Questões de Concurso
Sobre crase em português
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Um equívoco frequente é o de associar o bem comum apenas à prosperidade material, com base na mera soma dos bens disponíveis que compõem uma sociedade – quase como se fôssemos usar o PIB per capita como critério para avaliar o bem comum. Como veremos, os bens materiais compõem, sim, o bem comum, mas são apenas uma parte dele – e nem mesmo a parte mais importante. Outro engano consiste em acreditar que o bem comum é “a felicidade do maior número de indivíduos”, como defendem os utilitaristas: essa mentalidade justificaria inclusive desrespeitos aos direitos básicos de alguns, se isso viesse a beneficiar um grupo maior. Isso talvez fosse o “bem da maioria”, mas não o “bem comum”. Este é um projeto coletivo que inclui a todos.
Excluindo algumas possibilidades, fica mais fácil definir o que é o bem comum. Ele é uma situação, um estado de coisas que facilita – ou pelo menos não dificulta – a cada indivíduo a possibilidade de perseguir, se assim o desejar, o próprio desenvolvimento integral (isto é, do caráter, profissional, econômico, social etc.) e sua realização por meio da busca da excelência.
E, infelizmente, são muitas as circunstâncias que dificultam o desenvolvimento integral de cada pessoa. Pensemos na ausência de referências morais e estéticas, no caos normativo e institucional, na insegurança jurídica ou naquela que deixa o cidadão temeroso de sair à rua, na indigência intelectual e científica, na desconfiança generalizada, na miséria que impede suas vítimas de se dedicar a qualquer outra coisa que não seja sua sobrevivência. A preocupação com o bem comum exige um combate sem trégua a essas situações.
Como o sentido da vida em sociedade deve ser o de proporcionar a cada um maiores chances de realização, o bem comum pressupõe uma série de valores imateriais – a presença de valores culturais e artísticos, um ambiente de paz e justiça, conhecimentos científicos e tecnológicos e um clima geral de estímulo pela busca da excelência – assim como bens materiais que tornam possível o desenvolvimento ancorado nesse clima e nesses valores.
Nesse sentido, os primeiros têm uma evidente precedência. São mais importantes e são os que tornam realmente bem estruturada uma sociedade. Facilitam, por sua vez, o aumento paulatino e equilibrado da prosperidade material. E, dentre aqueles componentes imateriais do bem comum, parece-nos que o mais decisivo, o que teria maior impacto no bem-estar geral, seria a existência, na sociedade, de uma convicção amplamente difundida de que há uma excelência moral que deve ser perseguida; mais, que merece ser perseguida. Convicção amplamente difundida e, pelo menos, concretizada na vida de muitos cidadãos. A convicção de que as virtudes são o que há de mais valioso na vida humana é o melhor alicerce para se construir uma sociedade promissora.
O alcance de um elevado nível de bem comum não é, ao contrário do que poderia parecer a muitos, uma incumbência fundamentalmente do governo. O Estado tem um papel importante – sem ele, por exemplo, seria impossível construir o ambiente de paz e justiça que elencamos como valor importante para o bem comum –, mas os cidadãos e as organizações da sociedade civil, no seu conjunto, têm um impacto maior nesta tarefa. Se pensarmos na influência da família, das escolas, dos meios de comunicação, das artes; se pensarmos no valor que um exemplo de heroísmo no cotidiano de pessoas comuns pode ter, perceberemos facilmente a responsabilidade imensa que todos têm na construção do bem comum.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda à questão, que a ele se referem.
Texto 01
Lifelong learning: aprender coisas novas melhora a saúde e o bem-estar
Cada dia, mais e mais novidades aparecem no mundo e se adaptar é uma necessidade. Assim, a habilidade de aprender é vital para acompanhar o ritmo das mudanças. O lifelong learning (em tradução livre, aprendizado ao longo da vida) é um conceito que ilustra essa ideia, principalmente quando se fala da vida profissional. Mas essa postura não é positiva só nessa área. Os benefícios de manter uma postura aberta à prática da aprendizagem contribui também para o bem-estar e para a saúde cognitiva.
Ter a mentalidade do lifelong learning é importante. Vale lembrar que a capacidade de aprendizagem é natural do ser humano e está presente em todas as fases da vida. “A aprendizagem é algo inerente ao ser humano, é algo que na psicologia a gente chama de um processo psicológico básico”, explica a professora e especialista em Educação, Estefanni Alves.
Blenda Oliveira, doutora em psicologia, reforça que o processo de aprendizagem é contínuo, mas esclarece sobre questões relacionadas à facilidade ou à dificuldade em alguma atividade. “As condições de aprendizagem da gente vão ficando um pouco mais estreitas”, inicia. “Não porque você não tem condições de aprender, você sempre vai ter condições de aprender, mas você vai ficando mais seletivo com a sua aprendizagem”, explica. Isso significa que pode ser necessário mais tempo para aprender ou se acostumar com uma atividade que nunca foi feita antes.
O modo como as pessoas aprendem muda ao longo da vida. Depois da adolescência, há uma capacidade mais consolidada de pensar e estabelecer raciocínio lógico a partir de hipóteses. Professores que dão aulas a adultos levam essa característica em consideração.
A aprendizagem estimula o cérebro. “A cada nova aprendizagem, novas conexões sinápticas são estabelecidas e mais forte esse cérebro vai ficando”, explica Estefanni. “Tal qual um músculo, ele precisa ser trabalhado para manter as suas funções”, resume.
A professora aponta também a importância do estímulo do cérebro para maior saúde do cérebro na fase idosa. “Hoje existe essa atenção porque se sabe que manter a parte cognitiva em funcionamento mais estimulado é proveitoso no enfrentamento de doenças senis, do campo do Alzheimer, por exemplo.”
E para além de saber algo novo, aprender também pode significar mais bem-estar e vontade de viver. [...]
Disponível em: https://vidasimples.com/saude-e-bem-estar. Acesso em: 13 fev. 2024. Adaptado.
Analise as afirmativas a seguir tendo em vista a organização morfossintática e semântica do trecho referido.
I - As vírgulas que separam o aposto explicativo “doutora em psicologia” são obrigatórias, de acordo com a norma.
II - A vírgula usada depois do termo “contínuo” é obrigatória, de acordo com a norma, para separar a oração coordenada adversativa posterior.
III - O sinal indicativo de crase, de acordo com a norma, é obrigatório nos dois usos, seguindo a regra geral.
IV - O uso da vírgula depois do aposto explicativo “Blenda de Oliveira”, de acordo com norma, é obrigatório.
V - A conjunção “mas” poderia ser substituída pela locução conjuntiva “no entanto” sem alterar o sentido do trecho.
Estão CORRETAS as afirmativas
O emprego do sinal indicativo de crase em “àquilo” (segundo período do terceiro parágrafo) é facultativo.


Quanto à estrutura linguística e ao vocabulário empregados no texto, julgue o item a seguir.
O emprego do sinal indicativo de crase no “a”
que inicia a expressão “a cada dois anos” (linha 7)
promoveria incorreção ao texto.
Leia atentamente o texto abaixo.
Limpeza Urbana
O serviço de limpeza urbana de Florianópolis foi reconhecido como o mais bem sucedido do Brasil pela ABREMA (Associação Brasileira de Resíduos do Meio Ambiente), na edição de 2023 do Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana. Segundo ............... ferramenta, criada para analisar o grau de adesão dos municípios ....................... Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Capital teve crescimento substancial em relação ......... 2022, saindo de 0,629, para uma pontuação de 0,757 na edição atual. Com isso, a cidade alcançou a primeira colocação nacional entre os municípios com mais de 250 mil habitantes. O município catarinense de Blumenau ficou na segunda posição.
O resultado coloca a Capital num seleto grupo de 4% dos municípios, dos mais de 3.947 avaliados, ................ integrar um patamar de pontuação considerada “alta“. O prefeito de Florianópolis, Topazio Neto, celebrou o resultado e disse não ter dúvidas de que a cidade tem o melhor manejo de resíduos do Brasil. “A cada ano aumentamos o montante desviado do aterro sanitário, graças .................. ampliação contínua das ações de destinação mais sustentáveis e participação ativa das pessoas”.
Entre as ações de sustentabilidade, além da coleta seletiva, Florianópolis tem pontos de entrega de vidro espalhadas por toda a cidade, coleta de verdes e composteiras individuais que a prefeitura doa.
Durante o levantamento, quatro dimensões foram estudadas: o engajamento da sociedade com a temática, considerando o grau de desenvolvimento econômico, e a cobertura dos serviços de coleta; a capacidade de sustentar financeiramente as atividades de manejo dos resíduos; os esforços para reciclagem de materiais e a taxa de reaproveitamento; além da geração de passivo ambiental, que leva em conta a quantidade de resíduos dispostos em lixões ou aterros controlados.
“Florianópolis, embora ainda tenha desafios para trabalhar, é uma referência. Nenhuma cidade do país apresenta os resultados que conseguimos. Para nós, enquanto equipe, é o momento de celebrar o que tem dado certo e aprimorar os pontos sensíveis, sempre com foco no objetivo de ser uma cidade lixo zero num futuro próximo”, salienta o secretário de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, Fábio Braga.
NDmais, Santa Catarina, ano 17, no 5548, janeiro de 2024, adaptado.
.................... espera de uma resolução para o conflito, combinaram um encontro face .......... face,........... oito horas da noite.
Assinale a alternativa que completa correta e sequencialmente as lacunas da frase.
Quando as informações conflitam com as nossas crenças, reinterpretamos os fatos de acordo com nossas convicções.
De maneira tendenciosa, escolhemos informações ou desinformações consistentes com as nossas ideologias.
Muita lógica para nada?
1 Muitas pessoas, ao longo da história, já esbravejaram contra a tentativa de racionalização e organização do pensamento por meio da lógica. Desde Sócrates, que via os sofistas como um grupo que se aproveitava da argumentação para confundir o povo e distorcer a verdade, até os pós-modernos (que desacreditam da própria noção de verdade e da lógica), temos visto todo tipo de argumentação contra a argumentação. E dentre os muitos exemplos que existem nesse sentido, talvez uma das mais espirituosas seja essa frase de Dostoiévski:
2 O homem tem tal predileção por sistemas e deduções abstratas que está disposto a distorcer intencionalmente a verdade, a negar a evidência dos seus sentidos só para justificar sua lógica. (Dostoiévski)
3 Por mais que pareça estranho esse tipo de desapreço pelo racional, especialmente se o que nos define como seres humanos é justamente a capacidade de organizar o pensamento, é importante considerar que a descrença na lógica decorre muitas vezes da observação do uso da racionalização para distorcer a realidade ou ganhar debates fingindo a verdade a que não se tem. Uma das coisas que Nietzsche criticava na filosofia era justamente a quantidade gigantesca de autores que, fingindo agir em nome da razão, lutavam impiedosamente para defender suas paixões. Nada de errado com as paixões, obviamente, o problema é não assumir a real intenção da filosofia: se esconder atrás de argumentos lógicos apenas para convencer os leitores de crenças e desejos muito particulares.
4 Não acho que a lógica é um problema. Mas concordo que devemos ponderar sobre sua utilização, pensando especialmente sobre o fato de que, muitas vezes, a ausência de argumentos sistematizados pode trazer benefícios evidentes (e a arte é o melhor exemplo disso). Por outro lado, vale ponderar também sobre o fato de que a lógica por si só não é sinal de verdade. Afinal, um bom argumento é aquele que tem a forma correta, não o conteúdo. E quem estuda lógica (olha só a utilidade dela aqui) geralmente consegue perceber essa diferença.
Extraído de: https://marcosramon.net/posts/muita-logica-para-nada/
A cartomante
Não havia dúvida que naqueles atrasos e atrapalhações de sua vida alguma influência misteriosa preponderava. Era ele tentar qualquer coisa, logo tudo mudava. Esteve quase para arranjar-se na saúde pública; mas assim que obteve um bom “pistolão”, toda a política mudou. Se jogava no bicho, era sempre o grupo seguinte ou o anterior que dava. Tudo parecia mostrar-lhe que ele não deveria ir para diante. Se não fossem as costuras da mulher, não sabia bem como poderia ter vivido até ali. Há cinco anos que não recebia vintém de seu trabalho. Uma nota de dois mil-réis, se alcançava ter na algibeira por vezes, era obtida com o auxílio de não sabia quantas humilhações, apelando para a generosidade dos amigos.
Queria fugir, fugir para bem longe, onde a sua miséria atual não tivesse o realce da prosperidade passada; mas, como fugir? Onde havia de buscar dinheiro que o transportasse, a ele, à mulher e aos filhos? Viver assim era terrível! Preso à sua vergonha como a uma calceta, sem que nenhum código e juiz tivessem condenado, que martírio!
A certeza, porém, de que todas as suas infelicidades vinham de uma influência misteriosa, deu-lhe mais alento. Se era “coisa-feita”, havia de haver por força quem a desfizesse. Acordou mais alegre e se não falou à mulher alegremente era porque ela já havia saído. Pobre de sua mulher! Avelhantada precocemente, trabalhando que nem uma moura, doente, entretanto a sua fragilidade transformava-se em energia para manter o casal.
Ela saía, virava a cidade, trazia costuras, recebia dinheiro, e aquele angustioso lar ia se arrastando, graças aos esforços da esposa.
Bem! As coisas iam mudar! Ele iria a uma cartomante e havia de descobrir o que é que atrasava sua vida.
Saiu, foi à venda e consultou o jornal. Havia muitos videntes, espíritas, teósofos anunciados; mas simpatizou com uma cartomante,
cujo anúncio dizia assim: “Madame Dadá, sonâmbula, extralúcida, deita as cartas e desfaz toda a espécie de feitiçaria, principalmente
a africana. Rua, etc.”.
Não quis procurar outra; era aquela, pois já adquirira a convicção de que aquela sua vida vinha sendo trabalhada pela mandinga
de algum preto-mina, a soldo do seu cunhado, Castrioto, que jamais vira com bons olhos o seu casamento com a irmã.
Arranjou com o primeiro conhecido que encontrou o dinheiro necessário, e correu depressa para a casa de Madame Dadá.
O mistério ia desfazer-se e o malefício ser cortado. A abastança voltaria a casa; compraria um terno para Zezé, umas botinas para Alice, a filha mais moça; e aquela cruciante vida de cinco anos havia de lhe ficar na memória como passageiro pesadelo.
Pelo caminho tudo lhe sorria. Era o sol muito claro, e doce, um sol de junho; eram as fisionomias risonhas dos transeuntes; e o mundo que até ali lhe aparecia mau e turvo, repentinamente lhe surgia claro e doce.
Entrou, esperou um pouco, com o coração a lhe saltar do peito.
O consulente saiu e ele foi afinal à presença da pitonisa. Era sua mulher.
(Contos completos de Lima Barreto. Por: Lima Barreto. 2010. Adaptado.)
“[...] salvo um homem que estava à porta de uma loja [...]”
Assinale a alternativa em que a crase foi empregada corretamente, tal como no fragmento apresentado.