Questões de Concurso
Comentadas para professor - língua portuguesa
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TEXTO I
Condenado a ser livre
[...]
Em linhas gerais, a concepção sartreana da liberdade se assentava no pressuposto de que o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser). Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela “inteligência divina”. “O que significa dizer que a existência precede a essência?”, pergunta. “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. […]
O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência.” (Não, a psicanálise não orna muito bem com esse tipo de pensamento).
O ser humano, frisa Sartre, define-se pelo que faz, pelo que ele projetar ser, por suas escolhas. Daí em diante, é preciso falar em consequências – tanto dessa ideia basilar quanto da própria liberdade avassaladora que ela anuncia. Em primeiro lugar, ela incorre no fato de que cada um de nós é total e integralmente responsável não apenas por nossos atos, mas também por aquilo que somos. O que se desdobra em outras e mais profundas consequências.
Tudo é permitido
Em um mundo sem Deus e sem natureza humana, o homem é plenamente responsável não apenas por si, mas também por todos os homens. “Não há dos nossos atos”, diz Sartre, “um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.”
[...]
FREITAS, Almir. Revista Bravo. Disponível em: <http://bravo.vc/seasons/s05e01>
Releia o trecho a seguir.
“O que significa dizer que a existência precede a essência?”
Ao fazer essa pergunta, o filósofo pretende
TEXTO I
Condenado a ser livre
[...]
Em linhas gerais, a concepção sartreana da liberdade se assentava no pressuposto de que o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser). Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela “inteligência divina”. “O que significa dizer que a existência precede a essência?”, pergunta. “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. […]
O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência.” (Não, a psicanálise não orna muito bem com esse tipo de pensamento).
O ser humano, frisa Sartre, define-se pelo que faz, pelo que ele projetar ser, por suas escolhas. Daí em diante, é preciso falar em consequências – tanto dessa ideia basilar quanto da própria liberdade avassaladora que ela anuncia. Em primeiro lugar, ela incorre no fato de que cada um de nós é total e integralmente responsável não apenas por nossos atos, mas também por aquilo que somos. O que se desdobra em outras e mais profundas consequências.
Tudo é permitido
Em um mundo sem Deus e sem natureza humana, o homem é plenamente responsável não apenas por si, mas também por todos os homens. “Não há dos nossos atos”, diz Sartre, “um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.”
[...]
FREITAS, Almir. Revista Bravo. Disponível em: <http://bravo.vc/seasons/s05e01>
Releia o trecho a seguir.
“[...] o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser).”
Considere as afirmativas a seguir.
I. O acento indicativo de crase, nesse caso, é obrigatório.
II. Nesse caso, o acento indicativo de crase é formado pela contração de uma preposição com um artigo indefinido.
III. Nessa oração, é um adjetivo que rege o acento indicativo de crase.
De acordo com a norma-padrão, estão corretas as afirmativas
TEXTO I
Condenado a ser livre
[...]
Em linhas gerais, a concepção sartreana da liberdade se assentava no pressuposto de que o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser). Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela “inteligência divina”. “O que significa dizer que a existência precede a essência?”, pergunta. “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. […]
O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência.” (Não, a psicanálise não orna muito bem com esse tipo de pensamento).
O ser humano, frisa Sartre, define-se pelo que faz, pelo que ele projetar ser, por suas escolhas. Daí em diante, é preciso falar em consequências – tanto dessa ideia basilar quanto da própria liberdade avassaladora que ela anuncia. Em primeiro lugar, ela incorre no fato de que cada um de nós é total e integralmente responsável não apenas por nossos atos, mas também por aquilo que somos. O que se desdobra em outras e mais profundas consequências.
Tudo é permitido
Em um mundo sem Deus e sem natureza humana, o homem é plenamente responsável não apenas por si, mas também por todos os homens. “Não há dos nossos atos”, diz Sartre, “um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.”
[...]
FREITAS, Almir. Revista Bravo. Disponível em: <http://bravo.vc/seasons/s05e01>
Releia o trecho a seguir.
“Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela ‘inteligência divina’”
Em relação a esse trecho, considere as afirmativas a seguir.
I. Os dois-pontos foram utilizados para marcar a reformulação de uma ideia apresentada.
II. O travessão pode ser substituído por vírgula.
III. As aspas foram utilizadas para marcar uma ironia.
Estão corretas as afirmativas
TEXTO I
Condenado a ser livre
[...]
Em linhas gerais, a concepção sartreana da liberdade se assentava no pressuposto de que o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser). Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela “inteligência divina”. “O que significa dizer que a existência precede a essência?”, pergunta. “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. […]
O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência.” (Não, a psicanálise não orna muito bem com esse tipo de pensamento).
O ser humano, frisa Sartre, define-se pelo que faz, pelo que ele projetar ser, por suas escolhas. Daí em diante, é preciso falar em consequências – tanto dessa ideia basilar quanto da própria liberdade avassaladora que ela anuncia. Em primeiro lugar, ela incorre no fato de que cada um de nós é total e integralmente responsável não apenas por nossos atos, mas também por aquilo que somos. O que se desdobra em outras e mais profundas consequências.
Tudo é permitido
Em um mundo sem Deus e sem natureza humana, o homem é plenamente responsável não apenas por si, mas também por todos os homens. “Não há dos nossos atos”, diz Sartre, “um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.”
[...]
FREITAS, Almir. Revista Bravo. Disponível em: <http://bravo.vc/seasons/s05e01>
TEXTO I
Condenado a ser livre
[...]
Em linhas gerais, a concepção sartreana da liberdade se assentava no pressuposto de que o ser humano é a única criatura para quem a existência (existir) é anterior à essência (ser). Quer dizer: o nosso destino não é predeterminado pela natureza – muito menos, ele assinala, pela “inteligência divina”. “O que significa dizer que a existência precede a essência?”, pergunta. “Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. […]
O homem é não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência.” (Não, a psicanálise não orna muito bem com esse tipo de pensamento).
O ser humano, frisa Sartre, define-se pelo que faz, pelo que ele projetar ser, por suas escolhas. Daí em diante, é preciso falar em consequências – tanto dessa ideia basilar quanto da própria liberdade avassaladora que ela anuncia. Em primeiro lugar, ela incorre no fato de que cada um de nós é total e integralmente responsável não apenas por nossos atos, mas também por aquilo que somos. O que se desdobra em outras e mais profundas consequências.
Tudo é permitido
Em um mundo sem Deus e sem natureza humana, o homem é plenamente responsável não apenas por si, mas também por todos os homens. “Não há dos nossos atos”, diz Sartre, “um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser.”
[...]
FREITAS, Almir. Revista Bravo. Disponível em: <http://bravo.vc/seasons/s05e01>
De acordo com a leitura do texto, é possível afirmar:
I. Sartre acreditava que a liberdade é uma espécie de imposição aos homens.
II. Ao definir o que ser, o homem projeta uma imagem do que ele define como ideal para a sociedade.
III. Sartre não creditava a Deus a essência individual dos homens.
Estão corretas as afirmativas
Os PCN+ (2002) defendem que “[...] a competência textual não pode prescindir do estabelecimento de relações entre os recursos expressivos presentes em um texto e os efeitos de sentido que provocam no leitor. Considerando-se que os recursos expressivos utilizados por um autor provêm das escolhas que opera nos elementos oferecidos pela língua, pode-se propor, como procedimento de leitura, intrinsecamente ligado aos mecanismos gramaticais, que se avalie a propriedade do uso de recursos semânticos na estratégia argumentativa do autor”.
Qual das habilidades da BNCC Língua Portuguesa Ensino Fundamental seria contemplada em um trabalho que priorizasse o trecho grifado no excerto dos PCN+?
Leia o poema abaixo:
Orfandade
Meu Deus,
me dá cinco anos.
Me dá um pé de fedegoso com formiga preta,
me dá um Natal e sua véspera,
o ressonar das pessoas no quartinho.
Me dá a negrinha Fia pra eu brincar,
me dá uma noite pra eu dormir com minha mãe.
Me dá minha mãe, alegria sã e medo remediável,
me dá a mão, me cura de ser grande,
ó meu Deus, meu pai,
meu pai.
(PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. p. 22.)
A construção “Me dá”, reiterada no poema de Adélia Prado:
1. remete a um uso pragmaticamente definido: a forma como as crianças pedem as coisas.
2. pode ser trocado pela construção “Dá-me” sem prejuízo de sentido.
3. é também uma variação diafásica ou de registro.
4. falantes letrados e não letrados a utilizam no Português do Brasil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Considere o seguinte trecho retirado do texto “Discurso na vida e discurso na arte”, de Bakhtin e Voloshinov (1926):
Na vida, o discurso verbal é claramente não autossuficiente. […] A espécie de caracterizações e avaliações de enunciados pragmáticos, concretos, que comumente fazemos são expressões tais como “isto é mentira”, “isto é verdade”, “isto é arriscado dizer”, “você não pode dizer isto” etc. Todas essas avaliações e outras similares, qualquer que seja o critério que as rege (ético, cognitivo, político ou outro), levam em consideração muito mais do que aquilo que está incluído dentro dos fatores estritamente verbais (linguísticos) do enunciado. […] O discurso verbal em si, tomado isoladamente como um fenômeno puramente linguístico, não pode, naturalmente, ser verdadeiro ou falso, ousado ou tímido. Como o discurso verbal na vida se relaciona com a situação extraverbal que o engendra?
(Texto traduzido por C. A. Faraco e Cristóvão Tezza para fins didáticos, tendo como base a tradução inglesa de I. R. Titunik.)
Com base nesse fragmento, é correto afirmar:
A repetição é um recurso textual significativo usado tanto em textos orais quanto escritos, informais ou formais. Seu uso em textos de alunos, no entanto, costuma ser feito de forma não intencional, ou seja, costuma revelar uma escrita oralizada, exigindo do professor uma intervenção constante para que passem a utilizá-la como recurso reiterativo necessário para a própria coerência textual. Com relação a esse recurso, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) A repetição é usada com a finalidade estilística de reforçar uma ideia, conduzindo, por exemplo, a uma gradação de sentido. Pode também ser usada no texto como diáfora: uso de repetição da mesma palavra, mas com sentido diferente. ( ) Por conta de seu teor expressivo, a repetição é usada com frequência em textos publicitários e em textos mais formais, como editoriais de jornais ou revistas, gêneros textuais que podem ser utilizados em sala de aula para exemplificar seu uso.
( ) Uma função da repetição é marcar a continuidade do tema que está em foco, que é uma das condições para a coesão textual, dessa forma é natural usar a mesma palavra no texto, preservando a coerência com o seu tema.
( ) Fatores como o gênero textual, as intenções pretendidas ou o tema tratado determinam o número de repetições de determinada palavra no texto, de modo que não se pode simplesmente afirmar ao aluno que ele não deve repetir palavras em seu texto.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Com relação ao ensino de português pautado na concepção interacionista da linguagem, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:
( ) As práticas de ensino da língua que a vinculam às circunstâncias concretas e variadas de sua atualização são evidenciadas no estudo das regularidades de seu uso, na produção e interpretação dos discursos.
( ) O trabalho didático com os gêneros textuais de diferentes esferas de circulação implica o reconhecimento do papel central do texto como instrumento de trabalho na sala de aula.
( ) O estudo dos recursos linguísticos nessa concepção é realizado por meio de questões metalinguísticas de definição e classificação, para que o aluno reconheça as unidades da língua.
( ) As práticas discursivas vão sendo desenvolvidas ao longo do ensino e aprendizagem da língua a partir de uma distribuição e complexidade gradativas do estudo dos gêneros textuais.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
Segundo Travaglia (2003), o ensino de língua portuguesa nas escolas brasileiras foi, durante muito tempo, baseado na concepção de aplicação das normas ditadas pela gramática da língua culta e amparado nos renomados autores de textos literários. Após a publicação dos PCNs de Língua Portuguesa, no entanto, constatou-se a existência de outras “gramáticas”, que começaram a ser adotadas nas salas de aula de Português. Partindo dessa constatação, numere a coluna da direita, relacionando o tipo de gramática à definição correspondente elaborada por Travaglia (2003).
1. Gramática de uso.
2. Gramática reflexiva.
3. Gramática teórica.
4. Gramática normativa.
( ) É explícita e expõe uma sistematização a respeito da língua.
( ) É de bom uso da língua, para falar e escrever bem.
( ) É não consciente, implícita e liga-se à gramática internalizada do falante.
( ) É de explicitação e surge com base no conhecimento intuitivo dos mecanismos da língua.
Assinale a alternativa que apresenta a numeração correta da coluna da direita, de cima para baixo.
Teoricamente, existem três modelos básicos de leitura em nível de cognição: modelo ascendente, modelo descendente e modelo interativo, sendo este último uma combinação dos dois primeiros. Com base nesse pressuposto, considere a seguinte proposição de atividade de leitura:
Em uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental, a professora de Língua Portuguesa trabalha a leitura de uma carta de leitor por etapas. Em primeiro lugar, ela pede que os alunos estejam atentos ao nome do autor e ao título da referida carta e façam previsões sobre o conteúdo a ser abordado ao longo do texto. Na sequência, pede que os alunos façam uma leitura pausada, atenta e silenciosa da carta, e que grifem todas as palavras cujos significados desconhecem. Por fim, a professora pede que eles, com base em seu conhecimento prévio sobre o tema e nas atividades realizadas anteriormente, confirmem, refutem ou reformulem as hipóteses já feitas e busquem um sentido para o texto.
Com base nessa situação de sala de aula e nas teorias de leitura no ensino da língua materna, os modelos de leitura adotados pelo professor em sua sala de aula foram, respectivamente:
De acordo com Voloshinov, “as relações sociais evoluem (em função das infraestruturas), depois a comunicação e a interação verbais evoluem no quadro das relações sociais, as formas dos atos de fala evoluem em consequência da interação verbal, e o processo de evolução reflete-se, enfim, na mudança das formas da língua”. O autor diz também que a ordem metodológica para o estudo da língua deve obedecer a essa mesma ordem. Nesse sentido, numere os parênteses abaixo, indicando a ordem metodológica para o estudo da língua conforme Volochinov:
( ) Exame das formas da língua na sua interpretação linguística habitual.
( ) As formas e os tipos de interação verbal em ligação com as condições concretas em que se realiza.
( ) As formas das distintas enunciações, dos atos de fala isolados, em ligação estreita com a interação de que constituem os elementos, isto é, as categorias de atos de fala na vida e na criação ideológica que se prestam a uma determinação pela interação verbal.
Assinale a alternativa que apresenta sequência correta, de cima para baixo.
Considere as seguintes tiras e charges:

São exemplos de linguagem conotativa:
Considere o seguinte descritor:
Identificar efeitos de sentido do uso de orações adjetivas restritivas e explicativas em um período composto.
Assinale a alternativa que apresenta um caso em que esse descritor pode ser tematizado.
A peça teatral Entre Quatro Paredes, do francês Jean-Paul Sartre, conta a história de três personagens que morrem e descobrem que o inferno não é uma fornalha lúgubre, mas um quarto fechado no qual terão de passar a eternidade. O cômodo não tem espelhos; para verem a si próprios, cada um precisa procurar sua imagem nos olhos dos outros. Contudo, a convivência logo se torna insuportável. E então Garcin, um dos confinados, cunha a célebre frase: “O inferno são os outros”.
A máxima de Sartre parece fazer sentido num mundo marcado pelo conflito. O outro pode ser o estrangeiro. O refugiado que ameaça a tranquilidade da Europa. Mas também pode estar mais perto e ser o petista ou o tucano. O fiel de outra religião. O homossexual. O nordestino. O pobre. O negro. O jovem para o idoso. O idoso para o jovem. Ou simplesmente aquele que pensa diferente. O inferno, enfim, é o diferente na concepção de Sartre – e de muitas pessoas.
Mas, se a danação é isso, o paraíso por certo seria a ausência do outro e da diferença. Seria um quarto com uma única pessoa dentro para não haver briga. As paredes seriam de espelhos, para que quem lá estivesse não precisasse procurar sua imagem nos olhos do outro. E, quando se cansasse de seus pensamentos e de contemplar o próprio reflexo, poderia sair. Haveria uma porta – afinal, o céu não prevê a punição do confinamento.
Porém, para manter a perfeição, não haveria ninguém lá fora. Apenas espelhos por todos os lados – a cada esquina que se dobra, a cada rumo que se toma – para lembrar quem é o dono de tudo.
Seria, no entanto, um paraíso vazio. Solitário. Um imenso labirinto de espelhos, sem saídas, em que a cada passo que se dá tudo o que se vê à frente é sempre a própria imagem. Seria a perdição. Um inferno mais terrível que o quarto da peça de Sartre.
O outro é e sempre será nossa fronteira. Ele impõe limites à nossa liberdade. Mas ignorá-lo ou afastá-lo, a pretexto de cessar os conflitos e os dissabores, é o caminho para um mundo estático, sem progresso. Só aprendemos quando nossas convicções se chocam com a realidade do outro, com a diferença. É o outro que nos ensina a dor de ser machucado. Mas também a alegria de gostar. Não é o céu. Tampouco o inferno.
(Fernando Martins, “O labirinto de espelhos”, jornal Gazeta do Povo, edição impressa de 16 de setembro de 2015. Adaptado.)
A peça teatral Entre Quatro Paredes, do francês Jean-Paul Sartre, conta a história de três personagens que morrem e descobrem que o inferno não é uma fornalha lúgubre, mas um quarto fechado no qual terão de passar a eternidade. O cômodo não tem espelhos; para verem a si próprios, cada um precisa procurar sua imagem nos olhos dos outros. Contudo, a convivência logo se torna insuportável. E então Garcin, um dos confinados, cunha a célebre frase: “O inferno são os outros”.
A máxima de Sartre parece fazer sentido num mundo marcado pelo conflito. O outro pode ser o estrangeiro. O refugiado que ameaça a tranquilidade da Europa. Mas também pode estar mais perto e ser o petista ou o tucano. O fiel de outra religião. O homossexual. O nordestino. O pobre. O negro. O jovem para o idoso. O idoso para o jovem. Ou simplesmente aquele que pensa diferente. O inferno, enfim, é o diferente na concepção de Sartre – e de muitas pessoas.
Mas, se a danação é isso, o paraíso por certo seria a ausência do outro e da diferença. Seria um quarto com uma única pessoa dentro para não haver briga. As paredes seriam de espelhos, para que quem lá estivesse não precisasse procurar sua imagem nos olhos do outro. E, quando se cansasse de seus pensamentos e de contemplar o próprio reflexo, poderia sair. Haveria uma porta – afinal, o céu não prevê a punição do confinamento.
Porém, para manter a perfeição, não haveria ninguém lá fora. Apenas espelhos por todos os lados – a cada esquina que se dobra, a cada rumo que se toma – para lembrar quem é o dono de tudo.
Seria, no entanto, um paraíso vazio. Solitário. Um imenso labirinto de espelhos, sem saídas, em que a cada passo que se dá tudo o que se vê à frente é sempre a própria imagem. Seria a perdição. Um inferno mais terrível que o quarto da peça de Sartre.
O outro é e sempre será nossa fronteira. Ele impõe limites à nossa liberdade. Mas ignorá-lo ou afastá-lo, a pretexto de cessar os conflitos e os dissabores, é o caminho para um mundo estático, sem progresso. Só aprendemos quando nossas convicções se chocam com a realidade do outro, com a diferença. É o outro que nos ensina a dor de ser machucado. Mas também a alegria de gostar. Não é o céu. Tampouco o inferno.
(Fernando Martins, “O labirinto de espelhos”, jornal Gazeta do Povo, edição impressa de 16 de setembro de 2015. Adaptado.)
Do ponto de vista do ensino de língua portuguesa, esse texto é rico em elementos para se explorar, em atividades epilinguísticas:
1. a estrutura textual de uma resenha teatral.
2. as características do discurso irônico.
3. as marcas de subjetividade num texto.
Assinale a alternativa correta.
A peça teatral Entre Quatro Paredes, do francês Jean-Paul Sartre, conta a história de três personagens que morrem e descobrem que o inferno não é uma fornalha lúgubre, mas um quarto fechado no qual terão de passar a eternidade. O cômodo não tem espelhos; para verem a si próprios, cada um precisa procurar sua imagem nos olhos dos outros. Contudo, a convivência logo se torna insuportável. E então Garcin, um dos confinados, cunha a célebre frase: “O inferno são os outros”.
A máxima de Sartre parece fazer sentido num mundo marcado pelo conflito. O outro pode ser o estrangeiro. O refugiado que ameaça a tranquilidade da Europa. Mas também pode estar mais perto e ser o petista ou o tucano. O fiel de outra religião. O homossexual. O nordestino. O pobre. O negro. O jovem para o idoso. O idoso para o jovem. Ou simplesmente aquele que pensa diferente. O inferno, enfim, é o diferente na concepção de Sartre – e de muitas pessoas.
Mas, se a danação é isso, o paraíso por certo seria a ausência do outro e da diferença. Seria um quarto com uma única pessoa dentro para não haver briga. As paredes seriam de espelhos, para que quem lá estivesse não precisasse procurar sua imagem nos olhos do outro. E, quando se cansasse de seus pensamentos e de contemplar o próprio reflexo, poderia sair. Haveria uma porta – afinal, o céu não prevê a punição do confinamento.
Porém, para manter a perfeição, não haveria ninguém lá fora. Apenas espelhos por todos os lados – a cada esquina que se dobra, a cada rumo que se toma – para lembrar quem é o dono de tudo.
Seria, no entanto, um paraíso vazio. Solitário. Um imenso labirinto de espelhos, sem saídas, em que a cada passo que se dá tudo o que se vê à frente é sempre a própria imagem. Seria a perdição. Um inferno mais terrível que o quarto da peça de Sartre.
O outro é e sempre será nossa fronteira. Ele impõe limites à nossa liberdade. Mas ignorá-lo ou afastá-lo, a pretexto de cessar os conflitos e os dissabores, é o caminho para um mundo estático, sem progresso. Só aprendemos quando nossas convicções se chocam com a realidade do outro, com a diferença. É o outro que nos ensina a dor de ser machucado. Mas também a alegria de gostar. Não é o céu. Tampouco o inferno.
(Fernando Martins, “O labirinto de espelhos”, jornal Gazeta do Povo, edição impressa de 16 de setembro de 2015. Adaptado.)