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De quem é a inteligência artificial?
Por Bruna Lombardi
01 Grandes mestres ultrapassam fronteiras, usos e costumes, linguagem, as mais diversas
02 culturas, crenças e superstições. Porque o sentido da humanidade está acima disso tudo. Vai
03 além de raças, gêneros e posição social. Trata do que nos une e não do que nos separa.
04 A arte dos grandes mestres toca aquele ponto do sentimento universal. Grandes mentes nos
05 elevam ao mais alto patamar do humanismo.
06 E agora, para onde vamos se as grandes mentes se tornam artificiais? Se a inteligência
07 suprema será a de megacomputadores que acumulam todo o conhecimento do mundo? Atônitos,
08 nos perguntamos e tentamos imaginar a cara desse futuro próximo.
09 Tenho participado de palestras, debates e mesas redondas com muita gente discutindo
10 sua visão futurista, para alguns, otimista, para outros, apocalíptica.
11 Todo bom autor de ficção científica já escreveu alguma coisa sobre as máquinas
12 dominarem o mundo. A criatura mata o criador, como numa das cenas mais poderosas e icônicas
13 do cinema, no Blade Runner original, quando o androide finalmente consegue encontrar quem o
14 fabricou e, entre amor e ódio, discute sua finitude, como um humano falando com Deus.
15 Sem levar em conta esse olhar fantasioso, máquinas são máquinas. E ninguém pode
16 acusar uma máquina ___ nada, exceto talvez as impressoras, que realmente parecem ter
17 vontade própria e só imprimem quando querem. Tudo o que usamos são ferramentas, criadas
18 por pessoas e usadas por pessoas.
19 Muita gente discute as possibilidades alarmantes com as quais a inteligência artificial (IA)
20 nos surpreenderia. Muitos questionam se ela vem para o bem ou para o mal. Estuda-se a história
21 da humanidade através de suas guerras, de suas conquistas e de sua arte para compreender o
22 indivíduo e sua evolução. A arte traduz cada momento histórico e com certeza nos ensina mais
23 do que as guerras.
24 Assim como os grandes mestres, a IA atingirá a todos em maior ou menor escala. Para
25 analisar o efeito da IA, é preciso entender por quem serão programadas as máquinas. Com que
26 versão do pensamento humano serão alimentadas? Qual será a somatória de princípios éticos e
27 morais? Qual a escala de valores? De quem elas serão a verdadeira tradução? A quem elas
28 servirão?
29 Para Krishnamurti, não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.
30 Para ele, a verdadeira revolução não é violenta, ela vem através do despertar da inteligência e
31 pela união de pessoas que podem influenciar e promover, aos poucos, gradualmente,
32 transformações radicais na sociedade.
33 O futuro desse mundo polarizado vai refletir quais correntes de pensamento? Que ideias
34 e ideologias vão ser programadas na grande rede neural da inteligência artificial? Assim como
35 em qualquer família, o que é ensinado aos filhos vai definir o que eles se tornarão, as máquinas
36 podem se transformar nas poderosas mentoras da guerra, do ódio, do domínio e da segregação.
37 Ou podem seguir os grandes mestres e compreender o mundo através da arte, do conhecimento
38 e inovação.
39 A tecnologia traz avanços gigantes na nossa caminhada, mas quem a programa e usa é
40 que vai definir nosso rumo.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
Leia a charge a seguir e as asserções acerca de sua relação com o texto anterior:
Fonte: www.cingo.com.br
I. A charge e o texto apresentam a mesma preocupação sobre a consequência central do uso da inteligência artificial,
POIS
II. a charge ilustra uma situação de falta de moral.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
De quem é a inteligência artificial?
Por Bruna Lombardi
01 Grandes mestres ultrapassam fronteiras, usos e costumes, linguagem, as mais diversas
02 culturas, crenças e superstições. Porque o sentido da humanidade está acima disso tudo. Vai
03 além de raças, gêneros e posição social. Trata do que nos une e não do que nos separa.
04 A arte dos grandes mestres toca aquele ponto do sentimento universal. Grandes mentes nos
05 elevam ao mais alto patamar do humanismo.
06 E agora, para onde vamos se as grandes mentes se tornam artificiais? Se a inteligência
07 suprema será a de megacomputadores que acumulam todo o conhecimento do mundo? Atônitos,
08 nos perguntamos e tentamos imaginar a cara desse futuro próximo.
09 Tenho participado de palestras, debates e mesas redondas com muita gente discutindo
10 sua visão futurista, para alguns, otimista, para outros, apocalíptica.
11 Todo bom autor de ficção científica já escreveu alguma coisa sobre as máquinas
12 dominarem o mundo. A criatura mata o criador, como numa das cenas mais poderosas e icônicas
13 do cinema, no Blade Runner original, quando o androide finalmente consegue encontrar quem o
14 fabricou e, entre amor e ódio, discute sua finitude, como um humano falando com Deus.
15 Sem levar em conta esse olhar fantasioso, máquinas são máquinas. E ninguém pode
16 acusar uma máquina ___ nada, exceto talvez as impressoras, que realmente parecem ter
17 vontade própria e só imprimem quando querem. Tudo o que usamos são ferramentas, criadas
18 por pessoas e usadas por pessoas.
19 Muita gente discute as possibilidades alarmantes com as quais a inteligência artificial (IA)
20 nos surpreenderia. Muitos questionam se ela vem para o bem ou para o mal. Estuda-se a história
21 da humanidade através de suas guerras, de suas conquistas e de sua arte para compreender o
22 indivíduo e sua evolução. A arte traduz cada momento histórico e com certeza nos ensina mais
23 do que as guerras.
24 Assim como os grandes mestres, a IA atingirá a todos em maior ou menor escala. Para
25 analisar o efeito da IA, é preciso entender por quem serão programadas as máquinas. Com que
26 versão do pensamento humano serão alimentadas? Qual será a somatória de princípios éticos e
27 morais? Qual a escala de valores? De quem elas serão a verdadeira tradução? A quem elas
28 servirão?
29 Para Krishnamurti, não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente.
30 Para ele, a verdadeira revolução não é violenta, ela vem através do despertar da inteligência e
31 pela união de pessoas que podem influenciar e promover, aos poucos, gradualmente,
32 transformações radicais na sociedade.
33 O futuro desse mundo polarizado vai refletir quais correntes de pensamento? Que ideias
34 e ideologias vão ser programadas na grande rede neural da inteligência artificial? Assim como
35 em qualquer família, o que é ensinado aos filhos vai definir o que eles se tornarão, as máquinas
36 podem se transformar nas poderosas mentoras da guerra, do ódio, do domínio e da segregação.
37 Ou podem seguir os grandes mestres e compreender o mundo através da arte, do conhecimento
38 e inovação.
39 A tecnologia traz avanços gigantes na nossa caminhada, mas quem a programa e usa é
40 que vai definir nosso rumo.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:
I. A autora inicia o texto trazendo um assunto que será ligado ao seu tema principal no segundo parágrafo.
II. Ao longo do texto, a autora menciona um tipo de máquina que ela afirma não funcionar sempre que necessário.
III. A autora adverte que, no futuro, a IA será autossuficiente e controlará nossas vidas.
Quais estão corretas?
Analise os itens abaixo de acordo com a Lei e 8.142/1990.
Os recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) serão alocados como:
I - despesas de custeio e de capital do Ministério da Saúde, seus órgãos e entidades, da administração direta apenas.
II - investimentos previstos no Plano anual do Ministério da Saúde.
III - cobertura das ações e serviços de saúde a serem implementados pelos Municípios, Estados e Distrito Federal.
IV - investimentos previstos em lei orçamentária, de iniciativa do Poder Legislativo e aprovados pelo Congresso Nacional.
Está(ão) incorreta(s) a(s) assertiva(s):
De acordo a Lei Federal 8.080. analise as afirmativas abaixo atribuindo (V) para Verdadeira e (F) para Falsa, em seguida assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) são reconhecidos como entidades representativas dos entes estaduais e municipais para tratar de matérias referentes à saúde e declarados de utilidade pública e de relevante função social, na forma do regulamento.
( ) O Conass e o Conasems receberão recursos do orçamento geral da União por meio do Fundo Nacional de Saúde, para auxiliar no custeio de suas despesas institucionais, podendo ainda celebrar convênios com a União.
( ) Os Conselhos de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) são reconhecidos como entidades que representam os entes municipais, no âmbito estadual, para tratar de matérias referentes à educação, desde que vinculados institucionalmente ao Conasems, na forma que dispuserem seus estatutos.
Analise os itens a seguir atribuindo (V) para Verdadeira e (F) para Falsa, em seguida assinale a alternativa com a sequÍncia correta.
Há vários fatores que influenciam nos níveis de pressão arterial, entre eles:
( ) Obesidade;
( ) NÌveis altos de colesterol;
( ) Falta de atividade fÌsica.
Leia o trecho abaixo e assinale a alternativa que complete corretamente a lacuna:
O __________ é um serviço de armazenamento em nuvem que permite aos usuários armazenar, sincronizar e compartilhar arquivos e documentos online. Ele oferece a capacidade de acessar seus arquivos a partir de qualquer dispositivo com conexão à internet e facilita a colaboração em documentos compartilhados.
Roberto trabalha em um escritório de contabilidade, e precisa entregar uma Nota Fiscal que está em arquivo PDF para o seu cliente, para isso, ele deve:
O Microsoft Outlook é principalmente uma ferramenta de comunicação e gerenciamento de informações pessoais, e muitas tarefas específicas exigem software dedicado para serem realizadas com eficiência. São funções do MSOutlook 2016, EXCETO:
Sobre a função “responder” no MS-Outlook 2016, é possível afirmar:
Em se tratando de MS-Windows 7, assinale a alternativa que apresenta o atalho para abrir o menu Iniciar:
No diagrama lógico abaixo, o retângulo maior representa todos os profissionais. O quadrado representa todos os pedreiros, o círculo representa todos os encanadores e o triângulo representa todos os eletricistas:
Em seguida, observe as seguintes afirmativas:
I - Há pedreiros que também são eletricistas;
II – Todo encanador também é eletricista;
III - Todo encanador também é pedreiro;
IV – Não há eletricistas que também são encanadores.
Com base no diagrama, as afirmativas corretas são:
Observe as seguintes sequências figurais:
De acordo com as correspondências abaixo, indique as possíveis sequências que seguem a mesma lógica:
I)
II)
III)
Assinale a alternativa que apresenta a sentença correta em relação ao emprego da crase.
Considere as seguintes sentenças:
I. Mesmo que tenhamos feito as pazes, nada será como antes.
II. Ela se deu bem na prova, embora não tenha estudado.
III. Apesar dos momentos ruins, este ano foi cheio de realizações.
Nas sentenças dadas, as orações subordinadas que apresentam as expressões “mesmo que”, “embora” e “apesar de” exprimem o mesmo sentido. Este sentido é:
Assinale a alternativa em que todas as palavras são proparoxítonas.
Caso de divórcio (I)
O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.
― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.
― Ora, Morgadinho…
Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.
― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.
― Vamos ver.
Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.
― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?
― Ainda não.
Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.
― Quem sabe Momo?
― Não.
― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:
― Tigre?
Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.
― Que tal este: “Barrilzinho”?
― Não gosto.
Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.
― Pitoco. Vem, Pitoco.
Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.
― Você não me ama.
― Ora, Morgadinho…
― Até hoje não pensou num apelido para mim.
― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.
O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:
― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!
Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:
I. “Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo.”
II. “Na noite de núpcias, ele lhe declarou.”
III. “Taí teu apelido. Xaropão.”
As sentenças dadas apresentam diferentes tipos de pronomes. Ocorre pronome indefinido apenas em:
Caso de divórcio (I)
O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.
― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.
― Ora, Morgadinho…
Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.
― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.
― Vamos ver.
Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.
― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?
― Ainda não.
Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.
― Quem sabe Momo?
― Não.
― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:
― Tigre?
Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.
― Que tal este: “Barrilzinho”?
― Não gosto.
Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.
― Pitoco. Vem, Pitoco.
Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.
― Você não me ama.
― Ora, Morgadinho…
― Até hoje não pensou num apelido para mim.
― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.
O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:
― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!
Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:
I. “Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro.”
II. “Você não me ama.”
Nas sentenças dadas, a colocação pronominal ocorre, respectivamente, como:
Caso de divórcio (I)
O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.
― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.
― Ora, Morgadinho…
Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.
― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.
― Vamos ver.
Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.
― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?
― Ainda não.
Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.
― Quem sabe Momo?
― Não.
― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:
― Tigre?
Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.
― Que tal este: “Barrilzinho”?
― Não gosto.
Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.
― Pitoco. Vem, Pitoco.
Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.
― Você não me ama.
― Ora, Morgadinho…
― Até hoje não pensou num apelido para mim.
― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.
O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:
― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!
Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere o seguinte excerto: “Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo.” Neste contexto, os verbos ‘desmontara’, ‘saíra’ e ‘dando’ apresentam, respectivamente, as conjugações:
Caso de divórcio (I)
O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.
― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.
― Ora, Morgadinho…
Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.
― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.
― Vamos ver.
Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.
― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?
― Ainda não.
Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.
― Quem sabe Momo?
― Não.
― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:
― Tigre?
Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.
― Que tal este: “Barrilzinho”?
― Não gosto.
Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.
― Pitoco. Vem, Pitoco.
Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.
― Você não me ama.
― Ora, Morgadinho…
― Até hoje não pensou num apelido para mim.
― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.
O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:
― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!
Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere as palavras I. fofura e II. barrilzinho, que ocorrem no texto. As palavras dadas apresentam marcas que indicam tipos de processos de formação. Assinale a alternativa que classifica corretamente os elementos -ura e - inho, que ocorrem respectivamente nas palavras I e II, e o tipo de processo ao qual esses elementos são relacionados.
Caso de divórcio (I)
O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.
― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.
― Ora, Morgadinho…
Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.
― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.
― Vamos ver.
Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.
― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?
― Ainda não.
Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.
― Quem sabe Momo?
― Não.
― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:
― Tigre?
Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.
― Que tal este: “Barrilzinho”?
― Não gosto.
Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.
― Pitoco. Vem, Pitoco.
Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.
― Você não me ama.
― Ora, Morgadinho…
― Até hoje não pensou num apelido para mim.
― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.
O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:
― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!
Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:
I. “No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil.”
II. “― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.”
Nas sentenças dadas, a palavra “se” atua, respectivamente, como: