Questões de Concurso Comentadas para prefeitura de manhumirim - mg

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Q1379490 Português
O amor acaba
(Paulo Mendes Campos.)

    O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(WERNECK, Humberto (org.). Boa companhia – Crônicas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.)
O ponto e vírgula é o sinal de pontuação utilizado com mais frequência pelo autor na intenção de:
Alternativas
Q1379489 Português
O amor acaba
(Paulo Mendes Campos.)

    O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(WERNECK, Humberto (org.). Boa companhia – Crônicas. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.)
No texto, o autor relaciona diversas circunstâncias ao amor que acaba para:
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Q1369165 Serviço Social
Iamamoto (1999), ao tratar de ‘questão social e serviço social’ e, mais especificamente, do cenário em que se insere o Serviço Social, faz um detalhamento das ‘novas bases de produção da questão social, cujas múltiplas expressões são o objeto do trabalho cotidiano do assistente social’. A autora trata do renascimento das propostas neoliberais que, segundo ela, inicialmente, ocorre nos Estados Unidos, seguido da Inglaterra e ___________ – experiência pioneira na América Latina.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.
Alternativas
Q1369164 Serviço Social
“Desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor:” A afirmativa anterior, extraída do Código de Ética do Assistente Social (1993), trata-se do item
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Q1369163 Serviço Social
Paula (2014) afirma que: “por meio dos esforços teórico-políticos da intenção de ruptura constituímos na década de 1980 e consolidamos em 1990 um projeto ético-político profissional inspirado na tradição marxista, que configurou-se como direcionamento para todos os assistentes sociais identificados com os propósitos dessa vertente do Processo de Renovação. Estando esse projeto profissional articulado a um projeto societário que propõe a superação da ordem capitalista, fazem-se necessárias mediações entre a projeção, a meta, o objetivo e a realidade. Nesse sentido, o projeto ético-político consolidado no Serviço Social, nos anos de 1990, constitui-se em um importante instrumento orientador do exercício profissional que se quer crítico e comprometido com os usuários. No entanto, o projeto profissional em questão exigiu dos assistentes sociais a formulação de estratégias e táticas que pudessem estabelecer mediações entre os princípios defendidos por esse projeto e a realidade profissional vivenciada pela categoria. As estratégias são, portanto, mediações importantes que se colocam entre projeções e operacionalização das intenções. No entanto, elas necessitam, ainda, da construção de táticas que possam aproximá-las da realidade”. Nesse sentido, a partir do pensamento da autora, o que são as estratégias e as táticas respectivamente?
Alternativas
Q1369162 Serviço Social
Toledo (2010), ao discutir a descentralização no âmbito da Assistência Social, busca abordar os impasses em relação a este processo e suas implicações para os gestores municipais. A autora afirma que a análise da trajetória recente permite observar que, de modo geral, tal processo se deu de forma “lenta e gradual” e recorre a Lima (2003), que “relata que a descentralização da gestão se operou de uma forma que não resguardou alguns de seus princípios: flexibilidade, gradualismo, transparência no processo decisório e controle social”. Na afirmação a seguir, Toledo se refere a um desses princípios citados “... deve contar com instâncias e mecanismos político-institucionais para sua articulação e, sobretudo, com a participação da população organizada. (...) uma premissa básica de descentralização e, aliada à transparência no processo decisório, são campos fecundos para o exercício da cidadania e da democracia...” A qual dos princípios se refere a autora em sua afirmação?
Alternativas
Q1369161 Serviço Social
“Ana trabalha como assistente social em uma organização há 5 anos, cumprindo, atualmente, uma jornada de 30 horas semanais, responsável por planos, programas e projetos na área de Serviço Social. Durante o tempo em que está vinculada à organização, a funcionária não conseguiu priorizar seu aprimoramento e qualificação profissional até um determinado momento. Tendo sido selecionada para uma pós-graduação, cujo objeto de estudo está diretamente ligado ao seu trabalho, a profissional passa a avaliar suas possiblidades. Tal curso exigirá que ela esteja, presencialmente, duas vezes por semana, em sala de aula e, portanto, fora do seu local de trabalho. Preocupada em qualificar seu trabalho, mas também em colocar esse aprimoramento a serviço dos princípios do Código de Ética do Assistente Social, Ana deseja ingressar na pós-graduação e, a partir daí, fazê-la de forma continuada. Para tal, a profissional apresentou uma proposta à organização à qual está vinculada, solicitando ‘liberação’ do trabalho nos dois dias de curso, para a qual ainda aguarda resposta.” Ana está diante de:
Alternativas
Q1369160 Serviço Social

Behring e Santos (2009), ao analisarem as relações entre questão social e direitos, colocam em evidência três grandes desafios ao serviço social (no contexto de comemoração dos 30 anos do Congresso da Virada). Trata-se, segundo as autoras: “‘do entendimento sobre direito e sua relação com a totalidade da vida social; do vínculo entre as lutas pela realização dos direitos e as classes sociais; e do movimento teórico-ético e político no serviço social frente às formas e estratégias de luta que se destinam a reivindicar direitos’. E as autoras ainda perguntam: ‘Mas, afinal, que relações se estabelecem entre a questão social, os direitos e o Serviço Social?’”.

Para responder a essa questão Behring e Santos levantam alguns pontos considerados importantes; entre eles ressaltam:

Alternativas
Q1369159 Serviço Social
Silva (2010), ao tratar do marco legal e regulador das relações entre Estado e sociedade, no âmbito da seguridade social, levanta indagações sobre a gestão social no contexto da reforma do Estado, que se realiza, segundo o autor, “sob a perspectiva de favorecimento do mercado”. Conforme o autor, “a Seguridade Social constitui um locus privilegiado de processamento e mediação das contradições relacionadas às formas de geração, apropriação e distribuição de riquezas...” Nesse sentido, com base em Silva, a Seguridade Social é:
Alternativas
Q1369158 Serviço Social

“Uma interpretação da questão social como elemento constitutivo da relação entre _____________________ na linha adotada pelas diretrizes tem algumas implicações. Trata-se de imprimir _____________ a esse conceito, o que significa observar seus nexos causais, relacionados, como já foi dito, às formas de produção e reprodução sociais capitalistas no capitalismo, com seu metabolismo incessante, como nos chama a atenção Mészáros (2002). E o debate deve incorporar, necessariamente, _________________ presentes nas expressões e na constituição de formas de enfrentamento da _______________, ou seja, este conceito está impregnado de _____________, sem o que se pode recair no culto da técnica, numa política social de controle sobre os trabalhadores pobres, e não da viabilização de direitos.”

(Behring, 2008.)

Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente o pensamento da autora acerca do tema.

Alternativas
Q1369157 Serviço Social
Yasbek (2009), para uma abordagem do serviço social no processo de reprodução das relações sociais, afirma seu posicionamento de que “o significado social da profissão só pode ser desvendado em sua inserção na sociedade (...) É preciso ultrapassar a análise do serviço social em si mesmo...” Fazendo uma análise teórico-metodológica do serviço social no processo de reprodução das relações sociais, Yasbek ressalta que “um conceito (‘que se refere ao modo como são produzidas e reproduzidas as relações sociais’) é fundamental para a compreensão da profissão na sociedade capitalista”. Baseado no pensamento da autora sobre desvendar o significado da profissão, a que conceito ela se refere ao tratar da profissão na sociedade capitalista?
Alternativas
Q1369156 Serviço Social
Guerra (2009), ao discutir a formação profissional dos assistentes sociais brasileiros, ressalta que, desde a década de 1990, tal formação “dispõe de um projeto pedagógico que contempla um conjunto de valores e diretrizes, que lhe dão a direção estratégica e contempla um determinado perfil de profissional (...) Este perfil de profissional, entre outras exigências, determina a necessidade de um sólido referencial teórico-metodológico, que permita um rigoroso tratamento crítico-analítico, um conjunto de valores e princípios sociocêntricos adequados ao ethos do trabalho e um acervo técnico-instrumental que sirva de referência estratégica para a ação profissional...” Ao tratar do tema, a autora ressalta que um elemento assume papel “decisivo” na conquista de um estatuto acadêmico, que alia formação com capacitação como condições para uma qualificada intervenção e ampliação do patrimônio intelectual da profissão. Que elemento é esse?
Alternativas
Q1369145 Noções de Informática
Na ferramenta Microsoft Office Excel 2007 (configuração padrão), os controles para inserir e excluir células de uma planilha estão localizados no grupo:
Alternativas
Q1369144 Noções de Informática
Na ferramenta Microsoft Office Word 2007 (configuração padrão), os recursos para aplicar os efeitos negrito, itálico e sublinhado em um texto selecionado estão localizados no grupo:
Alternativas
Q1369143 Noções de Informática
Um usuário utiliza o Sistema Operacional Windows 8.1 (configuração padrão) para realizar as suas atividades diárias. Durante a utilização diária ele descarta os arquivos pressionando a tecla “delete”, o que vem causando o aumento progressivo de arquivos dentro da lixeira do computador. Para eliminar todos os arquivos da lixeira do computador, o usuário deve clicar com o botão direito do mouse dentro de uma área em branco da pasta lixeira e, em seguida, clicar na opção:
Alternativas
Q1369142 Noções de Informática

Sobre MS-DOS, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) O comando date é utilizado para atualizar a data do sistema operacional.

( ) O comando hour é utilizado para atualizar a hora do sistema operacional.

( ) O comando cls é utilizado para limpar a tela e posicionar o cursor no canto superior esquerdo.

( ) O comando cdir é utilizado para criar um diretório a partir do diretório correto com o nome especificado.

A sequência está correta em

Alternativas
Q1369141 Noções de Informática

Sobre componentes de hardware de microcomputadores, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) O dissipador é um ventilador responsável por manter a temperatura do disco rígido em níveis aceitáveis.

( ) A memória ROM é a memória de acesso aleatório que é utilizada para armazenar os dados somente enquanto o equipamento estiver ligado.

( ) O disco rígido é um dispositivo utilizado para armazenar dados de forma permanente até que os mesmos sejam removidos pelo usuário.

( ) O mouse e o teclado são considerados periféricos de entrada de dados em um computador.

A sequência está correta em

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Q1369137 Raciocínio Lógico

Observe a sequência a seguir:

Imagem associada para resolução da questão

O 507º termo dessa sequência é:

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Q1369135 Português

Combate à desigualdade pela raiz

    Cotidianamente, todos nós nos deparamos com o passivo que nosso sistema educacional gera ano a ano. Por mais confortável e estruturada que esteja nossa vida e por melhor que tenha sido a nossa formação e a de nossos filhos, a lacuna que o sistema gera para um contingente tão grande de brasileiros impacta a qualidade de vida, o dia a dia de todos nós. [...]

    Quanto à educação formal, pode-se dizer que tal investimento não começa apenas nos ensinos fundamental e médio: se dá a partir da educação infantil. Sabe-se que os investimentos, ainda na primeira infância, não só reduzem a desigualdade, mas também produzem ganhos tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. No entanto, a urgência frente ao “apagão de mão de obra” tem gerado uma pressão por investimento no ensino médio. A questão de fundo, porém, continua sendo: por que algumas crianças vão tão longe e outras ficam condenadas aos limites de sua inserção social?

    A falta de condições necessárias para desenvolver seu potencial acaba impedindo a mobilidade de um enorme contingente de crianças e jovens. Isso pode ser causado por inúmeros fatores sociais, econômicos, culturais, familiares. No entanto, entre eles, é possível destacar a quantidade e qualidade dos estímulos e informações aos quais os indivíduos são submetidos desde pequenos.

    Tal constatação pode parecer simples, e a resposta imediata a esse problema seria, então, ampliar o nível de exposição de todos à informação e a práticas culturais qualificadas. Sem dúvida, isso é parte da solução, mas, infelizmente, não é suficiente. Para além do contato com a informação, são necessárias interações que promovam o desenvolvimento de capacidades que levem os sujeitos a ultrapassar o mero consumo de conhecimentos. Trata-se, portanto, de colocar a ênfase no processamento e na produção de ideias, reflexões e respostas. E isso se dá por meio da interação com os adultos e com os objetos de conhecimento. A diferença vai se estabelecendo na qualidade da interação cotidiana e na forma de estimular e acreditar na capacidade daquele pequeno ser. [...]

    Atualmente, muitas crianças brasileiras já têm acesso a livros, bibliotecas, laptops, celulares etc. Entretanto, as práticas dos atores que mediam o acesso a essas “tecnologias” são muito diversificadas. E é nesse espaço invisível que se configuram a marginalização e as diferenças na qualidade do relacionamento que as crianças têm com a cultura letrada. Um educador que utiliza estruturas mais sofisticadas da língua para se comunicar com seus alunos, ainda que bem pequenos, e propõe atividades que os incentivem a aprender sobre e a partir da linguagem, oferecerá um contexto favorável ao desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que amplificam seu potencial cognitivo. Em contrapartida, alunos expostos a práticas mais mecânicas, transmissivas, podem continuar limitados ao consumo do conhecimento.

    A educação pode e deve promover o desenvolvimento pessoal e a inserção social, especialmente em um país com tantas desigualdades como o Brasil. É necessário entender que o acesso à informação não é suficiente para transformar a nossa realidade e que é na composição de inúmeros microaprendizados cotidianos que se cria a oportunidade de desenvolvimento cognitivo. O processo de aprendizagem é cultural e precisa de mediação qualificada desde muito cedo. Portanto, para além da urgência de fazer frente ao “apagão da mão de obra”, é necessário investir na produção de conhecimentos no campo da linguagem e nos saberes específicos que se dão na interface entre os domínios teórico e prático. Precisamos subsidiar os professores que atendem à primeira infância, a fim de que todas as crianças brasileiras, desde muito cedo, possam participar regularmente de situações produtivas de aprendizagem.

(Beatriz Cardoso. O Globo, 21 de julho de 2014.)

A articulista utiliza recursos textuais para posicionar-se defendendo a tese apresentada no texto. Sua perspectiva explícita sobre o assunto principal abordado pode ser indicada no
Alternativas
Q1369134 Português

Combate à desigualdade pela raiz

    Cotidianamente, todos nós nos deparamos com o passivo que nosso sistema educacional gera ano a ano. Por mais confortável e estruturada que esteja nossa vida e por melhor que tenha sido a nossa formação e a de nossos filhos, a lacuna que o sistema gera para um contingente tão grande de brasileiros impacta a qualidade de vida, o dia a dia de todos nós. [...]

    Quanto à educação formal, pode-se dizer que tal investimento não começa apenas nos ensinos fundamental e médio: se dá a partir da educação infantil. Sabe-se que os investimentos, ainda na primeira infância, não só reduzem a desigualdade, mas também produzem ganhos tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. No entanto, a urgência frente ao “apagão de mão de obra” tem gerado uma pressão por investimento no ensino médio. A questão de fundo, porém, continua sendo: por que algumas crianças vão tão longe e outras ficam condenadas aos limites de sua inserção social?

    A falta de condições necessárias para desenvolver seu potencial acaba impedindo a mobilidade de um enorme contingente de crianças e jovens. Isso pode ser causado por inúmeros fatores sociais, econômicos, culturais, familiares. No entanto, entre eles, é possível destacar a quantidade e qualidade dos estímulos e informações aos quais os indivíduos são submetidos desde pequenos.

    Tal constatação pode parecer simples, e a resposta imediata a esse problema seria, então, ampliar o nível de exposição de todos à informação e a práticas culturais qualificadas. Sem dúvida, isso é parte da solução, mas, infelizmente, não é suficiente. Para além do contato com a informação, são necessárias interações que promovam o desenvolvimento de capacidades que levem os sujeitos a ultrapassar o mero consumo de conhecimentos. Trata-se, portanto, de colocar a ênfase no processamento e na produção de ideias, reflexões e respostas. E isso se dá por meio da interação com os adultos e com os objetos de conhecimento. A diferença vai se estabelecendo na qualidade da interação cotidiana e na forma de estimular e acreditar na capacidade daquele pequeno ser. [...]

    Atualmente, muitas crianças brasileiras já têm acesso a livros, bibliotecas, laptops, celulares etc. Entretanto, as práticas dos atores que mediam o acesso a essas “tecnologias” são muito diversificadas. E é nesse espaço invisível que se configuram a marginalização e as diferenças na qualidade do relacionamento que as crianças têm com a cultura letrada. Um educador que utiliza estruturas mais sofisticadas da língua para se comunicar com seus alunos, ainda que bem pequenos, e propõe atividades que os incentivem a aprender sobre e a partir da linguagem, oferecerá um contexto favorável ao desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que amplificam seu potencial cognitivo. Em contrapartida, alunos expostos a práticas mais mecânicas, transmissivas, podem continuar limitados ao consumo do conhecimento.

    A educação pode e deve promover o desenvolvimento pessoal e a inserção social, especialmente em um país com tantas desigualdades como o Brasil. É necessário entender que o acesso à informação não é suficiente para transformar a nossa realidade e que é na composição de inúmeros microaprendizados cotidianos que se cria a oportunidade de desenvolvimento cognitivo. O processo de aprendizagem é cultural e precisa de mediação qualificada desde muito cedo. Portanto, para além da urgência de fazer frente ao “apagão da mão de obra”, é necessário investir na produção de conhecimentos no campo da linguagem e nos saberes específicos que se dão na interface entre os domínios teórico e prático. Precisamos subsidiar os professores que atendem à primeira infância, a fim de que todas as crianças brasileiras, desde muito cedo, possam participar regularmente de situações produtivas de aprendizagem.

(Beatriz Cardoso. O Globo, 21 de julho de 2014.)

De acordo com a estrutura textual apresentada, pode-se afirmar que o texto apresenta características predominantes que o classificam como um texto
Alternativas
Respostas
221: C
222: D
223: A
224: A
225: D
226: C
227: B
228: D
229: D
230: C
231: B
232: A
233: A
234: A
235: C
236: B
237: D
238: D
239: C
240: D