Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q4320901 Português
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Fonte: Charge criada especialmente para esta prova. Ilustração baseada no estilo gráfico de charges de vestibular e concurso público, com referência temática ao universo de QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
A charge articula linguagem verbal e não verbal para construir sua crítica. Assinale a alternativa que melhor interpreta os recursos utilizados.
Alternativas
Q4320900 Português
Leia o TEXTO 1 e responda a questão:

Há quem diga que a memória é um arquivo morto, um depósito de fotografias amareladas onde guardamos o que já não serve. Nada mais enganoso. A memória é viva, lateja, reorganiza-se a cada instante. Não somos nós que recordamos o passado; é o passado que nos recorda, que nos convoca para um diálogo incessante entre o que fomos e o que estamos por vir. O ato de lembrar é sempre um ato de criação: ao revisitar uma lembrança, inevitavelmente a recriamos, acrescentamos novos matizes, suprimimos arestas que doem. Por isso, dois irmãos que cresceram na mesma casa, sob o mesmo teto, podem narrar a infância de maneiras tão diversas que um observador externo juraria tratar-se de famílias distintas. A memória, afinal, não reproduz o real — ela o significa. 

Nesse sentido, a literatura sempre compreendeu o que a ciência demorou séculos para confirmar: a narrativa não é um ornamento da experiência, mas sua matéria-prima. Quando Proust mergulha na madeleine, não está apenas evocando um sabor; está demonstrando que o sentido da vida não está nos acontecimentos em si, mas na tessitura que criamos entre eles. Somos, antes de tudo, contadores de histórias — e a primeira história que contamos é a de quem fomos.

Fonte: Texto adaptado e reelaborado a partir das ideias de PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. Trad. de Fernando Py. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016; e de ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. Trad. de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
Sobre os mecanismos de coesão textual empregados no Texto 1, analise as afirmativas:
I. Em “Não somos nós que recordamos o passado; é o passado que nos recorda”, os pronomes “nós” e “nos” fazem referência aos mesmos participantes do discurso.
II. A expressão “Nesse sentido” retoma o raciocínio desenvolvido anteriormente e estabelece continuidade entre os parágrafos.
III. Em “a narrativa não é um ornamento da experiência, mas sua matéria-prima”, o pronome possessivo “sua” retoma o termo “experiência”.
IV. No trecho “A memória, afinal, não reproduz o real — ela o significa”, o termo “afinal” reforça e justifica a conclusão apresentada pelo autor.
Estão corretas apenas as afirmativas:
Alternativas
Q4320899 Português
Leia o TEXTO 1 e responda a questão:

Há quem diga que a memória é um arquivo morto, um depósito de fotografias amareladas onde guardamos o que já não serve. Nada mais enganoso. A memória é viva, lateja, reorganiza-se a cada instante. Não somos nós que recordamos o passado; é o passado que nos recorda, que nos convoca para um diálogo incessante entre o que fomos e o que estamos por vir. O ato de lembrar é sempre um ato de criação: ao revisitar uma lembrança, inevitavelmente a recriamos, acrescentamos novos matizes, suprimimos arestas que doem. Por isso, dois irmãos que cresceram na mesma casa, sob o mesmo teto, podem narrar a infância de maneiras tão diversas que um observador externo juraria tratar-se de famílias distintas. A memória, afinal, não reproduz o real — ela o significa. 

Nesse sentido, a literatura sempre compreendeu o que a ciência demorou séculos para confirmar: a narrativa não é um ornamento da experiência, mas sua matéria-prima. Quando Proust mergulha na madeleine, não está apenas evocando um sabor; está demonstrando que o sentido da vida não está nos acontecimentos em si, mas na tessitura que criamos entre eles. Somos, antes de tudo, contadores de histórias — e a primeira história que contamos é a de quem fomos.

Fonte: Texto adaptado e reelaborado a partir das ideias de PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. Trad. de Fernando Py. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016; e de ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. Trad. de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
No trecho "A memória é viva, lateja, reorganiza-se a cada instante", observa-se o emprego de uma sequência de verbos que produz um efeito de sentido específico. Assinale a alternativa que melhor analisa esse recurso.
Alternativas
Q4320898 Português
Leia o TEXTO 1 e responda a questão:

Há quem diga que a memória é um arquivo morto, um depósito de fotografias amareladas onde guardamos o que já não serve. Nada mais enganoso. A memória é viva, lateja, reorganiza-se a cada instante. Não somos nós que recordamos o passado; é o passado que nos recorda, que nos convoca para um diálogo incessante entre o que fomos e o que estamos por vir. O ato de lembrar é sempre um ato de criação: ao revisitar uma lembrança, inevitavelmente a recriamos, acrescentamos novos matizes, suprimimos arestas que doem. Por isso, dois irmãos que cresceram na mesma casa, sob o mesmo teto, podem narrar a infância de maneiras tão diversas que um observador externo juraria tratar-se de famílias distintas. A memória, afinal, não reproduz o real — ela o significa. 

Nesse sentido, a literatura sempre compreendeu o que a ciência demorou séculos para confirmar: a narrativa não é um ornamento da experiência, mas sua matéria-prima. Quando Proust mergulha na madeleine, não está apenas evocando um sabor; está demonstrando que o sentido da vida não está nos acontecimentos em si, mas na tessitura que criamos entre eles. Somos, antes de tudo, contadores de histórias — e a primeira história que contamos é a de quem fomos.

Fonte: Texto adaptado e reelaborado a partir das ideias de PROUST, Marcel. Em busca do tempo perdido. Trad. de Fernando Py. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016; e de ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. Trad. de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
Considerando as estratégias argumentativas empregadas no Texto 1, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4320146 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

No trecho “Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência”, há 
Alternativas
Q4320145 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

O emprego ou não da crase está CORRETO em: 
Alternativas
Q4320144 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

No trecho “a amizade verdadeira é um patrimônio”, a palavra “patrimônio” foi utilizada
Alternativas
Q4320143 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

O paradoxo anunciado no título do texto consiste, principalmente, em 
Alternativas
Q4320142 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

Ao afirmar que "a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja", a autora pretende 
Alternativas
Q4320141 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

A estratégia argumentativa predominante utilizada pela autora consiste em 
Alternativas
Q4320140 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

Em relação ao emprego da primeira pessoa do plural, especialmente no uso de "nós", é CORRETO afirmar que 
Alternativas
Q4320139 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

Considerando a construção argumentativa, a autora estabelece uma relação de causa e consequência ao afirmar que
Alternativas
Q4320138 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

A tese central defendida pela autora pode ser sintetizada em: 
Alternativas
Q4320137 Português

TEXTO 1



O PARADOXO DA SORORIDADE: AMIGAS OU RIVAIS?



    "Mirian, o que é sororidade? Fico confusa, porque, na realidade, é frequente encontrar mulheres tentando diminuir e desqualificar outras mulheres. Algumas mulheres são mais competitivas do que os homens, não só no meu lugar de trabalho, mas até mesmo na minha família. Afinal, o que é sororidade na prática?", uma jornalista me perguntou.

    Respondi que a reflexão que prefiro fazer não é sobre a definição do termo, mas sobre até que ponto estamos praticando a sororidade em nossas vidas cotidianas.

    Nos anos 1960 e 1970, mulheres feministas, especialmente nos Estados Unidos, passaram a usar o termo "sisterhood" (irmandade entre mulheres) para incentivar a solidariedade, a amizade e a união entre as mulheres.

    No Brasil, a palavra "sororidade" (do latim soror, que significa irmã) passou a ser usada a partir dos anos 2000, com o impacto dos debates feministas no mundo acadêmico e nos movimentos sociais.

    Recentemente, no programa Revista CBN, conversei sobre sororidade com minha querida amiga Petria Chaves.

    Revelei a contradição entre o discurso de sororidade e a prática de rivalidade entre mulheres. E como essa tensão reforça a lógica da dominação masculina.

    "Nós denunciamos o machismo, o patriarcado, a dominação masculina, e parece que as mulheres estão fora dessa lógica. Infelizmente não é assim porque a lógica cultural é a da competição, da comparação e da inveja. O que mais me entristece é constatar que, apesar do discurso de sororidade, algumas mulheres, consciente ou inconscientemente, reproduzem a lógica da dominação masculina. Em meio a tanta competição tóxica, é difícil fazer uma amizade verdadeira porque elas enxergam a outra mulher como uma inimiga a ser destruída."

    "Por que tantas mulheres reproduzem essa lógica que aprisiona as próprias mulheres?", Petria perguntou.

    "Talvez porque aprenderam, desde muito cedo, que no jogo de dominação só há espaço para uma mulher no mercado profissional e até mesmo no chamado mercado afetivo e sexual. Por isso, competem entre si para serem as únicas, a número um", respondi.

    Desde o início das minhas pesquisas, com a publicação do livro "A Outra: Um Estudo Antropológico sobre a Identidade da Amante do Homem Casado", em 1990, tenho enfatizado a importância da amizade entre as mulheres.

    Na minha pesquisa sobre envelhecimento, autonomia e felicidade, quando perguntei "Quem vai cuidar de você na velhice?", as respostas femininas foram "eu mesma" e, em seguida, "minhas amigas".

    As respostas da maior parte das mulheres, inclusive das que são casadas e têm filhos, reforçam a ideia de que a amizade entre mulheres é a nossa maior riqueza, em todas as fases da vida. Mais valiosa do que qualquer status, fama ou notoriedade. Acredito que a união entre mulheres é uma estratégia de sobrevivência e de resistência frente à lógica da dominação masculina, que aprisiona mulheres de todas as idades.

    Apoiar, fortalecer e celebrar as mulheres não pode ser apenas um discurso politicamente correto; deve se tornar uma prática cotidiana.

    Sozinha, nenhuma de nós consegue sobreviver física e emocionalmente.

    Sororidade se constrói na prática, não no discurso.

    Em tempos de tanta violência contra as mulheres, a amizade verdadeira é um patrimônio.     É, acima de tudo, um ato revolucionário.

Será que estamos praticando a sororidade? Ou estamos reproduzindo, entre nós, a mesma lógica que precisamos combater?



Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/miriangoldenberg/2026/05/o-paradoxo-da-sororidade-amigas-ou-rivais.shtml Acesso em: 20 jul. 2026 

Considerando a estrutura e a finalidade do texto, pode-se afirmar que ele se caracteriza predominantemente como
Alternativas
Q4320081 Português
Considere a frase do texto: "a persistência é uma semente que germina quando regada".
Assinale a alternativa em que a palavra "persistência" pode ser substituída, sem alteração do sentido original, por: 
Alternativas
Q4320080 Português
No trecho "A terra nos deu de comer quando lhe demos carinho", a expressão "deu de comer" apresenta sentido:
Alternativas
Q4320079 Português
Analise a charge e responda a questão


Q11_13.png (402×270)
Fonte: Charge criada especialmente para esta prova.
A partir da charge e do texto "A Horta da Vila", é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4320078 Português
Analise a charge e responda a questão


Q11_13.png (402×270)
Fonte: Charge criada especialmente para esta prova.
Analise as afirmativas sobre a charge: 

I. O balão de pensamento "Se eu plantar hoje, meus filhos terão sombra amanhã" expressa uma visão de longo prazo e de responsabilidade intergeracional.
II. A presença do lixo acumulado ao fundo contrasta com a ação do homem, evidenciando a degradação que se pretende superar.
III. A faixa "A transformação começa com um simples gesto" reforça a ideia de que mudanças significativas dependem de grandes investimentos financeiros.
IV.O pássaro no galho seco pode ser interpretado como símbolo da natureza que aguarda regeneração.

Assinale a alternativa que apresenta apenas afirmativas corretas. 
Alternativas
Q4320077 Português
Analise a charge e responda a questão


Q11_13.png (402×270)
Fonte: Charge criada especialmente para esta prova.
Com base na charge apresentada, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4320076 Português
Leia o texto e responda a questão


A HORTA DA VILA


Na Vila dos Pinheiros, um bairro pequeno onde todos se conheciam, havia um terreno baldio que se tornara motivo de vergonha para a comunidade. O mato alto escondia lixo, ratos e insetos, e as crianças que brincavam por perto corriam riscos. Dona Clementina, uma senhora de setenta anos que morava na casa ao lado, cansou de esperar a prefeitura tomar atitudes. — Vamos transformar esse abandono em uma horta comunitária! — disse ela aos vizinhos, numa manhã de sábado.

A ideia encontrou ceticismo. Alguns moradores argumentavam que o terreno não era deles e que o esforço seria inútil, pois logo o local voltaria a ficar abandonado. Mas Dona Clementina, com a persistência que a caracterizava, não se deu por vencida. Solicitou autorização à prefeitura, que cedeu o espaço por meio de um termo de uso. A partir de então, o trabalho começou.

Jovens e idosos se uniram. Retiraram o entulho, capinaram o mato e prepararam a terra. Cada morador contribuiu com algo: sementes, ferramentas, tempo. Em poucas semanas, o terreno que antes causava vergonha estava repleto de canteiros de couve, alface, tomate e cheiro-verde. As crianças, que antes corriam riscos no local, agora aprendiam a plantar e a colher.

A horta não apenas modificou a paisagem. Transformou as pessoas. A comunidade passou a se reunir aos sábados para o mutirão de manutenção. Conversas se iniciavam enquanto se arrancavam ervas daninhas. Amizades se fortaleciam enquanto se regavam as plantas. E os alimentos colhidos eram distribuídos entre todos, especialmente para as famílias que mais precisavam.

— A terra nos deu de comer quando lhe demos carinho — disse Dona Clementina, sorrindo, numa das reuniões.

O projeto, que começou com a iniciativa de uma única pessoa, tornou-se exemplo para outros bairros. Três anos depois, a Vila dos Pinheiros já contava com quatro hortas comunitárias. O terreno baldio que causava vergonha havia se transformado em motivo de orgulho. E Dona Clementina, que sempre dizia que "a persistência é uma semente que germina quando regada", via nos sorrisos de seus vizinhos a colheita mais valiosa de todas.


Fonte: Texto elaborado para o Concurso Público 01/2026 – IPREMO/Morro Agudo-SP
Sobre o uso dos sinais de pontuação no texto, é incorreto afirmar que:
Alternativas
Respostas
441: E
442: E
443: C
444: D
445: B
446: C
447: B
448: D
449: A
450: B
451: A
452: B
453: C
454: A
455: C
456: B
457: D
458: A
459: B
460: D