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Dante Luchesi (2002, p. 65) afirma que, […] a título de exemplificação dentro da realidade brasileira, podemos tomar a distinção enfatizada [...] entre norma padrão e norma culta: a primeira reuniria as formas contidas e prescritas pelas gramáticas normativas, enquanto a segunda conteria as formas efetivamente depreendidas da fala dos segmentos plenamente escolarizados [...]”.
Fonte: LUCHESI, Dante. Norma linguística e realidade social. In: BAGNO, Marcos (Org.). Linguística da Norma. São Paulo: Loyola, 2002.
Diante desse posicionamento e considerando a realidade plural e heterogênea da realidade linguística brasileira, é CORRETO afirmar que:
De acordo com a BNCC (Brasil, 2017, p. 71), com relação à leitura, afirma-se que esta prática:
[...] compreende as práticas de linguagem que decorrem da interação ativa do leitor/ouvinte/espectador com os textos escritos, orais e multissemióticos e de sua interpretação, sendo exemplos as leituras para: fruição estética de textos e obras literárias; pesquisa e embasamento de trabalhos escolares e acadêmicos; realização de procedimentos; conhecimento, discussão e debate sobre temas sociais relevantes; sustentar a reivindicação de algo no contexto de atuação da vida pública; ter mais conhecimento que permita o desenvolvimento de projetos pessoais, dentre outras possibilidades.
Fonte: Brasil. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Língua Portuguesa – Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2017. p. 71.
Nesse panorama, analise as afirmativas a seguir:
I- A leitura do livro é privilegiada pelo olhar do discurso oficial, devendo igualmente ser privilegiada na escola em detrimento de outras formas de ler.
II- Ler para degustar o ato de ler não é considerado uma prática de leitura válida pelo discurso oficial sobre leitura.
III- Esta concepção de leitura se estrutura na tríade autor-texto-leitor/ouvinte/expectador.
IV- É na esfera pública que se validam as diversas possibilidades da esfera de atuação humana possibilitadas pela leitura.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Leia a seguinte concepção de língua/linguagem presente em Moura Neves (2018, p. 37).
Qualquer falante sabe o que é linguagem e sabe, também, particularmente, o que é linguagem verbal, essa linguagem de que nos valemos quando, no uso, combinamos as palavras da língua segundo a sua sintaxe, (o seu arranjo nas frases), de um modo em que forma e sentido se integrem. No uso, produzimos uma infinidade de construções, [...] sempre na revelação de que, na linguagem, nunca podemos entender que o todo seja uma simples soma de partes.
Fonte: MOURA NEVES, Maria Helena de. A Gramática do Português revelada em textos. São Paulo: Editora UNESP, 2018. p. 37.
Esta concepção de gramática se baseia no(s) (na):
Leia esta definição sobre língua/linguagem no referencial a seguir.
Assume-se aqui a perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, já assumida em outros documentos, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), para os quais a linguagem é “uma forma de ação interindividual orientada para uma finalidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes numa sociedade, nos distintos momentos de sua história” (Brasil, 1997, p. 20)
Fonte: BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Língua Portuguesa – Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2017. p. 67.
Partindo da definição lida, marque a alternativa CORRETA
O Texto III abaixo contempla a questão.
TEXTO III
A teoria de Vygotsky diz muito sobre as forças que moldam a aprendizagem das crianças. Ele enfatiza o papel da cultura e da linguagem no desenvolvimento cognitivo, e diz muito sobre a relação especial que existe entre professores e alunos (Lefrançois, 2017). A situação abaixo, adaptada do autor citado anteriormente, permite exemplificar alguns aspectos importantes dessa teoria:
Situação. Leonardo e Daniel são dois garotos de 7 anos que podem, ambos, em circunstâncias normais,
sem a ajuda de outras pessoas, responder adequadamente às mesmas perguntas respondidas pela média
das crianças de 7 anos e realizar tarefas mais ou menos ao mesmo tempo. Suponha que, quando
estimulado e ajudado por um professor e por crianças mais experientes, Leonardo consiga, com sucesso,
realizar tarefas e responder perguntas mais características de crianças de 9 anos, e Daniel não. Suponha
ainda que, as perguntas e tarefas que Leonardo respondeu e realizou com assistência do professor e das
outras crianças mais experientes, ao passar do tempo, ele conseguirá realizar sozinho.
O Texto III abaixo contempla a questão.
TEXTO III
A teoria de Vygotsky diz muito sobre as forças que moldam a aprendizagem das crianças. Ele enfatiza o papel da cultura e da linguagem no desenvolvimento cognitivo, e diz muito sobre a relação especial que existe entre professores e alunos (Lefrançois, 2017). A situação abaixo, adaptada do autor citado anteriormente, permite exemplificar alguns aspectos importantes dessa teoria:
Situação. Leonardo e Daniel são dois garotos de 7 anos que podem, ambos, em circunstâncias normais,
sem a ajuda de outras pessoas, responder adequadamente às mesmas perguntas respondidas pela média
das crianças de 7 anos e realizar tarefas mais ou menos ao mesmo tempo. Suponha que, quando
estimulado e ajudado por um professor e por crianças mais experientes, Leonardo consiga, com sucesso,
realizar tarefas e responder perguntas mais características de crianças de 9 anos, e Daniel não. Suponha
ainda que, as perguntas e tarefas que Leonardo respondeu e realizou com assistência do professor e das
outras crianças mais experientes, ao passar do tempo, ele conseguirá realizar sozinho.
Sobre a situação apresentada no Texto III, analise as afirmativas a seguir à luz da teoria de Vygotsky.
I- O fato de Leonardo conseguir, com o passar do tempo, realizar atividades que anteriormente ele só realizaria com o suporte de outra pessoa, é um exemplo de que aquilo que é zona de desenvolvimento proximal hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã.
II- A zona de desenvolvimento proximal de Leonardo é maior do que a de Daniel, pois abrange uma esfera maior de funções mentais.
III- O nível de desenvolvimento potencial é exemplificado pelas funções mentais utilizadas por Leonardo e Daniel para realizarem, sem necessidade de suporte, atividades que outras crianças com a mesma idade deles realizaram.
IV- A zona de desenvolvimento proximal é exemplificada pelas funções mentais utilizadas por Leonardo para realizar, só que mediante ajuda de outra pessoa mais experiente, atividades que outras crianças com idade mais avançada que a dele realizaram.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Para responder a questão, leia o texto II.
TEXTO II
Uma professora, após definir os objetivos educacionais de uma unidade didática para ser implementada na escola, passou a se dedicar ao planejamento e elaboração das atividades e provas que deveriam ser realizadas para viabilizar a avaliação dos processos de ensino e aprendizagem que aconteceria nesse contexto. No sentindo de realizar essas atividades docentes de maneira mais segura, ela se apoiou nas ideias de Libâneo (2014), de modo a relembrar o conceito e as funções da avaliação na prática escolar. Com essa proposta, a professora além de pensar em atividades e provas que seriam aplicadas no início, durante e no final da unidade didática, também aprimorou os objetivos educacionais anteriormente definidos. Dessa forma, ela ficou mais confiante de que a avaliação que pretendia realizar cumpriria com as suas funções.
Para responder a questão, leia o texto II.
TEXTO II
Uma professora, após definir os objetivos educacionais de uma unidade didática para ser implementada na escola, passou a se dedicar ao planejamento e elaboração das atividades e provas que deveriam ser realizadas para viabilizar a avaliação dos processos de ensino e aprendizagem que aconteceria nesse contexto. No sentindo de realizar essas atividades docentes de maneira mais segura, ela se apoiou nas ideias de Libâneo (2014), de modo a relembrar o conceito e as funções da avaliação na prática escolar. Com essa proposta, a professora além de pensar em atividades e provas que seriam aplicadas no início, durante e no final da unidade didática, também aprimorou os objetivos educacionais anteriormente definidos. Dessa forma, ela ficou mais confiante de que a avaliação que pretendia realizar cumpriria com as suas funções.
Considerando o cenário do Texto II, analise as afirmativas a seguir sobre as funções da avaliação escolar que a professora pretende realizar.
I- Com os resultados provenientes das atividades e provas realizadas no início da unidade didática, a professora poderá realizar uma avaliação diagnóstica, que permita identificar progressos e dificuldades de seus estudantes em relação ao objeto de conhecimento.
II- A variedade de atividades e provas elencadas pela professora e o momento em que elas serão realizadas na unidade didática viabilizará o cumprimento da função de controle da avaliação.
III- A avaliação diagnóstica durante o desenvolvimento das aulas permitirá que a professora faça o acompanhamento do progresso dos estudantes e tenha informações sobre como está conduzindo o seu trabalho.
IV- A avaliação escolar, essa que a professora deseja realizar, cumpre pelo menos duas funções: de diagnóstico e de controle. Essas funções atuam de forma independentes, devendo ser somente o estudante o objeto da avaliação.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
O Texto VI é um editorial, leia-o para responder a questão.
CRACOLÂNDIAS ESPALHADAS
Grupos de usuários, antes restritos à região central, se dispersam por São Paulo
22 jul. 2024, às 22h00
Apesar de existir equipamentos públicos de atendimento a dependentes químicos e pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, a principal abordagem da prefeitura sobre a cracolândia tem sido a policial, com operações para dispersar aglomerações de usuários da droga no centro da capital.
Mas outros bairros possuem agrupamentos do tipo; e as ações das forças de segurança no centro podem ter contribuído para espalhar os dependentes para outras zonas da metrópole.
É o que mostra levantamento exclusivo desta Folha, com dados da Secretaria de Segurança Pública obtidos por meio da Lei Folha de Acesso à Informação. O trabalho mostrou que, no ano passado, a cidade tinha 72 concentrações de usuários distribuídas em 47 bairros. No estado, 160, em 45 municípios.
Na capital, a maioria estava na zona leste (20) e no centro (15). A periferia era a região mais afetada. Mas foram registradas aglomerações em bairros nobres, como Alto de Pinheiros e Pinheiros. São Bernardo e Guarulhos, na região metropolitana, lideram a lista estadual com 8 cada; Campinas, com 7, vem em seguida.
O consumo de crack a céu aberto por grandes grupos de usuários, como os vistos principalmente no centro, causa transtornos a moradores e comerciantes, não só com barulho e acúmulo de lixo nas vias, mas com aumento de crimes, como roubos e furtos. Já os usuários sofrem com a dependência.
Passa da hora de o poder público implementar uma política multidisciplinar integrada (saúde, segurança, moradia e geração de renda) contínua e de longo prazo para combater o problema sem infringir direitos humanos —casos da violência policial e de internações compulsórias indevidas.
No setor específico da segurança, devem-se alocar recursos em inteligência investigativa, para conter o tráfico e eliminar fontes de financiamento das facções; e em policiamento ostensivo para proteger moradores e comerciantes.
Caso contrário, as cracolândias continuarão a se espalhar. Em ano de eleições municipais, candidatos precisam mostrar projetos factíveis, e os eleitores devem exigi-los.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/07/cracolandias-espalhadas.shtml. Acesso em: 25 jul. 2024.
No tocante ao funcionamento linguístico-discursivo do texto em estudo, as assertivas a seguir. analise
I- O texto traz dados estatísticos para endossar a ideia central de que a atuação da prefeitura com relação às cracolândias em São Paulo causou a sua disseminação para outros bairros da cidade, inclusive para bairros considerados nobres.
II- O termo agrupamentos do tipo (“Mas outros bairros possuem agrupamentos do tipo”) evita a repetição desnecessária do referente cracolândia.
III- A ideia de que, em São Paulo, os dependentes químicos e pessoas em situação de rua estão em sofrimento e necessitam, sim, de políticas públicas que tenham um impacto positivo sobre a sua cidadania e qualidade de vida atua como um contra-argumento com relação à opinião de que essas pessoas merecem ser enquadradas pela polícia como quaisquer outros contraventores.
IV- O autor do editorial não é contrário à polícia no contexto da problemática das cracolândias em São Paulo, mas sim à violência policial contra as pessoas que formam esses agrupamentos.
É CORRETO o que se afirma em:
O Texto VI é um editorial, leia-o para responder a questão.
CRACOLÂNDIAS ESPALHADAS
Grupos de usuários, antes restritos à região central, se dispersam por São Paulo
22 jul. 2024, às 22h00
Apesar de existir equipamentos públicos de atendimento a dependentes químicos e pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, a principal abordagem da prefeitura sobre a cracolândia tem sido a policial, com operações para dispersar aglomerações de usuários da droga no centro da capital.
Mas outros bairros possuem agrupamentos do tipo; e as ações das forças de segurança no centro podem ter contribuído para espalhar os dependentes para outras zonas da metrópole.
É o que mostra levantamento exclusivo desta Folha, com dados da Secretaria de Segurança Pública obtidos por meio da Lei Folha de Acesso à Informação. O trabalho mostrou que, no ano passado, a cidade tinha 72 concentrações de usuários distribuídas em 47 bairros. No estado, 160, em 45 municípios.
Na capital, a maioria estava na zona leste (20) e no centro (15). A periferia era a região mais afetada. Mas foram registradas aglomerações em bairros nobres, como Alto de Pinheiros e Pinheiros. São Bernardo e Guarulhos, na região metropolitana, lideram a lista estadual com 8 cada; Campinas, com 7, vem em seguida.
O consumo de crack a céu aberto por grandes grupos de usuários, como os vistos principalmente no centro, causa transtornos a moradores e comerciantes, não só com barulho e acúmulo de lixo nas vias, mas com aumento de crimes, como roubos e furtos. Já os usuários sofrem com a dependência.
Passa da hora de o poder público implementar uma política multidisciplinar integrada (saúde, segurança, moradia e geração de renda) contínua e de longo prazo para combater o problema sem infringir direitos humanos —casos da violência policial e de internações compulsórias indevidas.
No setor específico da segurança, devem-se alocar recursos em inteligência investigativa, para conter o tráfico e eliminar fontes de financiamento das facções; e em policiamento ostensivo para proteger moradores e comerciantes.
Caso contrário, as cracolândias continuarão a se espalhar. Em ano de eleições municipais, candidatos precisam mostrar projetos factíveis, e os eleitores devem exigi-los.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/07/cracolandias-espalhadas.shtml. Acesso em: 25 jul. 2024.
Para responder a questão, leia o texto V.
Texto V

Fonte: Quino. Mafalda. Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/39617671711906286/. Acesso em: 25 jul. 2024.
Ainda com relação ao enunciado presente no último quadrinho da tira (“Bem que dizem que repartir é morrer um pouco"), analise as assertivas abaixo.
I- As duas ocorrências da palavra que correspondem à mesma função sintática.
II- A segunda ocorrência da palavra que atende à função sintática de conjunção integrante.
III- Os verbos repartir e morrer e estão no infinitivo.
IV- Em “ Bem que dizem ”, tem-se uma oração sem sujeito.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Para responder a questão, leia o texto V.
Texto V

Fonte: Quino. Mafalda. Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/39617671711906286/. Acesso em: 25 jul. 2024.
Para responder à questão, leia o texto IV.
Texto IV

Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/516999232226210857/. Acesso em: 15 jul. 2024.
Analise as assertivas abaixo.
I- A oração “Cortamos a sua carne” não apresenta um problema de coerência textual.
II- As relações lógico-semânticas presentes na oração “Cortamos a sua carne” em relação à frase “na hora e a seu gosto” geram um efeito de sentido humorístico não pretendido.
III- Ao reescrever “Cortamos a sua carne” por “Fatiamos a sua carne”, o problema de coerência textual é resolvido.
IV- A forma verbal Aperte está conjugada no modo subjuntivo.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
O Texto III é uma tira a seguir. Leia-a atentamente para responder a questão.
Texto III

Disponível em: https://www.instagram.com/p/C87vmlEPJmS/?img_index=1. Acesso em: 15 jul. 2024.
Leia o período composto presente no primeiro quadrinho:
Perco o amigo, mas não perco a piada.
A oração em destaque é CORRETAMENTE classificada como:
O Texto III é uma tira a seguir. Leia-a atentamente para responder a questão.
Texto III

Disponível em: https://www.instagram.com/p/C87vmlEPJmS/?img_index=1. Acesso em: 15 jul. 2024.
Acerca da tira, analise as assertivas abaixo.
I- A pergunta de Dolores no último quadrinho dispara o efeito de humor da tira.
II- O valor argumentativo de Então no segundo quadrinho desvincula a pergunta de Dolores à afirmação de Dona Anésia no primeiro quadrinho e estabelece a noção semântica de tempo.
III- A pergunta de Dolores no segundo quadrinho investe a afirmação de Dona Anésia no primeiro quadrinho de um valor semântico de contradição.
IV- A partícula expletiva É que no terceiro quadrinho tem o valor de realce e não exerce nenhuma função sintática.
V- No último quadrinho, o enunciado “É que você é à prova de piadas”, caso se troque prova por teste, considerando-se apenas o aspecto da regência, não ocorre a presença de preposição antes do artigo . o.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
O texto II, um meme, deve ser lido para responder a questão.
Texto II

Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/106890191135095194/. Acesso em: 15 jul. 2024
Leia atentamente o texto I para responder a questão.
Texto I - MEMÓRIA: ESQUECER PARA LEMBRAR
Nossas cabeças estão cada vez mais cheias. Ao mesmo tempo, esquecemos cada vez mais coisas. A explicação disso acaba de ser descoberta – e é surpreendente
Por Bruno Garattoni e Gisela Blanco
Atualizado em 31 mar. 2017, 11h56 - Publicado em 5 fev. 2011, 22h00
Você conhece uma pessoa e logo depois esquece o nome dela? Nunca sabe onde largou as chaves de casa, a carteira, os óculos? Vai ao supermercado e sempre deixa de comprar alguma coisa porque não se lembra? E de vez em quando, bem no meio de uma conversa, para e se pergunta sobre o que é que estava falando mesmo? Você não é o único. Bem-vindo ao mundo moderno. Devem existir uns 6 bilhões de pessoas com o mesmo problema. No meio de tudo o que escolhemos e temos para fazer é difícil se lembrar de alguma coisa. Isso você já sabe. O que você não sabe é que a sua memória tem uma capacidade incrível, muito maior do que jamais imaginou. E a chave para dominá-la não é tentar se lembrar de cada vez mais coisas: é aprender a esquecer.
[...] Por que esquecemos quando queremos lembrar? A resposta acaba de ser descoberta, e vai contra tudo o que sempre se pensou sobre memória. A ciência sempre acreditou que uma memória puxa a outra, ou seja, lembrar-se de uma coisa ajuda a recordar outras. Em muitos casos, isso é verdade (é por isso que, quando você se lembra de uma palavra que aprendeu na aula de inglês, por exemplo, logo em seguida outras palavras vêm à cabeça. Mas um estudo revolucionário, que foi publicado por cientistas ingleses e está causando polêmica entre os especialistas, descobriu o oposto. Quando você se lembra de algo, isso pode gerar uma consequência negativa – enfraquecer as outras memórias armazenadas no cérebro. “O enfraquecimento acontece porque se lembrar de uma coisa é como reaprendê-la”, explica o psicólogo James Stone, da Universidade de Sheffield. Vamos explicar.
As memórias são formadas por conexões temporárias, ou permanentes, entre os neurônios. Suponha que você pegue um papelzinho onde está escrito um endereço de rua. O seu cérebro usa um grupo de neurônios para processar essa informação. Para memorizá-la, fortalece as ligações entre eles – e aí, quando você quiser se lembrar do endereço, ativa esses mesmos neurônios. Beleza. Só que nesse processo parte do cérebro age como se tal informação (o endereço de rua) fosse uma coisa inteiramente nova, que deve ser aprendida. E esse pseudoaprendizado acaba alterando, ainda que só um pouquinho, as conexões entre os neurônios. Isso interfere com outros grupos de neurônios, que guardavam outras memórias, e chegamos ao resultado: ao se lembrar de uma coisa, você esquece outras. [...]
“Esquecer faz parte de uma memória saudável”, afirma o neurocientista Ivan Izquierdo, diretor do centro de memória da PUC-RS e autor do livro A Arte de Esquecer. Até 99% das informações que vão para a memória somem alguns segundos ou minutos depois. Isso é um mecanismo de limpeza que ajuda a otimizar o trabalho do cérebro. Se tudo ficasse na cabeça para sempre, ele viraria um depósito de entulho. Isso nos tornaria incapazes de focar em qualquer coisa e atrapalharia bastante o dia-a-dia. Afinal, para que saber onde você estacionou o carro na semana passada? O importante é se lembrar de onde o deixou hoje de manhã. O esquecimento também é um trunfo da evolução. Imagine se as mulheres pudessem se lembrar exatamente, nos mínimos e mais arrepiantes detalhes, a dor que sentiram durante o parto? Provavelmente não teriam outros filhos. Aliás, recordar-se de tudo pode ter efeitos psicológicos graves. É o caso da americana Jill Price, de 44 anos [...]. Ela sabe tudo o que aconteceu, comeu e fez em cada dia dos últimos 29 anos. Por causa disso, tem problemas psiquiátricos e sofre para levar uma vida normal. “Imagine se você conseguisse se lembrar de todos os erros que já cometeu”, explica. Seria horrível. [...]
GAROTTINI, Bruno; BLANCO, Gisele, Memória: esquecer para lembrar. 31 mar. 2017. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/memoria-esquecer-para-Memória:
lembrar. Acesso em: 15 jul. 2024. Adaptado.
A locução ou seja , presente no período “A ciência sempre acreditou que uma memória puxa a outra, ou seja, lembrar-se de uma coisa ou seja ou seja ajuda a recordar outras”, exerce a função de: