Questões de Concurso Comentadas para vunesp

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Q3858790 Pedagogia
Luckesi (2014) afirma que a “avaliação, do ponto de vista epistemológico, se configura como uma investigação da qualidade da realidade”. Para o autor, a investigação avaliativa que tem como objetivo final revelar uma compreensão da realidade demanda descrever a realidade investigada e
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Q3858789 Pedagogia
A partir das contribuições de Vygotsky, Horn (2004) afirma a importância do brincar para a criança. A autora identifica como uma implicação pedagógica importante que emerge de seus postulados a necessidade de um espaço de sala de aula organizado que
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Q3858788 Pedagogia
Formosinho e Formosinho (2013) propõem como perspectiva educativa a Pedagogia-em-Participação, que consiste na criação de ambientes pedagógicos em que as interações e as relações sustentam atividades e projetos conjuntos, que permitem à criança e ao grupo coconstruir a sua própria aprendizagem e celebrar as suas realizações.
Segundo os autores, essa pedagogia tem como coração de suas crenças, valores e de seus princípios 
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Q3858787 Pedagogia
Leia o excerto a seguir, adaptado de Fochi (2019):
Tem como processos inerentes observar, registrar, interpretar para projetar e comunicar. Para Malaguzzi, educador de Reggio Emilia, esses processos significam a possibilidade de discutir e dialogar “tudo com todos”. Ao mesmo tempo em que se produz memória acerca das crianças, da Pedagogia e da ação docente, também se converte em uma plataforma democrática, aberta ao diálogo, à troca e ao compartilhamento. Logo, é um fórum em que as múltiplas vozes são incluídas, escutadas e visibilizadas.

O elemento descrito por Fochi é, especificamente,
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Q3858786 Pedagogia
Leia o texto a seguir para responder a questão.

        A professora Rosângela Veloso vivenciou uma sequência de atividades envolvendo conhecimentos sobre bichos e plantas com uma turma do Grupo 5 do Centro de Educação Infantil 14 BIS, que pertence à Rede Municipal da Prefeitura de Recife. Rosângela já tinha percebido que a presença dos bichos na escola, principalmente no refeitório, durante o horário do lanche, despertava muita curiosidade nas crianças. Em setembro, a professora Rosângela propôs às crianças uma pesquisa pelas áreas abertas da escola. Nesse momento, sugeriu que elas observassem e registrassem as suas descobertas desenhando ou escrevendo num caderno, como preferissem. Antes disso, a educadora relembrou a leitura que o grupo havia feito do livro A primavera da lagarta, de Ruth Rocha, e destacou que talvez alguns insetos que faziam parte da história poderiam ser encontrados durante a pesquisa.

(Rosa Brandão, 2021. Adaptado)
Suponha que a professora Rosangela esteja conversando com uma das crianças sobre seus registros. A criança, de 5 anos, indica à professora onde escreveu “tatu-bolinha” e, em outro local, “borboleta”, ambos representados por um conjunto de letras, aparentemente aleatórias. Pouco depois, Rosângela observa que essa mesma criança lê em voz alta para sua dupla de trabalho: “O tatu é cinza, e a borboleta voa”.
Com base no que defende Ferreiro (1985) a respeito da alfabetização na educação infantil, o episódio narrado indica que crianças da faixa etária entre 4 e 5 anos
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Q3858785 Pedagogia
Leia o texto a seguir para responder a questão.

        A professora Rosângela Veloso vivenciou uma sequência de atividades envolvendo conhecimentos sobre bichos e plantas com uma turma do Grupo 5 do Centro de Educação Infantil 14 BIS, que pertence à Rede Municipal da Prefeitura de Recife. Rosângela já tinha percebido que a presença dos bichos na escola, principalmente no refeitório, durante o horário do lanche, despertava muita curiosidade nas crianças. Em setembro, a professora Rosângela propôs às crianças uma pesquisa pelas áreas abertas da escola. Nesse momento, sugeriu que elas observassem e registrassem as suas descobertas desenhando ou escrevendo num caderno, como preferissem. Antes disso, a educadora relembrou a leitura que o grupo havia feito do livro A primavera da lagarta, de Ruth Rocha, e destacou que talvez alguns insetos que faziam parte da história poderiam ser encontrados durante a pesquisa.

(Rosa Brandão, 2021. Adaptado)
De acordo com Girão e Brandão (in: Brandão; Rosa, 2021), a experiência de registro da pesquisa de campo realizada pela professora Rosângela deve ser compreendida como exemplo de 
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Q3858784 Pedagogia
Cavalleiro (2024) aponta que a escola, como a sociedade, silencia conflitos étnicos. Ao concluir sua pesquisa, a autora alerta que a escola oferece aos alunos, brancos e negros,
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Q3858783 Pedagogia
Bortolanza (2017) apresenta a seguinte metáfora: “se o pensamento é uma nuvem que chove palavras, a emoção é o vento que move a nuvem”. Para a autora, isso significa que
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Q3858782 Pedagogia
Böck, Gesser e Nuernberg (2020) observam que “quando o ensino é ministrado com pouca atenção aos diferentes modos utilizados pelas pessoas para acessarem o conhecimento, pautado em perspectivas normocêntricas, é maior a necessidade de recursos adicionais como, por exemplo, o uso da tecnologia ou, ainda, de apoio humano”.
Os autores destacam que esse cenário tem como consequência
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Q3858781 Pedagogia
De acordo com Bettio, Miranda e Schmidt (2021), o Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) é utilizado com o propósito de 
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Q3858780 Pedagogia
A respeito dos usos do espaço na educação infantil, leia o excerto a seguir, adaptado de Barbosa e Horn (in: Craidy; Kaercher, 2001):
O espaço deve promover a _______________________ sem a mediação direta do adulto, através do desafio por meio de jogos, materiais e livros, onde, em pequenos grupos ou individualmente, as crianças possam progredir intelectualmente.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna
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Q3858779 Pedagogia
Para que se possa redimensionar a concepção de currículo diante do trabalho com projetos pedagógicos, Barbosa e Horn (2008) defendem ser preciso passar da ideia de programa escolar para a de programação. Isso quer dizer que o currículo, ante a concepção de projetos das autoras, deve ser
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Q3858778 Matemática
Em uma caixa de formato cúbico, cujas medidas internas das arestas são 40 cm, foram colocados 4 vasilhames cilíndricos retos idênticos. Cada vasilhame tangencia duas faces da caixa, e, também, outros dois desses vasilhames, conforme a vista superior da caixa a seguir:
Imagem associada para resolução da questão
Qual é o volume, em litros, de um desses vasilhames?
Utilize: π = 3 e 1 L = 1 dm3 = 1000 cm3
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Q3858777 Matemática
Uma escola que tem 7 classes de Educação Infantil convocou os familiares dos alunos para uma reunião de apresentação do projeto pedagógico anual. A tabela a seguir mostra o número de familiares que compareceram à reunião por classe.

Imagem associada para resolução da questão

Sabendo que a média aritmética simples do número de familiares por classe é 15, então o número total de familiares das classes B e F é igual a 
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Q3858776 Matemática
O sábado de eventos em uma escola terá início às 8 horas e término às 12 horas, com um intervalo de 30 minutos. Serão 5 atividades, sendo que as 3 primeiras, contínuas, ocorrerão antes do intervalo, e as outras 2 atividades, também contínuas, ocorrerão após o intervalo. As 3 primeiras atividades deverão ter a mesma duração entre si e 10 minutos a mais do que cada uma das 2 atividades que ocorrerão após o intervalo.
Se essas condições forem exatamente cumpridas quanto aos horários e às durações, é correto afirmar que o intervalo deverá ser iniciado às
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Q3858767 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de regência.
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Q3858766 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância.
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Q3858764 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que a neurologista entrevistada e as pesquisas científicas citadas
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Q3858763 Português
Surdez e Alzheimer

        À primeira vista, a relação entre a surdez e o Alzheimer parece não fazer muito sentido. Afinal, como o fato de não escutar pode influenciar no aparecimento de um transtorno neurodegenerativo como o Alzheimer ou vice-versa? Apesar das duas condições terem características bastante diferentes, ambas podem, sim, estar diretamente ligadas.

        “Nós ouvimos com a ajuda dos nossos cérebros, portanto, o ato de ouvir, em si, já é uma forma de exercitar as nossas vias neurais. Patologias neurodegenerativas, como o Alzheimer, afetam não só as vias cerebrais que controlam a memória, mas também as vias auditivas”, afirma a neurologista do Hospital Dia Campo Limpo, Mayra Magalhães Silva. Dessa forma, a pessoa com Alzheimer pode ter a sua função auditiva afetada de maneira precoce ou profunda. E, da mesma forma, o inverso pode acontecer, ou seja, uma pessoa com audição alterada e sem nenhum cuidado pode ter mais chances de desenvolver problemas cognitivos, como o Alzheimer, em um estágio posterior da vida.

        Recente estudo publicado pela revista The Lancet Public Health indica que pessoas entre 40 e 69 anos têm um risco 42% maior de desenvolver degeneração neurocognitiva, caso tenham perda auditiva e não usem aparelho, comparadas às que utilizam os dispositivos. Outro estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostra ainda que, a cada dez decibéis perdidos na audição, o risco de desenvolver doenças cerebrais, como o Alzheimer, aumenta em 27%.

        Segundo a neurologista, além dessas estimativas, existem outros fatores que podem estimular ainda mais o aparecimento do quadro. “Muitas vezes, pessoas com perda auditiva não tratada têm tendência a se isolar socialmente e, consequentemente, a sentir solidão e depressão. E esses quadros, por sua vez, intensificam o risco de estagnação mental, aumentando ainda mais o risco de desenvolver demência”, explica.

(Estado de Minas, “Surdez e Alzheimer: como um quadro pode impactar o outro e como prevenir”.
Disponível em: https://www.em.com.br/saude/. Adaptado)
Segundo o texto, a relação entre surdez e Alzheimer pode ser estabelecida porque
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Q3858760 Português
Os cavalos brancos de Napoleão

        A princípio os cavalos eram mansos. Foi só depois de certa convivência, ganhando intimidade, que começaram a tornar-se perigosos, passando da mansidão à secura e da secura à agressividade. Quando isso aconteceu, já tudo estava perdido. Na verdade talvez estivesse desde sempre, pois convenhamos, ver cavalos – e ainda por cima brancos – não é muito normal. E quem sabe a doçura do início fosse apenas um estratagema: se de imediato os cavalos tivessem se mostrado como realmente eram, é provável que Napoleão não os recebesse.

        Antes, antes de tudo, Napoleão era advogado. Carregava consigo um sobrenome tradicional e as demais condições não menos essenciais para ser um bom profissional. Sua vida se arrastava juridicamente, como se estivesse destinado à advocacia. Em sua própria casa, à hora das refeições, todos dias sempre se desenrolavam movimentadíssimos julgamentos. Dos quais ele era o réu. Acusado de não dar um anel de brilhantes para a esposa nem um fusca para o filho nem uma saia maryquantiana para a filha. Eventuais visitas faziam corpo de jurados, onde às vezes colaboravam criados mais íntimos, sempre concordando com a esposa, promotora tenaz e capciosa. Treinado desse jeito, diariamente e com a vantagem de estar na doce intimidade do dulcíssimo lar, não era de admirar que fosse advogado competente. Sobretudo, experiente. Entre papéis de defensor e acusado, dividia-se em paciência. Nome nos jornais, causas vitoriosas, vezenquando faziam-no sorrir gratificado, pensando que, enfim, nem tudo estava perdido, ora. Mas estava. Embora ele não soubesse.

       Deu-se nas férias, na praia, quando olhou para as nuvens. E o fato de ter visto exatamente cavalos – ainda mais exatamente, brancos – talvez tivesse mesmo a ver com seu nome, como mais tarde insinuaram os psiquiatras. Se se chamasse Ali ou Mustafá, provavelmente teria visto camelos? Ou touros, se seu nome fosse Juan ou Pablo? Mas na primeira visão isso não teve importância. Simplesmente viu, com a simplicidade máxima que há no primeiro movimento do ato de ver. Tão natural achou que cutucou a esposa deitada ao lado, apontando, olha só, Marta, cavalos brancos nas nuvens. Não havia espanto nem temor nas suas palavras. Apenas a reação espontânea de quem vê o belo: mostrar. Marta disse não enche, Napoleão, coisa chata cutucar com este calor.

        Como ele insistisse, afastou os óculos ray-bans e deu uma espiada. Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos. Tranquilizada, passou um pouco mais de bronzeador argentino nas coxas. O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens. E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes – equinidade absoluta nos movimentos. Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar. Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso. Sentir aos poucos vai exigindo uma série de coisas outras, até o momento em que não se pode mais prescindir do que foi simples constatação.

(Caio Fernando Abreu, O essencial da década de 1970, 2017. Adaptado)
Em “E entre elas passavam, ora galopantes, ora trotando, uma brancura, uma pureza tão grandes…” (4º parágrafo), a expressão “ora… ora”, destacada, expressa 
Alternativas
Respostas
3481: C
3482: B
3483: C
3484: E
3485: C
3486: E
3487: B
3488: B
3489: D
3490: D
3491: C
3492: A
3493: A
3494: B
3495: B
3496: C
3497: D
3498: C
3499: D
3500: A