Questões de Concurso
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A sociologia é o estudo científico do comportamento social e dos grupos humanos que tem por foco primordial a influência dos relacionamentos sociais nos comportamentos, nas atitudes das pessoas e na forma como as sociedades se estabelecem e se transformam. A fim de empreender tal estudo, os sociólogos recorrem a um tipo de exercício imaginativo que C. Wright Mills chama de imaginação sociológica.
Simmel aproximou-se de Weber no seu tratamento do fenômeno religioso, apropriando-se do tipo ideal weberiano e tecendo análises históricas e comparativas.
Os sociólogos de Frankfurt, do Institut für Sozialforschung, consideravam que as igrejas fazem uso da razão instrumental, escravizando o indivíduo social e domesticando-o.
Pitirim Sorokin caracteriza a religião a partir da passagem do ascetismo para o ativismo, de um modelo ideacional para um sensista. Quando ascetas fundadores de sistemas religiosos conseguem ser ouvidos por outros homens, começam a ter seguidores, havendo uma demanda por uma organização ou instituição que mundanizaria um projeto de transcendentalidade.
Para Marx, a religião seria o ópio do povo, por ser responsável pela atenuação das suas mazelas, ajudando-o no protesto necessário para uma subversão do status quo. Os processos de alienação do objeto, de autoalienação e de alienação social seriam denunciados por meio da religião. Ela teria um caráter revolucionário, por contribuir para o desfazimento das relações de poder na sociedade capitalista.
Talcott Parsons caracteriza a religião como um conjunto mais ou menos integrado de crenças em entidades sagradas ou sobrenaturais, extraordinárias, não instrumentalizáveis. A religião seria um aspecto da ação humana como todos os outros aspectos no decorrer do desenvolvimento social, cultural e da personalidade.
Bourdieu, por meio da apropriação dos conceitos de Max Weber de sacerdote, profeta, mago e leigo, critica a religião, afirmando que ela contribuiria para que haja desigualdades na sociedade.
Max Weber aponta que a ética protestante, em especial aquela desenvolvida nos ramos luteranos, por meio da pregação de princípios morais rígidos, teria impulsionado o desenvolvimento do capitalismo.
Durkheim acreditava que a relação entre os membros de uma sociedade não é fruto exclusivamente dos aspectos físicos de um dado espaço geográfico; a sociedade estaria fundamentada no ideal moral. A religião, por conseguinte, seria um fundamento social, pois, em seu bojo, seriam reafirmados tais valores e crenças.
Florestan Fernandes, patrono da sociologia brasileira, defendeu que o Ensino Secundário, o atual Ensino Médio, é formativo por excelência e deve visar a uma acumulação enciclopédica de conhecimentos. O conteúdo da transmissão seria mais importante do que o modo por meio do qual os conhecimentos são transmitidos.
Edgar Morin propõe um diálogo distanciado da sociologia com outras áreas do conhecimento, como a linguística, a psicologia, a antropologia e a história, defendendo que todos esses conhecimentos têm o seu grau de importância, mas que a sociologia ocuparia um lugar de destaque entre eles na compreensão da realidade.
Jean-Jacques Rousseau defendia que as pessoas, que nascem boas, são corrompidas pela sociedade; o objetivo de um empreendimento educacional, por conseguinte, seria o de formar os jovens a fim de que consigam conviver em um meio corrupto.
O norte-americano John Dewey contrapôs-se àquilo que alegou ser uma passividade no ensino tradicional, defendendo que a ação precede o conhecimento e o pensamento e que o ser humano é um ser que age antes de existir como ser pensante, o que deveria levar o indivíduo a ter um ensino intimamente conectado com a ação, com a vida, com a prática e com a experiência.
O alemão Johann Friedrich Herbart, que alguns consideram ter sido o primeiro autor a formular a pedagogia em termos propriamente científicos, acreditava que a ação pedagógica deve ser norteada por três procedimentos: o governo; a instrução; e a disciplina.
O suíço Johann Heinrich Pestalozzi defendia o princípio de que o professor deve respeitar a individualidade do aluno e de que o ensino não deve objetivar a mera exposição dogmática e a memorização mecânica, mas o desenvolvimento das capacidades intelectuais.
Do ponto de vista da sociologia do conhecimento, existe uma interdependência entre paradigmas teóricos e os respectivos contextos históricos em que amadureceram. Deste modo, a “descoberta da sociedade” foi realizada pelos sociólogos na Europa Ocidental (no decorrer do século XIX) e nos Estados Unidos (entre o século XIX e XX), coincidindo com a identificação de novas práticas e novas relações sociais próprias da sociedade moderna, o que possibilitou a “invenção” da categoria “relações sociais”.
Adaptado de IORIO, G. “La nascita della sociologia e la relazione sociale”. In Nuova Umanità XXVII, 162, p. 831-49.
Com base no texto, a respeito do contexto de surgimento da sociologia, assinale (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A sociologia tematiza inicialmente os problemas da questão social: as condições de vida e trabalho das classes populares, a criminalidade e a miséria, como na tradição da social survey inglesa.
( ) A sociologia se consolida como conhecimento científico em uma época pós-revolucionária: na França, é introduzida por Comte e Saint-Simon e, na Inglaterra, pelos estudos de Spencer.
( ) A sociologia se constitui como domínio autônomo de conhecimento, ao criticar a economia política e os princípios do laissez-faire: os estudos de Weber e Durkheim, por exemplo, evidenciam a importância da comunidade estabelecida sobre normas e valores compartilhados.
A sequência correta, de cima para baixo, é
O Novo Ensino Médio deve ofertar um conjunto de disciplinas, projetos, oficinas e núcleos de estudo que os estudantes poderão escolher para o aprofundamento de conhecimentos e preparação para o seu futuro. Essa reestruturação foi proposta para que os alunos possam estudar de modo mais aprofundado os temas de seu interesse e desenvolver habilidades importantes para o mundo contemporâneos, como tomada de decisão e resolução de problemas.
Assinale a opção que identifica corretamente o componente do Novo Ensino Médio descrito no texto.
A ideia de território ganha centralidade na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), seja através da autonomia outorgada aos referenciais curriculares de cada município, estado ou do Distrito Federal, seja considerando a diversidade das juventudes e a própria experiência do estudante nas diferentes regiões e contextos. No contexto educacional, o conceito de territorialidade designa identidades, sentidos e sentimentos de pertencimento a determinado lugar ou situação social, considerando, desse modo, a concepção humana integral, cognitiva e socioemocional.
Adaptado de IGNEZ, M. Integração curricular: o que, por que e como? In https://nossoensinomedio.org.br/
As afirmativas a seguir identificam corretamente a importância da referência da territorialidade para a proposta curricular do Novo Ensino Médio, à exceção de uma. Assinale-a.
Para analisar e criticar as relações de poder, não podemos atribuir-lhes uma qualificação pejorativa ou laudatória global, definitiva e unilateral. Pois elas funcionam em termos de jogos, com táticas e estratégias, mediante a norma e pelo acaso. Caracterizam fenômenos difusos e descentralizados, mais do que as batalhas a respeito das coerções estatais. Quando analisamos as relações de poder, estamos às voltas com um poliedro de inteligibilidade, no qual o número das faces não está definido previamente e não pode jamais ser considerado encerrado de pleno direito.
FOUCAULT, M. Ética, sexualidade e política.
RJ: Forense Universitária, 2004, p. 45-55.
Com base no trecho, pode-se dizer que as relações de poder