Questões de Concurso Comentadas para hemobrás

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Q3261806 Administração Geral
Toda atividade humana organizada traz consigo duas exigências fundamentais: a divisão do trabalho em várias tarefas a serem executadas e, ao mesmo tempo, a coordenação dessas tarefas para a realização da atividade. (MINTZBERG, Henry. Criando organizações eficazes. Adaptado.)
A definição apresentada por Mintzberg traz a ideia que persistiu durante metade do século XX, em que a estrutura organizacional era entendida como um conjunto de relações de trabalho oficiais e padronizadas, reforçado por um sistema de autoridade formal e rigorosa com suposto controle total sobre as ações e interações entre os indivíduos. Atualmente, nas definições de estrutura organizacional, admite-se importância das interações humanas na formação das estruturas, uma vez que a estrutura formal nem sempre representa exatamente o que ocorre no cotidiano das organizações. Nesse sentido, sobre estrutura organizacional, analise as afirmativas a seguir.
I. As estruturas organizacionais sofrem alterações contínuas, à medida que sofrem influências dos seus membros, das interações entre eles e das mudanças ambientais. Elas são permeadas por padrões de interação, sendo eles representados pelas relações sociais informais e formais.
II. Inexiste uma estrutura organizacional única que se mostre efetiva e funcional para todas as organizações ou mesmo para aquelas de um mesmo segmento ou setor. Fatores como estratégia, tamanho, setores, incerteza com relação às tarefas e tecnologia refletem a necessidade de diferenciados arranjos organizacionais.
III. As organizações definem suas estruturas com base, somente, em condições impessoais, tais como: tamanho, sistema técnico, características de seu ambiente. Relações de poder também não interferem no delineamento da estrutura, principalmente a presença de controles externos à organização, necessidades pessoais de seus diversos membros e cultura onde a organização está inserida.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3261805 Administração Geral
Administrar é tomar decisões sobre recursos disponíveis, trabalhando com e através de pessoas para atingir objetivos, consciente das possíveis consequências das decisões tomadas. Por sua vez, entende-se por administração o gerenciamento de uma organização, levando em conta as informações obtidas junto a outros profissionais. Uma opção mais técnica para definir administração é: ciência social que estuda e sistematiza as práticas usadas para administrar. Com base nas conceituações anteriores, conclui-se que o cargo de assistente administrativo é de vital importância, pois é esse profissional que assiste o administrador e, portanto, deve conhecer os fundamentos da administração, no que concerne aos seus conceitos, suas características e finalidades. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.  
Alternativas
Q3261804 Legislação Federal
A Hemobrás é essencial para o fornecimento de hemoderivados e produtos biotecnológicos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Durante uma fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), foi identificado que a Hemobrás firmou contrato com uma empresa privada internacional para o fornecimento de tecnologia avançada para a produção de plasma. No entanto, esse contrato foi questionado sob a alegação de que a Hemobrás não poderia estabelecer parcerias internacionais sem autorização prévia do Congresso Nacional. Diante dessa situação hipotética, analise a legalidade da conduta da Hemobrás, com base na Lei Federal nº 10.972/2004, e assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3261803 Legislação Federal
Durante uma auditoria realizada em uma empresa contratada pela Hemobrás, foi identificado o pagamento de vantagens indevidas a um agente público, com o objetivo de influenciar a concessão de um contrato milionário. Considerando a situação hipotética e as disposições da Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção), assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3261802 Direito Administrativo
Uma empresa pública que fabrica hemoderivados precisa realizar a contratação de uma empresa especializada em tecnologia para modernizar seus processos produtivos. Durante a fase de planejamento da contratação, surgiram dúvidas sobre os procedimentos a serem seguidos, considerando as disposições da Lei Federal nº 13.303/2016 (Lei das Estatais). Com base na referida legislação, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3261801 Auditoria
Ao realizar uma auditoria em um órgão vinculado ao Poder Executivo Federal, verificou-se a inexistência de um processo formal de gestão de riscos. Além disso, constatou-se que a alta administração não participava ativamente do monitoramento das ações e que os controles internos implementados não contemplavam a totalidade dos riscos envolvidos. Com base na Instrução Normativa Conjunta MP/CGU nº 01/2016, qual é a medida mais adequada a ser adotada para corrigir as falhas identificadas? 
Alternativas
Q3261800 Legislação Federal
Uma unidade de saúde pública que integra a Rede Nacional de Hemoterapia busca esclarecer os direitos e os deveres relacionados à doação de sangue, bem como as responsabilidades da gestão da hemoterapia no Brasil. Considerando o disposto na Lei nº 10.205/2001, assinale a afirmativa correta.
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Q3261799 Administração Geral
Em um encontro com os colaboradores, foram discutidas algumas iniciativas e ações relacionadas à missão, à visão e aos valores da Hemobrás. Considerando tais elementos estratégicos, analise as ações a seguir.
I. João enfatizou que a Hemobrás deve sempre buscar ser reconhecida pela produção sustentável de medicamentos hemoderivados e biotecnológicos, contribuindo para a garantia de abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, por meio de profissionais qualificados e engajados.
II. Pedro ressaltou a importância, na Hemobrás, de agir com foco em resultados, frisando que é necessário manter o comprometimento com objetivos e metas, buscar excelência nos processos e produtos, promover a integração, a cooperação e a gestão participativa, incentivar o desenvolvimento profissional, adotar a aprendizagem contínua, e estar preparados para se adaptar às necessidades e tendências futuras, sempre trabalhando com gestão de riscos e buscando inovações.
III. Ana apontou que a Hemobrás deve pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos hemoderivados e biotecnológicos para atender prioritariamente aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Relacione adequadamente os elementos estratégicos à missão, à visão ou aos valores da Hemobrás.
Alternativas
Q3261798 Regimento Interno
Nos termos do Regimento Interno da Hemobrás, são consideradas atribuições da Assessoria de Assuntos Regulatórios, EXCETO:
Alternativas
Q3261797 Legislação Federal
Durante o último semestre, a Hemobrás registrou diversas situações que demandam atuação de suas unidades internas de governança. À luz das competências da Auditoria Interna, da Área de Conformidade e Gerenciamento de Riscos e da Ouvidoria, analise os casos hipotéticos a seguir.
I. João, analista do setor financeiro, identificou que um colega responsável pelas compras também está aprovando pagamentos, o que pode gerar riscos para a empresa. Ele solicitou que seja verificada a aplicação adequada do princípio da segregação de funções, de forma que seja evitada a ocorrência de conflitos de interesse e fraudes.
II. Paula, funcionária da área administrativa, apresentou uma denúncia sigilosa relatando irregularidades em processos internos. Ela solicitou que a empresa receba e examine tais denúncias internas, relativas às atividades da empresa.
III. Renata, gerente de um projeto estratégico, solicitou que seja verificado o cumprimento e a implementação das recomendações feitas pela Controladoria-Geral da União (CGU), pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Conselho Fiscal, conforme exigido em relatórios anteriores.

Com base no Estatuto Social da Hemobrás, para qual unidade cada caso deverá ser encaminhado? 
Alternativas
Q3261796 Regimento Interno
João é encarregado de receber e inspecionar hemoderivados provenientes do contrato de beneficiamento passivo do plasma e sucedâneos recombinantes dos hemoderivados, preparar a programação de distribuição de hemoderivados e seus sucedâneos recombinantes e monitorar e controlar a temperatura das áreas de armazenamento de medicamentos. Assim, considerando a divisão de competências e atribuições estabelecida no Regimento Interno da Hemobrás, João está vinculado ao serviço de:
Alternativas
Q3261795 Legislação Federal
Maria foi nomeada para o Conselho de Administração da Hemobrás com prazo de gestão unificado de dois anos, em conformidade com o Estatuto Social da empresa. Após exercer três reconduções consecutivas, o limite de reconduções foi atingido. Passados doze meses de sua saída, Maria foi indicada novamente para retornar ao Conselho. Com base no Estatuto Social da Hemobrás, a indicação de Maria é:
Alternativas
Q3261794 Ética na Administração Pública
Paulo, colaborador ocupante de cargo de gestão na Hemobrás, é convidado por uma entidade privada, integrante do ramo de indústria farmacêutica, para participar, como palestrante, de seminário destinado a debater o tema de engenharia genética. O convite foi encaminhado pela instituição promotora do evento diretamente ao e-mail pessoal de Paulo e nele continha, além das informações referentes à data e ao horário de realização do evento, o valor da remuneração que seria paga ao agente público como contraprestação pela palestra. O convite informava, ainda, que o pagamento das despesas de viagem de Paulo em razão do evento seria realizado pela entidade promotora do evento e que, durante a realização do seminário, haveria a distribuição de brindes aos palestrantes e participantes do evento. Interessado, Paulo comunicou o recebimento do convite por meio do Sistema Eletrônico de Prevenção de Conflitos de Interesse à sua chefia imediata e lhe solicitou autorização para participar do seminário. Considerando a situação hipotética narrada e as disposições previstas no Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3261793 Ética na Administração Pública
Considerando as disposições do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, NÃO representa uma das competências da Comissão de Ética, da área de Integridade e de Correição da Hemobrás: 
Alternativas
Q3261792 Ética na Administração Pública
Tendo em vista as disposições do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, analise as afirmativas a seguir.
I. Aos colaboradores da Hemobrás é proibida a ausência em horário de expediente, bem como sair antecipadamente sem autorização da chefia imediata.
II. Os colaboradores da Hemobrás, mesmo que estejam de licença ou em período de afastamento, e os parceiros de negócios devem resguardar informações privilegiadas, sigilosas e reservadas que tiverem acesso tanto devido ao exercício profissional quanto por meio casual, em virtude da falta de discrição ou cuidado de pessoas obrigadas a guardar sigilo.
III. Os colaboradores da Hemobrás devem se comprometer a não exercer quaisquer atividades profissionais conflitantes com o exercício do emprego ou função, ou incompatíveis com o horário de trabalho, conforme o regime aplicável.
IV. O Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás não estabelece nenhuma restrição quanto ao uso de recursos materiais, meios de comunicação e instalações colocados à sua disposição e de seus colaboradores para fins estranhos às suas atividades profissionais.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3261791 Ética na Administração Pública
São considerados objetivos do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, EXCETO:
Alternativas
Q3261790 Ética na Administração Pública
No dia 29 de novembro de 2019, Felipe foi nomeado para ocupar um cargo de gestão na Hemobrás. Coincidentemente, assim que passou a exercer suas funções, ele percebeu que sua sobrinha, Eva, parente colateral em terceiro grau, atuava como estagiária no mesmo setor que seria mantido sob sua gestão imediata. Para prevenir a ocorrência de conflito de interesses, Felipe decidiu formalizar consulta à área responsável pela gestão de pessoas da Hemobrás. Considerando o caso hipotético e as previsões do Código de Ética, Conduta e Integridade da Hemobrás, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q3261784 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
O processo de formação de “poderoso” (8º§) só NÃO é o mesmo de:
Alternativas
Q3261783 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
O valor relacional da preposição destacada em “Melhor pecar por ser óbvio [...]” (1º§) é equivalente ao da preposição indicada na alternativa:
Alternativas
Q3261782 Português
Literalmente latente, mas talvez não

        Melhor pecar por ser óbvio do que por ser omisso: palavras são as menores unidades de sentido autônomo da escrita. Sendo assim, nenhum escriba conseguirá ir muito longe se não cultivar com elas, quase sempre por meio da leitura, uma intimidade pelo menos razoável.

        Isso significa – não apenas, mas em primeiro lugar – saber o que elas significam em estado de dicionário. No meu caso, não há maior inimigo da boa vontade que tenho para a leitura de um texto do que descobrir que seu autor usa, por exemplo, “literal” para o que é figurado e “latente” com o sentido de “patente”.

        Sim, sou desses. Embora seja uma frase de uso comum em contextos informais, sobretudo na fala, acredito que “Estou literalmente frito” jamais ganhará circulação tranquila na linguagem culta.

        Qual é o sentido de garantir a literalidade do que não tem nenhuma? Cabe, claro, a ressalva dos casos gravíssimos de quem se fritou caindo em frigideiras industriais, mas estes são bem raros.

        A rigor, “A viagem me deixou literalmente morto de cansado” é uma afirmação que só poderia ser feita por um autor defunto como Brás Cubas – ou, quem sabe, recebida como mensagem do além em centros espíritas.

        Problema semelhante tem uma frase como “Fulano me ligou em prantos, a dor dele com a separação é latente”. Não, não é. A dor do fulano talvez fosse latente – quer dizer, não visível, presente mas não manifesta – antes do choro. Depois dele é patente, ou seja, evidente, está na cara.

        Alguns estudiosos argumentam que o uso, mesmo que a princípio esteja equivocado, acabará por normalizar tudo isso – se é que já não o fez. No inglês, o emprego de “literalmente” quando se trata de sentido figurado, como simples marca de ênfase, já ganhou a chancela de certos dicionários.

        O uso é poderoso mesmo. Não faltam na história das línguas exemplos de erros produtivos, mal-entendidos que criaram novos sentidos. A palavra “floresta” nos chegou do francês antigo “forest” e ganhou um L na alfândega porque o pessoal achou que tivesse a ver com “flor”. Não tinha, mas passou a ter.

        No entanto, a famosa cartada de que “a língua é viva” – sem dúvida de grande autoridade nas conversas sobre palavras – não me parece liquidar o jogo nesse caso. Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.

        Uma coisa é reconhecer que, no fluxo contínuo da fala das ruas, todo idioma está fadado a mudar de feição o tempo todo, com as palavras ganhando pouco a pouco sutilezas que podem acabar por torná-las inteiramente diferentes do que foram um dia. É verdade.

        No entanto, quando a confusão recai sobre pares de antônimos tão perfeitos quanto literal-figurado e latente-patente, acreditar que a ignorância venha a ser produtiva me parece um excesso de otimismo.

        A única consequência lógica de que um de dois termos opostos passe a significar o mesmo que seu contrário é a destruição de ambos, sua diluição na geleia do que não faz sentido algum.
    
        Os pares literal-figurado e latente-patente são como claro-escuro, alegre-triste, quente-frio, morto-vivo, alto-baixo etc. Imagine se essas palavras fossem intercambiáveis.

        Quando o primeiro termo se define em oposição ao segundo e vice-versa, fundi-los é entropia, perda de funcionalidade da linguagem, que passa a ser capaz de dizer menos do que dizia. Numa palavra, burrice.

        Pode ser que um dia tudo isso seja considerado correto? Pode. Espero estar literalmente morto até lá.

(RODRIGUES, Sérgio. Literalmente latente, mas talvez não. Jornal Folha de S. Paulo, 2023. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/sergio-rodrigues/. Acesso em: janeiro de 2025.)
Releia: “Sim, a língua é viva. Como todo organismo, pode adoecer.” (9º§) O conector que articula adequadamente os períodos, mantendo a coesão, a coerência e a correção gramatical, é:
Alternativas
Respostas
421: B
422: A
423: D
424: B
425: D
426: A
427: D
428: A
429: C
430: B
431: D
432: B
433: B
434: B
435: C
436: A
437: D
438: A
439: B
440: A