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Durante as eleições de 2022, circulou intensamente nas redes sociais um vídeo editado que mostrava supostos “invasores” de propriedades rurais portando armas, gerando grande comoção e pedidos por intervenção policial. Posteriormente, verifi cou-se que as imagens eram de anos anteriores e fora de contexto.
SANTOS, João Vitor T.; IZUMINO, E. Mídia e violência: novas tendências na cobertura da criminalidade. São Paulo: Hucitec, 2015. p. 89-112. COHEN, Stanley. Folk Devils and Moral Panics: The Creation of the Mods and Rockers. 3. ed. London: Routledge, 2002.
Analisando este fenômeno a partir de uma perspectiva sociológica que investiga a relação entre comunicação, desvio e ordem social, é possível afi rmar que tal caso ilustra principalmente:
A partir dos anos 2000, ganhou força no Brasil um modelo de gestão escolar inspirado no setor privado: as metas de aprendizagem são defi nidas com base em índices como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB); os bônus para professores são atrelados ao desempenho dos alunos nas provas; escolas são ranqueadas em listas públicas; e conglomerados educacionais privados passam a administrar unidades públicas por meio de parcerias. Para um conjunto de sociólogos críticos, essa não é apenas uma mudança administrativa, mas a expressão de uma lógica mais profunda que transforma a educação, antes pensada como direito social e formação cidadã, em uma commodity regulada pela lógica do mercado.
BALL, Stephen J. Educação global S.A.: novas redes políticas e o imaginário neoliberal. Tradução de Janete Bridon. Petrópolis: Vozes, 2022.
A interpretação sociológica que melhor explica a transformação descrita é a que identifi ca a operação de um paradigma que:
Em um bairro nobre de São Paulo, as famílias não escolhem escolas apenas pela grade curricular. Elas avaliam se a escola oferece debate parlamentar em inglês, orquestra sinfônica, equipes de robótica que participam de competições internacionais e viagens de estudo ao exterior. Essas atividades, que vão muito além do vestibular, produzem nos alunos um estilo de fala, uma postura corporal e uma rede de contatos que os distinguem. Em processos seletivos para estágios em multinacionais ou entrevistas para universidades no exterior, essa “gramática corporal” e esse “repertório de mundo” frequentemente pesam mais do que as notas. Essa lógica de distinção social é analisada com base no conceito de habitus e campo.
BOURDIEU, P. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp, 2019.
A análise sociológica que melhor decodifi ca essa lógica, entendendo a educação como um jogo de distinção social no qual se acumulam e se convertem diferentes formas de capital, é tributária da obra de um autor para quem o mundo social se estrutura como:
Dados da PNAD Contínua (2023) e do Atlas da Violência (2023–2024) evidenciam que pessoas negras seguem mais expostas a vulnerabilidades, mesmo após políticas de inclusão. Essas desigualdades revelam que múltiplas dimensões da vida social (raça, gênero, classe) se entrecruzam na reprodução das hierarquias (IPEA, 2024). IPEA. Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros. Brasília: IPEA, 2022. Disponível em: https://www. ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/atlas/220826_atlas_ da_vulnerabilidade_social_nos_municipios_brasileiros.pdf. Acesso em: 02 fev. 2026.
À luz desse cenário, a sociedade brasileira pode ser compreendida, por uma perspectiva que considera a interação entre variáveis sociais, como:
Relatórios do IPEA (2023) apontam o crescimento de movimentos sociais que reivindicam memória histórica e reparação simbólica em relação a grupos marginalizados, como povos indígenas e comunidades quilombolas. Esses movimentos contestam narrativas ofi ciais que silenciam experiências históricas de violência e resistência, transformando a forma como o passado é lembrado em um campo de disputa simbólica (IPEA, 2023).
IPEA. Memória, reparação e justiça histórica no Brasil. Brasília: IPEA, 2023. Disponível em: https://www.ipea.gov. br/publicacoes. Acesso em: 03 fev. 2026.
Uma análise sociológica fundamentada no conceito de memória coletiva interpretaria esse fenômeno como resultado de um processo em que:
IBGE. Sistema de Informações e Indicadores Culturais 2023–2024. Brasília: IBGE, 2024. Disponível em: https:// www.ibge.gov.br/estatisticas/culturais.html. Acesso em: 02 fev. 2026.
Nesse contexto, a análise dos padrões de consumo e estilo de vida permite compreender que as preferências culturais:
Nas últimas décadas, políticas públicas no Brasil — como programas de transferência de renda, ampliação do acesso ao ensino superior, expansão da atenção básica em saúde e políticas de ação afi rmativa — contribuíram para reduzir determinadas vulnerabilidades sociais e ampliar o acesso formal a direitos. Entretanto, indicadores sobre renda, mobilidade social, desigualdade racial, segregação urbana e acesso a serviços públicos mostram que barreiras estruturais persistem, especialmente em territórios periféricos e entre populações historicamente marginalizadas.
Além disso, parte das políticas estatais opera sob restrições fiscais, interesses políticos, disputas institucionais e lógicas de mercado, o que pode limitar seus efeitos redistributivos e, em alguns casos, reforçar assimetrias já existentes. SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2023.pp.80-120.
A partir dessa leitura sociológica e empírica da realidade brasileira, essa ambivalência sugere que o Estado tende a:
Em diferentes contextos sociais — como escolas públicas que utilizam sistemas de monitoramento de frequência e comportamento, empresas que avaliam desempenho por métricas digitais e cidades que ampliam o uso de câmeras de vigilância e bases de dados para controle populacional — observa-se que a regulação da vida social ocorre não apenas por punições formais, mas também por práticas cotidianas de vigilância, classifi cação, normalização e indução de comportamentos considerados adequados. Essas estratégias tendem a infl uenciar rotinas, escolhas, modos de agir e até a forma como os indivíduos percebem a si mesmos e aos outros.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. 50. ed. Petrópolis: Vozes, 2021.
Considerando esse cenário, pode-se inferir que esse tipo de poder atua PREDOMINANTEMENTE por meio de:
I. O texto literário transcende questões puramente estéticas, desempenhando funções sociais como a formação das consciências individuais e coletivas.
II. A literatura desempenha funções sociais e estéticas como a humanização do homem e a transformação social.
III. A literatura é um fenômeno artístico e humanizador que pode ser reduzido ao seu conteúdo social.
Após a análise dos itens, assinale a alternativa CORRETA:
Lembrei de Nós
João Gomes - (part. Mestrinho e Jota.pê)
Quando o Sol vai, você vem
Pra competir com as estrelas
Do seu amor, sou refém
Você é minha certeza
Hoje eu lembrei de nós
Embaixo dos lençóis
Viajando sem sair do quarto
Sonhando acordado
Você é meu norte
Minha sorte, não me deixe
Me deixa mais forte
A razão do meu corre
Você me envolve
Você me resolve
Você é meu norte
Minha sorte, não me deixe
Me deixa mais forte
A razão dos meus corres
Você me envolve (você me envolve)
Você me resolve (vai)
CARNEIRO, Kaique; COMPOSITOR, Kinho; COMPOSITOR, Luizinho; LUCAS, Rian. Lembrei de nós. Intérprete: João Gomes; Mestrinho e Jota.pê. In: Dominguinho. 2025. Disponível em: https://bfan.link/dominguinho. Acesso em: 01 fev. 2026.
Sextilhas Românticas
Paisagens da minha terra,
Onde o rouxinol não canta
- Mas que importa o rouxinol?
Frio, nevoeiros da serra
Quando a manhã se levanta
Toda banhada de sol!
Sou romântico? Concedo.
Exibo, sem evasiva,
A alma ruim que Deus me deu.
Decorei "Amor e medo”,
"No lar”, "Meus oito anos”... Viva
José Casimiro Abreu!
Sou assim, por vício inato.
Ainda hoje gosto de Diva,
Nem não posso renegar
Peri tão pouco índio, é fato,
Mas tão brasileiro... Viva,
Viva José de Alencar!
[...]
BANDEIRA, M. Bandeira de bolso: uma antologia poética. Org. de Mara Jardim. Porto Alegre: LP&M, 2010.p. 113-114.
TEXTO PARA A QUESTÃO
Insensivelmente, ele parou para verificar quem o chamava. De dentro da taverna, com passo apressado, veio ao seu encontro uma negra suja, carapinha desgrenhada, com um caco de pente atravessado no alto da cabeça, calçando umas remendadas chinelas de tapete. Estava meio embriagada. Cassi espantou-se com aquele conhecimento; fazendo um ar de contrariedade, perguntou amuado:
- Que é que você quer?
A negra, bamboleando, pôs as mãos nas cadeiras e fez com olhar de desafio:
- Então, você não me conhece mais, “seu canaia”? Então você não “si” lembra da Inês, aquela crioulinha que sua mãe criou e você...
Lembrou-se, então, Cassi, de quem se tratava. Era a sua primeira vítima, que sua mãe, sem nenhuma consideração, tinha expulsado de casa em adiantado estado de gravidez. Reconhecendo-a e se lembrando disso, Cassi quis fugir. A rapariga pegou-o pelo braço:
- Não fuja, não, "seu" patife! Você tem que "ouvi" uma "pouca" mas de "sustança".
A esse tempo, já os frequentadores habituais do lugar tinham acorrido das tascas e hospedarias e formavam roda, em torno dos dois. Havia homens e mulheres, que perguntavam:
- O que há, Inês?
- O que te fez esse moço?
Cassi estava atarantado no meio daquelas caras antipáticas de sujeitos afeitos a brigas e assassinatos. Quis falar:
- Eu não conheço essa mulher. Juro...
- "Muié", não! - fez a tal Inês, gingando. - Quando você "mi" fazia "festa", "mi" beijava e "mi" abraçava, eu não era "muié", era outra coisa, seu "cosa" ruim!
Um negro esguio, de olhar afoito, com um ar decidido de capoeira, interveio:
- Mas, Inês, quem é afi nal esse moço?
- É o "home qui mi" fez mal; que "mi" desonrou, "mi pois" nesta "disgraça".
- Eu! - exclamou Cassi.
- Sim! Você "memo", "seu" caradura! "Mi alembro" bem... Foi até no quarto de sua mãe...
Estava arrumando a casa.
Uma outra mulher, mas esta branca, com uns lindos cabelos castanhos, em que se viam lêndeas, comentou:- É sempre assim. Esses "nhonhôs gostosos" desgraçam a gente, deixam a gente com o filho e vão-se. A mulher que se fomente... Malvados!
Cassi ouvia tudo isso sem saber que alvitre tornar. Estava amarelo e olhava, por baixo das pálpebras, todas as faces daquele ajuntamento. Esperava a polícia, um socorro qualquer. A preta continuava:
- Você sabe onde "tá" teu "fio"? "Tá" na detenção, fique você sabendo. "Si" meteu com ladrão, é "pivete" e foi “pra chacr’a". Eis aí que você fez, "seu marvado", "home mardiçoado". Pior do que você só aquela galinha-d'angola de "tua" mãe, "seu" sem-vergonha!
BARRETO, L. Clara dos Anjos. Belo Horizonte: Autêntica, 2023. p.150-151.
TEXTOS I E II PARA A QUESTÃO
TEXTO I
Uma revolução sem gramática
Professor honorário de linguística da Universidade do País de Gales, David Crystal é uma das maiores autoridades em linguagem. Autor de A Revolução da Linguagem, falou à VEJA, em 2007, sobre os impactos da internet no uso da língua e sobre o desaparecimento de línguas no mundo.
A internet está mudando o caráter das línguas?
Em cinquenta ou cem anos, todas as línguas que usam a internet serão diferentes. Surge o netspeak, ou comunicação mediada pelo computador. Ainda é cedo para prever a extensão dessa mudança, pois transformações linguísticas levam tempo. A distância entre Chaucer e Shakespeare, separados por duzentos anos, ilustra isso. O e-mail é recente. Há novidades gráficas e no uso de emoticons, mas não uma nova gramática. Poucas palavras foram incorporadas ao inglês por causa da internet, sem alterar seu caráter.
A informalidade é uma característica do netspeak?
Sim, por enquanto. O fenômeno começou com os nerds da internet, que viam a rede como alternativa à comunicação formal. Ignoravam pontuação e ortografia. Com a popularização da internet, essa informalidade se espalhou, especialmente nos e-mails. Hoje, com usuários mais velhos, a comunicação tende a se tornar novamente mais formal.
Por que tantas línguas estão desaparecendo?
O principal motivo é a assimilação cultural causada pela globalização. Línguas majoritárias suprimem idiomas menores. Não apenas o inglês, mas também chinês, russo, hindi e suahili ameaçam línguas de pequenas comunidades. A preservação depende de políticas regionais que valorizem a diversidade.
O que se perde quando uma língua morre?
Perde-se uma forma única de ver o mundo. Cada língua expressa uma visão própria, ligada à história, ao ambiente e ao modo de pensar de uma comunidade. A linguagem é o meio fundamental de comunicar essa experiência humana.
O inglês ameaça o português?
Não. Todas as línguas incorporam palavras estrangeiras. O inglês tomou empréstimos de mais de 350 línguas, o que ampliou sua expressividade. Palavras estrangeiras não substituem as existentes, coexistem com elas. Assim, a língua evolui e se enriquece.
MARINHO, Janice Helena Chaves; DACONTI, Geruza Corrêa; CUNHA, Gustavo Ximenes. O texto e sua tipologia: fundamentos e aplicações. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2012, p. 42–44. Adaptado.
TEXTO II

Disponível em: https://blogdoaftm.com.br/charge-geracao-internet/ . Acesso em: 05 fev. 2026.
Analise os exemplos a seguir:
I. Futebol, bife, estresse, líder
II. Arranha-céu, fim de semana, carta branca
III. Aplicação (no sentido de programa digital), rede (no sentido informacional)
IV. Printar, deletar, downloadar
V. USB, Wi-Fi, CEO, HTML
VI. Delivery → entrega, mouse → rato
Assinale a alternativa que associa CORRETAMENTE cada conjunto ao respectivo mecanismo linguístico.
TEXTO PARA A QUESTÃO
A Dança da Maçã
Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente.
– Oi.
– Oi.
Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. Um senhor e um mais moço.
– Este e o seu Molina e este... Como é seu nome mesmo?
– Arlei disse o mais moco.
– Arlei. Eles vieram me ajudar com a mudança.
– Bom dia – disse Luiza. – Já está tudo mais ou menos separado. Algumas caixas de papelão e sacolas de plástico, uma lâmpada articulada de mesa de desenho, a mesa de desenho desmontada, uma taça de metal. Tudo junto perto da porta.
– Eu resolvi levar a poltrona – disse Antônio.
– Tudo bem – disse Luiza.
– E isso aí, pessoal ? disse Antônio, abrindo os braços para mostrar o que seria levado. Isto, e aquela poltrona ali. [...]
– Álbum de fotografia. Vai também?
– Vai – disse Luiza. Tudo que esta nas sacolas vai embora. Arlei estava olhando o álbum. Mostrou para o seu Molina:
– Olha os dois na praia.
E fez um aceno de cabeça para Luiza, com as pontas da boca puxadas para baixo, querendo dizer “Sim senhora, hein?”, e que a Luiza de biquíni não era de se jogar fora. Mas o seu Molina estava sério, olhando para Luiza.
– Você não quer ficar com o álbum?
Luiza perdeu a paciência.
– Não quero ficar com nada disto, entende? O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.
São dele. [...]
Disponível em: http://www.scribd.com/doc/10940016/ CronicasSelecionadas-Do-Jornal-Estadao-Luis-Fernando-Verissimo . Acesso em 05/02/2026.
TEXTO PARA A QUESTÃO
A Dança da Maçã
Antônio chegou na hora marcada. Ainda tinha a chave do apartamento, mas preferiu bater. Luiza abriu a porta. Os dois se cumprimentaram secamente.
– Oi.
– Oi.
Antônio fez um gesto indicando os dois homens que estavam com ele. Um senhor e um mais moço.
– Este e o seu Molina e este... Como é seu nome mesmo?
– Arlei disse o mais moco.
– Arlei. Eles vieram me ajudar com a mudança.
– Bom dia – disse Luiza. – Já está tudo mais ou menos separado. Algumas caixas de papelão e sacolas de plástico, uma lâmpada articulada de mesa de desenho, a mesa de desenho desmontada, uma taça de metal. Tudo junto perto da porta.
– Eu resolvi levar a poltrona – disse Antônio.
– Tudo bem – disse Luiza.
– E isso aí, pessoal ? disse Antônio, abrindo os braços para mostrar o que seria levado. Isto, e aquela poltrona ali. [...]
– Álbum de fotografia. Vai também?
– Vai – disse Luiza. Tudo que esta nas sacolas vai embora. Arlei estava olhando o álbum. Mostrou para o seu Molina:
– Olha os dois na praia.
E fez um aceno de cabeça para Luiza, com as pontas da boca puxadas para baixo, querendo dizer “Sim senhora, hein?”, e que a Luiza de biquíni não era de se jogar fora. Mas o seu Molina estava sério, olhando para Luiza.
– Você não quer ficar com o álbum?
Luiza perdeu a paciência.
– Não quero ficar com nada disto, entende? O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.
São dele. [...]
Disponível em: http://www.scribd.com/doc/10940016/ CronicasSelecionadas-Do-Jornal-Estadao-Luis-Fernando-Verissimo . Acesso em 05/02/2026.
I. “Antônio chegou na hora marcada.”
II. “Ainda tendo a chave do apartamento, preferiu bater.”
III. “Tudo estando nas sacolas, vai embora.”
IV. “O que está nas caixas e nos sacos, é para ir embora.”
Assinale a alternativa CORRETA quanto à análise sintática das orações reduzidas presentes nos fragmentos.