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Q4108356 Português
Texto para questão

Ao assistir a desenhos animados, filmes para crianças ou lendo histórias infantis, você já deve ter se deparado com a imagem de um elefante que tem medo de um rato. Provavelmente você já se perguntou se existe realidade nessa história ou se não passa de um mito. Pois bem, a resposta é: mais ou menos. Os elefantes de fato podem se assustar com a presença de ratos por perto, mas não tem a ver propriamente com o fato de serem ratos ou de algum mal que só eles possam fazer aos elefantes.
Um mito zoológico, muito difundido, é que os elefantes temem que o rato possa subir pela tromba do animal. Segundo o especialista em elefantes Richard Lair, isso não tem fundamento: se um rato tentasse escalar a tromba do elefante, seria facilmente expelido com qualquer movimento.
Seria correto dizer, como explica Lair, que eles se assustam com o movimento brusco de animais pequenos. Como estes gigantes da selva têm uma visão fraca, raramente conseguem enxergar com exatidão um animal de pequeno porte que estiver perto deles. Não precisam ser necessariamente ratos. Em uma reserva natural que abriga elefantes, na Tailândia, foi observado que um cachorro passou correndo e latindo em volta de um elefante e o bicho entrou em pânico devido aos movimentos rápidos e barulhentos aos seus pés.
Integrantes de um circo resolveram colocar à prova, em 2006, se os ratos por si próprios exerciam alguma mudança nos elefantes. Colocaram o pequeno animal, parado, às vistas do elefante, que não demonstrou nenhuma reação. Um observador dessa cena notou que os elefantes “pareciam apenas entediados” ao ver o rato, ou seja; a história do medo é mesmo só uma lenda.
Na oração “Integrantes de um circo resolveram colocar à prova...”, a forma verbal destacada está conjugada no:
Alternativas
Q4108355 Português
Texto para questão

Ao assistir a desenhos animados, filmes para crianças ou lendo histórias infantis, você já deve ter se deparado com a imagem de um elefante que tem medo de um rato. Provavelmente você já se perguntou se existe realidade nessa história ou se não passa de um mito. Pois bem, a resposta é: mais ou menos. Os elefantes de fato podem se assustar com a presença de ratos por perto, mas não tem a ver propriamente com o fato de serem ratos ou de algum mal que só eles possam fazer aos elefantes.
Um mito zoológico, muito difundido, é que os elefantes temem que o rato possa subir pela tromba do animal. Segundo o especialista em elefantes Richard Lair, isso não tem fundamento: se um rato tentasse escalar a tromba do elefante, seria facilmente expelido com qualquer movimento.
Seria correto dizer, como explica Lair, que eles se assustam com o movimento brusco de animais pequenos. Como estes gigantes da selva têm uma visão fraca, raramente conseguem enxergar com exatidão um animal de pequeno porte que estiver perto deles. Não precisam ser necessariamente ratos. Em uma reserva natural que abriga elefantes, na Tailândia, foi observado que um cachorro passou correndo e latindo em volta de um elefante e o bicho entrou em pânico devido aos movimentos rápidos e barulhentos aos seus pés.
Integrantes de um circo resolveram colocar à prova, em 2006, se os ratos por si próprios exerciam alguma mudança nos elefantes. Colocaram o pequeno animal, parado, às vistas do elefante, que não demonstrou nenhuma reação. Um observador dessa cena notou que os elefantes “pareciam apenas entediados” ao ver o rato, ou seja; a história do medo é mesmo só uma lenda.
Leia o período abaixo:
Como estes gigantes da selva têm uma visão fraca, raramente conseguem enxergar com exatidão um animal de pequeno porte que estiver perto deles.
A ideia expressa pela conjunção “Como”, na primeira oração do período é de: 
Alternativas
Q4108354 Português
Texto para questão

Ao assistir a desenhos animados, filmes para crianças ou lendo histórias infantis, você já deve ter se deparado com a imagem de um elefante que tem medo de um rato. Provavelmente você já se perguntou se existe realidade nessa história ou se não passa de um mito. Pois bem, a resposta é: mais ou menos. Os elefantes de fato podem se assustar com a presença de ratos por perto, mas não tem a ver propriamente com o fato de serem ratos ou de algum mal que só eles possam fazer aos elefantes.
Um mito zoológico, muito difundido, é que os elefantes temem que o rato possa subir pela tromba do animal. Segundo o especialista em elefantes Richard Lair, isso não tem fundamento: se um rato tentasse escalar a tromba do elefante, seria facilmente expelido com qualquer movimento.
Seria correto dizer, como explica Lair, que eles se assustam com o movimento brusco de animais pequenos. Como estes gigantes da selva têm uma visão fraca, raramente conseguem enxergar com exatidão um animal de pequeno porte que estiver perto deles. Não precisam ser necessariamente ratos. Em uma reserva natural que abriga elefantes, na Tailândia, foi observado que um cachorro passou correndo e latindo em volta de um elefante e o bicho entrou em pânico devido aos movimentos rápidos e barulhentos aos seus pés.
Integrantes de um circo resolveram colocar à prova, em 2006, se os ratos por si próprios exerciam alguma mudança nos elefantes. Colocaram o pequeno animal, parado, às vistas do elefante, que não demonstrou nenhuma reação. Um observador dessa cena notou que os elefantes “pareciam apenas entediados” ao ver o rato, ou seja; a história do medo é mesmo só uma lenda.
Considerando o texto, analise as proposições abaixo:
1- No primeiro parágrafo do texto, há duas orações reduzidas.
2- O texto afirma que os elefantes têm medo de ratos.
3- No terceiro parágrafo do texto, relata-se o fato de um cachorro que se encontra próximo a um elefante para sustentar a afirmação de que os elefantes se assustam com movimentos bruscos feitos por qualquer animal pequeno, e não apenas por ratos.
4- No trecho “O elefante teme que o rato suba por sua tromba.”, há duas orações.
São verdadeiras:
Alternativas
Q4108353 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
Analise as proposições abaixo:
I- Na frase “O terapeuta observou as tatuagens”, a palavra destacada é substantivo, paroxítona e polissílaba.
II- No período “ O mundo anda complicado, tanta doença..., o sujeito é simples e o verbo é transitivo indireto.
III- No período “O terapeuta observou as tatuagens (agoraeram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta.”, as palavras destacadas são classificadas morfologicamente e respectivamente como substantivo, advérbio, verbo, adjetivo, substantivo e adjetivo.
IV-No período “Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! O sujeito é simples e o termo destacado é uma conjunção coordenativa adversativa.
São verdadeiras:
Alternativas
Q4108352 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
No período “Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos” o termo destacado classifica-se sintaticamente como: 
Alternativas
Q4108351 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
No período “ Se ao menos ele tivesse uma boa namorada! A forma verbal destacada está:
Alternativas
Q4108350 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
Analise as proposições abaixo:
1- O pai adoeceu quando viu o filho usando piercing no nariz.
2- As roupas e tatuagens do filho incomodavam a mãe.
3- Felizmente o terapeuta compreendeu os objetivos do rapaz.
4- A aprovação do jovem no vestibular trouxe esperança a família.
5- O jovem desejava ter uma vida mais tranquila, sem atropelos.
Considerando o texto, é possível afirmar:
Alternativas
Q4108349 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
Com base no texto, relacione as colunas, associando o fato a sua causa:
(1) A tia disse que o sobrinho precisava de uma namorada
(2) O pai não concordou com o trabalho voluntário do filho.
(3) A aparência do rapaz chamou a atenção do terapeuta.
(4) Os pais preocupavam-se com o futuro do filho.
(5) Cliente e terapeuta se entenderam bem.
( ) Havia no jovem traços de seu passado.
( ) O psicólogo não identificou nada de errado no rapaz.
( ) O jovem não pensava em trabalhar demais.
( ) O rapaz poderia se tornar uma pessoa séria.
( ) Ele continuaria uma pessoa dependente da família.
A sequência correta de cima para baixo é:
Alternativas
Q4108348 Português
Leia o texto abaixo para responder a questão.

O SELVAGEM

Saía para a balada todas as noites. Pai e mãe descabelados. Dormia até tarde. Apareceu com uma tatuagem no braço. Um desenho que não parecia fazer sentido.
— O que é, meu filho? gemeu a mãe.
— Tribal.
Logo a mãe descobriu que há “escolas ” de tatuagem tribais, étnicas, new age...
O pai quase teve um infarto. Piorou quando soube que a turminha do prédio estava se reunindo em um apartamento vazio, com três velhos colchões jogados. O porteiro dedou:
— Ficam lá, a noite toda, ouvindo música. Isso é consequência de uma sociedade que não apela para a moral do jovem.
Foram expulsos. A tia comentou:
— Se ao menos ele tivesse uma boa namorada!
Apareceu com um a candidata. Tinha piercing nas sobrancelhas. A mãe tentou se conformar.
— Até que é bonitinho!
Ela abriu a boca para agradecer. Também tinha piercing na língua!
De noite, a mãe quis aconselhar:
— Meu filho, e se sua língua ficar presa?
O rapaz olhou- a como se fosse marciana.
—Tá me tirando, mãe? Outra surpresa:
— Ah, meu filho, a traça roeu sua camiseta, está cheia de furinhos.
— Comprei assim. É lançamento. Viu a etiqueta da grife italiana. Adquirida em dez prestações no cartão!
— Você pagou tanto por uma camiseta furada!
De noite, na solidão do quarto, o pai se contorcia.
— O que vai ser desse rapaz? Prestou vestibular. Para surpresa de todos, passou. Faculdade em uma cidade próxima. Dali a alguns meses, anunciou:
— Arrumei trabalho! Alívio.
— Qual o salário?
— É voluntário. Em uma ONG para proteger os meninos de rua!
O casal fugiu para o cinema. Durante a pizza, o pai vociferava:
— Pode se dar ao luxo de ser voluntário porque tem quem o sustente! No meu tempo eu só pensava em comprar um carro novo!
A mãe refletiu. Anos a fio, trocando de carro. De casa. Seria tão bom não ter esse tipo de preocupação!
O marido insistiu. Era o caso de chamar um terapeuta. Marcaram consulta.
— Para quê? Não preciso de terapia!
—Você precisa conversar, tem de tomar rumo na vida! — explicou o pai.
A custo, foi convencido. Não sem alguma chantagem financeira.
O psicólogo o recebeu em uma sala aconchegante, com poltronas.
— Por que veio aqui? 
— Meu pai mandou. Eu mesmo não tinha a menor vontade.
Péssimo começo.
— Não costumo receber ninguém porque o pai mandou. Estudei com a sua mãe. Estou aqui como amigo. Não considere que é uma consulta.
— Meus pais não me entendem.
— Quem sabe você possa me dizer por quê.
— Eu quero qualidade de vida, sabe? Não passar o tempo todo me matando par a ter coisas. Quem sabe mais tarde vou morar numa praia. . . e trabalhar com alguma coisa de que eu goste. Sei lá, entrei numa ONG.. .
— O terapeuta observou as tatuagens (agora já eram cinco), o brinco ousado, a camiseta torta. Cabelos espetados. Atrás da aparência selvagem, reconhece seu passado. Em sua época, a juventude também fora assim. Com projetos de vida. Teve uma sensação de alegria, porque afinal. ..a juventude continuava sendo. .. a juventude.
— O que você mais quer? — perguntou.
— Dividir a vida com alguém. O mundo anda complicado, tanta doença.... Eu queria ter uma relação fixa. Eu só dela, ela só minha! Sorriu:
— Quem sabe ter um filho, mais tarde. Despediu-se do terapeuta com um abraço. O profissional ligou.
— Qual o problema do meu filho? — quis saber o pai.
— O problema é nosso, que esquecemos como fomos. E, parafraseando a música, nos tornamos como nossos pais.
— Ahn?
Quando o pai desligou, sorria. Tudo era muito diferente, mas, no fundo, igual! Quem disse que os jovens não têm mais sonhos?

Walcyr CARRASCO. Histórias para sala de aula: crônicas do cotidiano. SP: Moderna,2010. p.107 - 110.
Considerando o texto, analise as proposições abaixo:
I- O cronista relata o relacionamento entre os pais e o filho adolescente, que tem seus próprios conceitos sobre a melhor maneira de viver, o que preocupa os pais.
II- O emprego do discurso direto na narração dos acontecimentos deixa a narrativa mais envolvente, dinâmica, e as ações se sucedem mais rapidamente.
III- O termo “vociferar’”, no texto, significa falar com raiva, berrar.
Está ou estão corretas:
Alternativas
Q4107189 Português

29.png (441×611)


SOUSA, Maurício de. Disponível em: <https://miro.medium.com. Acesso em 23 de jan.2022.

A partir da leitura do texto em quadrinhos e considerando os conceitos de gramáticas, analise as proposições a seguir:
I – Considerando a ideia defendida pela gramática normativa é possível afirmar que Chico Bento fez uso da variante padrão em sua fala.
II- É possível afirmar que tanto Chico Bento quanto o Primo Zeca têm uma gramática internalizada.
III- No texto, é possível visualizar, pelo menos, dois tipos de variantes linguísticas.
São verdadeiras:
Alternativas
Q4107186 Literatura
“Os Sertões” são uma das obras mais emblemáticas do escritor pré-modernista Euclides da Cunha. A obra regionalista narra os acontecimentos da sangrenta Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (1830-1897), que ocorreu no Interior da Bahia, durante 1896 e 1897. Sobre a obra ”Os Sertões” de Euclides da Cunha, é possível afirmar:
I – Está dividida em três partes: A terra, o homem e a luta.
II- A parte destinada ao “Homem” trata de um estudo antropológico e sociológico, donde o homem é determinado pela tríade - meio, raça e história - segundo a teoria determinista do historiador francês Hippolyte Taine.
III-A parte destinada “A Luta “ apresenta uma categoria geográfica que Hegel não citou. Como se faz um deserto. Como se extingue o deserto. O martírio secular da terra.
IV – N a primeira parte da obra, Euclides da Cunha aborda sobre os habitantes do local, o sertanejo e o jagunço, os quais fazem parte dessa paisagem. Sendo assim, nesse primeiro momento, apresenta uma região separada geográfica e temporalmente do resto do país.
V- Na Terceira parte da obra “A luta”, o autor descreve os embates que ocorreram entre o sertanejo e o exército nacional do Brasil. Aborda sobre as quatro expedições realizadas pelo exército nacional, enviados para destruir o Arraial de Canudos, que contava com cerca de 20 mil habitantes.
Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4107184 Literatura
Sobre o poema é possível afirmar:
1- O poema apresenta versos decassílabos clássicos em rimas toantes, de tal forma que a tensão poética realizada pela alternância métrica dilui a formalidade declamatória conferindo ao poema um curso mais reflexivo e profundo, o ritmo delineia em pausas sem os maneirismos sonoros. 
2- As palavras transitam em registros denotativos e conotativos dirigindo a consciência do leitor para dentro do poema.
3- Diferente do experimentalismo disfarçado de arrojo nas execuções concretistas, Drummond restabelece a conexão do nexo com a linguagem, onde a natureza semântica denotativa paira no verso sem obscurecer a realização conotativa que a construção do verso referencia.
4- O poema traz uma intertextualidade direta com a Divina Comédia, desde a caminhada do eu lírico que busca a situação do homem, espiritualmente, em Dante, e existencialmente em Drummond e ainda na forma conscientemente semelhantes; no entanto Dante traça seu itinerário em espiral em parte do incerto, atravessa a escuridão e alcança a iluminação numa reiteração da ascendência virtuosa.
5- Drummond, no poema, opta por um itinerário diverso, a circularidade, onde cada verso estabelece um retorno dentro do tema e se fecha como unidade autônoma, é nesta circunstância que no final de seu itinerário o poeta abraça o ceticismo e contesta as representações de assunção contidas na obra de Dante.
Considerando as ideias apresentadas no poema e movimento literário do qual Carlos Drummond fez parte, é possível afirmar que:
Alternativas
Q4107183 Literatura

A Máquina do Mundo 


E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco


se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas


lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,


a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.


Abriu-se majestosa e circunspecta,

sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável 


pelas pupilas gastas na inspeção

contínua e dolorosa do deserto,

e pela mente exausta de mentar


toda uma realidade que transcende

a própria imagem sua debuxada 

no rosto do mistério, nos abismos. 


Abriu-se em calma pura, e convidando

quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera


e nem desejaria recobrá-los,

se em vão e para sempre repetimos

os mesmos sem roteiro tristes périplos,


convidando-os a todos, em coorte,

a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas,


assim me disse, embora voz alguma

ou sopro ou eco ou simples percussão

atestasse que alguém, sobre a montanha,


a outro alguém, noturno e miserável,

em colóquio se estava dirigindo:

“O que procuraste em ti ou fora de


teu ser restrito e nunca se mostrou,

mesmo afetando dar-se ou se rendendo,

e a cada instante mais se retraindo,


olha, repara, ausculta: essa riqueza

sobrante a toda pérola, essa ciência

sublime e formidável, mas hermética,


essa total explicação da vida,

esse nexo primeiro e singular,

que nem concebes mais, pois tão esquivo


se revelou ante a pesquisa ardente

em que te consumiste… vê, contempla,

abre teu peito para agasalhá-lo.”


As mais soberbas pontes e edifícios,

o que nas oficinas se elabora,

o que pensado foi e logo atinge


distância superior ao pensamento,

os recursos da terra dominados,

e as paixões e os impulsos e os tormentos 


e tudo que define o ser terrestre

ou se prolonga até nos animais

e chega às plantas para se embeber


no sono rancoroso dos minérios,

dá volta ao mundo e torna a se engolfar

na estranha ordem geométrica de tudo,


e o absurdo original e seus enigmas,

suas verdades altas mais que tantos

monumentos erguidos à verdade;


e a memória dos deuses, e o solene

sentimento de morte, que floresce

no caule da existência mais gloriosa,


tudo se apresentou nesse relance 

e me chamou para seu reino augusto,

afinal submetido à vista humana.


Mas, como eu relutasse em responder

a tal apelo assim maravilhoso,

pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,


a esperança mais mínima — esse anelo

de ver desvanecida a treva espessa

que entre os raios do sol inda se filtra;


como defuntas crenças convocadas

presto e fremente não se produzissem

a de novo tingir a neutra face


que vou pelos caminhos demonstrando,

e como se outro ser, não mais aquele

habitante de mim há tantos anos,


passasse a comandar minha vontade

que, já de si volúvel, se cerrava

semelhante a essas flores reticentes


em si mesmas abertas e fechadas;

como se um dom tardio já não fora

apetecível, antes despiciendo,


baixei os olhos, incurioso, lasso,

desdenhando colher a coisa oferta

que se abria gratuita a meu engenho.


A treva mais estrita já pousara

sobre a estrada de Minas, pedregosa,

e a máquina do mundo, repelida,


se foi miudamente recompondo,

enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagaroso, de mão pensa 

Na segunda parte do poema, a máquina do mundo abre-se de novo. Existe aqui, novamente, a luta da realidade do eu lírico em relação a revelação mítica, assim sendo a segunda parte do poema divide-se em três momentos, os quais podem ser assim caracterizados:
I- Primeiro momento: um pedido para o próprio poeta se revelar, deixar de ser hermético, como a própria máquina o fez — os seus sentimentos precisam se abrir para o mundo.
II- Segundo momento: interação com o mundo de maneira sinestésica, sentir, olhar, reparar, auscultar as pessoas — necessidade em ser abertos e empático para com os outros, e confiar nos próprios sentidos e emoções.
III- Terceiro momento: a máquina sustenta sua posição de ente mítico e a necessidade de absorvê -la como parte para descoberta do enigma do mundo.
A partir da análise das proposições é possível afirmar:
Alternativas
Q4107182 Literatura

A Máquina do Mundo 


E como eu palmilhasse vagamente

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco


se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas


lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,


a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.


Abriu-se majestosa e circunspecta,

sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável 


pelas pupilas gastas na inspeção

contínua e dolorosa do deserto,

e pela mente exausta de mentar


toda uma realidade que transcende

a própria imagem sua debuxada 

no rosto do mistério, nos abismos. 


Abriu-se em calma pura, e convidando

quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera


e nem desejaria recobrá-los,

se em vão e para sempre repetimos

os mesmos sem roteiro tristes périplos,


convidando-os a todos, em coorte,

a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas,


assim me disse, embora voz alguma

ou sopro ou eco ou simples percussão

atestasse que alguém, sobre a montanha,


a outro alguém, noturno e miserável,

em colóquio se estava dirigindo:

“O que procuraste em ti ou fora de


teu ser restrito e nunca se mostrou,

mesmo afetando dar-se ou se rendendo,

e a cada instante mais se retraindo,


olha, repara, ausculta: essa riqueza

sobrante a toda pérola, essa ciência

sublime e formidável, mas hermética,


essa total explicação da vida,

esse nexo primeiro e singular,

que nem concebes mais, pois tão esquivo


se revelou ante a pesquisa ardente

em que te consumiste… vê, contempla,

abre teu peito para agasalhá-lo.”


As mais soberbas pontes e edifícios,

o que nas oficinas se elabora,

o que pensado foi e logo atinge


distância superior ao pensamento,

os recursos da terra dominados,

e as paixões e os impulsos e os tormentos 


e tudo que define o ser terrestre

ou se prolonga até nos animais

e chega às plantas para se embeber


no sono rancoroso dos minérios,

dá volta ao mundo e torna a se engolfar

na estranha ordem geométrica de tudo,


e o absurdo original e seus enigmas,

suas verdades altas mais que tantos

monumentos erguidos à verdade;


e a memória dos deuses, e o solene

sentimento de morte, que floresce

no caule da existência mais gloriosa,


tudo se apresentou nesse relance 

e me chamou para seu reino augusto,

afinal submetido à vista humana.


Mas, como eu relutasse em responder

a tal apelo assim maravilhoso,

pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,


a esperança mais mínima — esse anelo

de ver desvanecida a treva espessa

que entre os raios do sol inda se filtra;


como defuntas crenças convocadas

presto e fremente não se produzissem

a de novo tingir a neutra face


que vou pelos caminhos demonstrando,

e como se outro ser, não mais aquele

habitante de mim há tantos anos,


passasse a comandar minha vontade

que, já de si volúvel, se cerrava

semelhante a essas flores reticentes


em si mesmas abertas e fechadas;

como se um dom tardio já não fora

apetecível, antes despiciendo,


baixei os olhos, incurioso, lasso,

desdenhando colher a coisa oferta

que se abria gratuita a meu engenho.


A treva mais estrita já pousara

sobre a estrada de Minas, pedregosa,

e a máquina do mundo, repelida,


se foi miudamente recompondo,

enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagaroso, de mão pensa 

Analise as proposições como verdadeira ( V ) ou falsa ( F ).
( ) O poema mantem uma relação intertextual com Os Lusíadas, de Camões. E não só pelo tamanho, mas também pelo termo máquina do mundo também aparecer nos versos de Camões.
( ) A máquina do mundo é um termo usado para representar, de forma alegórica, o sistema como o mundo funciona.
( ) No poema, os versos decassílabos bem construídos, uma reverência ao clássico não tão comum aos modernos, promove uma reflexão sobre o homem e a linguagem e, principalmente, ao seu tempo.
( ) A intertextualidade é um elemento presente no poema.
( ) Drummond usa uma ótica inteiramente pessoal para mostrar como ele enxerga o funcionamento do universo. O início é turvo e um verdadeiro enigma, o começo do poema é inerentemente pesado.
A sequência correta de cima para baixo é:
Alternativas
Q4107180 Literatura

BUSCANDO A CRISTO CRUCIFICADO


A vós correndo vou, braços sagrados,

Nessa cruz sacrossanta descobertos,

Que, para receber-me, estais abertos,

E, por não castigar-me, estais cravados.


A vós, divinos olhos, eclipsados

De tanto sangue e lágrimas cobertos,

Pois, para perdoar-me, estais despertos,

E, por não condenar-me, estais fechados.


A vós, pregados pés, por não deixar-me,

A vós, sangue vertido, para ungir-me,

A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.


A vós, lado patente, quero unir-me,

A vós, cravos preciosos, quero atar-me,

Para ficar unido, atado e firme.


Gregório de Matos



Sobre o poema é possível afirmar:
1- O poema é um soneto que ilustra uma característica típica do Barroco: o uso de situações ambivalentes, que possibilitam dupla interpretação.
2- A imagem de Cristo crucificado dá origem às metonímias que constituirão os argumentos apresentados por Gregório de Matos Guerra.
3- Cada uma das partes do corpo de Cristo representa uma atitude acolhedora, magnânima, uma manifestação de bondade e comiseração. 
4- Os versos 5, 9, 10, 11, 12 e 13 constroem-se com a omissão do verbo, já referido no 1º verso – correndo vou. Em todos eles ocorre o procedimento estilístico denominado zeugma.
É ou são verdadeira (s).
Alternativas
Q4107179 Linguística
As inúmeras concepções de leitura podem ser sintetizadas em duas caracterizações uma perspectiva behaviorista – skinneriana e uma perspectiva cognitivo -sociológica, considerando o enunciado, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4107178 Português
O livro Preconceito Linguístico, de Marcos Bagno, aborda de maneira profunda o tratamento preconceituoso ao qual é submetido o falante que não se enquadra à norma padrão. Visando combater o preconceito no dia a dia, na atividade pedagógica de professores em geral e, particularmente, de professores de língua portuguesa, o autor analisa alguns mitos relacionados ao preconceito linguístico. Considerando os mitos relatados por Bagno, relacione a segunda coluna com a primeira, observando as justificativas apresentadas pelo autor para cada mito.
( 1 ) Mito nº1 - A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente.
( 2 ) Mito nº4 - – “As pessoas sem instruções falam tudo errado”.
( 3 ) Mito nº8 - “O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social”.
( ) Bagno argumenta a partir da noção de que qualquer manifestação linguística que fuja ao triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, “errada”.
( ) o autor fala da diversidade do português falado no Brasil e destaca a importância de as escolas e todas as demais instituições voltadas para a educação e a cultura abandonarem esse mito da unidade do português no Brasil e passarem a reconhecer a verdadeira diversidade linguística de nosso país.
( ) o domínio da norma culta de nada vai adiantar a uma pessoa que não tenha seus direitos de cidadão reconhecidos plenamente e que não basta ensinar a norma culta a uma criança pobre para que ela “suba na vida”.
A sequência correta de cima para baixo é: 
Alternativas
Q4107177 Linguística
Analise as proposições abaixo:
I- O enunciado linguístico, de acordo com Bakthin, pode ser entendido por meio do elemento verbalmente exposto e elementos contextuais advindos das relações sociais e históricas dos sujeitos na comunicação.
II- A noção dialógica da linguagem inaugurada em Bakthin desdobra - se em dois aspectos, que são os conceitos da intertextualidade e o da interação verbal entre o enunciador e o enunciatário dos textos.
III- A intertextualidade pode se manifestar de formas diferenciadas e produzir efeitos de sentido também diversos. A escolha das formas de expressão da intertextualidade resulta do trabalho do autor, e revela o jogo entre seu estilo pessoal, suas escolhas, e o estilo do gênero.
É verdadeiro o que se afirma em:
Alternativas
Q4107176 Literatura

Observe o texto abaixo: 


16.jpg (342×162)


Considerando o conceito e os tipos de intertextualidade no texto acima há predomínio: 

Alternativas
Q4107175 Pedagogia
A Base Nacional Curricular Comum - BNCC, em atendimento à LDB e ao Plano Nacional de Educação (PNE), aplica-se à Educação Básica, e fundamenta-se nas seguintes competências gerais, expressão dos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, a serem desenvolvidas pelos estudantes:
I- Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
II- Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
III- 3. Desenvolver o senso estético para reconhecer, valorizar e sustar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção artísticocultural.
IV- Utilizar diferentes linguagens –verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital – bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos, em diferentes contextos, e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 
V- Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Da análise das competências gerais, expressão dos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento da BNCC a serem desenvolvidas pelo estudante, Temos:
Alternativas
Respostas
641: C
642: B
643: C
644: D
645: C
646: B
647: C
648: A
649: E
650: D
651: A
652: D
653: C
654: A
655: D
656: B
657: A
658: E
659: B
660: B