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Há quem até venda seus momentos mais particulares.
“Tornou-se comum a negociação entre atores famosos e patrocinadores nos festejos importantes.”
Se o termo “a negociação” fosse para o plural, o verbo ficaria:
I. O autor critica as pessoas que julgaram a atriz Carolina Dieckmann reacionária por não querer se expor.
II. O autor critica os atos imorais que as pessoas cometem na sua intimidade.
Está correto o que se afirma em
I. O autor considera que a exposição da intimidade só é válida para as celebridades.
II. De acordo com o autor, a obra de Nelson Rodrigues está ultrapassada, pois se trata de peças antigas.
Está correto o que se afirma em
Os alunos que são muito indisciplinados foram punidos.
I. A pontuação está correta.
II. Se a oração adjetiva estivesse entre vírgulas, não haveria mudança de sentido.
III. Há duas orações no período.
Está correto o que se afirma apenas em
I. Devem haver muitos interessados no cargo.
II. Devem-se analisar todos os aspectos da questão.
III. Tratam-se de problemas graves.
A concordância está correta somente em
É ___________ descobrir ______ houve a falha na produção.
Os resultados serão enviados ____ de amanhã ____ diretoria da instituição.
Não obedeceu-se todos os itens do regulamento.
I. Deveria ter sido usada a próclise.
II. Há um erro de concordância, pois o verbo deveria estar no plural.
III. Há um erro de regência verbal.
Está correto o que se afirma somente em
O aluno perfeito
Rubem Alves
Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: "por que você não é como o Memorioso?" Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas. Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?" Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontramse no coração, onde mora a emoção...
Que mais prazer lhe deu?
O aluno perfeito
Rubem Alves
Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: "por que você não é como o Memorioso?" Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas. Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?" Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontramse no coração, onde mora a emoção...
I. O início do texto, semelhante ao dos contos de fadas infantis, remete ao caráter ficcional da história.
II. O último parágrafo revela o posicionamento do autor frente ao tema abordado.
III. O texto é narrado em primeira pessoa.
Está correto o que se afirma somente em
O aluno perfeito
Rubem Alves
Ele se chamava Memorioso, pois seus pais julgavam que a memória perfeita é essencial para uma boa educação Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter! Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos, datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: "por que você não é como o Memorioso?" Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade, foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: "Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?" "Pode fazer", disse Memorioso confiante. Sua memória continha todas as respostas. Aí ela falou: "De tudo o que você memorizou qual foi aquilo que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?" Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Depois apagou, entrou em coma. Levado às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontramse no coração, onde mora a emoção...
I. Infere-se que o autor compartilha a mesma visão dos pais de Memorioso sobre a educação.
II. Por meio de uma narrativa, o autor defende seu ponto de vista sobre a educação.
III. O autor considera que a educação deve ser voltada para a aprovação no vestibular, essencial para o sucesso profissional.
Está correto o que se afirma somente em
Liberada ontem por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a legalidade de passeatas sobre drogas como livre manifestação do pensamento - e não apologia ao crime - , a Marcha da Maconha estará presente na Marcha Nacional da Liberdade, passeata que deve reunir milhares de pessoas em 40 cidades do País no sábado. Em São Paulo, a partir das 14h, o palco será a Avenida Paulista. Grupos em prol da legalização do consumo de drogas lideram a manifestação. Ela foi criada por causa da repressão policial à Marcha da Maconha no dia 21 de maio. Eles declaram, no entanto, que não formam uma Marcha da Maconha reeditada, porque a pauta também tem reivindicações de ciclistas, músicos, homossexuais e minorias e exige a liberdade de expressão. Integrantes da Marcha da Maconha prometem exibir cartazes e cânticos para levar o debate sobre as políticas públicas de drogas às ruas.
Considere as afirmações que seguem.
I. A expressão colocada entre travessões (“e não apologia ao crime”) tem como função destacar o embasamento da decisão judicial. II. O termo “apologia” pode ser substituído, sem alteração de sentido, por “reivindicação”.
Está correto o que se afirma em:
A casa ficou cercada de policiais.
Maria Rita Kehl
A família de minha mãe, no passado, teve uma pequena fazenda vendida quando eu tinha sete anos. Ali passei as férias da primeira infância. Ali minha mãe passou todas as férias da vida dela. Ao deixar de ser nossa, a fazenda do Tatu virou mito. Durante muitos anos minha mãe me contava as aventuras da infância dela. Imaginada através de la neblina delajer a infância de minha mãe incorporou-se à minha própria memória em um escaninho paradisíaco, tanto mais meu quanto mais perdido para ela. Até hoje, diante de paisagens de terra vermelha ou do cheiro do capim-gordura na beira da estrada sou tomada pela inquietante nostalgia de um passado que não me pertence: sinto saudades da infância de minha mãe. A qual por sua vez terá chegado a mim atravessada por vagas lembranças da infância da mãe dela, nascida em uma fazenda ainda mais remota em um interior perdido de Minas Gerais. Só muito recentemente eu me dei conta de que a doce vidinha de meus bisavôs na lendária Pacau, matéria da nostalgia rural acalentada por minha família materna, teria sido sustentada à custa de trabalho escravo. Não que eu não soubesse nada disso. Achávamos muita graça no episódio em que alguns escravos de estimação de minha bisavó viúva vieram uma tarde lhe contar, candidamente: “sinhá, o feitor não vai mais trabalhar por aqui porque nóis matemo ele”. Complacente ou indolente, sinhá contratou outro feitor e manteve os escravos a que estava habituada. A violência cotidiana da escravidão que culminou no justiçamento de um feitor anônimo e certamente cruel não impediu que a geração de minha mãe nos transmitisse uma saudade imensa dos “bons tempos” da vida no Pacau.
Bons tempos é o nome que damos ao passado – qualquer passado. São os bons tempos, é o nosso tempo. Passei a adolescência e parte da juventude sob a ditadura militar, e isto não impede que me pegue com frequência a acalentar uma estranha utopia em retrospecto, de que “no meu tempo” a vida tinha mais graça. De todas as formas de escapismo inventadas pelos homens para suportar o osso duro da vida real, talvez o mais inconsciente seja a idealização do passado. Direita e esquerda, conservadores e progressistas cultivam, cada um à sua maneira, o mito de seus bons tempos. Isto é mais grave para a esquerda, que se arrisca a cultivar as utopias que já (não) foram. Mas não é de hoje que tudo fica cada vez pior aos olhos das gerações presentes. “Esse mundo tá perdido, sinhá!” – era o bordão da ex-escrava “tia Anastácia” nos livros infantis de Monteiro Lobato.
O mundo globalizado volta-se todo para o futuro. A vida imita a urgência das apostas antecipadas que cria as tais bolhas de não-riqueza do capital financeiro. A tecnologia aponta para a superação de todas as descobertas, que já nascem com os dias contados, fadadas à obsolescência. Chamamos de progresso a essa forma de vida breve das coisas, fruto do trabalho humano que envelhece tão rapidamente quanto elas.
O presente é uma partícula mínima de tempo, cada vez mais comprimida entre o que já foi e o que será. A rigor, pensem bem: o presente não existe. O futuro é um lugar gelado onde não vive ninguém, de onde só nos acenam promessas de velocidade. A depender das tecnociências hoje, no futuro nos deslocaremos ainda mais depressa, nos comunicaremos mais depressa, ganharemos e perderemos dinheiro mais depressa – e tentaremos envelhecer mais devagar.
O passado tornou-se o único terreno seguro onde a imaginação pode armar sua tenda e contemplar o mundo em relativa tranquilidade. Na vida em retrospecto, todas as nossas escolhas teriam sido corretas. Teríamos sido abolicionistas no século XIX, modernistas nos anos 1920, resistentes antifascistas em 1930-40, opositores firmes contra as duas ditaduras brasileiras. O passado nos poupa da dimensão trágica da escolha.
Mas é no presente que o corpo está vivo. No presente é que se jogam os lances de dados do destino. Ele é tudo o que temos – e nos escapa.
Considere as afirmações que seguem.
I. A autora afirma que as pessoas não devem planejar o futuro, pois ele é incerto, apenas o passado é seguro.
II. De acordo com o texto, a idealização do passado é uma forma que as pessoas encontram para suportar os problemas que enfrentam.
Está correto o que se afirma em:
Maria Rita Kehl
A família de minha mãe, no passado, teve uma pequena fazenda vendida quando eu tinha sete anos. Ali passei as férias da primeira infância. Ali minha mãe passou todas as férias da vida dela. Ao deixar de ser nossa, a fazenda do Tatu virou mito. Durante muitos anos minha mãe me contava as aventuras da infância dela. Imaginada através de la neblina delajer a infância de minha mãe incorporou-se à minha própria memória em um escaninho paradisíaco, tanto mais meu quanto mais perdido para ela. Até hoje, diante de paisagens de terra vermelha ou do cheiro do capim-gordura na beira da estrada sou tomada pela inquietante nostalgia de um passado que não me pertence: sinto saudades da infância de minha mãe. A qual por sua vez terá chegado a mim atravessada por vagas lembranças da infância da mãe dela, nascida em uma fazenda ainda mais remota em um interior perdido de Minas Gerais. Só muito recentemente eu me dei conta de que a doce vidinha de meus bisavôs na lendária Pacau, matéria da nostalgia rural acalentada por minha família materna, teria sido sustentada à custa de trabalho escravo. Não que eu não soubesse nada disso. Achávamos muita graça no episódio em que alguns escravos de estimação de minha bisavó viúva vieram uma tarde lhe contar, candidamente: “sinhá, o feitor não vai mais trabalhar por aqui porque nóis matemo ele”. Complacente ou indolente, sinhá contratou outro feitor e manteve os escravos a que estava habituada. A violência cotidiana da escravidão que culminou no justiçamento de um feitor anônimo e certamente cruel não impediu que a geração de minha mãe nos transmitisse uma saudade imensa dos “bons tempos” da vida no Pacau.
Bons tempos é o nome que damos ao passado – qualquer passado. São os bons tempos, é o nosso tempo. Passei a adolescência e parte da juventude sob a ditadura militar, e isto não impede que me pegue com frequência a acalentar uma estranha utopia em retrospecto, de que “no meu tempo” a vida tinha mais graça. De todas as formas de escapismo inventadas pelos homens para suportar o osso duro da vida real, talvez o mais inconsciente seja a idealização do passado. Direita e esquerda, conservadores e progressistas cultivam, cada um à sua maneira, o mito de seus bons tempos. Isto é mais grave para a esquerda, que se arrisca a cultivar as utopias que já (não) foram. Mas não é de hoje que tudo fica cada vez pior aos olhos das gerações presentes. “Esse mundo tá perdido, sinhá!” – era o bordão da ex-escrava “tia Anastácia” nos livros infantis de Monteiro Lobato.
O mundo globalizado volta-se todo para o futuro. A vida imita a urgência das apostas antecipadas que cria as tais bolhas de não-riqueza do capital financeiro. A tecnologia aponta para a superação de todas as descobertas, que já nascem com os dias contados, fadadas à obsolescência. Chamamos de progresso a essa forma de vida breve das coisas, fruto do trabalho humano que envelhece tão rapidamente quanto elas.
O presente é uma partícula mínima de tempo, cada vez mais comprimida entre o que já foi e o que será. A rigor, pensem bem: o presente não existe. O futuro é um lugar gelado onde não vive ninguém, de onde só nos acenam promessas de velocidade. A depender das tecnociências hoje, no futuro nos deslocaremos ainda mais depressa, nos comunicaremos mais depressa, ganharemos e perderemos dinheiro mais depressa – e tentaremos envelhecer mais devagar.
Considere as afirmações que seguem.
I. A autora defende os regimes autoritários, pois considera que o período da ditadura militar, no qual passou a sua infância, foi bom.
II. A tendência a idealizar o passado faz com que as pessoas, muitas vezes, não reparem no que de mau havia na época.
Está correto o que se afirma em:
Considere o período abaixo e as afirmações que seguem.
Me disseram que ele está muito doente.
I. O pronome “me”, de acordo com a norma culta, não deveria iniciar a oração.
II. O advérbio “muito” intensifica o adjetivo “doente”.
Está correto o que se afirma em:
Assinale a alternativa que indica a conjunção que pode substituir a palavra destacada no período abaixo, sem alteração de sentido.
Estava cansado, mas deveria terminar o trabalho.