Questões de Concurso Comentadas para professor - artes

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Ano: 2026 Banca: Fundação CETREDE Órgão: Prefeitura de Maracanaú - CE Provas: Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Alfabetizador 1º e 2º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Inglesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Portuguesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Matemática - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Fundamental - 3º ao 5º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Arte e Educação - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ciências - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ensino Religioso - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Geografia - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - História - 6º ao 9º Ano |
Q4008787 Português
Leia o texto e responda à questão.


“O café do intervalo e a teoria do quase”


   No intervalo da manhã, quando o corredor vira uma avenida de passos apressados e promessas de “já volto”, eu caminho até a cantina como quem vai cumprir um ritual civil. Não é fome: é aquela necessidade de um gole quente para reorganizar o pensamento, como se a cafeína soubesse arquivar dúvidas. A placa anuncia “Café passado na hora”, e eu me pego sorrindo para a expressão: como se existisse a hora oficial do café, com carimbo e assinatura.

   A fila começa curta e, por isso mesmo, suspeita. O primeiro obstáculo é o entusiasmo alheio. Uma colega me cumprimenta com um “rapidinho, só uma pergunta”, e essa frase, aprendi, tem o mesmo estatuto do “sem querer” antes de um comentário bem intencional. Eu respondo com um “claro”, que na língua da sobrevivência acadêmica significa: claro que não há escolha. Ela quer saber se eu “só poderia dar uma olhadinha” em um formulário, “bem simples”. Simples, aqui, é um adjetivo mágico: não descreve o objeto; descreve a tentativa de reduzir o tempo do outro.

   Enquanto finjo analisar campos e siglas, a fila cresce atrás de nós como argumento que se encorpa. Quando enfim chego ao balcão, o atendente aponta para um aviso escrito à mão: “PIX fora do ar”. A frase tem a concisão de um decreto e, ao mesmo tempo, a delicadeza de um pedido de desculpas. Procuro moedas, encontro um cartão que “agora não passa”, e sinto a vergonha minúscula de quem foi desmentida pelo próprio bolso. “É só reiniciar a maquininha”, diz alguém, como se reiniciar fosse sinônimo de resolver.

   Volto dois passos, tento sinal, tento fé. Na tela do celular, o círculo de carregamento gira com uma serenidade provocativa. Penso na teoria do quase: quase é a região onde a gente vive por prática, não por vocação. Quase respondi, quase terminei, quase publiquei, quase fui ao médico, quase dormi cedo. Quase é um jeito de manter a esperança em pé sem precisar encostar a realidade na parede. E, no intervalo, quase tem rosto: o “já”, o “só”, o “bem”, o “assim que der”.

   Finalmente pago em dinheiro emprestado — “me devolve depois, quando puder, sem pressa” — e essa generosidade traz embutida uma cobrança leve, do tipo que não pesa hoje, mas cobra amanhã. O café vem em copo de papel, tampado, e o vapor foge pela fresta como fofoca que não aguenta segredo. Dou o primeiro gole e percebo que não está tão quente quanto prometia a placa. Está morno, aquela temperatura neutra que não consola nem ofende.

   No caminho de volta, um aluno me alcança: “Prof, é rapidinho”. E eu, já com o café na mão e o intervalo no fim, ouço a frase como quem ouve o próprio nome dito errado. Ele abre o celular e me mostra uma mensagem: “Desculpa incomodar, mas eu quase desisti da disciplina”. Quase, outra vez.

   Eu me lembro de quantas vezes usei “quase” para suavizar pedidos: quase poderia enviar hoje? quase dá para remarcar? Como se a palavra amortecesse o impacto do desejo. Mas, ali, ela era um pedido de ajuda sem dramatização, um ponto de exclamação sussurrado bem mesmo.

   Só que, agora, o quase não adia; avisa. Eu paro. O corredor continua correndo. E, pela primeira vez na manhã, o café serve: não para acelerar, mas para ficar.


Fonte: Banca Examinadora
A situação comunicativa e o registro linguístico do texto caracterizam-se por
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Fundação CETREDE Órgão: Prefeitura de Maracanaú - CE Provas: Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Alfabetizador 1º e 2º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Inglesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Portuguesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Matemática - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Fundamental - 3º ao 5º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Arte e Educação - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ciências - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ensino Religioso - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Geografia - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - História - 6º ao 9º Ano |
Q4008786 Português
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“O café do intervalo e a teoria do quase”


   No intervalo da manhã, quando o corredor vira uma avenida de passos apressados e promessas de “já volto”, eu caminho até a cantina como quem vai cumprir um ritual civil. Não é fome: é aquela necessidade de um gole quente para reorganizar o pensamento, como se a cafeína soubesse arquivar dúvidas. A placa anuncia “Café passado na hora”, e eu me pego sorrindo para a expressão: como se existisse a hora oficial do café, com carimbo e assinatura.

   A fila começa curta e, por isso mesmo, suspeita. O primeiro obstáculo é o entusiasmo alheio. Uma colega me cumprimenta com um “rapidinho, só uma pergunta”, e essa frase, aprendi, tem o mesmo estatuto do “sem querer” antes de um comentário bem intencional. Eu respondo com um “claro”, que na língua da sobrevivência acadêmica significa: claro que não há escolha. Ela quer saber se eu “só poderia dar uma olhadinha” em um formulário, “bem simples”. Simples, aqui, é um adjetivo mágico: não descreve o objeto; descreve a tentativa de reduzir o tempo do outro.

   Enquanto finjo analisar campos e siglas, a fila cresce atrás de nós como argumento que se encorpa. Quando enfim chego ao balcão, o atendente aponta para um aviso escrito à mão: “PIX fora do ar”. A frase tem a concisão de um decreto e, ao mesmo tempo, a delicadeza de um pedido de desculpas. Procuro moedas, encontro um cartão que “agora não passa”, e sinto a vergonha minúscula de quem foi desmentida pelo próprio bolso. “É só reiniciar a maquininha”, diz alguém, como se reiniciar fosse sinônimo de resolver.

   Volto dois passos, tento sinal, tento fé. Na tela do celular, o círculo de carregamento gira com uma serenidade provocativa. Penso na teoria do quase: quase é a região onde a gente vive por prática, não por vocação. Quase respondi, quase terminei, quase publiquei, quase fui ao médico, quase dormi cedo. Quase é um jeito de manter a esperança em pé sem precisar encostar a realidade na parede. E, no intervalo, quase tem rosto: o “já”, o “só”, o “bem”, o “assim que der”.

   Finalmente pago em dinheiro emprestado — “me devolve depois, quando puder, sem pressa” — e essa generosidade traz embutida uma cobrança leve, do tipo que não pesa hoje, mas cobra amanhã. O café vem em copo de papel, tampado, e o vapor foge pela fresta como fofoca que não aguenta segredo. Dou o primeiro gole e percebo que não está tão quente quanto prometia a placa. Está morno, aquela temperatura neutra que não consola nem ofende.

   No caminho de volta, um aluno me alcança: “Prof, é rapidinho”. E eu, já com o café na mão e o intervalo no fim, ouço a frase como quem ouve o próprio nome dito errado. Ele abre o celular e me mostra uma mensagem: “Desculpa incomodar, mas eu quase desisti da disciplina”. Quase, outra vez.

   Eu me lembro de quantas vezes usei “quase” para suavizar pedidos: quase poderia enviar hoje? quase dá para remarcar? Como se a palavra amortecesse o impacto do desejo. Mas, ali, ela era um pedido de ajuda sem dramatização, um ponto de exclamação sussurrado bem mesmo.

   Só que, agora, o quase não adia; avisa. Eu paro. O corredor continua correndo. E, pela primeira vez na manhã, o café serve: não para acelerar, mas para ficar.


Fonte: Banca Examinadora
Quanto ao gênero e ao tipo textual predominante, o texto é 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Fundação CETREDE Órgão: Prefeitura de Maracanaú - CE Provas: Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Alfabetizador 1º e 2º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Inglesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Portuguesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Matemática - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Fundamental - 3º ao 5º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Arte e Educação - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ciências - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ensino Religioso - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Geografia - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - História - 6º ao 9º Ano |
Q4008785 Português
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“O café do intervalo e a teoria do quase”


   No intervalo da manhã, quando o corredor vira uma avenida de passos apressados e promessas de “já volto”, eu caminho até a cantina como quem vai cumprir um ritual civil. Não é fome: é aquela necessidade de um gole quente para reorganizar o pensamento, como se a cafeína soubesse arquivar dúvidas. A placa anuncia “Café passado na hora”, e eu me pego sorrindo para a expressão: como se existisse a hora oficial do café, com carimbo e assinatura.

   A fila começa curta e, por isso mesmo, suspeita. O primeiro obstáculo é o entusiasmo alheio. Uma colega me cumprimenta com um “rapidinho, só uma pergunta”, e essa frase, aprendi, tem o mesmo estatuto do “sem querer” antes de um comentário bem intencional. Eu respondo com um “claro”, que na língua da sobrevivência acadêmica significa: claro que não há escolha. Ela quer saber se eu “só poderia dar uma olhadinha” em um formulário, “bem simples”. Simples, aqui, é um adjetivo mágico: não descreve o objeto; descreve a tentativa de reduzir o tempo do outro.

   Enquanto finjo analisar campos e siglas, a fila cresce atrás de nós como argumento que se encorpa. Quando enfim chego ao balcão, o atendente aponta para um aviso escrito à mão: “PIX fora do ar”. A frase tem a concisão de um decreto e, ao mesmo tempo, a delicadeza de um pedido de desculpas. Procuro moedas, encontro um cartão que “agora não passa”, e sinto a vergonha minúscula de quem foi desmentida pelo próprio bolso. “É só reiniciar a maquininha”, diz alguém, como se reiniciar fosse sinônimo de resolver.

   Volto dois passos, tento sinal, tento fé. Na tela do celular, o círculo de carregamento gira com uma serenidade provocativa. Penso na teoria do quase: quase é a região onde a gente vive por prática, não por vocação. Quase respondi, quase terminei, quase publiquei, quase fui ao médico, quase dormi cedo. Quase é um jeito de manter a esperança em pé sem precisar encostar a realidade na parede. E, no intervalo, quase tem rosto: o “já”, o “só”, o “bem”, o “assim que der”.

   Finalmente pago em dinheiro emprestado — “me devolve depois, quando puder, sem pressa” — e essa generosidade traz embutida uma cobrança leve, do tipo que não pesa hoje, mas cobra amanhã. O café vem em copo de papel, tampado, e o vapor foge pela fresta como fofoca que não aguenta segredo. Dou o primeiro gole e percebo que não está tão quente quanto prometia a placa. Está morno, aquela temperatura neutra que não consola nem ofende.

   No caminho de volta, um aluno me alcança: “Prof, é rapidinho”. E eu, já com o café na mão e o intervalo no fim, ouço a frase como quem ouve o próprio nome dito errado. Ele abre o celular e me mostra uma mensagem: “Desculpa incomodar, mas eu quase desisti da disciplina”. Quase, outra vez.

   Eu me lembro de quantas vezes usei “quase” para suavizar pedidos: quase poderia enviar hoje? quase dá para remarcar? Como se a palavra amortecesse o impacto do desejo. Mas, ali, ela era um pedido de ajuda sem dramatização, um ponto de exclamação sussurrado bem mesmo.

   Só que, agora, o quase não adia; avisa. Eu paro. O corredor continua correndo. E, pela primeira vez na manhã, o café serve: não para acelerar, mas para ficar.


Fonte: Banca Examinadora
No fecho “Eu paro. O corredor continua correndo.”, o efeito de sentido é
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Fundação CETREDE Órgão: Prefeitura de Maracanaú - CE Provas: Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Alfabetizador 1º e 2º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Inglesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Portuguesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Matemática - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Fundamental - 3º ao 5º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Arte e Educação - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ciências - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ensino Religioso - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Geografia - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - História - 6º ao 9º Ano |
Q4008784 Português
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“O café do intervalo e a teoria do quase”


   No intervalo da manhã, quando o corredor vira uma avenida de passos apressados e promessas de “já volto”, eu caminho até a cantina como quem vai cumprir um ritual civil. Não é fome: é aquela necessidade de um gole quente para reorganizar o pensamento, como se a cafeína soubesse arquivar dúvidas. A placa anuncia “Café passado na hora”, e eu me pego sorrindo para a expressão: como se existisse a hora oficial do café, com carimbo e assinatura.

   A fila começa curta e, por isso mesmo, suspeita. O primeiro obstáculo é o entusiasmo alheio. Uma colega me cumprimenta com um “rapidinho, só uma pergunta”, e essa frase, aprendi, tem o mesmo estatuto do “sem querer” antes de um comentário bem intencional. Eu respondo com um “claro”, que na língua da sobrevivência acadêmica significa: claro que não há escolha. Ela quer saber se eu “só poderia dar uma olhadinha” em um formulário, “bem simples”. Simples, aqui, é um adjetivo mágico: não descreve o objeto; descreve a tentativa de reduzir o tempo do outro.

   Enquanto finjo analisar campos e siglas, a fila cresce atrás de nós como argumento que se encorpa. Quando enfim chego ao balcão, o atendente aponta para um aviso escrito à mão: “PIX fora do ar”. A frase tem a concisão de um decreto e, ao mesmo tempo, a delicadeza de um pedido de desculpas. Procuro moedas, encontro um cartão que “agora não passa”, e sinto a vergonha minúscula de quem foi desmentida pelo próprio bolso. “É só reiniciar a maquininha”, diz alguém, como se reiniciar fosse sinônimo de resolver.

   Volto dois passos, tento sinal, tento fé. Na tela do celular, o círculo de carregamento gira com uma serenidade provocativa. Penso na teoria do quase: quase é a região onde a gente vive por prática, não por vocação. Quase respondi, quase terminei, quase publiquei, quase fui ao médico, quase dormi cedo. Quase é um jeito de manter a esperança em pé sem precisar encostar a realidade na parede. E, no intervalo, quase tem rosto: o “já”, o “só”, o “bem”, o “assim que der”.

   Finalmente pago em dinheiro emprestado — “me devolve depois, quando puder, sem pressa” — e essa generosidade traz embutida uma cobrança leve, do tipo que não pesa hoje, mas cobra amanhã. O café vem em copo de papel, tampado, e o vapor foge pela fresta como fofoca que não aguenta segredo. Dou o primeiro gole e percebo que não está tão quente quanto prometia a placa. Está morno, aquela temperatura neutra que não consola nem ofende.

   No caminho de volta, um aluno me alcança: “Prof, é rapidinho”. E eu, já com o café na mão e o intervalo no fim, ouço a frase como quem ouve o próprio nome dito errado. Ele abre o celular e me mostra uma mensagem: “Desculpa incomodar, mas eu quase desisti da disciplina”. Quase, outra vez.

   Eu me lembro de quantas vezes usei “quase” para suavizar pedidos: quase poderia enviar hoje? quase dá para remarcar? Como se a palavra amortecesse o impacto do desejo. Mas, ali, ela era um pedido de ajuda sem dramatização, um ponto de exclamação sussurrado bem mesmo.

   Só que, agora, o quase não adia; avisa. Eu paro. O corredor continua correndo. E, pela primeira vez na manhã, o café serve: não para acelerar, mas para ficar.


Fonte: Banca Examinadora
Considerando a repetição de “rapidinho” (na fala da colega e na do aluno), o texto constrói sobretudo um(a) 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: Fundação CETREDE Órgão: Prefeitura de Maracanaú - CE Provas: Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Alfabetizador 1º e 2º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Inglesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Língua Portuguesa - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Matemática - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Fundamental - 3º ao 5º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Arte e Educação - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ciências - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Educação Infantil - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Ensino Religioso - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - Geografia - 6º ao 9º Ano | Fundação CETREDE - 2026 - Prefeitura de Maracanaú - CE - Professor da Educação Básica - História - 6º ao 9º Ano |
Q4008783 Português
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“O café do intervalo e a teoria do quase”


   No intervalo da manhã, quando o corredor vira uma avenida de passos apressados e promessas de “já volto”, eu caminho até a cantina como quem vai cumprir um ritual civil. Não é fome: é aquela necessidade de um gole quente para reorganizar o pensamento, como se a cafeína soubesse arquivar dúvidas. A placa anuncia “Café passado na hora”, e eu me pego sorrindo para a expressão: como se existisse a hora oficial do café, com carimbo e assinatura.

   A fila começa curta e, por isso mesmo, suspeita. O primeiro obstáculo é o entusiasmo alheio. Uma colega me cumprimenta com um “rapidinho, só uma pergunta”, e essa frase, aprendi, tem o mesmo estatuto do “sem querer” antes de um comentário bem intencional. Eu respondo com um “claro”, que na língua da sobrevivência acadêmica significa: claro que não há escolha. Ela quer saber se eu “só poderia dar uma olhadinha” em um formulário, “bem simples”. Simples, aqui, é um adjetivo mágico: não descreve o objeto; descreve a tentativa de reduzir o tempo do outro.

   Enquanto finjo analisar campos e siglas, a fila cresce atrás de nós como argumento que se encorpa. Quando enfim chego ao balcão, o atendente aponta para um aviso escrito à mão: “PIX fora do ar”. A frase tem a concisão de um decreto e, ao mesmo tempo, a delicadeza de um pedido de desculpas. Procuro moedas, encontro um cartão que “agora não passa”, e sinto a vergonha minúscula de quem foi desmentida pelo próprio bolso. “É só reiniciar a maquininha”, diz alguém, como se reiniciar fosse sinônimo de resolver.

   Volto dois passos, tento sinal, tento fé. Na tela do celular, o círculo de carregamento gira com uma serenidade provocativa. Penso na teoria do quase: quase é a região onde a gente vive por prática, não por vocação. Quase respondi, quase terminei, quase publiquei, quase fui ao médico, quase dormi cedo. Quase é um jeito de manter a esperança em pé sem precisar encostar a realidade na parede. E, no intervalo, quase tem rosto: o “já”, o “só”, o “bem”, o “assim que der”.

   Finalmente pago em dinheiro emprestado — “me devolve depois, quando puder, sem pressa” — e essa generosidade traz embutida uma cobrança leve, do tipo que não pesa hoje, mas cobra amanhã. O café vem em copo de papel, tampado, e o vapor foge pela fresta como fofoca que não aguenta segredo. Dou o primeiro gole e percebo que não está tão quente quanto prometia a placa. Está morno, aquela temperatura neutra que não consola nem ofende.

   No caminho de volta, um aluno me alcança: “Prof, é rapidinho”. E eu, já com o café na mão e o intervalo no fim, ouço a frase como quem ouve o próprio nome dito errado. Ele abre o celular e me mostra uma mensagem: “Desculpa incomodar, mas eu quase desisti da disciplina”. Quase, outra vez.

   Eu me lembro de quantas vezes usei “quase” para suavizar pedidos: quase poderia enviar hoje? quase dá para remarcar? Como se a palavra amortecesse o impacto do desejo. Mas, ali, ela era um pedido de ajuda sem dramatização, um ponto de exclamação sussurrado bem mesmo.

   Só que, agora, o quase não adia; avisa. Eu paro. O corredor continua correndo. E, pela primeira vez na manhã, o café serve: não para acelerar, mas para ficar.


Fonte: Banca Examinadora
De acordo com o texto, a “teoria do quase” funciona como metáfora para
Alternativas
Q4001699 Educação Artística
No componente curricular de Arte da BNCC, além das quatro linguagens tradicionais que constituem unidades temáticas, existe uma quinta unidade temática que busca explorar as relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas, inclusive as mediadas pelas tecnologias digitais. Assinale a alternativa que nomeia CORRETAMENTE essa unidade:
Alternativas
Q4001698 Artes Visuais
Após o período de intensa especulação conhecido como o 'boom' dos NFTs, a tecnologia blockchain passou por um processo de estabilização no sistema das artes. Atualmente, qual tem sido uma das principais aplicações práticas e estruturais dessa tecnologia para o mercado de arte física e digital? 
Alternativas
Q4001697 Atualidades
Atualmente, museus europeus e americanos estão sob pressão constante para a devolução de artefatos para países da África, Ásia e América Latina. Sobre o contexto histórico, ético e as práticas envolvidas nesse processo de restituição, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q4001696 Pedagogia
Na organização do currículo de Arte, a seleção de conteúdos deve seguir critérios que assegurem uma formação estética e crítica sólida. Segundo as orientações pedagógicas modernas e a BNCC, qual critério NÃO é considerado essencial para essa seleção?
Alternativas
Q4001695 Educação Artística
No campo da Didática Geral aplicada ao ensino da Arte, a prática pedagógica contemporânea superou o modelo de 'transmissão de técnicas' para adotar a 'mediação cultural'. Nesse contexto, qual é a postura adequada do professor ao planejar uma aula de Arte?
Alternativas
Q4001694 Pedagogia
De acordo com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como NÃO deve ser estruturado o Projetos Político-Pedagógicos (PPP) para garantir a implementação adequada do currículo?
Alternativas
Q4001692 Pedagogia
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), a avaliação de aprendizagem não deve ser reduzida a um mero instrumento de julgamento ou classificação do desempenho discente. Ela configura-se como um processo reflexivo e contínuo, que envolve múltiplos atores e possui finalidades diagnósticas, formativas e sociais no cotidiano escolar. Ao sinalizar tanto os progressos dos estudantes quanto as possíveis falhas nas abordagens pedagógicas, a avaliação torna-se uma ferramenta de gestão da aprendizagem e um canal de diálogo entre escola, família e comunidade. Considerando a função social e pedagógica da avaliação no Ensino Fundamental, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q4001691 Pedagogia
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que o Ensino Fundamental deve ser organizado em cinco áreas do conhecimento. De acordo com o documento e as diretrizes do Parecer CNE/CEB nº 11/2010. A área de Linguagens, no Ensino Fundamental, busca integrar diferentes formas de expressão e comunicação. Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE todos os componentes curriculares que integram essa área, conforme estabelecido pela BNCC:
Alternativas
Q4001690 Artes Plásticas
A obra 'Merda de Artista' (1961), de Piero Manzoni, consiste em 90 latas numeradas e assinadas que, segundo o rótulo, contêm 30 gramas de excrementos preservados. Ao relacionar essa produção aos objetivos fundamentais da arte conceitual, qual alternativa define CORRETAMENTE a intenção do artista e a intenção das obras de arte conceitual como um todo?

I - A obra utiliza o sarcasmo para deslocar o foco do objeto para o conceito, questionando o fetichismo da assinatura do artista e como o mercado atribui valor monetário a qualquer resíduo ligado ao gênio criador.
II - Os artistas conceituais queriam questionar o sistema das galerias e museus. Eles se perguntavam: Por que algo é considerado arte só porque está em um museu?
III - O artista conceitual não funciona como um arquiteto ou um estrategista; ele precisa fazer parte da execução da obra, não podendo ser substituído por outra pessoa ou, até mesmo, por máquinas.
IV - A arte deixa de ser algo para "contemplar com os olhos" e passa a ser algo para "decifrar com a mente".
Alternativas
Q4001689 Pedagogia
Para além da garantia de acesso e permanência na escola, é necessário que sistemas, redes e escolas garantam um patamar comum de aprendizagens a todos os estudantes, tarefa para a qual a BNCC é instrumento fundamental. Ao longo da Educação Básica, as aprendizagens essenciais definidas na BNCC devem concorrer para assegurar aos estudantes o desenvolvimento de competências gerais, que consubstanciam, no âmbito pedagógico, os direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Com base no texto acima e nas diretrizes estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), assinale a alternativa que indica CORRETAMENTE a quantidade de competências gerais que devem ser desenvolvidas ao longo da Educação Básica para assegurar os direitos de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes:
Alternativas
Q4001688 Artes Cênicas
A prática da dança no contexto escolar não pretende formar um dançarino, mas de forma lúdica, aborda elementos do movimento e o corpo como forma de comunicação. Além dos conhecimentos sobre a história da dança e seus contextos, a dança na escola promove a empatia, o trabalho em equipe e a inclusão de todos, independente de suas limitações físicas. O domínio dos elementos constitutivos do movimento é essencial para que o aluno desenvolva consciência corporal, aprenda a organizar sua presença no mundo e consiga expressar subjetividades através de dinâmicas variadas. Considerando a importância desses fundamentos para a alfabetização corporal do aluno, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os quatro elementos constitutivos do movimento:
Alternativas
Q4001687 Artes Visuais
Na linguagem das artes visuais, os elementos formais constituem o 'alfabeto' visual que permite ao artista organizar a composição e comunicar ideias, sensações ou conceitos. Assim como as palavras formam frases, a combinação de ponto, linha, forma, cor, valor, espaço e textura cria a estrutura de qualquer obra, seja ela figurativa ou abstrata. A compreensão desses componentes é fundamental para a análise crítica da arte, pois eles determinam como o olhar do observador percorre a imagem e como a mensagem é interpretada. Com base na função e nas características desses elementos, assinale a alternativa INCORRETA:
Alternativas
Q4001686 Educação Artística
O campo das artes é um universo em constante expansão, englobando hoje uma diversidade de formas de expressão conhecidas como "Linguagens Artísticas". Atualmente, o mundo reconhece diversas vertentes, como o Cinema, a Fotografia, a Arte Digital (ou Criptoarte), o Design, a Performance, a Instalação, a Videoarte e as Histórias em Quadrinhos. No entanto, para fins de organização pedagógica e cumprimento das diretrizes educacionais nas redes de ensino do Brasil, o currículo escolar baseia-se em quatro eixos fundamentais. Assinale a alternativa que apresenta as linguagens artísticas que são, obrigatoriamente, trabalhadas pelos professores de Arte nas escolas brasileiras, conforme a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): 
Alternativas
Q4001685 Artes Cênicas
O teatro é uma das linguagens artísticas fundamentais nas aulas de Arte, pois permite aos alunos explorar a expressão corporal, a criatividade e o trabalho coletivo. Para que o fenômeno teatral aconteça, diferentes componentes se articulam na construção da cena. Sobre a função e a classificação dos elementos formais do teatro, assinale a alternativa que NÃO contém apenas elementos do teatro:
Alternativas
Q4001683 Artes Visuais
As Vanguardas Artísticas Europeias surgiram no início do século XX, em um cenário de transformações tecnológicas e tensões políticas que culminariam na Primeira Guerra Mundial. Os movimentos artísticos de vanguarda romperam com a tradição acadêmica e a representação fiel da realidade, propondo novas formas de expressão que priorizavam a subjetividade, a velocidade, o onírico ou a fragmentação da forma. A alternativa que contém apenas movimentos das Vanguardas Artísticas Europeias é:
Alternativas
Respostas
161: B
162: C
163: D
164: B
165: C
166: E
167: D
168: A
169: B
170: C
171: E
172: C
173: B
174: D
175: C
176: B
177: E
178: A
179: E
180: C