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Q3810675 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
“Milhares de corpos eram vendidos para os cursos de medicina, já que cadáveres não faltavam nos hospícios [...]” O elemento conector destacado introduz uma oração do tipo
Alternativas
Q3810674 Português
O passado que não passou


        Virou museu, livro, festival. Só não virou passado. Barbacena, entre uma ladeira e outra de Minas, dificilmente é separada do seu passado como casa da loucura brasileira. Foi abrigo de vários hospitais psiquiátricos, como o famoso Colônia, palco de mais de 60 mil mortes numa época em que ser triste era loucura. As fortes cenas de internos dormindo no chão, já que entre cama e concreto não havia diferença, indigentes num lugar que deveria ser o caminho para a recuperação e que foi, no melhor dos casos, o caminho mais curto para o fim de tantas vidas são, agora, história, literatura, reflexão e debate na sociedade local. Porém, a cada 4 anos, temos uma dose de insanidade para nos lembrar da nossa dolorosa alcunha.

         O jornalista Hiram Firmino comenta, no livro Nos porões da loucura, sobre os alicerces dos centros psiquiátricos — plataformas de deputados, prefeitos, secretários e diretores. As diretrizes dos tratamentos em Barbacena eram formadas a partir de interesses econômicos e eleitorais, dificilmente tendo em vista o real avanço da saúde pública e da humanização dos pacientes. Milhares de corpos eramvendidos para os cursos demedicina, já que cadáveres não faltavamnos hospícios,mas simmédico, apoio, investimento. Faltava boa vontade dos governantes. Homens, mulheres e crianças eram internados porque bebiam demais, namoravam demais, choravam demais e as instituições aceitavam, porque políticos e diretores lucravam demais. E os barbacenenses, de berço ou de coração, não estamos muito longe dos protagonistas deste drama.

         Num trecho do livro O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, o herói Viramundo é questionado por ummorador de Barbacena se é biista ou bonifacista. Seria alheio ao enredo da loucura não fosse o fato de Viramundo ter sido internado como louco, não fosse o fato de que biista é quem vota na família Bias Fortes e bonifacista é quem vota na família Bonifácio Andrada. O ponto aqui é que as famílias Bias Fortes e Bonifácio Andrada ainda são as duas grandes vertentes da política local. Não subo, porém, no palanque da oposição contra as duas famílias; o que exponho é que não somos capazes de sair do script já tão bem conhecido de alternância de poder, em que até as divergências começam a convergir.

         De que a psiquiatria viveu maus momentos aqui não há dúvidas, mas Barbacena não é só o porão da loucura brasileira. A cidade também é das rosas, do povo mineiro que acolhe todos os anos mais de 150 jovens, meninos ainda, de todo o Brasil que vêm para cá em busca do sonho de se tornarem oficiais aviadores e encontram aqui os seus novos lares. Não sou mineiro, mas sou filho adotivo de Barbacena — que de madrasta não tem nada. Não só o Hospital Colônia, não só o Holocausto Brasileiro: Barbacena é seu povo e a história de cada um que aqui vive ou viveu, loucos ou sãos, esta é BQ, a Barbacena Querida. É por isso que o nosso dever é o de sermos lúcidos, o passado já mostrou que não existe riqueza neste mundo que pague o preço do descaso. É este descaso que precisamos analisar, já que o que aconteceu não foi só fruto de uma medicina precária, mas de uma política de má-fé que temo perdurar até hoje por aqui.

      Seja Andrada, Bias, ou Viramundo, o que Barbacena precisa é de um povo que, cansado da loucura a nós imposta, vote com a consciência dos que se recusam a aceitar a senilidade como cultura. Observemos o que Saramago expõe em seu romance Ensaio sobre a lucidez: a ideia de uma conscientização autônoma da população frente ao poder político. Uma comoção sem arma, sem luta, sem loucura. Uma comoção sã, de fazer da urna a extensão da força de um povo guerreiro. E quando me perguntarem, ao descobrirem que vivi na Cidade dos Loucos, se sou biista ou bonifacista, se sou louco ou são, responderei sem sombra de dúvidas: sou filho adotivo de Barbacena, cidade de subidas intermináveis e de pessoas memoráveis. Sou filho da cidade das rosas, do céu mais bonito que já vi. Louco eu seria se não visse beleza no “trem” de Minas, como no “meu” do meu berço paulista. Talvez sejamos todos um pouco loucos, mas é uma loucura de querer sorrir — a tristeza já morou por muito tempo em nossa cidade e está convidada a se retirar.



Disponível em: https://medium.com/medium-brasil/o-passado-que-nao-passou-caa48be90f15. Acesso em: 04.mai.2025. Adaptado.
As classes de palavras ou classes gramaticais são grupos de palavras que são classificados de acordo com suas funções na língua portuguesa. Assim sendo, aponte a alternativa em que a função da classe de palavra demarcada esteja corretamente tipificada entre parênteses.
Alternativas
Q3810573 Segurança e Saúde no Trabalho
A NR 32 estabelece diretrizes sobre biossegurança, com o objetivo de prevenir riscos relacionados à exposição a agentes biológicos. No contexto do enfermeiro do trabalho, suas responsabilidades incluem a implementação de medidas de proteção, controle e vigilância nos ambientes ocupacionais. Desse modo, podemos considerar que uma das principais responsabilidades do enfermeiro do trabalho, segundo a NR-32, é:
Alternativas
Q3810572 Segurança e Saúde no Trabalho
O Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) tem como objetivo a prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce de agravos à saúde relacionados ao trabalho, exigindo a atuação do enfermeiro do trabalho na sua execução e monitoramento. Identifique a correta caracterização das responsabilidades do enfermeiro do trabalho na implementação do PCMSO.
Alternativas
Q3810571 Segurança e Saúde no Trabalho
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) desempenha um papel fundamental na promoção da segurança e saúde no ambiente de trabalho, contando com o apoio técnico do enfermeiro do trabalho para a implementação de medidas preventivas. Assinale a alternativa que contenha as principais funções do enfermeiro do trabalho no apoio às atividades da CIPA.
Alternativas
Q3810570 Enfermagem
A atuação do enfermeiro do trabalho envolve não apenas a promoção da saúde ocupacional, mas também a observância de princípios éticos que garantem a segurança e o bem-estar dos trabalhadores. Tendo por base o exposto, marque o item que informa corretamente uma das principais responsabilidades éticas do enfermeiro do trabalho.
Alternativas
Q3810569 Segurança e Saúde no Trabalho
A investigação de agravos à saúde do trabalhador é essencial para a identificação de riscos e a implementação de medidas preventivas no ambiente ocupacional. Desse modo, podemos considerar que um dos principais métodos utilizados pelo enfermeiro do trabalho para investigar agravos à saúde do trabalhador é:
Alternativas
Q3810568 Segurança e Saúde no Trabalho
Assinale a alternativa que apresenta o procedimento correto a ser seguido pelo enfermeiro do trabalho diante de um trabalhador que sofreu exposição ocupacional à material biológico.
Alternativas
Q3810567 Enfermagem
Identifique a alternativa que contenha as principais funções do enfermeiro do trabalho na formulação e execução de Programas de Saúde do Trabalhador.
Alternativas
Q3810566 Enfermagem
Identifique a alternativa que designa corretamente o papel do enfermeiro do trabalho na implementação do Programa de Gerenciamento de Resíduos de Serviço de Saúde (PGRSS) em empresas com serviços de saúde ocupacional.
Alternativas
Q3810565 Enfermagem
No ambiente laboral, a atuação do enfermeiro do trabalho é essencial para a promoção da saúde e a proteção específica dos trabalhadores. Suas atividades incluem a identificação e mitigação de riscos ocupacionais, a realização de programas educativos, a implementação de medidas preventivas e a participação em políticas de saúde e segurança. Tendo por base o exposto, marque o item que informa corretamente uma estratégia utilizada pelo enfermeiro do trabalho para a promoção da saúde e proteção específica no ambiente laboral.
Alternativas
Q3810564 Segurança e Saúde no Trabalho
Tendo por base as diretrizes de vigilância da saúde do trabalhador, identifique a alternativa que melhor descreve o papel do enfermeiro do trabalho na promoção da saúde e prevenção de doenças ocupacionais.
Alternativas
Q3810563 Enfermagem
Assinale a alternativa que descreve corretamente a atuação do enfermeiro do trabalho em relação às normas de biossegurança e saúde estabelecidas pela NR-32, particularmente em ambientes que envolvem o manuseio de materiais biológicos.
Alternativas
Q3810562 Enfermagem
Identifique a alternativa que melhor caracteriza a função do enfermeiro do trabalho em relação à implementação e acompanhamento das normas de ergonomia no ambiente laboral, conforme a NR-17.
Alternativas
Q3810561 Segurança e Saúde no Trabalho
Assinale a alternativa que indica corretamente a atuação do enfermeiro do trabalho na implementação das normas de segurança estabelecidas pela NR-10, especialmente em relação à saúde dos trabalhadores expostos a riscos elétricos. 
Alternativas
Q3810560 Segurança e Saúde no Trabalho
Indique o item que descreve corretamente a função da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) no contexto das normas de segurança do trabalho, especialmente sob a responsabilidade do enfermeiro do trabalho.
Alternativas
Q3810559 Enfermagem
Assinale a alternativa que melhor descreve a responsabilidade ética e legal do enfermeiro do trabalho no atendimento à saúde do trabalhador, considerando a legislação vigente e os princípios de ética profissional.
Alternativas
Q3810558 Segurança e Saúde no Trabalho
Marque a opção que descreve corretamente as funções e responsabilidades do enfermeiro do trabalho dentro do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), de acordo com a regulamentação da Norma Regulamentadora NR-7.
Alternativas
Q3810557 Enfermagem
Assinale a alternativa que identifica corretamente um princípio essencial para a administração eficaz dos serviços de enfermagem do trabalho, levando em consideração os aspectos relacionados ao planejamento e à organização das ações de saúde ocupacional.
Alternativas
Q3810556 Segurança e Saúde no Trabalho
Tendo por base a Constituição Federal de 1988 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), identifique a alternativa que melhor expressa um dos direitos constitucionais relacionados à saúde do trabalhador, considerando o contexto da proteção à saúde no ambiente de trabalho.
Alternativas
Respostas
641: A
642: B
643: B
644: A
645: E
646: D
647: A
648: C
649: D
650: C
651: B
652: B
653: A
654: D
655: A
656: C
657: E
658: D
659: C
660: E