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Desde os fundamentos lançados por Friedrich Ratzel, que vinculou a vitalidade do Estado à expansão territorial (Lebensraum), passando pela ênfase de Halford Mackinder na geopolítica euroasiática, até a inflexão crítica de Yves Lacoste, que reposiciona a disciplina como saber estratégico, a geopolítica consolidou-se como campo analítico das relações entre poder e espaço. No século XXI, em meio à multipolaridade, à financeirização global e às disputas em torno de recursos estratégicos petróleo, água, terras raras e fluxos digitais, a geopolítica amplia seus objetos de análise, incorporando corporações, redes financeiras, atores não estatais e novas dimensões ambientais e tecnológicas.
Considerando essa trajetória e os debates contemporâneos, assinale a proposição mais consistente com a literatura especializada:
O conceito de desenvolvimento sustentável, consagrado pelo Relatório Brundtland (1987), propõe satisfazer as necessidades do presente sem comprometer as futuras gerações, articulando crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental. No entanto, sua apropriação por discursos empresariais e políticos têm frequentemente esvaziado o conteúdo transformador da noção. O greenwashing exemplifica esse processo, ao transformar sustentabilidade em recurso retórico que legitima práticas sem alterar estruturas produtivas. Diante disso, o conceito tornou-se campo de disputas entre perspectivas normativas e usos pragmáticos, exigindo leitura crítica refinada.
Considerando essa problemática, assinale a proposição mais consistente com a literatura crítica:
A história da cartografia demonstra que projeções não são meras operações geométricas, mas escolhas técnicas atravessadas por intencionalidades políticas. A projeção de Mercator, concebida em 1569, serviu à expansão marítima europeia, mas reforçou a centralidade simbólica do Norte. Já a projeção de Peters, divulgada em 1973, buscou corrigir distorções de área, enfatizando proporcionalidade entre continentes e problematizando desigualdades globais. Autores como Harley e Wood destacam que toda representação cartográfica é prática discursiva carregada de poder.
Assinale a proposição mais consistente com essa leitura crítica:
A economia brasileira, desde os ciclos coloniais até a centralidade contemporânea das commodities agrícolas e minerais, revela a permanência de um padrão primário-exportador, associado a desigualdades estruturais. Autores como Caio Prado Júnior e Celso Furtado denunciaram a dependência externa e a concentração fundiária como entraves históricos ao desenvolvimento autônomo. Embora o agronegócio atual incorpore tecnologias avançadas e insira o país em cadeias globais de valor, persistem críticas quanto aos impactos socioambientais, à concentração de renda e à fragilidade da diversificação produtiva.
Com base nessa leitura, assinale a proposição mais consistente com a análise estruturalista:
O processo de urbanização no Brasil, intensificado a partir da segunda metade do século XX, esteve articulado ao êxodo rural, à industrialização tardia e à constituição de metrópoles marcadas pelo crescimento desordenado. Autores como Henri Lefebvre e Milton Santos interpretam a cidade como espaço de disputa, em que o direito à cidade se confronta com lógicas de exclusão. A metropolização concentrou investimentos e atividades estratégicas, enquanto a periferização produziu desigualdades no acesso à moradia, à mobilidade e aos serviços urbanos, revelando contradições estruturais do desenvolvimento.
À luz dessas interpretações, assinale a proposição mais consistente com a literatura crítica sobre urbanização:
A diversidade amazônica tem sido explicada por hipóteses distintas, entre as quais a teoria dos refúgios, formulada a partir de estudos paleoclimáticos. Essa hipótese sustenta que, durante períodos glaciais do Pleistoceno, áreas úmidas preservadas funcionaram como núcleos de conservação e expansão de espécies, favorecendo processos de especiação e endemismo. Embora contestada por modelos alternativos como os das barreiras fluviais ou do gradiente ambiental, a teoria dos refúgios segue sendo revisitada por evidências paleoecológicas e genômicas.
Assinale a proposição mais coerente com essa hipótese:
A crise hídrica em diferentes regiões brasileiras conferiu centralidade geopolítica às águas subterrâneas. O Aquífero Guarani, estendendo-se por Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, é uma das maiores reservas de água doce do mundo. Sua gestão exige cooperação internacional, pois a exploração em uma área pode comprometer a integridade do sistema. Estudos apontam vulnerabilidades como contaminação difusa, apropriação privada e uso predatório, reforçando a necessidade de políticas transfronteiriças sustentáveis.
Assinale a proposição mais consistente com essa problemática:
A morfogênese do relevo resulta da interação entre dinâmicas endógenas tectonismo, vulcanismo e orogênese e processos exógenos de intemperismo, erosão e sedimentação. A teoria da tectônica de placas explica a origem de cadeias orogênicas, dorsais oceânicas e fossas, enquanto agentes superficiais remodelam continuamente essas formas em escalas geológicas. Assim, o relevo deve ser lido como produto histórico de forças sobrepostas.
Assinale a proposição mais consistente com essa concepção:
A climatologia contemporânea, baseada em séries históricas e modelagens dinâmicas, distingue tempo e clima sem estabelecer uma dicotomia rígida. O tempo refere-se a variações de curta duração, perceptíveis no cotidiano, enquanto o clima resulta de padrões estatísticos em escalas mais longas, articulando múltiplos condicionantes naturais e antrópicos. Essa diferenciação é essencial para compreender vulnerabilidades socioambientais e orientar políticas de adaptação.
Assinale a proposição mais coerente com essa concepção:
O debate epistemológico da geografia, conforme Milton Santos, redefiniu o espaço como “conjunto indissociável de sistemas de objetos e de ações”, superando visões que o concebiam como mero suporte físico. Essa chave interpretativa alcança a categoria de território, entendida como instância de poder, apropriação e significação, fundamental para o ensino crítico de Ciências, na medida em que promove a leitura da produção social do espaço.
Assinale a proposição mais coerente com essa perspectiva:
O uso das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no ensino da Educação Física suscita reflexões sobre inclusão, criticidade e inovação pedagógica, conforme apontam Kenski (2012), Moran (2018) e Gomes & Silva (2021). Em um projeto que busca integrar gamificação e ambientes virtuais ao ensino dos esportes, diferentes concepções emergem. Analise as proposições e marque V (verdadeiro) ou F (falso):
( ) A incorporação de TDICs pode favorecer processos de feedback e engajamento, mas apenas quando mediada por intencionalidade pedagógica e articulação a objetivos curriculares claros.
( ) O uso das tecnologias inviabiliza a criticidade, conduzindo necessariamente à passividade discente e à mera reprodução de conteúdos digitais.
( ) O emprego acrítico das TDICs pode reforçar desigualdades de acesso e aprofundar a exclusão, demandando análise contextual e mediação docente cuidadosa.
( ) As TDICs constituem substitutos plenos da ação docente, legitimando sua utilização como estratégia prioritária de ensino em detrimento da mediação humana.
( ) A integração tecnológica, além de superar a lógica recreativa, é respaldada por propostas curriculares e por produções científicas que a reconhecem como instrumento de inovação formativa.
Um professor de Educação Física discute com seus alunos diferentes formas de ensinar esportes coletivos, apresentando tanto o modelo técnicotradicional quanto o Teaching Games for Understanding (TGfU). A partir desse cenário, avalie as proposições a seguir e marque V (verdadeiro) ou F (falso):
( ) O modelo técnico-tradicional privilegia a repetição de fundamentos isolados e a automatização de gestos, ainda que desconsiderando, em grande parte, o contexto tático do jogo.
( ) O TGfU enfatiza a resolução de problemas situacionais, articulando técnica, tática e tomada de decisão a partir da lógica interna dos jogos.
( ) Ambas as abordagens compartilham fundamentos pedagógicos idênticos, distinguindo-se apenas na nomenclatura adotada pelos autores.
( ) O modelo técnico-tradicional aproxima-se da perspectiva mecanicista de ensino, enquanto o TGfU sustenta-se em referenciais construtivistas que valorizam a compreensão crítica do jogo.
( ) No TGfU, a aprendizagem ocorre exclusivamente pela repetição técnica, sendo a dimensão reflexiva secundária e pouco relevante.