Questões de Concurso Sobre português nível médio

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Q4338415 Português
 Texto para a questão.


O PAPEL DAS GUARDAS MUNICIPAIS


    A Guarda Municipal ocupa, hoje, posição central no debate sobre a segurança pública brasileira. Por muito tempo, prevaleceu no imaginário popular a ideia de que essas corporações se limitariam à chamada vigilância patrimonial, isto é, ao zelo pelos bens e instalações do município. Essa narrativa, contudo, vem sendo superada à medida que as guardas assumem, de fato, o papel de segurança pública primária nas cidades.

     A Constituição Federal, em seu art. 144, § 8º, já previa que os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. Foi, todavia, com a edição da Lei nº 13.022/2014 – o Estatuto Geral das Guardas Municipais – que as competências dessas instituições ganharam contornos mais precisos. Entre os princípios mínimos de atuação, o estatuto destaca a proteção dos direitos humanos fundamentais, a preservação da vida e o patrulhamento preventivo.

    Estabelece-se, assim, uma analogia esclarecedora: tal como ao município cabe oferecer a saúde básica e a educação básica, previstas, respectivamente, nos artigos 196 e 205 da Carta Magna, também lhe compete a segurança pública básica. O caráter preventivo, e não meramente repressivo, é o que distingue a guarda das demais forças e, gradativamente, legitima sua atuação perante a população.

    Presentes em mais de 1.400 cidades brasileiras, as guardas municipais consolidaram-se como serviço indispensável, sobretudo às comunidades mais carentes. Trata-se, em síntese, de instituição fundamental para a manutenção da ordem e da segurança, reconhecida como base do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).


Texto adaptado.
SOARES, Ramon. O papel das Guardas Municipais. Fonte Segura, São Paulo, ed. 254, 6 nov. 2024. Disponível em: https://fontesegura.forumseguranca.org. br/o-papel-das-guardas-municipais/. Acesso em: 7 jun. 2026.
Considerando o mecanismo coesivo e o emprego normativo do pronome demonstrativo na expressão “Essa narrativa” presente no primeiro parágrafo, pode-se afirmar que a remissão é:
Alternativas
Q4338414 Português
 Texto para a questão.


O PAPEL DAS GUARDAS MUNICIPAIS


    A Guarda Municipal ocupa, hoje, posição central no debate sobre a segurança pública brasileira. Por muito tempo, prevaleceu no imaginário popular a ideia de que essas corporações se limitariam à chamada vigilância patrimonial, isto é, ao zelo pelos bens e instalações do município. Essa narrativa, contudo, vem sendo superada à medida que as guardas assumem, de fato, o papel de segurança pública primária nas cidades.

     A Constituição Federal, em seu art. 144, § 8º, já previa que os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. Foi, todavia, com a edição da Lei nº 13.022/2014 – o Estatuto Geral das Guardas Municipais – que as competências dessas instituições ganharam contornos mais precisos. Entre os princípios mínimos de atuação, o estatuto destaca a proteção dos direitos humanos fundamentais, a preservação da vida e o patrulhamento preventivo.

    Estabelece-se, assim, uma analogia esclarecedora: tal como ao município cabe oferecer a saúde básica e a educação básica, previstas, respectivamente, nos artigos 196 e 205 da Carta Magna, também lhe compete a segurança pública básica. O caráter preventivo, e não meramente repressivo, é o que distingue a guarda das demais forças e, gradativamente, legitima sua atuação perante a população.

    Presentes em mais de 1.400 cidades brasileiras, as guardas municipais consolidaram-se como serviço indispensável, sobretudo às comunidades mais carentes. Trata-se, em síntese, de instituição fundamental para a manutenção da ordem e da segurança, reconhecida como base do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).


Texto adaptado.
SOARES, Ramon. O papel das Guardas Municipais. Fonte Segura, São Paulo, ed. 254, 6 nov. 2024. Disponível em: https://fontesegura.forumseguranca.org. br/o-papel-das-guardas-municipais/. Acesso em: 7 jun. 2026.
Com base na função que cada parágrafo exerce na arquitetura argumentativa do texto, assinale a alternativa que descreve corretamente essa organização.
Alternativas
Q4338413 Português
 Texto para a questão.


O PAPEL DAS GUARDAS MUNICIPAIS


    A Guarda Municipal ocupa, hoje, posição central no debate sobre a segurança pública brasileira. Por muito tempo, prevaleceu no imaginário popular a ideia de que essas corporações se limitariam à chamada vigilância patrimonial, isto é, ao zelo pelos bens e instalações do município. Essa narrativa, contudo, vem sendo superada à medida que as guardas assumem, de fato, o papel de segurança pública primária nas cidades.

     A Constituição Federal, em seu art. 144, § 8º, já previa que os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei. Foi, todavia, com a edição da Lei nº 13.022/2014 – o Estatuto Geral das Guardas Municipais – que as competências dessas instituições ganharam contornos mais precisos. Entre os princípios mínimos de atuação, o estatuto destaca a proteção dos direitos humanos fundamentais, a preservação da vida e o patrulhamento preventivo.

    Estabelece-se, assim, uma analogia esclarecedora: tal como ao município cabe oferecer a saúde básica e a educação básica, previstas, respectivamente, nos artigos 196 e 205 da Carta Magna, também lhe compete a segurança pública básica. O caráter preventivo, e não meramente repressivo, é o que distingue a guarda das demais forças e, gradativamente, legitima sua atuação perante a população.

    Presentes em mais de 1.400 cidades brasileiras, as guardas municipais consolidaram-se como serviço indispensável, sobretudo às comunidades mais carentes. Trata-se, em síntese, de instituição fundamental para a manutenção da ordem e da segurança, reconhecida como base do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).


Texto adaptado.
SOARES, Ramon. O papel das Guardas Municipais. Fonte Segura, São Paulo, ed. 254, 6 nov. 2024. Disponível em: https://fontesegura.forumseguranca.org. br/o-papel-das-guardas-municipais/. Acesso em: 7 jun. 2026.
Considerando a hierarquia entre a tese central e os argumentos secundários, assinale a alternativa que reproduz, sem distorção, o encadeamento lógico defendido pelo autor.
Alternativas
Q4338289 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

Considere o trecho a seguir, constante no sexto parágrafo do texto:

“Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais.” O uso dos exemplos mencionados tem por finalidade:
Alternativas
Q4338288 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

Releia o trecho:

“Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.”

Assinale a alternativa que indica corretamente as classes de palavras destacadas no texto, tendo em vista o contexto frasal.
Alternativas
Q4338287 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

Releia o trecho:


“Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.”


Assinale a alternativa cuja reformulação textual mantém o sentido veiculado e está estruturada de acordo com as normas da língua portuguesa padrão em sua modalidade escrita:

Alternativas
Q4338286 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No trecho “O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais.”, a palavra destacada em negrito é escrita com o acento em razão de ser:
Alternativas
Q4338285 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No texto apresentado, o autor questiona a ideia de que a simples recusa de obras produzidas por inteligência artificial seja suficiente para orientar a constituição dos acervos. A partir dessa perspectiva, é correto afirmar que para ele:
Alternativas
Q4338284 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No trecho “A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.”, a palavra destacada em negrito pode ser substituída sem perda de sentido e mantendo-se a estrutura da língua portuguesa padrão em sua modalidade escrita por:
Alternativas
Q4338283 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

O texto lido é:
Alternativas
Q4336020 Português
Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. 
Alternativas
Q4336019 Português
Assinale a alternativa em que o emprego do acento indicativo de crase está CORRETO.
Alternativas
Q4336018 Português
No trecho:

“A região de Sumy, localizada na fronteira com a Rússia, vem sofrendo bombardeios frequentes e intensos...”

As palavras destacadas pertencem, respectivamente, às classes gramaticais:
Alternativas
Q4336017 Português
Considere o seguinte trecho da notícia:

“A investida provocou um incêndio e destruiu gravemente o edifício, mobilizando equipes de resgate.”

Assinale a alternativa em que a justificativa para o emprego da vírgula está correta.
Alternativas
Q4336016 Português
Leia o trecho apresentado:

“Um ataque com drone russo atingiu um shopping center em Sumy, no norte da Ucrânia, matando três pessoas e ferindo duas, informou o governador regional, Oleh Hryhorov. A investida provocou um incêndio e destruiu gravemente o edifício, mobilizando equipes de resgate.”

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/mundo/ataque-russo-ashopping-center-no-norte-da-ucrania-mata-tres-pessoas-dizgovernador,beb6e7f46c0920687b581a9665abb9701ctiq41q.html

Com base no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4335864 Português


(BROWNE, Dik. Hagar o horrível. Disponível em <https://www.instagram.com/p/DYCpd8WiSVD/>.

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta da palavra empregada nos quadrinhos acima.
Alternativas
Q4335861 Português
Assinale a alternativa em que qualquer uma das formas verbais apresentadas nos parênteses preenche corretamente a lacuna da frase.
Alternativas
Q4333441 Português
A aprendizagem da leitura envolve diferentes habilidades cognitivas e linguísticas que se desenvolvem progressivamente ao longo da escolarização. Entre essas habilidades, destaca-se aquela que permite ao estudante compreender o sentido global de um texto, relacionando informações explícitas e implícitas presentes na leitura. Essa habilidade corresponde ao desenvolvimento da:
Alternativas
Q4329650 Português
Em: Os homens acabariam vencendo se _____a trabalhar mais e não se ______diante dos obstáculos. Identifique a opção que completa corretamente as lacunas:
Alternativas
Q4329649 Português
Leia atentamente o texto:

“Sabe que sou o homem o menos pontual que há neste mundo; entre os meus imensos defeitos e as minhas poucas qualidades, não conto a pontualidade, essa virtude dos reis, e esse mau costume dos ingleses”. (José de Alencar) 

Indique a alternativa que representa em que tempo e modo estão os verbos em destaque:
Alternativas
Respostas
301: C
302: B
303: E
304: C
305: A
306: A
307: C
308: B
309: C
310: A
311: C
312: B
313: B
314: D
315: C
316: C
317: C
318: D
319: C
320: C