ser obrigação do tempo em que, sem pílula, as mulheres muitas vezes pariam a cada dois anos, regularmente, e aos cinquenta, velhas e exaustas, tinham doze filhos. Bonito, sim. Sempre desejei muitos irmãos e um bando de filhos (consegui ter três), mas ter um que seja requer uma disposição emocional, afetiva, que não é sempre inata. Então, protejam-se as mulheres e os filhos não nascidos de uma relação que poderia ser mais complicada do que a maternidade já pode ser.

      Temos de ser chiques, e, como sempre escrevo, estar em todas as festas, restaurantes, resorts, teatros, exposições, conhecer os vinhos, curtir a vida? Não temos, pois isso exige tempo, dinheiro, gosto e disposição. Teríamos de ler bons livros, sim, observar o mundo, aprender com ele, ser boa gente também.

      Temos, sobretudo, de ser deixados em paz. Temos de ser amorosos, leais no amor e na amizade, honrados na vida e no trabalho, e, por mais simples que ele seja, sentir orgulho dele. Basta imaginar o que seriam a rua, a cidade, o mundo, sem garis, por exemplo. Sem técnicos em eletricidade, sem encanadores (também os chamam bombeiros), sem os próprios bombeiros, policiais, agricultores, motoristas, caminhoneiros, domésticas, enfermeiras e o resto. Empresários incluídos, pois, sem eles, cadê trabalho?

      Então, quem sabe a gente se protege um pouco dessa pressão do "temos de" e procura fazer da melhor forma possível o que é possível. Antes de tudo, um lembrete: cada um do seu jeito, neste mundo complicado e vida-dura, temos de tentar ser felizes. Isso não é inato: se tenta, se conquista, quando dá. Boa sorte!

Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/lya-luft/noticia/2017/06/nao-temos-de-9807278.html Acesso em 11 jul. 2017

A pontuação está CORRETA em:
Alternativas
Ano: 2017 Banca: FUMARC Órgão: COPASA Prova: FUMARC - 2017 - COPASA - Agente de Saneamento |
Q894817 Português

                                           Não "temos de"

                                                                                                       Lia Luft


      Vivemos sob o império do "ter de". Portanto, vivemos num mundo de bastante mentira. Democracia? Meia mentira. Pois a desigualdade é enorme, não temos os mesmos direitos, temos quase uma ditadura da ilusão dos que ainda acreditam. Liberdade de escolha profissional? Temos de ter um trabalho bom, que dê prazer, que pague dignamente (a maioria quer salário de chefe no primeiro dia), que permita grandes realizações e muitos sonhos concretizados? "Teríamos". No máximo, temos de conseguir algo decente, que nos permita uma vida mais ou menos digna.

      Temos de ter uma vida sexual de novela? Não temos nem podemos. Primeiro, a maior parte é fantasia, pois a vida cotidiana requer, com o tempo, muito mais carinho e cuidados do que paixão selvagem. Além disso, somos uma geração altamente medicada, e atenção: muitos remédios botam a libido de castigo.

       Temos de ter diploma superior, depois mestrado, possivelmente doutorado e no Exterior? Não temos de... Pois muitas vezes um bom técnico ganha mais, e trabalha com mais gosto, do que um doutor com méritos e louvações. Temos de nos casar? Nem sempre: parece que o casamento à moda antiga, embora digam que está retornando, cumpre seu papel uma vez, depois com bastante facilidade vivemos juntos, às vezes até bem felizes, sem mais do que um contrato de união estável se temos juízo. E a questão de gênero está muito mais humanizada.

      Temos de ter filho: por favor, só tenham filhos os que de verdade querem filhos, crianças, adolescentes, jovens, adultos, e mesmo adultos barbados, para amar, cuidar, estimular, prover e ajudar a crescer, e depois deixar voar sem abandonar nem se lamentar. Mais mulheres começam a não querer ter filho – e não devem. Maternidade não pode mais ser obrigação do tempo em que, sem pílula, as mulheres muitas vezes pariam a cada dois anos, regularmente, e aos cinquenta, velhas e exaustas, tinham doze filhos. Bonito, sim. Sempre desejei muitos irmãos e um bando de filhos (consegui ter três), mas ter um que seja requer uma disposição emocional, afetiva, que não é sempre inata. Então, protejam-se as mulheres e os filhos não nascidos de uma relação que poderia ser mais complicada do que a maternidade já pode ser.

      Temos de ser chiques, e, como sempre escrevo, estar em todas as festas, restaurantes, resorts, teatros, exposições, conhecer os vinhos, curtir a vida? Não temos, pois isso exige tempo, dinheiro, gosto e disposição. Teríamos de ler bons livros, sim, observar o mundo, aprender com ele, ser boa gente também.

      Temos, sobretudo, de ser deixados em paz. Temos de ser amorosos, leais no amor e na amizade, honrados na vida e no trabalho, e, por mais simples que ele seja, sentir orgulho dele. Basta imaginar o que seriam a rua, a cidade, o mundo, sem garis, por exemplo. Sem técnicos em eletricidade, sem encanadores (também os chamam bombeiros), sem os próprios bombeiros, policiais, agricultores, motoristas, caminhoneiros, domésticas, enfermeiras e o resto. Empresários incluídos, pois, sem eles, cadê trabalho?

      Então, quem sabe a gente se protege um pouco dessa pressão do "temos de" e procura fazer da melhor forma possível o que é possível. Antes de tudo, um lembrete: cada um do seu jeito, neste mundo complicado e vida-dura, temos de tentar ser felizes. Isso não é inato: se tenta, se conquista, quando dá. Boa sorte!

Disponível em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/lya-luft/noticia/2017/06/nao-temos-de-9807278.html Acesso em 11 jul. 2017

A colocação do pronome oblíquo é facultativa em:
Alternativas
Respostas
441: B
442: A
443: C
444: D
445: C
446: B
447: D
448: C
449: A
450: A
451: B
452: B
453: C
454: D
455: A
456: C
457: D
458: C
459: C
460: A