Questões de Concurso Comentadas para instituto consulplan

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Q3069591 História
Em fevereiro de 1848, houve um protesto em Paris contra a proibição dos banquetes, ordenada pelo Ministro François Guizot. Os tradicionais banquetes pela ampliação do sufrágio eram a forma da oposição driblar a proibição de comícios, mas, dessa vez, tudo desaguou numa onda popular. Os soldados abriram fogo e mataram dezenas de manifestantes no Boulevard des Capucines. Os motins não diminuíram, a Guarda Nacional passou ao lado dos rebeldes e no dia 24 de fevereiro a Monarquia Orleanista (1830-1848) caiu.

(RUDÉ, 1991, p. 183.)

As manifestações populares da Primavera dos Povos acabaram servindo à burguesia, pois:
Alternativas
Q3069590 História
Em 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas foi deposto em um Golpe Militar organizado por forças políticas civis e militares. Em seguida, iniciou-se um processo de desmontagem da estrutura do Estado Novo. E, em 18 de setembro de 1946, foi eleita a Assembleia Nacional Constituinte. Em nome dos princípios liberais foi permitido que se criassem condições favoráveis à entrada e saída de capital estrangeiros. A Constituição de 1946 restabeleceu a democracia como regime político; restituiu a divisão entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; reconheceu o voto secreto e universal para os maiores de 18 anos; preservou a legislação trabalhista; manteve o controle dos sindicatos pelo governo.

(Disponível em: https://anpuh.org.br/uploads/anais-simposios/pdf/ Acesso em: julho de 2024.)

Dentre as contradições que de certa forma explicam a deposição de Getúlio Vargas, depois dos seus quinze anos ininterruptos de poder, podemos apontar: 
Alternativas
Q3069589 Pedagogia
Como a nossa sociedade sofre um ritmo intenso de modificações, a escola e o ensino de história em especial têm de acompanhar esse processo sob pena de transmitir conhecimentos já ultrapassados. Para isso, deve incorporar os temas e as inovações tecnológicas com que os alunos já lidam no seu cotidiano. Constitui-se, hoje, para os educadores do ensino fundamental e médio, um desafio muito grande ensinar alunos que têm contato cada vez maior com os meios de comunicação e sofrem a influência da televisão, rádio, jornal, videogames[...], computador, redes de informações etc. Discutir a respeito da utilização das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação(TICs) no ensino de história não chega a ser uma novidade. Como nas demais áreas constituintes do currículo escolar, o campo da história tem sido objeto de estudos, que procura defender a utilização dos recursos tecnológicos como importante meio na busca de uma melhor realização do processo de ensino-aprendizagem, desde que: 
Alternativas
Q3069588 História
Mesmo antes de algumas das ditaduras da América virem à tona, grupos militares de diferentes países vinham ao Brasil para aprender “técnicas de interrogatório” e métodos de repressão, em uma complementação do que era passado na Escola das Américas. Havia formas de ação da rede, que não apenas trocava informações sobre os eleitos subversivos, mas também deslocava os prisioneiros e procurados sem a necessária burocracia e registros de transferência. Em múltiplas formas, a Operação Condor funcionou como um facilitador da repressão, guiada pela supressão do pensamento comunista e revolucionário (especialmente após a criação da Junta de Coordenação Revolucionária) em suas fronteiras e pelo princípio da cooperação internacional.
(QUADRAT, Samantha, 2006, p. 161-181.)

A Operação Condor, apesar do forte apelo anticomunista, visava não apenas aqueles ligados à ideologia. Nessa operação:
Alternativas
Q3069587 História
O antilusitanismo converteu-se no discurso da nacionalidade levado ao extremo; no nativismo exacerbado, que irmanava toda a classe de homens em um único sentimento compartilhado, resumido à derrubada do imperador. Mas não se pode simplificar a análise da situação. É preciso compreender os conflitos antilusitanos não apenas como disputas de nacionalidades, mas como rixas e divergências com conteúdo político bem mais amplo. Elas traziam em si, por um lado, propostas e ideias de liberdade e participação ativa; por outro, questões relacionadas ao mercado de trabalho setorizado, segmentado e hierarquizado.

(RIBEIRO, Gladys Sabina. 2002. p. 402.)

No contexto da Independência do Brasil e formação do Estado nacional brasileiro, o próprio príncipe D. Pedro personalizava uma ambiguidade, que acabou através de algumas ações, gerando polêmicas, uma vez que: 
Alternativas
Q3069586 Pedagogia
[...] Passados 136 anos da abolição formal da escravidão no Brasil, ainda vivemos em uma sociedade na qual persistem e são repercutidas dinâmicas e relações sociais referenciadas numa perspectiva racial discriminatória, preconceituosa, eurocêntrica, hierarquizante e hierarquizada. É bem sabido entre nós brasileiros que o fato de milhares de indivíduos, no final do século XIX, terem deixado a condição de escravizados não significou, de maneira alguma, uma transformação profunda em suas condições básicas de vida. O contexto pós-abolição não fez emergir uma real inclusão social dos negros libertos nas principais esferas políticas, econômicas e culturais do país, ao passo que, paralelamente, se registrou uma inferiorização desse grupo dentro do modelo cultural e identitário que foi historicamente constituído e construído como hegemonicamente nacional pela ideologia (dita “civilizatória”) do embranquecimento social.

(SCHWARCZ, 1993.)

O primeiro grande marco a nível nacional para uma mudança nas perspectivas do ensino ligado à diversidade étnico-racial no Brasil foi a publicação da Lei nº 10.639/2003, que concretizou alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/1996, estabelecendo, entre outras medidas: 
Alternativas
Q3069585 Pedagogia
Trabalhar com teoria e metodologia em sala de aula pode se tornar um fardo tanto para o professor quanto para o aluno, se o docente não pensar as definições operacionais que visem à escola e ao entendimento do aluno, conforme a sua vivência e seu meio. Os conceitos devem ser trabalhados a partir de um acontecimento histórico que convide o aluno a reflexão: [...] ao fazer leituras a respeito dos presidentes chilenos do século XX, o aluno deverá ser capaz de efetuar nomeações a partir de dois conceitos: regimes democráticos e regimes autoritários. Ao fazer esse exercício teórico, ele vai entrar em contato com as diferentes possibilidades de interpretação, ou de construção, do fato histórico.

(SEFFNER, 2000:261.)

O tratamento de fontes históricas é válido para ajudar nessa reflexão teórica. Pensando numa hipótese de prática especificamente nesse quesito (fontes históricas), para trabalhar as diferentes possibilidades de interpretação, ou de construção do fato histórico, podemos apontar como correta a seguinte atitude:
Alternativas
Q3069584 História
Desde a formação do Estado brasileiro, no início do século XIX, a história tem sido um conteúdo constante nos currículos escolares. Contudo, seus objetivos, propostas e metodologias de ensino nem sempre foram os mesmos. Isto porque, como campo de pesquisa e produção de saber, a história não possui uma abordagem unificada. Logo, no campo de ensino, as abordagens teóricas e metodológicas também variam. Podemos, então, situar a inclusão da história no currículo escolar no ano de 1827, pelo “Decreto das Escolas de Primeiras Letras”, a primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil. Segundo o texto desse decreto, a escola elementar (ou básica) deveria fornecer aos educandos noções básicas de política e moral cristã.

(Disponível em: https://acervo.cead.ufv.br/conteudo/pdf/ Acesso em: julho de 2024.)

Devido às variações nos currículos escolares referentes ao conteúdo da história, no período da Primeira República, por exemplo:
Alternativas
Q3069583 Pedagogia
O cinema não deve ser visto apenas como mais um recurso didático-pedagógico, mas também como forma de socialização, assim como a educação. Nesse sentido e, ainda, seguindo o que afirmam os PCNs: “a história não é ensinada apenas no espaço escolar, os alunos têm acesso a inúmeras informações e imagens transmitidas por diversos meios – rádio, livros, enciclopédias, jornais, revistas, televisão, cinema, vídeo e computadores –, que também difundem personagens, fatos, datas, cenários e costumes que os instigam a pensar sobre diferentes contextos e vivências”.

(MOCELLIN, 2003, p. 11.)

Uma série de obras e teorias embasam teoricamente o uso de filmes em sala de aula e destacam sua importância. Essa mídia, entre outras, pode e deve ser usada pelo professor de história, pois:
Alternativas
Q3068392 Literatura
Sobre o Modernismo na literatura brasileira, especialmente no que diz respeito aos principais escritores do movimento, assinale a afirmativa que descreve de maneira precisa a contribuição e o papel desses autores no período.
Alternativas
Q3068391 Literatura
Sobre o Barroco na literatura brasileira, a seguir, uma característica ou aspecto correto e bem contextualizado desse período literário.
Alternativas
Q3068389 Português
Roman Jakobson é uma presença constante nas ementas dos cursos de comunicação em todo o mundo. Seu modelo de comunicação foi amplamente difundido e até os dias de hoje é considerado por alguns como a reprodução fiel do processo de comunicação. Compreender as escolas que influenciaram seu trabalho e a biografia desse autor é de grande importância para que se tenha em mente o contexto histórico-acadêmico que gerou uma das correntes teóricas mais populares de nosso tempo.

(SANTEE; Temer, 2011, p. 73.)
Com base na teoria das funções da linguagem proposta por Roman Jakobson, qual das seguintes alternativas exemplifica corretamente a função referencial da linguagem, considerando seu papel em um texto?
Alternativas
Q3068388 Português
O trecho a seguir contextualiza à questão.

Há uma tendência recente no que tange à ciência linguística, envolvendo a criação de gramáticas por linguistas. Contudo, a Linguística, ao se estabelecer como uma disciplina científica no final do século XIX, não pretendia originalmente vincular sua pesquisa com o ensino de línguas (MARCUSCHI, 2016). É importante destacar, no entanto, que o desenvolvimento da gramática não se relaciona inerentemente com o ensino de línguas. Assim, certas gramáticas modernas elaboradas por linguistas foram projetadas especificamente com esse objetivo em mente: servir como recursos pedagógicos para a sala de aula.

(MARCUSCHI, L. A. O papel da linguística no ensino de línguas. Revista Diadorim, v. 18, n. 2. Em: dezembro de 2016)
Assinale a afirmativa que apresenta a análise correta sobre a coerência textual do trecho, considerando a relação entre a linguística, o desenvolvimento da gramática e o ensino de línguas.
Alternativas
Q3068387 Linguística
O trecho a seguir contextualiza à questão.

Há uma tendência recente no que tange à ciência linguística, envolvendo a criação de gramáticas por linguistas. Contudo, a Linguística, ao se estabelecer como uma disciplina científica no final do século XIX, não pretendia originalmente vincular sua pesquisa com o ensino de línguas (MARCUSCHI, 2016). É importante destacar, no entanto, que o desenvolvimento da gramática não se relaciona inerentemente com o ensino de línguas. Assim, certas gramáticas modernas elaboradas por linguistas foram projetadas especificamente com esse objetivo em mente: servir como recursos pedagógicos para a sala de aula.

(MARCUSCHI, L. A. O papel da linguística no ensino de línguas. Revista Diadorim, v. 18, n. 2. Em: dezembro de 2016)
No contexto do ensino de Língua Portuguesa, os tipos de gramática desempenham papéis distintos na abordagem da língua. Sobre os tipos de gramática e seu impacto no ensino, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q3068386 Pedagogia
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e suas diretrizes para o ensino de Língua Portuguesa, reflete corretamente a abordagem esperada para a integração das práticas pedagógicas no desenvolvimento das habilidades linguísticas dos alunos:
Alternativas
Q3068385 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
No trecho “Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, [...]” (7º§), a função gramatical da expressão “e quando os abriu” (7º§) é:
Alternativas
Q3068384 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
No contexto do texto, a expressão “Fechou os olhos e de repente… estava lá.” (1º§) é um exemplo de informalidade na língua porque:
Alternativas
Q3068383 Português
Texto para respondeu à questão.

Viagem no tempo

        Tinha um dom único: viajar no tempo. Sem máquina, maquinaria, apetrechos ou afins. Um deslocar-se assustadoramente unidirecional: voltava no tempo. Jamais podia avançar no futuro. Descobriu o dom assim, do nada. Na juventude, 12 ou 13 anos, perdido entre lâminas afiadas do arrependimento, desejou voltar atrás e refazer tudo. Fechou os olhos, e de repente… estava lá. O mesmo corpo. A mesma cena. Um minuto antes. Tempo suficiente para desfazer a bobagem. Ou melhor ainda, nem sequer cometê-la.
            Atordoado, passou dias dominado pelo terror. Demorou anos para reunir coragem e realizar o feito, novamente. Foi aos 18 anos. Quando disse para a mulher que amava que ela era a pior coisa que lhe tinha acontecido. O momento de irreflexão. A raiva aflorando na pele ressequida, descontentamento. O desejo de fazer outrem se sentir tão pesaroso quanto si próprio. A palavra desferida. Os olhos dela marejando lágrimas. O arrependimento lhe rasgando artéria pulmonar e aorta. Ventrículo despedaçado. Arrependeu-se. Então, fechou os olhos e conseguiu: 20 segundos antes. Já estava com a boca aberta para desferir irreflexão mordaz, quando a fechou, respirou fundo, repensou palavras e sentimentos, e arrematou:
                – Odeio quando brigamos. Eu preciso do seu sorriso. Me deixe lutar por ele.
         Namoro rompido salvo pela viagem no tempo. Um corpo que sangra, agora, estancado. Idílio no lugar do choro arrependido.
            Achou que deveria explorar o dom. O medo circulava em suas veias entupidas. Sangue coagulado. Mas precisava enfrentá-lo. Começou aos poucos. Voltou dois minutos em um dia. Cinco, em outro. Dez, no seguinte. Aos poucos, conquistou coragem. Sua confiança rompendo vasos. O sangue ganhando espaço. 200 km por hora. Que tal um salto maior? Cansou-se dos minutos. Desta vez, voltaria um ano. Fechou os olhos, e conseguiu.
            Aos 27 anos, descontente com os rumos que sua vida tomara, suspirou. Vida amorosa, profissão, vida social. Refaria tudo se pudesse. Refaria. Se pudesse. Mas podia. E faria.
            Sentiu falta dos tempos de infância. Sabia que era uma loucura. A viagem era unilateral. Se voltasse para sua infância, precisaria reviver tudo novamente, alterando o que quisesse, refazendo o que lhe conviesse. Cansado da morbidez do agora, decidiu enfrentar a viagem. Fechou os olhos, e quando os abriu, estava num corpo franzino, pés descalços, canela perebenta. No meio da casa. A casa de sua infância. Ofegante. O corpo ardendo. Gosto de sangue. Um corpo que arde. Viu-se com o rosto banhado em lágrimas. Tudo doía. Tudo. O pai, monstruoso e bêbado, de pé em sua frente, cinta em mãos. Ergueu o braço para golpeá-lo novamente. Péssima época ele escolheu para retornar. Não tinha um registro de tudo o que lhe acontecera. Se tivesse, evitaria voltar em épocas traumatizantes como esta. Antes que o violento golpe do pai lhe fosse desferido outra vez, quis fugir de tudo aquilo. Fechou os olhos e desejou voltar muito, muito, muito tempo antes disso.
               Tempo demais.
          Acabou voltando para quando ainda nem tinha nascido. Fechou os olhos. E não mais os abriu. Inconsistente. Inconsciente. Jazendo na infinita escuridão.
          Ainda levaria 50 anos para que seu pequenino corpo voltasse a deixar o ventre de sua mãe para ser finalmente reapresentado à luz.

(Disponível em: https://corrosiva.com.br/cronicas-pequenas/viagem-tempo. Acesso em: setembro de 2024.)
Qual foi o principal motivo que levou o protagonista a usar seu dom de viajar no tempo na sua juventude? 
Alternativas
Q3068382 Pedagogia
Na avaliação escolar, como em qualquer outro tipo de avaliação, é necessário estabelecer critérios, senão não temos como perceber se o aluno está ou não se aproximando ao que dele se espera. Os critérios representam o que é julgado essencial em uma determinada área de conhecimento e tornam claras as referências utilizadas para a avaliação, servindo de base para a construção de fontes mais seguras de informações sobre o ponto que está a aprendizagem avaliada e o que falta para chegar ao desejado. Acerca dos critérios de avaliação, analise as afirmativas a seguir.
I. A clareza e a compreensão dos critérios de avaliação pelos alunos são fundamentais para a construção da autonomia intelectual, pois permitem que eles direcionem seus estudos e compreendam o que se espera deles.
II. A participação dos alunos na construção e discussão dos critérios de avaliação promove uma relação mais democrática e colaborativa entre professor e alunos, além de favorecer a aprendizagem significativa.
III. A flexibilidade dos critérios de avaliação é fundamental para garantir que o processo avaliativo seja adaptado às necessidades e particularidades de cada turma e de cada aluno.
IV. A utilização de instrumentos de avaliação que não se alinham aos critérios estabelecidos compromete a validade e a confiabilidade do processo avaliativo.
V. Os alunos podem sugerir modificações nos critérios de avaliação, o que significa deixar de levar em conta os objetivos que os originaram.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q3068381 Pedagogia
A sala de aula é um complexo, é um mundo, digamos, é a alma da escola, onde as coisas acontecem, ou não. Ao tratar daquilo que normalmente mais ocupa o docente, a questão do conteúdo, da metodologia, da construção do conhecimento, sentimos necessidade de situar a reflexão no contexto maior da sala de aula, justamente para não reduzir a complexidade da atividade docente. O trabalho com o conhecimento, embora nuclear, não esgota o trabalho do professor. Existem outras duas dimensões que devem ser agregadas quando pensamos na gestão da sala de aula: relacionamento interpessoal e organização da coletividade de sala de aula. Sobre o relacionamento interpessoal entre professor e alunos, analise as afirmativas a seguir.
I. É fundamental para a construção do conhecimento e o desenvolvimento humano do estudante, mas não interfere diretamente no processo de ensino-aprendizagem.
II. A capacidade do professor de conhecer cada aluno individualmente é essencial para uma prática pedagógica eficaz, independentemente das condições de trabalho e da complexidade das turmas.
III. A construção de um vínculo positivo entre professor e aluno é crucial para a criação de um ambiente de aprendizagem seguro e colaborativo, onde os estudantes se sintam motivados a aprender e a superar desafios.
IV. O amor à profissão e o compromisso com a aprendizagem de todos os alunos são elementos fundamentais para o sucesso da prática pedagógica e para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
V. O professor deve priorizar a individualidade de cada aluno, desconsiderando as características e as necessidades do grupo como um todo.

Está correto o que se afirma apenas em
Alternativas
Respostas
11121: A
11122: A
11123: C
11124: D
11125: C
11126: B
11127: C
11128: A
11129: D
11130: A
11131: D
11132: D
11133: A
11134: D
11135: D
11136: C
11137: D
11138: B
11139: D
11140: A