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Q2075616 Engenharia de Telecomunicações
Uma das diferenças entre os sistemas de TV digital terrestre DVB, ISDB e ISDTV quando comparados com o ATSC, é que no ATSC não existe um intervalo de guarda adicionado ao tempo de duração de cada símbolo. A função do intervalo de guarda é prover proteção quanto a interferências causadas por
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Q2075615 Telecomunicações
Muitos equipamentos analógicos de televisão são interconectados através de uma ligação conhecida como “vídeo componente”, com um sinal de luminância e dois de crominância, sendo que os sinais de crominância necessitam de uma largura de faixa menor do que o de luminância. Equipamentos digitais podem ser interconectados através de uma ligação conhecida pela sigla em inglês SDI (serial digital interface), que pode transmitir os sinais de vídeo componente digitalizados. Analise as afirmativas abaixo quanto à digitalização dos sinais de vídeo componente. 

I) Os sinais de crominância devem ser digitalizados, obrigatoriamente, com um número de bits por amostra superior ao sinal de luminância, para compensar a diferença de largura de faixa. II) Os sinais de crominância podem ser digitalizados com uma taxa de amostragem menor do que os sinais de luminância, sem violar os limites estabelecidos pelo teorema da amostragem de Nyquist. III) O ruído de quantização devido à digitalização dos sinais de luminância e crominância depende do número de bits por amostra utilizados na digitalização de cada sinal.

Está CORRETO apenas o que se afirma em:
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Q2075614 Engenharia de Telecomunicações
Em uma câmera de TV, um transdutor faz a captação da imagem e gera um sinal que, logo após, é processado por um circuito chamado “corretor gama”. A função do corretor gama em uma câmera de TV é
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Q2075613 Engenharia de Telecomunicações
Abaixo é reproduzido um texto sobre a 5ª geração dos sistemas de comunicações móveis (Cavalcanti et al 2018): “No campo de motivações bem estabelecidas, destaca-se a necessidade, sempre presente, de ampliar a capacidade das redes de 4ª geração, para que as operadoras sejam capazes de servir com qualidade uma demanda por dados que se amplia exponencialmente, notadamente o tráfego de vídeo em dispositivos móveis”. Dentro desse contexto, analise as afirmativas sobre os sistemas de 5ª geração:

I) Considerando a tendência de massificação do uso de dispositivos móveis entre humanos e entre máquinas, é possível que uma estação rádio base tenha que coordenar milhares de comunicações simultâneas. II) Um fator chave para habilitar o sucesso das transmissões por rádio móvel nas faixas de frequências acima de 6 GHz (FR2) é o uso da tecnologia MIMO (multiple input, multiple output). III) Com o objetivo de melhorar o desempenho dos terminais móveis nas aplicações de jogos on-line e de realidade aumentada, a nova tecnologia deve permitir a comunicação entre os terminais móveis com latência inferior a 1 µs. 

Estão CORRETAS as afirmativas
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Q2075612 Telecomunicações
Um sistema analógico de transmissão de canais de voz via rádio, para uso em telefonia, é multiplexado em frequência segundo as recomendações G.211 e G.233. Incialmente 12 canais de voz com 4 kHz de largura de banda são multiplexados formando um grupo. Os grupos são então multiplexados formando um supergrupo e, finalmente, os supergrupos são multiplexados formando um grupo mestre ou master grupo. O número de canais de voz que são transportados em um grupo mestre é igual a 
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Q2075611 Telecomunicações
Quando se deseja transmitir por um único meio de transmissão sinais oriundos de diferentes fontes, utiliza-se a multiplexação. Uma técnica de multiplexação bastante utilizada é a multiplexação por divisão de frequência (FDM). Um sistema irá transmitir 50 canais com largura de banda de 200 kHz cada, utilizando uma banda de guarda também igual a 200 kHz entre os canais. A largura de banda mínima necessária para este sistema será igual a
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Q2075610 Telecomunicações
Modem é um dispositivo que viabiliza a comunicação digital em um meio guiado ou não guiado. Na transmissão, o modulador recebe os bits a serem transmitidos e faz com que atuem sobre uma onda portadora senoidal para modificar uma ou duas das seguintes características: amplitude, frequência e fase. Na técnica de modulação QAM (Quadrature Amplitude Modulation) ocorre a variação da
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Q2075608 Telecomunicações
Ao escolher uma antena para uma aplicação específica, um engenheiro deve estar atento às suas especificações, dentre as quais a diretividade. A alternativa que define corretamente o conceito de diretividade de uma antena é: 
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Q2075607 Engenharia de Telecomunicações
Um certo cabo coaxial tem o fator de velocidade de 0,8 (80%). Deseja-se cortar um trecho desse cabo que tenha o tamanho equivalente a ¼ de comprimento de onda na frequência de 50 MHz. O tamanho físico desse trecho de cabo será igual a
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Q2075606 Engenharia de Telecomunicações
Um guia de onda retangular é um tipo de linha de transmissão que é utilizado em sistemas de comunicação que operam na faixa de micro-ondas. As dimensões internas (“a” e “b”, sendo a > b) definem a faixa de frequências em que um guia de onda pode operar adequadamente. Nos estudos teóricos de um guia de onda retangular, encontramos que podem existir vários modos de propagação, tanto do tipo TEnm (transversal elétrico) como do tipo TMnm (transversal magnético). Os vários modos TE e TM dependem de constantes “n” e “m”, que são números inteiros. 

Sobre esse tema, analise as afirmativas a seguir:

 I) A menor frequência que pode ser utilizada adequadamente em um guia de onda retangular no modo TE10 depende somente da dimensão “a” e do dielétrico existente no interior do guia de onda. II) A maior frequência do sinal que pode ser utilizado em um guia de onda retangular de forma que se propague somente o modo TE10 depende das dimensões “a” e “b”. III) Para que o modo de propagação TEM (transversal eletromagnético) possa existir em um guia de onda retangular, a frequência mínima deve ser superior à frequência de corte dos modos TE e TM.
É CORRETO o que se afirma em:
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Q2075604 Física
Na eletrostática, a capacitância é definida como a relação entre a carga armazenada no condutor positivo e a diferença de potencial entre os condutores (C = Q/V). Um capacitor de placas paralelas é ligado a uma fonte de 50 V e carregado com uma carga de 5 mC e depois é desconectado da fonte. Ele mantém a carga armazenada. Se as placas são afastadas uma da outra para o dobro da distância original, sem descarregar o capacitor, a diferença de potencial V entre as duas placas 
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Q2075603 Física
Uma espira circular de raio R1 é colocada em uma região na qual existe um fluxo magnético variante com o tempo. Este fluxo está distribuído de forma uniforme em toda área transversal da espira e está perpendicular a ela. Nessa situação, a tensão induzida na espira é de V1 Volts. Ao substituir a espira por outra com o raio R2 igual à metade do raio da anterior (R2 = R1 / 2) e colocada na mesma posição e orientação da primeira espira, a tensão induzida V2 nessa nova espira será igual a
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Q2074415 Direito Constitucional
A Constituição, na relação entre as autoridades estatais e particulares, no Estado de Direito, tem por finalidade:
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Q2074414 Direito Constitucional
A soberania, no âmbito do Estado como objeto de estudo e experiência moderna, expressa: 
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Q2074412 Português

Milly Lacombe

Minhas duas primeiras memórias de infância envolvem meu pai.

    Na primeira delas, estou em seus ombros, no meio de uma multidão que cantava, pulava e festejava. Enrolados em uma bandeira do Brasil que minha mãe havia feito na máquina de costura, que ficava no mesmo quarto da TV em branco e preto. Eu tinha três anos, ele tinha 43. A seleção tinha acabado de ser tricampeã mundial de futebol e meu pai e eu celebrávamos no meio de outras centenas de pessoas na rua General Glicério, em Laranjeiras, no Rio.

    Na segunda memória, estou subindo com ele a rampa do Maracanã. Eu tinha um pouco mais que três anos, mas não muito mais. Lembro-me da mão dele segurando a minha, lembro-me de olhar para cima e vê-lo ali sorrindo para mim. Lembro-me das pessoas passando em volta, apressadas e felizes. Lembro-me das camisas e bandeiras misturadas: vermelho e preto em alguns; verde, branco e grená em outros. Ele e eu fazíamos parte desse segundo grupo de pessoas. Na minha outra mão, uma almofadinha com as cores do Fluminense, feita por minha mãe na máquina de costura que ficava no mesmo quarto da TV branco e preta. A almofadinha era uma solução à dureza do concreto da arquibancada.

    Subindo a rampa, lembro-me de ver, lá bem longe e já no topo, uma abertura para o céu. Era para lá que caminhávamos, meu pai e eu, de mãos dadas. O que haveria ali além do céu? Depois de uma subida, bastante longa para um pequeno corpo que ainda não tinha feito cinco anos, lembro-me de conhecer o que, anos depois, entenderia ser o êxtase que vem com a experiência do sagrado. Ao final da rampa, uma abertura para um campo verde, de marcas brancas e milhares de pessoas cantando ao redor.

    Capturada pela imensidão do momento, outra vez olhei para cima e vi meu pai. Ele sorria e não se movia, como quem sabe que seria importante me deixar ali um pouco, apenas sentindo a grandeza do momento, apenas absorvendo uma experiência inaugural de amor e paixão. Depois de um tempo, ele me pegou no colo e subimos os degraus da arquibancada, sendo abençoados por um tanto de pó de arroz a cada passo. Não me lembro de mais nada.

    Não me lembro do placar, não me lembro do que aconteceu em campo, não me lembro do que comemos, nem dos sorvetes que não pedi. Lembro-me apenas das sensações e das emoções daquele dia. Mas, mais que qualquer coisa, lembro-me da mão de meu pai na minha. Se fechar os olhos, posso sentir a temperatura e a textura de sua mão na minha. Se fechar os olhos, sinto outra vez a exata pressão que a mão dele fazia na minha, todas as vezes que andávamos assim pelas ruas, e sinto a segurança que aquelas mãos me davam.

    Meu pai não está mais aqui, mas a sensação de sua mão na minha está. Pouca coisa, aliás, se manteve presente além dessa sensação. Talvez apenas a emoção de subir uma rampa cujo final é um campo de futebol onde dois times se enfrentarão. O caminho do sagrado, do final de um período escuro, frio e penoso que se abre para uma imensidão de luzes, sonhos e possibilidades.

    Anos depois, eu conduziria meu sobrinho pela mesma rampa, mas agora interpretando o papel feito por meu pai.

    O que é a vida se não esse contínuo trocar de lugares e essa perpétua caminhada que pode nos levar a encontros grandiosos? Não muita coisa, eu acho. Um passo atrás do outro, uma batalha atrás da outra. Conquistas, fracassos. Vitórias, derrotas. Dias bons, dias ruins. Partidas, chegadas. E lá vamos nós outra vez.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nosso-estranhoamor/2022/11/[...].shtml (Adaptado) Acesso em: 30 dez. 2022.

A crase é obrigatória em: 
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Q2074411 Português

Milly Lacombe

Minhas duas primeiras memórias de infância envolvem meu pai.

    Na primeira delas, estou em seus ombros, no meio de uma multidão que cantava, pulava e festejava. Enrolados em uma bandeira do Brasil que minha mãe havia feito na máquina de costura, que ficava no mesmo quarto da TV em branco e preto. Eu tinha três anos, ele tinha 43. A seleção tinha acabado de ser tricampeã mundial de futebol e meu pai e eu celebrávamos no meio de outras centenas de pessoas na rua General Glicério, em Laranjeiras, no Rio.

    Na segunda memória, estou subindo com ele a rampa do Maracanã. Eu tinha um pouco mais que três anos, mas não muito mais. Lembro-me da mão dele segurando a minha, lembro-me de olhar para cima e vê-lo ali sorrindo para mim. Lembro-me das pessoas passando em volta, apressadas e felizes. Lembro-me das camisas e bandeiras misturadas: vermelho e preto em alguns; verde, branco e grená em outros. Ele e eu fazíamos parte desse segundo grupo de pessoas. Na minha outra mão, uma almofadinha com as cores do Fluminense, feita por minha mãe na máquina de costura que ficava no mesmo quarto da TV branco e preta. A almofadinha era uma solução à dureza do concreto da arquibancada.

    Subindo a rampa, lembro-me de ver, lá bem longe e já no topo, uma abertura para o céu. Era para lá que caminhávamos, meu pai e eu, de mãos dadas. O que haveria ali além do céu? Depois de uma subida, bastante longa para um pequeno corpo que ainda não tinha feito cinco anos, lembro-me de conhecer o que, anos depois, entenderia ser o êxtase que vem com a experiência do sagrado. Ao final da rampa, uma abertura para um campo verde, de marcas brancas e milhares de pessoas cantando ao redor.

    Capturada pela imensidão do momento, outra vez olhei para cima e vi meu pai. Ele sorria e não se movia, como quem sabe que seria importante me deixar ali um pouco, apenas sentindo a grandeza do momento, apenas absorvendo uma experiência inaugural de amor e paixão. Depois de um tempo, ele me pegou no colo e subimos os degraus da arquibancada, sendo abençoados por um tanto de pó de arroz a cada passo. Não me lembro de mais nada.

    Não me lembro do placar, não me lembro do que aconteceu em campo, não me lembro do que comemos, nem dos sorvetes que não pedi. Lembro-me apenas das sensações e das emoções daquele dia. Mas, mais que qualquer coisa, lembro-me da mão de meu pai na minha. Se fechar os olhos, posso sentir a temperatura e a textura de sua mão na minha. Se fechar os olhos, sinto outra vez a exata pressão que a mão dele fazia na minha, todas as vezes que andávamos assim pelas ruas, e sinto a segurança que aquelas mãos me davam.

    Meu pai não está mais aqui, mas a sensação de sua mão na minha está. Pouca coisa, aliás, se manteve presente além dessa sensação. Talvez apenas a emoção de subir uma rampa cujo final é um campo de futebol onde dois times se enfrentarão. O caminho do sagrado, do final de um período escuro, frio e penoso que se abre para uma imensidão de luzes, sonhos e possibilidades.

    Anos depois, eu conduziria meu sobrinho pela mesma rampa, mas agora interpretando o papel feito por meu pai.

    O que é a vida se não esse contínuo trocar de lugares e essa perpétua caminhada que pode nos levar a encontros grandiosos? Não muita coisa, eu acho. Um passo atrás do outro, uma batalha atrás da outra. Conquistas, fracassos. Vitórias, derrotas. Dias bons, dias ruins. Partidas, chegadas. E lá vamos nós outra vez.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nosso-estranhoamor/2022/11/[...].shtml (Adaptado) Acesso em: 30 dez. 2022.

A posição do pronome oblíquo destacado é facultativa em: 
Alternativas
Q2074405 Português

Milly Lacombe

Minhas duas primeiras memórias de infância envolvem meu pai.

    Na primeira delas, estou em seus ombros, no meio de uma multidão que cantava, pulava e festejava. Enrolados em uma bandeira do Brasil que minha mãe havia feito na máquina de costura, que ficava no mesmo quarto da TV em branco e preto. Eu tinha três anos, ele tinha 43. A seleção tinha acabado de ser tricampeã mundial de futebol e meu pai e eu celebrávamos no meio de outras centenas de pessoas na rua General Glicério, em Laranjeiras, no Rio.

    Na segunda memória, estou subindo com ele a rampa do Maracanã. Eu tinha um pouco mais que três anos, mas não muito mais. Lembro-me da mão dele segurando a minha, lembro-me de olhar para cima e vê-lo ali sorrindo para mim. Lembro-me das pessoas passando em volta, apressadas e felizes. Lembro-me das camisas e bandeiras misturadas: vermelho e preto em alguns; verde, branco e grená em outros. Ele e eu fazíamos parte desse segundo grupo de pessoas. Na minha outra mão, uma almofadinha com as cores do Fluminense, feita por minha mãe na máquina de costura que ficava no mesmo quarto da TV branco e preta. A almofadinha era uma solução à dureza do concreto da arquibancada.

    Subindo a rampa, lembro-me de ver, lá bem longe e já no topo, uma abertura para o céu. Era para lá que caminhávamos, meu pai e eu, de mãos dadas. O que haveria ali além do céu? Depois de uma subida, bastante longa para um pequeno corpo que ainda não tinha feito cinco anos, lembro-me de conhecer o que, anos depois, entenderia ser o êxtase que vem com a experiência do sagrado. Ao final da rampa, uma abertura para um campo verde, de marcas brancas e milhares de pessoas cantando ao redor.

    Capturada pela imensidão do momento, outra vez olhei para cima e vi meu pai. Ele sorria e não se movia, como quem sabe que seria importante me deixar ali um pouco, apenas sentindo a grandeza do momento, apenas absorvendo uma experiência inaugural de amor e paixão. Depois de um tempo, ele me pegou no colo e subimos os degraus da arquibancada, sendo abençoados por um tanto de pó de arroz a cada passo. Não me lembro de mais nada.

    Não me lembro do placar, não me lembro do que aconteceu em campo, não me lembro do que comemos, nem dos sorvetes que não pedi. Lembro-me apenas das sensações e das emoções daquele dia. Mas, mais que qualquer coisa, lembro-me da mão de meu pai na minha. Se fechar os olhos, posso sentir a temperatura e a textura de sua mão na minha. Se fechar os olhos, sinto outra vez a exata pressão que a mão dele fazia na minha, todas as vezes que andávamos assim pelas ruas, e sinto a segurança que aquelas mãos me davam.

    Meu pai não está mais aqui, mas a sensação de sua mão na minha está. Pouca coisa, aliás, se manteve presente além dessa sensação. Talvez apenas a emoção de subir uma rampa cujo final é um campo de futebol onde dois times se enfrentarão. O caminho do sagrado, do final de um período escuro, frio e penoso que se abre para uma imensidão de luzes, sonhos e possibilidades.

    Anos depois, eu conduziria meu sobrinho pela mesma rampa, mas agora interpretando o papel feito por meu pai.

    O que é a vida se não esse contínuo trocar de lugares e essa perpétua caminhada que pode nos levar a encontros grandiosos? Não muita coisa, eu acho. Um passo atrás do outro, uma batalha atrás da outra. Conquistas, fracassos. Vitórias, derrotas. Dias bons, dias ruins. Partidas, chegadas. E lá vamos nós outra vez.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nosso-estranhoamor/2022/11/[...].shtml (Adaptado) Acesso em: 30 dez. 2022.

Em: “Depois de uma subida, bastante longa para um pequeno corpo que ainda não tinha feito cinco anos, lembro-me de conhecer o que, anos depois, entenderia ser o êxtase que vem com a experiência do sagrado.”, êxtase pode ser MELHOR substituída por
Alternativas
Q2074400 Português

Milly Lacombe

Minhas duas primeiras memórias de infância envolvem meu pai.

    Na primeira delas, estou em seus ombros, no meio de uma multidão que cantava, pulava e festejava. Enrolados em uma bandeira do Brasil que minha mãe havia feito na máquina de costura, que ficava no mesmo quarto da TV em branco e preto. Eu tinha três anos, ele tinha 43. A seleção tinha acabado de ser tricampeã mundial de futebol e meu pai e eu celebrávamos no meio de outras centenas de pessoas na rua General Glicério, em Laranjeiras, no Rio.

    Na segunda memória, estou subindo com ele a rampa do Maracanã. Eu tinha um pouco mais que três anos, mas não muito mais. Lembro-me da mão dele segurando a minha, lembro-me de olhar para cima e vê-lo ali sorrindo para mim. Lembro-me das pessoas passando em volta, apressadas e felizes. Lembro-me das camisas e bandeiras misturadas: vermelho e preto em alguns; verde, branco e grená em outros. Ele e eu fazíamos parte desse segundo grupo de pessoas. Na minha outra mão, uma almofadinha com as cores do Fluminense, feita por minha mãe na máquina de costura que ficava no mesmo quarto da TV branco e preta. A almofadinha era uma solução à dureza do concreto da arquibancada.

    Subindo a rampa, lembro-me de ver, lá bem longe e já no topo, uma abertura para o céu. Era para lá que caminhávamos, meu pai e eu, de mãos dadas. O que haveria ali além do céu? Depois de uma subida, bastante longa para um pequeno corpo que ainda não tinha feito cinco anos, lembro-me de conhecer o que, anos depois, entenderia ser o êxtase que vem com a experiência do sagrado. Ao final da rampa, uma abertura para um campo verde, de marcas brancas e milhares de pessoas cantando ao redor.

    Capturada pela imensidão do momento, outra vez olhei para cima e vi meu pai. Ele sorria e não se movia, como quem sabe que seria importante me deixar ali um pouco, apenas sentindo a grandeza do momento, apenas absorvendo uma experiência inaugural de amor e paixão. Depois de um tempo, ele me pegou no colo e subimos os degraus da arquibancada, sendo abençoados por um tanto de pó de arroz a cada passo. Não me lembro de mais nada.

    Não me lembro do placar, não me lembro do que aconteceu em campo, não me lembro do que comemos, nem dos sorvetes que não pedi. Lembro-me apenas das sensações e das emoções daquele dia. Mas, mais que qualquer coisa, lembro-me da mão de meu pai na minha. Se fechar os olhos, posso sentir a temperatura e a textura de sua mão na minha. Se fechar os olhos, sinto outra vez a exata pressão que a mão dele fazia na minha, todas as vezes que andávamos assim pelas ruas, e sinto a segurança que aquelas mãos me davam.

    Meu pai não está mais aqui, mas a sensação de sua mão na minha está. Pouca coisa, aliás, se manteve presente além dessa sensação. Talvez apenas a emoção de subir uma rampa cujo final é um campo de futebol onde dois times se enfrentarão. O caminho do sagrado, do final de um período escuro, frio e penoso que se abre para uma imensidão de luzes, sonhos e possibilidades.

    Anos depois, eu conduziria meu sobrinho pela mesma rampa, mas agora interpretando o papel feito por meu pai.

    O que é a vida se não esse contínuo trocar de lugares e essa perpétua caminhada que pode nos levar a encontros grandiosos? Não muita coisa, eu acho. Um passo atrás do outro, uma batalha atrás da outra. Conquistas, fracassos. Vitórias, derrotas. Dias bons, dias ruins. Partidas, chegadas. E lá vamos nós outra vez.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nosso-estranhoamor/2022/11/[...].shtml (Adaptado) Acesso em: 30 dez. 2022.

São títulos possíveis para o texto, EXCETO: 
Alternativas
Q4050812 Engenharia de Telecomunicações
Em um projeto de radioenlace ponto a ponto na frequência de 5 GHz, cujo transmissor e receptor distam um do outro 1 km, a potência mínima necessária a ser captada pela antena receptora de modo que a comunicação ocorra sem falhas apreciáveis é de –54 dBm (já considerando uma margem adequada). Considere também que:

• deve-se usar o mesmo modelo/parâmetro de antena no transmissor e no receptor;
• dadas as características da região e as alturas escolhidas para as antenas no projeto, o modelo do espaço livre é o mais adequado para se estimar as perdas de propagação;
• as perdas entre o rádio e sua respectiva antena é de menos de 1 dB;
• a legislação vigente limita a potência EIRP (Equivalent Isotropic Irradiated Power – Potência Equivalente Isotropicamente Irradiada) do sinal transmitido a, no máximo, 30 dBm, devendo ser obedecida; e,
• log10 (5) ≅ 0,7.

Diante do exposto, assinale a alternativa mais adequada para as antenas a serem utilizadas no projeto e para configurar a potência do rádio transmissor: “antenas do tipo __________ com ________ de ganho e potência do transmissor de ________.”. 
Alternativas
Q4050811 Engenharia de Telecomunicações
Uma empresa necessita conectar a sua matriz a duas filiais A e B. O engenheiro de telecomunicações responsável concluiu que a forma mais adequada é através de dois radioenlaces ponto a ponto, operando em frequência não licenciada, conectando cada filial diretamente à matriz. Considere, ainda, que para os requisitos do projeto (taxa de dados, modulação, codificação etc.), os rádios receptores que serão utilizados apresentam uma sensibilidade de –74 dBm, sendo também necessário garantir uma SINR (Signal-toInterference plus Noise Ratio – relação sinal-interferência mais ruído) de, pelo menos, 25 dB. Considere, também, que, após uma varredura no espectro de frequência nas duas regiões onde se encontram as filiais, constatou-se que, nos canais de operação escolhidos, o nível máximo de “interferência mais ruído” obtido foi de –95 dBm na filial A e de –105 dBm na filial B. De acordo com tais informações e desprezando as perdas entre antena e rádio, as potências mínimas necessárias que devem ser captadas pelas antenas receptoras (considere uma margem de 20 dB), para que a comunicação na direção matriz-filiais seja sem falhas apreciáveis são de, aproximadamente:
Alternativas
Respostas
481: A
482: C
483: D
484: A
485: B
486: C
487: C
488: A
489: A
490: A
491: C
492: A
493: D
494: B
495: A
496: A
497: C
498: D
499: C
500: D