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A construção das políticas de saúde no Brasil se constituiu de movimentos distintos, porém articulados nos âmbitos do Estado e da sociedade civil. Nos anos 1930, início da construção de tais políticas, a medicina previdenciária tinha o objetivo de:
Nos debates que constituem o campo da saúde, autores defendem que há uma série de convergências e, portanto, uma relação entre o projeto ético-político do Serviço Social e o projeto de reforma sanitária, Desta forma, os grandes eixos se manifestam:
Conforme os Parâmetros para a Atuação de Assistentes Sociais na Saúde, as demandas dos usuários tendem a ser emergenciais e burocráticas. O assistente social deve direcionar seu trabalho com ações que busquem transpor o nível do imediato, a partirde um(a):
Com interesses, princípios e concepções diversos, a saúde, como um campo tensionado, apresenta dois projetos em disputa: o projeto privatista e o projeto da reforma sanitária. Nesse sentido,
No atual quadro de precarização dos serviços públicos, a política de saúde se estrutura de forma fragmentada, focalizada e seletiva. Esta reorganização impacta o trabalho do assistente social em várias dimensões, como no(a):
Ao assistente social, cada vez mais é demandada a participação na elaboração, gestão e avaliação do conjunto das políticas sociais. Na condição de gestor, o profissional deve construir a avaliação de políticas sociais públicas orientada pela:
O Serviço Social, durante a década de 1990, atravessa um processo de ruptura com o conservadorismo. Uma das expressões deste movimento se encontra no conjunto normativo da profissão. Nesta perspectiva, conforme o Código de Ética Profissional do Assistente Social, constitui-se como um dos seus princípios fundamentais:
Conforme a Lei de Regulamentação da Profissão, em seu artigo 5o, é considerada atribuição privativa do assistente social:
O debate contemporâneo acerca da família tem apresentado perspectivas conservadoras, mas outras progressistas. Logo, pensar a família sob este último prisma é concebê-la como:
Nas últimas décadas, o protagonismo da família nos diversos programas sociais, com conteúdo e objetivos diferentes, expressam tendências contemporâneas no âmbito da proteção social. Desta forma, para o Estado, a família tornou-se:
Partindo de uma abordagem crítica, as formas de registros utilizadas pelo Serviço Social, que se expressam na documentação, podem ser potencializadas na perspectiva de se tornarem:
Segundo as sistematizações sobre o debate acerca da dimensão técnica e operativa da profissão, são considerados instrumentos do Serviço Social:
O projeto ético-político do Serviço Social hoje hegemônico foi construído em um campo de tensionamentos e disputa com outros projetos. Desta forma, todo projeto profissional possui:
No cenário do capitalismo contemporâneo, desafios são colocados para o assistente social, sendo um dos mais significativos:
O assistente social possui alguns limites e possibilidades em sua intervenção nos diversos espaços sócio-ocupacionais, exercendo uma autonomia relativa, que se articula com o(a):
No debate do Serviço Social, a análise acerca de sua instrumentalidade requer a compreensão de que esta:
Em uma perspectiva crítica, a avaliação das políticas sociais tem como finalidade:
Nos anos 2000, as agências multilaterais assumem o papel de principais fomentadoras e promotoras das “políticas de alívio à pobreza", sobretudo nos países periféricos. Para o Banco Mundial (BIRD), a pobreza é entendida numa perspectiva:
A década de 1990, no Brasil, marca um período de significativas modificações na relação historicamente construída entre Estado e sociedade civil. Os impactos destas mudanças no âmbito das políticas sociais revelam:
Leia o texto abaixo e responda às questões propostas:
Guedes, um policial adepto do Princípio da Singeleza, de Ferguson – se existem duas ou mais teorias para explicar um mistério, a mais simples é a mais verdadeira –, jamais supôs que um dia iria encontrar a socialite Delfina Delamare. Ela, por sua vez, nunca havia visto um policial em carne e osso. O tira, como todo mundo, sabia quem era Delfina Delamare, a cinderela órfã que se casara com o milionário Eugênio Delamare, colecionador de obras de arte, campeão olímpico de equitação pelo Brasil, o bachelor mais disputado do hemisfério sul. Os jornais e revistas deram um grande destaque ao casamento da moça pobre que nunca saíra de casa, onde tomava conta de uma avó doente, com o príncipe encantado; e desde então o casal jamais deixou de ser notícia.
Houve um tempo em que os tiras usavam paletó, gravata e chapéu, mas isso foi antes de Guedes entrar para a polícia. Ele possuía apenas um terno velho, que nunca usava e que, de tão antigo, já entrara e saíra de moda várias vezes. Costumava vestir um blusão sobre a camisa esporte, a fim de esconder o revólver, um Colt Cobra 38, que usava sob o sovaco. [...]
Delfina Delamare nem sempre acompanhava o marido nas viagens. Na verdade ela não gostava muito de viajar. [...] Ela preferia ficar no Rio, trabalhandoemsuas obras filantrópicas.
O encontro entre Delfina e Guedes deu-se numa das poucas circunstâncias possíveis de ocorrer. Foi na rua, é claro, mas de maneira imprevista, para um e outro. Delfina estava no seu Mercedes, na rua Diamantina, uma rua sem saída no alto do Jardim Botânico. Quando chegou ao local do encontro Guedes já sabia que Delfina não estava dormindo, como chegaram a supor as pessoas que a encontraram, devido à tranquilidade do seu rosto e à postura confortável do corpo no assento do carro. Guedes, porém, havia tomado conhecimento, ainda na delegacia, do ferimento letal oculto pela blusa de seda que Delfina vestia.
O local já havia sido isolado pelos policiais. A rua Diamantina tinha árvores dos dois lados e, naquela hora da manhã, o sol varava a copa das árvores e refletia na capota amarelo-metálico do carro, fazendo-a brilhar como se fosse de ouro.
Guedes acompanhou atentamente o trabalho dos peritos do Instituto de Criminalística. Havia poucas impressões digitais no carro, colhidas cuidadosamente pelos peritos da polícia. Foram feitas várias fotos de Delfina, alguns closes da mão direita que segurava um revólver niquelado calibre 22. No pulso da mão esquerda, um relógio de ouro. Dentro da bolsa, sobre o banco do carro, havia um talão de cheques, vários cartões de crédito, objetos de maquiagem num pequeno estojo, um vidro de perfume francês, um lenço de cambraia, uma receita de papel timbrado do médico Pedro Baran (hematologia, oncologia) e um aviso de correio do Leblon para Delfina Delamare apanhar correspondência registrada. Esses dois documentos Guedes colocou no bolso. Havia no porta-luvas, além do documento do carro, um livro, Os Amantes, de Gustavo Flávio, com a dedicatória “Para Delfina que sabe que a poesia é uma ciência tão exata quanto a geometria, G.F.” A dedicatória não tinha data e fora escrita com uma caneta de ponta macia e tinta preta. Guedes colocou o livro debaixo do braço. Esperou a perícia terminar o seu lento trabalho no local; aguardou o rabecão chegar e levar o corpo da morta numa caixa de metal amassada e suja para ser autopsiado no Instituto Médico Legal. Delfina recebeu dos homens do rabecão o mesmo tratamento dos mendigos que caem mortos na sarjeta.
FONSECA, Rubem. Bufo & Spallanzani. 24 ed. rev. pelo autor. São Paulo: Companhia das Letras,1991, p. 13-14.