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Q3719943 Direito Previdenciário
Das alternativas abaixo, aquela que apresenta uma afirmativa verdadeira, considerando a Lei nº 9.717/1998, é a seguinte:
Alternativas
Q3719942 Direito Previdenciário
À luz da Lei nº 9.717/1998, que dispõe sobre a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos, podemos afirmar que:
Alternativas
Q3719656 Noções de Informática
No que se refere às ferramentas Google, ao usar o Gmail para enviar e receber mensagens, pode-se anexar arquivos com limite de tamanho em bytes. Se o arquivo exceder o limite, o Gmail possibilita adicionar automaticamente um link do Google Drive ao e-mail, em vez de incluí-lo como um anexo. Nesse contexto, o limite para o tamanho do arquivo a ser anexado é de:
Alternativas
Q3719655 Noções de Informática

Computação em nuvem consiste em um ambiente que permite oferecer recursos e realizar serviços de qualquer lugar e a qualquer momento, de maneira facilitada, com acesso à internet a recursos computacionais, de forma rápida e sem esforços em conjunto a um fornecedor de serviços. Entre os tipos de computação em nuvem, três são descritos a seguir.


I. oferece as licenças de software, infraestrutura, manutenção, sistemas de comunicação e tudo o mais necessário para disponibilizar um aplicativo ou site.


II. o fornecedor do software se responsabiliza por toda a estrutura necessária para a disponibilização do sistema (servidores, conectividade, cuidados com segurança da informação) e o cliente utiliza o software via internet.


III. encarrega-se de disponibilizar toda a infraestrutura necessária com o principal objetivo de tornar mais fácil e acessível o fornecimento de recursos, tais como servidores, rede, armazenamento e outros recursos de computação essenciais para construir um ambiente sob demanda, podendo incorporar sistemas operacionais e aplicativos.


Os tipos descritos em I, II e III são conhecidos, respectivamente, pelas siglas: 

Alternativas
Q3719654 Redes de Computadores
Atualmente, entre os padrões Wi-Fi empregados na conexão com a internet nas redes de computadores, um é o 802.11ac, que foi lançado em 2013 e opera exclusivamente na frequência de 5 GHz, além de suportar as tecnologias MU-MIMO e Beamforming. Outro é o 802.11ax, lançado em 2021, que utiliza as frequências de 2,4 GHz e 5 GHz, suportando a velocidade máxima teórica de 9,6 Gb/s, além de utilizar modulação OFDMA 1024QAM. Esses padrões – 802.11ac e 802.11ax – são também conhecidos, respectivamente, como:  
Alternativas
Q3719653 Direito Digital
No Brasil, a Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 – Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD) – dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade, e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural. De acordo com o art. 6º dessa Lei, as atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a boa-fé e diversos princípios, sendo um deles caracterizado como a utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou difusão. Esse princípio é definido como:
Alternativas
Q3719652 Segurança da Informação
No contexto da segurança da informação, a criptografia é definida como um conjunto de técnicas utilizadas para transformar dados em códigos, que só podem ser descodificados por pessoas autorizadas através de uma chave de acesso. Em termos práticos, é um recurso que torna um texto ilegível, através de códigos que não fazem o menor sentido, para que pessoas sem autorização não entendam o que está escrito. Nessa técnica, a chave serve para codificar e descodificar o texto e, nesse sentido, existem dois tipos de criptografia, o primeiro utiliza a mesma chave para codificar e descodificar a mensagem, enquanto o segundo emprega uma chave para codificar e outra para descodificar. Esses tipos são conhecidos, respectivamente, como criptografia:
Alternativas
Q3719651 Noções de Informática
O Microsoft 365 é um serviço de assinatura que oferece acesso aos aplicativos do Office e outros serviços baseados na nuvem. Um desses recursos representa um novo paradigma no trabalho, em que os funcionários colaboram com a IA para aumentar a produtividade, resolvendo o desafio moderno em que o ritmo do trabalho vem sobrecarregando a capacidade de acompanhar as mudanças. É um serviço que foi projetado para transformar como se deve trabalhar na era digital, tendo como objetivo impulsionar a criatividade, aumentar a produtividade e promover novas habilidades. É uma ferramenta inovadora que se integra perfeitamente ao pacote de aplicativos do Microsoft 365, incluindo Teams, Word, Outlook, PowerPoint, Excel, para elevar a produtividade e a criatividade no local de trabalho. Esse recurso é conhecido como:
Alternativas
Q3719650 Noções de Informática

No uso dos recursos do PowerPoint do pacote MS Office 2019 BR, em um microcomputador Intel, com Windows 10 BR (x64), um funcionário da Prefeitura de Arraial do Cabo pressionou um ícone existente na Faixa de Opções, dentre os visualizados quando se aciona uma das guias na Barra de Menu. Como resultado, foi exibida a figura na tela do monitor de vídeo.


Imagem associada para resolução da questão


Nesse contexto, o ícone pressionado e a guia da Barra de Menu estão indicados, respectivamente, na seguinte alternativa:

Alternativas
Q3719649 Noções de Informática

Observe as planilhas (a) e (b), que fazem parte do arquivo CONTROLE.XLSX, criado no Excel 2019 BR.


Imagem associada para resolução da questão


Nas planilhas, foram realizados os procedimentos descritos a seguir.


• Em D5 da planilha LAGOS_1, foi inserida a fórmula =MED(A3:F3).


• Em D7 da planilha LAGOS_1, foi inserida a fórmula =SE(MOD(C3;5)=0;"ARRAIAL";"CABO").


• Em F4 da planilha LAGOS_2, foi inserida uma fórmula que transfere o valor 19 mostrado na célula E3 de LAGOS_1 para F4 de LAGOS_2.


Nessas condições, os conteúdos mostrados nas células D5 e D7 de LAGOS_1 e a fórmula inserida em F4 de LAGOS_2 são, respectivamente:

Alternativas
Q3719648 Noções de Informática
Entre as características e funcionalidades do editor Word do pacote MS Office 2019 BR, em um notebook com Windows 11 BR (x64), duas são descritas a seguir.
I. Um ícone existente na Faixa de Opções tem por objetivo inserir imagens em um texto.
II. A execução de um atalho de teclado possibilita inserir uma Imagem associada para resolução da questãoa um texto em digitação.
O ícone e o atalho de teclado são, respectivamente:
Alternativas
Q3719647 Sistemas Operacionais
Nos sistemas operacionais, “File System”, em inglês, faz referência ao sistema de arquivos configurado, sendo um componente essencial, incluindo o MS Windows, responsável por gerenciar a forma como os dados são armazenados e recuperados em dispositivos de armazenamento. O sistema de arquivos organiza os dados em arquivos e diretórios, permitindo que os usuários e aplicativos acessem informações de maneira eficiente. Sem ele, os dados seriam armazenados em um formato bruto, tornando a recuperação e a organização extremamente difíceis. O MS Windows 10/11 BR suporta diversos tipos de sistemas de arquivos, sendo os mais comuns:  
Alternativas
Q3719646 Português
Em relação aos gêneros textuais da narrativa, é possível afirmar que:
Alternativas
Q3719645 Português
Ao compararmos o texto 1 e o texto 2, é possível afirmar que:
Alternativas
Q3719644 Português
No primeiro quadrinho do texto 2, em “E o sorvete é considerado um alimento perfeito”, é possível afirmar que: 
Alternativas
Q3719643 Português
Armandinho usa, como estratégia de convencimento para que o deixem saborear o sorvete, a omissão de um termo sintático. O termo omitido é:
Alternativas
Q3719642 Português

Texto 1: O SORVETE (trecho)

 

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

 

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

 

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

 

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. (10º parágrafo) O sujeito do verbo sublinhado acima pode ser classificado como:  
Alternativas
Q3719641 Português

Texto 1: O SORVETE (trecho)

 

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

 

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

 

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

 

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

Estávamos absortos na contemplação ritual (1º parágrafo) A alternativa que contém um verbo conjugado nos mesmos tempo e modo do verbo do trecho acima é:  
Alternativas
Q3719640 Português

Texto 1: O SORVETE (trecho)

 

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

 

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

 

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

 

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

Leitor irritado, não é bem isso. (9º parágrafo)

A função sintática do termo sublinhado é: 

Alternativas
Q3719639 Português

Texto 1: O SORVETE (trecho)

 

Estávamos absortos na contemplação ritual, misto de atenção a formas simbólicas, e de sonho em torno de ideias complexas que elas sugeriam – ali, diante daqueles pudins e daqueles roxos, amarelos, solferinos, verdes e róseos montículos de açúcar, geleia, ovo, frutas cristalizadas e invisível manteiga, quando um objeto vulgar, mas insólito no lugar onde se achava, me captou o interesse. Encostado a uma das três portas da confeitaria, do lado da calçada, um quadro-negro propunha-nos os seguintes dizeres em giz branco:

 

Hoje

Delicioso sorvete de

ABACAXI

Especialidade da casa

Hoje!

 

A inscrição emocionou-me intensamente, e dei conta a Joel da minha perturbação.

– Você está vendo?

Aparentemente, Joel não se deixara invadir pelo sortilégio das palavras. Sua superioridade!

– “Delicioso sorvete de abacaxi...” Nunca tomei disso.

– Eu também não, respondeu o fortíssimo Joel. Deve ser porcaria.

(...)

Fomos à confeitaria, templo misterioso onde se ocultava, na parte dos fundos, vedada por uma portinha de vidro opaco, a essência imanente à coisa ou palavra sorvete, e que meus pobres sentidos se aguçavam para interpretar.

O garçom depositou cuidadosamente sobre a toalhinha alva dois copos cheios de água, dois guardanapos de papel, com florzinhas pálidas, e duas tacinhas de vidro, contendo, cada uma delas, meia esfera de uma substância alva e brilhante... Crianças de cinco anos desprezarão minha narrativa; e já ouço um leitor maduro, que me interrompe: “Afinal este sujeito quer transformar o ato de tomar sorvete numa cena histórica?”. Leitor irritado, não é bem isso. Peço apenas que te debruces sobre esta mesa a cuja roda há dois meninos do mais longe sertão. Eles nunca haviam sentido na boca o frio de uma pedra de gelo, e, como todos os meninos de todos os países, se travavam conhecimento com uma coisa de que só conhecessem antes a representação gráfica ou oral, dela se aproximavam não raro atribuindo-lhe um valor mágico, às vezes divino, às vezes cruel, em desproporção com a realidade e mesmo fora dela; um valor independente da coisa e diretamente ligado a sugestões de som, cor, forma, calor, densidade, que as palavras despertam em nosso espírito maleável... Como posso reconstituir agora tudo o que nós criáramos, para nosso próprio uso, em torno da palavra sorvete, representativa de uma espécie rara de refresco, que às pequenas cidades não era dado conhecer; e cruzada bruscamente com a nossa velha e querida palavra abacaxi, ambas como que envoltas, por uma astúcia do gerente da confeitaria, na seda fina e lisa da palavra “delicioso”?

A carga de simpatia e sensualidade com que me atirei – nos atiramos – às meias esferas trazia talvez em si o germe da decepção que logo nos assaltou. O sorvete era detestável, de um frio doloroso, do qual se excluía toda lembrança de abacaxi, para só ficar a ideia de uma coisa ao mesmo tempo pétrea e frágil, agressiva aos dentes, e, mais para além deles, a uma região íntima do ser em que está o núcleo da personalidade, sua mais profunda capacidade de gozar e sofrer. Era uma dor universal o que ele espalhava, e tão rápida e difundida como se invadisse no mesmo segundo, por mil filamentos, toda a rede nervosa... Lágrimas subiram-me aos olhos. No rosto de Joel, também o sofrimento se desenhava.

 

ANDRADE, Carlos Drummond. Contos de aprendiz. São Paulo: Companhia das Letras, 2012

No último parágrafo do texto 1, há palavras e expressões que formam um paradoxo, que pode ser visto em:
Alternativas
Respostas
2921: C
2922: D
2923: B
2924: A
2925: B
2926: D
2927: C
2928: A
2929: D
2930: A
2931: B
2932: C
2933: A
2934: B
2935: D
2936: D
2937: B
2938: C
2939: A
2940: C