Questões de Concurso
Comentadas por alunos sobre crase em português
Foram encontradas 8.943 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
Texto para a questão.
No Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Estado
do Piauí (Core‑PI), a atuação do Assistente Jurídico exige domínio da linguagem
técnico‑administrativa, pois a tramitação de processos, a análise de
requerimentos, a elaboração de manifestações e o acompanhamento de atos
normativos dependem de registros claros e juridicamente consistentes. Em um
órgão de fiscalização profissional, a escrita não se limita à transmissão de
dados: ela organiza fundamentos, delimita responsabilidades, previne interpretações
incompatíveis e contribui para a segurança dos atos praticados.
A comunicação institucional eficiente pressupõe precisão
vocabular, impessoalidade, coesão e respeito à norma‑padrão. Um parecer, uma
notificação ou uma informação processual mal estruturada pode produzir ruído
interpretativo, sobretudo quando emprega conectores inadequados, pronomes sem
referente claro, pontuação imprecisa ou formas verbais incompatíveis com o grau
de formalidade exigido. Nesses casos, o problema linguístico ultrapassa o plano
estético e alcança a própria regularidade da atuação administrativa.
No desempenho de suas atribuições, o Assistente Jurídico deve
reconhecer que a clareza não se confunde com simplificação excessiva. Textos
institucionais precisam ser acessíveis, mas também tecnicamente suficientes.
Por isso, a seleção de palavras, a articulação entre orações, a observância da
regência e da concordância, o emprego adequado da crase e a colocação correta
dos pronomes átonos constituem recursos indispensáveis à produção de documentos
seguros, coesos e compatíveis com o interesse público.
Assim, a competência linguística não representa mero atributo
acessório: integra a própria qualidade do serviço prestado pelo Core‑PI. Quando
a linguagem é usada com rigor, os atos administrativos tornam‑se mais
transparentes, as decisões ficam mais bem fundamentadas e a relação entre o
órgão, os profissionais registrados e a sociedade tende a ser fortalecida.
Fonte: BRASIL. Manual de Redação da Presidência da
República. 3. ed. Brasília: Presidência da República, 2018; BRASIL. Constituição
da República Federativa do Brasil de 1988, art. 37; BRASIL. Lei n.º
4.886/1965 (com adaptações).
Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto.
• “E nem falei das culpas que nos autoinfligimos por termos cedido ___ covardia”.
• “Amigos não embaçam: desatam nós com habilidade e dormem bem ___ noite”.
• “não temos coragem de fazer o que se deve: deixar ___ culpa morrer de fome”.

• “Arlindo Maróstica tem já colhidas e em estoque ___ espera da venda grande parte das 14 toneladas que estimava colher”.
• “O bom desempenho de 2026, segundo ele, se deve muito ___ manejo das plantas”.
• “Ainda em Nova Pádua, a colheita deste ano será ___ mais expressiva do pomar”.
Nem toda dor de cabeça é igual, saiba quando procurar um médico
Por Bianca Queiroz


(Disponível em: www.metropoles.com/saude/dor-de-cabeca-pode-indicar-algo – texto adaptado especialmente para esta prova).
• “Dor associada ___ febres ou sintomas neurológicos”.
• “Já Natalia enfatiza ___ urgência nesses casos”.
• “Um erro comum é acreditar que a maioria das dores está ligada ___ visão, pressão alta ou sinusite”.
O uso do acento indicativo de crase em locuções, como 'à distância', pode ocorrer ou não, a depender de sua formação e de sua consagração na norma-padrão. Com base nisso, complete as locuções a seguir com a forma adequada, empregando ou não o acento indicativo de crase.
Depois de anos economizando, finalmente compraram o apartamento. Estava tudo ___ mil maravilhas: um imóvel ___ beira-mar, adquirido ___ prestação e ___ prazo, trinta anos de parcelas que caberiam no orçamento, desde que nada saísse do planejado.
O vício mais poderoso e perigoso do mundo não é mais uma substância
Durante décadas, quando se falava em vício, o imaginário social recorria a drogas, álcool, nicotina ou jogos de azar. Substâncias químicas e comportamentos já reconhecidos como destrutivos. O que mudou no nosso tempo não foi apenas o objeto do vício, mas sua forma de apresentação. O vício mais poderoso do mundo contemporâneo não tem cheiro, não deixa marcas físicas imediatas e raramente é percebido como ameaça enquanto se instala. Ele se apresenta como entretenimento leve, descanso mental e até como forma legítima de informação.
Um estudo publicado em 2025 no Psychological Bulletin oferece um mapa preciso desse fenômeno. Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise que reuniu dados de 71 estudos independentes, com quase 100 mil participantes, analisando os efeitos do consumo de vídeos de formato curto sobre a cognição e a saúde mental. O método é relevante justamente por eliminar impressões subjetivas e consolidar padrões que se repetem em diferentes contextos culturais e etários.
As conclusões são consistentes. O consumo frequente de vídeos curtos está associado a prejuízos significativos na atenção sustentada e no controle inibitório, isto é, na capacidade de manter foco e resistir a impulsos. Em um dos trechos, os autores afirmam que “o consumo de vídeos curtos está consistentemente associado a um funcionamento cognitivo mais fraco, especialmente em domínios relacionados à atenção e ao autocontrole”. Não se trata de um efeito marginal. Trata-se de uma reorganização do modo como a mente aprende a funcionar.
No campo da saúde mental, o padrão se repete. O estudo identifica associações claras entre uso intensivo desse tipo de conteúdo e níveis mais elevados de estresse e ansiedade, além de impactos negativos sobre o sono e o bem-estar geral. Os pesquisadores observam que “os efeitos negativos observados não se limitam a adolescentes, manifestando-se também de forma consistente em adultos”, desmontando a ideia de que estamos diante de um problema transitório ou geracional.
O ponto mais decisivo, porém, não está apenas nos números, mas no mecanismo. Plataformas baseadas em vídeos curtos operam com estímulos rápidos, recompensas imprevisíveis e rolagem infinita. Esse desenho favorece a formação de hábitos automáticos. O estudo descreve esse processo ao registrar que “os sistemas de design dessas plataformas promovem padrões de uso compulsivo, reforçando a fragmentação da atenção e a dificuldade de engajamento prolongado”. A mente passa a ser treinada para o imediato, para o fragmento, para o próximo estímulo.
É assim que a tecnologia deixa de ser ferramenta e se torna vício. E quando o vício se consolida, ele passa a moldar não apenas comportamentos, mas expectativas internas. O esforço começa a parecer sofrimento. O silêncio, ameaça. A continuidade, tédio. O vício mais poderoso não é aquele que paralisa, mas o que reconfigura silenciosamente o limiar do que é suportável para a mente humana.
Os próprios autores do estudo sugerem estratégias de mitigação, como limites de tempo, pausas deliberadas e estímulo a atividades que favoreçam atenção prolongada. Mas essa resposta, embora necessária, é insuficiente para compreender a dimensão do problema. O que está em jogo não é apenas desempenho cognitivo. É a própria relação do ser humano com a atenção, que sempre foi o fundamento da vida interior.
(Por: Madeleine Lacsko. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/cidadania-digital. Acesso em: 10/02/2026. Fragmento.)
Sabe-se o quanto as memórias infantis _________ comportamentos da vida adulta. Portanto, o melhor _________ fazer é tratar as crianças com muito afeto.
As lacunas devem ser preenchidas, na ordem em que se apresentam, considerando a norma-padrão da língua portuguesa, por:
Aquele que fica ____________ distância dos livros receia _________ perda de alguma coisa, enquanto o que se aproxima deles sente que tem algo a ganhar. O primeiro teme se confrontar _________ uma carência, _________ tenta se livrar com todas as suas forças. O segundo acredita que, por meio dos livros, e em particular da literatura, poderá, ao contrário, apaziguar _________ medos.
(Michèle Petit. Os jovens e a leitura – uma nova perspectiva, 2013. Adaptado)
Leia o texto e responda à questão.
Como a neurociência explica a experiência sonora de uma sala de cinema
Cinco vezes eleita pela melhor qualidade de som, a Sala 1, do Cine Marquise, propõe experiência que mimetiza o funcionamento do cérebro humano
O investimento em tecnologia de ponta tornou-se a principal estratégia para a sobrevivência das salas de cinema em meio à popularização do streaming.
No coração da Avenida Paulista, o Cine Marquise colhe os frutos dessa aposta: sua Sala 1 foi eleita, pela quinta vez, a melhor de São Paulo em qualidade de som.
Equipado com 46 caixas de som e quatro subwoofers (tipo de alto-falante especializado na reprodução de frequências subgraves), o espaço utiliza o sistema Dolby Atmos que propõe uma experiência que vai além das limitações do som surround tradicional.
Diferente dos sistemas convencionais, que distribuem o áudio por canais fixos (como esquerda, direita e fundo), este sistema cria um ambiente tridimensional.
É o que explica Luciano Taffetani, gerente sênior da Dolby na América Latina - segundo ele, a tecnologia altera a percepção do espectador ao mimetizar o funcionamento do cérebro humano. "A tecnologia instalada no Cine Marquise transforma a experiência sonora ao se aproximar da forma como o cérebro naturalmente percebe o mundo. (...) O Dolby Atmos opera nesse nível: em vez de limitar o som a canais fixos, ele cria um ambiente tridimensional onde cada elemento se move com precisão pelo espaço".
O impacto na narrativa e emoção
A precisão técnica reflete diretamente no envolvimento emocional. Com o som vindo de todas as direções, inclusive do teto, o espectador deixa de ser um observador passivo para se sentir dentro da cena. Taffetani reforça que a neurociência não separa percepção de emoção: "Nós sentimos antes mesmo de interpretar".
O isolamento acústico rigoroso da sala garante que ruídos externos não interfiram na tradução da obra original.
(https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/como-a-
neurociencia-explica-a-experiencia-sonora-de-uma-sala-de-
cinema/)
“Assisti _____ peça. Não temos que dar satisfações ____ ele. Escreve _____ José Saramago.”
Sabe-se o quanto as memórias infantis __________comportamentos da vida adulta. Portanto, o melhor __________ fazer é tratar as crianças com muito afeto.
As lacunas devem ser preenchidas, na ordem em que se apresentam, considerando a norma-padrão da língua portuguesa, por:
O avô de José Saramago era analfabeto e foi grande fonte de sua admiração. O escritor descrevia o avô como “um grande escritor analfabeto”, _______ quem prestou homenagens ao longo de sua vida. Saramago teve seu início na literatura um tanto tarde, já que sua família não dispunha de livros em casa. Seu pai comprava a ele o Diário de Notícias, através do qual o escritor aprendeu ________ ler. Foi com quase 20 anos que Saramago passou a ir ________ biblioteca de sua cidade.
(José Saramago: uma obra mais que necessária.
https://bndigital.bn.gov.br, 18.06.2021. Adaptado)
As lacunas do texto são completadas, correta e respectivamente, por:
Leia o texto para responder à questão:
A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma
Desde muito, os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações em direções e com efeitos muito variáveis. Vivenciada como uma operação essencialmente solitária e subjetiva, a leitura de obras literárias foi sempre considerada uma experiência tão poderosa quanto perigosa. E, se nem sempre se tenha explicitado a necessidade da supervisão, a importância, pelo menos, da interlocução é algo que aparece como elemento fundamental no contexto da experiência da leitura. Assim, fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la.
Ainda que essencialmente solitária, a leitura pode ser algo excessivamente pesado e difícil para se enfrentar sozinho. Por outro lado, se vencidas as dificuldades iniciais de falta de hábito e compreensão, o grande poder mobilizador da leitura praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização.
Um dos exemplos mais interessantes nesse sentido talvez seja a biblioterapia, que propõe a leitura de obras literárias como recurso psicoterapêutico. Abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana, a biblioterapia surgiu como proposta ainda na década de 1940, porém só mais recentemente, no contexto da busca de abordagens alternativas para os efeitos patológicos causados pelo acirramento da dinâmica desumanizadora da vida moderna, que ela passou a ser mais difundida e utilizada em diversos contextos e modalidades.
Concomitantemente, porém com um grau de difusão significativamente maior, cabe assinalar o aparecimento dos grupos de leitura ou clubes do livro, onde leitores se reúnem para compartilhar sensações, impressões e opiniões suscitadas pela leitura de determinada obra. Tais dinâmicas, ainda pouco estudadas, porém em franco processo de expansão, parecem operar como elemento incentivador da prática da leitura, ao mesmo tempo em que possibilitam o desdobramento do processo reflexivo, formativo e humanizador que a experiência literária propicia.
(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019; ePUB. Adaptado)
