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Q1302383 Português

Leia o texto para responder a questão.


Simultaneidade

Mário Quintana

_ Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo!

Eu creio em Deus! Deus é um absurdo!

Eu vou me matar! Eu quero viver!

_Você é louco?

_ Não, sou poeta. 

Nos versos “Eu amo o mundo” / “Eu detesto o mundo “/ “Eu creio em Deus”, respectivamente têm-se:
Alternativas
Q1302382 Português

Ovalle


Manuel Bandeira


Estavas bem mudado

Como se tivesses posto aquelas barbas brancas

Para entrar com maior decoro a Eternidade


Nada de nós te interessava agora

Calavas sereno e grave

Como no fundo foste sempre

Sob as fantasias verbais enormes

Que faziam rir os teus amigos e

Punham bondade no coração dos maus


O padre orava:

- "O coro de todos os anjos te receba...

" Pensei comigo:

Cantando Estrela brilhante

Lá do alto-mar!...


Levamos-te cansado ao teu último endereço

Vi com prazer

Que um dia afinal seremos vizinhos Conversaremos longamente

De sepultura a sepultura

No silêncio das madrugadas

Quando o orvalho pingar sem ruído

E o luar for uma coisa só.

Esse texto é literário por apresentar uma linguagem plurissignificativa, ter uma função estética e provocar diferentes emoções no leitor. Considerando esses aspectos, qual é a função predominante da linguagem no poema?
Alternativas
Q1302381 Português

Ovalle


Manuel Bandeira


Estavas bem mudado

Como se tivesses posto aquelas barbas brancas

Para entrar com maior decoro a Eternidade


Nada de nós te interessava agora

Calavas sereno e grave

Como no fundo foste sempre

Sob as fantasias verbais enormes

Que faziam rir os teus amigos e

Punham bondade no coração dos maus


O padre orava:

- "O coro de todos os anjos te receba...

" Pensei comigo:

Cantando Estrela brilhante

Lá do alto-mar!...


Levamos-te cansado ao teu último endereço

Vi com prazer

Que um dia afinal seremos vizinhos Conversaremos longamente

De sepultura a sepultura

No silêncio das madrugadas

Quando o orvalho pingar sem ruído

E o luar for uma coisa só.

Qual é a figura de linguagem que predomina no verso “Levamos-te cansado ao teu último endereço”?
Alternativas
Q1302380 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

Considerando o princípio de coesão textual, aponte a alternativa em que as palavras destacadas dos fragmentos, a seguir, estão relacionadas respectivamente à ideia indicada.

Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo.”

Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas..."

Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.”

Alternativas
Q1302379 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

Nos fragmentos, a seguir, indique a alternativa que apresenta o significado contextual das palavras destacadas, respectivamente.
“Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz.” “No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes.”
“A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contra-atacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém.”
Alternativas
Q1302378 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

Qual é a principal informação na construção do primeiro parágrafo?
Alternativas
Q1302377 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

Para concluir o texto, o autor
Alternativas
Q1302376 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

O texto defende a ideia central de que
Alternativas
Q1302375 Português

O maniqueísmo que nos alimenta e o amor que nos falta

Sérgio Pardellas

    Acordamos e logo somos tragados pelo maniqueísmo. A política nacional está empanturrada dele — um mal que não escolhe governos, muito menos ideologias. Maniqueu, filósofo do século III, cuja doutrina afirma existir o dualismo entre dois princípios opostos — o bem e o mal, o certo e o errado —, transbordaria de orgulho dos súditos que amealhou. A lógica binária é capaz de corromper até o “fundo insubornável do ser” de que dizia Ortega y Gasset. Não raro, a queda-debraço retórica gira em torno de “quem está do lado correto da história”. Não demora e alguém avoca para si o monopólio da virtude. Logo, o oponente é a encarnação do que há de mais desgraçado no mundo. Muitas vezes, a polarização faz lembrar um museu de grandes novidades. O tempo não para e o argumento, outrora música para os ouvidos de um, passa a embalar a valsa do outro.

    Nem o dinamarquês Soren Kierkegaard ousaria produzir uma catástrofe tão perfeita. Como o exemplo vem de cima e a sociedade segue no mesmo compasso da política, aquilo a que assistimos são relações pessoais descompassadas. Não é preciso recorrer a exemplos do cotidiano. Eles pululam, semana a semana, e encontram-se debaixo do nosso nariz. O aroma é desagradável. Falta empatia, colocar-se no lugar do outro, entender e tocar a alma alheia. Em suma, a política está colérica e os relacionamentos nas redes sociais ou mesmo fora delas são o seu retrato mais bemacabado. Um triste retrato de chorar lágrimas de esguicho. No ambiente amistoso ou não das mesas de bar não falávamos o que regurgitamos nesses ambientes. Conforme questionava Monteiro Lobato em A luz do baile, “como (o que mudou), se era a mesma gente?”.

    Se é certo que opinar sobre tudo virou um fetiche dos tempos modernos, também é lícito afirmar que falta escrúpulo de delicadeza no lançamento de pareceres definitivos, quando não rasos e injuriosos, sobre o outro. Aliás, todos parecem ter prontos na cartola juízos sobre os mais diversos temas na hora de pressupor prevalência sobre terceiros. É a tal superioridade moral erigida tanto pelo Fla quanto pelo Flu. Nessa disputa infértil sobre quem paira acima de quem, a língua se transformou no açoite do que não somos, porque não é possível que nascemos para chicotearmos uns aos outros sem pensarmos em que posturas tão cáusticas irão degenerar.

    É necessário descer ao inferno do autoconhecimento e desvelar a própria alma, de que falava Eric Voegelin. É preciso oferecer ao outro o que gostaríamos de receber. Mas nem as crianças, nem os idosos, nem os desvalidos, nem sequer o luto dos que sofrem, expressão máxima da dignidade humana, são respeitados mais. A urgência deve ser o amor ao próximo, não o ódio sem proximidade. A reação é do instinto humano, mas no ambiente álgido de hoje muitos contraatacam sem serem importunados pelo simples prazer de atingir alguém. Ou mesmo por puro comportamento de manada — uma maneira estranha de ser aceito ou mesmo aplaudido em suas bolhas, em geral, formadas por pessoas que abominam o contraditório. Lançada em 1981, a célebre canção “Under Pressure”, da banda britânica “Queen”, nunca foi tão atual: “Insanity laughs, under pressure we’re breaking (A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo). Can’t we give ourselves one more chance (Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance) Why can’t we give love that one more chance. (Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?) Why can’t we give love?” (Por que não podemos dar amor?).

     O filósofo e humanista francês Michel de Montaigne dedicou talvez o mais belo de seus ensaios ao amigo Étienne de La Boétie, falecido em 1563, aos 32 anos. Quando indagado sobre a ligação afetiva de ambos, Montaigne sacou uma das justificativas mais doces e profundas que a humanidade já produziu: “porque era ele, porque era eu”. O texto levava o título “De l’amitié: Sobre a Amizade”. Mas bem que poderia se chamar “Sobre o amor”, aquele que tanto nos falta.

O texto é um artigo de opinião, o aspecto gramatical que nele é apresentado, de modo claro e efetivo, para a construção da opinião do produtor do texto, é:
Alternativas
Q1292051 Pedagogia
Ao final do Ensino Fundamental, não se espera que o estudante
Alternativas
Q1292050 Pedagogia
Analise a seguir o hino do município de Santa Luzia.
A História de um passado de nobreza De lutas, de conquistas e emoções De glórias, aventuras e riquezas Que conta o Rio das Velhas tradições Herança de heroísmo e lealdade Essa cidade que sabemos tanto amar
Os velhos casarões Santuários, serenatas, procissões O velho cantador Poesia, harmonia e canções
O moço se encantou E a juventude uniu-se no mesmo refrão Que fala de justiça e confiança De fé, de esperança e união
Santa Luzia, Santa Luzia Abençoai a tradição e o nosso povo Santa Luzia, Santa Luzia Abençoai a tradição e o nosso povo.
(Eustáquio Senna) Disponível em:<https://redescobrindosantaluzia.webnode.com.br/historia-de-santa-luzia/> . Acesso em: 13 mar. 2019.
Assinale a alternativa que relaciona corretamente as temáticas presentes nesse Hino aos conteúdos históricos abordados nos anos finais do Ensino Fundamental.
Alternativas
Q1292049 Pedagogia
Leia a notícia a seguir.
Brasil tem cerca de 30,8 mil imigrantes venezuelanos; somente em 2018 chegaram 10 mil, diz IBGE
Em 2015, havia cerca de mil venezuelanos morando no país. Somente em 2017, 17 mil atravessaram a fronteira para estabelecer refúgio em solo brasileiro.
Disponível em:<https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/29/brasil-tem-cerca-de-308-mil-imigrantes-venezuelanos-somente-em-2018-chegaram-10-mil-diz-ibge.ghtml> . Acesso em: 08 mar. 2019.
O fenômeno da imigração venezuelana provoca intensas discussões e ocupa os noticiários. A partir desse contexto, analise as afirmativas a seguir. I. O docente de História deve aproveitar essa discussão para se aprofundar na História da Venezuela, tema geralmente pouco abordado nos livros didáticos brasileiros. II. O docente de História deve tentar relacionar esse fenômeno atual ao processo imigratório ocorrido no final do Período Imperial brasileiro, problematizando suas semelhanças e diferenças. III. O docente de História deve estimular os estudantes a refletirem sobre essa situação-problema, compreendendo interpretações contrárias e favoráveis do fenômeno retratado. As afirmativas que se relacionam corretamente com as habilidades e competências estabelecidas para o ensino de Histórias dos anos finais do Ensino Fundamental, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular, são
Alternativas
Q1292048 Pedagogia
Leia o texto a seguir.
“Essa temática veio se tornando presente no debate sobre a instituição escolar por conta de uma notória tendência regressiva no campo político. Postula-se uma escola sem partido como lugar não político avesso à crítica. Busca-se retirar as crianças das escolas para aninhá-las no caráter privado da educação doméstica e revela-se a procura de partidarismo moralista pela recusa do enfrentamento da diversidade. O conceito de ideologia, de si complexo, se tornou uma espécie de refúgio dos que vêem determinados temas, até então invibilizados, estando presentes na escola.”
Disponível em: <http//www.andep.org.br/news/ideologia-nas-escolas-por-carlos-roberto-jamil-cury-pucminasufmg>. Acesso em: 7 mar. 2019.
Relacionando esse texto com os desafios de se lecionar História nos dias atuais, é correto afirmar:
Alternativas
Q1292046 Pedagogia
Um docente do 9º ano do Ensino Fundamental elaborou uma questão em sua avaliação que solicitava ao estudante a explicação das motivações da União Soviética ao assinar o chamado Pacto de Não Agressão com a Alemanha, em 23 de agosto de 1939.
O estudante assim respondeu:
“Stálin não era bobo nem nada e preferiu não tretar com Hitler. Aí ele ganhava um tempinho caso o Hitler fosse traíra”.
Com base na bibliografia exigida, ao corrigir a resposta do estudante, o professor deve
Alternativas
Q1292045 Pedagogia
No que diz respeito ao uso de charges no ensino de História dos anos finais do Ensino Fundamental, é correto afirmar:
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Q1292044 Pedagogia
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída no século XVIII, está situada no Centro Histórico da cidade de Santa Luzia e é um dos principais patrimônios do município.
Trazer um patrimônio da própria cidade, no âmbito do ensino de História,
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Q1292043 História
Decreto-Lei nº 869, de 12 de Setembro de 1969
OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR, usando das atribuições que lhes confere o artigo 1º do Ato Institucional nº 12, de 31 de agosto de 1969, combinado com o § 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,
DECRETAM: Art. 1º É instituída, em caráter obrigatório, como disciplina e, também, como prática educativa, a Educação Moral e Cívica, nas escolas de todos os graus e modalidades, dos sistemas de ensino no País.
BRASIL, Coleção de Leis do Brasil. V. 5. 1969, p. 209.
A respeito da institucionalização da Educação Moral e Cívica e sua relação com o contexto histórico no qual estava inserida, é correto afirmar:
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Q1292042 História
Durante a década de 1930, a canção popular firmou-se, de vez, como o traço essencial e mais evidente da fisionomia musical do Brasil moderno.
SCHWARCZ; STARLING. Brasil: Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 313.
Acerca da canção popular no período retratado pelas autoras, é correto afirmar:
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Q1292041 História
José Murilo de Carvalho, em sua obra Cidadania no Brasil: o longo caminho, argumenta que uma noção de cidadania plena, que combine liberdade, participação e igualdade para todos, é um ideal típico do Ocidente, que talvez seja inatingível. Contudo, essa ideia tem servido de parâmetro para o julgamento da qualidade da cidadania em cada país e em cada momento histórico.
A respeito da concepção de cidadania problematizada pelo autor, no contexto da história brasileira, é correto afirmar:
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Q1292040 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular aborda no 7º ano o seguinte objeto de conhecimento: a construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História. A ideia de “Novo Mundo” ante o “Mundo Antigo”: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno.
A respeito dos desdobramentos desse objeto de conhecimento na prática da sala de aula, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
17281: B
17282: B
17283: D
17284: D
17285: A
17286: A
17287: B
17288: A
17289: D
17290: D
17291: A
17292: B
17293: B
17294: C
17295: C
17296: C
17297: C
17298: A
17299: C
17300: A