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TEXTO PARA A QUESTÃO.
Política do abandono
No Brasil dos anos 1970, falava-se com convicção na necessidade de capturar os cachorros que viviam nas ruas. Sob uma forte ideologia de controle, o discurso era o da higiene, da ordem, da prevenção, palavras que tentavam dar um contorno racional a uma pratica dura e cruel, então consolidada como política pública legitimada, quase sem questionamento ético. Para os cachorros, no entanto, tudo isso tinha um nome só: a carrocinha. A carrocinha levou três cachorros de uma vez, repetiam as crianças, como quem canta, sem saber o peso do que diziam. Apesar de antiga e repetida nas brincadeiras de roda desde os anos 1950, a cantiga nunca foi só brincadeira para mim. Vinha sempre acompanhada de uma lembrança dura, que eu ainda não sabia nomear.
O tempo passou, as leis mudaram, os termos ficaram mais cuidadosos. Já não se fala da mesma forma, é verdade. Mas o erro humano atravessou as décadas quase intacto. Os animais continuam desprotegidos. Principalmente os cães, que seguem circulando como se ocupassem um espaço provisório, tolerado apenas enquanto não incomoda demais.
Costuma-se dizer que o abandono é um problema típico dos grandes centros urbanos. Cidades inchadas, trânsito caótico, gente demais. Mas basta caminhar com atenção pelo litoral para perceber que o problema também mora perto do mar. Ele se revela com mais nitidez depois do veraneio, quando o movimento diminui, as ruas esvaziam e as casas fecham suas janelas até a próxima temporada.
O verão vai embora levando cadeiras de praia, guarda-sóis e promessas de descanso. Ficam os rastros menos visíveis. Cães deixados para trás, como se fossem parte de uma bagagem esquecida ou descartável. Eles passam a vagar pelas ruas, pelas praças, pelas portas fechadas, carregando uma espera que não tem data.
Esperam um portão se abrir, um chamado conhecido, um gesto mínimo de carinho. Esperam sem saber que já não há retorno. A cidade retoma seu ritmo habitual, o comércio desacelera, os dias seguem. Só eles permanecem, testemunhas silenciosas de uma estação que passou rápido demais e de uma responsabilidade que nunca chegou a ser plenamente assumida.
No fim, talvez o abandono nunca tenha sido apenas uma falha de política pública. Ele se repete como um hábito humano antigo: o de ir embora deixando para trás aquilo que depende de nós. O verão acaba. A consciência, nem sempre.
Autora: Helô Bachicette - GZH (adaptado).
I. A referência à carrocinha revela como discursos de higiene e ordem foram utilizados para legitimar ações cruéis sob aparência de racionalidade.
II. A alteração do vocabulário institucional ao longo do tempo é apresentada como suficiente para transformar a condição de vulnerabilidade dos animais.
III. A permanência do abandono indica que o problema ultrapassa a esfera normativa e alcança dimensões éticas e culturais.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Política do abandono
No Brasil dos anos 1970, falava-se com convicção na necessidade de capturar os cachorros que viviam nas ruas. Sob uma forte ideologia de controle, o discurso era o da higiene, da ordem, da prevenção, palavras que tentavam dar um contorno racional a uma pratica dura e cruel, então consolidada como política pública legitimada, quase sem questionamento ético. Para os cachorros, no entanto, tudo isso tinha um nome só: a carrocinha. A carrocinha levou três cachorros de uma vez, repetiam as crianças, como quem canta, sem saber o peso do que diziam. Apesar de antiga e repetida nas brincadeiras de roda desde os anos 1950, a cantiga nunca foi só brincadeira para mim. Vinha sempre acompanhada de uma lembrança dura, que eu ainda não sabia nomear.
O tempo passou, as leis mudaram, os termos ficaram mais cuidadosos. Já não se fala da mesma forma, é verdade. Mas o erro humano atravessou as décadas quase intacto. Os animais continuam desprotegidos. Principalmente os cães, que seguem circulando como se ocupassem um espaço provisório, tolerado apenas enquanto não incomoda demais.
Costuma-se dizer que o abandono é um problema típico dos grandes centros urbanos. Cidades inchadas, trânsito caótico, gente demais. Mas basta caminhar com atenção pelo litoral para perceber que o problema também mora perto do mar. Ele se revela com mais nitidez depois do veraneio, quando o movimento diminui, as ruas esvaziam e as casas fecham suas janelas até a próxima temporada.
O verão vai embora levando cadeiras de praia, guarda-sóis e promessas de descanso. Ficam os rastros menos visíveis. Cães deixados para trás, como se fossem parte de uma bagagem esquecida ou descartável. Eles passam a vagar pelas ruas, pelas praças, pelas portas fechadas, carregando uma espera que não tem data.
Esperam um portão se abrir, um chamado conhecido, um gesto mínimo de carinho. Esperam sem saber que já não há retorno. A cidade retoma seu ritmo habitual, o comércio desacelera, os dias seguem. Só eles permanecem, testemunhas silenciosas de uma estação que passou rápido demais e de uma responsabilidade que nunca chegou a ser plenamente assumida.
No fim, talvez o abandono nunca tenha sido apenas uma falha de política pública. Ele se repete como um hábito humano antigo: o de ir embora deixando para trás aquilo que depende de nós. O verão acaba. A consciência, nem sempre.
Autora: Helô Bachicette - GZH (adaptado).
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Política do abandono
No Brasil dos anos 1970, falava-se com convicção na necessidade de capturar os cachorros que viviam nas ruas. Sob uma forte ideologia de controle, o discurso era o da higiene, da ordem, da prevenção, palavras que tentavam dar um contorno racional a uma pratica dura e cruel, então consolidada como política pública legitimada, quase sem questionamento ético. Para os cachorros, no entanto, tudo isso tinha um nome só: a carrocinha. A carrocinha levou três cachorros de uma vez, repetiam as crianças, como quem canta, sem saber o peso do que diziam. Apesar de antiga e repetida nas brincadeiras de roda desde os anos 1950, a cantiga nunca foi só brincadeira para mim. Vinha sempre acompanhada de uma lembrança dura, que eu ainda não sabia nomear.
O tempo passou, as leis mudaram, os termos ficaram mais cuidadosos. Já não se fala da mesma forma, é verdade. Mas o erro humano atravessou as décadas quase intacto. Os animais continuam desprotegidos. Principalmente os cães, que seguem circulando como se ocupassem um espaço provisório, tolerado apenas enquanto não incomoda demais.
Costuma-se dizer que o abandono é um problema típico dos grandes centros urbanos. Cidades inchadas, trânsito caótico, gente demais. Mas basta caminhar com atenção pelo litoral para perceber que o problema também mora perto do mar. Ele se revela com mais nitidez depois do veraneio, quando o movimento diminui, as ruas esvaziam e as casas fecham suas janelas até a próxima temporada.
O verão vai embora levando cadeiras de praia, guarda-sóis e promessas de descanso. Ficam os rastros menos visíveis. Cães deixados para trás, como se fossem parte de uma bagagem esquecida ou descartável. Eles passam a vagar pelas ruas, pelas praças, pelas portas fechadas, carregando uma espera que não tem data.
Esperam um portão se abrir, um chamado conhecido, um gesto mínimo de carinho. Esperam sem saber que já não há retorno. A cidade retoma seu ritmo habitual, o comércio desacelera, os dias seguem. Só eles permanecem, testemunhas silenciosas de uma estação que passou rápido demais e de uma responsabilidade que nunca chegou a ser plenamente assumida.
No fim, talvez o abandono nunca tenha sido apenas uma falha de política pública. Ele se repete como um hábito humano antigo: o de ir embora deixando para trás aquilo que depende de nós. O verão acaba. A consciência, nem sempre.
Autora: Helô Bachicette - GZH (adaptado).
I. Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em cada esfera de sua atuação, e movimentados sob fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde.
II. As autoridades responsáveis pela distribuição da receita efetivamente arrecadada transferirão automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS) os recursos financeiros correspondentes às dotações consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a projetos e atividades a serem executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
III. Na distribuição dos recursos financeiros da Seguridade Social será observada a mesma proporção da despesa prevista de cada área, no Orçamento da Seguridade Social.
Está(ão) CORRETA(S):
I. O segmento EF indica que a habilidade pertence à etapa do Ensino Fundamental.
II. O número 15 refere-se ao agrupamento dos anos iniciais do Ensino Fundamental, abrangendo do 1º ao 5º ano.
III. A sigla LP identifica o componente curricular Língua Portuguesa. IV. O número 03 corresponde à ordem sequencial da habilidade dentro do conjunto previsto para esse componente e etapa.
Está correto o que se afirma em:
I. A adaptação pedagógica pressupõe a substituição dos conteúdos curriculares por atividades paralelas, de modo a facilitar o acompanhamento dos alunos com maiores dificuldades.
II. A adaptação de materiais envolve ajustes nos suportes, nas linguagens e nas estratégias didáticas, mantendo a intencionalidade pedagógica e os objetivos de aprendizagem.
III. A flexibilização das atividades permite contemplar diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, sem comprometer a complexidade conceitual dos conteúdos trabalhados.
Está correto o que se afirma em:
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?
I. Os métodos de ensino devem articular conteúdos, estratégias e formas de mediação docente, levando em conta o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos alunos.
II. A centralidade do estudante no processo de ensino implica a utilização de práticas que estimulem a participação, a reflexão e a autonomia intelectual.
III. A escolha metodológica independe do contexto escolar, pois os métodos possuem aplicabilidade uniforme em diferentes realidades educacionais.
Está correto o que se afirma em:
I. O Ensino Fundamental visa ao desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o domínio da leitura, da escrita e do cálculo.
II. Constitui objetivo dessa etapa a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores que fundamentam a sociedade.
III. O Ensino Fundamental busca o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, com vistas à aquisição de conhecimentos e habilidades, bem como à formação de atitudes e valores.
IV. Integra os objetivos do Ensino Fundamental o fortalecimento dos vínculos familiares, dos laços de solidariedade humana e da tolerância recíproca que sustentam a vida social.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.
I. A educação no período colonial brasileiro esteve fortemente vinculada à atuação da Companhia de Jesus, com ênfase na catequese e na formação religiosa.
II. Durante o Império, ocorreram tentativas de organização do ensino público, incluindo a criação das primeiras escolas normais voltadas à formação de professores.
III. A partir da República, a educação brasileira passou a ser universalizada de forma imediata e homogênea, com acesso igualitário garantido em todas as regiões do país.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.