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“Em face de todas as razões até aqui expostas, e tendo em conta a possibilidade e a conveniência de se acentuar o componente jurídico do Estado, sem perder de vista a presença necessária dos fatores não-jurídicos, parece-nos que se poderá conceituar o Estado como a ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo situado em determinado território” (Dallari, 2007, p. 119. Elementos de Teoria geral do Estado. Grifo no original).
Para o professor Dalmo de Abreu na obra acima citada, a noção de poder se encontra implícita em qual elemento do estado:
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
Terminei minhas obrigações ____ duas décadas.
____ pessoas que desperdiçam seu tempo com inutilidades.
Vamos morrer _____ qualquer momento.
A indesejada vai chegar _____ sua porta.
Queria revê o cometa,_____, seria bom avaliar minha visão infantil.
A morte não chega _____ prazo.
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
Uma leitura geral do texto nos permite inferir:
I. A passagem de um cometa marcou a vida da escritora. Ela nos apresenta de maneira clara e precisa suas considerações acerca da vida, do tempo e da finitude, ao fazer um paralelo com os mistérios do universo.
II. O texto fala da condição humana perante a inexorabilidade da morte.
III. Dentre as informações contidas, a preocupação e o cuidado com a infância são ressaltados como fundamentais para uma convivência pacífica.
IV. O modo de vida das pessoas é particular e intransferível; cada um imprime, à sua volta, o sentido que lhe é possível e/ou conveniente.
V. Esse é um bom exemplo de como as crônicas podem abordar assuntos banais do cotidiano para mergulhar em questões subjetivas e circunstanciais da vida.
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
O fim do mundo - Cecília Meireles
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo, o mundo para mim não tinha nenhum sentido, ainda; de modo que não me interessava nem o seu começo nem o seu fim. Lembro-me, porém, vagamente, de umas mulheres nervosas que choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um cometa que andava pelo céu, responsável pelo acontecimento que elas tanto temiam.
Nada disso se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa era para elas: nós, crianças, existíamos apenas para brincar com as flores da goiabeira e as cores do tapete.
Mas, uma noite, levantaram-me da cama, enrolada num lençol, e, estremunhada, levaram-me à janela para me apresentarem à força ao temível cometa. Aquilo que até então não me interessava nada, que nem vencia a preguiça dos meus olhos, pareceu-me, de repente, maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre haver um cometa no céu, como há lua, sol, estrelas. Por que as pessoas andavam tão apavoradas? A mim não me causava medo nenhum.
Ora, o cometa desapareceu, aqueles que choravam enxugaram os olhos, o mundo não se acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste – mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas, entre as quais o suposto sentido do mundo. Não duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada coisa que bem se vê haver um sentido do mundo peculiar a cada um.
Dizem que o mundo termina em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa, e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um cometa, para verificar se a lembrança que conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou inventada pelo sono dos meus olhos naquela noite já muito antiga.
O mundo vai acabar, e certamente saberemos qual era o seu verdadeiro sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais. Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou assaltamos os cofres públicos – além dos particulares. Por que mentimos tanto, com palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro, convém pensarmos desde já se utilizamos este dom de viver da maneira mais digna.
Em muitos pontos da Terra há pessoas, neste momento, pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que trate com benignidade as criaturas que se preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na Índia, lançam flores ao fogo, num rito de adoração.
Enquanto isso, os planetas assumem os lugares que lhes competem, na ordem do universo, neste universo de enigmas a que estamos ligados e no qual por vezes nos arrogamos posições que não temos – insignificantes que somos, na tremenda grandiosidade total.
Ainda há uns dias à reflexão e ao arrependimento: por que não os utilizaremos? Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos teremos fim, em qualquer mês...
(Quatro vozes, 1998)
World War I (WWI) took place ______ the 20th century.
Having distinctive personal style is all about defining what suits you and never venturing too far from it.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Are 'the world's most beautiful islands' in danger?
Norway's stunning Lofoten Islands have gone viral for their midnight summer sun. But as the isles face overtourism for the first time, residents have an important message for visitors.
Located 300km inside the Arctic Circle, Norway's Lofoten archipelago rises dramatically from the sea in a jagged, mountainous crescendo. Its otherworldly glacier-sculpted landscapes and magical 24-hour summer daylight have led the isles to proudly dub themselves "the world's most beautiful islands". But it's a roadside stop, not a soaring summit or majestic fjord, that convinces me of this self-declared moniker.
Just a few paces away from the village of Flakstad on the island of Flakstadøya, I spy a beach where the water shifts from turquoise to glass-clear as it laps against basalt rock and sugar-white sand. It's a scene more Aegean than Arctic − until you see the ridge of craggy mountains floating above the fjord, the last snow clinging to their flanks. From late May to the end of July, Lofoten is bathed in constant daylight, and in this endless summer sun, the colours feel heightened. Standing on the sand, it's hard to imagine anywhere more idyllic.
Locals tell me that the 24-hour sun bathes these islands in a unique light and point to round-the-clock fishing and 02:00 tee times as quintessential summertime experiences. But kayaks crisscross the waters in every season, and hikers come year-round for the panoramic mountaintop views of silent fjords and romantic waterside villages that define the islands, chasing the midnight sun or the Northern Lights. At times, the only sounds around are the cries of the island's resident avians: sea eagles, puffins and razorbills.
The Lofoten archipelago is made up of seven principal islands off the North West coast of Norway. The E10 highway runs for nearly 175km through the archipelago, threading the five largest, Austvågøya, Vestvågøya, Moskenesøya, Flakstadøya and Gimsøya, by a series of impressively engineered bridges and tunnels, allowing drivers to move between islands with ease.
Visitors here are nothing new. The islands were home to northern Norway's earliest Viking settlement, drawing traders from as far away as Iceland. For centuries, tens of thousands of sailors journeyed here each winter to fish for Arctic cod, a tradition still reflected in the red rorbuer (fishermen's cabins) that now host tourists instead of seafarers.
And yet, tourism was late to come to this far-flung corner of the world. It only started to grow significantly in the past 20 years, helped initially by improved road and ferry links, then accelerated as social media began showcasing Lofoten's stunning scenery to a global audience. Now Lofoten's beauty is no longer a secret, and what was once a seasonal outpost of survival and commerce has evolved into one of Norway's most popular destinations. In 2023, the islands welcomed around one million visitors, or roughly 40 times Lofoten's permanent population of 25,000.
But as European heatwaves drive travellers further north and new seasonal flights from Paris, Frankfurt and Zurich launched last year, tourism is only set to rise further. A weaker Norwegian krone is helping to seal the deal.
Lofoten residents Astrid Haugen and Frida Berg explain that they're proud to share their home and welcome the jobs (and the new bars and restaurants) brought about by tourism, but wonder whether infrastructure can keep up. They also worry whether this influx of visitors will affect the landscape and fragile ecosystem that make Lofoten so special.
I meet up with them on Unstad beach, at the north-western corner of Vestvågøy, one of the best places on the islands to catch the midnight sun, thanks to its unobstructed views across the bay. Even at 23:00, surfers cheer each another on from the waves. Families enjoy snacks on the rocks while children shriek in the shallows as they splash in the frigid, single-digit Arctic waters. Mountains hover on either side of us, framed by a sky a few shades paler than the sea.
"When I used to travel abroad and said I was from Lofoten, people looked blank," says Haugen, as we stroll the beach. "Now they've seen pictures online and can't believe this is my everyday view."
"That's part of the problem," adds Berg. "This is our home − not just a backdrop for a Facebook selfie. When people litter or block roads, it's so frustrating".
Many residents I speak with share this frustration. They're not just bothered by the number of visitors, but by their behaviour.
I see many examples of this during my week on Lofoten. RVs creep along narrow fjordside roads to snap a photo, oblivious to the traffic building behind them. At 20:00, the car park hike up the vertiginous Reinebringen mountain resembles a suburban shopping centre on Black Friday, jarring with the peaceful surroundings. Groups of eager tourists spill out, eager to tackle the 1,978 steps that separate them from the vertiginous panorama at the summit.
Some locals have had enough. In a recent radio interview, Flakstad mayor Einar Benjaminson warned of shifting sentiment: "Ten years ago, maybe 2% of our residents didn't want tourism. Now it's more like 25%."
As in many tourist hotspots, Lofoten residents are also frustrated that an increasing number of homes are being bought by wealthy outsiders. Some are purchased as seasonal getaways or turned into short-term accommodation, hollowing out villages in winter; in other areas whole settlements have been turned into sleek resorts.
Nusfjord, on Lofoten's southern coast, illustrates this shift. The historic fishing village is postcard-perfect, with ed and ochre warehouses perched on a narrow isthmus facing the sea, appearing frozen in time on its 19th-Century foundations.
The permanent population? 22. The number of annual tourists? 90,000.
After the village's fishing industry migrated to more populated areas, Nusfjord's centre became a Unesco World Heritage site, combining tourist accommodation and "a living museum where you can touch, feel and breathe the history of coastal Norway," according to local historian Ingrid Larsen. It remains an utterly charming stop: the museum, set in a former cod liver factory, offers insights into the village's fishing legacy; the restored general store serves excellent cinnamon buns; and the boardwalk, backed by a rippled grey ridgeline, is undeniably scenic.
Erling Hansen, a tour guide, understands the locals' concern but is pragmatic: "Without tourism, there probably would be no village in Nusfjord anymore."
Later that day in Henningsvær − 80km and several peninsulas away from Nusfjord − the contrast is stark. Even at 22:00, the village hums with life as locals revel in the extended daylight. Teenagers swarm towards the floodlit football pitch, improbably perched on a rocky outcrop. Two neighbours paint their front doors − one white, one blue − gesturing mid-conversation with dripping brushes.
At the harbour, tools clank as fishermen check their nets. "The fish bite better at midnight," one says with a grin.
Tourism supports 19% of local jobs on the islands. Around-the-clock fishing trips offer visitors a taste of tradition − and locals a new income stream. The message is clear: guests are welcome, but as Hansen says, "We're not some Arctic Disneyworld".
Earlier this year, the Norwegian government gave councils in high-tourism areas the right to introduce a visitor tax. Lofoten plans to roll it out in 2026. The revenue will help fund overstretched infrastructure, from extra parking to trail signage urging hikers to stick to the path − in case the dizzying drop-offs weren't clear enough.
Mayor Benjaminson welcomes the budgetary relief. "We no longer need to choose between renovating a school or cleaning up after tourists," he says dryly.
It's part of a broader, gently persuasive strategy. Local tourism campaigns feature locals − including schoolchildren − asking visitors to drive responsibly, take their rubbish home and avoid disturbing local wildlife when hiking. Officials also hope to promote Lofoten year-round, easing the summer surge and preventing areas becoming ghost towns when the light fades.
Back at Unstad, the light softens to amber as I walk along the shore with Haugen and Berg. A lone surfer rides a gilded wave while multiple families are trying − and failing − to convince their children that constant daylight doesn't cancel bedtime.
"It's hard," says Berg. "We want people to love Lofoten − just not so much that it stops being Lofoten."
She has captured the dilemma. Tourism funds heritage projects that might otherwise vanish, but the endless days − and the crowds they bring − stretch local patience and infrastructure.
And still, Lofoten captivates. Peaks catch fire as the sun stretches over the sea, quietly inviting us to linger.
Amid this serene beauty are homes, schools and businesses. Locals are learning how to share the magic without losing it. They hope visitors will do more than admire the view − that they'll tread lightly, listen closely and help protect what attracted them in the first place.
https://www.bbc.com/travel/article/20250801-are-the-worlds-most-beaut iful-islands-in-dange
I.The words "mayor" and "major" are homophones in English pronunciation.
II.The word "queue" contains more letters than phonemes in its pronunciation.
III.The "-ough" in "rough" has the same pronunciation as in "through".
IV.The final "-ed" in "stretched" is pronounced as a separate syllable.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Are 'the world's most beautiful islands' in danger?
Norway's stunning Lofoten Islands have gone viral for their midnight summer sun. But as the isles face overtourism for the first time, residents have an important message for visitors.
Located 300km inside the Arctic Circle, Norway's Lofoten archipelago rises dramatically from the sea in a jagged, mountainous crescendo. Its otherworldly glacier-sculpted landscapes and magical 24-hour summer daylight have led the isles to proudly dub themselves "the world's most beautiful islands". But it's a roadside stop, not a soaring summit or majestic fjord, that convinces me of this self-declared moniker.
Just a few paces away from the village of Flakstad on the island of Flakstadøya, I spy a beach where the water shifts from turquoise to glass-clear as it laps against basalt rock and sugar-white sand. It's a scene more Aegean than Arctic − until you see the ridge of craggy mountains floating above the fjord, the last snow clinging to their flanks. From late May to the end of July, Lofoten is bathed in constant daylight, and in this endless summer sun, the colours feel heightened. Standing on the sand, it's hard to imagine anywhere more idyllic.
Locals tell me that the 24-hour sun bathes these islands in a unique light and point to round-the-clock fishing and 02:00 tee times as quintessential summertime experiences. But kayaks crisscross the waters in every season, and hikers come year-round for the panoramic mountaintop views of silent fjords and romantic waterside villages that define the islands, chasing the midnight sun or the Northern Lights. At times, the only sounds around are the cries of the island's resident avians: sea eagles, puffins and razorbills.
The Lofoten archipelago is made up of seven principal islands off the North West coast of Norway. The E10 highway runs for nearly 175km through the archipelago, threading the five largest, Austvågøya, Vestvågøya, Moskenesøya, Flakstadøya and Gimsøya, by a series of impressively engineered bridges and tunnels, allowing drivers to move between islands with ease.
Visitors here are nothing new. The islands were home to northern Norway's earliest Viking settlement, drawing traders from as far away as Iceland. For centuries, tens of thousands of sailors journeyed here each winter to fish for Arctic cod, a tradition still reflected in the red rorbuer (fishermen's cabins) that now host tourists instead of seafarers.
And yet, tourism was late to come to this far-flung corner of the world. It only started to grow significantly in the past 20 years, helped initially by improved road and ferry links, then accelerated as social media began showcasing Lofoten's stunning scenery to a global audience. Now Lofoten's beauty is no longer a secret, and what was once a seasonal outpost of survival and commerce has evolved into one of Norway's most popular destinations. In 2023, the islands welcomed around one million visitors, or roughly 40 times Lofoten's permanent population of 25,000.
But as European heatwaves drive travellers further north and new seasonal flights from Paris, Frankfurt and Zurich launched last year, tourism is only set to rise further. A weaker Norwegian krone is helping to seal the deal.
Lofoten residents Astrid Haugen and Frida Berg explain that they're proud to share their home and welcome the jobs (and the new bars and restaurants) brought about by tourism, but wonder whether infrastructure can keep up. They also worry whether this influx of visitors will affect the landscape and fragile ecosystem that make Lofoten so special.
I meet up with them on Unstad beach, at the north-western corner of Vestvågøy, one of the best places on the islands to catch the midnight sun, thanks to its unobstructed views across the bay. Even at 23:00, surfers cheer each another on from the waves. Families enjoy snacks on the rocks while children shriek in the shallows as they splash in the frigid, single-digit Arctic waters. Mountains hover on either side of us, framed by a sky a few shades paler than the sea.
"When I used to travel abroad and said I was from Lofoten, people looked blank," says Haugen, as we stroll the beach. "Now they've seen pictures online and can't believe this is my everyday view."
"That's part of the problem," adds Berg. "This is our home − not just a backdrop for a Facebook selfie. When people litter or block roads, it's so frustrating".
Many residents I speak with share this frustration. They're not just bothered by the number of visitors, but by their behaviour.
I see many examples of this during my week on Lofoten. RVs creep along narrow fjordside roads to snap a photo, oblivious to the traffic building behind them. At 20:00, the car park hike up the vertiginous Reinebringen mountain resembles a suburban shopping centre on Black Friday, jarring with the peaceful surroundings. Groups of eager tourists spill out, eager to tackle the 1,978 steps that separate them from the vertiginous panorama at the summit.
Some locals have had enough. In a recent radio interview, Flakstad mayor Einar Benjaminson warned of shifting sentiment: "Ten years ago, maybe 2% of our residents didn't want tourism. Now it's more like 25%."
As in many tourist hotspots, Lofoten residents are also frustrated that an increasing number of homes are being bought by wealthy outsiders. Some are purchased as seasonal getaways or turned into short-term accommodation, hollowing out villages in winter; in other areas whole settlements have been turned into sleek resorts.
Nusfjord, on Lofoten's southern coast, illustrates this shift. The historic fishing village is postcard-perfect, with ed and ochre warehouses perched on a narrow isthmus facing the sea, appearing frozen in time on its 19th-Century foundations.
The permanent population? 22. The number of annual tourists? 90,000.
After the village's fishing industry migrated to more populated areas, Nusfjord's centre became a Unesco World Heritage site, combining tourist accommodation and "a living museum where you can touch, feel and breathe the history of coastal Norway," according to local historian Ingrid Larsen. It remains an utterly charming stop: the museum, set in a former cod liver factory, offers insights into the village's fishing legacy; the restored general store serves excellent cinnamon buns; and the boardwalk, backed by a rippled grey ridgeline, is undeniably scenic.
Erling Hansen, a tour guide, understands the locals' concern but is pragmatic: "Without tourism, there probably would be no village in Nusfjord anymore."
Later that day in Henningsvær − 80km and several peninsulas away from Nusfjord − the contrast is stark. Even at 22:00, the village hums with life as locals revel in the extended daylight. Teenagers swarm towards the floodlit football pitch, improbably perched on a rocky outcrop. Two neighbours paint their front doors − one white, one blue − gesturing mid-conversation with dripping brushes.
At the harbour, tools clank as fishermen check their nets. "The fish bite better at midnight," one says with a grin.
Tourism supports 19% of local jobs on the islands. Around-the-clock fishing trips offer visitors a taste of tradition − and locals a new income stream. The message is clear: guests are welcome, but as Hansen says, "We're not some Arctic Disneyworld".
Earlier this year, the Norwegian government gave councils in high-tourism areas the right to introduce a visitor tax. Lofoten plans to roll it out in 2026. The revenue will help fund overstretched infrastructure, from extra parking to trail signage urging hikers to stick to the path − in case the dizzying drop-offs weren't clear enough.
Mayor Benjaminson welcomes the budgetary relief. "We no longer need to choose between renovating a school or cleaning up after tourists," he says dryly.
It's part of a broader, gently persuasive strategy. Local tourism campaigns feature locals − including schoolchildren − asking visitors to drive responsibly, take their rubbish home and avoid disturbing local wildlife when hiking. Officials also hope to promote Lofoten year-round, easing the summer surge and preventing areas becoming ghost towns when the light fades.
Back at Unstad, the light softens to amber as I walk along the shore with Haugen and Berg. A lone surfer rides a gilded wave while multiple families are trying − and failing − to convince their children that constant daylight doesn't cancel bedtime.
"It's hard," says Berg. "We want people to love Lofoten − just not so much that it stops being Lofoten."
She has captured the dilemma. Tourism funds heritage projects that might otherwise vanish, but the endless days − and the crowds they bring − stretch local patience and infrastructure.
And still, Lofoten captivates. Peaks catch fire as the sun stretches over the sea, quietly inviting us to linger.
Amid this serene beauty are homes, schools and businesses. Locals are learning how to share the magic without losing it. They hope visitors will do more than admire the view − that they'll tread lightly, listen closely and help protect what attracted them in the first place.
https://www.bbc.com/travel/article/20250801-are-the-worlds-most-beaut iful-islands-in-dange
I.The word "draws" in "drawing traders from as far away as Iceland" means to create artistic illustrations.
II.The phrase "ghost towns" refers to settlements that become empty during certain seasons.
III.The expression "hollowing out villages" means making communities lose their permanent residents.
IV.The word "spill" in "Groups of eager tourists spill out" means to accidentally drop liquid.