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Q3667056 Matemática
Em uma horta de 8m por 6m são plantados verduras e legumes. São reservados 6m² para o plantio de legumes e o restante da área é reservada para os canteiros de verdura. Quantos canteiros máximos de verdura essa horta comporta, sabendo que cada canteiro tem 1m por 1,5m?
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Q3667055 Matemática
A forma fatorada do polinômio 10a2 - 15ab − 4a + 6b é
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Q3667054 Matemática
Daqui a 6 anos, a idade de João Victor será igual ao quadrado da idade dele há 6 anos. A idade atual de João Victor é
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Q3667053 Matemática
Um pai, querendo incentivar o filho a estudar Matemática, combina pagar-lhe R$ 5,00 por problema que ele acertar, mas vai cobrar R$ 3,00 por problema que ele errar. Depois de 25 problemas, fazem as contas e o filho ficou com R$ 69,00. Quantos problemas ele – o filho – errou?
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Q3667051 Matemática
Doze cães “Labradores” consomem semanalmente 108kg de ração. Se aumentarmos o número de “Labradores” em 75%, o consumo mensal, em Kg, considerando o mês de 30 dias, será de
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Q3667050 Matemática
O valor da expressão: {( 30- 23 x 3)2 ÷ [ 21 − ( 73 − 52 x 13 )]} ÷ (32 − 6) + 4√81 , é
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Q3667049 Matemática
Uma costureira tem três retalhos de fitas: uma de 84cm, outra de 126cm e outra de 168cm. Ela quer cortar as fitas em pedaços de mesmo comprimento, sem deixar sobras. O comprimento de cada pedaço de fita, será de
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Q3667048 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
No início do terceiro parágrafo do texto, foram utilizadas aspas na frase “Viver é perigoso.”. Qual é a função desse sinal de pontuação no trecho em questão?
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Q3667047 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Assinale a alternativa que apresenta a justificativa correta para a concordância de plural do verbo “dar” em destaque no terceiro parágrafo do artigo.
Alternativas
Q3667046 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Leia e analise o trecho a seguir.
“No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil.” (7º parágrafo)
Assinale a alternativa que identifica corretamente o tipo textual que embasa a construção das informações do trecho.
Alternativas
Q3667045 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Qual é a função das vírgulas utilizadas no trecho sublinhado no último parágrafo do artigo?
Alternativas
Q3667044 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Ao iniciar o título do texto com a expressão “A um pum”, o articulista quis enfatizar que a chegada do “point of no return” (vide glossário) vai ser
Alternativas
Q3667043 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Em qual dos trechos a seguir, a expressão sublinhada, veicula um sentido conotativo?
Alternativas
Q3667042 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Leia o trecho a seguir.
Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam.” (4º parágrafo)
Com base nos conectivos sublinhados no trecho, qual é a relação de sentido que se estabelece entre as orações por eles introduzidas?
Alternativas
Q3667041 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Leia o trecho a seguir.
“A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.” (6º parágrafo)

Qual é a função da linguagem que predomina no trecho?
Alternativas
Q3667040 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
A palavra conectiva que introduz o penúltimo parágrafo do texto pode ser substituída pelo seguinte sinônimo:
Alternativas
Q3667039 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
Em meio ao texto, é possível identificar um fator que confere credibilidade à argumentação desenvolvida: a profissão do seu autor. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a profissão do articulista.
Alternativas
Q3667038 Português
A um pum do "point of no return"

Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos
Carlos Starling | 08/10/2024

        Nascemos estéreis. Virgens de qualquer bactéria no corpo. Ao passar pelo canal vaginal, entramos em contato com os primeiros micro-organismos que nos colonizam. O beijo e as lágrimas de felicidade da mãe e do pai nos fornecerão as bactérias mais carinhosas que jamais conheceremos. Aos poucos, elas vão se ajeitando em minúsculos espaços da pele, boca, intestinos e vias respiratórias.

        Em poucos dias, serão maioria nesse novo ser que acaba de nascer. Dois mundos em dimensões distintas, compartilhando o que chamamos de vida. Enganam-se os que acham que esses dois universos são pura harmonia. Pelo contrário. Precisamos de um exército de células de defesa, bem treinado e capacitado pela seleção natural para conter a fome desses minúsculos seres. Do primeiro ao último dia da nossa breve passagem por esse planeta, elas tentam alcançar espaços que não lhes pertencem. Cerca de 7 mil atentos leucócitos circulando por artérias e veias nos manterão vivos. Enquanto brincamos, crescemos, amamos, rimos e sofremos, eles trabalham para manter nossos planos e ilusões.

        “Viver é perigoso”, assim disse Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. Micro-organismos alienígenas inevitavelmente nos encontrarão ao longo da vida. Nesse momento, contamos com uma tecnologia aliada, desenvolvida há menos de um século: os antibióticos. Além dos invasores, eles são “fogo amigo” contra nossa população microbiana, com a qual nascemos e estamos familiarizados. Os seres que ocuparão esse espaço vazio deixado em nossa pele e mucosas, geralmente, são resistentes a essas drogas fantásticas, que, juntamente com as vacinas e o saneamento básico, nos DERAM a longevidade que temos hoje.

        Quanto mais vulneráveis estivermos, mais necessitamos de antimicrobianos para nos mantermos vivos, e mais resistentes se tornarão as bactérias e fungos que nos habitam. Por mais sofisticada que seja a tecnologia, ela não chega nem perto da experiência planetária de mais de 3,5 bilhões de anos das bactérias e fungos.

        As bactérias multirresistentes (multi-R) desafiam praticamente todos os antimicrobianos que temos disponíveis em nosso arsenal terapêutico, nos deixando, como médicos, sem opção para tratar os pacientes, particularmente aqueles mais graves.

        A revista científica The Lancet publicou recentemente a estimativa de que, até 2050, 1,9 milhões de pessoas devem ser mortas todos os anos por infecções provocadas por bactérias multi-R, um aumento de 67% em relação à projeção de 2021. A OMS considera esta uma das 10 mais importantes ameaças de saúde pública global.

        No último 26 de setembro, a Assembleia Geral da ONU reiterou o documento de compromisso de combate à resistência microbiana de 2016, o qual foi assinado por 192 países, inclusive o Brasil. Assim como os compromissos de controle da emissão de gases de efeito estufa, esse documento poderá ir para a gaveta dos representantes da maioria dos países signatários. Mas pelo menos é o reconhecimento da importância do tema para a saúde global e de que investimentos pesados deverão ser feitos em pesquisas para reverter esse cenário sombrio para os próximos anos.    

        Porém, um fenômeno ainda mais preocupante e de consequências devastadoras vem acontecendo no mundo, e o Brasil não fica fora dessa: o crescimento do negacionismo. Ignorar o aumento da resistência microbiana, assim como a importância das vacinas, o aquecimento global e a urgência climática com consequências devastadoras é como não perceber o fogo no paiol.

        Eventos climáticos extremos de origem natural eliminaram milhares de espécies do planeta no passado, o que, de certa forma, nos favoreceu enquanto Homo sapiens. Entretanto, o que vivemos agora são alterações planetárias produzidas pelo próprio homem, com seu modelo de desenvolvimento predatório, extrativista, egoísta, imediatista e irresponsável.

GLOSSÁRIO:
- Point of no return: expressão inglesa que se traduz por “ponto de não retorno”. Tal expressão tem sido utilizada para alertar sobre a chegada de um momento em que não será mais possível voltar atrás nas ações que têm causado as mudanças climáticas e suas consequências.

STARLING, Carlos. A um pum do “point of no return”. Estado de Minas, 08 de outubro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/carlosstarling/2024/10/6959361-a-um-pum-do-point-of-no-return.html. Acesso em: 13 out. 2024. Adaptado.
De acordo com as informações do texto,
Alternativas
Q3667037 Português
Assinale a alternativa cuja frase apresenta uma concordância verbal NÃO padrão.
Alternativas
Q3667036 Português
Na tirinha a seguir, os textos dos balões foram escritos em letras maiúsculas.
Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://sofiaeotto2.blogspot.com/search/label/comida. Acesso em: 13 out. 2024.
Caso esses textos tenham de ser escritos obedecendo aos usos de maiúsculas e de minúsculas da Língua Portuguesa, quantas palavras precisariam ser grafadas com as iniciais maiúsculas?
Alternativas
Respostas
221: C
222: C
223: A
224: E
225: E
226: A
227: C
228: D
229: E
230: A
231: B
232: A
233: E
234: A
235: D
236: A
237: E
238: C
239: E
240: C