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Q4090564 Português
Texto 3

        Os procedimentos para o ensino de gêneros, tal como sugeridos por Joaquim Dolz, Michèle Noverraz e Bernard Schneuwly, têm um caráter modular e levam em conta tanto a oralidade como a escrita. O trabalho distribui-se ao longo de todas as séries do Ensino Fundamental. A ideia central é a de que se devem criar situações reais com contextos que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual, incluindo sua circulação, ou seja, voltando-se a atenção para o processo de relação entre produtores e receptores. Os autores definem a “sequência didática” como “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”.
        Para tanto, leva-se em conta a comunicação em situação real, pois sabemos que escrever uma carta a um amigo ou uma carta comercial é algo diferente. Falar num barzinho com os amigos ou produzir um discurso diante de um público não é a mesma coisa. Isto quer dizer que são contempladas as semelhanças e as diferenças entre os gêneros e entre as duas modalidades de uso da língua. Os gêneros são tidos como instrumentos comunicativos que servem para realizar essas atividades formais e informais de maneira adequada. A finalidade de trabalhar com sequências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero.

Adaptado de: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e produção linguística. Material didático de curso de pós-graduação. Universidade de Brasília. 
Assinale a alternativa em que a análise sintática do trecho destacado do Texto 3 está INCORRETA.
Alternativas
Q4090563 Português
Texto 3

        Os procedimentos para o ensino de gêneros, tal como sugeridos por Joaquim Dolz, Michèle Noverraz e Bernard Schneuwly, têm um caráter modular e levam em conta tanto a oralidade como a escrita. O trabalho distribui-se ao longo de todas as séries do Ensino Fundamental. A ideia central é a de que se devem criar situações reais com contextos que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual, incluindo sua circulação, ou seja, voltando-se a atenção para o processo de relação entre produtores e receptores. Os autores definem a “sequência didática” como “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”.
        Para tanto, leva-se em conta a comunicação em situação real, pois sabemos que escrever uma carta a um amigo ou uma carta comercial é algo diferente. Falar num barzinho com os amigos ou produzir um discurso diante de um público não é a mesma coisa. Isto quer dizer que são contempladas as semelhanças e as diferenças entre os gêneros e entre as duas modalidades de uso da língua. Os gêneros são tidos como instrumentos comunicativos que servem para realizar essas atividades formais e informais de maneira adequada. A finalidade de trabalhar com sequências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero.

Adaptado de: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e produção linguística. Material didático de curso de pós-graduação. Universidade de Brasília. 
Embora o excerto exposto no Texto 3 tenha caráter predominantemente expositivo, nele se reconhece uma dimensão argumentativa. Essa dimensão manifesta-se, sobretudo,
Alternativas
Q4090562 Português
Texto 3

        Os procedimentos para o ensino de gêneros, tal como sugeridos por Joaquim Dolz, Michèle Noverraz e Bernard Schneuwly, têm um caráter modular e levam em conta tanto a oralidade como a escrita. O trabalho distribui-se ao longo de todas as séries do Ensino Fundamental. A ideia central é a de que se devem criar situações reais com contextos que permitam reproduzir em grandes linhas e no detalhe a situação concreta de produção textual, incluindo sua circulação, ou seja, voltando-se a atenção para o processo de relação entre produtores e receptores. Os autores definem a “sequência didática” como “um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito”.
        Para tanto, leva-se em conta a comunicação em situação real, pois sabemos que escrever uma carta a um amigo ou uma carta comercial é algo diferente. Falar num barzinho com os amigos ou produzir um discurso diante de um público não é a mesma coisa. Isto quer dizer que são contempladas as semelhanças e as diferenças entre os gêneros e entre as duas modalidades de uso da língua. Os gêneros são tidos como instrumentos comunicativos que servem para realizar essas atividades formais e informais de maneira adequada. A finalidade de trabalhar com sequências didáticas é proporcionar ao aluno um procedimento de realizar todas as tarefas e etapas para a produção de um gênero.

Adaptado de: MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais e produção linguística. Material didático de curso de pós-graduação. Universidade de Brasília. 
No Texto 3, ao afirmar que escrever uma carta a um amigo não é o mesmo que escrever uma carta comercial e que falar em um barzinho com amigos não equivale a produzir um discurso diante de um público, defende-se que 
Alternativas
Q4090561 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


Sobre o trecho “Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo.”, do Texto 2, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q4090560 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


No trecho “Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata.”, do Texto 2, a segunda frase produz, em relação à primeira, o efeito de
Alternativas
Q4090559 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


No Texto 2, em “Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade.”, o efeito de humor decorre, sobretudo,
Alternativas
Q4090558 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


No trecho “Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar.”, do Texto 2, a compreensão da justificativa apresentada pelo narrador depende, entre outros fatores de coerência, da ativação de
Alternativas
Q4090557 Literatura

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


Na perspectiva da Estética da Recepção, a leitura da crônica de Luís Fernando Veríssimo (Texto 2) pode ser relacionada ao conceito de horizonte de expectativas, porque o texto
Alternativas
Q4090556 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


Na obra A Metamorfose, de Franz Kafka, um homem desperta transformado em inseto. Considerando essa informação e a crônica de Luís Fernando Veríssimo (Texto 2), a referência ao texto-fonte permite reconhecer um procedimento de
Alternativas
Q4090555 Português

Texto 2


Metamorfose

Luís Fernando Veríssimo


    Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu primeiro pensamento humano foi: que vergonha, estou nua! O seu segundo pensamento humano foi: que horror! Preciso me livrar dessas baratas!


    Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente, ela seguia o seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto da cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa, caminhando junto à parede, porque os hábitos morrem devagar. Encontrou um quarto, um armário, roupas de baixo, um vestido. Olhou-se no espelho e achou-se bonita. Para uma ex-barata. Maquilou-se. Todas as baratas são iguais, mas uma mulher precisa realçar a sua personalidade. Adotou um nome: Vandirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? Tinha educação? Referências? Conseguiu, a muito custo, um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas; era uma boa faxineira.


[...]


    Vandirene acordou um dia e viu que tinha se transformado de novo numa barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: meu Deus, a casa foi dedetizada há dois dias! Seu último pensamento humano foi para o seu dinheiro rendendo na financeira e o que o safado do marido, seu herdeiro legal, faria com tudo. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu em cinco minutos, mas foram os cinco minutos mais felizes da sua vida. Kafka não significa nada para as baratas.


Adaptado de: https://ielrs.blogspot.com/2012/12/metamorfose-luisfernando-verissimo.html. Acesso em: 28 mar. 2026. 


No início da crônica (Texto 2), ao transformar-se em humana, a barata formula os pensamentos: “[...] que vergonha, estou nua!” e “[...] que horror! Preciso me livrar dessas baratas!”. A partir desses trechos, infere-se que a personagem 
Alternativas
Q4090554 Literatura
Carolina Maria de Jesus, autora negra brasileira, publicou Quarto de despejo: diário de uma favelada, obra amplamente relacionada a debates sobre autoria, representação e experiência social na literatura brasileira. Com base nessas informações e no Texto 1, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4090553 Português

A respeito da classificação e do funcionamento de classes de palavras em trechos do Texto 1, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.



I. Em “Já que não posso dar aos meus filhos [...]”, a expressão “já que” constitui locução conjuntiva, introduzindo relação de valor causal/justificativo.


II. Em “Cada filho prefere uma coisa.”, a palavra “cada” funciona como numeral, por indicar distribuição quantitativa dos referentes.


III. Em “O meu sonho era andar bem limpinha [...]”, a palavra “bem” atua como advérbio de intensidade, modificando o adjetivo “limpinha”.


IV. Em “Eu não tenho homem em casa.”, a palavra “não” classifica-se como advérbio de negação, enquanto “homem” é substantivo.

Alternativas
Q4090552 Português
No fragmento “Cada filho prefere uma coisa. A Vera, mingau de farinha de trigo torrada. O João José, café puro. O José Carlos, leite branco.”, verifica-se um mecanismo de coesão em que a progressão textual se faz por
Alternativas
Q4090551 Português
No trecho “Quando o astro-rei começou despontar eu fui buscar agua.”, a expressão destacada constitui um caso de
Alternativas
Q4090550 Português
No Texto 1, a construção da voz narrativa articula subjetividade e representação de uma realidade social marcada pela pobreza e pela violência. Considerando essa característica, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4090549 Português

À luz da abordagem de Koch e Travaglia sobre coerência textual, analise as assertivas a seguir a respeito do Texto 1 e assinale a alternativa que aponta as corretas.



I. A interpretação de segmentos como “Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende.” mobiliza inferências e conhecimento de mundo, já que o leitor relaciona embriaguez, baixa receptividade ao conselho e interrupção da ação da narradora.


II. A compreensão de passagens relativas à busca de água, ao preparo da refeição, à lavagem de roupas e à coleta de papel mobiliza, em parte, modelos cognitivos e conhecimento partilhado acerca de rotinas de sobrevivência em contexto de vulnerabilidade social.


III. A coerência do excerto de Quarto de despejo: diário de uma favelada (Texto 1) se estabelece independentemente da situacionalidade, pois o texto se sustenta apenas pela progressão interna dos fatos narrados, sem depender da cena enunciativa em que se insere.


IV. Elementos como a data inicial, as referências ao cotidiano e a inscrição da voz da narradora funcionam como fatores de contextualização, contribuindo para a construção da coerência do relato. 

Alternativas
Q4090548 Português
A partir da construção narrativa exposta no Texto 1, em especial do trecho “Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende.”, é correto afirmar que a passagem do caso particular para a afirmação geral evidencia que a narradora 
Alternativas
Q4090547 Português
A palavra “impiedosamente”, presente no Texto 1, apresenta processo de formação morfológica. Assinale a alternativa que descreve corretamente esse processo.
Alternativas
Q4090546 Português
Com base na interpretação do Texto 1, considerando especialmente o trecho “Senti o cheiro de álcool, disisti. Sei que os ebrios não atende.”, é correto afirmar que a decisão da narradora de interromper a tentativa de aconselhamento baseia-se na ideia de que
Alternativas
Q4090545 Português

A classificação dos substantivos quanto ao gênero pode variar conforme a perspectiva teórica adotada. Considerando, de um lado, a tradição gramatical vinculada à NGB e, de outro, a descrição proposta por Mattoso Câmara, analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.



I. Na tradição gramatical escolar, substantivos como “criança” e “testemunha” são classificados como sobrecomuns.


II. Na tradição gramatical escolar, substantivos como “cobra” e “jacaré”, quando empregados com distinção sexual lexicalmente indicada, inserem-se na categoria dos epicenos.


III. Em Mattoso Câmara, categorias como epiceno e sobrecomum tendem a ser reinterpretadas no quadro mais amplo dos nomes de gênero único.


IV. Em Mattoso Câmara, substantivos como “filho/filha” exemplificam nomes de dois gêneros sem flexão, pois a distinção de gênero não se manifesta formalmente no substantivo. 

Alternativas
Respostas
601: E
602: E
603: C
604: D
605: E
606: A
607: A
608: C
609: B
610: D
611: B
612: A
613: E
614: D
615: A
616: C
617: C
618: A
619: E
620: E