Questões de Concurso Sobre português nível médio

Questões Discursivas

Foram encontradas 97.762 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3249469 Português
2023 foi o ano mais quente já registrado; a previsão é
que este ano seja ainda mais




Em 2024, as tendências climáticas globais são motivo de alarme profundo e otimismo cauteloso. O ano passado foi o mais quente já registrado por uma enorme margem e este ano provavelmente será mais quente ainda. A temperatura média global anual pode, pela primeira vez, ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais – um limiar crucial para estabilizar o clima da Terra. Sem uma ação imediata, corremos o sério risco de cruzar pontos de inflexão irreversíveis no sistema climático da Terra. No entanto, há razões para esperança.


As emissões globais de gases de efeito estufa podem atingir o pico neste ano e começar a cair. Este seria um ponto de virada histórico, anunciando o fim da era dos combustíveis fósseis, à medida que o carvão, o petróleo e o gás são cada vez mais substituídos por tecnologias de energia limpa.


Mas temos de fazer mais do que tirar o pé do acelerador de aquecimento – temos de pisar no freio. Para evitar o pior da crise climática, as emissões globais devem cair aproximadamente pela metade até 2030. A tarefa é monumental, mas possível, e não poderia ser mais urgente. Não é fim de jogo. É início de jogo.


No ano passado, a Terra foi a mais quente desde o início dos registros. O início das condições de El Niño no Oceano Pacífico ajudou a elevar as temperaturas globais a novos patamares. O Copernicus Climate Change Service da União Europeia descobriu que 2023 foi 1,48 °C mais quente do que a média pré-industrial.


Temperaturas globais mais quentes em 2023 trouxeram eventos extremos e desastres em todo o mundo. Como ondas de calor mortais no verão do hemisfério norte, incêndios florestais devastadores no Canadá e no Havaí e chuvas recordes em muitos lugares, incluindo Coreia, África do Sul e China.


O ano passado também foi o mais quente já registrado para os oceanos do mundo. Mais de 90% do calor do aquecimento global é armazenado nos oceanos. As temperaturas nas águas são um indicador claro do aquecimento do nosso planeta, revelando um aumento ano a ano e uma aceleração na taxa de aquecimento.


O aquecimento dos oceanos significou para partes de 2023 que a extensão do gelo marinho nas regiões polares da Terra foi a mais baixa já registrada. Durante o inverno do hemisfério sul, o gelo marinho na Antártida ficou mais de 1 milhão de quilômetros quadrados abaixo do recorde anterior – uma área de gelo mais de 15 vezes o tamanho da Tasmânia.


Este ano pode ser mais quente ainda. Há uma chance razoável de 2024 terminar com uma temperatura média global mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Os governos concordaram, por meio do Acordo de Paris, em trabalhar juntos para limitar o aquecimento global a 1,5 °C, porque o aquecimento além desse limiar representa enormes perigos para a humanidade.


O acordo refere-se a tendências de longo prazo na temperatura, não a um único ano. Portanto, ultrapassar 1,5 °C em 2024 não significaria que o mundo deixou de cumprir a meta de Paris. No entanto, em tendências de longo prazo, estamos no caminho certo para ultrapassar o limite de 1,5 °C no início da década de 2030.


À medida que o planeta aquece, corremos agora um sério risco de cruzar “pontos de inflexão” irreversíveis no sistema climático da Terra – incluindo a perda de mantos de gelo polares, o aumento associado do nível do mar e o colapso das principais correntes oceânicas. Esses pontos de inflexão representam limiares que, quando ultrapassados, desencadearão mudanças abruptas e perpetuantes no clima e nos oceanos do mundo. São ameaças de uma magnitude nunca antes enfrentada pela humanidade – portas de mão única pelas quais não queremos passar.


Em 2024 também há muitos motivos para esperança.


Nas negociações climáticas da COP28 das Nações Unidas, em dezembro de 2023, governos de quase 200 países concordaram em acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis nesta década crucial. A queima de combustíveis fósseis é a principal causa da crise climática.


Temos a tecnologia necessária para substituir os combustíveis fósseis em toda a nossa economia: na geração de eletricidade, transporte, aquecimento, alimentação e processos industriais. De fato, a crescente demanda do mercado por tecnologias de energia limpa – eólica, solar, baterias e carros elétricos – está agora substituindo tecnologias poluentes, como veículos movidos a carvão e motores a combustão, em escala global.


O mundo adicionou 510 bilhões de watts de capacidade de energia renovável em 2023, 50% a mais do que em 2022 e equivalente a toda a capacidade de energia da Alemanha, França e Espanha juntas. Espera-se que os próximos cinco anos vejam um crescimento ainda mais rápido das energias renováveis.


A mudança acelerada para tecnologias de energia limpa significa que as emissões globais de gases de efeito estufa podem cair em 2024. Uma análise recente da Agência Internacional de Energia (AIE), com base nas políticas declaradas dos governos, sugere que as emissões podem, de fato, ter atingido o pico no ano passado. A conclusão é apoiada por uma análise do instituto Climate Analytics, que encontrou 70% de chance de as emissões caírem a partir de 2024 se o crescimento atual das tecnologias limpas continuar.


Um número crescente de grandes economias ultrapassou seus picos de emissões, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido e o Japão. A China é atualmente o maior emissor do mundo, contribuindo com 31% do total global no ano passado. Mas o crescimento explosivo dos investimentos em energia limpa significa que as emissões da China não devem apenas cair em 2024, mas entrar em declínio estrutural.


Além disso, a China está passando por um boom na fabricação de energia limpa e uma expansão histórica de energias renováveis – especialmente solar. Espera-se um crescimento igualmente explosivo para baterias e veículos elétricos. Um pico nas emissões globais é motivo de otimismo – mas não será suficiente. As emissões de gases de efeito estufa ainda se acumularão na atmosfera e impulsionarão um aquecimento catastrófico, até que as aproximemos o máximo de zero possível.


O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alerta que as emissões globais devem cair pela metade até 2030 para manter a meta de 1,5 °C ao alcance. A tarefa é gigantesca, mas possível. A Austrália está fazendo grandes avanços na implantação de energia renovável. Mas os governos estaduais e federal estão minando esse progresso ao aprovar novos projetos de combustíveis fósseis.


Cada novo desenvolvimento de carvão, petróleo ou gás põe em perigo todos nós. A Austrália deve reformar urgentemente sua lei ambiental nacional – a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade – para acabar com novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis.


Da mesma forma, os ganhos da Austrália em energia renovável foram compensados pelo aumento das emissões em outros setores, principalmente nos transportes. É hora de implementar padrões de eficiência de combustível há muito prometidos e reduzir essas emissões. Além desses próximos passos práticos imediatos, a Austrália tem muito trabalho pela frente para mudar das exportações de combustíveis fósseis para alternativas limpas. 


A oportunidade para a Austrália desempenhar um papel positivo importante na jornada de descarbonização do mundo é inegável, mas essa janela de oportunidade está se estreitando rapidamente.


(Fonte: Wesley Morgan. Este texto foi republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Disponivel em: https://esginsights.com.br/por-que2024-e-um-ano-determinante-para-a-crise-climatica/ ). 
De acordo com a discussão trazida pelo artigo, qual é um dos principais motivos para alarme nas tendências climáticas globais em 2024?
Alternativas
Q3249468 Português
Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do
idioma usada no Brasil influencia Portugal.



No final de janeiro, uma postagem feita por uma página portuguesa de conteúdos anti-imigração no X (antigo Twitter) denunciou a existência de uma placa de trânsito escrita em “português brasileiro” em Sintra, na área metropolitana de Lisboa.


“Sinal rodoviário escrito em português brasileiro diz que é proibida a circulação excepto a ‘trens’ e bicicletas”, diz a postagem, que traz também uma foto da placa que supostamente “assassina a língua de Camões que é o português europeu”.


O grande problema, segundo o autor do post, é que a palavra "trens" teria sido retirada do português usado no Brasil, já que em Portugal o meio de transporte ferroviário é chamado de “comboio”.


O fato, porém, é que a palavra "trem" existe também no português europeu, mas com um significado distinto. Em Portugal, pode ser “um carro de cavalos destinado ao transporte de pessoas”, ou uma carruagem, de acordo com a definição do dicionário da Porto Editora.


O episódio faz eco a muitos outros casos de portugueses "puristas" que cada vez mais rejeitam a presença de vocabulários e construções brasileiras na língua falada em seu país.


Esse repúdio fica claro em muitas das reações às notícias e manchetes de jornal que denunciam há alguns anos a influência dos conteúdos produzidos por brasileiros nas redes sociais e no YouTube nas crianças e jovens portugueses.


Enquanto alguns veem a cobertura da imprensa como exagerada e apontam o peso da xenofobia nas visões propagadas, outros fazem coro às queixas e temem que a presença cada vez maior dos vocábulos importados seja sinal de um "apagamento" da cultura local. 


Há ainda quem aponte o grande e crescente fluxo migratório - havia 360 mil brasileiros em Portugal em 2022, segundo o Itamaraty - como outro fator que contribui para isso. Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos? E qual a verdadeira extensão dessa influência?


Para Fernando Venâncio, linguista português que estuda o tema há décadas, há sim uma presença cada vez maior de traços importados do outro lado do Atlântico no idioma falado em terras portuguesas. Mas isso não é novidade. “Desde finais dos anos 1970 e princípios dos anos 1980, houve uma aquisição de brasileirismos gigantesca”, diz Venâncio, autor do livro O Português à Descoberta do Brasileiro.


Na época, isso foi um reflexo principalmente do sucesso das novelas brasileiras em Portugal, explica o linguista. Agora, há um fenômeno novo em curso, que envolve principalmente as crianças e adolescentes. "Em Portugal, eles veem cada vez mais youtubers brasileiros, às vezes, por muitas horas”, diz Venâncio.


A portuguesa Paula Lourenço é professora de escolas de ensino fundamental em Sintra há 24 anos. Ela dá aulas para crianças entre 9 e 10 anos e diz que o uso de expressões e palavras brasileiras pelos seus alunos é cada vez mais evidente.


“Neste momento, na escola, tenho um caso de um aluno que fala ‘brasileiro’ apesar de os pais serem portugueses”, conta. A professora relata que esse aluno começou a ser vítima de uma espécie de bullying, com colegas implicando com a forma como ele fala.


"Por fim, descobrimos que ele ficava até altas horas da noite sem supervisão a ver vídeos, principalmente aqueles shorts [vídeos curtos] que são reproduzidos um atrás do outro.” Segundo Paula, o gosto pelos vídeos produzidos por influenciadores e youtubers do Brasil é compartilhado por praticamente todos os seus alunos. “Houve um boom principalmente durante a pandemia. Até eu já estou um pouco aficionada pelos youtubers brasileiros, porque comecei a ver para acompanhar o que meus alunos gostam”, diz a professora. 


O linguista Xoán Lagares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), nota que ainda “há muito preconceito em relação ao português do Brasil porque ele se diferencia em muitos pontos, sobretudo na sintaxe do que é a tradição normativa portuguesa constituída em Portugal”.


“Então, para muitos portugueses, as diferenças são identificadas como erros, como uma deturpação do português”. Mas, segundo Lagares, especialista em história social e cultural das línguas, não existe uma versão mais correta da língua.


“No caso do português, não há uma gramática oficial. Há uma tradição normativa que se manifesta em gramáticas e dicionários”, explica. Essa tradição tem sua origem em Portugal e foi elaborada a partir dos usos considerados de prestígio no país.


“O que aconteceu é que no Brasil foram se desenvolvendo outros usos de prestígio em relação à gramática”, diz o professor.


Por isso, vigora hoje no Brasil uma tradição normativa autoral e interpretativa, que pode variar conforme a gramática e a visão dos seus autores. Para alguns linguistas, as diferenças entre as variedades que se estabeleceram dos dois lados do Atlântico já são tão grandes que deveria haver uma separação definitiva entre o português e o brasileiro.


Xoán Lagares, porém, afirma que ainda é difícil falar em suas línguas separadas: “Em termos de descrição linguística, não há um critério para dizer em que momento duas variantes se tornam línguas diferentes. Esse é um problema em várias partes do mundo. Por isso, muitas vezes, é apenas uma questão política.”


Mas qual a real influência do português do Brasil em Portugal, para além das críticas embutidas nas manchetes de jornais e dos "brasileirismos" denunciados nas redes sociais?


Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, é difícil prever o impacto que isso pode ter ao longo do tempo. Até o momento, há poucas pesquisas publicadas que analisam o fenômeno – e novas expressões, palavras e estrangeirismos surgem e desaparecem nas línguas a todo tempo. “Alguns youtubers brasileiros têm muita qualidade, e não é por acaso que as crianças assistem e também aprendem com eles”, diz Fernando Venâncio.


“Mas é impossível dizer se esse fenômeno novo vai ter futuro, porque também há alguns youtubers portugueses que estão a aprender bastante com os brasileiros e estão a produzir mais coisas com alguma qualidade.”


Para ele, a influência atual se dá sobretudo na sintaxe e a partir de algumas construções específicas. Ou seja, não engloba toda a língua.


“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer”, diz. “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”


O linguista afirma ainda que o próprio preconceito demonstrado por alguns portugueses em relação à variedade brasileira deve barrar qualquer influência maior.


“Há muitas questões identitárias, de reconhecimento da própria variedade e de lealdade linguística envolvidas”, afirma.


Ela é categórica ao afirmar que o português falado em Portugal não sofrerá mudanças profundas e permanentes a partir dessa influência, ao menos por enquanto: "Como linguistas, não esperaríamos que em tão pouco tempo e em um conjunto numericamente não tão significativo assim de falantes pudesse ter uma influência decisiva sobre a língua".


" Havia essa mesma preocupação, segundo ela, nos anos 1970, quando as novelas brasileiras eram muito populares".


"Também se dizia (àquela época) que muitas construções lexicais e até gramaticais iriam ser introduzidas na variedade portuguesa. Mas não foi tanto assim". (...). "É uma moda como outra qualquer, circunscrita no tempo.", diz.


(Julia Braun Role, BBC Brasil em Londres. 2 abril 2024. TEXTO ADAPTADO).
“Tenho atualmente um aluno na escola que se refere à língua portuguesa como 'brasileiro', mesmo que seus pais sejam portugueses”, relata o professor. Com base nesse trecho, qual é a implicação cultural do uso da palavra "brasileiro" para se referir à língua?
Alternativas
Q3249467 Português
Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do
idioma usada no Brasil influencia Portugal.



No final de janeiro, uma postagem feita por uma página portuguesa de conteúdos anti-imigração no X (antigo Twitter) denunciou a existência de uma placa de trânsito escrita em “português brasileiro” em Sintra, na área metropolitana de Lisboa.


“Sinal rodoviário escrito em português brasileiro diz que é proibida a circulação excepto a ‘trens’ e bicicletas”, diz a postagem, que traz também uma foto da placa que supostamente “assassina a língua de Camões que é o português europeu”.


O grande problema, segundo o autor do post, é que a palavra "trens" teria sido retirada do português usado no Brasil, já que em Portugal o meio de transporte ferroviário é chamado de “comboio”.


O fato, porém, é que a palavra "trem" existe também no português europeu, mas com um significado distinto. Em Portugal, pode ser “um carro de cavalos destinado ao transporte de pessoas”, ou uma carruagem, de acordo com a definição do dicionário da Porto Editora.


O episódio faz eco a muitos outros casos de portugueses "puristas" que cada vez mais rejeitam a presença de vocabulários e construções brasileiras na língua falada em seu país.


Esse repúdio fica claro em muitas das reações às notícias e manchetes de jornal que denunciam há alguns anos a influência dos conteúdos produzidos por brasileiros nas redes sociais e no YouTube nas crianças e jovens portugueses.


Enquanto alguns veem a cobertura da imprensa como exagerada e apontam o peso da xenofobia nas visões propagadas, outros fazem coro às queixas e temem que a presença cada vez maior dos vocábulos importados seja sinal de um "apagamento" da cultura local. 


Há ainda quem aponte o grande e crescente fluxo migratório - havia 360 mil brasileiros em Portugal em 2022, segundo o Itamaraty - como outro fator que contribui para isso. Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos? E qual a verdadeira extensão dessa influência?


Para Fernando Venâncio, linguista português que estuda o tema há décadas, há sim uma presença cada vez maior de traços importados do outro lado do Atlântico no idioma falado em terras portuguesas. Mas isso não é novidade. “Desde finais dos anos 1970 e princípios dos anos 1980, houve uma aquisição de brasileirismos gigantesca”, diz Venâncio, autor do livro O Português à Descoberta do Brasileiro.


Na época, isso foi um reflexo principalmente do sucesso das novelas brasileiras em Portugal, explica o linguista. Agora, há um fenômeno novo em curso, que envolve principalmente as crianças e adolescentes. "Em Portugal, eles veem cada vez mais youtubers brasileiros, às vezes, por muitas horas”, diz Venâncio.


A portuguesa Paula Lourenço é professora de escolas de ensino fundamental em Sintra há 24 anos. Ela dá aulas para crianças entre 9 e 10 anos e diz que o uso de expressões e palavras brasileiras pelos seus alunos é cada vez mais evidente.


“Neste momento, na escola, tenho um caso de um aluno que fala ‘brasileiro’ apesar de os pais serem portugueses”, conta. A professora relata que esse aluno começou a ser vítima de uma espécie de bullying, com colegas implicando com a forma como ele fala.


"Por fim, descobrimos que ele ficava até altas horas da noite sem supervisão a ver vídeos, principalmente aqueles shorts [vídeos curtos] que são reproduzidos um atrás do outro.” Segundo Paula, o gosto pelos vídeos produzidos por influenciadores e youtubers do Brasil é compartilhado por praticamente todos os seus alunos. “Houve um boom principalmente durante a pandemia. Até eu já estou um pouco aficionada pelos youtubers brasileiros, porque comecei a ver para acompanhar o que meus alunos gostam”, diz a professora. 


O linguista Xoán Lagares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), nota que ainda “há muito preconceito em relação ao português do Brasil porque ele se diferencia em muitos pontos, sobretudo na sintaxe do que é a tradição normativa portuguesa constituída em Portugal”.


“Então, para muitos portugueses, as diferenças são identificadas como erros, como uma deturpação do português”. Mas, segundo Lagares, especialista em história social e cultural das línguas, não existe uma versão mais correta da língua.


“No caso do português, não há uma gramática oficial. Há uma tradição normativa que se manifesta em gramáticas e dicionários”, explica. Essa tradição tem sua origem em Portugal e foi elaborada a partir dos usos considerados de prestígio no país.


“O que aconteceu é que no Brasil foram se desenvolvendo outros usos de prestígio em relação à gramática”, diz o professor.


Por isso, vigora hoje no Brasil uma tradição normativa autoral e interpretativa, que pode variar conforme a gramática e a visão dos seus autores. Para alguns linguistas, as diferenças entre as variedades que se estabeleceram dos dois lados do Atlântico já são tão grandes que deveria haver uma separação definitiva entre o português e o brasileiro.


Xoán Lagares, porém, afirma que ainda é difícil falar em suas línguas separadas: “Em termos de descrição linguística, não há um critério para dizer em que momento duas variantes se tornam línguas diferentes. Esse é um problema em várias partes do mundo. Por isso, muitas vezes, é apenas uma questão política.”


Mas qual a real influência do português do Brasil em Portugal, para além das críticas embutidas nas manchetes de jornais e dos "brasileirismos" denunciados nas redes sociais?


Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, é difícil prever o impacto que isso pode ter ao longo do tempo. Até o momento, há poucas pesquisas publicadas que analisam o fenômeno – e novas expressões, palavras e estrangeirismos surgem e desaparecem nas línguas a todo tempo. “Alguns youtubers brasileiros têm muita qualidade, e não é por acaso que as crianças assistem e também aprendem com eles”, diz Fernando Venâncio.


“Mas é impossível dizer se esse fenômeno novo vai ter futuro, porque também há alguns youtubers portugueses que estão a aprender bastante com os brasileiros e estão a produzir mais coisas com alguma qualidade.”


Para ele, a influência atual se dá sobretudo na sintaxe e a partir de algumas construções específicas. Ou seja, não engloba toda a língua.


“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer”, diz. “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”


O linguista afirma ainda que o próprio preconceito demonstrado por alguns portugueses em relação à variedade brasileira deve barrar qualquer influência maior.


“Há muitas questões identitárias, de reconhecimento da própria variedade e de lealdade linguística envolvidas”, afirma.


Ela é categórica ao afirmar que o português falado em Portugal não sofrerá mudanças profundas e permanentes a partir dessa influência, ao menos por enquanto: "Como linguistas, não esperaríamos que em tão pouco tempo e em um conjunto numericamente não tão significativo assim de falantes pudesse ter uma influência decisiva sobre a língua".


" Havia essa mesma preocupação, segundo ela, nos anos 1970, quando as novelas brasileiras eram muito populares".


"Também se dizia (àquela época) que muitas construções lexicais e até gramaticais iriam ser introduzidas na variedade portuguesa. Mas não foi tanto assim". (...). "É uma moda como outra qualquer, circunscrita no tempo.", diz.


(Julia Braun Role, BBC Brasil em Londres. 2 abril 2024. TEXTO ADAPTADO).
“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer (...) “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”
A respeito do tópico abordado no trecho destacado da matéria, assinale a frase que emprega corretamente a ênclise:
Alternativas
Q3249465 Português
Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do
idioma usada no Brasil influencia Portugal.



No final de janeiro, uma postagem feita por uma página portuguesa de conteúdos anti-imigração no X (antigo Twitter) denunciou a existência de uma placa de trânsito escrita em “português brasileiro” em Sintra, na área metropolitana de Lisboa.


“Sinal rodoviário escrito em português brasileiro diz que é proibida a circulação excepto a ‘trens’ e bicicletas”, diz a postagem, que traz também uma foto da placa que supostamente “assassina a língua de Camões que é o português europeu”.


O grande problema, segundo o autor do post, é que a palavra "trens" teria sido retirada do português usado no Brasil, já que em Portugal o meio de transporte ferroviário é chamado de “comboio”.


O fato, porém, é que a palavra "trem" existe também no português europeu, mas com um significado distinto. Em Portugal, pode ser “um carro de cavalos destinado ao transporte de pessoas”, ou uma carruagem, de acordo com a definição do dicionário da Porto Editora.


O episódio faz eco a muitos outros casos de portugueses "puristas" que cada vez mais rejeitam a presença de vocabulários e construções brasileiras na língua falada em seu país.


Esse repúdio fica claro em muitas das reações às notícias e manchetes de jornal que denunciam há alguns anos a influência dos conteúdos produzidos por brasileiros nas redes sociais e no YouTube nas crianças e jovens portugueses.


Enquanto alguns veem a cobertura da imprensa como exagerada e apontam o peso da xenofobia nas visões propagadas, outros fazem coro às queixas e temem que a presença cada vez maior dos vocábulos importados seja sinal de um "apagamento" da cultura local. 


Há ainda quem aponte o grande e crescente fluxo migratório - havia 360 mil brasileiros em Portugal em 2022, segundo o Itamaraty - como outro fator que contribui para isso. Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos? E qual a verdadeira extensão dessa influência?


Para Fernando Venâncio, linguista português que estuda o tema há décadas, há sim uma presença cada vez maior de traços importados do outro lado do Atlântico no idioma falado em terras portuguesas. Mas isso não é novidade. “Desde finais dos anos 1970 e princípios dos anos 1980, houve uma aquisição de brasileirismos gigantesca”, diz Venâncio, autor do livro O Português à Descoberta do Brasileiro.


Na época, isso foi um reflexo principalmente do sucesso das novelas brasileiras em Portugal, explica o linguista. Agora, há um fenômeno novo em curso, que envolve principalmente as crianças e adolescentes. "Em Portugal, eles veem cada vez mais youtubers brasileiros, às vezes, por muitas horas”, diz Venâncio.


A portuguesa Paula Lourenço é professora de escolas de ensino fundamental em Sintra há 24 anos. Ela dá aulas para crianças entre 9 e 10 anos e diz que o uso de expressões e palavras brasileiras pelos seus alunos é cada vez mais evidente.


“Neste momento, na escola, tenho um caso de um aluno que fala ‘brasileiro’ apesar de os pais serem portugueses”, conta. A professora relata que esse aluno começou a ser vítima de uma espécie de bullying, com colegas implicando com a forma como ele fala.


"Por fim, descobrimos que ele ficava até altas horas da noite sem supervisão a ver vídeos, principalmente aqueles shorts [vídeos curtos] que são reproduzidos um atrás do outro.” Segundo Paula, o gosto pelos vídeos produzidos por influenciadores e youtubers do Brasil é compartilhado por praticamente todos os seus alunos. “Houve um boom principalmente durante a pandemia. Até eu já estou um pouco aficionada pelos youtubers brasileiros, porque comecei a ver para acompanhar o que meus alunos gostam”, diz a professora. 


O linguista Xoán Lagares, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), nota que ainda “há muito preconceito em relação ao português do Brasil porque ele se diferencia em muitos pontos, sobretudo na sintaxe do que é a tradição normativa portuguesa constituída em Portugal”.


“Então, para muitos portugueses, as diferenças são identificadas como erros, como uma deturpação do português”. Mas, segundo Lagares, especialista em história social e cultural das línguas, não existe uma versão mais correta da língua.


“No caso do português, não há uma gramática oficial. Há uma tradição normativa que se manifesta em gramáticas e dicionários”, explica. Essa tradição tem sua origem em Portugal e foi elaborada a partir dos usos considerados de prestígio no país.


“O que aconteceu é que no Brasil foram se desenvolvendo outros usos de prestígio em relação à gramática”, diz o professor.


Por isso, vigora hoje no Brasil uma tradição normativa autoral e interpretativa, que pode variar conforme a gramática e a visão dos seus autores. Para alguns linguistas, as diferenças entre as variedades que se estabeleceram dos dois lados do Atlântico já são tão grandes que deveria haver uma separação definitiva entre o português e o brasileiro.


Xoán Lagares, porém, afirma que ainda é difícil falar em suas línguas separadas: “Em termos de descrição linguística, não há um critério para dizer em que momento duas variantes se tornam línguas diferentes. Esse é um problema em várias partes do mundo. Por isso, muitas vezes, é apenas uma questão política.”


Mas qual a real influência do português do Brasil em Portugal, para além das críticas embutidas nas manchetes de jornais e dos "brasileirismos" denunciados nas redes sociais?


Segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, é difícil prever o impacto que isso pode ter ao longo do tempo. Até o momento, há poucas pesquisas publicadas que analisam o fenômeno – e novas expressões, palavras e estrangeirismos surgem e desaparecem nas línguas a todo tempo. “Alguns youtubers brasileiros têm muita qualidade, e não é por acaso que as crianças assistem e também aprendem com eles”, diz Fernando Venâncio.


“Mas é impossível dizer se esse fenômeno novo vai ter futuro, porque também há alguns youtubers portugueses que estão a aprender bastante com os brasileiros e estão a produzir mais coisas com alguma qualidade.”


Para ele, a influência atual se dá sobretudo na sintaxe e a partir de algumas construções específicas. Ou seja, não engloba toda a língua.


“É difícil que eles mudem, por exemplo, a colocação pronominal por conta da forma usada no Brasil. Essas coisas demoram e são difíceis de acontecer”, diz. “Veja no Brasil, onde ensinamos a questão da ênclise e até hoje não se consolidou, muitos alunos precisam ser corrigidos na escola e em redações.”


O linguista afirma ainda que o próprio preconceito demonstrado por alguns portugueses em relação à variedade brasileira deve barrar qualquer influência maior.


“Há muitas questões identitárias, de reconhecimento da própria variedade e de lealdade linguística envolvidas”, afirma.


Ela é categórica ao afirmar que o português falado em Portugal não sofrerá mudanças profundas e permanentes a partir dessa influência, ao menos por enquanto: "Como linguistas, não esperaríamos que em tão pouco tempo e em um conjunto numericamente não tão significativo assim de falantes pudesse ter uma influência decisiva sobre a língua".


" Havia essa mesma preocupação, segundo ela, nos anos 1970, quando as novelas brasileiras eram muito populares".


"Também se dizia (àquela época) que muitas construções lexicais e até gramaticais iriam ser introduzidas na variedade portuguesa. Mas não foi tanto assim". (...). "É uma moda como outra qualquer, circunscrita no tempo.", diz.


(Julia Braun Role, BBC Brasil em Londres. 2 abril 2024. TEXTO ADAPTADO).
“Mas por que a possibilidade da variante usada no Brasil ser encontrada em Portugal provoca tanta indignação entre alguns cidadãos?” (...)” A pergunta, extraída do texto, apresenta as questões em torno da variação linguística como fenômeno colocado em evidência no país, dado o grande fluxo migratório de brasileiros em Portugal nos últimos tempos. A alternativa que melhor responde a esta indagação é:
Alternativas
Q3248503 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 3

Norma da empresa

Descartar-se um cliente que está reclamando com um “É norma da empresa” deixa-o furioso. É o equivalente empresarial da frase que nossos pais costumavam dizer: “Porque sim”.
No texto 3, uma substituição inadequada de termos seria
Alternativas
Q3248502 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 3

Norma da empresa

Descartar-se um cliente que está reclamando com um “É norma da empresa” deixa-o furioso. É o equivalente empresarial da frase que nossos pais costumavam dizer: “Porque sim”.
A semelhança entre as frases da empresa e dos pais é
Alternativas
Q3248500 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 2

Economizar água

Apesar de parecer muita, devido ao aumento excessivo da população mundial e à poluição que o homem produz, diariamente, a água potável do mundo está cada vez mais escassa. E a falta de água para consumo, principalmente em regiões mais pobres, populosas e áridas do mundo, já é uma realidade preocupante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um país de sorte e vai contra essa tendência mundial.
ONU é a forma abreviada de Organização das Nações Unidas. Assinale a abreviatura a seguir que não segue o mesmo critério de abreviação.
Alternativas
Q3248499 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 2

Economizar água

Apesar de parecer muita, devido ao aumento excessivo da população mundial e à poluição que o homem produz, diariamente, a água potável do mundo está cada vez mais escassa. E a falta de água para consumo, principalmente em regiões mais pobres, populosas e áridas do mundo, já é uma realidade preocupante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um país de sorte e vai contra essa tendência mundial.
O Brasil vai contra a tendência mundial porque
Alternativas
Q3248497 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 2

Economizar água

Apesar de parecer muita, devido ao aumento excessivo da população mundial e à poluição que o homem produz, diariamente, a água potável do mundo está cada vez mais escassa. E a falta de água para consumo, principalmente em regiões mais pobres, populosas e áridas do mundo, já é uma realidade preocupante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é um país de sorte e vai contra essa tendência mundial.
A estruturação desse texto, permite classificá-lo como
Alternativas
Q3248496 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 1

A Geografia da Fome

Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social. Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão nocivo à personalidade humana quando alcança os limites da verdadeira inanição. Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado, apresenta uma conduta mental que pode parecer a mais desconcertante. Muda o seu comportamento como muda o de todos os seres vivos alcançados pelo flagelo nesta mesma área geográfica.

Josué de Castro – A Geografia da Fome
Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado...
Assinale a frase em que a palavra “como” mostra o mesmo sentido que nessa frase do texto.
Alternativas
Q3248495 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 1

A Geografia da Fome

Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social. Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão nocivo à personalidade humana quando alcança os limites da verdadeira inanição. Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado, apresenta uma conduta mental que pode parecer a mais desconcertante. Muda o seu comportamento como muda o de todos os seres vivos alcançados pelo flagelo nesta mesma área geográfica.

Josué de Castro – A Geografia da Fome
Leia o fragmento:
Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social.
Assinale a afirmativa inadequada sobre o fragmento.
Alternativas
Q3248494 Português
Atenção: use o texto a seguir para responder a próxima questão.

Texto 1

A Geografia da Fome

Não é somente agindo sobre o corpo dos flagelados, roendo-lhes as vísceras e abrindo chagas e buracos na sua pele, que a fome aniquila a vida dos sertanejos, mas também atuando sobre o seu espírito, sobre sua estrutura mental, sobre sua conduta social. Nenhuma calamidade é capaz de desagregar tão profundamente e num sentido tão nocivo à personalidade humana quando alcança os limites da verdadeira inanição. Fustigados pela imperiosa necessidade de alimentar-se, os instintos primários se exaltam e o homem, como qualquer animal esfomeado, apresenta uma conduta mental que pode parecer a mais desconcertante. Muda o seu comportamento como muda o de todos os seres vivos alcançados pelo flagelo nesta mesma área geográfica.

Josué de Castro – A Geografia da Fome

Esse texto aborda o problema da fome.

Um aspecto desse problema que não está presente nesse texto, é:

Alternativas
Q3247258 Português
A frase em que a norma-padrão de concordância e de regência nominal e verbal está preservada é:
Alternativas
Q3247257 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Eis a última perplexidade dos habitantes de Buenos Aires: como a fumaça do lixo queimado nos fornos, que todos os edifícios sempre tiveram no porão, estava contaminando demais o ambiente, uma saudável portaria municipal acaba de proibir essa operação. A população foi instruída no sentido de reunir as sobras domésticas em sacolas plásticas, que depois das 9h da noite devem ser colocadas ao lado do elevador de serviço. O porteiro as recolhe de manhã e junta todas em outra sacolona, a qual por sua vez é posta na calçada. Com tanto trabalho, os lixeiros vêm tarde ou não aparecem. Os depósitos gerais também não estão preparados para receber tal quantidade de detritos, mas as autoridades se sentem em paz, pois estabeleceram um prazo máximo de dois anos para que os moradores dos edifícios de mais de 25 apartamentos instalem, no lugar do forno inútil, máquinas compactadoras, que reduzirão o lixo a pequenos e confortáveis volumes. (Estão sendo fabricadas a toda pressa e algumas empresas já as anunciam, por preços inatingíveis). A quinta-feira, 12 de janeiro último, em que essa medida entrou em vigor, foi sugestivamente batizada pelo prefeito de “Dia do ar puro”.

(Maria Julieta Drummond de Andrade. Coisas de antes e de agora. https://cronicabrasileira.org.br, 1980. Adaptado)
Considere os trechos:

•  … como a fumaça do lixo queimado nos fornos, que todos os edifícios sempre tiveram no porão, estava contaminando demais o ambiente…
•  … as sobras domésticas em sacolas plásticas, que depois das 9h da noite devem ser colocadas ao lado do elevador de serviço.
•  (Estão sendo fabricadas a toda pressa e algumas empresas já as anunciam, por preços inatingíveis).

Assinale a alternativa em que corretamente se indicam as circunstâncias das expressões destacadas, na ordem em que se encontram.
Alternativas
Q3247256 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Eis a última perplexidade dos habitantes de Buenos Aires: como a fumaça do lixo queimado nos fornos, que todos os edifícios sempre tiveram no porão, estava contaminando demais o ambiente, uma saudável portaria municipal acaba de proibir essa operação. A população foi instruída no sentido de reunir as sobras domésticas em sacolas plásticas, que depois das 9h da noite devem ser colocadas ao lado do elevador de serviço. O porteiro as recolhe de manhã e junta todas em outra sacolona, a qual por sua vez é posta na calçada. Com tanto trabalho, os lixeiros vêm tarde ou não aparecem. Os depósitos gerais também não estão preparados para receber tal quantidade de detritos, mas as autoridades se sentem em paz, pois estabeleceram um prazo máximo de dois anos para que os moradores dos edifícios de mais de 25 apartamentos instalem, no lugar do forno inútil, máquinas compactadoras, que reduzirão o lixo a pequenos e confortáveis volumes. (Estão sendo fabricadas a toda pressa e algumas empresas já as anunciam, por preços inatingíveis). A quinta-feira, 12 de janeiro último, em que essa medida entrou em vigor, foi sugestivamente batizada pelo prefeito de “Dia do ar puro”.

(Maria Julieta Drummond de Andrade. Coisas de antes e de agora. https://cronicabrasileira.org.br, 1980. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se faz afirmação correta quanto ao lixo produzido na cidade de Buenos Aires, na Argentina.
Alternativas
Q3247255 Português
Assinale a alternativa em que a palavra destacada está de acordo com a norma-padrão de emprego de pronomes.
Alternativas
Q3247254 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Não importa se é Natal, Dia das Crianças, aniversário. Todo ano, eu ouço o mesmo pedido de presente dos meus filhos quando uma data dessas se aproxima: “Mamãe, me dá um celular? Todo mundo tem menos eu”. E a minha resposta tem sido sempre a mesma: “só aos 13 anos”. Nos últimos tempos, porém, alguns movimentos estão me fazendo repensar a decisão. Tanto no Brasil quanto fora crescem as mobilizações de pais e especialistas para retardar ainda mais a entrega de celular aos filhos.
    Nos Estados Unidos, por exemplo, há um movimento que incentiva pais a assumir um compromisso com outras famílias de só entregar um smartphone ao filho no final do oitavo ano escolar. Segundo eles, 10 anos é hoje a idade média com que as crianças americanas ganham o primeiro aparelho e isso se deve sobretudo a um motivo: “pressão social irrealista”. De novo, o clássico “todo mundo tem, menos eu”.
    O site do movimento alerta que os smartphones são potencialmente perigosos para as crianças por uma lista extensa de motivos. Os mais assustadores se baseiam em pesquisas que, além de impactos na escola, mostram que a dependência do celular pode produzir respostas cerebrais semelhantes à produzida por álcool, drogas e jogo. “Smartphones são como máquinas caça-níqueis nos bolsos infantis constantemente persuadindo as crianças a usá-los cada vez mais”, afirmam os organizadores do movimento. “Esses dispositivos estão mudando rapidamente a infância das crianças. Brincar ao ar livre, passar tempo com amigos, ler livros e sair com a família estão sendo trocados por horas de bate-papo em redes sociais e aplicativos de mensagens. Pais sentem-se impotentes nessa difícil batalha e precisam de apoio”, acrescentam.

(Luciana Garbin. Celular aos 14 anos e rede social aos 16? Por que campanha que cresce no País e fora merece atenção. www.estadao.com.br, 19.06.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada pode ser substituída pelo que está entre colchetes, preservando a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
Alternativas
Q3247253 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Não importa se é Natal, Dia das Crianças, aniversário. Todo ano, eu ouço o mesmo pedido de presente dos meus filhos quando uma data dessas se aproxima: “Mamãe, me dá um celular? Todo mundo tem menos eu”. E a minha resposta tem sido sempre a mesma: “só aos 13 anos”. Nos últimos tempos, porém, alguns movimentos estão me fazendo repensar a decisão. Tanto no Brasil quanto fora crescem as mobilizações de pais e especialistas para retardar ainda mais a entrega de celular aos filhos.
    Nos Estados Unidos, por exemplo, há um movimento que incentiva pais a assumir um compromisso com outras famílias de só entregar um smartphone ao filho no final do oitavo ano escolar. Segundo eles, 10 anos é hoje a idade média com que as crianças americanas ganham o primeiro aparelho e isso se deve sobretudo a um motivo: “pressão social irrealista”. De novo, o clássico “todo mundo tem, menos eu”.
    O site do movimento alerta que os smartphones são potencialmente perigosos para as crianças por uma lista extensa de motivos. Os mais assustadores se baseiam em pesquisas que, além de impactos na escola, mostram que a dependência do celular pode produzir respostas cerebrais semelhantes à produzida por álcool, drogas e jogo. “Smartphones são como máquinas caça-níqueis nos bolsos infantis constantemente persuadindo as crianças a usá-los cada vez mais”, afirmam os organizadores do movimento. “Esses dispositivos estão mudando rapidamente a infância das crianças. Brincar ao ar livre, passar tempo com amigos, ler livros e sair com a família estão sendo trocados por horas de bate-papo em redes sociais e aplicativos de mensagens. Pais sentem-se impotentes nessa difícil batalha e precisam de apoio”, acrescentam.

(Luciana Garbin. Celular aos 14 anos e rede social aos 16? Por que campanha que cresce no País e fora merece atenção. www.estadao.com.br, 19.06.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que as palavras destacadas estabelecem ideia de comparação.
Alternativas
Q3247252 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Não importa se é Natal, Dia das Crianças, aniversário. Todo ano, eu ouço o mesmo pedido de presente dos meus filhos quando uma data dessas se aproxima: “Mamãe, me dá um celular? Todo mundo tem menos eu”. E a minha resposta tem sido sempre a mesma: “só aos 13 anos”. Nos últimos tempos, porém, alguns movimentos estão me fazendo repensar a decisão. Tanto no Brasil quanto fora crescem as mobilizações de pais e especialistas para retardar ainda mais a entrega de celular aos filhos.
    Nos Estados Unidos, por exemplo, há um movimento que incentiva pais a assumir um compromisso com outras famílias de só entregar um smartphone ao filho no final do oitavo ano escolar. Segundo eles, 10 anos é hoje a idade média com que as crianças americanas ganham o primeiro aparelho e isso se deve sobretudo a um motivo: “pressão social irrealista”. De novo, o clássico “todo mundo tem, menos eu”.
    O site do movimento alerta que os smartphones são potencialmente perigosos para as crianças por uma lista extensa de motivos. Os mais assustadores se baseiam em pesquisas que, além de impactos na escola, mostram que a dependência do celular pode produzir respostas cerebrais semelhantes à produzida por álcool, drogas e jogo. “Smartphones são como máquinas caça-níqueis nos bolsos infantis constantemente persuadindo as crianças a usá-los cada vez mais”, afirmam os organizadores do movimento. “Esses dispositivos estão mudando rapidamente a infância das crianças. Brincar ao ar livre, passar tempo com amigos, ler livros e sair com a família estão sendo trocados por horas de bate-papo em redes sociais e aplicativos de mensagens. Pais sentem-se impotentes nessa difícil batalha e precisam de apoio”, acrescentam.

(Luciana Garbin. Celular aos 14 anos e rede social aos 16? Por que campanha que cresce no País e fora merece atenção. www.estadao.com.br, 19.06.2024. Adaptado)
No trecho “O site do movimento alerta que os smartphones são potencialmente perigosos para as crianças por uma lista extensa de motivos” (3º parágrafo), a palavra destacada tem como sinônimo, no contexto em que foi empregada:
Alternativas
Q3247251 Português
Leia o texto para responder à questão.

    Não importa se é Natal, Dia das Crianças, aniversário. Todo ano, eu ouço o mesmo pedido de presente dos meus filhos quando uma data dessas se aproxima: “Mamãe, me dá um celular? Todo mundo tem menos eu”. E a minha resposta tem sido sempre a mesma: “só aos 13 anos”. Nos últimos tempos, porém, alguns movimentos estão me fazendo repensar a decisão. Tanto no Brasil quanto fora crescem as mobilizações de pais e especialistas para retardar ainda mais a entrega de celular aos filhos.
    Nos Estados Unidos, por exemplo, há um movimento que incentiva pais a assumir um compromisso com outras famílias de só entregar um smartphone ao filho no final do oitavo ano escolar. Segundo eles, 10 anos é hoje a idade média com que as crianças americanas ganham o primeiro aparelho e isso se deve sobretudo a um motivo: “pressão social irrealista”. De novo, o clássico “todo mundo tem, menos eu”.
    O site do movimento alerta que os smartphones são potencialmente perigosos para as crianças por uma lista extensa de motivos. Os mais assustadores se baseiam em pesquisas que, além de impactos na escola, mostram que a dependência do celular pode produzir respostas cerebrais semelhantes à produzida por álcool, drogas e jogo. “Smartphones são como máquinas caça-níqueis nos bolsos infantis constantemente persuadindo as crianças a usá-los cada vez mais”, afirmam os organizadores do movimento. “Esses dispositivos estão mudando rapidamente a infância das crianças. Brincar ao ar livre, passar tempo com amigos, ler livros e sair com a família estão sendo trocados por horas de bate-papo em redes sociais e aplicativos de mensagens. Pais sentem-se impotentes nessa difícil batalha e precisam de apoio”, acrescentam.

(Luciana Garbin. Celular aos 14 anos e rede social aos 16? Por que campanha que cresce no País e fora merece atenção. www.estadao.com.br, 19.06.2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que há afirmação correta quanto ao que foi tratado no texto a respeito do acesso de crianças aos smartphones.
Alternativas
Respostas
19501: B
19502: B
19503: A
19504: B
19505: B
19506: B
19507: D
19508: E
19509: D
19510: C
19511: E
19512: B
19513: D
19514: C
19515: C
19516: E
19517: C
19518: A
19519: E
19520: B