Questões de Concurso
Para iv - ufg
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O MOTIVO DA ROSA
Antes do teu olhar, não era, nem será depois, — primavera. Pois vivemos do que perdura,
não do que fomos. Desse acaso do que foi visto e amado: — o prazo do Criador na criatura...
Não sou eu, mas sim o perfume que em ti me conserva e resume o resto, que horas consomem.
Mas não chores, que no meu dia, há mais sonho e sabedoria que nos vagos séculos do homem.
MEIRELES, Cecília. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1988.
No verso “há mais sonho e sabedoria”, a forma verbal “há” aparece no singular porque o verbo
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) alertou para o risco de temporais no Sul do país, destacando a combinação de solo encharcado e volumes adicionais de chuva previstos para os próximos dias. Segundo o órgão, as enchentes registradas em diversos municípios podem se agravar diante da persistência do sistema de baixa pressão que mantém a umidade elevada na região. Especialistas reforçam a necessidade de acompanhar boletins oficiais e evitar a circulação em áreas de risco.
BRASIL. Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Alertas de temporais e risco de enchentes no Sul do país. Adaptado de: G1 e Agência Brasil, Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inmet e https://agenciabrasil.ebc.com.br. Acesso em: 10 fev. 2025.
Para identificar o grau de confiabilidade e compreender adequadamente o alerta apresentado pelo texto, o leitor deve
Nas últimas semanas, diversas publicações nas redes sociais usaram palavras como urgente, exclusivo e comprovado para apresentar informações que mais tarde se revelaram falsas. Segundo especialistas, o uso desses termos é uma estratégia para gerar sensação de credibilidade imediata e levar o leitor a compartilhar o conteúdo sem verificar a fonte.
Estratégias linguísticas em conteúdos enganosos nas redes sociais. G1. São Paulo, 12 jan. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 10 fev. 2025. [Adaptado].
Qual a finalidade da presença dos termos destacados no texto?
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás da casa. Passou um homem e disse Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada. Não era mais a imagem e uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa. Era uma enseada. Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, Manuel de. O livro das ignorãnças. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
No poema, a função da linguagem predominante é a
O jornal Folha de S. Paulo introduziu com o seguinte comentário uma entrevista com o professor Paulo Freire: “A gente cheguemos’ não será uma construção errada na gestão do Partido dos Trabalhadores em São Paulo.”
Os trechos da entrevista nos quais a Folha de S. Paulo se baseou foram os seguintes:
A criança terá uma escola na qual a sua linguagem seja respeitada (...) Uma escola em que a criança aprenda a sintaxe dominante, mas sem desprezo pela sua (...) Esses oito milhões de meninos vêm da periferia do Brasil (...) Precisamos respeitar a (sua) sintaxe mostrando que sua linguagem é bonita e gostosa, às vezes é mais bonita que a minha. E, mostrando tudo isso, dizer a ele: “Mas para a tua própria vida tu precisas dizer ‘a gente chegou’, em vez de ‘a gente cheguemos’. Isso é diferente, ‘a abordagem’ é diferente”. É assim que queremos trabalhar, com a abertura, mas dizendo a verdade.
FOLHA DE S. PAULO. Entrevista com Paulo Freire. São Paulo, 18 out. 1990. Caderno Educação. [Adaptado].
No trecho, a posição de Paulo Freire sobre a linguagem evidencia que o ensino da língua deve
SE EU MORRESSE AMANHÃ!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu pendera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n´alva Acorda a natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito, Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Se eu morresse amanhã! In: BANDEIRA, Manuel (Org.). Antologia dos poetas brasileiros: poesia da fase romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
No poema, a insistência na ideia da morte e a exploração dramática das emoções estabelecem diálogo com discursos característicos do Romantismo, revelando
Leia o texto a seguir.

CHARGE. In: SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em textos. Belo Horizonte: Dimensão, ano da edição. p. xx. Fonte original: Folha de S.Paulo, 18 out. 2004.
A charge estabelece diálogo com discursos sociais amplamente reconhecidos. Esse diálogo revela que
AS PALAVRAS QUE NINGUÉM DIZ
— Sabe o que é diadelfo? Não sabe? É isso aí: ninguém aprende mais nada na escola, não há professor que ensine o que é diadelfo. Entretanto, basta você sair por aí, na Gávea, e dá de cara com pencas de diadelfos. Tão fácil distingui-los. Pelo visto, sou capaz de jurar que você também nunca experimentou a emoção do ilapso. Ou por outra: pode ter experimentado, mas sem identificá-lo pelo nome. Não alcançou a maravilhosa consciência de haver merecido o ilapso. Conheci um nordestino que na mocidade exercera a profissão de ultor, e que ignorava o que é ultor; como é que pode ser tão mau profissional?
ANDRADE, Carlos Drummond de. Os dias lindos. Rio de Janeiro: Record, 1998.
No fragmento, Drummond ironiza o uso de palavras incomuns e mostra que seu desconhecimento não impede a comunicação. Para o ensino de Língua Portuguesa, esse texto evidencia que o desenvolvimento do vocabulário ocorre sobretudo quando o aluno
PALAVREADO
Gosto da palavra “fornida”. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer. Se você lê que uma mulher é “bem fornida”, sabe exatamente como ela é. Não gorda mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com “forno”. Talvez seja apenas o tipo de mente que eu tenho. Não posso ver a palavra “lascívia” sem pensar numa mulher, não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cântaro, filha de Pundonor. Imagino-a atraindo todos os jovens do reino para a cama real, decapitando os incapazes pelo fracasso e os capazes pela ousadia.
Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira
preta e lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé. Seguea através dos becos de Cântaro até um sumário – uma espécie de jardim enclausurado – onde ela deixa cair a bandalheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada estreita, e desaparece por uma porciúncula.
VERISSIMO, Luis Fernando. O analista de Bagé. Porto Alegre: L&PM, 2002.
A compreensão do texto permanece possível, mesmo que as palavras estejam deslocadas de seus sentidos originais, porque
Os seres humanos têm a capacidade de representar o pensamento por meio de sinais codificados que permitem a comunicação e a interação entre eles. Essa capacidade chamase linguagem. As várias formas de linguagem criadas pelo ser humano podem ser identificadas em dois grupos: o da linguagem verbal, como a língua, que tem a palavra por sinal, e o das linguagens não verbais, como a música, que tem o som por sinal; a dança, que tem o movimento por sinal; a mímica, que tem o gesto por sinal; e a pintura, a fotografia e a escultura, que têm a imagem por sinal.
FIORIN, José Luiz. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2014. Adaptado.
Com base no texto, entende-se que a linguagem
— Minha filha, você me deu sua palavra que a sua festa ia acabar às duas horas. — E acabou, papai. — Sim, mas às duas da tarde! Nós estávamos almoçando, hoje, e ainda estava chegando gente pra festa de ontem! — É que a turma se excedeu um pouco, papai, qualé? — Outra coisa, você jurou que seus amigos iam ficar na sala e não invadiriam os outros aposentos. — E, então? — Então que eu fui acordado no meio da noite por um cabeludo me perguntando se não tinha vodca em casa. — Ele se perdeu, só isso. — Tudo bem. Mas ele precisava me chamar de “ó do pijama”? — Papai...
VERISSIMO, Luis Fernando. Pais e filhos. Porto Alegre: LP&M, 1999.
O modo como os jovens dialogam – com expressões como “qualé?” e “ó do pijama” – revela que a variação linguística presente no texto está associada
Leia o texto a seguir.

A construção do humor na tirinha depende da compreensão de que a linguagem
Analise a imagem a seguir.

A imagem apresenta uma situação de ensino em que estudantes interagem com objetos históricos em um museu, guiados por educadores que incentivam perguntas, interpretações e relações entre passado e presente. Essa prática exemplifica a
O que os europeus mais bem registraram foram suas observações dos aspectos exteriores das sociedades africanas, dos chamados “usos e costumes”; os documentos fornecem descrições ricas, precisas e requintadas de várias cerimônias, vestimentas, comportamentos, estratégias e táticas de guerra, técnicas de produção, etc., não obstante, às vezes, a descrição ser acompanhada por epítetos como “bárbaro”, “primitivo”, “absurdo”, “ridículo” e outros termos pejorativos, o que, por si só, não significa muito; trata-se somente de um julgamento em função dos hábitos culturais do observador. Muito mais grave é a total falta de compreensão da estrutura interna das sociedades africanas, da complicada rede de relações sociais, da ramificação das obrigações mútuas, das razões mais profundas para determinados comportamentos. Em suma, os autores eram incapazes de descobrir as motivações profundas das atividades africanas.
HRBEK, I. As fontes escritas a partir do século XV. In: História geral da África, I: Metodologia e pré-história da África. Editado por Joseph Ki-Zerbo. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010, p. 123.
A narrativa expressa uma visão sobre a África marcada
Leia o texto a seguir.

Disponível em: https://pablocarranza.tumblr.com/post/137709862387/tirinhas-para-material-did%C3%A1tico-educa%C3%A7%C3%A3o. Acesso em: 16 nov. 2025.
A tirinha usa o comportamento competitivo e inocente das crianças para criar um paralelo humorístico com a lógica da Guerra Fria, marcada pela
Analise a imagem a seguir.

Disponível em: https://ameobrasil.blogspot.com/2012/10/historia-de-ita-o-homem-dos-sambaquis.html. Acesso em: 16 nov. 2025.
Os sambaquis eram grandes montes construídos por povos pré-históricos, formados principalmente pelo acúmulo de conchas, restos de peixes e outros materiais orgânicos, além de artefatos humanos. Mais do que simples “lixos arqueológicos”, os sambaquis funcionavam como
A negligência no combate à pandemia, a negação das vacinas e a insistência na promoção de tratamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19 suscitaram um verdadeiro levante de pesquisadores e entidades científicas contra a praga da desinformação que se alastra com consequências cada vez mais nefastas pelas mídias digitais. Na ausência de uma campanha oficial de esclarecimento e incentivo à vacinação por parte das autoridades, diversas universidades, organizações e entidades médicocientíficos lançaram campanhas próprias sobre o tema nesta semana — num embate semelhante ao que já vem sendo travado desde 2019 na área ambiental, frente à negação sistemática de dados científicos sobre desmatamento e queimadas por parte do governo federal.
Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/a-ciencia-contra-onegacionismo/. Acesso em: 16 nov. 2025.
O negacionismo evidencia uma crise contemporânea de autoridade científica que, em muitos aspectos, remete aos dilemas inaugurados ainda na Revolução Científica do século XVII. Naquele período, muitos pensadores transformaram radicalmente o entendimento do mundo ao defenderem que o conhecimento legítimo deveria basear-se na observação, na experimentação e na verificação empírica, rompendo com tradições, dogmas e crenças infundadas. Dentre esses pensadores, destacaram-se:
Leia o texto a seguir.
O bêbado e a equilibrista
E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil
(Aldir Blanc e João Bosco, 1975)
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/musicas-da-ditadura-militar/. Acesso em: 15 nov. 2025.
A canção citada foi eternizada por Elis Regina e tornou-se um hino de esperança durante a ditadura militar brasileira. Seu significado central é simbólico e político. O bêbado representa o povo sofrido, mas que ainda sonha e resiste. A equilibrista representa a
Segundo meu avô – gosto sempre de repetir – o único tempo que temos é o tempo presente. Ele até perguntava com certa frequência: por que o presente se chama presente? Dava um pouco de tempo e depois respondia: é porque é um presente que ganhamos do Criador. Quem ganha um objeto de presente tem que abrir na mesma hora para poder dar alegria a quem o deu. A vida é o presente que o Grande Espírito nos dá todos os dias, e viver esse presente alegra o coração do nosso Pai Primeiro. Meu avô era como um sábio que possuía todo o conhecimento de nossa gente. Qualquer coisa que a gente queria saber era só recorrer a ele que logo tinha uma história para contar. Foi ele que me ensinou que era preciso, de vez em quando, mudar. Disse isso pensando no rio. Fez-me olhar o rio que corria.
MUNDURUKU, Daniel. Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo de histórias. São Paulo: Moderna, 2005, p.19.
O trecho citado foi extraído de uma obra que compõe um conjunto de narrativas, textos, poemas, cantos, mitos, histórias orais, performances e produções escritas elaboradas por autores e autoras pertencentes aos diversos povos indígenas. Ela se caracteriza por expressar cosmovisões próprias, valores, memórias coletivas, modos de viver, relações com a natureza, com o território e com o sagrado, além de refletir questões políticas, históricas e identitárias desses povos. Trata-se da literatura