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Q3808965 Português
Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando o sentido pretendido com o uso dos artigos destacados:

Primeira coluna: sentidos
1.Substantivação
2.Sentido de posse
3.Ênfase.

Segunda coluna: artigos
(__)Ela trazia a cabeça embranquiçada pelas preocupações dos últimos anos.
(__)A pintura era de uma precisão absurda.
(__)Eu não sei lidar com o inesperado.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3808961 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson


Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.

Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.

Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.

As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.

A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.

Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.

"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]

A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.

"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]

"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros." 

Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]


(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
De acordo com o texto, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)A fome não está apenas na falta de acesso a alimentos. Diante da impossibilidade de adquirir alimentos mais nutritivos, as pessoas os trocam por ultraprocessados, que são opções mais baratas. Isso também é entendido como fome.
(__)Os planos futuros dos agricultores se estruturam em três frentes: o fortalecimento da produção nas hortas, a criação de um fundo, uma reserva de alimentos e a construção de uma cozinha comunitária para manipulação dos alimentos.
(__)O principal objetivo dos agricultores ao construir as hortas é impedir a entrada de ultraprocessados na comunidade, criando uma barreira natural e limpa e obrigando a comunidade a mudar seus hábitos alimentares.
(__)A maioria dos moradores do Jardim Ibirapuera é constituída por pessoas negras.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3808960 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson


Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.

Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.

Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.

As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.

A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.

Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.

"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]

A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.

"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]

"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros." 

Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]


(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
A partir da leitura do texto e da mobilização de seus conhecimentos, analise as sentenças a seguir:

I.A pesquisa que identifica a realidade de pessoas em "insegurança alimentar grave" foi um estudo conduzido pela própria comunidade.
II.No contexto da comunidade, estar entre aquelas pessoas que vivem em "insegurança alimentar grave" é resultado da falta de renda, ou seja, sem renda elas não podem fazer todas as refeições diárias.
III.No Jardim Ibirapuera há, proporcionalmente, mais pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar do que em toda a cidade de São Paulo.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3808959 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson


Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.

Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.

Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.

As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.

A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.

Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.

"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]

A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.

"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]

"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros." 

Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]


(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
Leia o excerto:

"Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade."

Considerando as informações contidas no excerto, o texto e seus conhecimentos prévios, analise as sentenças e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)De acordo com o texto, a relação das populações periféricas com o alimento vai além do gesto de se alimentar, de consumi-lo. A relação é cultural, afetiva e histórica. 
(__)Ao afirmar que "o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano", o autor do texto tece uma crítica à valorização dos alimentos originados em culturas brancas, como as europeias, em detrimento daqueles oriundos, por exemplo, dos povos afrodescendentes.
(__)A partir da leitura de todo o texto, é possível compreender que o alimento pode ser muito mais do que apenas comida. Seu modo de produção pode ser um gesto de resistência, por exemplo, aos ultraprocessados.
(__)Quando o imigrante vai para grandes metrópoles, como São Paulo, e leva consigo os alimentos típicos de seu lugar de origem, ele está demonstrando sua indisposição em se adaptar à outra cultura alimentar. Isso fica muito evidente quando o autor do texto lança mão de palavras como "estado sólido", "resiste ao embranquecimento", "autonomia e continuidade".

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3808958 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Sob os trilhos do metrô, hortas urbanas combatem avanço de ultraprocessados na periferia de São Paulo


Moradores do Jardim Ibirapuera plantam legumes e verduras sem agrotóxico como alternativa à pobreza de nutrientes identificada em estudo inédito conduzido pela comunidade.


Adriano Wilkson


Debaixo dos trilhos do metrô de São Paulo, quatro agricultores urbanos observam o lento crescimento de mudas de milho cuidadosamente organizadas em um canteiro montado com restos de construção civil. Alguns metros adiante, pés de alface, couve, banana e erva-cidreira dividem terreno com uma vaca que pasta displicente.

Ao caminhar em meio ao verde, por um momento você até poderia supor que saiu da capital paulista, mas o frenesi do trânsito da avenida Guido Caloi, que dá acesso à Marginal Pinheiros, logo chama à realidade. Essa é uma das vias mais movimentadas e caóticas de São Paulo. Mas é ali, no meio de um conjunto de favelas chamado Jardim Ibirapuera, que os moradores decidiram construir uma alternativa à pobreza alimentar que assola a comunidade.

Dos 41 mil moradores do bairro, 13 mil, ou 31%, passam fome. Tecnicamente, essas pessoas vivem em "insegurança alimentar grave", o que significa que a falta de renda as impede de fazer todas as refeições que gostariam. Essa taxa é maior do que a registrada no município de São Paulo como um todo, onde 12% da população passa fome [...]. A conclusão consta em uma pesquisa inédita feita pelo Observatório Ibira30, um braço do Bloco do Beco, organização não governamental que atua no Jardim Ibirapuera desde 2003. Durante seis meses, entre janeiro e junho de 2025, pesquisadores do observatório bateram de porta em porta para entrevistar moradores e investigar seus hábitos alimentares.

As 382 entrevistas revelaram a presença da fome não apenas na ausência de alimentos, mas também no avanço de ultraprocessados e de opções menos nutritivas entre os moradores. Por exemplo, 86% dos entrevistados disseram já terem precisado trocar alimentos saudáveis por opções mais baratas e menos nutritivas.

A situação piorou durante a pandemia, quando muitos moradores perderam renda e precisaram contar com doações para sobreviver. Biscoitos, bebidas açucaradas e alimentos instantâneos se tornaram então ainda mais comuns nas despensas do bairro. Segundo a pesquisa, dois em cada três deles disseram que seus hábitos alimentares pioraram com a chegada da covid.

Foi após esse cenário de crise que um cozinheiro pernambucano viu em um terreno abandonado a chance de produzir comida de qualidade.[...] É nesse pequeno espaço que ele tenta construir, junto com os vizinhos, uma alternativa limpa e natural para substituir o avanço dos ultraprocessados. [...] Hoje as três hortas do bairro produzem verduras, legumes, frutas e plantas para chá, dos quais a população faz uso medicinal.

"Eu me considero hoje outra pessoa mexendo com a terra, trabalhando no ritmo da natureza e sabendo exatamente o que tem no alimento que eu como", afirma Neto, que, assim como os demais agricultores, não usa agrotóxico na produção e adota princípios da agroecologia para fazer a gestão de pragas. "Demora mais, às vezes a gente erra, mas vale a pena porque é saudável." [...]

A etnografia do observatório identificou que no Jardim Ibirapuera 29% dos moradores têm origem no Nordeste e três em cada quatro são pessoas pretas ou pardas. Para muitas delas os hábitos alimentares refletem a cultura e as tradições que a vida e a rotina em uma cidade como São Paulo ainda não foram capazes de apagar.

"Na São Paulo urbana e formalizada, as gôndolas dos mercados podem até ocultar as origens dos ingredientes", escreveu Marcelo Zarzuela Coelho, o Lelo, um dos coordenadores do estudo. "Mas nas periferias, o cuscuz de milho ainda é memória nordestina em estado sólido, o leite de coco ainda carrega o sopro da diáspora africana, o azeite de dendê resiste ao embranquecimento do paladar urbano, e a mandioca segue sendo mais que raiz: é símbolo de autonomia e continuidade." [...]

"Nosso sonho até 2030 é construir um tripé", explica Luiz Claudio de Souza, articulador institucional do Observatório. "Potencializar as hortas, criar um banco de alimentos, também com a contribuição de mercados e hortifrutis do bairro, e construir uma cozinha comunitária que possa manipular esses alimentos junto com a comunidade. Mas pra isso precisamos de parceiros." 

Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento. [...]


(Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2025/11/sob-os-trilhos-do-metro-hortas-urba nas-combatem-avanco-de-ultraprocessados-na-periferia-de-sao-paulo/. Acesso em: 25 nov. 2025. Adaptado.)
Considerando o texto como um todo, no excerto: "Enquanto esse sonho não se concretiza, os agricultores urbanos colhem das hortas frutos que não se resumem aos vegetais que crescem ali. São valores intangíveis que se espalham pela comunidade como sementes levadas pelo vento", a palavra intangíveis tem o mesmo sentido de:
Alternativas
Q3807091 Biologia
A relação entre saúde humana, nutrição e meio ambiente tem se tornado cada vez mais evidente diante das mudanças climáticas e dos impactos ambientais provocados pelas atividades humanas. Alterações nos padrões climáticos, degradação de ecossistemas e poluição do solo e da água podem afetar a disponibilidade de alimentos, qualidade nutricional e o surgimento de doenças crônicas e infecciosas. Considerando esses aspectos, assinale a alternativa correta sobre estratégias de prevenção de doenças e promoção da saúde no contexto da sustentabilidade:
Alternativas
Q3807090 Biologia
A manutenção da homeostase é essencial para que o organismo humano funcione de forma equilibrada diante de variações internas e externas, envolvendo a interação complexa entre diferentes sistemas fisiológicos. Considerando essa integração, analise as afirmativas a seguir sobre os sistemas endócrino, nervoso e excretor:

I. O sistema endócrino regula funções corporais complexas, como crescimento, metabolismo e reprodução, por meio da liberação de hormônios diretamente nos tecidos-alvo ou na corrente sanguínea, sendo capaz de respostas tanto locais quanto sistêmicas.

II. O sistema nervoso central coordena respostas rápidas e mantém controle duradouro sobre funções como pressão arterial e secreção hormonal, tornando sua atuação mais lenta do que a do sistema endócrino na maioria das respostas homeostáticas.

III. O sistema excretor contribui para o controle osmótico, equilíbrio ácido-base e eliminação de metabólitos nitrogenados, além de participar de regulação indireta de hormônios como renina e eritropoietina.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3807089 Biologia
O avanço das tecnologias de edição gênica, como o sistema CRISPR-Cas9, trouxe importantes possibilidades terapêuticas, mas também levantou discussões éticas sobre os limites da intervenção humana no genoma. Considerando os princípios da biotecnologia moderna e os aspectos éticos envolvidos, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3807088 Biologia
Os seres vivos utilizam diferentes processos metabólicos para captar, transformar e utilizar energia, assegurando a manutenção das funções vitais. Com base nesses processos, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) A fotossíntese é um processo metabólico que converte a energia luminosa em energia química, produzindo glicose e oxigênio a partir de gás carbônico e água, sendo realizada nos cloroplastos.

(__) A respiração celular aeróbica ocorre nas mitocôndrias, onde o oxigênio atua como aceptor final de elétrons, permitindo a síntese eficiente de ATP.

(__) A fermentação é um processo anaeróbico, no qual a oxidação parcial da glicose gera pequenas quantidades de ATP, sem participação do oxigênio, com função principal de regenerar o NAD+.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q3807086 Meio Ambiente
A matriz energética brasileira apresenta uma combinação de fontes renováveis e não renováveis, o que influencia sua segurança energética, custo e impacto ambiental. A transição para um modelo mais sustentável depende de políticas públicas, avanços tecnológicos e diversificação das fontes. Sobre esse assunto, analise as sentenças a seguir:

I. O aumento da participação das fontes renováveis, como solar e eólica, contribui não apenas para a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também para a descentralização da produção e maior autonomia energética regional.

II. O uso predominante de fontes não renováveis, como carvão mineral e derivados de petróleo, é vantajoso para o país, pois apresenta baixo custo ambiental e reduz a dependência de importações energéticas.

III. A diversificação da matriz energética, aliada ao investimento em pesquisa e inovação, é essencial para garantir segurança energética, estabilidade do fornecimento e mitigação dos impactos ambientais.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3807085 Pedagogia
O Currículo Base do Território Catarinense (CBTC) orienta o ensino de Ciências da Natureza a partir de competências e habilidades que favorecem a alfabetização científica. Sobre as características do CBTC, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3807083 Ciências
A ciência se distingue de outras formas de conhecimento por sua forma de produzir explicações sobre os fenômenos naturais. Sobre a natureza da ciência e a alfabetização científica, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3806362 Biologia
“Dois homens se tornaram pais de gêmeos concebidos com material genético das duas famílias, em um caso inédito no Brasil. A fertilização in vitro utilizou óvulos doados por uma parente e dois embriões distintos foram formados, cada um com espermatozoides de um dos pais, sendo gestados por uma mulher que atuou como barriga solidária.”

(Adaptado de: IBDFAM, 2024. ‘Com barriga solidária, casal gay tem primeiros bebês com genes de dois pais no Brasil’. Disponível em: https://ibdfam.org.br/noticias/9412)

Com base nos princípios da embriologia animal e nas etapas do desenvolvimento embrionário humano, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3806361 Biologia
“Estudos recentes indicam que o aumento das temperaturas e as mudanças nos regimes de precipitação podem alterar a distribuição dos insetos vetores da doença de Chagas, especialmente no Brasil. Projeções para o fim do século apontam que espécies de triatomíneos, como Triatoma infestans e Rhodnius prolixus, poderão expandir suas áreas de ocorrência para regiões amazônicas, onde as condições climáticas e habitacionais favorecem o contato com populações humanas.
Esse cenário reforça a importância de estratégias integradas de vigilância e de prevenção em saúde pública.”

(Adaptado de: BRASIL, L. S. et al. Potential geographic displacement of Chagas disease vectors under climate change. Medical and Veterinary Entomology, 2025. https://doi.org/10.1111/mve.12810)

Considerando os aspectos zoológicos, ecológicos e preventivos relacionados à doença de Chagas, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3806360 Pedagogia
“A Educação Ambiental, conforme a Lei nº 9.795/1999, é um processo permanente em que indivíduos e comunidades constroem valores, conhecimentos, habilidades e atitudes voltadas à conservação do meio ambiente e à melhoria da qualidade de vida. Essa abordagem requer práticas educativas que articulem saberes e incentivem a participação responsável em diferentes contextos sociais.”

(BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental, 1999. Adaptado.)

Considerando os princípios da Educação Ambiental, é correto afirmar que a ação pedagógica deve:
Alternativas
Q3806359 Pedagogia
“Nas últimas décadas, diversas propostas de inovação no ensino de Ciências têm buscado aproximar os estudantes da prática científica, incorporando o uso de tecnologias, atividades experimentais e situações-problema. Essas estratégias diferem do modelo tradicional e exigem do docente novas formas de planejar, acompanhar e avaliar as aprendizagens. Em tais contextos, espera-se que o aluno participe ativamente do processo, construindo significados a partir da investigação e da reflexão sobre os fenômenos naturais.”

(Adaptado de Smithsonian Science Education Center – SSEC, 2023. Disponível em: https://ssec.si.edu/stemvisions-blog/what-inquiry-based-science;

Considerando as metodologias inovadoras no ensino de Ciências, assinale a alternativa que melhor representa o papel do professor nesse contexto pedagógico.
Alternativas
Q3806358 Biologia
“Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), desenvolveram uma proteína denominada polilaminina, aplicada diretamente na região lesionada da medula espinhal durante procedimento cirúrgico. Essa molécula forma uma malha biológica que orienta os neurônios a se reconectarem, restabelecendo a comunicação entre as células nervosas e possibilitando a recuperação parcial de movimentos em pacientes com paraplegia. O tratamento representa um avanço significativo, pois recria o microambiente do tecido nervoso em regeneração, favorecendo a formação de novos caminhos para os impulsos elétricos e abrindo perspectivas promissoras para a recuperação funcional após lesões medulares.”

(Adaptado de: FAPERJ, 2025. Disponível em: https://www.faperj.br/?id=858.7.1)

Durante a transmissão do impulso nervoso, diferentes estruturas do tecido nervoso desempenham funções específicas. Assinale a alternativa que descreve corretamente a função de uma dessas estruturas.
Alternativas
Q3806357 Biologia
O Jornal da USP (2024) relatou que “pesquisadores da Universidade de Helsinque desenvolveram um sistema movido a energia solar capaz de transformar a urina humana em fertilizante. O processo aproveita o nitrogênio presente na ureia, convertendo-o em compostos reutilizáveis na agricultura, contribuindo para reduzir o desperdício e os impactos ambientais causados pelo descarte inadequado.”

Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/sistema-usa-energia-solar-para-transformar-urina-em-fertilizante/

Com base nos fundamentos da fisiologia do sistema excretor humano, o nitrogênio presente na urina tem origem, principalmente,
Alternativas
Q3806356 Biologia
Como o preparo do café pode influenciar sua composição e ação antioxidante

Pesquisa conduzida pela Faculdade de Saúde Pública buscou compreender como os ingredientes mais usados no dia a dia — como leite e açúcar — interferem na ação antioxidante natural da bebida

O estudo revelou que o café puro com cafeína apresenta o maior potencial antioxidante, enquanto a adição de açúcar reduz levemente esse efeito e o acréscimo de leite provoca uma queda mais acentuada, devido à interação entre as proteínas lácteas e os compostos fenólicos. Os pesquisadores destacam ainda que fatores como o tipo de grão, o grau de torra, o solo de cultivo e o método de preparo — especialmente o uso de filtro de papel — também interferem na concentração desses compostos benéficos. Assim, concluem que “o café puro, sem aditivos, é a forma mais eficiente de aproveitar seu poder antioxidante”.

Durante o metabolismo celular, a produção de radicais livres é um processo natural, mas seu excesso pode causar danos às membranas e ao DNA. Algumas vitaminas atuam como antioxidantes, neutralizando essas espécies reativas. Considerando suas propriedades químicas e solubilidade, qual conjunto de vitaminas apresenta ação antioxidante comprovada e atua de forma complementar nos meios lipídico e aquoso da célula?
Alternativas
Q3806355 Biologia
“Zoonoses são doenças ou infecções que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, como a covid-19, gripe aviária e ebola, por exemplo. As informações sobre a amostragem e o diagnóstico laboratorial dos patógenos causadores dessas doenças não estão organizadas em nível nacional, o que dificulta o rastreamento e a medição do risco de transmissão.”

Adaptado de: Jornal da USP, 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/novo-banco-de-dados-da-biodiversidade-foca-em-doencas-transmitidasentre-animais-e-pessoas/

As zoonoses envolvem diferentes grupos de microrganismos patogênicos, cuja identificação é essencial para a vigilância em saúde pública. Com base na classificação dos agentes etiológicos e nos exemplos de doenças zoonóticas conhecidas, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1681: A
1682: A
1683: A
1684: B
1685: D
1686: A
1687: B
1688: B
1689: B
1690: A
1691: B
1692: B
1693: A
1694: E
1695: C
1696: D
1697: E
1698: C
1699: B
1700: A