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Q3356176 Português
Passa de 1 bilhão o total de pessoas com obesidade no mundo


Um pouco antes de 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou os resultados de um novo estudo internacional com estimativas atualizadas do problema. Com base em informações do peso e da altura de 222 milhões de pessoas em mais de 190 países, um grupo de 1,5 mil pesquisadores, alguns deles brasileiros, calculou a progressão global da obesidade nas últimas três décadas. As conclusões, apresentadas em um artigo publicado em março na revista The Lancet , são impactantes e deveriam instigar as autoridades da saúde e os formuladores de políticas públicas a agir com urgência.

O dado mais alarmante é que, hoje, há no mundo 1,04 bilhão de pessoas com obesidade. Isso significa que um em cada oito habitantes do planeta (12,5% da humanidade) está com o peso muito acima do considerado saudável. Por esse motivo, essa parcela da população corre um risco mais elevado do que os demais indivíduos de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, algumas formas de câncer e morrer precocemente. De 1990 a 2022, a população mundial cresceu 51% e passou de 5,3 bilhões para 8 bilhões de pessoas. No mesmo período, o total de indivíduos com obesidade aumentou 360%: passou de 221 milhões para os atuais 1,04 bilhão − destes, 159 milhões são crianças e adolescentes.

A prevalência de obesidade entre adultos cresceu em praticamente todos os países. Em termos relativos, sua frequência, em média, dobrou entre as mulheres (passou de 8,8% para 18,5%) e triplicou entre os homens (foi de 4,8% para 14%). Essa tendência global, que já vinha sendo observada entre os adultos desde os anos 1990, também se instalou entre as crianças e os adolescentes. O aumento foi da ordem de quatro vezes na faixa etária dos 5 aos 19 anos. A proporção de crianças e adolescentes do sexo feminino com obesidade era de 1,7% em 1990 e chegou a 6,9% em 2022. Entre os meninos, saltou de 2,1% para 9,3%.

O crescimento da obesidade em números absolutos e relativos foi acompanhado de uma redução importante no baixo peso. O total de pessoas com peso inferior ao saudável − isto é, magras demais − diminuiu de 649 milhões em 1990 para 532 milhões em 2022.

Com o movimento simultâneo de crescimento da obesidade e da contração da magreza, o excesso de peso tornou-se, no mundo, o principal problema de má nutrição (um desequilíbrio entre as calorias e os nutrientes de que o corpo precisa e os que consegue obter). Ambos são como os dois lados de uma moeda. O baixo peso leva a problemas de saúde pela carência. A obesidade, pelo excesso. Hoje há mais pessoas com obesidade do que com baixo peso em todas as regiões do planeta, com exceção do Sudeste Asiático.

"É muito preocupante observar que a epidemia de obesidade, já evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar. Ao mesmo tempo, centenas de milhões de pessoas ainda são afetadas pela subnutrição, especialmente em algumas das partes mais pobres do mundo", afirmou o epidemiologista Majid Ezzati, do Imperial College London , coordenador do estudo, em um comunicado à imprensa. "Para combater com sucesso ambas as formas de má nutrição, é vital melhorar significativamente a disponibilidade e o preço de alimentos saudáveis e nutritivos".

Já faz algum tempo que a obesidade é considerada uma doença crônica e multifacetada. Do ponto de vista do indivíduo, ela resulta da interação entre os genes e as condições de vida das pessoas. São conhecidos uns poucos genes que, uma vez alterados, são suficientes para levar uma pessoa a engordar. Mas existem mais de 300 que regulam o acúmulo e o consumo de energia. Uma pessoa pode até ter características genéticas que favoreçam o ganho de peso, mas engordar pouco se, por exemplo, mantiver uma dieta saudável e praticar exercícios com regularidade. Ou ela pode não ter as variantes genéticas que facilitam o acúmulo de gordura, mas ganhar peso porque come muito ou só tem à disposição alimentos muito calóricos.

A OMS e outras agências sanitárias em geral adotam o índice de massa corporal (IMC) para classificar se um adulto está ou não na faixa de peso ideal − em crianças e adolescentes, o critério é outro, baseado no quanto o peso se afasta do considerado ideal pelas curvas de crescimento. O IMC é calculado ao se dividir o peso − ou massa (músculos, ossos e gordura) − pelo quadrado da altura.

O IMC é útil para estimar o grau de saúde em nível populacional, porque se baseia em duas medidas fáceis de se obter (peso e altura). Ele, no entanto, nem sempre indica o real estado de saúde do indivíduo porque não permite saber qual proporção de sua massa é gordura (uma pessoa pode ter IMC superior a 25 por ser musculosa) nem onde está concentrada a gordura (a armazenada entre os órgãos é mais nociva do que aquela sob a pele). Por isso, médicos e nutricionistas adotam outros indicadores, como a circunferência da cintura e a análise da concentração de gorduras no sangue para estimar a saúde do indivíduo.

O fato de uma proporção maior de pessoas ter começado a conviver com obesidade mais cedo inquieta os especialistas. É que aumenta o tempo que permanecem expostas a condições que favorecem o desenvolvimento de doenças, embora existam pessoas com obesidade saudáveis. "A obesidade tem sido cada vez mais intensa, precoce e prolongada. É quase uma sentença de vida", afirma o pediatra e nutrólogo brasileiro Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o pesquisador, um dos autores do estudo da The Lancet, essa população terá uma probabilidade maior de manter por mais tempo esse peso excessivo ou de se tornar obesa. "Algumas crianças com excesso de peso na fase pré-puberal já não passam mais pelo emagrecimento que era característico da puberdade", conta.

O cenário delineado pelo estudo da The Lancet pode, na realidade, ser um pouco pior. E, se nada for feito para alterá-lo de modo drástico, pode agravar-se mais na próxima década. A edição de 2024 do Atlas mundial da obesidade, lançado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF) também em março, estima que 42% da população adulta mundial já se encontrava acima do peso em 2020 − cerca de 1,39 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso e 810 milhões com obesidade. O documento projeta que essa proporção deve chegar a 54% em 2035, com 1,77 bilhão com sobrepeso e 1,53 bilhão com obesidade, o que deve impor gastos com saúde e perda de produtividade de US$ 4 trilhões por ano à economia mundial.

O Brasil encontra-se em uma situação intermediária, embora a proporção de pessoas com obesidade seja bem superior à média global. Com o avanço do ganho de peso nas últimas décadas, a taxa de crianças e adolescentes com obesidade passou de 3,1% (em ambos os sexos) em 1990 para 14,3% entre as meninas e 17,1% entre os meninos em 2022. Entre adultos, subiu de 11,9% para 32% entre as mulheres e de 5,8% para 25% entre os homens. Hoje o país ocupa a 54ª posição no ranking mundial de obesidade infantil e é o 65º com mais homens e o 70º com mais mulheres com obesidade.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle. Passa de 1 bilhão o total
de pessoas com obesidade no mundo. Revista Pesquisa FAPESP.
Disponível
em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/passa-de-1-bilhao-o-total-de-pessoascom-obesidade-no-mundo/ Acesso em: 20 abr., 2024.
Em "O baixo peso leva a problemas de saúde pela carência. A obesidade, pelo excesso", há uma figura de linguagem chamada de: 
Alternativas
Q3356175 Português
Passa de 1 bilhão o total de pessoas com obesidade no mundo


Um pouco antes de 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou os resultados de um novo estudo internacional com estimativas atualizadas do problema. Com base em informações do peso e da altura de 222 milhões de pessoas em mais de 190 países, um grupo de 1,5 mil pesquisadores, alguns deles brasileiros, calculou a progressão global da obesidade nas últimas três décadas. As conclusões, apresentadas em um artigo publicado em março na revista The Lancet , são impactantes e deveriam instigar as autoridades da saúde e os formuladores de políticas públicas a agir com urgência.

O dado mais alarmante é que, hoje, há no mundo 1,04 bilhão de pessoas com obesidade. Isso significa que um em cada oito habitantes do planeta (12,5% da humanidade) está com o peso muito acima do considerado saudável. Por esse motivo, essa parcela da população corre um risco mais elevado do que os demais indivíduos de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, algumas formas de câncer e morrer precocemente. De 1990 a 2022, a população mundial cresceu 51% e passou de 5,3 bilhões para 8 bilhões de pessoas. No mesmo período, o total de indivíduos com obesidade aumentou 360%: passou de 221 milhões para os atuais 1,04 bilhão − destes, 159 milhões são crianças e adolescentes.

A prevalência de obesidade entre adultos cresceu em praticamente todos os países. Em termos relativos, sua frequência, em média, dobrou entre as mulheres (passou de 8,8% para 18,5%) e triplicou entre os homens (foi de 4,8% para 14%). Essa tendência global, que já vinha sendo observada entre os adultos desde os anos 1990, também se instalou entre as crianças e os adolescentes. O aumento foi da ordem de quatro vezes na faixa etária dos 5 aos 19 anos. A proporção de crianças e adolescentes do sexo feminino com obesidade era de 1,7% em 1990 e chegou a 6,9% em 2022. Entre os meninos, saltou de 2,1% para 9,3%.

O crescimento da obesidade em números absolutos e relativos foi acompanhado de uma redução importante no baixo peso. O total de pessoas com peso inferior ao saudável − isto é, magras demais − diminuiu de 649 milhões em 1990 para 532 milhões em 2022.

Com o movimento simultâneo de crescimento da obesidade e da contração da magreza, o excesso de peso tornou-se, no mundo, o principal problema de má nutrição (um desequilíbrio entre as calorias e os nutrientes de que o corpo precisa e os que consegue obter). Ambos são como os dois lados de uma moeda. O baixo peso leva a problemas de saúde pela carência. A obesidade, pelo excesso. Hoje há mais pessoas com obesidade do que com baixo peso em todas as regiões do planeta, com exceção do Sudeste Asiático.

"É muito preocupante observar que a epidemia de obesidade, já evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar. Ao mesmo tempo, centenas de milhões de pessoas ainda são afetadas pela subnutrição, especialmente em algumas das partes mais pobres do mundo", afirmou o epidemiologista Majid Ezzati, do Imperial College London , coordenador do estudo, em um comunicado à imprensa. "Para combater com sucesso ambas as formas de má nutrição, é vital melhorar significativamente a disponibilidade e o preço de alimentos saudáveis e nutritivos".

Já faz algum tempo que a obesidade é considerada uma doença crônica e multifacetada. Do ponto de vista do indivíduo, ela resulta da interação entre os genes e as condições de vida das pessoas. São conhecidos uns poucos genes que, uma vez alterados, são suficientes para levar uma pessoa a engordar. Mas existem mais de 300 que regulam o acúmulo e o consumo de energia. Uma pessoa pode até ter características genéticas que favoreçam o ganho de peso, mas engordar pouco se, por exemplo, mantiver uma dieta saudável e praticar exercícios com regularidade. Ou ela pode não ter as variantes genéticas que facilitam o acúmulo de gordura, mas ganhar peso porque come muito ou só tem à disposição alimentos muito calóricos.

A OMS e outras agências sanitárias em geral adotam o índice de massa corporal (IMC) para classificar se um adulto está ou não na faixa de peso ideal − em crianças e adolescentes, o critério é outro, baseado no quanto o peso se afasta do considerado ideal pelas curvas de crescimento. O IMC é calculado ao se dividir o peso − ou massa (músculos, ossos e gordura) − pelo quadrado da altura.

O IMC é útil para estimar o grau de saúde em nível populacional, porque se baseia em duas medidas fáceis de se obter (peso e altura). Ele, no entanto, nem sempre indica o real estado de saúde do indivíduo porque não permite saber qual proporção de sua massa é gordura (uma pessoa pode ter IMC superior a 25 por ser musculosa) nem onde está concentrada a gordura (a armazenada entre os órgãos é mais nociva do que aquela sob a pele). Por isso, médicos e nutricionistas adotam outros indicadores, como a circunferência da cintura e a análise da concentração de gorduras no sangue para estimar a saúde do indivíduo.

O fato de uma proporção maior de pessoas ter começado a conviver com obesidade mais cedo inquieta os especialistas. É que aumenta o tempo que permanecem expostas a condições que favorecem o desenvolvimento de doenças, embora existam pessoas com obesidade saudáveis. "A obesidade tem sido cada vez mais intensa, precoce e prolongada. É quase uma sentença de vida", afirma o pediatra e nutrólogo brasileiro Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o pesquisador, um dos autores do estudo da The Lancet, essa população terá uma probabilidade maior de manter por mais tempo esse peso excessivo ou de se tornar obesa. "Algumas crianças com excesso de peso na fase pré-puberal já não passam mais pelo emagrecimento que era característico da puberdade", conta.

O cenário delineado pelo estudo da The Lancet pode, na realidade, ser um pouco pior. E, se nada for feito para alterá-lo de modo drástico, pode agravar-se mais na próxima década. A edição de 2024 do Atlas mundial da obesidade, lançado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF) também em março, estima que 42% da população adulta mundial já se encontrava acima do peso em 2020 − cerca de 1,39 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso e 810 milhões com obesidade. O documento projeta que essa proporção deve chegar a 54% em 2035, com 1,77 bilhão com sobrepeso e 1,53 bilhão com obesidade, o que deve impor gastos com saúde e perda de produtividade de US$ 4 trilhões por ano à economia mundial.

O Brasil encontra-se em uma situação intermediária, embora a proporção de pessoas com obesidade seja bem superior à média global. Com o avanço do ganho de peso nas últimas décadas, a taxa de crianças e adolescentes com obesidade passou de 3,1% (em ambos os sexos) em 1990 para 14,3% entre as meninas e 17,1% entre os meninos em 2022. Entre adultos, subiu de 11,9% para 32% entre as mulheres e de 5,8% para 25% entre os homens. Hoje o país ocupa a 54ª posição no ranking mundial de obesidade infantil e é o 65º com mais homens e o 70º com mais mulheres com obesidade.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle. Passa de 1 bilhão o total
de pessoas com obesidade no mundo. Revista Pesquisa FAPESP.
Disponível
em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/passa-de-1-bilhao-o-total-de-pessoascom-obesidade-no-mundo/ Acesso em: 20 abr., 2024.
Analise a colocação pronominal no seguinte trecho retirado do texto:
É muito preocupante observar que a epidemia de obesidade, já evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar.
Agora, analise as afirmações a seguir. Marque V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)Podemos afirmar que há um erro de colocação pronominal no trecho.0
(__)A colocação pronominal está correta, pois o pronome átono deve estar em posição de próclise após a vírgula.
(__)Como inicia nova oração, o pronome átono deveria assumir a posição de mesóclise.
(__)Como consiste no tempo verbal presente, o correto seria empregar a mesóclise.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q3356174 Português
Passa de 1 bilhão o total de pessoas com obesidade no mundo


Um pouco antes de 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou os resultados de um novo estudo internacional com estimativas atualizadas do problema. Com base em informações do peso e da altura de 222 milhões de pessoas em mais de 190 países, um grupo de 1,5 mil pesquisadores, alguns deles brasileiros, calculou a progressão global da obesidade nas últimas três décadas. As conclusões, apresentadas em um artigo publicado em março na revista The Lancet , são impactantes e deveriam instigar as autoridades da saúde e os formuladores de políticas públicas a agir com urgência.

O dado mais alarmante é que, hoje, há no mundo 1,04 bilhão de pessoas com obesidade. Isso significa que um em cada oito habitantes do planeta (12,5% da humanidade) está com o peso muito acima do considerado saudável. Por esse motivo, essa parcela da população corre um risco mais elevado do que os demais indivíduos de desenvolver diabetes, doenças cardiovasculares, algumas formas de câncer e morrer precocemente. De 1990 a 2022, a população mundial cresceu 51% e passou de 5,3 bilhões para 8 bilhões de pessoas. No mesmo período, o total de indivíduos com obesidade aumentou 360%: passou de 221 milhões para os atuais 1,04 bilhão − destes, 159 milhões são crianças e adolescentes.

A prevalência de obesidade entre adultos cresceu em praticamente todos os países. Em termos relativos, sua frequência, em média, dobrou entre as mulheres (passou de 8,8% para 18,5%) e triplicou entre os homens (foi de 4,8% para 14%). Essa tendência global, que já vinha sendo observada entre os adultos desde os anos 1990, também se instalou entre as crianças e os adolescentes. O aumento foi da ordem de quatro vezes na faixa etária dos 5 aos 19 anos. A proporção de crianças e adolescentes do sexo feminino com obesidade era de 1,7% em 1990 e chegou a 6,9% em 2022. Entre os meninos, saltou de 2,1% para 9,3%.

O crescimento da obesidade em números absolutos e relativos foi acompanhado de uma redução importante no baixo peso. O total de pessoas com peso inferior ao saudável − isto é, magras demais − diminuiu de 649 milhões em 1990 para 532 milhões em 2022.

Com o movimento simultâneo de crescimento da obesidade e da contração da magreza, o excesso de peso tornou-se, no mundo, o principal problema de má nutrição (um desequilíbrio entre as calorias e os nutrientes de que o corpo precisa e os que consegue obter). Ambos são como os dois lados de uma moeda. O baixo peso leva a problemas de saúde pela carência. A obesidade, pelo excesso. Hoje há mais pessoas com obesidade do que com baixo peso em todas as regiões do planeta, com exceção do Sudeste Asiático.

"É muito preocupante observar que a epidemia de obesidade, já evidente entre adultos em grande parte do mundo em 1990, se reflita agora em crianças e adolescentes em idade escolar. Ao mesmo tempo, centenas de milhões de pessoas ainda são afetadas pela subnutrição, especialmente em algumas das partes mais pobres do mundo", afirmou o epidemiologista Majid Ezzati, do Imperial College London , coordenador do estudo, em um comunicado à imprensa. "Para combater com sucesso ambas as formas de má nutrição, é vital melhorar significativamente a disponibilidade e o preço de alimentos saudáveis e nutritivos".

Já faz algum tempo que a obesidade é considerada uma doença crônica e multifacetada. Do ponto de vista do indivíduo, ela resulta da interação entre os genes e as condições de vida das pessoas. São conhecidos uns poucos genes que, uma vez alterados, são suficientes para levar uma pessoa a engordar. Mas existem mais de 300 que regulam o acúmulo e o consumo de energia. Uma pessoa pode até ter características genéticas que favoreçam o ganho de peso, mas engordar pouco se, por exemplo, mantiver uma dieta saudável e praticar exercícios com regularidade. Ou ela pode não ter as variantes genéticas que facilitam o acúmulo de gordura, mas ganhar peso porque come muito ou só tem à disposição alimentos muito calóricos.

A OMS e outras agências sanitárias em geral adotam o índice de massa corporal (IMC) para classificar se um adulto está ou não na faixa de peso ideal − em crianças e adolescentes, o critério é outro, baseado no quanto o peso se afasta do considerado ideal pelas curvas de crescimento. O IMC é calculado ao se dividir o peso − ou massa (músculos, ossos e gordura) − pelo quadrado da altura.

O IMC é útil para estimar o grau de saúde em nível populacional, porque se baseia em duas medidas fáceis de se obter (peso e altura). Ele, no entanto, nem sempre indica o real estado de saúde do indivíduo porque não permite saber qual proporção de sua massa é gordura (uma pessoa pode ter IMC superior a 25 por ser musculosa) nem onde está concentrada a gordura (a armazenada entre os órgãos é mais nociva do que aquela sob a pele). Por isso, médicos e nutricionistas adotam outros indicadores, como a circunferência da cintura e a análise da concentração de gorduras no sangue para estimar a saúde do indivíduo.

O fato de uma proporção maior de pessoas ter começado a conviver com obesidade mais cedo inquieta os especialistas. É que aumenta o tempo que permanecem expostas a condições que favorecem o desenvolvimento de doenças, embora existam pessoas com obesidade saudáveis. "A obesidade tem sido cada vez mais intensa, precoce e prolongada. É quase uma sentença de vida", afirma o pediatra e nutrólogo brasileiro Mauro Fisberg, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo o pesquisador, um dos autores do estudo da The Lancet, essa população terá uma probabilidade maior de manter por mais tempo esse peso excessivo ou de se tornar obesa. "Algumas crianças com excesso de peso na fase pré-puberal já não passam mais pelo emagrecimento que era característico da puberdade", conta.

O cenário delineado pelo estudo da The Lancet pode, na realidade, ser um pouco pior. E, se nada for feito para alterá-lo de modo drástico, pode agravar-se mais na próxima década. A edição de 2024 do Atlas mundial da obesidade, lançado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF) também em março, estima que 42% da população adulta mundial já se encontrava acima do peso em 2020 − cerca de 1,39 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso e 810 milhões com obesidade. O documento projeta que essa proporção deve chegar a 54% em 2035, com 1,77 bilhão com sobrepeso e 1,53 bilhão com obesidade, o que deve impor gastos com saúde e perda de produtividade de US$ 4 trilhões por ano à economia mundial.

O Brasil encontra-se em uma situação intermediária, embora a proporção de pessoas com obesidade seja bem superior à média global. Com o avanço do ganho de peso nas últimas décadas, a taxa de crianças e adolescentes com obesidade passou de 3,1% (em ambos os sexos) em 1990 para 14,3% entre as meninas e 17,1% entre os meninos em 2022. Entre adultos, subiu de 11,9% para 32% entre as mulheres e de 5,8% para 25% entre os homens. Hoje o país ocupa a 54ª posição no ranking mundial de obesidade infantil e é o 65º com mais homens e o 70º com mais mulheres com obesidade.


Retirado e adaptado de: SOARES, Giselle. Passa de 1 bilhão o total
de pessoas com obesidade no mundo. Revista Pesquisa FAPESP.
Disponível
em:
https://revistapesquisa.fapesp.br/passa-de-1-bilhao-o-total-de-pessoascom-obesidade-no-mundo/ Acesso em: 20 abr., 2024.
Em "O cenário delineado pelo estudo da The Lancet pode, na realidade, ser um pouco pior", a palavra "cenário" foi empregada com o mesmo sentido que em: 
Alternativas
Q3356046 Medicina
Feminino, 74 anos. Há 2 anos declínio progressivo da marcha com quedas frequentes. Urgência e incontinência urinária, com infecções urinárias de repetição. Há seis meses perda da iniciativa, abulia, dificuldade para guardar fatos do dia a dia. MiniExame do Estado Mental 13/30. Tomografia (TAC) de crânio com dilatação de todos os sistemas ventriculares, índice de Evans de 0,5. Laudo de Ressonância (RMN) de crânio= ventriculomegalia, alargamento das fissuras silvianas. Punção lombar com pressão inicial de 10 cm H20; citologia e bioquímica normais.
Diante do quadro apresentado, assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico e a conduta inicial, respectivamente:
Alternativas
Q3356045 Medicina
Masculino, 67 anos. Diagnóstico de "labirintite", em uso de flunarizina há 6 meses. Há três meses sente-se mais lento, quando vai fazer a barba ou quando vai se alimentar. Ao exame não há tremor postural, de ação ou repouso, porém bradicinesia, roda denteada nos membros superiores. Apresenta, como comorbidades, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus. Tomografia (TAC) de crânio dentro da normalidade.
Assinale a alternativa correta sobre a principal hipótese diagnóstica:
Alternativas
Q3356044 Medicina
Feminino, 54 anos, 15 anos de escolaridade, professora. Sempre foi muito tímida, porém há dois anos seu comportamento mudou: passou a ir à missa diariamente, doar dinheiro para instituições de caridade, comprometendo o orçamento familiar. Falava com estranhos na rua, compartilhando intimidades. Mudou seus hábitos alimentares, ingerindo somente alimentos processados e refrigerantes. História familiar muito semelhante do pai e tios paternos com os mesmos sintomas. Há história de doença do neurônio motor ou parkinsonismo familiar.

Assinale a alternativa correta sobre a mutação genética mais frequentemente associada à condição da paciente:
Alternativas
Q3356043 Medicina
Sobre as condições em que o uso de canabidiol como fármaco anticrise está indicado, analise os itens a seguir:

I.Sindrome de Dravet. II.Síndrome de Lennox-Gastaut. III.Crises de ausência atípica IV.Epilepsia mioclônica juvenil.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3356042 Medicina
Feminino, 35 anos. Há 6 meses dificuldade para mastigar alimentos, engasgando-se facilmente. Também observou dificuldade em sustentar a cabeça, muitas vezes caindo para frente. Estes sintomas são piores no final do dia e no verão. Ao exame, observa-se atrofia da língua, com aspecto trifurcado, disartria e disfonia. Os estudos de condução nervosa estão normais e a estimulação repetitiva mostrou um decremento acima de 10% acessório-trapézio superior. Eletromiografia (agulha) normal.
Esse fenótipo é mais comumente visto na:
Alternativas
Q3356041 Medicina
Masculino, 23 anos. Diabetes mellitus diagnosticada há 5 anos, em tratamento irregular com uso de insulina. Há dois anos apresenta dormência nas pernas, como se formigasse o tempo todo, porém os sintomas são mais desconfortantes à noite. Ao exame: força muscular grau V, reflexos normativos, exceto por arreflexia em aquileus e perda da sensibilidade tátil em forma de bota de cano curto e redução da sensibilidade vibratória e sensopercepção distal nos membros inferiores. Trouxe exames laboratoriais com vitamina B12 normal, e hemoglobina glicada de 11,0.
Diante do apresentado, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta a ser seguida:
Alternativas
Q3356040 Medicina
Feminino, 56 anos. Há cinco dias fraqueza progressiva dos membros inferiores e incontinência urinária. Há dois dias perda visual do olho direito, indolor. Paraparesia (grau II) proximal e distal nos membros inferiores com nível sensitivo T4. Pupila aferente olho direito papilas nítidas, sem exsudatos ou hemorragias. Líquor com discreta pleocitose linfocítica, normoglicorraquia e discreta hiperproteinorraquia. Ressonância Magnética (RNM) de coluna torácica: lesão extensa T2-T6 central, hipointensa T1, hiperintensa T2, com captação de contraste. RMN de órbita com extensa lesão do nervo óptico, estendendo-se até o quiasma óptico e início do trato óptico.
Diante do quadro apresentado, assinale a alternativa correta sobre o mais provável diagnóstico e exame complementar a ser pedido, respectivamente:
Alternativas
Q3356039 Medicina
Na avaliação de episódio único de vertigem súbito e de duração prolongada na emergência, diante da suspeita de AVC vertebro-basilar, analise os itens a seguir sobre as alterações encontradas no teste HINTS plus que sugerem vertigem de origem central:

I.Reflexo vestíbulo coclear alterado.
II.Desalinhamento vertical do olhar (skew deviation).
III.Nistagmo que não muda de direção.
IV.Perda auditiva aguda.

É alteração que sugere vertigem de origem central o que se afirma em:
Alternativas
Q3356038 Medicina
As neuropatias de fibras finas são intensamente dolorosas, usualmente simétricas e comprimento dependentes. A distribuição assimétrica, temperatura dependente, ou seja, com maior acometimento onde a temperatura é menor, é fortemente sugestiva de:
Alternativas
Q3356037 Medicina
Masculino, 55 anos. Há um ano notou fraqueza e atrofia da coxa direita. Ao exame, apresenta força muscular III nos músculos ileopsoas e quadríceps direitos e IV nos músculos bíceps braquial e flexor profundo dos dedos e flexor radial do carpo, flexor profundo dos dedos. CPK 1,5 aumentada. Eletromiografia com moderada quantidade de fibrilações nos músculos quadríceps, associado a padrão misto (miopático e neuropático) em diversos músculos dos membros inferiores e superiores.

Considerando a distribuição do envolvimento muscular, o diagnóstico mais provável é de: 
Alternativas
Q3356036 Medicina
Na avaliação das mielopatias longitudinalmente extensivas, o padrão denominado de tratopatia, ou seja, anormalidades simétricas e extensas dos tratos corticoespinhais ou cordão posterior estão frequentemente associados:

I.À deficiência de cobre.
II.Ao HIV.
III.À deficiência de vitamina B12.
IV.À síndrome de Sjögren.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3356035 Medicina
Sobre indicações ou procedimentos cirúrgicos para tratamento de hematoma intraparenquimatoso espontâneo, analise os itens a seguir:

I.Uso de rt-PA intraventricular.
II.Localização cerebelar, maior que 3 cm, declínio no exame neurológico.
III.Hematoma lobar, causando efeito de massa/herniação, com piora progressiva do nível de consciência.
IV.Localização subcortical, como no tálamo, núcleos da base.

É indicação ou procedimento cirúrgico para tratamento de hematoma intraparenquimatoso espontâneo o que se afirma em:
Alternativas
Q3356034 Medicina
Feminino, 67 anos, há quinze dias dor na região temporal direita, pulsátil, latejante, contínua, moderada à intensa, associada a dor quando aperta a têmpora. Nega lacrimejamento ou vermelhidão do olho direito. Nega dor de cabeça prévia. Sem comorbidades. Emagrecimento de 5 kg/6 meses. Hemograma, função renal, TSH, VHS, PCR normais.

A partir disso, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3356033 Medicina
São feitas as seguintes afirmações sobre a lacosamida, fármaco anticrise de 3ª geração:

I.Não tem interação significativa com anticoncepcionais orais.
II.Seu principal mecanismo de ação é o bloqueio de canal de cálcio.
III.Tem baixo impacto cognitivo e comportamental.
IV.Tem alto risco de rash cutâneo.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3356032 Medicina
 Protocolo Brasileiro de Morte Encefálica está fundamentado na Resolução CFM n.º 2173/17. Sobre isso, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__) A determinação de morte encefálica é obrigatória apenas quando há desejo explícito dos familiares para doação de órgãos.

(__) Exige a realização de dois testes de apneia após o término do exame clínico, com intervalos no mínimo de 6 horas, para adultos.

(__) Há diferenças entre os tempos e os testes empregados para crianças em relação aos adultos.

(__) Exigência de PaCO2 > 60 mm Hg nos testes de apneia.


Assinale a alternativa com a sequência correta:
Alternativas
Q3356031 Medicina
Masculino, 40 anos. Desde a adolescência sente muito sono durante o dia. No trabalho, períodos de vontade incontrolável de dormir, com necessidade de curtos cochilos. Não consegue ler ou ver televisão, pois "pega no sono fácil". Quando está muito emocionado, ou mesmo quando ri, sente o corpo puxar lentamente e cai no chão, sem perda da consciência ou liberação de esfíncteres. Muitas vezes dormindo, tem uma sensação de que não consegue mais mexer o corpo. Ausência e comorbidades. Nega etilismo, uso de drogas ou de cafeína excessiva.

Assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico mais provável e exame complementar indicado, respectivamente:
Alternativas
Q3356030 Medicina
Feminino, 30 anos. Há cinco anos apresenta diariamente episódios recorrentes de dor, sempre no lado esquerdo da cabeça, com duração de 10 minutos, não latejante, intensa, 10 a 15 vezes ao dia, associado a lacrimejamento e vermelhidão do olho esquerdo. Exame neurológico normal, sem comorbidades.
Diante do caso apresentado, assinale a alternativa correta sobre o provável diagnóstico e o tratamento farmacológico, respectivamente:
Alternativas
Respostas
461: C
462: E
463: A
464: A
465: D
466: B
467: A
468: A
469: C
470: E
471: A
472: E
473: D
474: E
475: D
476: A
477: A
478: A
479: A
480: C